Haverá solução para o inferno em que o Rio se tornou?

Policiais civis e militares do Rio de Janeiro durante megaoperação contra o Comando Vermelho. (Foto: Antônio Lacerda/EFE)

Ao menos 120 pessoas foram mortas naquela que já é a operação policial mais letal da história do Rio de Janeiro. As forças de segurança fluminenses usaram 2,5 mil policiais civis e militares em uma megaoperação contra o Comando Vermelho nos complexos do Alemão e da Penha e foram recebidas com armamento pesado. Além dos mortos, até o começo da tarde desta quarta-feira a Polícia Civil havia confirmado a prisão de 113 bandidos e a apreensão de cerca de uma centena de fuzis usados pela facção criminosa. Os reflexos da guerra entre a polícia e o Comando Vermelho foram sentidos em outros bairros e até em outras cidades do Grande Rio, com eventos cancelados e vias importantes, como a Linha Amarela, fechadas pelos bandidos.

De imediato, os “suspeitos de sempre”, ideólogos e formadores de opinião para quem bandidos são “vítimas da sociedade” e a polícia é culpada até prova em contrário, dispararam os slogans de sempre. Mas, enquanto não se souber com certeza absoluta quem são os mortos – as autoridades confirmam a morte de quatro policiais e admitem que quatro inocentes foram atingidos – e em que circunstâncias eles morreram (pois mesmo um criminoso não pode ser sumariamente executado após ser capturado), falar em “chacina”, “massacre”, “banho de sangue” ou no já banalizado “genocídio” não é apenas prematuro, mas irresponsável – e o inverso, descartando de antemão qualquer possibilidade de violação a direitos que mesmo os piores facínoras ainda têm, também é desaconselhável.

As facções não devolverão seu território ao Estado sem lutar – e o uso de drones carregando granadas contra a polícia mostra muito bem o grau de resistência que elas estão dispostas a oferecer

A verdade é que o crime organizado erigiu-se em Estado paralelo – ou, melhor dizendo, um narcoestado – no Rio de Janeiro (e não apenas lá). Isso só foi possível graças a uma dupla omissão do poder público: primeiro, não se fez presente por meio da oferta de bons serviços públicos e manutenção da ordem; depois, não soube, não quis (como no célebre caso do ex-governador Leonel Brizola) ou não pôde (mais recentemente, graças a decisões do STF que inviabilizaram operações policiais nos morros) retomar o controle do território perdido para a bandidagem. As facções impõem reinos de terror nas áreas que dominam, realizando justiçamentos, impondo toques de recolher – que não raro atingem outras regiões –, e tolhendo o direito de ir e vir dos moradores, por exemplo impedidos de visitar parentes ou amigos que residam em favelas dominadas por facções rivais. As investigações policiais que levaram à operação de terça-feira mostram que o CV usava aplicativos de mensagem para combinar torturas e execuções de moradores do Alemão e da Penha que fizessem qualquer coisa que desagradasse os chefes do tráfico.

Fala-se muito em asfixiar financeiramente as facções, em cooperação entre entes federativos (que aparentemente faltou na terça-feira, com as forças fluminenses fazendo sozinhas todo o trabalho), em uso pesado de inteligência, em reformar a lei para que seja menos leniente com a bandidagem, já que hoje as delegacias são portas giratórias de onde o bandido preso em flagrante sai antes do policial que o prendeu. Tudo isso é correto. Mas a realidade nua e crua é a de que as facções não devolverão seu território ao Estado sem lutar – e o uso de drones carregando granadas contra a polícia mostra muito bem o grau de resistência que elas estão dispostas a oferecer. Continua a ser necessário cortar as fontes de financiamento do crime organizado, prender e isolar seus chefes, mas nada disso, infelizmente, dispensará um longo e árduo trabalho de reconquista de território – e qualquer criminoso que resolva enfrentar as forças de segurança está assumindo o risco do que lhe pode acontecer.

