Um julgamento previsível em um processo duvidoso

O ex-presidente Jair Bolsonaro, que começa a ser julgado nesta terça-feira, 2 de setembro. (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

Nesta terça-feira, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal dará início ao que já pode ser considerado o julgamento mais previsível da história recente da corte: aquele em que o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete réus serão julgados por uma suposta tentativa de golpe de Estado (entre outros crimes) no fim de 2022, após o resultado da eleição presidencial de outubro ter apontado uma vitória apertada de Lula contra Bolsonaro, que tentava a reeleição.

A condenação é certa, mas a certeza existe pelos piores motivos possíveis. Vários ministros do Supremo, tanto os que farão parte do julgamento quanto os que não compõem a turma (e é de se questionar por que um caso tão importante não está sendo avaliado por todo o plenário), têm se manifestado livremente fora dos autos, dando suas opiniões sobre o inquérito, sobre a suposta tentativa de golpe, e antecipando conclusões, às vezes atenuando suas palavras com um ou outro condicional, para que não fique tão escancarado assim o fato de que a decisão, no fim das contas, já está tomada, independentemente do que argumentem os advogados de defesa. A indiscrição é tanta que já se sabe até mesmo o destino do ex-presidente: o presídio da Papuda, segundo fontes próximas ao relator Alexandre de Moraes ouvidas pelo site Metrópoles.

O golpismo só pode ser combatido dentro da lei, mas o que o STF tem feito é relativizar todas as leis em nome de uma suposta “preservação da democracia”

Chega a ser assombroso que a opinião pública, em peso, tenha normalizado esse tipo de atitude, que em nada condiz com a imparcialidade que se esperaria dos responsáveis por julgar pessoas e casos desta relevância. Mas, a bem da verdade, essa normalização não surpreende, depois de tudo o que já vimos ao longo deste processo e que também foi tratado como coisa pouca. Um caso escandaloso é a violação grotesca do princípio do juiz natural, já que nenhum dos réus tem prerrogativa de foro – é preciso lembrar que por muito menos a Lava Jato foi praticamente toda desmontada, inventando-se um problema de competência onde ele não existia, enquanto agora é evidente que o caso deveria estar na primeira instância, e não no STF.

Quando um processo começa com esse tipo de vício, não surpreende que tudo o mais siga padrão semelhante. A prisão domiciliar decretada por Moraes contra Bolsonaro, por exemplo, é uma bizarrice processual, pois ela é não é um tipo de prisão, como a prisão temporária ou preventiva, mas uma maneira específica de cumprir a prisão preventiva ou a pena propriamente dita – e nenhuma delas chegou a ser imposta a Bolsonaro. Diga-se o mesmo de todas as idas e vindas da delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, pilar da acusação. Mesmo com as ameaças de Moraes a Cid (e sua família) plenamente documentadas, assusta que sejam tão poucos a apontar para a fragilidade de uma delação feita em tais condições.

Por fim, nunca é demais lembrar que, salvo algum novo elemento tirado da cartola pela Procuradoria-Geral da República aos 49 minutos do segundo tempo (o que já seria muito questionável), estamos diante de um crime que, se existente, não passou da fase dos atos preparatórios, a segunda fase do chamado iter criminis, que consiste em cogitação, planejamento, execução e consumação. Bolsonaro e os demais réus podem ter discutido um golpe, podem ter planejado um golpe, podem até ter redigido documentos para usar em caso de golpe, mas não houve quartelada. Minutas jamais saíram das gavetas e tanques jamais saíram dos quartéis. Lula tomou posse como previsto. E aqui está o grande problema que os ministros, ao que tudo indica, não estarão dispostos a enfrentar: a lei brasileira não pune crimes que não passaram da fase dos atos preparatórios; é preciso haver pelo menos a tentativa, ainda que mal-sucedida, e tentativa não houve – muito menos com “violência e grave ameaça”, requisitos presentes na definição legal de tentativa de golpe e tentativa de abolição do Estado de Direito.

