Tarifa só vai cair com respeito à democracia no Brasil

Alexandre Garcia
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, foi escolhido por Trump para assumir negociações com Brasil. (Foto: Francis Chung/EFE/EPA)

Teremos, agora, reuniões entre equipes do Brasil e dos Estados Unidos. Mas a delegação brasileira que vai negociar o “tarifaço” não encontrará muita simpatia dos representantes do governo Trump: o secretário de Estado Marco Rubio, o representante de Comércio Jamieson Greer e o secretário do Tesouro Scott Bessent. Informações que eu tenho dos Estados Unidos dão conta de que eles conhecem muito bem o que está acontecendo no Brasil. E não é por “diz que me diz que”, é por informações que eles têm como oficiais, no Supremo Tribunal Federal, no Congresso Nacional e no Poder Executivo.

E o que pega mesmo, como já disseram Greer e Rubio, são esses 40% de tarifa que funcionam como sanção, para que o Brasil seja pressionado a voltar ao Estado de Direito, respeitar o devido processo legal, o amplo direito de defesa, o juiz natural, obedecer a Constituição, defender a liberdade de expressão sem impor censura nem mesmo excepcionalmente. “Vamos desobedecer a Constituição, ao menos excepcionalmente” é o tipo de ideia que já surgiu no Supremo, que é o guardião da Constituição por obrigação, por mandato constitucional.

Está nas mãos de Lula corrigir isso, e ele pode corrigir. Não pode desfazer decisões do Supremo, ao qual ele é agradecido por sua descondenação e que tem de tratar com gratidão. Mas ele pode, por exemplo, permitir que os seus líderes no Congresso votem a favor de uma solução. Eu já mencionei aqui a sugestão do juiz aposentado Everardo Ribeiro que muda um pequeno trecho do artigo 359 do Código Penal, e já resolve muita coisa.

Vitória do partido de Milei mostra que a direita está avançando na América Latina 

Cada vez mais a América Latina está votando na direita. Agora, nas eleições na Argentina, tivemos uma estrondosa e importantíssima vitória do partido La Libertad Avanza, do presidente Javier Milei. Ele venceu os centro-esquerdistas, os peronistas e os kirchnernistas até na capital federal e na província de Buenos Aires, onde se concentra 40% da população argentina, e também se saiu bem em outras grandes e importantes províncias como Córdoba, Mendoza e Santa Fé. Vimos isso na Bolívia, estamos vendo isso nas pesquisas no Chile, que terá eleição em novembro, e no ano que vem teremos eleições também.

Que pena que Paulo Guedes não teve como continuar seu trabalho à frente da economia 

Estou aqui no Rio de Janeiro, e nesta segunda-feira passei na frente do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec). Lembrei do ex-ministro da Economia Paulo Guedes, que estava resolvendo todos os grandes problemas estruturais das finanças públicas. Mas este não é um trabalho de apenas quatro anos, e infelizmente ele não teve como dar sequência a seu trabalho extraordinário.

Missionários reagem a expulsão de brasileiros assentados no Pará

Queria destacar uma reação de missionários que estão no Pará, diante da ação policial contra brasileiros que estão garantindo a soberania com os pés no chão da Amazônia, e passando por um sofrimento que tem aumentado com a ação policial. Em nome da “proteção da natureza”, estão impedindo que esses brasileiros trabalhem, exerçam suas atividades. As pessoas foram instaladas décadas atrás pelo Incra em áreas que depois viraram reservas indígenas, e então foram expulsas de suas casas, das vilas que construíram, com escolas, com igrejas. É cruel o que tem acontecido lá.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/lula-trump-tarifas-democracia/

Paulo Briguet

Javier Milei e a ressurreição da direita

Milei, o “louco” argentino, triunfa onde a esquerda fracassa: corta gastos, controla inflação e prova que a direita governa com resultados. (Foto: Eduardo Velázquez/EFE)

“Jamais peça desculpas diante de uma multidão sedenta de sangue.”
(Jordan Peterson)

Diziam que ele era um delírio argentino. Um libertário de rede social, um economista de hospício, um doidivanas de costeletas pronto para destruir a Casa Rosada com uma motosserra. ¡Viva la libertad, carajo!

