O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), deu voz de prisão ao presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, e alegou falso testemunho durante o depoimento do depoente ao colegiado nesta segunda-feira (3). O pedido foi feito pelo relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL).
O parlamentar alagoano disse que o depoente inicialmente se manteve em silêncio ao ser questionado sobre o “Careca do INSS”, mas respondeu posteriormente a outros parlamentares sobre o mesmo tema; omitiu informações sobre a procuração concedida a uma pessoa que teria movimentado recursos da confederação e teria mentido ao afirmar que havia renunciado à presidência da CBPA, quando, segundo o relator, a saída ocorreu por decisão judicial.
“Em quatro oportunidades o depoente faltou com a verdade, fez afirmação falsa ou calou a verdade. Por respeito ao povo brasileiro e a esta CPMI, solicito que seja preso em flagrante por infringência ao artigo 342 do Código Penal”, afirmou o relator.
Ao encerrar a sessão, Viana acatou o pedido do deputado. “Diante do exposto, a comissão, com fundamento no artigo 58, parágrafo 3º, da Constituição Federal, determina a prisão em flagrante do senhor Abraão Lincoln Ferreira da Cruz pelo crime próprio de falso testemunho, conforme o inciso 2º do artigo 4º da Lei 1.579 de 1952”, declarou o presidente da CPMI.
Apesar de a CPMI realizar a prisão em flagrante, o depoente é liberado após prestar esclarecimentos à Polícia Legislativa. O entendimento da corporação é o de que prisões de investigados devem ser determinadas pelo Judiciário.
O senador afirmou que a decisão pela prisão foi tomada em nome dos aposentados e pensionistas lesados pelo esquema apurado pela CPMI. “Em nome dos aposentados — quase 240 mil que a CBPA enganou —, o senhor Abraão Lincoln Ferreira da Cruz está preso”, concluiu o presidente da comissão.
No caso de Cruz, já existe um pedido de prisão preventiva requerido pela comissão ao ministro André Mendonça, relator das investigações no Supremo Tribunal Federal (STF). No entanto, o magistrado ainda não decidiu sobre o caso.
Cruz prestou esclarecimentos colegiado sobre as investigações contra a entidade que representa. A CBPA é alvo de investigação da Polícia Federal (PF) na Operação Sem Desconto, por suspeita de irregularidades em larga escala.
Segundo reportagem do portal Metrópoles, a Controladoria-Geral da União (CGU) apontou que a confederação não tem nenhum funcionário registrado, apesar de ter alcançado, em 2024, a marca de 445 mil filiados e um faturamento de R$ 41,2 milhões no mesmo ano — totalizando R$ 221 milhões.
Ainda conforme as apurações, a CBPA teria solicitado cerca de 40 mil vezes a inclusão de descontos em benefícios de pessoas mortas. O acordo de cooperação técnica firmado com o INSS em 2022 determinava que a entidade deveria comunicar o óbito de filiados à Previdência Social e restituir valores recebidos indevidamente, o que não teria ocorrido.
Ao iniciar sua fala no colegiado, Cruz negou as irregularidades e afirmou que a entidade surgiu inicialmente com 12 federações e, atualmente, conta com 21 federações, com pouco mais de 1000 colônias e sindicatos de pescadores.
“Existimos. Na maioria [dos] estados brasileiros existe pesca artesanal, estamos aqui para dizer que as nossas instituições existem. Dá para ver nos estados de vocês, porque muitos de vocês podem ver nossas colônias e nossos sindicatos. Temos sede em 95% dos municípios onde temos confederados. A CBPA, como qualquer outra confederação, não tem trabalhadores filiados a ela diretamente”, afirmou.
Sobre as suspeitas de irregularidades em descontos associativos, a CBPA afirmou, em nota enviada ao UOL, que os pescadores filiados são “pessoas humildes, de hábitos simples, que num primeiro momento reconhecem a filiação à entidade mais próxima, geralmente a sua colônia de pesca”. “A despeito disso, a CBPA cumpre regularmente o papel de oferecer a seus associados que fazem a contribuição confederativa a planos de benefícios […] e reitera seu total apoio às instituições de controle brasileiras, que buscam proteger os aposentados de práticas fraudulentas”.