Três quartos dos brasileiros dizem viver em locais onde há presença do crime organizado; um quarto afirma que, em seu bairro ou cidade, as facções impõem regras de comportamento. Ambos os números são aberrantes. Estado omisso (quando não cúmplice), leis frouxas, glamourização e permissividade em relação às drogas, e ideologias bandidólatras levaram várias partes do Brasil, e especialmente do Rio de Janeiro, a se tornarem infernos cotidianos – com a diferença de que nestes, ao contrário do inferno da teologia, os condenados, brasileiros pobres que só desejam viver em paz, nada fizeram para merecer seu tormento. Ajudá-los a escapar dele é uma dívida que o poder público tem de assumir.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/rio-de-janeiro-operacao-policial-comando-vermelho/

PF apura fraude na UFRJ com envolvimento do Comando Vermelho

Prédio da UFRJ, no Rio de Janeiro. (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Membros de um grupo criminoso se passaram por familiares de professores universitários falecidos para arrecadar benefícios previdenciários. Em outra frente, utilizavam laranjas e empresas de fachada para lavar o dinheiro obtido de forma criminosa. O alvo das fraudes é a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Essas são as apurações que levaram à deflagração, nesta quinta-feira (30), da Operação Capgras.

A Polícia Federal cumpre cinco mandados de prisão preventiva e 23 mandados de busca e apreensão, em cidades do Rio de Janeiro e em Mogi das Cruzes-SP. Os criminosos, segundo a PF, destinaram parte dos recursos ao Comando Vermelho.

A facção criminosa está no centro das atenções desde a última terça-feira (28), por conta da Operação Contenção. O governo do estado do Rio de Janeiro informou que realizou 113 prisões e apreendeu 118 armas e 14 explosivos. Ao todo, 119 pessoas morreram, incluindo quatro policiais.

Apesar de tangenciar o Comando Vermelho no caso das fraudes, a Polícia Federal negou participar da Operação Contenção. O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, revelou que o superintendente da PF no Rio de Janeiro recebeu um comunicado do governo fluminense, com um convite para participar do combate ao Comando Vermelho. O superintendente negou, alegando que a operação estaria fora do escopo da corporação. Em seguida, comunicou a decisão a Andrei.

Operação apreende computadores e bens de luxo

Em Mogi das Cruzes, os investigadores encontraram uma estação de trabalho com computadores, arquivos e anotações avulsas. Já em um condomínio de luxo na Barra Funda, apreenderam dinheiro em espécie, uma máquina de contar dinheiro, joias, relógios, celulares, veículos, cofres e documentos.

Ao todo, os envolvidos movimentaram R$ 22 milhões entre janeiro de 2022 e dezembro de 2024. Com os resultados da operação, eles responderão por falsificação de documento público, estelionato, uso de documento falso, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

A investigação começou após a denúncia de um pensionista da UFRJ. Ele notou a inclusão falsa de um filho como seu beneficiário. Por isso, acionou as autoridades.

O nome da operação é uma alusão à síndrome de Capgras. O transtorno psiquiátrico é caracterizado pela crença de que alguém próximo, geralmente um familiar, foi substituído por um sósia.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/brasil/pf-apura-fraude-na-ufrj-com-envolvimento-do-comando-vermelho/

O Brasil já vive uma guerra interna – e o inimigo tem nome

Governo fluminense afirma que 115 eram “narcotraficantes” e quatro policiais que participaram da operação. (Foto: André Coelho/EFE)

O Brasil não enfrenta mais um problema de segurança pública. O país mergulhou em uma guerra de fato contra o crime organizado, com facções que se estruturaram como exércitos paralelos, controlam territórios, impõem leis próprias e desafiam abertamente o poder do Estado. As cenas de horror registradas no Rio de Janeiro, com dezenas de mortos, tiroteios, ataques coordenados e policiais sendo atacados por drones, são o retrato fiel de uma nação sob ataque interno.

A insurgência criminosa deixou de ser uma hipótese e se tornou realidade. O crime hoje domina comunidades inteiras, executa rivais, dita regras e mantém a população refém – como se viu recentemente, quando as facções retaliaram as ações policiais bloqueando vias e incendiando ônibus em plena luz do dia, paralisando a cidade e aterrorizando famílias no Rio de Janeiro.

Enquanto o crime avança, o Planalto recua. Enquanto policiais arriscam a vida, o governo se esconde atrás de discursos ideológicos. O resultado é um país refém de facções que atuam com mais disciplina e organização do que o próprio Estado

Diante do caos, o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, fez três pedidos formais de apoio das Forças Armadas para reforçar as ações de segurança e retomar o controle de áreas conflagradas. O governo federal negou todos. A decisão é tão simbólica quanto trágica. O estado do Rio de Janeiro – um dos mais estratégicos do país – pediu socorro, e o governo Lula respondeu com silêncio, burocracia e omissão.