Falava com cães mortos, lia Mises em voz alta, gritava contra a casta como quem anuncia fogo na floresta. Sua biografia parecia um roteiro de seriado. Sua vitória, uma impossibilidade estatística.

Mas Javier Milei venceu. E não apenas venceu — governou. E não apenas governou — cortou. E não apenas cortou — voltou a vencer.

Enquanto os militantes de redação, arautos da esperança esquerdista, preparavam suas manchetes fúnebres, Milei — o impensável, o impronunciável, o impalatável — conquistava o primeiro superávit primário dos últimos dez anos. Conseguia o que ninguém havia conseguido: fazer a Argentina parar de sangrar sem precisar pedir desculpas por isso.

Os economistas sérios não riram; começaram a fazer as contas. Dez meses de governo, seis de superávit primário. A inflação, que subia como um foguete de Elon Musk, agora desce como um meteoro: de 25% ao mês para menos de 3%. Milei cortou ministérios, salários, obras, subsídios — e ninguém o viu pedir desculpas. As reservas internacionais voltaram a apresentar sinais vitais. E o povo — bem, o povo respondeu nas urnas não eletrônicas. Cédulas de papel, apuração manual. Que país atrasado!

Do outro lado da fronteira, o Brasil caminha firme — para o abismo. Enquanto Milei enxuga, Lula incha. Enquanto a Argentina corta ministérios, o Brasil cria novos impostos a cada 37 dias, com a regularidade de quem toma antibiótico já sem efeito.

rombo nas contas públicas já passa de um trilhão. As estatais, em vez de darem lucro, dão lição de como afundar com gosto. Os juros seguem altos, as falências batem recordes, o endividamento da população é uma catástrofe anunciada. E 94 milhões de brasileiros dependem de bolsas do governo.

Não é rede de proteção — é rede de captura. O colapso fiscal bate às portas e deve estourar no colo de quem estiver no poder em 2027. Em breve, faltarão recursos para aposentadorias, hospitais, escolas, segurança, salários. Mas Brasília continua sorrindo em cadeia nacional.

A esquerda brasileira assistiu à vitória de Milei com choro e ranger de dentes. Primeiro foi o susto, depois o silêncio catatônico; por fim, as análises melancólicas nos tuítes e podcasts. Diziam que Milei não duraria. Que o povo se voltaria contra os cortes. Que o “ódio não se sustenta”. Mas lá está ele: superavitário, legislativamente fortalecido, popular e triunfante.

Javier Milei se tornou o nome daquilo que Brasília não consegue nomear. Para o Brasil, sua vitória avassaladora e triunfante é uma mensagem claríssima: a direita faz o que precisa ser feito, a direita funciona, a direita tem razão

Para a casta esquerdista que nos governa, Milei é um fantasma apocalíptico — uma advertência ao regime PT-STF: se o jogo for limpo, a direita vencerá. E é exatamente por isso que eles querem fazer, em 2026, a eleição mais suja de todos os tempos.

Neste fim de semana, Lula soltou — ou melhor, entregou — mais um bordão de bazófia: “Rei morto, rei posto.” Referia-se a Bolsonaro, claro — o inimigo de sempre, o fantasma preferido. Mas o que a vitória de Milei mostrou ao continente é que certos mortos não descansam. Pairam. Espreitam. Voltam.

Churchill, que sabia das guerras e das farsas, dizia: “A diferença entre a política e a guerra é que, na guerra, só se morre uma vez”. Na política, morre-se em manchetes e ressuscita-se em votos.

Rei morto, rei posto? Talvez. Mas, às vezes, rei morto é rei ressuscitado.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/paulo-briguet/javier-milei-e-a-ressurreicao-da-direita/

Contas de luz dos palácios de Lula em Brasília já somam mais de R$29,8 milhões

Palácio da Alvorada (Ft: Ichiro Guerra-PR)

Desde que Lula (PT) assumiu a presidência, as contas de energia dos palácios utilizados pelo petista dispararam e, em dois anos e dez meses, o valor já encostou no que foi gasto ao longo de quatro anos da gestão de Jair Bolsonaro. De janeiro de 2023 até este mês de outubro, as contas de energia somaram R$29.864.513,78. Nos 48 meses, entre 2019 e 2022, o valor foi de R$33.159.002,56. A conta inclui os palácios do Planalto, da Alvorada e a Granja do Torto, residência oficial alternativa.