CPMI aponta ligação com o “Careca do INSS”
O relator apresentou documentos que, segundo ele, comprovam transferências da CBPA para empresas ligadas ao “Careca do INSS”. Os repasses, conforme os dados expostos, somam quase R$ 13 milhões.
“A sua confederação movimentou cifras altíssimas com essas empresas. Só para o grupo do ‘Careca’, os repasses passam de R$ 10 milhões. O senhor financiou o maior criminoso desse esquema”, declarou Gaspar.
“Não há justificativa plausível para tamanho repasse. O senhor não pode alegar desconhecimento sobre quem eram os beneficiados”, afirmou o relator.
Cruz voltou a se esquivar das perguntas, afirmando em outro momento: “Não recordo, senhor relator.”
Durante a sessão, Gaspar afirmou ainda que a CBPA funcionava como “elo entre o dinheiro dos aposentados e o núcleo liderado pelo ‘Careca do INSS’”. Segundo ele, a confederação integra um dos principais eixos da “arquitetura criminosa” investigada pela CPMI, responsável por descontos indevidos de benefícios previdenciários.
“A confederação presidida pelo senhor Abraão Lincoln é parte estruturante desse sistema criminoso. É o elo entre o dinheiro dos aposentados e o núcleo operacional comandado pelo ‘Careca do INSS’”, afirmou.
O relator também citou suspeitas de inclusão de pessoas falecidas como associadas, o que teria permitido o desvio de recursos por meio de cobranças indevidas.
“A CBPA arrecadou mais de R$ 221 milhões e tentou incluir mais de 40 mil mortos em sua base de filiados. Essa operação não é um erro administrativo — é fraude deliberada”, disse Gaspar.
Cruz permaneceu em silêncio até o encerramento do depoimento. O relator afirmou que a conduta do dirigente e as informações obtidas na oitiva serão analisadas para subsidiar o relatório final da CPMI.
“O silêncio do depoente apenas reforça o que esta comissão vem apurando: que a CBPA atuou em parceria com o ‘Careca do INSS’ para desviar dinheiro público de forma sistemática e organizada”, concluiu Gaspar.
Damares pede expulsão de investigado pela CPMI do Republicanos
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) pediu, nesta segunda-feira (3), a expulsão do presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, dos quadros do Partido Republicanos. O ofício, enviado ao secretário-geral da sigla, Demóstenes Felix, foi formalizado no mesmo dia em que Cruz prestou depoimento à CPMI do INSS.
A CBPA é alvo de investigação da Polícia Federal (PF) na Operação Sem Desconto por suspeita de irregularidades em larga escala.
“As denúncias reveladas comprometem a imagem e os valores éticos do partido, razão pela qual se faz necessária uma providência imediata no sentido de preservar a credibilidade e o compromisso publico que norteiam a atuação do Republicanos”, disse Damares no pedido.
Essa não é a primeira vez que Cruz pode ser alvo de sanção dentro do partido. Em 2015, ele foi afastado da presidência da Comissão Provisória do PRB do Rio Grande do Norte.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/cpmi-viana-da-voz-de-prisao-a-presidente-de-entidade-suspeita-no-escandalo-do-inss/

Lula curte a Amazônia, e exportador brasileiro lamenta perdas

Eu tenho falado sobre o domínio do Comando Vermelho lá onde o Rio Amazonas, ainda com o nome de Solimões, entra no Brasil, em Tabatinga (AM). Vejam a ironia: na foz do Amazonas, encontrando o mar, em Belém, vai ocorrer a COP 30, e o presidente Lula já está navegando nessas mesmas águas que, lá no início, na origem, são comandadas pelo Comando Vermelho. Está em um barco de luxo, com todo o conforto; deve estar se sentindo um príncipe, com a primeira-dama Janja ao seu lado.
