Quando tomou posse no cargo de procurador-geral da República, Paulo Gonet mencionou “um dever indeclinável de combater a corrupção”, afirmando que a sociedade espera do MP “que atuemos firmemente na cobrança dessas responsabilidades, na investigação dos fatos que importem falta a esses compromissos, em busca de punição e reparação justas”. Mas “punição e reparação justas” é exatamente aquilo de que a Procuradoria-Geral da República abriu mão em um caso escandaloso, que pavimenta o caminho para mais impunidade no futuro: o das rachadinhas atribuídas ao deputado André Janones (Avante-MG).
Em outubro do ano passado, a PGR, mesmo tendo concluído que havia indícios do crime de peculato, preferiu oferecer ao deputado – um aliado de Lula e especialista em espalhar fake news contra adversários, algo que ele nem sequer disfarça – a possibilidade de um acordo de não persecução penal. O acordo foi assinado no início deste mês, e prevê que Janones simplesmente reconheça que cometeu crime, devolva R$ 131 mil à Câmara dos Deputados, e pague multa de R$ 26 mil – boa parte desse valor será paga em parcelas, ainda por cima. Em troca, o deputado escapa do processo penal.
Abrir mão do oferecimento de denúncia contra Janones de uma punição bastante provável, dados os indícios encontrados pela PGR, poderá ajudar na “reprovação e prevenção do crime”? É certo que não
O acordo de não persecução penal é medida prevista no artigo 28-A do Código de Processo Penal, aplicando-se em casos de crimes cometidos “sem violência ou grave ameaça e com pena mínima inferior a quatro anos”, e desde que o acordo seja “necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime”. O primeiro quesito é objetivo e de fato está cumprido no caso de Janones, mas e quanto ao segundo? Como é que abrir mão do oferecimento de denúncia e de uma punição bastante provável, dados os indícios encontrados pela PGR, poderá ajudar na “reprovação e prevenção do crime”?
A resposta óbvia é: não ajuda. Um acordo seria aceitável, por exemplo, se ajudasse a desvendar um esquema ainda maior, o que não é o caso: Janones é o “cabeça” desse escândalo e, sendo um deputado, representante eleito do povo, faria sentido exigir dele um padrão ainda maior de moralidade, e puni-lo à altura por não atingir tal padrão. No máximo, a confissão e a devolução dos valores poderiam ser usados como atenuante em caso de condenação; mas, ao fazer delas um motivo para não levar adiante um processo criminal, a PGR “deu o caminho das pedras para que parlamentares Brasil afora possam praticar a rachadinha com impunidade e temer apenas um tapinha no pulso se forem pegos no ato em algum momento no futuro”, como afirmou em seus perfis nas mídias sociais o ex-procurador e ex-deputado Deltan Dallagnol.
Dallagnol ainda aproveitou para lembrar o duplo padrão da PGR, que facilita a vida de Janones enquanto pede a prisão do senador Sergio Moro por uma piada de festa junina e atropela todos os princípios do devido processo legal para pedir penas exorbitantes aos manifestantes do 8 de janeiro em denúncias genéricas, sem individualização da conduta. Por mais que o ministro Luiz Fux, do STF, ainda tenha de homologar o acordo, Dallagnol também lembrou que a suprema corte padece do mesmo duplo padrão, pois tem aplicado condenações absurdas aos réus do 8 de janeiro e abre inquéritos até mesmo para investigar falas de parlamentares na tribuna do Congresso, enquanto anula compulsivamente todos os atos da maior operação de combate à corrupção da história do país.
Piadas em festas juninas, frases escritas com batom em estátuas, crítica legítima a agentes públicos – inclusive aquela feita no ambiente onde o discurso deveria ser totalmente protegido: para a PGR e o STF, a julgar pela forma como investigações e julgamentos são conduzidos, tudo isso é mais grave que a corrupção praticada e confessada. E ainda há quem queira desqualificar os relatórios que apontam para a deterioração do combate à ladroagem no Brasil. O caso de Janones é apenas mais um a demonstrar que o Brasil que “voltou”, para citar o slogan usado por um certo ex-condenado por corrupção, é aquele onde o crime de colarinho branco compensa, e muito.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/pgr-acordo-janones-corrupcao-compensa/

Judiciário tornou corrupção uma atividade legal no Brasil

Os ministros do STF, do STJ e das demais capitanias que governam o aparelho judiciário do Brasil, mais os crentes na sua natureza divina, não gostam de ouvir isso, mas o fato brutal, claro e acima de qualquer dúvida, é que a Justiça brasileira suprimiu o crime de corrupção do Código Penal em vigor no país. Não foi aprovada ainda nenhuma lei botando isso em letra de forma, mas é o que acontece para efeitos de ordem prática no Brasil que “voltou”. Não se trata de uma análise. Trata-se de uma jurisprudência cada vez mais “robusta”, como é moda dizer hoje, formada pelas sentenças assinadas pelos gatos gordos do sistema.
