
Fora do Brasil e alvo de um pedido de extradição, Eduardo Tagliaferro, ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes, quebrou o silêncio para fazer acusações sobre os bastidores do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF). Em entrevista exclusiva à Gazeta do Povo, Tagliaferro denunciou o que chama de um “plano de poder” em curso dentro da Corte, revelou práticas de vigilância interna, criticou a atuação de ministros e disse estar preparado para ser preso ou extraditado. “O que está em andamento não vai parar com a minha prisão, nem com a minha morte”, destacou.
Eduardo foi o chefe do gabinete de Moraes que era responsável pelo que ele chamou de “mutirão de perseguição à direita”. Conforme as revelações da reportagem “Vaza Toga 2”, o sistema realizava um julgamento prévio dos envolvidos nos atos do 8 de Janeiro, com base em suas ideologias ou preferências políticas, antes mesmo da audiência de custódia.
Futuro do STF: “projeto de poder”
Segundo Tagliaferro, a entrada de Edson Fachin na presidência e Moraes na vice não significa uma mudança de rota da Suprema Corte. “A nova presidência não muda nada. Ela reforça o que já está acontecendo”, analisou. Tagliaferro diz que as movimentações internas do STF seguem um planejamento político articulado há anos. “Já se falava, dentro do gabinete de Moraes, que ele seria o próximo presidente do Supremo. Isso fazia parte de uma lógica de poder, não de mérito jurídico”, descreveu.
O ex-assessor afirma que o que hoje se vê como ativismo judicial é, na verdade, um projeto institucionalizado. “Eles vão continuar com o plano de poder, com o plano de governo deles”, declarou. Para ele, há uma tentativa de centralizar decisões políticas sob o verniz do Judiciário, algo que, em suas palavras, “não tem nada de normal”.
Ele também comentou a repercussão de um editorial da Folha de S.Paulo, que sugeria que o STF poderia “voltar aos trilhos” após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro. “O simples fato de um tribunal voltar aos trilhos depois de condenar um inimigo político já mostra que esse processo é todo anormal”, criticou.
“Há delatores internos no Supremo”
Tagliaferro relatou que dentro do Supremo havia um ambiente de desconfiança e controle. “Funcionários atuavam como delatores internos”, contou. Segundo ele, existia um esquema informal de vigilância, onde informações sensíveis eram entregues voluntariamente por servidores com o objetivo de agradar superiores. “Eles entregavam coisas de outros órgãos, de empresas, de instituições. Isso era estimulado”, contou.
O ex-assessor revelou ainda que diversos colegas deixaram os cargos, insatisfeitos com o rumo das ações. “Teve assessor que pediu demissão chorando. Juízes auxiliares que saíram sem dar explicações públicas, mas nos bastidores diziam que aquilo havia ultrapassado todos os limites institucionais.” Para ele, esse clima de tensão interna só reforça que “o STF não está mais atuando dentro dos contornos normais de uma Corte Constitucional”.
“Alvos preferidos de Moraes”
Ao abordar a figura de Alexandre de Moraes, seu ex-chefe, Tagliaferro não poupou palavras: “Moraes é mau. Não é só autoritário, ele é mau. A Lei Magnitsky é pouco perto do que ele representa”, avaliou. “Isso não é só política, é pessoal, é perseguição, é vingança. E agora tem uma institucionalização disso dentro do Judiciário”, reforçou.
Eduardo também relatou o que chamou de “perseguição sistemática e cruel” contra alvos centrais das investigações conduzidas por Alexandre de Moraes. Além da deputada Carla Zambelli, que “foi citada mais de 800 vezes nos relatórios e comunicações internas”, ele mencionou outros nomes como Bia Kicis, Daniel Silveira, e o ex-presidente Jair Bolsonaro. “Era uma verdadeira obsessão. Tudo que se referia a eles era priorizado, como se fosse questão de Estado”, afirmou.
Para Tagliaferro, eleições terão “estrutura de controle judicial”
Sobre o futuro político do país, especialmente com vistas às eleições presidenciais de 2026, Tagliaferro foi pessimista. “Eles não vão recuar. Podem até dar uma suavizada agora, por conta da vigilância internacional, mas não dura muito. O que está sendo preparado é um modelo de controle total. Censura, decisões monocráticas, desmonetizações. Vai piorar”, previu. Segundo ele, as eleições de 2026 já estão sendo moldadas nos últimos anos.
“As eleições não serão limpas”, afirmou Tagliaferro, com firmeza. Para ele, o processo eleitoral já está comprometido por uma “estrutura de controle judicial” que se instalou no país. “Não é só interferência pontual. É uma engenharia de dominação narrativa, jurídica e tecnológica. Não vão permitir que um projeto conservador volte ao poder por vias democráticas.” Ele também disse acreditar que, nos bastidores, “há planos para inviabilizar juridicamente candidaturas que ameacem o sistema estabelecido”.
Riscos de extradição
Mesmo exilado na Itália, Tagliaferro diz não ter sido notificado oficialmente sobre o pedido de extradição: “Zero contato, zero procura. Não teve nada.” Ele relatou que, recentemente, foi parado por policiais em Roma, perto da Suprema Corte Italiana. “Checaram meus documentos, os da minha família, e me liberaram. Se houvesse um pedido real em curso, ali teria sido o momento”, relatou.
Segundo ele, ainda que sua situação esteja juridicamente protegida por tratados da União Europeia, a ameaça continua no ar. “A gente nunca sabe o que pode acontecer. Eu fico sempre em alerta”, desabafou.
Apesar da possibilidade de ser preso ou extraditado, ele disse estar em paz. “Quando decidi fazer as denúncias, eu sabia dos riscos. Prisão, extradição, exílio: tudo isso eu avaliei. Já estou psicologicamente preparado”, garantiu.
Eduardo também opinou que não se considera mais “o ponto central” das revelações que apresentou. “O material que tenho já está nas mãos certas. Se me prenderem, não muda nada. Isso vai continuar. Porque isso não é mais sobre mim — é sobre o que está acontecendo com o Brasil. E isso precisa ser exposto”, concluiu.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/entrelinhas/moraes-e-mau-magnitsky-e-pouco-tagliaferro-revela-bastidores/

