Leia a última coluna escrita pelo jornalista J.R. Guzzo

J.R. Guzzo
(Foto: Imagem criada utilizando Open AI/Gazeta do Povo)

O jornalista José Roberto Dias Guzzo morreu aos 82 anos em São Paulo na madrugada deste sábado (2). O profissional era colunista da Gazeta do Povo e faleceu em decorrência de um infarto, segundo informação divulgada pela revista Oeste, onde ele era fundador e também atuava como colunista.

Leia abaixo sua última coluna, inédita, que ele enviou à Gazeta do Povo nesta semana.

Sova dos EUA foi a melhor coisa que poderia ter acontecido para Lula na sua Terra do Nunca

Se a decisão fosse disponível neste momento para ele, Lula estaria vivendo com toda certeza na Terra do Nunca que a mídia brasileira criou. Nada do que acontece ali, ou muito pouco, tem alguma coisa a ver com a vida como ela é na realidade dos fatos. Em compensação, o presidente teria um mundo ideal por lá. Tudo o que ele faz dá certo. Nas matérias do tipo “quem ganhou e quem perdeu”, está sempre nos “quem ganhou”. Só tem vitórias. Nunca perde nada: eleição municipal, pesquisa de opinião, arcabouço fiscal. Não é o chefe de um governo senil, desmoralizado e corrupto, com zero de resultados em dois anos e meio. É Peter Pan.

A miragem do momento é o que os comunicadores descrevem como a sua vitória no contencioso contra os Estados Unidos e Donald Trump. Levou 50% de imposto nas exportações do Brasil para lá, e não conseguiu punir os americanos em nada – mesmo porque não tem a menor condição para fazer isso. Não conseguiu dar sequer um telefonema para Trump. A ficção de que Lula é um grande “negociador”, criada por ele próprio e aceita como verdade científica pela imprensa, não rendeu dois minutos de conversa com ninguém. Comprou uma briga com a maior potência do planeta sem ganhar nada em troca; não tinha, aliás, nada a propor.

Lula, dizem em peso os analistas, tornou-se o grande favorito nas eleições do ano que vem – que estavam indo para o saco. Enfim, a sova que o Brasil acaba de levar foi a melhor coisa que poderia ter acontecido para Lula na sua Terra do Nunca

Seu único contato no exterior foi com Colômbia, Chile e outros anões que lhe deram apoio verbal, desejaram boa sorte e foram cuidar da vida. Seus imensos aliados no Brics, a China e a Rússia, continuaram imaginários; não lhes passou pela cabeça criar nenhum problema novo com os americanos para ajudar o Brasil na briga. Muito pelo contrário: a China, mais uma vez sem dar vantagem alguma ao Brasil, está desfrutando de uma inédita licença para entupir o mercado brasileiro com a importação de carros elétricos, que a propaganda lulista apresenta como fabricados “em Camaçari”. Festejaram a vitória da “soberania”, da “honra” e da “firmeza” do Brasil, mas ganhar alguma coisa de útil que é bom, nada.

Na mídia, porém, esse balanço miserável foi transformado num êxito histórico para Lula. Trump, por essa visão, deu “um tiro no pé”; não se explica o que ele perdeu, mas e daí? A popularidade de Lula, que vinha derretendo nas pesquisas, ressuscitou de um dia para outro. A “população”, supostamente indignada com os Estados Unidos, se juntou em apoio decidido ao presidente. O fracasso do seu governo se desfez sem que ele tenha tido de entregar um único mata-burro a ninguém. As sanções não terão efeito na economia; algum probleminha aqui ou ali, mas nada de sério. Lula, dizem em peso os analistas, tornou-se o grande favorito nas eleições do ano que vem – que estavam indo para o saco. Enfim, a sova que o Brasil acaba de levar foi a melhor coisa que poderia ter acontecido para Lula na sua Terra do Nunca.

Como em jogo de futebol ruim, comemora-se até lateral. O ministro Alexandre de Moraes, com quem o governo Lula mantém um pacto de morte, foi acusado pelos Estados Unidos de violar a Lei Magnitsky, que até outro dia ninguém sabia o que é, mas hoje é mais conhecida que a Lei do Inquilinato. É uma humilhação mundial inédita e arrasadora, que coloca um ministro do órgão máximo da Justiça brasileira na companhia de assassinos em massa, torturadores, terroristas, genocidas e outros criminosos hediondos. É o Brasil que se vê lançado ao rol das nações- bandidas, como violador dos direitos humanos. É o “Processo do Golpe” exposto ao mundo como a farsa que sempre foi.

