A cabeleireira Débora está em casa, mas a injustiça está longe de terminar

Alexandre de Moraes e Flávio Dino votaram por condenar a 14 anos Débora Rodrigues, por escrever "perdeu, mané" em estátua diante do STF. (Foto: Joedson Alves/Agência Brasil; Débora Rodrigues/Arquivo Pessoal)

Com inaceitáveis dois anos de atraso, a cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos está em casa, ao lado de sua família, incluindo os dois filhos pequenos, privados do convívio materno por puro arbítrio das autoridades brasileiras. Na sexta-feira, a Procuradoria-Geral da República deu parecer favorável à conversão da prisão preventiva em domiciliar, e no mesmo dia o ministro Alexandre de Moraes, do STF, autorizou que Débora deixasse a prisão, no interior de São Paulo, e voltasse para casa. A cabeleireira está sendo julgada por sua participação no 8 de janeiro, e tanto Moraes quanto Flávio Dino já votaram para impor a ela uma pena de 14 anos; Luiz Fux pediu vista, e já deixou implícito que deve votar por uma punição menor.

A prisão domiciliar, no entanto, vem com uma série de outras medidas cautelares que, embora aceitáveis quando comparadas com a prisão pura e simples, não deixam de perpetuar os excessos supremos. Se o uso de tornozeleira eletrônica é adequado, as proibições de utilização de mídias sociais e de conceder entrevistas são violações graves à liberdade de expressão, infelizmente tornadas rotineiras pelo STF; até mesmo o convívio social de Débora continua severamente prejudicado, pois ela só pode receber visitas dos pais, dos irmãos e de seus advogados; outras pessoas precisam ser autorizadas pelo Supremo.

Débora deveria ter passado para a prisão domiciliar logo após ser detida, devido à jurisprudência do Supremo que garante o benefício a mães de crianças pequenas

Débora não esteve entre os mais de mil manifestantes presos no acampamento montado diante do QG do Exército, em Brasília, e desmontado em 9 de janeiro; ela só foi para a cadeia em 17 de março de 2023, tendo sido identificada pelas imagens que a mostravam escrevendo a famosa frase “perdeu, mané”, na estátua A Justiça, diante da sede do STF. De imediato, ela deveria ter sido uma das primeiras a passar para a prisão domiciliar, devido à jurisprudência do Supremo que garante o benefício a mães de crianças pequenas. No entanto, enquanto centenas de outros presos e réus ganhavam o direito de aguardar em casa o desfecho de seus processos, Débora seguia obrigada a permanecer atrás das grades, e passou absurdos 400 dias sem ser formalmente denunciada pela PGR, uma violação grotesca dos prazos processuais.

Forçada a se humilhar em uma carta redigida de próprio punho e enviada a Moraes, Débora teve negados nove pedidos de sua defesa pela conversão da prisão preventiva em domiciliar – um direito, repita-se, garantido pela jurisprudência do STF – sob o argumento estapafúrdio de que haveria “risco concreto à ordem pública”, embora fosse impossível afirmar que perigo seria este, especialmente quando centenas de outras pessoas na mesma situação de Débora já estavam fora da cadeia. As evidências que pudessem pesar contra a cabeleireira já estavam coletadas, não havia chance nenhuma de ela voltar a Brasília para retomar o que quer que fosse, e bastariam uma tornozeleira eletrônica e a obrigação de comparecer periodicamente diante de um juiz em sua cidade para afastar a possibilidade de ela tentar fugir.

O que mudou, então? Teriam Moraes e a PGR subitamente se lembrado que mães de crianças pequenas em prisão preventiva têm direito a ficar em casa aguardando o julgamento? É certo que não; disso eles sabiam desde o início. O que aconteceu foi que a injustiça cometida contra a cabeleireira, especialmente após o voto de Moraes por sua condenação, se tornou tão escancarada que a opinião pública – com muito atraso, afirme-se – finalmente viu e denunciou o abuso, com críticas de uma imprensa ainda bastante alinhada com o STF e até uma manifestação da Comissão de Direito Penal da OAB-RJ, afirmando que o voto de Moraes “não parece seguir qualquer critério aferível”. Manter Débora como um troféu de caça a ser exibido para dar exemplo aos outros tornou-se custoso demais para a PGR e para Moraes.