A confissão da censura

A “guerra cultural” a que se referem cada vez mais teóricos e franco-atiradores — nem sempre explicando exatamente o que querem dizer com isso — não existe. Nem no Brasil, nem no mundo. Existem conflitos de valores, princípios e credos. Mas o que levou a civilização à maior crise da sua história é algo bem mais simples.
Será mesmo a maior crise pela qual a civilização já passou? Alguns parâmetros indicam que sim. Alguma vez antes o saber científico foi maculado em escala planetária? A decisão dos EUA de se retirarem da Organização Mundial da Saúde é um dos emblemas gritantes dessa falência — intelectual e moral. E agora uma confissão dramática deixou expostas as entranhas dessa crise.
Antes de falarmos da confissão, vale notar outros aspectos dessa falência civilizacional. A Organização das Nações Unidas, por exemplo, virou uma caixa de ressonância para demagogos e autoritários dissimulados. Como já apontou Javier Milei, a ONU falhou clamorosamente na proteção à liberdade e aos direitos humanos — valores que fundamentam a sua existência.
Lula sendo aplaudido ao defender a ditadura cubana foi um retrato eloquente da situação. E a debandada em massa durante a fala do chefe de Estado israelense foi um sinal indireto (mas real) da complacência inconfessável com os carniceiros que dominaram a Palestina.
Como cenário para tudo isso, a chamada grande imprensa mergulhou, mundo afora, em um proselitismo reles ditado pelos espertalhões endinheirados que se escondem atrás de planejamentos enganosos — como a tal Agenda 2030.
Agora, a confissão que expõe as vísceras da sociedade: o Google admitiu formalmente, perante o parlamento dos EUA, que o YouTube praticou censura em massa. Prometeu inclusive restituir contas suspensas por discurso político considerado impróprio e alegações do tipo. A big tech disse que sua conduta irregular se deveu a pressões do governo norte-americano e admitiu o banimento de usuários que não haviam infringido as normas de uso da plataforma.
É o que todo mundo de bom senso já sabia. Mas esse “todo mundo” de bom senso foi tragicamente insuficiente para evitar que o senso comum fosse sequestrado por essa corrupção das mentes.
A interdição e a manipulação do debate público, agora confessadas com palavras suaves (assim como fez anteriormente o dono da Meta), têm muitos cúmplices. Muitos mesmo. E, infelizmente, é preciso dizer que eles estão por toda parte.
Uma ressalva fundamental: a gradual revelação do escândalo da censura em massa e a constatação da complacência de boa parte das sociedades com isso não podem alimentar um espírito de revanche.
Por mais revoltante que seja para todos os que foram calados ou constrangidos — e que encontraram em pessoas próximas o endosso lamentável a essa prática —, não será uma boa solução sair apontando o dedo para todos os que afiançaram essa loucura. Revanche não ilumina. E ainda é preciso colocar muita luz nesse vagão da história.
Veja um trecho da matéria publicada pela Gazeta do Povo: “O Google enviou uma carta ao Comitê Judiciário da Câmara dos Estados Unidos em que admite ter sofrido pressão do governo do ex-presidente dos EUA Joe Biden para censurar conteúdos sobre a pandemia de covid-19 e eleições que não violavam suas próprias regras”. Em outro trecho, é noticiado que a empresa devolverá canais encerrados por “violações às políticas de covid-19 e integridade eleitoral”.