Enquanto isso, o tempo vai passando e os brasileiros que exportam para os Estados Unidos continuarão pagando, provavelmente por meses, até que o governo brasileiro resolva o problema. O encarregado de comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, disse que a negociação vai levar meses – e a parte dele parece ser a mais fácil, são os 10% da tarifa comercial. Já para os outros 40%, a tarifa do Departamento do Tesouro como sanção ao Brasil por desrespeito a direitos humanos no Supremo, a negociação é com Marco Rubio, que conhece a América Latina.
Há uma solução. O deputado Paulinho da Força é relator daquela história de dosimetria, uma bobagem. Muito melhor é a sugestão que eu já trouxe aqui, feita por um juiz aposentado, com grande experiência na área criminal, Everardo Ribeiro. Ele propõe que, para se configurar o crime de golpe de Estado, é preciso haver presença comprovada de arma de fogo, explosivo ou artefato bélico. Se passar um projeto desses, alterando um único artigo do Código Penal, o 359-M, isso faria toda a diferença, porque a nova lei retroagiria em benefício dos réus. O preso nem precisaria provar que não estava com arma; a acusação é que tem de provar que houve arma. E, se a pessoa não estava armada, não estava querendo dar golpe de Estado; responderia apenas por dano ao patrimônio público ou algo assim, e aí a punição seria bem menor, cesta básica e coisas parecidas, ou pagamento de indenização. A ideia está aí à disposição.
Prefeito linha-dura é morto no México
Temos falado do combate ao crime organizado no Rio de Janeiro. No México, o prefeito de Uruapan, no estado de Michoacán, Carlos Manzo, de 40 anos, estava com um filhinho nos braços numa praça da cidade e foi morto com seis tiros. Por quê? Porque ele combatia o narcotráfico com tolerância zero. A reação do povo mexicano foi fazer manifestações contra a presidente Claudia Sheinbaum, que é de esquerda e que prometeu a Donald Trump, para não ter a tarifa, que não deixaria mais entrar drogas nos Estados Unidos. Vamos ver qual a repercussão desse assassinato.
O incrível caso da confederação sem funcionários que movimenta milhões
Tão grave quanto o assassinato de muita gente é o que foi feito aqui com aposentados e pensionistas. A CPMI do INSS está em cima da Confederação Brasileira dos Trabalhadores de Pesca e Aquicultura, que não tem nenhum funcionário e movimenta milhões. Ela tem convênio com o INSS. Em 2023, primeiro ano do último mandato de Lula, tinha 340 mil inscritos associados e recebeu R$ 57,8 milhões; no trimestre seguinte, em 31 de março de 2024, já tinha 445 mil. Um sucesso absoluto mundial de marketing! E só naquele trimestre movimentou R$ 41,2 milhões. A CPMI quebrou o sigilo bancário dessa confederação e do seu presidente, Abraão Lincoln Ferreira da Cruz. É preciso dar uma resposta, porque isso é um crime. Não está na lei como hediondo, mas é hediondo de fato, embora não seja de direito.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/lula-belem-amazonia-cop-30/

Tropa de Elite III

O alto comissariado da ONU emitiu nota sobre a operação policial no Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho: “Estamos horrorizados”. A Organização das Nações Unidas se posicionou oficialmente de forma bastante rápida repudiando a ação de confronto contra o tráfico. O repúdio manifestado pela ONU foi ecoado pela imprensa tradicional, referindo-se à operação como a “mais letal” da história.
Como sempre, a reação mais imediata a um problema antigo e complexo foi o tiroteio demagógico. A maior vítima desse tiroteio todos sabem quem é: a população que vive seu dia-a-dia como refém do crime. Será que a ONU está “horrorizada” com o sofrimento cotidiano de centenas de milhares de moradores do Alemão, da Penha e de outras favelas cariocas? Será que os horrorizados de Genebra sabem que o horror e o terror fazem parte da vida dessas pessoas todos os dias? Será que sabem o que é sair e voltar para casa com medo dos que dominam o seu caminho e a sua vida usando a crueldade e a ausência do direito?