Débora está em casa, mas seu sofrimento ainda está longe de terminar. Sem nenhuma mensagem ou vídeo que a mostre defendendo a deposição de Lula, ela continua sendo julgada por abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado. Sem nenhuma prova que a mostre portando qualquer outra coisa além do batom com que escreveu na estátua, ela é acusada de associação criminosa armada. Sem nenhum elemento que a coloque dentro de algum dos prédios dos três poderes, e muito menos quebrando algo, ela responde por dano qualificado pela violência e grave ameaça, contra o patrimônio da União, e com considerável prejuízo para a vítima. Nem mesmo as duas palavras escritas com batom e facilmente removidas na sequência poderiam configurar o último dos crimes de que é acusada, o de deterioração de patrimônio tombado – a imputação mais adequada seria a de pichação qualificada, descrita no artigo 65, parágrafo 1.º do Código Penal.

As autoridades que mantiveram Débora presa por tanto tempo sem motivo, negando-lhe o direito de estar com a família, e que agora pretendem condená-la sem provas demonstraram sua torpeza moral e sua inépcia jurídica

Isso significa que, se o voto de Moraes prevalecer e Débora for condenada a 14 anos, ela voltará para a cadeia. Se for condenada por crimes cometidos “com violência ou grave ameaça a pessoa” e envolvendo “organização criminosa”, ela perderia o direito a progredir para o regime semiaberto após cumprir 1/8 da pena, como prevê o artigo 112 da Lei de Execução Penal no caso de gestantes ou mães de crianças pequenas, e teria de cumprir um quarto da pena (ou seja, 3 anos e meio) antes de sair da cadeia, passando mais um ano longe da família. A única forma de impedir isso seria a absolvição, pelo menos de alguns dos crimes, ou uma pena total que fique pouco acima dos oito anos. Apesar da ressalva de Fux, nenhum desses desfechos parece muito provável no momento.

O caso da cabeleireira Débora joga no rosto do Brasil o tamanho do abismo que vivemos. As autoridades que a mantiveram presa por tanto tempo sem motivo, negando-lhe o direito de estar com a família, e que agora pretendem condená-la sem provas demonstraram repetidamente sua torpeza moral e sua inépcia jurídica. A opinião pública que passou dois anos fechando os olhos para o drama de Débora e de centenas de outros manifestantes do 8 de janeiro, injustamente presos ou condenados, mostrou que perdeu seus critérios de certo e errado e os substituiu pela conveniência política, em que vale tudo contra quem pensa diferente, cedendo apenas quando o absurdo se tornou difícil de engolir até mesmo para quem trancou na gaveta sua bússola moral. Sair desse abismo é imperativo se queremos que o Brasil progrida como sociedade.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/cabeleireira-debora-prisao-domiciliar-injustica/

Polzonoff
Polzonoff

Diário da Janja #2: Kajanja no Japão

JANJA JAPÃO
Manel Macron e Janja: combate à fome. (Foto: Fabio Rodrigues- Pozzebom/Agência Brasil)

Camarada diário,

Antes de mais nada quero lhe pedir desculpa por tê-lo chamado de “querido”, esse termo pequeno-burguês que expressa desejo e posse. Se ainda fosse “querido vestido Chanel”, “querido lenço Hermès” ou “querido tênis amarelo Onitsuka Tiger Mexico 66”, tudo bem. Mas chamar de “querido diário”, sei lá. Entende?

Estive ausente destas páginas porque viajei para o Japão. Viajei mesmo. De primeira classe, porque sou uma primeiríssima dama. Se isso atrapalha a popularidade do meu marido, dane-se. Apesar do que dizem as más línguas, não sou cuidadora dele. Aliás, viajei com uma semana de antecedência porque estava precisando respirar outros ares, visitar outros shoppings e principalmente ficar um pouco longe do Lula, que só sabe falar de ovo de ema e de jabuti jabota.