Vamos traduzir o discurso da empresa, se é que é necessário: o YouTube usou pretextos éticos para impedir a livre circulação de ideias e expressões legítimas durante a pandemia e as eleições norte-americanas
Agora, vamos fazer a ponte necessária com o momento presente: perdura em todo o mundo esse expediente de alegação de proteção ética à coletividade para impor censura à opinião pública — mal disfarçada por eufemismos como “regulação das redes sociais”.
A inversão de sinais, a falsificação de virtudes e a corrupção generalizada do significado das coisas não configuram uma guerra cultural. Trata-se da encruzilhada da consciência. O ser humano está sendo convidado a desconfiar sistematicamente do seu semelhante. A verdade virou mercadoria de contrabando. A boa-fé saiu de moda. Simples assim. E perturbador.
Qual é a saída? Algum mago na plateia?
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/guilherme-fiuza/a-confissao-da-censura/

Militares capazes: uma ideia radical?

“Chega de meses da identidade, escritórios de diversidade, homens usando vestidos. Chega de adoração às mudanças climáticas. Chega de divisão, distração ou ilusões de gênero, chega de lixo”, disse Pete Hegseth, secretário de Guerra do governo Donald Trump.
Ele acrescentou: “Se as mulheres conseguem, excelente. Se não, é o que é. Isto também significará que os homens fracos não se qualificarão, porque não estamos a jogar. Isto é combate. Isto é vida ou morte”.
A fala de Hegseth provocou uma celeuma nas hostes esquerdistas, mas é puro bom senso. O fato de que o óbvio ululante precise ser dito, e ainda cause espanto numa ala da sociedade, mostra como a ideologia woke avançou de forma preocupante.
Como foi que chegamos até aqui? Onde foi que fechamos os olhos para tanto absurdo, permitindo que a política identitária tomasse conta de tudo, matando a meritocracia?
Ora, quando o país entra em guerra, tudo que importa é que sua máquina bélica seja eficaz, que seus soldados sejam os mais eficientes. A obsessão por “diversidade” é apenas uma perigosa distração, uma ideologia sem sentido.
O mesmo vale para outras áreas: quando entramos num avião, queremos os melhores pilotos, os mais experientes, não aqueles que atingem cotas de “minorias”; quando entregamos nosso corpo para uma cirurgia, buscamos o melhor cirurgião, não alguém que avançou na carreira por sua “diversidade”.
De tão evidente que é isto, temos de perguntar: como foi que chegamos até aqui? Onde foi que fechamos os olhos para tanto absurdo, permitindo que a política identitária tomasse conta de tudo, matando a meritocracia?
Hegseth quer que o bom exemplo venha de cima: “É inaceitável ver generais gordos”. Todos terão de atingir os padrões de altura e peso, e fazer testes duas vezes por ano. Não há mais espaço para os devaneios ideológicos da esquerda.
Ou seja, a cultura woke será varrida das Forças Armadas dos EUA, para o bem dos militares e de toda a nação. Acabou a palhaçada! Isso trará melhorias nas Forças Armadas, e chororô na esquerda, que odeia o mérito individual. Mas na hora de uma guerra contra o inimigo, até os canhotos querem a melhor equipe possível em sua defesa, não uma equipe “diversificada”.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/rodrigo-constantino/pete-hegseth-militares-capazes-uma-ideia-radical/