Quem sabe, com um pouco de sorte, um fenômeno correlato ao de “Tropa de Elite” não traz uma nova chance de superação da indústria do falso humanismo
Devem saber de tudo isso. Mas por algum motivo o repúdio à tortura diária dessas populações indefesas não chega com tanto barulho às manchetes. Não parece ter vindo de Genebra ou de Nova York o repúdio à tentativa de ocultar as roupas camufladas de indivíduos que tombaram na ação policial. Denunciar excessos da polícia é fundamental. Mas as tentativas de inocentar criminosos em confronto com a polícia deveriam ser igualmente denunciadas – até para que fique claro que não há uma predisposição a desqualificar qualquer ação de estado que inclua enfrentamento armado.
Colocar a polícia sempre no papel do vilão, de forma quase automática, não é uma postura humanitária. Ao contrário, estará possivelmente privando de alguma chance de defesa os que não têm a quem recorrer. O sucesso do filme “Tropa de Elite” teve bastante esse componente: a vibração da população com uma força de segurança que fosse capaz de furar os esquemas de complacência criminosa com base na excelência e na missão de servir. Isso já tem quase 20 anos e o sotaque demagógico no debate sobre segurança pública não mudou nada.
Mas houve algo diferente nos dias que sucederam à operação policial de 28 de outubro. O ato-reflexo da imprensa demagógica foi procurar imediatamente um vilão providencial. E encontrou-o no governador do Rio, Claudio Castro – um político relativamente pouco conhecido para o cargo que ocupa (muita gente nem sabia o seu nome) e apoiador de Bolsonaro. Estava pronto o noticiário “progressista”: os fascistas atacam novamente. Mas dessa vez surgiu um problema: a opinião pública, manifestando-se caudalosamente pelas redes sociais, passou a apoiar de forma convicta não só a ação de enfrentamento ao Comando Vermelho como especificamente a pessoa do governador.
A guinada foi dramática. As manchetes foram se afastando rapidamente do tom da ONU (estigmatização automática da polícia) para passar a focar na população oprimida pelo tráfico. Um verdadeiro milagre. Nessas horas tem-se a compreensão exata da urgência dos demagogos com a chamada “regulação” das redes. Sem censura não dá para abafar a opinião pública.
Quem sabe, com um pouco de sorte, um fenômeno correlato ao de “Tropa de Elite” não traz uma nova chance de superação da indústria do falso humanismo – essa que hoje sustenta 100% do autoritarismo fantasiado de democracia.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/guilherme-fiuza/tropa-elite/

O efeito da megaoperação do Rio nas eleições de 2026

No roteiro idílico idealizado pelo PT e por seus aliados, estava tudo muito bem encaminhado: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva seguiria com a concessão de benesses sem lastro à população de baixa renda, continuaria a se recuperar nas pesquisas de popularidade e pavimentaria a sua reeleição em 2026, dada como favas contadas por boa parte de sua claque.
Mas eis que, de repente, com a megaoperação policial deflagrada na semana passada contra o Comando Vermelho (CV) pelo governo do Rio de Janeiro, a questão da segurança pública ganhou os holofotes, alterando de forma significativa o cenário dos sonhos imaginado por Lula, pelo PT e por seus satélites para a disputa eleitoral do ano que vem.
Se há um tema do qual os caciques e a militância petistas costumam fugir como quem foge da cruz, é a segurança pública – uma área tradicionalmente desconfortável, para dizer o mínimo, para o PT e para a esquerda de forma geral. E tudo o que eles não queriam era que a questão, em geral uma bandeira da direita, passasse a pautar o debate nacional e se tornasse um tema central da campanha. Ainda mais num contexto em que a afirmação de Lula, de que “os traficantes são vítimas dos usuários”, feita apenas uma semana antes da ação policial no Rio, já havia gerado estragos que serão difíceis de superar, apesar dos esforços do Palácio do Planalto para tentar deixar o assunto para trás.
Embora apareça no topo da lista das preocupações da população, atingida pela criminalidade crescente que assola o país, a segurança pública nunca foi uma prioridade para a esquerda. Ao tratá-la como uma “questão social”, decorrente da “desigualdade” existente no país, e não como uma chaga que atinge toda a sociedade e exige ações enérgicas do poder público para enfrentá-la, a esquerda acaba deixando o campo aberto na área para a oposição “nadar de braçada”, como se diz por aí.