Enquanto o crime avança, o Planalto recua. Enquanto policiais arriscam a vida, o governo se esconde atrás de discursos ideológicos. O resultado é um país refém de facções que atuam com mais disciplina e organização do que o próprio Estado. Em vez de liderar uma reação nacional, o presidente Lula afirmou publicamente que os traficantes são “vítimas dos usuários” – uma declaração que entra para a história como um dos momentos mais lamentáveis da política brasileira.

Trata-se de um discurso que inverte a lógica moral da lei e insulta as famílias das vítimas, os policiais mortos em combate e todos aqueles que ainda acreditam na autoridade do Estado. Além disso, o governo Lula se recusou a apoiar o projeto que classifica o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. A mensagem é clara: enquanto o crime desafia o Estado, o governo hesita em chamar o mal pelo nome.

Essa complacência é inaceitável. Nenhum país do mundo sobrevive quando seus governantes preferem relativizar o crime em vez de combatê-lo. A Câmara dos Deputados tem, agora, a responsabilidade de agir onde o Executivo falhou. Existem diversos projetos em análise que classificam as facções criminosas como organizações terroristas – reconhecendo que o país já não enfrenta meros grupos de tráfico, mas verdadeiras máquinas de guerra que desafiam a soberania nacional.

Aprovando esse projeto, o Parlamento brasileiro envia uma mensagem inequívoca: quem domina território, desafia o Estado e aterroriza a população é inimigo da nação – e deve ser combatido com os instrumentos e a força que uma guerra exige. O Brasil está diante de uma encruzilhada histórica. Ou o Estado reage com coragem, unindo suas forças de segurança, inteligência e instituições, ou continuará vendo o crime organizado ocupar o vazio deixado pela omissão federal.

A guerra já começou – nas favelas, nas estradas, nas fronteiras e dentro dos presídios. A diferença é que, hoje, os criminosos estão lutando com mais estratégia, recursos e vontade de vencer do que o próprio governo. É hora de o Brasil escolher de que lado está. O silêncio do governo é a vitória das facções. A ação do Congresso é a última esperança de um país ainda em busca de autoridade.

Luciano Zucco, deputado federal pelo PL-RS, é líder da Oposição na Câmara dos Deputados.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/o-brasil-ja-vive-uma-guerra-interna-e-o-inimigo-tem-nome/

Flavio Morgenstern

A polícia não age no Rio porque está muito ocupada caçando fake news

Veículo incendiado no Rio de Janeiro durante megaoperação contra o Comando Vermelho. (Foto: Antonio Lacerda / EFE)

No meio de uma operação policial que deixou cerca de 100 mortos entre traficantes e… bem, outros traficantes no Rio de Janeiro, o rapper Oruam, filho de Marcinho VP, viralizou com uma curiosa frase, conforme reproduzida por Mônica Bergamo, colunista da Folha de São Paulo: “Se tirar o fuzil da mão, existe o ser humano” (sic).

Enquanto o Rio de Janeiro vivia o violento clichê do “cenário de guerra”, Filipe Martins, o ex-assessor de Bolsonaro, era obrigado a dar explicações, no prazo de 5 dias, a Alexandre de Moraes, que questionou por que sua tornozeleira eletrônica deixara de funcionar por dois minutos por falha do sinal de GPS.

Aquele mesmo Filipe Martins preso por uma viagem que não fez, que não seria crime se tivesse feito, e que a Polícia Federal alega que ele fez para fugir às consequências de algo ocorrido depois da viagem. Como a Polícia Federal também precisava explicar a aparição de uma entrada falsificada de entrada de Filipe Martins nos EUA, 4 meses depois de preso, a corporação agora respondeu, pelas mãos do delegado Fábio Schor, que Filipe teria falsificado sua própria entrada nos EUA (esquecendo-se de falsificar sua saída e reentrada no Brasil, mas whatever), e ainda teria falsificado a sua própria entrada já dentro da cadeia, apenas para ser preso por uma viagem que não seria crime e fugindo a um suposto golpe de Estado ocorrido depois da viagem, já sabendo que o golpe não daria certo e seria acusado por isso (ufa).