Mas para a mídia a conclusão é que Moraes foi o grande ganhador dessa história. Saiu barato, dizem ali. Ele não tem conta em banco americano, e nem queria mesmo ir mais para os Estados Unidos; é como se fosse proibido de viajar para a Bolívia, ou tivesse congelados os bens que tem em Marte. Recebeu o apoio dos colegas do Supremo. Lula continua fechado com ele. Está mais forte do que estava. Em suma: nada como ser exposto perante o mundo como um criminoso de país subdesenvolvido. É nisso que estão querendo que você acredite.  

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/jr-guzzo/sova-dos-eua-foi-a-melhor-coisa-que-poderia-ter-acontecido-para-lula-na-sua-terra-do-nunca/

Morre o jornalista José Roberto Guzzo

Jose Roberto Guzzo morreu aos 82 anos em São Paulo (Foto: Arquivo Pessoal)

Morreu na madrugada deste sábado, 2, o jornalista José Roberto Dias Guzzo, aos 82 anos, em São Paulo. O profissional era colunista da Gazeta do Povo e faleceu em decorrência de um infarto, segundo informação divulgada pela revista Oeste, onde ele foi fundador e atuava como colunista e comentarista.

“Guzzo foi um dos jornalistas mais influentes da imprensa brasileira. Ao longo de sua carreira, participou de momentos decisivos da história mundial e liderou coberturas jornalísticas de grande relevância. Nos últimos anos, suas colunas de opinião desempenharam um papel fundamental ao lançar luz sobre a degradação das instituições nacionais e a corrosão da cultura democrática. Mais do que talento para a escrita e faro apurado para pautas, Guzzo demonstrou uma visão de mundo e uma capacidade de análise que não encontram paralelo no jornalismo contemporâneo. Fará muita falta”, afirmou Ewandro Schenkel, diretor de redação da Gazeta do Povo.

J.R Guzzo, como assinava seus textos, começou a carreira no jornalismo em 1961. Entrou para a revista Veja em 1968 e foi diretor de redação da publicação entre 1976 e 1991 — em 2008, voltou como colunista.

Ao longo de sua trajetória, J.R Guzzo consolidou a imagem de um jornalista com forte posicionamento editorial e grande influência no debate público brasileiro. Em outubro de 2019, sua saída da Veja gerou repercussão, após a revista decidir não publicar uma de suas colunas que criticava o Supremo Tribunal Federal (STF). Após a saída dele da revista, a Gazeta do Povo foi a primeira casa a recebê-lo, tornando-se nosso colunista desde então.

O artigo censurado, intitulado “A Fila Anda”, apresentava uma crítica feroz aos ministros da Corte, comparando-os a uma “calamidade pública” e argumentando que somente o calendário, através da aposentadoria compulsória aos 75 anos, poderia resolver o problema. Além da sua demissão, a publicação excluiu de seu site a página “Fatos”, que reunia todos os artigos do jornalista.

“A liberdade de imprensa tem duas mãos. Em uma delas, qualquer cidadão é livre para escrever o que quiser. Na outra, nenhum veículo tem a obrigação de publicar o que não quer. Ao recusar a publicação da coluna mencionada acima, “Veja” exerceu o seu direito de não levar a público algo que não quer ver impresso em suas páginas. A partir daí, em todo caso, o prosseguimento da colaboração ficou inviável“, disse Guzzo em sua carta de demissão.

O jornalista também dirigiu a revista Exame, integrou o conselho editorial da Abril e foi colunista do jornal mineiro O Tempo, do portal Metrópoles e do jornal O Estado de S. Paulo.

Na sua coluna mais recente, publicada na Gazeta do Povo neste sábado e enviada antes de seu falecimento, Guzzo afirmou que a “sova dos EUA foi a melhor coisa que poderia ter acontecido para Lula na sua Terra do Nunca“. Até a mais recente atualização desta reportagem, não haviam sido divulgadas informações sobre o velório do jornalista.

Tarcísio e outros políticos lamentam a perda de Guzzo

Pela redes sociais, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), lamentou a morte do jornalista. Para o chefe do Executivo estadual, Guzzo marcou época por sua coragem, lucidez e compromisso inegociável com a liberdade de expressão.

“O país perde um referência intelectual que nunca se calou diante do poder. Que Deus conforte seus familiares e amigos neste triste momento”, disse.

Já o deputado federal Bibo Nunes (PL-RS) disse que o Brasil perdeu um de seus maiores articulistas a favor da democracia e liberdades individuais. “Perdemos os artigos mais bem fundamentados e corajosos contra o desgoverno Lula e um STF politizado, com a morte de Roberto Guzzo. Eu lia todos os seus artigos e saia impulsionado a lutar contra a distopia reinante no Brasil, mas que acabará em breve”, disse.