Gasto milionário

O Alvorada, palácio onde Lula mora, consumiu este ano R$1,3 milhão em contas de energia. Só a fatura de outubro beirou os R$149 mil.

Na brisa

Para manter temperatura amena, o ar-condicionado presidencial custou outra fortuna ao pagador de impostos: R$964 mil somente este ano.

Gasto atoa

A Granja do Torto, palacete campestre que Lula dá as caras vez ou outra, consumiu R$317,9 mil em energia nos últimos dez meses.

No detalhe

O gasto está assim, ano a ano: R$9,1 milhões em 2025 (até outubro); R$11,2 milhões em 2024; e R$9,3 milhões em 2023.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/contas-de-luz-dos-palacios-de-lula-em-brasilia-ja-somam-mais-de-r298-milhoes

Pesquisa: Lula perde em quase todos os cenários de 2º turno

Michelle Bolsonaro, presidente do PL Mulher.


Se as eleições presidenciais de 2026 fossem realizadas hoje, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria grandes chances de ser derrotado no segundo turno, segundo pesquisa nacional da Futura Inteligência, empresa da Apex Partners, divulgada na noite desta segunda-feira (27).

No primeiro turno, Lula aparece tecnicamente empatado com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (31,5% contra 31,3%), com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (34,9% contra 31,1%), e com o ex-presidente Jair Bolsonaro (37,8% contra 35,8%).

Nos cenários de segundo turno, o petista perde em quase todos os confrontos simulados. Contra Jair Bolsonaro, tem 41,3%, enquanto o ex-presidente soma 46,9%. Diante de Tarcísio de Freitas, Lula registra 39,5%, ante 45,3% do governador paulista. Frente a Ratinho Júnior, o presidente tem 38,9%, contra 43,4% do paranaense. No duelo com Michelle Bolsonaro, o resultado é de 41,2% para Lula e 47,6% para a ex-primeira-dama. O petista vence apenas Romeu Zema (42% a 38,3%) e Ronaldo Caiado (40,3% a 38,6%).

O levantamento também mostra que 50,4% dos entrevistados rejeitam Lula. Além disso, 44,9% avaliam seu governo como ruim ou péssimo, enquanto 32,9% consideram a gestão ótima ou boa. A desaprovação ao governo chega a 53,8%, frente a 40,7% de aprovação. Sobre o rumo do país, 52,3% acreditam que o Brasil está “indo para o caminho errado”, e 35% avaliam que segue “no rumo certo”.

De acordo com José Luiz Soares Orrico, diretor político da Futura Inteligência, o levantamento de outubro aponta uma leve queda na desaprovação ao governo, mas sem impacto significativo na confiança ou no cenário eleitoral.

“A insatisfação com o rumo do país, o pessimismo econômico e o desgaste moral continuam predominantes. Em contrapartida, o campo da direita permanece forte e diversificado, com Bolsonaro ainda como principal referência simbólica, mesmo sem ser candidato, enquanto seus herdeiros políticos consolidam espaço e confiança”, afirmou.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/pesquisa-lula-perde-em-quase-todos-os-cenarios-de-2o-turno

Nem de graça os Correios interessam mais a investidores

Sede dos Correios em Brasília. (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado).

O insolvente Correios não consegue banco disposto a emprestar-lhe os R$20 bilhões para pagar dívidas, como pretende, até porque o risco de calote é do tamanho do rombo. A saída pode ser ainda pior: o governo Lula (PT) obrigar os bancos estatais, já fragilizados, a bancar o crédito. A situação dos Correios é tão crítica que até de graça sairia caro. Ainda que conseguissem vende-la pelo valor de mercado, isso seria mal seria suficiente para o pagamento de menos de um terço das dívidas. A informação é da Coluna Claudio Humberto, do Diário do Poder.

Os Correios passaram a dar lucro com a Lei das Estatais do governo Temer, mas Lula conseguiu que o STF a suspendesse. E tudo desandou.

Lula pediu e o STF suspendeu a Lei das Estatais, a fim de nomear quem quisesse como diretores. Para os Correios, designou seu churrasqueiro.