Talvez fosse mais conveniente dizer que o registro falsificado da entrada de Filipe Martins teria aparecido nos EUA por brotamento. Mas isso seria exigir biologia demais de quem não entende mais nem o que é um XY.

Repetindo: Filipe Martins, após toda essa trama (algum teórico da conspiração poderia aventar a hipótese de ele ter sido preso ilegalmente apenas para se forçar uma delação premiada – sabe como são esses desinformantes na internet), teve de, no mesmo dia do caos no Rio de Janeiro, explicar 2 minutos de falta de funcionamento de sua tornozeleira eletrônica à Sua Excelência Alexandre Democracia de Moraes. 

Já pensou se tratássemos os bandidos do país com 0,0001% do rigor dispensado a Filipe Martins? 

Mônica Bergamo, por exemplo, deu destaque à frase de quem está por trás do fuzil. 

Imagine-se falar de armamento civil super light, como a “gauchinha” que Lula alegava usar nos anos 80, dizendo que as pessoas – ou melhor, os bolsonaristas, como gosta de relatar a mídia – por trás da vontade de possuir armas para proteger sua família são “seres humanos”. Será que colaria?

Desde 2020, a anarco-tirania tornou-se modelo de implementação global de obediência

Fiquemos em um exemplo. Quando Charlie Kirk foi assassinado, a Folha de S.Paulo, da mesma Mônica Bergamo, estampou a manchete: “Kirk morreu baleado; apoiadores defendem porte de armas” (sic). É algo como noticiar: “Bolsonaro levou uma facada; apoiadores defendem usar facas”, ou “Teori Zavascki morreu em um acidente de avião; lavajatistas continuam a usar aviões”. 

Também é divertido notar o exemplo de, digamos, filosofia que a colunista da Folha deu destaque. “Por trás do fuzil, existe o ser humano”. Que tal “Por trás do batom da Débora, existe uma mãe de família”? O que acham de lembrar que, por trás do Clezão, existe uma família que chora pelo pai, enquanto seu algoz se acha vítima comendo lagosta paga com dinheiro público todo dia? Não seria mais bonito lembrar que, por trás de cada vítima de traficantes que usam fuzis (fuzis!) para aterrorizar a população inocente, existem seres humanos mortos pelo “crime” de viver em áreas dominadas por criminosos que agem pela força e pelo terror? Até por trás daquele bigodinho austríaco, do Kim-Jong un ou do Chico Picadinho existe um “ser humano”. Dane-se, bela porcaria, passar bem.

Sam Francis cunhou, nos anos 80, o conceito de anarco-tirania. Parece algo contraditório. Tendemos a ver tiranias como regimes cumpridores de uma vontade única e autoritária, o que parece (e apenas parece) contraditório com uma anarquia, onde não há lei nem ordem nenhuma.

Francis mostrou que a contradição é apenas aparente. Basta pensar na Chicago daquela época: gangues dominando as ruas, e uma polícia torrando tempo com burocracias e impostos.

O novo modelo de autoritarismo ocidental nada tem a ver com tanques e golpes militares. Pelo contrário, é burocrático e controlador às minudências… mas apenas para aquilo que afete o imenso poder dos novos déspotas de plantão. O caos social do crime, da moral pública cambiante, do culto à feiúra, da blasfêmia escarrada e da vida sendo menosprezada são a própria justificativa para a nova autocracia.

A história do século XXI, nos países chamados democráticos, é a história da anarco-tirania. A angústia e o desespero com notícias sobre fatos (ou mentiras) que não podemos controlar espalha-se igualitariamente entre esquerda e direita, favorecendo um poder cada vez mais concentrado e mais afastado do povo.

O Ocidente é uma terra de preocupação monomaníaca com o aquecimento global (depois renomeado às pressas de “mudanças climáticas”, quando se viu que o planeta não estava esquentando – e como se o clima mudando o tempo todo não fosse o normal cósmico) enquanto se tem tolerância psicótica com o Black Lives Matter. A aniquilação cada vez mais violenta do cristianismo, sob nomes bobos como “extrema direita”, “obscurantismo” ou “visão anti-cienfífica”, logo vem acompanhada de um “Refugees welcome” defendendo a ocupação populacional muçulmana – hégira – que marca o próprio início do calendário islâmico. Mesmo criticar máquinas de contagem de votos torna-se um “golpe antidemocrático”, valendo-se da “honra” dos computadores. Até “discurso de ódio eleitoral” (sic) já foi citado.