Desde o surgimento dos acampamentos diante dos quartéis das Forças Armadas, em novembro de 2022, reconhecemos que havia, sim, um animus golpista entre muitas pessoas indignadas com o resultado da eleição, desejosas de que os militares “virassem a mesa” para garantir Bolsonaro no poder ou, pelo menos, realizar novas eleições. As investigações mostraram que esse animus estava presente também em altos círculos do poder em Brasília. Isso é sumamente grave e revela um forte déficit democrático entre brasileiros, seja o cidadão comum, seja uma autoridade. Mas também insistimos – e o temos feito especialmente desde a deflagração da Operação Tempus Veritatis – que o golpismo só pode ser combatido dentro da lei. É exatamente o que não foi feito: o STF nega aos réus o direito ao juiz natural, impõe medidas cautelares abusivas e sem base legal, realiza pesca probatória, usa delações obtidas em circunstâncias que as deslegitimam, e torna quase certa a condenação por um crime não tentado. Quem acredita que vale absolutamente tudo para “preservar a democracia” já a destruiu, queira ou não.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/jair-bolsonaro-julgamento-previsivel-processo-duvidoso/

Governo Lula teme sanções dos EUA em caso de condenação de
Bolsonaro

A proximidade do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal
(STF) gera apreensão no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, que prevê a possibilidade de novas sanções dos Estados Unidos caso o ex-presidente seja condenado. A informação é do canal CNN
Brasil.

O processo começa na terça-feira 2, a partir das 9h, envolvendo Bolsonaro e mais sete acusados por um suposto plano de golpe de Estado em
2022.

Apesar de negar relação direta, integrantes do governo reconhecem que a decisão de iniciar, na quinta-feira 28, um processo visando retaliação às tarifas de 50% impostas por Donald Trump serve para garantir respaldo jurídico a eventuais respostas políticas, se houver agravamento das punições americanas.

Estratégias do governo frente a possíveis sanções

A equipe do governo considera o processo de retaliação, fundamentado na Lei de Reciprocidade, um mecanismo seguro para enfrentar possíveis novas tarifas dos EUA. O trâmite pode durar de seis meses a um ano, por isso a antecipação foi considerada necessária.

Além disso, o Brasil dispõe de meios emergenciais para impor tarifas sobre produtos norte-americanos se o conflito comercial se intensificar. A Embaixada do Brasil em Washington notificou o USTR na sexta-feira 29, sobre o início desse procedimento formal.

Aliados de Bolsonaro avaliam que o governo Trump pode retaliar em caso de condenação, cogitando até a ampliação da Lei Magnitsky para incluir familiares do ministro Alexandre de Moraes e outros membros do STF.

No Planalto, prevalece a avaliação de que o foco de Washington segue no julgamento, e a tensão deve persistir até as eleições de 2026.

STF julga Bolsonaro e outros 7 por suposto plano de golpe

O STF inicia na terça-feira 2, o julgamento de Jair Bolsonaro e outros sete acusados de planejar um golpe de Estado em 2022. 0 processo será analisado pela Primeira Turma do tribunal, sob a presidência do ministro Cristiano Zanin, que designou cinco sessões para avaliar o caso.

As sessões têm horários alternados: em dois dias, ocorrem das 9h às 12h; nos outros três, estão previstas duas rodadas, das 9h às 12h e das 14h às 19h. O julgamento começa com o relatório do ministro Alexandre de Moraes, que detalha as provas reunidas até o momento, sem tempo determinado para essa exposição.

Depois da leitura do relatório, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, que foi reconduzido ao cargo na última semana, fará sua manifestação oral, seguido pelos advogados dos oito réus, cada um com até uma hora para apresentar argumentos. O procurador-geral poderá ter mais tempo, se autorizado pelo presidente da Primeira Turma, por envolver múltiplos réus.

FONTE: REVISTA OESTE https://revistaoeste.com/politica/governo-lula-teme-sancoes-dos-eua-em-caso-de-condenacao-de-bolsonaro/?utm_medium=personalized-push&utm_source=taboola

Mendonça é escolhido relator de pedido para suspender ação sobre suposto golpe

André Mendonça foi escolhido por sorteio para julgar pedido de liminar que solicita a suspensão da ação penal. (Foto: Fellipe Sampaio/STF)

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, foi designado como relator do pedido de liminar que solicita a suspensão da ação penal sobre a suposta tentativa de golpe de Estado. Mendonça foi escolhido para o cargo de relator por sorteio. O julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros sete réus na ação que apura a suposta tentativa de golpe de Estado está previsto para começar nesta terça-feira (2).