Além de liquidar sua principal receita, taxando blusinhas, Lula fez crescer gastos com pessoal nos Correios para quase R$13,3 bilhões/ano.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/nem-de-graca-os-correios-interessam-mais-a-investidores

Lula é reprovado por 49,2% do Brasil, e no Sul chega a 59,2%

Presidente Lula (PT). (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil).

Reprovado pela maioria dos brasileiros, 49,2%, contra 47,9% que o aprovam, o governo Lula (PT) tem no Sul do Brasil o maior índice de rejeição dos eleitores. E o Nordeste é a única região do País que aprova a administração do petista, de acordo com a pesquisa nacional divulgada pelo instituto Paraná Pesquisas, nesta terça-feira (28).

A reprovação do governo de Lula atinge 59,2% no Sul do Brasil, onde sua aprovação é de 36%. No outro extremo está o Nordeste, onde a administração do presidente petista bate 61,4% de aprovação, com reprovação de 36,1%.

A segunda maior reprovação é registrada no grupo formado pelos eleitores das regiões Norte e Centro-Oeste, que registra reprovação de 53,5% e aprovação de 43,7%.

Entre os eleitores do Sudeste, a reprovação foi de 52,6%, diante de uma aprovação de 44,5%, a maior fora do Nordeste.

O levantamento da Paraná Pesquisas ouviu 2020 eleitores em 26 Estados e Distrito Federal em 162 municípios, entre os dias 21 a 24 de outubro. E a amostra atinge um grau de confiança de 95,0% para uma margem estimada de erro de 2,2 pontos percentuais para os resultados gerais.

Veja o resultado por região:


FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/lula-e-reprovado-por-492-do-brasil-e-no-sul-chega-a-592

Sócio do ministro da propaganda embolsou R$12 milhões do governo

Lula e ministro da Secom, Sidônio Palmeira. Foto: Ricardo Stuckert/PR

A produtora de um sócio do ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, recebeu R$12 milhões de duas estatais do governo Lula (PT), nos últimos dois anos. A Caixa Econômica Federal e a Embratur realizaram os pagamentos para a produtora Macaco Gordo, que pertence a Francisco “Chico” Kertész, sócio de Sidônio na agência de publicidade M4 Comunicação e Propaganda (atualmente Nordx).

A M4 foi aberta em 2022 para trabalhar na campanha de Lula e, como Nordx, presta serviços para o diretório nacional do PT. As informações são do jornal Estado de S.Paulo, a quem o ministro afirmou que não interferiu em favor das contratações e que se afastou da gestão de suas empresas após virar ministro de Lula. O ministro da propaganda do governo permanece no quadro societário da agência, mas não pode mais ser sócio-administrador da empresa desde que assumiu o cargo no Palácio do Planalto.

Segundo o jornal, a relação comercial entre Sidônio e Kertész precede a empresa M4. A produtora Macaco Gordo presta serviços há diversos anos para a agência de publicidade de Sidônio (Leiaute) na execução dos contratos de publicidade do governo petista da Bahia, mas sem prestar serviços ao governo federal.

Chico Kertész também fez visitas ao Palácio do Planalto entre janeiro e junho para se encontrar com Sidônio, segundo o Estadão. O ministro de Lula não explicou as visitas, enquanto o dono da Macaco Gordo disse que os encontros foram “de cunho pessoal, sem que jamais tenha sido tratado das atividades [da produtora]”.

Sócio e produtora

As estatais não transferem o dinheiro diretamente para a produtora, que recebe através das agências de publicidade vencedoras das licitações dos órgãos. As agências executam campanhas à medida que são elaboradas e subcontratam empresas especializadas na produção.

O dono da produtora Macaco Gordo disse ao jornal que a empresa tem mais de 5 anos no mercado e foi escolhida por apresentar qualificação técnica e menores preços, e a contratação decorre de “concorrência interna”. O ministro disse que não interferiu em favor das contratações na Caixa e na Embratur, e em nenhum outro órgão público.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/cib-brasil/socio-do-ministro-da-propaganda-embolsou-r12-milhoes-do-governo

Dinheiro roubado dos aposentados era lavado em empresas de fachada

Alexandre Guimarães, ex-diretor do INSS que recebeu milhões do “Careca”, depôs nesta segunda (27/10) na CPMI – Foto: Carlos Moura/ Agência Senado.