A esquerda quer tratar fake news como crime, mesmo sem definir o que é fake news – e mesmo verdades incômodas ao regime sendo tratadas como “desinformação” ou “ataque” às instituições. Segundos depois, como o projeto de Talíria Petrone, quer proibir uso de helicópteros e drones em operações policiais contra zonas de traficantes. Melhor não perguntar se a deputada do PSOL pensa o mesmo sobre os dois minutos sem sinal de GPS da tornozeleira de Filipe Martins. 

No dia anterior à operação contra as áreas de domínio a base de fuzil do tráfico, duas pessoas foram assassinadas, incluindo uma idosa. Nenhum muxoxo de tristeza de eleitores do PSOL.

Desde 2020, a anarco-tirania tornou-se modelo de implementação global de obediência. Deve-se ter medo de o vizinho espirrar – ou existir – e de discordar de políticas públicas (obviamente, apenas críticas a governos de esquerda são criminalizadas). Já a censura, a invasão de privacidade, as buscas e apreensões, as prisões políticas – tudo isso deve ser incorporado ao rol de “democracia militante” ou “defensiva”.

Toda a tirania contra pessoas que sejam um óbice ao poder absoluto do sistema. Toda a anarquia para quem usa fuzis como um meio de controle sobre outras pessoas.

Resta a pergunta a jornalistas, políticos e esquerdistas em geral: por trás de Filipe Martins, da Débora do batom e de quem quer auditoria em votos, existe um ser humano?

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/flavio-morgenstern/policia-age-rio-muito-ocupada-fake-news/

Guilherme Macalossi

A Faixa de Gaza carioca e os pistoleiros ideológicos

Agentes da Polícia Civil e do Bope foram mortos durante confronto com traficantes do Comando Vermelho. (Foto: Antônio Lacerda/EFE)

Um desavisado que ligasse a TV ao longo da última terça-feira (28) poderia imaginar que as barricadas pegando fogo, as colunas de fumaça, os drones disparando granadas, as pessoas correndo para abrigos e o som incessante de disparos de armas de fogo, em meio a um manancial labiríntico de construções precárias, eram mais um conjunto de cenas do conflito entre Israel e o grupo terrorista Hamas, no longínquo Oriente Médio. Pudera. A Faixa de Gaza, entretanto, é aqui. O Rio de Janeiro – a cidade mais cosmopolita e emblemática do Brasil, e também aquela que sintetiza seus vícios e dramas – viveu um dia de horror, patrocinado pela reação do crime organizado a uma megaoperação conduzida pelo governo fluminense contra os cabeças do Comando Vermelho.

O saldo da ação no Rio ainda é incerto, mesmo com números superlativos, inclusive de criminosos presos e mortos. E aqui vale algum ceticismo, apesar de Cláudio Castro tentar se firmar no cenário nacional como um Capitão Nascimento. É necessário lembrar que outras operações como essa foram realizadas num passado nem tão distante.

O traficante se protege usando o pobre como anteparo. Diante desse cenário, a elite intelectual dos especialistas em segurança e a imprensa politicamente correta passam a condenar, sempre sem observar as nuances e quase sempre de forma uníssona, aquilo que classificam como ‘letalidade’ das forças de segurança

Nenhuma teve a capacidade de reduzir, no longo prazo, o gravíssimo problema de criminalidade no Rio de Janeiro. Nem mesmo representaram uma virada de chave nas políticas de segurança. Isso porque sempre foram espasmódicas, sempre usadas para fins publicitários, sempre desancoradas de qualquer estratégia mais ampla envolvendo os Três Poderes e as três esferas legislativas. Vem a operação, prendem-se alguns criminosos, outros fogem, segue-se a calmaria, o crime se reorganiza e o ciclo se repete.