O pedido protocolado é um habeas corpus apresentado pela defesa do tenente-coronel Hélio Ferreira Lima, das Forças Especiais do Exército, conhecido como “Kid Preto”. O documento foi apresentado na quarta-feira (27). Hélio Ferreira Lima figura como réu no núcleo 3 da investigação sobre a suposta trama golpista ligada à tentativa de manutenção de Jair Bolsonaro no poder em 2022.

A solicitação feita ao STF e que será analisada por Mendonça requer a revogação da prisão preventiva do militar, que permanece detido desde novembro de 2024. A defesa sustenta que a prisão é indevida, alegando falta de contemporaneidade dos fatos sob investigação, uma vez que as condutas apontadas ocorreram em 2022. Os advogados afirmam que há excesso de prazo na prisão, ressaltando que o recurso contra a negativa de liberdade provisória está pendente de julgamento há mais de seis meses.

O pedido de habeas corpus também envolve contestação da colaboração premiada do ex-ajudante de ordens Mauro Cid. Segundo a defesa, os depoimentos de Cid teriam sido prestados sob “contradições e mentiras flagrantes” e não teriam sido espontâneos. Os advogados do tenente-coronel ainda destacam suposta irregularidade na condução da delação, com alegada participação direta do relator da investigação, o que, segundo eles, violaria o sistema acusatório e comprometeria o princípio da imparcialidade.

Além de ser responsável pela análise do habeas corpus de Ferreira Lima, André Mendonça também foi sorteado como relator de outro pedido apresentado pela defesa de Filipe Martins, ex-assessor de assuntos internacionais de Bolsonaro e réu no núcleo 2 da mesma investigação. A defesa questiona a atuação de Alexandre de Moraes, alegando que o ministro não tem respeitado a legítima defesa de Martins.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/mendonca-relator-acao-suposto-golpe/

Alta rejeição a Lula dá vantagem a Tarcísio na eleição de 2026 para presidente

Tarcísio Gomes de Freitas, governador do Estado de São Paulo – Foto: Marcelo S. Camargo/Secom/SP.

Levantamento Paraná Pesquisas aponta que o governador Tarcísio de Freitas (Rep-SP) tem o maior potencial eleitoral entre os principais pré-candidatos a presidente, em 2026. Enquanto a rejeição de Lula (PT) chega a 48,9% (eleitores que afirmam não votar no petista de jeito nenhum), a rejeição do chefe de governo de São Paulo é dez pontos percentuais, menor: 40,8% O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tem a maior taxa nominal de rejeição (50,3%), diz a pesquisa, mas empata tecnicamente com Lula na margem de erro de 2,2 pontos. A informação é da Coluna Cláudio Humberto, do Diário do Poder.

Outros 6,3% admitiram não conhecer Tarcísio suficiente para opinar, enquanto apenas 0,4% disseram o mesmo sobre Lula e Bolsonaro.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro tem 46,9% de rejeição e 1,6% de desconhecimento, aponta o Paraná Pesquisas.

O Paraná Pesquisas ouviu 2.020 eleitores em todos os estados e no Distrito Federal, entre os dias 17 e 21 de agosto.

Veja o comparativo de rejeição dos principais nomes:

Aqui, o potencial de eventual candidatura de Tarcísio:

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/politica/ttc-politica/alta-rejeicao-a-lula-da-vantagem-a-tarcisio-na-eleicao-de-2026-para-presidente

Dino relata a PF ter sido alvo de insultos durante voo

Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino Foto: Antonio Augusto/SCO/STF

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF) registrou queixa na Polícia Federal alegando ter sido vítima de agressão nesta segunda-feira (1), durante voo de São Luís (MA) a Brasília.

Segundo a assessoria do ministro, uma mulher identificada como Maria Shirlei Piontkievicz, enfermeira e servidora do governo do Paraná, entrou no voo afirmando em voz alta que a aeronave “estava contaminada” e que “não respeita essa espécie de gente”.

A mulher teria tentado avançar para cima do ministro e logo foi contida por um segurança. Maria Shirlei fazia parte de um grupo de turistas que contava com 16 pessoas.

“Ressalte-se que a passageira também gritava frases como ‘o Dino está aqui’, apontando para o ministro, em clara tentativa de incitar uma espécie de rebelião a bordo. A mulher somente cessou sua conduta após ser advertida pela aeromoça chefe de cabine”, diz a assessoria em nota.