Código Civil de Rodrigo Pacheco vai acabar com a família, alerta jurista

O novo Código Civil, do senador Rodrigo Pacheco, ex-presidente do Senado, está acabando com a família, denuncia a jurista Regina Tavares da Silva, presidente da Associação do Direito Familiar e Sucessões. O texto acaba com o Direito de Família, que se tornaria uma bagunça. Entre as inovações estranhas, o projeto cria o “convivente”: se uma pessoa convive com outra, já é convivente. Cria também o “filho afetivo”: nem será preciso passar pelo juiz para mostrar se houve ou não houve alguma malandragem; basta ir direto ao cartório e dizer “é meu filho afetivo”. Fora os arranjos estranhos, como o “filho de três pessoas”.
Se quiserem implantar tudo isso vão ter de mudar a Constituição, então. Porque o artigo 226, que trata da família, só fala em homem e mulher, isto é, um casal. “Casal” é quando há um menino e uma menina, um homem e uma mulher. E tão estranho quanto o projeto em si é o silêncio das entidades religiosas, que falam tanto em família, mas andam caladas diante desse novo Código Civil.
Caos no Aeroporto Santos Dumont por causa de uma mancha de óleo na pista
Nesta terça-feira, o Aeroporto Santos Dumont, no Rio, que é muito importante nas ligações com Brasília, Belo Horizonte e, principalmente, São Paulo, ficou parado. Mais de 80 pousos e decolagens foram cancelados, foi um horror para quem usa essa ponte aérea para ir e voltar rapidamente entre as principais capitais do país, fechar negócios, fazer reuniões importantes. A causa é surreal: o veículo que faz a inspeção da pista derramou óleo perto da cabeceira. E não tem alternativa, porque as pistas do Santos Dumont são curtas, não têm nem 1,5 quilômetro – só para comparar, a do Galeão tem 4 quilômetros –, e não há terra nem antes nem depois da pista, só o oceano. É quase como se fosse um porta-aviões. A pista de um porta-aviões como o Gerald Ford tem um terço do comprimento das pistas do Santos Dumont, mas ali há catapultas para a decolagem, inclinação especial, e um gancho para o pouso, e as aeronaves embarcadas também são bem menores que um avião de passageiros.
Lula quer decidir tudo sozinho e vai criando problemas
As coisas não estão muito fáceis para os acordos com Lula. Desde maio, o presidente está prometendo a Guilherme Boulos, do Psol, um lugar no Palácio do Planalto, o de ministro na Secretaria-Geral da Presidência. Mas Boulos teria de se comprometer a não concorrer a cargo algum em 2026, para ficar livre e poder ajudar na campanha eleitoral. Só que o atual secretário-geral, Márcio Macedo, que tem mandato de deputado pelo PT de Sergipe, disse que não será substituído, que não sabe de nada, que não há nenhuma conversa sobre isso. Outro caso é o do ex-senador Jean Paul Prates, ex-presidente da Petrobras, que disse à Carta Capital que está saindo do PT, porque o partido, na escolha de candidatos, não consulta ninguém, as indicações vêm de cima para baixo. Prates disse que buscará um partido em que haja mais democracia na hora de apontar seus candidatos.
Suspeito de execução de ex-delegado é morto no Paraná
Vocês se lembram do assassinato recente de um ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, que era secretário de Administração em Praia Grande (SP); houve emboscada, perseguição do carro, tiros de fuzil. Havia três executores, mais um motorista, no total eram oito suspeitos, dos quais quatro já estão presos. Um deles estava na Região Metropolitana de Curitiba, a polícia chegou, ele decidiu resistir e morreu. Aliás, com medo de Tarcísio de Freitas ser candidato à Presidência, o governo federal está fazendo pressão na área da segurança pública. E se houver disputa entre União e estados, quem sai ganhando sempre é o bandido.
Trabalhistas têm desaprovação recorte no Reino Unido
O governo trabalhista de Keir Starmer, no Reino Unido, está com 13% de apoio e 79% de desaprovação. Nunca se viu coisa igual – mas, também, os mulçumanos estão tomando conta de lá, impondo seus costumes, e usando a violência para isso.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/codigo-civil-rodrigo-pacheco-acabar-com-familia/