Não que não se deva fazer nada, como parte da esquerda parece defender. Muito pelo contrário. É óbvio que as facções precisam ser enfrentadas também nas ruas, onde exercem cada vez mais poder. E não sejamos ingênuos: dadas as condições urbanas dos complexos de favelas que se multiplicam nos grandes centros, em especial no Rio de Janeiro, torna-se quase impossível que qualquer operação não vá resultar numa penca de gente morta – inclusive policiais e moradores inocentes. As facções criminosas, aliás, valem-se exatamente disso para reagir, aplicando táticas de guerrilha e terrorismo.

A população, que já sofre com o sequestro do cotidiano, a institucionalização da extorsão, o aliciamento obrigatório e a lei paralela do banditismo, acaba também servindo de escudo humano quando este é confrontado. O traficante se protege usando o pobre como anteparo. Diante desse cenário, a elite intelectual dos especialistas em segurança e a imprensa politicamente correta passam a condenar, sempre sem observar as nuances e quase sempre de forma uníssona, aquilo que classificam como “letalidade” das forças de segurança – em alguns casos, até mesmo em compungido e constrangedor tom de luto.

Se, por um lado, o populismo brada “tiro, porrada e bomba”, como se operações como essa fossem suficientes para desarticular as facções, o progressismo denuncia o que chama de “atos opressivos” e “chacina”, demonizando o combate ao crime e idealizando uma conjuntura social sob o prisma da antropologia marxista. Enquanto isso, o cidadão comum, seja do Rio ou outras cidades, que por milagre sobrevive ao tiroteio entre as forças policiais e a bandidagem em nosso permanente estado de Faixa de Gaza, também acaba ficando na mira dos pistoleiros ideológicos.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/guilherme-macalossi/rio-janiro-faixa-gaza-carioca-pistoleiros-ideologicos/

Alexandre Garcia

STF pede explicações sobre operação policial, e Rio recebe apoio de governadores

Policiais do Rio de Janeiro levam suspeitos presos durante operação contra o Comando Vermelho. (Foto: Antônio Lacerda/EFE)

Começou a discussão sobre as responsabilidades na operação policial no Rio de Janeiro. O ministro Alexandre de Moraes mandou que o governador Cláudio Castro e os secretários da Polícia Civil e da Polícia Militar deem explicações. Com que autoridade?, alguém pode perguntar. Moraes está relatando aquele pedido do hoje ex-deputado Alessandro Molon, que resultou em uma liminar do ministro Edson Fachin que impediu a polícia de subir o morro – e aí a bandidagem cresceu. Depois, o STF confirmou a liminar. Mas Fachin, que era o relator e autor da liminar, virou presidente do Supremo, e passou a relatoria para Moraes.

Nesta quinta-feira os governadores vão prestar solidariedade a Cláudio Castro, e isso significa que a federação é forte. Vejam como é nos Estados Unidos, que beleza, a união de estados. Eles são uma federação, e o Brasil também. Deve haver autonomia para os governos estaduais, que estão mais perto do seu povo. O presidente da República está em Brasília, no Distrito Federal, perto de Goiás, de uma parte de Minas, mas longe do Amapá, de Roraima, do Rio Grande do Sul, do Paraná, de Santa Catarina, de São Paulo, do Amazonas, do Nordeste. Longe do sentimento popular e da responsabilidade.

A Constituição diz que os governadores são responsáveis, sim, pela segurança pública. O governo federal é responsável pelas fronteiras terrestres e marítimas. E é por elas que entram fuzis modernos, metralhadoras pesadas, drones ucranianos feitos para defender a Ucrânia dos russos, e drogas que são feitas para destruir jovens e famílias, enfraquecendo o país. Isso se chama narcoterrorismo. E essa gente, além de tudo, agride a soberania do país, porque toma conta de grandes áreas, fala-se em 9 milhões de metros quadrados do Rio de Janeiro sob comando das facções, por exemplo. Sem falar da Amazônia, que é muito importante e onde esse mesmo Comando Vermelho controla a entrada do Rio Solimões, que depois vira Amazonas – e na foz do Amazonas ainda teremos uma COP para defender o meio ambiente, e não as pessoas. O PCC está forte em Coari (AM), aliado a piratas colombianos dentro da Amazônia. Isso é soberania nacional?