Tudo indica que a segurança pública será um tema central na campanha de 2026, com potencial para mudar o jogo eleitoral que se desenhava até agora. E, no debate sobre a questão da segurança, Lula, o PT e os seus satélites já saem com ‘dois corpos atrás’, como se diz no jargão do turfe
Pego de surpresa pela operação contra o CV no Rio, embora a Polícia Federal tenha sido informada com antecedência sobre a sua realização e optado por ficar fora dela, Lula demorou a se posicionar em relação aos acontecimentos. Oficialmente, o governo deu uma desculpa esfarrapada, alegando que o avião presidencial estava sem internet na volta de sua viagem à Ásia, impedindo-o de acompanhar o caso durante o percurso. Mas, depois dos danos causados à sua imagem pela vitimização dos traficantes, o mais provável é que Lula tenha procurado ganhar tempo antes de se pronunciar sobre o caso, ciente de que qualquer novo escorregão ao tratar da segurança pública poderia cristalizar, de forma irreversível, a percepção de sua conivência com a bandidagem, fornecendo munição pesada para a oposição explorar na campanha.
Depois, já informado sobre o amplo apoio da população à operação realizada no Rio, atestado por diversas pesquisas sobre o tema, Lula procurou agir com certa cautela e mostrar que o governo está agindo para enfrentar o crime organizado e os criminosos. Defendeu a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública, enviada recentemente ao Congresso, que propõe a centralização das políticas do setor em Brasília e desidrata o poder dos governadores de ditar as ações na área, como reza a Carta de 1988. E anunciou o envio de um “projeto de lei antifacção” ao Legislativo, elaborado “a toque de caixa”, para sinalizar uma preocupação que ele nunca teve com a questão.
Empenhado em ganhar protagonismo na área, Lula procurou se apresentar como contraponto ao chamado “Consórcio da Paz”, criado pelos governadores de direita que foram ao Rio logo depois da operação realizada nos complexos do Alemão e da Penha, para manifestar o seu apoio ao governador fluminense Cláudio Castro – transformado em “vidraça” pela esquerda – e dar à questão da segurança pública a relevância que merece.
“Nós vamos mostrar como é que se enfrenta as facções nesse país”, disse o presidente, como se o PT tivesse chegado agora ao poder e não tivesse ocupado o Planalto por quase vinte anos desde 2003 – justamente no período em que organizações como o CV e o PCC (Primeiro Comando da Capital), que ele e o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, se recusam a classificar como “terroristas”, passaram a dominar territórios cada vez mais amplos nas principais cidades brasileiras e a expandir seus tentáculos no exterior.
Só que, enquanto Lula tentava mostrar que não faz parte da turma da “bandidolatria”, seus próprios representantes e apoiadores no Legislativo e no Judiciário não deixavam margem a dúvidas quanto aos reais pendores da esquerda na questão da segurança, desmascarando a armação montada da noite para o dia pelo Planalto e por seus marqueteiros de plantão, para tentar tirar o presidente do corner em que se encontrava – como se fala no boxe.
Mesmo contra as evidências de que a operação no Rio foi bem planejada e bem-sucedida, ao ter evitado baixas entre os membros das comunidades, e de que a morte de 117 integrantes do CV e de quatro policiais na ocasião, segundo as informações oficiais mais recentes, deveu-se à violenta reação da facção contra as forças de segurança, a esquerda procurou rotulá-la, com o apoio de boa parte da imprensa, como uma “chacina” promovida a sangue-frio pela polícia. Alguns chegaram a compará-la, sem enrubescer, ao Massacre do Carandiru, na Casa de Detenção de São Paulo, no qual morreram 111 detentos, em 1992.
“Nenhuma operação que deixa mais de 120 mortos é um sucesso” foi o mantra da tropa de choque do PT e de seus aliados. Até de “eleitoreira” a operação realizada no Rio foi chamada pelo grupo, para tentar desvirtuar os seus objetivos e jogar a opinião pública contra o governador Cláudio Castro e os seus apoiadores.