Nabíbia, Nanínia, Namíbia

Não gostei nada de ele ter me impedido de ir a Nova York. Mas isso nem foi o pior. O pior foi que o Lula teve a pachorra de sugerir que eu fosse para a posse de uma camarada qualquer na Nabíbia, Nanínia, Namíbia. Sei lá como se fala, muito menos onde fica esse lugar onde Judas perdeu as meias, depois de já ter perdido as botas. O Lula ainda tentou me convencer dizendo que a Nabínia é tão limpinha que nem parece a África (disse mesmo!). Mas eu bati o louboutinzinho. Imagina ter que pegar aquele Aerolula caindo aos pedaços para conhecer um lugar que não tem NADA! Ele que mandasse a Anielle.

Diário, eu te daria meu novo batom KissKiss Gold and Diamonds da Guerlain se você me dissesse, SEM PESQUISAR, o nome da capital desse país aí. Nagíbia, Mamímia, sei lá. Mas é pra usar na boca, hein! Não vai usar pra dar golpe de Estado escrevendo “perdeu, mané” na estátua do STF. Seu safadinho.

Paisinho atrasado

Sobre o Japão. Ah, o Japão. Paisinho atrasado, né? Quando me disseram que as mulheres lá são recatadas e que o povo respeita a Tradição, meu lado feminista se eriçou todinho. Epa rei! Sério que as japonesas andam sempre um passo atrás dos homens? Que atraso! Por isso é que os japoneses são daquele jeito. Dizem até que eles recolhem o próprio lixo, respeitam os mais velhos e atravessam a rua na faixa. Que absurdo! Agora calma aí que meu marido está me ligando. (…)

Ai, que saco. Escrevo este diário a caminho de Paris e o Lula atrapalha meus pensamentos e reflexões brilhantes para perguntar se pode comprar umas garrafas de uísque japonês. Compre, oras! Desde que depois imponha sigilo ao cartão corporativo e escove os dentes… Sobre o Lula, aliás, dei uma entrevista à BBC e falei que ele não anda muito bem de saúde, não. Será que eu fiz certo? A Gleisi deve estar braba comigo. Paciência.

Imperatriz do Brasil

Se bem que eu gostaria de ser imperatriz do Brasil e usar uns quimonos de seda. Já me disseram que eu fico linda de quimono. Por falar nisso, até corei quando o Manel Macron me convidou para vir a Paris. Sem o Lula. Tive que inventar uma desculpa, mas ainda bem que eu tenho esse negócio aí do combate à fome pra usar. Não sei por que falam tão mal da fome: além de render votos pro meu marido e de me proporcionar viagens pelo mundo, serve sempre de desculpa irrefutável. Afinal, ninguém vai ter coragem de dizer que é a favor da fome. O que é que eu faria da minha vida se a fome acabasse, não é mesmo?

O Lula ficou lá no Japão com os parça dele. Depois, pelo que ouvi dizer assim por alto, vão pescar no Vietnã. Pescar, firmar acordos pra JBS, apertar a mão de comunista. Dá na mesma. Quando o Lula me pediu autorização pra esse passeio com os amigos, eu disse que tudo bem. Desde que ele desse uma declaração forte e definitiva sobre mim pra imprensa. Algo como “ela vai continuar fazendo o que ela faz, porque a mulher do presidente Lula não nasceu para ser dona de casa”. Gostou? Coisa do Sidônio.

Enquanto isso, eu e o Manel vamos estar juntos combatendo a fome. Não disse de quem.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/polzonoff/diario-janja-2/

Alexandre Garcia
Alexandre Garcia

Prisão domiciliar para Débora Rodrigues não tem nada de benevolência

Débora Rodrigues dos Santos é mãe de duas crianças e está presa desde 17 de março de 2023, por ordem do ministro Alexandre de Moraes
Débora Rodrigues dos Santos é mãe de duas crianças e estava presa desde 17 de março de 2023, por ordem do ministro Alexandre de Moraes (Foto: Arquivo Pessoal/Cláudia Silva Rodrigues)

Tem coisas que a gente não entende na Justiça. A justiça é compaixão. Aí muita gente diz: “puxa, funcionou a compaixão, Débora Rodrigues foi pra casa”. Não, funcionou a crueldade. Débora ficou dois anos presa, a maior parte dos quais sem denúncia sequer. E estava sendo condenada a 14 anos, já tem dois votos, por escrever com batom uma frase do ministro Luís Roberto Barroso. Uma frase bem popular, vulgar: “perdeu, mané”.