Um policial federal teria sido acionado e entrou no avião. A assessoria de Dino diz “lamentar o ocorrido” e que “todas as medidas cabíveis foram adotadas pelas autoridades competentes.”

“Agressões físicas e verbais, ainda mais no interior de um avião, são inaceitáveis, inclusive por atrapalhar outros passageiros e colocar em risco a operação do próprio voo, que é um serviço essencial”, adiciona o texto.

A mulher acusada de agressão a Dino prestou depoimento e foi liberada. A mulher assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência para registro de uma infração penal de menor potencial ofensivo.

O ministro Flávio Dino é um dos magistrados que fazem parte da 1ª Turma do STF, responsável por julgar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e mais sete réus na ação da suposta “trama golpista”, com início nesta terça-feira (2).

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/e07-brasil/dino-relata-a-pf-ter-sido-alvo-de-insultos-durante-voo

Populismo de esquerda: o Brasil no Museu das Ideias Mortas

Por José Maurício de Lima

No cenário geopolítico, a oposição entre esquerda e direita é, principalmente, uma oposição de visões sobre a relação entre Estado e indivíduo. (Foto: Imagem criada utilizando Chatgpt/Gazeta do Povo)

Assistencialismo virou vício, segurança virou piada e educação virou doutrinação. O populismo de esquerda prometeu futuro e nos entregou atraso. Dizem que o Brasil é o país do futuro. Talvez até seja — mas só se o futuro for uma reprise malfeita das ideologias fracassadas do século passado.

esquerda brasileira decidiu que administrar o país seria como brincar de museu: revirou as gavetas empoeiradas do socialismo e resolveu aplicar, em pleno século XXI, fórmulas que já haviam levado outros povos à ruína.

Na educação, quem dá as cartas é Antonio Gramsci. O pensador italiano, que nunca pisou em nossas salas de aula, transformou-se em santo padroeiro do MEC. Resultado: estudantes saem sabendo gritar palavras de ordem, mas não conseguem resolver uma equação de segundo grau.

A hegemonia cultural virou prioridade, e o que era para ser escola transformou-se em extensão partidária. O futuro que nos prometem? Jovens cheios de diplomas, mas incapazes de competir no mundo real — porque a prioridade foi formar militantes, não cidadãos críticos.

Na economia, a inspiração vem de Karl Marx, ainda que de forma profundamente equivocada. Marx, afinal, nunca concebeu o Estado como protagonista absoluto; ao contrário, sua crítica mirava as estruturas de dominação econômica.

O que a esquerda brasileira fez foi distorcer essa leitura para criar um Estado hipertrofiado, que se apresenta como pai, mãe e tutor do cidadão. Acrescentaram a isso pitadas do populismo de Getúlio Vargas, sempre pronto a distribuir favores em troca de lealdade política. O resultado é a mesma receita velha: gastar o que não se tem, manter o cidadão dependente e depois culpar o capitalismo quando a conta chega.

O assistencialismo virou vício. O trabalhador é tratado como explorador, o empreendedor como inimigo do povo, enquanto o Estado se apresenta como salvador da pátria.

O Brasil poderia estar investindo em inovação e produtividade, mas prefere cultivar a dependência crônica. É o socialismo tropical: você paga a conta, eles ficam com o discurso.

Na segurança, a obra-prima do populismo foi importar o garantismo penal, ideologia formulada pelo jurista italiano Luigi Ferrajoli. Nascida na Europa do pós-guerra como reação legítima aos abusos de regimes autoritários, sua proposta original era limitar o poder punitivo do Estado e proteger os direitos fundamentais.

No Brasil, contudo, essa teoria foi distorcida em uma caricatura tropical: virou escudo para criminosos e algema para cidadãos de bem. Em vez de equilibrar justiça e direitos fundamentais, transformou-se em sinônimo de impunidade.

O raciocínio é sempre o mesmo: bandido é visto como vítima da sociedade, enquanto a verdadeira vítima é esquecida. Essa inversão moral abriu as portas para facções criminosas se infiltrarem em todos os poderes, fragilizando o Estado e desacreditando a lei. Na prática, o garantismo à brasileira só garantiu uma coisa: a liberdade de quem deveria estar atrás das grades.