Apesar de dezenas de corpos terem sido movidos dos locais em que se encontravam e colocados lado a lado, de cueca, em praça pública – depois de as roupas camufladas usadas pelos criminosos terem sido retiradas na calada da noite –, a cena foi usada pela esquerda para demonstrar uma suposta carnificina executada pela polícia. O mesmo aconteceu com um bandido morto que apareceu decapitado, ato que a polícia alega ter sido cometido por seus próprios comparsas, também com a intenção de gerar críticas da população de bem contra as forças de segurança, sempre colocadas na posição de vilã pela turma da gauche.
O deputado federal Guilherme Boulos, recém-promovido por Lula a ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, chegou a pedir um minuto de silêncio em homenagem aos mortos em sua cerimônia de posse no cargo, realizada um dia depois da operação do Rio. No dia seguinte, num clima de velório que reforçava a narrativa de “chacina”, as ministras Anielle Franco, da Igualdade Racial, e Macaé Evaristo, dos Direitos Humanos, foram aos complexos da Penha e do Alemão, acompanhadas das deputadas Benedita da Silva e Reimont, do PT, Jandira Feghali, do PCdoB, e Talíria Petrone, do PSOL, todos do Rio de Janeiro. No último fim de semana, o PT e o PSOL promoveram até manifestações em São Paulo contra a operação policial do Rio.
“É possível combater o crime sem dar um tiro”, declarou Jandira Feghali, que se diz orgulhosa de ser “comunista”, como se fosse possível enfrentar com luvas de pelica facções criminosas armadas até os dentes, como o CV, que recebeu as forças de segurança a tiros de fuzil e bombas lançadas com drones.
Num exemplo emblemático de como esse pessoal encara a bandidagem, a vereadora de Porto Alegre Karen Santos, do PSOL, afirmou em discurso na tribuna da Câmara Municipal que os bandidos que fazem a movimentação das drogas seriam “trabalhadores megaexplorados, sem direito algum”. Ela também lamentou as críticas feitas a quem atua no tráfico “para aumentar os seus rendimentos”.
Numa outra frente, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, procurou tratar o problema do crime organizado como uma questão eminentemente financeira, minimizando o papel desempenhado pelo “chão de fábrica” das facções nas favelas e fazendo eco à afirmação de Lula de que o CV é “uma grande quadrilha envolvida em lavagem de dinheiro”.
Na visão de Haddad, que reflete a embolorada ideologia marxista da “luta de classes” que pauta o PT e os seus satélites, é na Faria Lima, centro financeiro de São Paulo e do país, que estariam os principais responsáveis pelo planejamento e pelo financiamento do crime organizado – e onde o governo deveria concentrar os seus esforços.
De acordo com o ministro, os “cabeças” do crime organizado “não vivem em comunidades como os complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, e sim de frente para a praia”. Para ele, os chefes do narcotráfico “estão morando em Miami, morando em Portugal, morando em outro canto”.
Como costumava acontecer nesses casos, não houve, obviamente, qualquer manifestação de solidariedade da esquerda relacionada às famílias dos quatro policiais mortos pelos criminosos. Nem para os familiares de Bárbara Elisa Yabeta Borges, de 28 anos, que foi morta quando seguia de Uber pela Linha Amarela, uma das principais vias expressas do Rio, ao ser atingida por uma bala na cabeça durante uma guerra de facções nos morros vizinhos.
É como afirmou em publicação no X a advogada Janaína Paschoal, vereadora paulistana pelo PP e ex-deputada estadual em São Paulo: “O povo não é trouxa” (de cair nessa lorota de Lula) “de tentar passar a sensação de que quer combater o crime”, ao mesmo tempo em que, segundo ela, “todos os seus auxiliares diretos e parlamentares da base do governo estão nas redes sociais e nas tribunas gritando que Cláudio Castro seria criminoso, dentre outras bravatas”.