Imagine só, 14 anos por isso. Normalmente seria, talvez, uma cesta básica num juizado de pequenas causas. Mas não tem nada de benevolência aí. Os filhos dela ficaram sofrendo, traumatizados, por dois anos, indo dormir sem a mãe, acordando pela manhã sem a mãe, indo para a escola sem a mãe, sem a mãe para contribuir com o trabalho dela como cabeleireira, na renda da casa, nas despesas da casa. Terrível.

Arquivamento do caso do cartão de vacina

Diz o procurador-geral da República: “olha, vamos arquivar a história do cartão de vacina de Bolsonaro porque só o depoimento de Mauro Cid não serve”. Mas o depoimento serve para outras coisas? Para golpe de Estado? Não serve para cartão de vacina? Está brincando.

Para justificar a acusação que fizeram, inclusive pra Débora, de golpe violento armado para derrubar o Estado Democrático, o ministro Flávio Dino justifica. “Estava cheio de militar da reserva e todo militar da reserva, eu sei”, diz ele, “usa arma”. Portanto, havia arma, mas encontraram alguma arma de fogo? Não, mas são palavras de um juiz e ele é juiz, não viu arma, supõe que houvesse arma porque havia gente que usa arma.

O ministro Barroso deu uma declaração dizendo que a não punição desse episódio pode fazer parecer que na próxima eleição quem não estiver satisfeito com o resultado pode pregar a derrubada do governo eleito e invadir prédios públicos. Então, não é bom para a democracia nem para o futuro do país que prevaleça esse tipo de visão. Ou seja, é um juiz que já antecipa que tem que condenar. Eu nunca vi isso na minha vida.

Lula arruma briga com as donas de casa

O presidente Lula arranjou mais uma briga com as donas de casa. Disse que a Janja não é clandestina e que ela escolheu essa vida porque ela não nasceu para ser dona de casa. Arrumou briga com as donas de casa, podia dizer que não nasceu para ficar em casa. Mas ficou estranho porque a dona Marisa era dona de casa. A dona Marisa trabalhava quando teve o primeiro filho com Lula, passou a ser dona de casa.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/prisao-domiciliar-debora-rodrigues/

Luís Ernesto Lacombe
Luís Ernesto Lacombe

O apoio criminoso da “imprensa”

imprensa aliada do stf
A Constituição está sendo destruída, mas os jornalistas não querem ver o que está acontecendo. (Foto: Marcio Antonio Campos com Midjourney)

Eu tenho certeza de que o Brasil não teria se tornado uma tirania, se a imprensa, de um modo geral e criminoso, não tivesse desistido de ser imprensa. Nenhum ministro do STF teria se entregado com tanta desfaçatez a arbítrios, abusos e ilegalidades. Se o Senado não cumpre o seu papel de “vigia do vigia”, de olho no Supremo, sempre cabe aos jornalistas trabalhar com fatos, a busca da verdade, com atenção máxima ao descumprimento das leis, para fazer as denúncias necessárias. Já houve época em que a imprensa era chamada de “quarto poder”, mas esse tempo passou.

Foi patética a cobertura “jornalística” das sessões de análise da denúncia apresentada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, contra Jair Bolsonaro e sete aliados dele. Primeiro, não houve “tentativa de golpe de Estado”, e qualquer jornalista que afirme o contrário está abandonando seu ofício. É impossível aceitar que um jornalista se entregue a narrativas fajutas e ainda defenda a negação de todos os pleitos preliminares das defesas dos denunciados. Os juristas e advogados sérios que apontam o desrespeito ao devido processo legal e o cerceamento à ampla defesa são simplesmente ignorados. Os “jornalistas” sempre sabem mais do que eles…

Merval Pereira, do O Globo, está entregue de forma imortal ao delírio. Ele insiste em tratar o STF como “grande defensor da democracia”: “Vemos um STF ao lado da sociedade civil, fundamental na resistência à implantação de uma outra ditadura”. E nessa mesma onda está Míriam Leitão… Ela mentiu, tentando comparar o 8 de Janeiro com a implantação do regime militar na década de 1960: “Um dos argumentos a favor dos manifestantes é que ninguém morreu. Portanto, aquele ataque às sedes dos Três Poderes não seria tão belicoso. No dia primeiro de abril de 1964, também não morreu ninguém. Mas centenas e milhares morreram depois”.