O populismo de esquerda é como aquele parente inconveniente que nunca vai embora: promete mundos e fundos, quebra a casa inteira e ainda culpa os outros pelo estrago. O Estado virou um parasita, sustentado por narrativas vitimistas e pela ignorância cuidadosamente cultivada nas escolas e universidades.

O Brasil não está preso por falta de ideias novas, mas por apego às piores velharias ideológicas

Continuamos insistindo em fórmulas que falharam em todos os lugares onde foram testadas — mas que aqui, embaladas com samba, slogans e campanhas publicitárias milionárias, ainda conseguem arrancar aplausos. Se quisermos sair desse looping de mediocridade, precisamos de coragem para trancar, de uma vez por todas, o museu das ideias mortas. Mas, convenhamos, coragem nunca foi o forte dos populistas.

E, por fim, este recado é para você, eleitor que acreditou nas promessas em 2002, repetiu o voto em 2006, confiou de novo em 2010, insistiu em 2014 e, em 2022, resolveu entregar mais uma vez o país aos mesmos.

São mais de duas décadas de poder concentrado, de indicações políticas, de um Estado cada vez mais inchado e de políticas públicas que fracassaram em segurança, educação e economia.

Enquanto os cidadãos de bem seguem trancados em suas casas, os criminosos desfilam pelas ruas. Enquanto o país se endivida até o pescoço, você paga a conta. A pergunta que fica é simples: até quando vai aceitar repetir os mesmos erros esperando resultados diferentes?

José Maurício de Lima, advogado, administrador, árbitro e mediador, é mestre em Filosofia e professor do IDP-Brasília.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/populismo-de-esquerda-o-brasil-no-museu-das-ideias-mortas/

José Fucs

As fake news ‘do bem’ e a usina de narrativas de Lula, do PT e de seus aliados

A resposta do governo Lula e de seus aliados teve todos os ingredientes das armações que costumam ser forjadas na usina de narrativas do PT. (Foto: Joédson Alves/EFE)

A reação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT e de sua tropa de choque à Operação Carbono Oculto – que expôs as teias do PCC (Primeiro Comando da Capital) na economia formal do país, com a colaboração de empresas de serviços financeiros digitais, as chamadas fintechs – revela muito sobre o jeito sinistro de eles fazerem política, para levar adiante o seu projeto hegemônico de poder.

A resposta do governo Lula e de seus aliados teve todos os ingredientes das armações que costumam ser forjadas na usina de narrativas do PT e do Palácio do Planalto, propagadas por aí com o respaldo de boa parte da autodenominada “imprensa profissional” e dos “influenciadores” ligados ao presidente e ao partido.

Teve fake news “do bem”, que são aquelas produzidas pela esquerda para “demonizar” adversários políticos, sem que os seus autores corram o risco de se tornar alvo de inquéritos sem fim no STF (Supremo Tribunal Federal) e de questionamentos das tais “agências de checagem”.

Teve também oportunismo “do mal”, pelo qual o governo e o PT distorcem os acontecimentos “na miguelagem”, para obter dividendos políticos sem fazer jus a eles e impulsionar, por vias transversas, a agenda oficial, de regulação das redes, aumento de impostos e gastança sem lastro. E teve até proposta de criação de uma investigação paralela sobre o caso no Congresso, para tentar tirar o foco da opinião pública da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS, que ficou sob controle da oposição e promete ser um flanco de problemas sérios para o governo nos próximos meses.

Sem qualquer indício ou prova, Lula procurou associar o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) ao PCC, por ele ter gravado um vídeo que viralizou nas redes e contribuiu de forma decisiva para o recuo da tentativa velada do governo de monitorar as operações do Pix de valores superiores a R$ 5 mil, com finalidades tributárias, no início do ano. Segundo o presidente e sua claque, isso teria sido uma fake news que acabou por enfraquecer a fiscalização das fintechs usadas pelas organizações criminosas para “lavar” bilhões de reais obtidos de forma ilícita.

“Tem um deputado que fez uma campanha contra as mudanças que a Receita Federal propôs e agora está provado que o que ele estava fazendo era defender o crime organizado”, afirmou o presidente em entrevista à rádio Itatiaia, sem mencionar o nome do parlamentar, num sinal evidente de que até hoje o governo não digeriu o revés sofrido com sua proposta de monitoramento do Pix.