O também deputado federal Ubiratan Sanderson (PL-RS) afirmou que “Guzzo era daqueles jornalistas verdadeiramente compromissados com a ética e a honestidade, exemplo de coragem que vai fazer muita falta”. Já o deputado distrital Thiago Manzoni (PL-DF) afirmou que o jornalista foi “um homem corajoso, que, com sua percepção aguçada dos fatos e sua bela forma de escrever, não temeu se expor nos momentos mais escuros da nossa história recente”.

‘O jornalista era sempre o mocinho do filme; nunca pensei em fazer outra coisa’

José Roberto Dias Guzzo tinha orgulho da profissão. Em vídeo publicado em novembro de 2021 pela revista Oeste, contou que desde a adolescência já sabia que gostaria de ser jornalista.

“Naquela ocasião, com 13, 14, 15 anos de idade, eu tinha uma visão encantadora do jornalismo. Achava uma profissão linda, maravilhosa. O jornalista era sempre o mocinho do filme, enfim, eu tinha uma imagem muito bacana do jornalismo”, disse.

Segundo ele, nem mesmo a realidade da profissão ao longos dos anos foi capaz de acabar com o seu encanto pelo jornalismo. “Eu nunca pensei em fazer outra coisa, porque achava aquilo o máximo. Não achava que ninguém podia fazer nada tão bom quanto ser jornalista. Naturalmente, depois que você começa, vai adquirindo experiência, e a realidade vai se impondo. Mas ela não foi o suficiente para eu desgostar do que eu fiz”, completou.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/morre-o-jornalista-jose-roberto-guzzo/

Do texto à vontade: a triste ruína do nosso constitucionalismo

Por Leonardo Corrêa

Fachada do Supremo Tribunal Federal (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

A Corte Suprema de um país merece o mais profundo respeito. Não pelo brilho dos nomes que a compõem, nem pela pompa de suas sessões, mas porque representa a última trincheira institucional da liberdade. É guardiã do texto constitucional, e sua legitimidade nasce – e morre – no compromisso com esse texto, com a constitucionalismo. A lei que governa aqueles que nos governam. A fronteira que protege o cidadão contra o arbítrio.

Mas, no Brasil, essa fronteira foi cruzada. Não por tanques, não por gritos – mas por doutrinas. Sim, o que nos trouxe até aqui não foi um golpe clássico, foi uma mutação silenciosa. Ao longo das últimas décadas, ideias perigosas germinaram na academia jurídica. Suas sementes se chamam pós-positivismo e neoconstitucionalismo. Nomes técnicos, sonoros, sedutores – e profundamente destrutivos.

A aplicação da Lei Magnitsky contra um juiz do nosso Supremo Tribunal Federal não deve, em nenhuma hipótese, ser motivo de regozijo. Não é uma vitória. É uma ferida. Uma nação não se engrandece quando vê seus tribunais expostos à censura internacional – ela se envergonha. No fundo, é triste

Essas doutrinas ensinaram que o texto, incluindo o constitucional, é pouco. Que a norma deve ceder à moral. Que o juiz deve interpretar conforme os valores da sociedade, mesmo que esses valores nunca tenham sido escritos, votados, aprovados. E foi assim que, sem que o povo percebesse, o Judiciário deixou de aplicar o Direito para começar a criá-lo. A Constituição virou palco de vontades. Princípios vagos passaram a justificar tudo. O intérprete deixou de ser servidor do texto constitucional e passou a ser o autor do enredo.

E o que parecia apenas uma inovação teórica revelou, enfim, sua verdadeira natureza: o desmonte sistemático dos freios e contrapesos. O Executivo deixou de governar. O Legislativo passou a ser ignorado. E o Judiciário… bem, o Judiciário vestiu a capa de pretenso salvador da pátria – e acreditou nela.

Hoje, o mundo nos observa perplexo. Um ministro da Suprema Corte brasileira – Alexandre de Moraes – acaba de ser formalmente sancionado pelos Estados Unidos por graves abusos de poder: censura, perseguição política, prisões arbitrárias, atos contra cidadãos americanos. Não se trata aqui de defender ou aplaudir sanções estrangeiras, mas de reconhecer o óbvio: chegamos a esse ponto porque abandonamos a Constituição como norma.

Moraes não surgiu do nada. Ele é o produto final, acabado, lógico, de um modelo que transformou o juiz em oráculo. Que ensinou o magistrado a agir “além do texto” constitucional, a decidir com base em sentimentos e símbolos, a fazer justiça com a própria régua. Ele é a consequência prática de uma teoria que dissolveu a República por dentro.