Nem mentindo é possível comparar o 8 de Janeiro – com um bodoque e sem forças militares – com o primeiro de abril de 1964

Eu não sei o que quer dizer “centenas e milhares”… Agora, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, instituída em 1995 e vinculada à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, contabilizou 362 casos de mortes e desaparecimentos políticos… A Comissão de Familiares dos Mortos e Desaparecidos Políticos listou 383 mortos e desaparecidos no regime militar. Então, pergunto para a Míriam, cadê os “milhares”? Nem mentindo, dá para comparar o 8 de Janeiro – com um bodoque e sem forças militares – com o primeiro de abril de 1964.

Os editoriais naqueles que já foram os principais jornais do país embrulharam o estômago. Vou usar uma expressão que a imprensa que desistiu de ser imprensa adora… SEM PROVAS, o texto do Estadão afirmou o seguinte: “O governo de Jair Bolsonaro foi inspirado do início ao fim por um espírito golpista. A depredação dos pilares democráticos foi um diligente labor entre 2019 e 2022”. Faltou citar um exemplo disso… Porque não há. E o editorial ordinário seguiu: “O STF não tem o direito de errar, em primeiro lugar por compromisso inabalável com a ‘Constituição Cidadã’”… Ora, não apenas nessa ação contra Bolsonaro, mas nela também, o que o Supremo mais tem feito é rasgar inabalavelmente a Lei Máxima.

O editorial da Folha também afirmou, desapegado do mundo real, que “o fundamental é que as instituições brasileiras resistiram a uma ofensiva golpista”. Sim, Folha, o STF salvou a democracia, praticando abusos, arbítrios e ilegalidades. Vale tudo mesmo por uma “causa maior”. Porque, como trouxe em editorial o jornal carioca O Globo e como comentou Josias de Souza, do UOL, consultar dispositivos constitucionais para impedir a posse como presidente de um condenado em três instâncias por corrupção e lavagem de dinheiro, depois de uma eleição que teve uma campanha absolutamente desequilibrada em favor do petista, por si só, é crime.

Voltando a Merval Pereira, claro que ele achou ótimo quando, na última sessão da Primeira Turma do Supremo, Alexandre de Moraes resolveu assumir o papel de acusador e apresentar vídeos que não constam nos autos: “A exibição do vídeo dos momentos mais trágicos da tentativa de golpe me pareceu boa ideia, para trazer de volta o passado infame”. Ora, não pode ser considerado jornalista quem desconsidera essa ilegalidade praticada por Moraes (mais uma) que impede a ampla defesa, que descredibiliza o julgamento. Merval não quer nem saber. Infame é ele que faz questão de ignorar que quem produz provas de acusação é o Ministério Público, e não o julgador.

Nas sessões na Primeira Turma, Alexandre de Moraes citou um pronunciamento feito por Bolsonaro numa transmissão ao vivo na internet, em julho de 2021, e enfatizou o trecho em que o então presidente “incitou as Forças Armadas a atender ao chamamento do povo”, associando essa mensagem aos acontecimentos de janeiro de 2023, quase dois anos depois… É risível. O problema é que, mesmo que não haja prova material séria de que Bolsonaro tenha cometido qualquer um dos crimes a que responde, mesmo que nada o ligue à baderna do 8 de Janeiro, o que vemos é um jogo de cartas marcadas. Na análise da denúncia da PGR, isso ficou mais do que provado, mas o editorial do Estadão partiu para o deboche: “Ao fim de um julgamento que decerto capturará as atenções do país, só pode restar aos eventuais condenados o sagrado direito de espernear”.

Jornalistas claramente aceitam a interferência do Judiciário no Legislativo, com o uso claro de chantagem, quando deveriam estar denunciando a atuação político-partidária e a prevaricação de ministros do STF

O teatrinho do Supremo segue em ritmo acelerado, e os esforços passam a ser pela aprovação da Anistia. Jair Bolsonaro disse, na manifestação em Copacabana, que acertou com Gilberto Kassab o apoio do PSD ao projeto de lei. Isso foi em 16 de março. Três dias depois, aproveitando a mudança de entendimento do STF sobre o foro privilegiado de políticos, Moraes mandou uma investigação contra Kassab voltar da primeira instância para o STF. O inquérito alvo da decisão de Moraes tem origem na delação dos donos da JBS no âmbito da Operação Lava Jato e investiga o presidente do PSD por três crimes: corrupção passiva, caixa 2 e lavagem de dinheiro.