Independentemente do que se pense sobre Nikolas, dizer que o PCC só conseguiu movimentar bilhões por meio de fintechs porque o vídeo do deputado impediu o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de fuçar a movimentação de recursos da manicure e do entregador de aplicativo pelo Pix é, antes de mais nada, uma tremenda leviandade.

Primeiro, porque o vídeo de Nikolas foi divulgado em janeiro de 2025, enquanto as movimentações financeiras do crime organizado que foram alvo da Operação Carbono Oculto ocorreram entre 2020 e 2024. Depois, porque a própria investigação da trama mostra que foi possível desvendá-la  mesmo sem o monitoramento das transações do Pix que o governo Lula queria implementar.

Além disso, a classificação da informação de que a medida tinha objetivos tributários como fake news não bate com a realidade. Apesar de o governo negar, uma portaria da Receita Federal tratando do assunto, que foi obtida pelo portal O Fator, não fazia qualquer menção à lavagem de dinheiro. E, na exposição de motivos assinada por auditores do órgão, confirmava que, de fato, o seu objetivo era aumentar a arrecadação e identificar possíveis sonegadores, por meio do rastreamento de operações financeiras de pequeno porte de milhões de brasileiros.

Como mostra um levantamento do Banco Central, metade das transações do Pix em dezembro de 2024 foi de valor abaixo de R$ 39 e 99% das operações não superava R$ 3.731. Isso indica, como disse um internauta, que os recursos movimentados pelo Pix não são fortunas, mas pagamentos de compras na feira, lanches na padaria, gás e gasolina – despesas que têm pouca ou nenhuma relação com a movimentação de bilhões pelo PCC por meio de fintechs.

Outra coisa: o súbito interesse de Lula e de seus apoiadores pelo combate ao crime organizado está longe, muito longe, de ser uma bandeira do PT e de seus satélites. Ao contrário. Ainda outro dia, Lula se negou a atender a uma demanda do governo Trump para classificar o PCC e outros grupos criminosos, como o CV (Comando Vermelho), como organizações terroristas.

Em 2018, no governo Temer, o PT chegou até entrar com um mandado de segurança no STF para tentar derrubar um decreto presidencial contra o crime organizado, comparando a repressão a organizações como o PCC e o CV à que foi empreendida contra os grupos de esquerda pelo regime militar.

“O decreto revive tempos sombrios (em plena quadra democrática), quando a propósito também de combater criminosos, crime organizado, terroristas, comunistas ou quaisquer rótulos ultrajantes que se utilizou (sic) indevidamente e alienadamente, permitiu-se toda sorte de perseguições a pessoas, grupos, movimentos sociais, entidades de defesa de direitos humanos etc., vulnerando até mais não poder direitos fundamentais e conquistas sociais caras à sociedade e ao povo brasileiro”, dizia o mandado impetrado pelo PT no STF.

Como qualquer armação dessa turma parece ser coordenada e organizada em tempo real, por meio de grupos de WhatsApp ou aplicativos semelhantes, a fala de Lula contra Nikolas e em defesa do monitoramento do Pix pela Receita veio acompanhada de uma série de manifestações de integrantes do governo, parlamentares de sua base de apoio e influenciadores digitais.

O secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, reforçou as afirmações de Lula, também sem citar Nikolas, afirmando que a lavagem de dinheiro pelo crime organizado através de fintechs só foi possível por causa das “fake news sobre o Pix” propagadas em janeiro.  

Ao longo de seus 45 anos de história, Lula e o PT já construíram um retrospecto considerável de armações

“Essas fake news foram tão fortes que, apesar de todo o esforço da Receita Federal, ajudada pela mídia tradicional, não conseguimos reverter as mentiras”, declarou Barreirinhas, ex-chefe de gabinete da Secretaria Municipal de Finanças de São Paulo na gestão de Haddad (2013-2016), responsável na época, como não poderia deixar de ser, por projetos relacionados à administração fiscal e tributária do município. “E as operações mostram quem ganhou com essas mentiras: o crime organizado. As operações mostram que, independentemente das intenções, as pessoas que espalharam aquelas fake news, aquelas mentiras, ajudaram o crime organizado.”

Ao mesmo tempo, o deputado petista Lindbergh Farias, líder do PT na Câmara, apresentou requerimento para a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), com o objetivo de “investigar as conexões entre o crime organizado, bancos digitais, fintechs e grandes setores produtivos e também a rede de desinformação que tenta confundir a população para favorecer criminosos”.