Depois de quase cinco mandatos “passando pano” para bandido e das reações de sua tropa de choque contra a operação das forças de segurança no Rio, não será com medidas de última hora e ações de marketing político que Lula conseguirá mudar a percepção de que ele e o PT defendem os “direitos humanos” da bandidagem e mostrar que, agora, ele está preocupado com o problema do crime organizado e com a criminalidade.
Em vez de soltar criminosos recorrentes nas tais audiências de custódia e de se preocupar com o desencarceramento, a “pena justa”, as “saidinhas” e as visitas íntimas para a bandidagem – defendidas pela esquerda, incluindo integrantes das mais altas Cortes do país –, o que a população quer é uma ação vigorosa contra a criminalidade, como a realizada no Rio, uma preocupação genuína com as suas vítimas e a punição exemplar dos criminosos.
Diante da reação dos “companheiros” contra a operação policial realizada pelo governador Cláudio Castro e da afirmação de Lula de que “os traficantes são vítimas”, tudo indica que a segurança pública será um tema central na campanha de 2026, com potencial para mudar o jogo eleitoral que se desenhava até agora. E, no debate sobre a questão da segurança, Lula, o PT e os seus satélites já saem com “dois corpos atrás”, como se diz no jargão do turfe.
Como a gente está cansado de saber, a vida real é pródiga em derrubar – ou superar – expectativas, acrescentando ingredientes imprevistos aos acontecimentos que podem levar a resultados bem diferentes daqueles imaginados a princípio. Na campanha do ano que vem, a questão da segurança pública tem tudo para ser esse ponto de inflexão.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/jose-fucs/lula-efeito-da-megaoperacao-do-rio-nas-eleicoes-de-2026/
Moro critica ‘discurso do criminoso coitadinho

O senador Sergio Moro (União Brasil) afirmou que o Estado “não pode aceitar como normal a presença de facções criminosas armadas em territórios brasileiros”. Em entrevista ao site Uol, o ex-ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro defendeu que o enquadramento de facções criminosas como organizações terroristas ajudaria a encerrar o que chamou de “discurso de que criminosos são coitadinhos”.
Conforme o parlamentar, o país manteve por muito tempo uma visão distorcida sobre o tema. “Ficamos muito tempo com um discurso equivocado, do criminoso coitadinho, do criminoso vítima da sociedade, um certo romantismo em cima de figuras criminosas. No fundo, isso é uma baita ilusão”.
Para Moro, “o Estado tem que reagir”
Moro acredita que as pessoas residentes em áreas sob o domínio do crime organizado “vivem num regime de terror”. Para ele, “o Estado tem que reagir”. O parlamentar defende o fortalecimento do arcabouço legal e ações práticas contra as facções. “Primeiro, precisamos melhorar a estrutura legal. Essa é uma responsabilidade do Congresso, mas também do governo, que tem grande influência na agenda legislativa.
O senador sugere ações concretas, “que podem gerar conflitos indesejados, mas, se forem necessários, têm que ser realizados”. Sobre o projeto de lei que propõe classificar as facções criminosas como organizações terroristas, ele diz haver avanços, mas criticou a possibilidade de benefícios penais a integrantes com bons antecedentes.
“Pode ser uma medida positiva [enquadrar facções como terroristas], principalmente para acabar com essa história do criminoso coitadinho, do traficante vítima de usuário. Mas o texto traz pontos negativos”, avaliou. Ele considera, por exemplo, um erro permitir redução de pena a membros de facções que não sejam líderes e tenham bons antecedentes.
“Para mim, isso é um equívoco enorme. Estão trazendo para a lei de organização criminosa algo que colocaram na lei do tráfico de drogas, o chamado tráfico privilegiado, quando não existe comparação possível. Se você é integrante de uma organização criminosa, fez uma escolha. A pena tem que ser rigorosa”.
Para o senador, a resposta ao crime organizado deve ser contínua e baseada em medidas concretas. “Temos que seguir na direção certa. A direção errada é esse discurso que minimiza a gravidade do problema do crime organizado no país”.
FONTE: REVISTA OESTE https://revistaoeste.com/politica/moro-critica-discurso-do-criminoso-coitadinho/?utm_medium=personalized-push&utm_source=taboola

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