A investigação tinha sido enviada pelo próprio Alexandre de Moraes à Justiça Eleitoral de São Paulo em 2019. Seis anos depois, ela volta a ser relatada por ele, que é também relator do “inquérito do golpe”. É chantagem pura, é mais uma interferência do Judiciário no Legislativo, e, de novo, com apoio de boa parte da imprensa… Em artigo no Estadão, Eliane Cantanhêde escreveu o seguinte: “O ministro Moraes mira canhões contra a anistia, e Kassab é só uma advertência. Jogue a primeira pedra quem não tem nenhum probleminha na Justiça com emendas, desvios e processos eleitorais. Os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Hugo Motta? Quantos deputados e senadores? E eles estão mais preocupados em salvar a própria pele do que a de Bolsonaro. O Supremo sabe disso, como sabe ser bem ‘convincente’”.

A manobra de Moraes é claramente para pressionar Kassab e seu partido a não apoiarem o projeto de anistia aos envolvidos no 8 de Janeiro. Ou o PSD se posiciona contrariamente ao PL, ou Kassab estará em maus lençóis, sob a espada do ministro do Supremo. E Natuza Nery, da Globo News, também não vê problema algum nisso: “O custo político para o Centrão patrocinar o avanço da anistia é enorme, porque compra uma briga direta com o Supremo. Imagine que a anistia passe. Imagine uma decisão do ministro Flávio Dino: ‘Bom, estou decidindo aqui que vamos abrir tudo, Polícia Federal entra, Tribunal de Contas, me passa tudo aqui’. Vai sobrar o quê?”

Então, as duas comentaristas reconhecem que há corrupção sistêmica no uso das emendas parlamentares e que esse crime não está sendo investigado, nem julgado, nem punido. E que isso tudo só vai ser feito, caso os políticos não sigam os desejos do STF… Isso é muito grave. As duas jornalistas claramente aceitam a interferência do Judiciário no Legislativo, com o uso claro de chantagem. O que deveriam estar fazendo é denunciando tudo isso: a atuação político-partidária e a prevaricação de ministros do STF, já que não estão cumprindo suas funções legais e estão agindo contra a lei. Isso tudo é motivo para impeachment de ministro.

Jair Bolsonaro reagiu, com publicação nas redes sociais: “Há quem diga que vivemos em uma democracia, mas, todos os dias, a imprensa fala abertamente sobre o uso da justiça por Moraes como arma política, de intimidação, como instrumento de ‘pressão’ capaz de surtir efeito para intimidar o presidente de um partido. Isso não é normal, a não ser em ditaduras”. Bolsonaro tem razão. E, se a imprensa resolve aceitar tudo isso, ela está se matando e levando junto um país inteiro, mas ainda há jornalistas de verdade, e eles mantêm a entrega, a luta, numa guerra que só estaria perdida, se fosse abandonada.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/luis-ernesto-lacombe/imprensa-aliada-stf-apoio-criminoso/

Lula inaugura “linha direta” com a bandidagem

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Um país desgovernado e um desgoverno que gera ‘piada pronta’ em abundância e diuturnamente.

Lula está inaugurando uma ‘linha direta’ com a bandidagem. A informação é do jornalista Lauro Jardim:

“A partir desta semana, o governo federal vai notificar, via WhatsApp, milhares de aparelhos de celular furtados e roubados que foram habilitados em uma nova linha telefônica. A medida vai marcar a nova fase do software do Celular Seguro.

Portanto, além de bloquear a linha telefônica e os aplicativos financeiros, o programa vai conseguir identificar e enviar uma mensagem ao portador do celular roubado.

Avisará que, se o usuário não devolver o aparelho imediatamente na delegacia civil mais próxima, poderá ser alvo de um inquérito por furto, roubo, receptação ou associação criminosa.”

Ao invés de estudar estratégias para combater o crime, os petistas estão encontrando uma maneira de se aproximarem ainda mais dos bandidos.