Na mesma linha, o deputado Reimont (PT-RJ), Presidente da Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara, protocolou ofício na PGR (Procuradoria-Geral da República) pedindo a abertura de uma investigação contra Nikolas e solicitando que seja avaliada a possibilidade de prisão preventiva do parlamentar se as apurações apontarem risco à ordem pública.

Já o deputado Rogério Correia pediu à PGR abertura de inquérito criminal do STF contra Nikolas pela suposta divulgação de fake news sobre o sistema financeiro e o favorecimento indireto de organizações criminosas.  A deputada Tábata Amaral (PSB-SP), darling da esquerda caviar e aliada incondicional de Lula, também não perdeu a oportunidade de tentar faturar com o caso, ao postar um vídeo em que se propõe a “explicar” como Nikolas “ajudou o PCC”.

Para completar, a fábula criada por Lula e seus aliados ganhou visibilidade nas redes sociais por obra dos influenciadores que atuam em seu favor e em defesa do governo. Proliferaram até publicações tentando ligar a direita como um todo ao PCC e ao crime organizado de forma geral.

Em referência a um post de Nikolas, em que ele dizia que vai à Justiça para responsabilizar os autores das acusações infundadas de sua ligação com o PCC, um petista empedernido, conhecido pelas fake news que propaga em escala industrial em apoio a Lula e ao PT, questionou se a fala de Lula não deveria ser enquadrada no que ele considera como “a liberdade de expressão que o bolsonarismo tanto defende”.

Nos comentários, o economista Rodrigo Constantino, também colunista da Gazeta do Povo e alvo de punições do STF por manifestar livremente as suas opiniões, dentro das regras previstas na Constituição, tratou de lhe dar a resposta: “A liberdade de expressão está justamente na possibilidade de quem se sentir ofendido processar, não na censura prévia que temos hoje…”.

Diante de tudo isso, a tentativa de associar o deputado Nikolas Ferreira ao PCC se configura como um exemplo emblemático do que Lula e o PT têm de pior – sempre levando em conta de que o fundo do poço pode ser ainda mais fundo do que se pode imaginar em determinado momento.

Ao longo de seus 45 anos de história, Lula e o PT já construíram um retrospecto considerável de armações do gênero, envolvendo até a produção de dossiês falsos contra os seus adversários em campanhas eleitorais e a elaboração de uma “lista negra” de jornalistas críticos a ele e ao partido, chamados na época de “pit bulls da mídia”.

Este “modus operandi” permite a qualquer observador independente da atuação do partido e do presidente concluir, sem medo de errar, que é assim que eles costumam agir contra os seus adversários e tentam se capitalizar politicamente. Isso faz parte do DNA de Lula e do PT e é um dos principais fatores, entre tantos outros, que explicam a rejeição máster de ambos junto a uma parcela significativa dos brasileiros e a atual polarização política do país.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/jose-fucs/fake-news-bem-usina-de-narrativas-lula-do-pt-seus-aliados/

Alexandre Garcia

O novo padroeiro da internet conseguirá proteger as mídias sociais dos censores?

Devota diante do corpo de Carlo Acutis, em exposição na cidade de Assis, em abril de 2025. (Foto: Cristina Cabrejas/EFE)

As redes sociais são muito perseguidas aqui no Brasil; todos querem censurá-las. Talvez precisassem de um santo protetor, de um padroeiro. Pois a partir de domingo as redes sociais terão um padroeiro: Carlo Acutis, que será canonizado pelo papa Leão XIV. É considerado italiano; nasceu em Londres, de pais italianos. O “santo do milênio” criou um site de assuntos religiosos, de caridade, de amor, de pregação da religião judaico-cristã, dos valores judaico-cristãos; o pai era ligado a um banco, a uma companhia de seguro, e ele praticava nas ruas, no norte da Itália, a caridade com os necessitados.

Acutis morreu em Monza, de leucemia, com apenas 15 anos de idade, em 2006. Inclusive, um dos milagres que credencia a santificação ocorreu em Campo Grande: foi atribuída à intercessão dele a cura de um menino de 10 anos com um problema no pâncreas; a cura foi atestada como milagrosa.