O caso que desmonta Moraes: Cristiane, a “golpista” que só levava Bíblia e bandeira

“Aproveito aqui, presidente, para desfazer uma narrativa totalmente inverídica, até um dos nobres advogados disse uma questão de terraplanismo, aqui seria muito semelhante: se criou uma narrativa de que, assim como a terra seria plana, o Supremo Tribunal Federal estaria condenando ‘velhinhas com a Bíblia na mão’, que estariam passeando num domingo ensolarado pelo Supremo Tribunal Federal, pelo Congresso Nacional e pelo Palácio do Planalto. Nada mais mentiroso do que isso, seja porque ninguém lá estava passeando, seja porque as imagens mostram isso, seja pelas condenações.” Essas foram as palavras ditas pelo ministro Alexandre de Moraes durante o recebimento da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o chamado “núcleo crucial” do golpe.
Naquele dia, em vez de decidir de acordo com as provas dos autos, a Constituição e as leis, ficou evidente que Moraes preferiu se defender das críticas e atacar adversários políticos, além de “desfazer narrativas”, como disse o próprio ministro. Mas quem vai desmentir as fake news de Moraes? Sim, porque o que ele disse, para variar, é mentira: havia, sim, velhinhas com a Bíblia na mão rezando no 8 de janeiro que foram presas.
Depois do caso de Débora do batom, condenada a mais de 14 anos por sujar a estátua da Justiça, temos o caso da Cristiane Angélica: seu crime foi rezar com uma bandeira na mão. Não se sabe ainda se o seu crime foi sua fé ou seu patriotismo
A prova, surpreendente, foi apresentada pelo ministro Luiz Fux – o único magistrado de carreira no Supremo e também o único com coragem de divergir de Moraes no julgamento da ação do golpe. Em novos votos proferidos na semana passada, Fux trouxe à tona casos do 8 de janeiro tão chocantes que parecem inverossímeis. Um deles é o de Cristiane Angélica, uma mulher simples de 59 anos, desempregada à época dos atos. Cristiane foi à manifestação com duas “armas”: uma Bíblia e uma bandeira do Brasil.
Quando os atos saíram de controle, Cristiane foi empurrada pela multidão e pelas bombas de efeito moral para dentro do Senado Federal, onde buscou abrigo das explosões, do gás e da fumaça. Lá, juntou-se a um grupo de senhoras que se ajoelhou e começou a rezar com elas. Esse foi seu depoimento à Polícia Federal (PF). E não é só a palavra dela: um policial legislativo presenciou a cena e confirmou tudo em juízo. Para a sorte dela, esse mesmo policial havia tirado uma foto com Cristiane minutos antes, o que permitiu localizá-lo.
Na foto, ambos aparecem com um sorriso leve, tranquilos. Difícil imaginar que um policial encarregado de proteger o Senado posaria para uma foto dessas com uma “golpista perigosa”: isso por si só já enfraquece a acusação. Some-se o fato de que Cristiane estava desempregada, não portava armas e nunca recebeu treinamento militar. Mais que isso: o policial legislativo afirmou ter visto Cristiane e as outras senhoras rezando, sem praticarem qualquer ato criminoso – nem quebrar um azulejo.
Esse já seria motivo suficiente para derrubar a acusação. Mas há mais: o policial que fotografou Cristiane e testemunhou sua conduta pacífica no Senado tornou-se depois promotor de Justiça em Santa Catarina. Se já parecia improvável que um policial legislativo mentisse sobre a ré, ainda mais absurdo seria imaginar um promotor – cuja função é acusar criminosos – inventando um testemunho tão favorável a ela. Mentir então no seu estágio probatório, depois de tanto estudo para passar no concurso, seria loucura. A verdade é que Cristiane é inocente. Fux, obviamente, absolveu-a de tudo.
Depois do caso de Débora do batom, condenada a mais de 14 anos por sujar a estátua da Justiça, temos o caso da Cristiane Angélica: seu crime foi rezar com uma bandeira na mão. Não se sabe ainda se o seu crime foi sua fé ou seu patriotismo. Ser angelical – muito para além do nome – não a ajudou. Foi diabolicamente condenada por Moraes a mais de 14 anos de prisão.
O caso de Cristiane, assim como o das senhorinhas que a acompanhavam, prova que Moraes mentiu. E vejam a ironia: ele mentiu ao afirmar que os outros mentiam. E não era qualquer mentira: era do nível absurdo, terraplanista, segundo ele. Contudo, as provas mostraram que o que ele chamou de inverídico era verídico. Narrativa era na verdade o que ele criava, não o que ele rebatia. E é justamente ele que, com os demais ministros aliados, quer regular as redes sociais contra fake news. Esse episódio confirma que o real objetivo não é regular desinformação: é garantir o seu monopólio.
No livro Justificando a repressão digital por meio do ‘combate às fake news’ – Um Estudo de Quadro Autocracias do Sudeste Asiático, os autores mostram que essa estratégia não foi criada no Brasil: “Todos os quatro países usaram alegações de “fake news” para penalizar os críticos. Camboja, Tailândia e Vietnã tendem a usar tais alegações para pressionar empresas de tecnologia a remover conteúdo a mando dos governos. Tailândia e Vietnã tendem a explorar tais alegações para reforçar a vigilância online. Mianmar é o único país que recorre ao bloqueio da internet”.
Afinal, a verdade ainda vale alguma coisa no STF e na grande mídia? Quem ainda se interessa por ela? A grande imprensa brasileira é ágil para repercutir narrativas e falas de Moraes sem checagem ou senso crítico. Mas e as vozes de pessoas simples como a Cristiane, condenada sem provas, apesar de todas as evidências apontarem para a absolvição? Por que nenhum jornalista da grande mídia se dá ao trabalho de ler os processos, confrontar provas e contar a verdade sobre os abusos de Moraes? Por que ninguém tem coragem de desmentir as fake news dele? Com a palavra, a grande imprensa brasileira.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/deltan-dallagnol/moraes-cristiane-da-biblia-8-de-janeiro/
Rede diverge de Lula e vai ao STF contra sanção de mudanças na Ficha Limpa