É duro dizer isso, mas também é a verdade “fática”, aí já se usando o patuá falado pelos ministros: o STF e seus derivados tornaram a corrupção uma atividade legal no Brasil. É claro que o sujeito tem de ser um corrupto rico para se beneficiar de proteção legal quando mete a mão no Erário. Mas como não existe corrupto pobre em lugar nenhum do mundo, pode-se dizer com segurança que as absolvições automáticas dadas pela Justiça brasileira nas ações penais pela prática de corrupção servem para todos os ladrões do Tesouro Nacional.
Não há exceções. Você é um “amigo dos amigos” e prova que roubou, com confissões espontâneas feitas na presença dos seus advogados? Então você já está absolvido, antes mesmo do caso ir a julgamento. Não é a mídia que diz isso, nem os “inimigos” dos nossos tribunais. Quem diz isso, oficialmente, são as sentenças que saem das altas cortes de Justiça deste país – e servem cada vez mais como exemplo para as cortes médias, baixas e assim por diante, até o mais modesto inspetor de quarteirão. É fácil resolver qualquer dúvida a respeito. Você consegue citar o nome de um único corrupto preso neste momento no Brasil, um pelo menos que seja?
Não há ninguém preso por corrupção, certo? Então não há corruptos, pois se houvesse a nossa Justiça com certeza acabaria pegando algum larápio, pelo menos um – não é possível, do ponto de vista racional, que não consiga punir nenhum
Você não consegue, por uma excelente razão: não existe nenhum corrupto preso neste momento no Brasil. Nem o ex-governador Sérgio Cabral, que foi condenado a 400 anos de cadeia por ladroagem confessa, e está tão livre como você – mas com uma fortuna que você, que pagou imposto enquanto ele roubava, jamais terá no seu bolso. Se isso, e todos os casos de ladrões soltos, não é prova material da legalização dos crimes de corrupção decretada pela Justiça brasileira, o que seria?
O STF, STJ etc. etc. etc. estão pedindo que população acredite no seguinte despropósito: o Brasil é o país que tem os políticos e magnatas mais honestos do mundo. Não há ninguém preso por corrupção, certo? Então não há corruptos, pois se houvesse a nossa Justiça com certeza acabaria pegando algum larápio, pelo menos um – não é possível, do ponto de vista racional, que não consiga punir nenhum, nunca, ou que todos os corruptos que lhe são trazidos pela polícia são inocentes, sem exceção.
A teologia política ora em vigor no Brasil estabelece que a prevaricação aberta do STF e seus inferiores no cumprimento da lei penal, com sua recusa sistêmica em punir a corrupção, é uma necessidade vital da sociedade brasileira. O STF e a “justiça”, reza esse credo, salvaram “a democracia” no Brasil. Continuam a salvar todos os dias, com a repressão destemida a “golpistas”, “extremo-direitistas”, bolsonaristas e mais do mesmo. Por conta dessas atividades, o “Judiciário” passou a ter, segundo a doutrina oficial, imunidade diante de qualquer crítica. Não importa se o STF tem razão, ou está grotescamente errado: criticar qualquer ministro é considerado um “ataque” ao sistema de Justiça, para enfraquecer a luta contra “o fascismo” e por aí afora.
Mas será que é preciso engolir – e engolir achando que está ótimo – a cada uma das aberrações que saem da mistura de “tribunais superiores” de Brasília? A resposta, para o regime vigente é: sim, precisa aceitar tudo, porque nenhuma delinquência que os supremos possam fazer está sujeita a qualquer apreciação externa, pois são a guarda da “democracia” e isso tem de estar obviamente acima de detalhes como a corrupção, a abolição dos direitos individuais e o cumprimento do que está escrito na lei.