O crime organizado conquista cada vez mais espaço no Brasil e na Colômbia

Na segunda-feira o presidente da ColômbiaGustavo Petro, confessou que 10% da gasolina refinada na refinaria estatal é distribuída pelo crime organizado. Parece o Brasil, onde o crime organizado tem suas próprias refinarias produtoras de álcool, que depois de adulterado é distribuído por 1,6 mil caminhões em centenas de postos de combustível, com cinco refinarias, contando aquelas em que o crime tem participação. Digo isso porque também na segunda-feira o controle da Reag Investimentos – que tinha, inclusive, um teatro lá em São Paulo, o Reag Belas Artes – foi posto à venda, porque sem o PCC não tem mais cliente.

Que vergonha! Empresa com escritório na Faria Lima, foi um escândalo. Agora estão todos culpando a Faria Lima quando, na verdade, essas coisas vicejam no Brasil desde os anos 80 e ninguém faz nada. Todos sabiam que o crime estava ocupando território no Rio de Janeiro, e nenhum prefeito ou governador fez alguma coisa; houve apenas algumas intervenções temporárias. Não houve a presença do Estado, e o crime tomou conta: milicianos de um lado, narcotraficantes de outro. E no Brasil os narcotraficantes já descobriram, como descobriram na Colômbia, que combustível é um negócio melhor, dá mais lucro e tem menos risco.

Na Colômbia, o crime ocupa já um terço do território do país. Se considerarmos a presença dessas grandes facções criminosas na Amazônia, acho que no Brasil chegaremos a um terço também. Vejam a presença das facções nos rios, com 100 pistas só no estado do Amazonas, segundo o próprio governo do estado; PCC e Comando Vermelho disputando o tráfego fluvial na Amazônia.

Governo de esquerda sempre tende a facilitar a vida do criminoso

O governo Petro é esquerdista e facilita o crime, porque não acha que o crime deva ser combatido, tem de ser compreendido. O coitadinho rouba um celular só porque quer tomar uma cerveja? Coitado, é vítima da sociedade. Então é bom que ele castigue a sociedade furtando, assaltando, sequestrando, matando. É mais ou menos assim. Então, obviamente o crime cresceu na Colômbia: a produção de coca subiu 36% só no governo Petro, a ponto de o país se tornar o maior exportador e o maior produtor de cocaína no mundo.

O poder armado dessas facções é tal que, neste momento, 35 militares das Forças Armadas da Colômbia estão reféns, como se fossem israelenses sob o poder do Hamas em Gaza. E ainda há os restos de instrução e armas das Farc, que viraram partido político. As Farc foram convidadas por Lula e Chávez para participar do Foro de São Paulo, que é a fonte de muita coisa aqui no Brasil também, assim como o Manual do Guerrilheiro Urbano de Carlos Marighella inspirou aqueles que assaltavam bancos, sequestravam aviões, matavam diplomatas estrangeiros, e depois serviu – porque botaram na mesma prisão os terroristas e os bandidos comuns – para orientar esses novos criminosos brasileiros, do chamado “crime organizado”.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/carlo-acutis-internet-midias-sociais-censores/

Ministérios ensaiam ‘protocolo Lula’ nos Estados Unidos

Na última vez de Lula na ONU, o microfone até foi cortado (Foto: Flickt/Planalto)


Com discrição, núcleos dos ministérios da Agricultura, Comércio, Fazenda e Relações Exteriores elaboram planos emergenciais para agir caso (ou quando) o presidente Lula (PT) “fale demais” durante a Assembleia-Geral das Nações Unidas, dia 24, em Nova York (EUA). O discurso de abertura em si, tradicionalmente proferido pelo Brasil, não preocupa. O problema são reuniões bilaterais ou entrevistas não-agendadas à imprensa, onde o ambiente não pode ser controlado.

Missão: impossível

A ação discutida na Esplanada tenta evitar aprofundar a crise com os EUA, independente de bravatas oriundas do Palácio do Planalto e PT.

Medo do sabão?

Petistas também têm medo de encontro imprevisto com Donald Trump e lembram da bronca ao vivo que levou o ucraniano Volodimir Zelensky.

Sem gafe

No Itamaraty, tentam retomar o prestígio da diplomacia brasileira. Na última passagem de Lula na Assembleia, o microfone até foi cortado.

Setor que produz

Sobrou para o empresariado se movimentar para reverter ou reduzir a taxação. Sozinho, pois não existe diálogo entre os dois governos.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/ministerios-ensaiam-protocolo-lula-nos-eua

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