O partido Rede Sustentabilidade entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça (30) para suspender as alterações na Lei da Ficha Limpa sancionadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), alegando que as mudanças representam um enfraquecimento da legislação.
A contestação foi elaborada pelo advogado e ex-juiz Márlon Reis, um dos idealizadores da Lei da Ficha Limpa. Para ele, os vetos de Lula foram insuficientes e mantiveram pontos que fragilizam a legislação, abrindo espaço para retrocessos no combate à corrupção.
“A norma, se mantida em vigor, permitirá que indivíduos condenados por crimes graves, inclusive contra a administração pública e a própria lisura do processo eleitoral, possam se candidatar e, eventualmente, ser eleitos”, diz a petição.
Para o partido, o texto “mina a confiança da sociedade nas instituições democráticas, um dos pilares do Estado de Direito”. A Rede ainda sustenta que a sanção presidencial fere princípios constitucionais e, portanto, deve ser integralmente derrubada pelo Supremo.
Márlon Reis afirmou que Lula manteve todos os trechos que reduzem o prazo de inelegibilidade de políticos condenados – um “retrocesso” que o pegou de surpresa.
“Lula manteve os pontos que representam retrocesso. Foi uma grande surpresa. Todos os dispositivos que representam redução do prazo de inelegibilidade foram mantidos. Ele fez vetos cosméticos em partes do texto”, disse em entrevista ao Estadão.
De acordo com o advogado, a decisão do governo representa um enfraquecimento da lei aprovada em 2010, considerada um marco no enfrentamento à corrupção eleitoral. Reis ressaltou que os vetos feitos por Lula não alteram os principais dispositivos criticados, que reduzem o alcance das punições.
A lei aprovada pelo Congresso, de autoria da deputada Dani Cunha (União-RJ), filha do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, limita em oito anos o prazo de inelegibilidade. Até então, o período era mais longo, com a contagem a partir do fim do mandato cassado, e não da cassação em si.
Críticos da medida afirmam que a alteração favorece políticos condenados por crimes contra a administração pública, incluindo Eduardo Cunha, que se prepara para disputar as eleições de 2026. Já os defensores alegam que a mudança corrige uma distorção no cálculo do prazo de inelegibilidade.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/rede-diverge-lula-stf-contra-sancao-mudancas-ficha-limpa/
Coaf aponta lavagem de R$140 milhões e relator pede nova prisão de sindicalista da Conafer

O relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), requereu a prisão preventiva do sindicalista Carlos Roberto Costa, controlador do empreendimento privado “Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais”, de sigla Conafer. No pedido, a ser votado nesta quinta (2), Gaspar menciona levantamento do Coaf de transações bancárias de Costa e de assessor de confiança evidenciando “atos espúrios” como lavagem de dinheiro.
Chave de cadeia
Os relatórios de Inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) chegaram a CPMI enquanto Costa era interrogado.
Lavanderia ativa
O Coaf detectou transferências de dinheiro pulverizada para pessoas diversas, na maioria “ligadas umbilicalmente ao sr. Carlos Roberto”.
Intermediários
O relator também cita transferências de R$140 milhões a pessoas ligadas a Cícero Marcelino, homem de confiança de Carlos Roberto.
R$800 milhões
Carlos Roberto Ferreira Costa é suspeito de comandar um esquema e surrupiar mais de R$800 milhões de aposentados sem autorização.
Governo Lula é reprovado por 51% a 44% do País

Em um levantamento divulgado pelo PoderData nesta quarta-feira (1º), mostra que 51% dos brasileiros reprovam o governo do presidente Lula (PT). A aprovação de sua administração está em 44%; não sabem ou não responderam, 5%.
A reprovação do petista oscilou dois pontos para baixo, em comparação à última pesquisa feita em julho, em que o percentual era de 53%. Na aprovação, a sondagem anterior era de 42%.
Aprovação do governo Lula (PT)
- Reprovam: 51%
- Aprovam: 44%
- Não sabem/não responderam: 5%
A pesquisa abordou dois fatores que marcaram o cenário político nos últimos meses, no que resultou em debates acalorados, sendo eles o tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros demandados por Donald Trump e a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de Estado após as eleições presidenciais de 2022.
O instituto entrevistou 2.500 pessoas em 178 municípios, em todas as unidades da federação, entre os dias 27 e 29 de setembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
Eduardo Tagliaferro é conduzido até delegacia na Itália

O ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Eduardo Tagliaferro foi conduzido até uma delegacia na Itália nesta quarta-feira, 1°. O perito vive no país desde o início do ano.
A Oeste, o advogado de Tagliaferro, Eduardo Kuntz, informou que a polícia italiana levou o perito à delegacia na manhã desta terça-feira. A informação, divulgada em primeira mão pelo jornalista Eduardo Novak, produtor do programa Faroeste à Brasileira, também foi confirmada pela assessoria de Tagliaferro. Outras fontes consultadas pela reportagem acreditam que a movimentação esteja ligada a um processo de extradição aberto contra ele.
Às 12h30 desta terça-feira, o perito ainda prestava depoimento, e a expectativa era que fosse liberado em seguida. Ele também recebeu uma notificação de permanência domiciliar, que o impede de deixar o município onde reside na Região da Calábria, no sul da Itália.
FONTE: REVISTA OESTE https://revistaoeste.com/politica/tagliaferro-e-conduzido-ate-delegacia-na-italia/?utm_medium=editorial-push&utm_source=taboola

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