O economista Alexandre Guimarães, ex-diretor de Governança do INSS entre 2021 e 2023, admitiu em depoimento à CPMI do INSS, nesta segunda-feira (27), ter mantido negócios com Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, apontado como chefe do esquema que roubou os aposentados e pensionistas. De acordo com as investigações da Polícia Federal (PF), Guimarães teria recebido mais de R$2 milhões por meio de transações entre as empresas Vênus Consultoria, da qual é proprietário, e a Brasília Consultoria e a Prospect, do “Careca”.

O relato do ex-diretor do INSS, segundo parlamentares da CPMI, confirma um “modus operandi” do esquema já identificado pela PF: a criação de empresas de fachada usadas para repassar recursos roubados e simular contratos de prestação de serviços. O senador Izalci Lucas (PL-DF) resumiu o funcionamento do esquema para a Agência Senado:

— O “modus operandi” do Careca foi esse: criando empresas e repassando recursos. E a verdade é que não foi tomada nenhuma ação para beneficiar os aposentados, mas para beneficiar o Careca e outros envolvidos.

Durante o depoimento do economista, o relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), questionou o vínculo financeiro com o “Careca do INSS” e o fato de ter criado uma empresa que recebeu recursos do grupo investigado pelo esquema criminoso:

— Onde pesa a suspeição sobre o senhor? O senhor disse que sentou com o “Careca do INSS” para tratar de negócios sobre um aplicativo. Depois aparece o envio de dinheiro da empresa do “Careca” para a Vênus, da qual o senhor é sócio. No meio disso tudo, o senhor está recebendo R$2,5 milhões. Por que criou a Vênus?

Guimarães respondeu que a Vênus foi criada para produzir material sobre educação financeira e que os pagamentos recebidos se referiam a serviços prestados à Brasília Consultoria, seu único cliente. “Foram, no mínimo, 336 serviços, todos devidamente registrados. Meu contrato era com a Brasília Consultoria, e todo esse serviço foi prestado a ela. Eu abri a empresa para atender à demanda da Brasília Consultoria”, disse o depoente.

“Engrenagem”

Guimarães, que não fez uso de habeas corpus e nem se negou a responder as perguntas do relator e dos parlamentares, admitiu que o “Careca do INSS” indicou Rubens Oliveira Costa, suposto operador financeiro do esquema, para que “ajudasse a abrir a empresa Vênus”, da qual se tornou sócio. Fato que causou estranheza ao presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG):

— Um homem com a experiência dele [Alexandre Guimarães], com o currículo que ele tem, com toda uma trajetória, inclusive por empresas internacionais, pelo sistema financeiro… Qual a explicação para que o Sr. Antônio Carlos Camilo Antunes [o “Careca”] colocasse o Sr. Rubens Oliveira Costa para ajudá-lo a abrir uma empresa? — observou o senador.

Guimarães também admitiu que o contador de sua empresa, Alexandre Caetano, foi indicado por Rubens Oliveira Costa. De acordo com o relator, o mesmo Alexandre Caetano era o contador das empresas do “Careca”.

O relator expôs a suposta participação de Guimarães no esquema:

— O senhor virou diretor do INSS por indicação política, depois fez uma empresa cujo administrador é o operador financeiro do chefe da organização criminosa, recebeu cerca de dois milhões e meio desse conglomerado que saqueou aposentados e pensionistas, e está dizendo que fez tutoriais de educação financeira? Eu não acredito nessa versão — disse.

Em meio aos questionamentos, Guimarães negou envolvimento com as fraudes. Segundo ele, todos os serviços prestados foram legais e “devidamente documentados”.

— Eu não cometi irregularidades. Eu só prestei serviços para a Brasília Consultoria. Tenho notas fiscais — afirmou o ex-diretor de Governança do INSS.

Vários deputados e senadores, porém, consideraram inverossímeis as explicações e afirmaram que o depoente está “no centro de uma engrenagem de corrupção que se repetiu dentro do INSS”.

A senadora Soraya Thkonicke (Podemos-MS) apontou a rápida evolução patrimonial de Alexandre Guimarães. Para ela, a análise das declarações de Imposto de Renda do depoente mostra um enriquecimento “do dia para a noite”.