O mais grave dos desvios institucionais não é quando o juiz erra. É quando ele se coloca acima da legalidade. Quando acredita que sua missão transcende o Direito. Quando se torna legislador moral. É nesse instante que o juiz deixa de ser juiz – e a Constituição deixa de ser constituição. O que vivemos hoje não é apenas um excesso de autoridade. É a consequência teórica de um movimento que autorizou o abandono do texto constitucional em nome de princípios flexíveis, subjetivos, manipuláveis. É a revolução feita de dentro para fora, com votos de julgadores, não com fuzis.

E enquanto essa estrutura teórica continuar hegemônica, o problema persistirá. Não adianta trocar nomes. Não adianta esperar moderação. Não se conserta uma República onde os intérpretes governam. Porque quando o juiz se acha maior que a lei, a liberdade se torna favor, a crítica vira crime, e a República, um teatro de aparência.

Há, hoje, um falso dilema no ar: defender a soberania nacional ou aceitar críticas e sanções externas. Mas a escolha real é outra — e mais profunda. Ou se defende a soberania popular, garantida pelo parágrafo único do artigo 1º da Constituição, ou se protege quem usurpa esse poder em nome de uma autoridade sem freios. Porque não há soberania legítima quando o próprio guardião da Constituição a viola. Não há independência quando os direitos fundamentais de brasileiros – e até de estrangeiros – são ignorados por decisões que negam o devido processo legal, a liberdade de expressão e a separação de poderes. Invocar o nome da República para proteger seus violadores é o maior dos contrassensos. Defender a Constituição, hoje, exige coragem para romper com quem a trai em nome da institucionalidade.

Acima de tudo, essa defesa exige memória. Porque a história do Ocidente está repleta de momentos em que povos inteiros, tomados pelo medo ou pela ilusão de estabilidade, escolheram proteger o autoritário em vez de proteger seus próprios direitos fundamentais. A Alemanha que aplaudiu Hitler para escapar da crise. A Roma que trocou a República por um Império em nome da ordem. A França revolucionária que entregou sua liberdade a Robespierre – e depois a Napoleão. A Itália que trocou a democracia pelo fascismo, desde que os trens chegassem no horário. A tentação é sempre a mesma: tolerar o abuso institucional desde que ele venha embalado em promessas de segurança. E o resultado também é sempre o mesmo: a liberdade morre em silêncio, com o aplauso de quem deveria defendê-la.

É esse o ponto em que estamos. É esse o teste da nossa geração. Quando um ministro da Suprema Corte atropela o texto, ignora garantias, persegue vozes dissonantes e chama isso de defesa da democracia, não estamos diante de uma polêmica — mas de uma ruptura. Quando, em nome da soberania nacional, se pretende blindar quem violou as bases do próprio pacto constitucional, é preciso perguntar: soberania de quem? Do povo ou do poder? Da Constituição ou do intérprete?

Porque só há uma soberania legítima no regime republicano: a soberania popular. E ela não se exerce com aplausos resignados, mas com vigilância, crítica e o compromisso inegociável com os princípios que nos constituem como Nação. Defender a Constituição, hoje, é ter a coragem de dizer que a toga não pode ser escudo para o arbítrio – e que a História não perdoa os povos que se ajoelham diante do autoritário quando deveriam levantar-se em nome da liberdade.

É tempo, portanto, de conclamar os juristas – especialmente aqueles que ainda acreditam na dignidade da profissão – a resgatar os fundamentos esquecidos. Primeiro, reafirmar que o Estado existe para preservar a liberdade, não para concedê-la por benevolência ou retirá-la por conveniência. Segundo, recordar que a separação de poderes não é formalidade: é a alma da nossa Constituição Federal, a garantia contra a concentração que oprime e corrói. E por fim, recuperar a humildade original da toga: ao Judiciário cabe dizer o que a lei é, e não o que ele gostaria que ela fosse. Fora disso, só resta o império da vontade. E onde há vontade no lugar da lei, a liberdade morre em silêncio.

A aplicação da Lei Magnitsky contra um juiz do nosso Supremo Tribunal Federal não deve, em nenhuma hipótese, ser motivo de regozijo. Não é uma vitória. É uma ferida. Uma nação não se engrandece quando vê seus tribunais expostos à censura internacional – ela se envergonha. No fundo, é triste. Triste ver como uma ideologia jurídica foi minando, pouco a pouco, as bases institucionais do país. Como a substituição da legalidade pela vontade corroeu as traves da República. Como o abandono da norma, em nome da suposta virtude, nos trouxe a esse ponto de humilhação histórica.

Leonardo Corrêa, advogado, LL.M pela University of Pennsylvania, sócio de 3C LAW | Corrêa & Conforti Advogados, é  um dos fundadores e presidente da Lexum.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/do-texto-a-vontade-a-triste-ruina-do-nosso-constitucionalismo/

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