Quatro policiais deram a vida, mas não receberão o reconhecimento merecido

As Forças Armadas existem para a defesa da pátria, ou seja, defesa da soberania também contra o inimigo interno. Mas não emprestaram nem sequer blindados, porque a AGU de Jorge Messias deu um parecer contrário. A Polícia Federal foi convidada, mas não quis entrar. Então, ficou tudo para o estado do Rio de Janeiro, com as brilhantes e competentes Polícia Militar (a polícia ostensiva) e Polícia Civil (que é a Polícia Judiciária, que faz as investigações) dando a vida. Quatro policiais foram mortos; em um país sério, eles receberiam post mortem a maior comenda nacional, porque deram sangue em defesa da paz, das famílias, das pessoas, dos pagadores de impostos, das empresas e, sobretudo, da soberania nacional, do território nacional e das leis do país.

Mas, enquanto isso, o novo ministro Guilherme Boulos, lá no Palácio do Planalto, pediu um minuto de silêncio para todos os mortos. E o ministro Ricardo Lewandowski revelou que Lula está “estarrecido”. Combate-se o crime, neutralizam-se criminosos e o presidente fica estarrecido. Isso serve para sabermos de que lado as pessoas estão.

No Pará, são os trabalhadores que apanham do governo federal

Uma curiosidade: parece que a polícia do Pará também participou dessa operação. É nesse estado que helicópteros e forças do governo federal estão lá, batendo em brasileiros que estão produzindo, plantando, colhendo, criando, e não são bandidos. Que preferência é essa?

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/stf-explicacoes-operacao-policial-rio-de-janeiro/

Lula ignora que há uma guerra por controle de territórios no Rio, alertam especialistas

O conflito das forças de segurança com narcoterroristas tenta conter o avanço territorial da facção – Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil.

Lula (PT) é tão desinformado sobre grupos criminosos no Rio de Janeiro que nem sequer percebe que está em curso uma autêntica “guerra civil” deflagrada por gangues como “Comando Vermelho” contra o Estado que ele chefia. Especialistas em segurança como o ex-capitão do Bope Rodrigo Pimentel, roteirista do filme “Tropa de Elite”, alertam que não é mais briga por pontos de venda de drogas, é guerra pelo controle de territórios. As facções dominam e passam a governar essas localidades.

Onde se sentem em casa

Pimentel advertiu que o controle territorial não se limita às favelas do Rio e chegou a cidades do Ceará e Bahia, curiosamente governados pelo PT.

Narcoterrorismo, abestado

Ao mobilizar 2,5 mil policiais contra o “CV”, forças de segurança do Rio representam a resistência do Estado ao avanço dos narcoterroristas.

Nem vê quem é o inimigo

Lula recusou ajuda dos Estados Unidos para combater narcoterroristas para não tachar dessa maneira aqueles traficantes que prefere vitimizar.

Para Milei, são terroristas

Se Lula não quer melindrar traficantes, o Javier Milei decidiu incluir PCC e CV no registro do Repet, lista de quem se dedica a atos de terrorismo.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/lula-ignora-que-ha-uma-guerra-por-controle-de-territorios-no-rio-alertam-especialistas

Oposição quer convocar ministro a explicar omissão

Ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski. (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil).

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, pode ser convocado pela Câmara dos Deputados para prestar esclarecimentos sobre a atuação do governo federal em operações de segurança no Rio de Janeiro. O pedido foi apresentado pelo deputado Luciano Zucco, que acusa o ministério de omissão durante ações policiais nos complexos do Alemão e da Penha. O parlamentar argumenta que o governo federal não atendeu a solicitações de apoio feitas pelo governador Cláudio Castro para reforçar o combate ao crime organizado.

Lewandowski afirmou que não recebeu nenhum pedido formal de colaboração por parte do governo fluminense e defendeu que o Ministério da Justiça tem atuado dentro dos limites legais, mas foi desmentido pelo próprio diretor-geral da Polícia Federal, que,em coletiva ao lado do ministro, contou que a corporacão foi solicitada a apoiar a megaoperação, mas optou por não participar.

A convocação do ministro é vista pela oposição como uma oportunidade de investigar possíveis falhas de comunicação entre os governos federal e estadual. Deputados pretendem questionar se a ausência de apoio federal teve motivação política e quais medidas o ministério pretende adotar para fortalecer a cooperação entre as forças de segurança em futuras operações.


FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/oposicao-quer-convocar-lewandwski-para-explicar-ausencia-no-rj

Moraes ignorou relatório sobre problema em tornozeleira de Filipe Martins

A defesa de Filipe Martins, ex-assessor especial da Presidência da República durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), comprovou que a suposta violação da tornozeleira eletrônica apontada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decorre de uma falha técnica de apenas dois minutos e não representa descumprimento de medidas cautelares.

O episódio ocorreu em 23 de outubro, quando o equipamento deixou de transmitir o sinal de GPS entre 18h51min22s e 18h53min22s. Foram apenas dois minutos, e o problema se deu quando o ex-assessor estava em casa. Durante esse intervalo, segundo um relatório da divisão de monitoramento do DPEN, equipe especializada da Polícia Penal do Paraná, Martins permaneceu em casa, em Ponta Grossa (PR), onde cumpre medidas cautelares que o impedem de deixar a comarca, o obriga a usar tornozeleira e a ter o recolhimento noturno e fins de semana.

Em 25 de outubro, a Polícia Penal do Paraná encaminhou o relatório ao Supremo. Já nesta terça-feira, 28, Moraes determinou uma nova apuração para esclarecer o motivo da interrupção do sinal. “Intimem-se os advogados regularmente constituídos por Filipe Garcia Martins Pereira para prestar esclarecimentos sobre o descumprimento das medidas cautelares impostas, no prazo máximo de cinco dias, sob pena de decretação imediata da prisão do réu”, ordenou o magistrado, em despacho.

A explicação da defesa de Filipe Martins

Em vídeo publicado nas redes sociais, o advogado Jeffrey Chiquini contestou o teor do despacho e afirmou que o documento do STF contém informações incorretas. “O relatório da Polícia Penal fala em dois minutos sem sinal, e não em uma hora e dois minutos, como consta no despacho do ministro”, ressaltou. “Filipe estava em casa, em horário em que inclusive poderia estar na rua. Isso não é violação, é falha técnica.”

O advogado explicou que o equipamento funciona por sinal de GPS, sujeito às mesmas oscilações que afetam celulares e outros dispositivos eletrônicos. “Esse tipo de perda de sinal acontece em 100% das tornozeleiras” observou. “E uma limitação técnica. Dois minutos sem GPS é completamente insignificante.”

O juiz Thiago Bertuol de Oliveira, da 3ª Vara Criminal de Ponta Grossa, já havia reconhecido em despachos anteriores que Martins cumpre corretamente as restrições impostas pela Justiça. O magistrado também registrou que falhas pontuais de rastreamento são comuns, em razão do relevo da cidade e da proximidade de edificações que interferem no sinal.

Segundo Chiquini, a defesa já prestou esclarecimentos ao STF e reforçou que o episódio não tem relação com o comportamento do réu, mas com limitações técnicas do equipamento.

Entenda o caso

A prisão de Filipe Martins foi determinada em fevereiro de 2023, pelo ministro Alexandre de Moraes, sob a alegação de que o ex-assessor teria tentado fugir do país ao embarcar para os Estados Unidos em 30 de dezembro de 2022. De lá para cá, a defesa vem apresentando provas de que Filipe nunca deixou o Brasil.

Registros da Polícia Federal e documentos oficiais da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP) mostram que nenhum I-94 – o documento que comprova a entrada em território norte-americano — foi emitido para Martins. O ex-assessor estava, na verdade, em voo doméstico de Brasilia para Curitiba, no dia seguinte à suposta viagem internacional.

Meses depois, um registro tardio e irregular surgiu no sistema da imigração norte-americana, com erros de grafia, número de passaporte cancelado e visto incompatível. Em 2025, a Justiça Federal dos EUA reconheceu a falsificação e autorizou o avanço da ação movida por Martins contra o Departamento de Segurança Interna (DHS). O caso passou a ser acompanhado por agentes do FBI e do Departamento de Justiça, em razão da gravidade da adulteração de dados oficiais.

FONTE: REVISTA OESTE https://revistaoeste.com/politica/moraes-ignorou-relatorio-sobre-problema-em-tornozeleira-de-filipe-martins/?utm_medium=personalized-push&utm_source=taboola#google_vignette

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