— No seu comparecimento, Sr. Alexandre, houve mais esperteza do que inteligência, apesar do seu currículo. Não o parabenizo tampouco por não ter impetrado um habeas corpus. Era justamente essa sensação [de coragem] que os seus advogados inteligentemente resolveram trazer. O senhor vem única e exclusivamente para responder sobre um contrato. E o senhor não traz esse contrato — disse Soraya, ressaltando que Guimarães compareceu à CPMI sem levar o contrato entre a sua empresa, Vênus, e as do “Careca do INSS”.

Reunião com o Careca

Guimarães afirmou ter encontrado o “Careca do INSS” em 2021, quando era o diretor de Governança do INSS, cargo que exerceu entre 2021 e 2023. Declarou que só soube do envolvimento dele no esquema de fraudes “com a operação da Polícia Federal, quando os fatos vieram a público”. Disse ainda que o conheceu “em um bar de Brasília, por meio de amigos em comum”.

Nos primeiros meses de 2023, o depoente deixou o cargo. Já em 2025, o depoente confirmou ter participado de uma reunião com o então deputado federal Wolney Queiroz, que sucedeu Carlos Lupi este ano na pasta da Previdência Social. Segundo ele, foi à reunião apenas para conhecer o deputado, então cotado para o Ministério da Previdência Social.

Durante o depoimento, parlamentares ressaltaram que o ex-diretor manteve relações empresariais com figuras centrais do esquema e se beneficiou do mesmo padrão de movimentações ilícitas observado em outras investigações.

— Se a gente visse uma empresa que tinha uma lista de clientes, se não fosse um diretor do INSS sentar com Antônio Carlos Camilo e receber isso aí, a gente poderia até discutir. Mas deixe-me lhe dizer: para mim o senhor está diretamente envolvido no sistema de corrupção — disse o relator Alfredo Gaspar

Guimarães defendeu-se dizendo que não tinha ingerência sobre a área de benefícios, limitando-se à governança administrativa do INSS.

— Na diretoria de governança, nós não tínhamos gerência nenhuma em relação a benefícios. Benefício era tratado por outra diretoria, a de Benefícios — afirmou.

Indicações políticas

A indicação de Alexandre Guimarães para o INSS também levantou suspeitas nos parlamentares. O depoente relatou que sua primeira passagem pelo instituto, em 2017, durante o governo Temer, ocorreu após ele “espalhar currículos” em busca de recolocação profissional. Segundo afirmou, seu nome teria chegado à liderança do governo à época, comandada pelo então deputado André Moura (PSC-SE).

— Eu não tenho relacionamento com políticos, apenas enviei meus currículos, que acabaram chegando à liderança do governo — declarou. Guimarães ressaltou que o contato não foi feito diretamente com o parlamentar, mas por meio de seus assessores.

Guimarães permaneceu no INSS até janeiro de 2019, quando pediu exoneração do cargo de diretor de Gestão de Pessoas e foi convidado para a Companhia Energética de Brasília (CEB), sob a presidência de Edison Garcia, ex-dirigente da autarquia. Mais tarde, retornou ao INSS: em 2021, no governo Bolsonaro, foi nomeado para a Diretoria de Governança. Ele afirmou que o convite partiu do deputado Euclydes Pettersen (então no PSC-MG), após nova análise de seu currículo.

— Foi uma conversa rápida. Ele disse que meu currículo havia chegado às mãos dele e perguntou se eu teria interesse em assumir a diretoria — relatou.

O relator questionou a coincidência de o depoente ter sido nomeado duas vezes, em momentos distintos, por parlamentares do mesmo partido.

— Eu acho que está na hora de ter coragem de enfrentar a participação política — disse Alfredo Gaspar.

Para Carlos Viana, a CPMI está no caminho certo e chegará a todos os envolvidos nas fraudes contra os aposentados.

— A cada testemunha que mente, a verdade aparece mais forte. A cada prisão decretada, o país entende que ninguém está acima do povo. A cada passo  dessa travessia [do Rio Jordão], a fé vence o medo, porque quem luta pela verdade não afunda, atravessa — disse o presidente da CPMI, referindo-se ao texto bíblico de Josué.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/politica/ttc-politica/dinheiro-roubado-dos-aposentados-era-lavado-em-empresas-de-fachada


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