FONTE: JCO https://www.jornaldacidadeonline.com.br/noticias/68631/lula-inaugura-linha-direta-com-a-bandidagem#google_vignette

Além de escândalo, Correios ainda têm calote de R$300 milhões a pagar

Centro Logístico dos Correios em Contagem (MG): imóvel pertence ao fundo imobiliário de ticker TRBL11.Cláudio Humberto

Além de problemas em sua licitação milionária para recrutar uma agência de propaganda, com participantes que têm histórico de escândalos de corrupção, inclusive no mensalão do primeiro governo Lula (PT), a estatal Correios está às voltas também com a cobrança judicial de R$300 milhões, a partir do calote do aluguel mensal de um galpão logístico em Contagem (MG), pertencente ao fundo imobiliário de ticker TRBL11, da Rio Bravo, além de multa rescisória pelo contrato de longa duração do local, onde funciona o Centro Logístico de Contagem (MG), um dos mais importantes da estatal. O calote de R$12 milhões mensais começou em novembro de 2024.

Seu Madruga

Dívidas de água e IPTU engrossam a fatura. Para piorar, os Correios querem empurrar o custo da manutenção na gestora até deixar o local.

Ta tudo certo

O imóvel está apto para operação, com a burocracia resolvida: laudo de engenharia, Corpo de Bombeiros, secretarias estaduais e da Defesa Civil

Chama o juiz

A gestora já notificou os Correios administrativamente e segue o rito até a coisa desaguar no Judiciário. O contrato vence só em 2034.

Eles explicam

Os Correios dizem que o imóvel apresentou vários problemas e riscos, ratificados pela Defesa Civil, e suspendeu as operações, daí a rescisão.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/alem-de-escandalo-correios-ainda-tem-calote-de-r300-milhoes-a-pagar

Bolsonaro inicia no Nordeste seu projeto Rota 22 contra atraso do PT

O senador Rogério Marinho (PL-RN) divulgou neste domingo (30) um vídeo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) convocando brasileiros para o lançamento de seu novo projeto político Rota 22, no Nordeste, contra o que classificou como atraso e desgoverno do PT, atribuídos ao seu rival, presidente Lula. A agenda inicial da ação foi marcada para o Rio Grande do Norte, às 11 da manhã do dia 11 de abril, nos municípios potiguares de Acari, Jucurutu e Pau dos Ferros.

“Nosso objetivo é claro, ouvir o povo, entender as dificuldades de cada região e trabalhar por um desenvolvimento de verdade, longe de promessas vazias”, disse o ex-presidente que não pode disputar a eleição presidencial de 2026, por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Bolsonaro usou um tom descontraído e sorridente, após uma semana tensa em que se tornou réu no Supremo Tribunal Federal (STF), na ação penal em que a Procuradoria-Geral da República (PGR) o acusa de supostos crimes na trama que tentaria um golpe contra a eleição de Lula.

Seu ex-ministro e líder da oposição no Senado, Marinho detalhou a agenda e reforçou o tom eleitoral do Rota 22. “Vamos ouvir a população, elencar os problemas e propor soluções, fazer um diagnóstico junto com o povo do nosso RN para combater o atraso e o desgoverno do PT. Todos estão convidados a, juntos, fazermos a nossa parte para recuperar o nosso estado e o Brasil, devolvendo-o ao povo brasileiro. Começando pelo RN, vamos percorrer o Nordeste e o País, espalhando a boa nova: vamos voltar e o Brasil voltará a sorrir”, disse Marinho.

Assista:

https://x.com/rogeriosmarinho/status/1906376125552435216?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1906376125552435216%7Ctwgr%5E791e95c2791a1631ff0abdeb47e3cf15b8df92c9%7Ctwcon%5Es1_&ref_url=https%3A%2F%2Fdiariodopoder.com.br%2F

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/csa-brasil/bolsonaro-inicia-no-nordeste-seu-projeto-rota-22-contra-atraso-do-pt

UM CASO TRISTE, ABSURDO

Eliene Amorim de Jesus fazendo anotações

FONTE: JCO https://luizberto.com/um-caso-triste-absurdo/

FLOPOU

FONTE: JBF https://luizberto.com/flopou-3/

GRANDE MULTIDÃO PAROU BELO HORIZONTE

FONTE: JBF https://luizberto.com/multidao-gigantesca-parou-belo-horizonte/

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