Na sua última exibição de fogos de artifício para celebrar a roubalheira, o ministro João Noronha, nesta ocasião representando o STJ, decidiu entregar de volta aos desembargadores do Maranhão acusados de venda maciça de sentenças as joias, relógios e carros apreendidos com eles – e sob a suspeita de serem o pagamento que receberam para vender suas decisões. “Não tem mais utilidade para o processo”, decretou Noronha. Não é um ataque ao Judiciário: é o que o ministro fez na frente de todo mundo. Faz parte da jurisprudência, mencionada acima, que não apenas inocenta mecanicamente os ladrões de dinheiro público, como manda devolver a eles aquilo que roubaram – dos R$ 20 bilhões de indenização para a J&F e Odebrecht, aos iates, casas de praia e jatinhos de traficantes de narcóticos.
Para acrescentar mais uma joia à coroa, o ministro Dias Toffoli foi citado de novo como o grande padroeiro da corrupção no Brasil pela Transparência Internacional e a Comissão de Direitos Humanos da OEA. Seu feito principal é o desmonte agressivo de todo o sistema de combate à corrupção que havia no Brasil. É culpa da oposição, da direita ou das “fake news” que a coisa tenha ficado assim? Ou são, entre tantos outros feitos d’armas, suas extraordinárias decisões de anular as confissões de corrupção por parte da J&F e da Odebrecht? Paciência, porque eles estão decididos a tornar tudo ainda pior.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/jr-guzzo/justica-brasileira-tornou-a-corrupcao-uma-atividade-legal-no-brasil/?ref=veja-tambem

O julgamento de Bolsonaro: as imprevisíveis consequências do resultado previsível

Quem acompanha as notícias, mesmo por alto, já percebeu que a prioridade de setores da Justiça brasileira parece ser prender, colocar na cadeia, de qualquer forma, o político mais popular da história recente do país: Jair Bolsonaro. É mais ou menos como aconteceu com Donaldo Trump nos EUA – só que pior.
Quando juristas importantes opinam sobre as investigações e inquéritos contra Jair Bolsonaro e outras figuras públicas, a maioria deles denuncia as “inovações” jurídicas envolvidas, como a ideia de manter os termos do foro privilegiado de políticos mesmo quando eles não ocupam mais o cargo que deu origem ao foro. Traduzindo: basta ter ocupado uma vez um cargo de presidente, senador ou deputado federal e você estará, pelo resto de sua vida, sujeito a ser julgado por um tribunal cujas decisões são irrecorríveis. A classe política será feita de refém.
Essa não é uma discussão jurídica; essa é uma questão política.
Aos poucos a nação desperta para a realidade: o Estado brasileiro decidiu que a política deveria ser tutelada pela Justiça. Políticos cuja autoridade e legitimidade têm origem nos votos que receberam são tutelados – censurados, tornados inelegíveis ou até encarcerados – por burocratas não eleitos, nomeados por políticos e cuja legitimidade depende – ou costumava depender – da estrita observação da lei. É nesse último ponto que a porca torce o rabo.
Com Bolsonaro encarcerado, a sequência lógica é retirar da vida pública (e talvez também prender) os políticos que o apoiam, inclusive parlamentares com mandato. Restará a questão do que fazer com os cinquenta e oito milhões de eleitores que escolheram Bolsonaro na última eleição presidencial
A tutela dos eleitos pelos não-eleitos saiu de controle. Chegamos ao ponto em que os tutores acreditam que podem dispensar os próprios políticos e aplicar a tutela diretamente ao povo. Juízes deixam de ser magistrados para se tornar governantes.
Como a lei se tornou fluida, ela é usada conforme as preferências do aplicador: ela é aplicada com dureza máxima em alguns casos, enquanto em outros ela é ignorada. Desaparece o conceito de juiz natural, neutro e inerte: causas são julgadas por juízes incompetentes, inclusive juízes com interesse no processo, inclusive por juízes com parentes atuando como advogados de uma das partes, inclusive por juízes que abrem, eles próprios, “de ofício”, o processo. Inaugura-se no país a doutrina legal do “fiz porque quis”. É uma espécie de UFC jurídico, no qual juristas de combate competem em um tribunal-octógono contra senhoras idosas, cabelereiras, moradores de rua e vendedores de algodão doce.
Parece clara a determinação de retirar Jair Bolsonaro da vida pública e – é difícil encontrar um termo mais adequado – extirpar o “bolsonarismo” da política brasileira. A popularidade de Jair Bolsonaro é antifrágil: quanto mais ele é atacado, mais ela aumenta. Contra Bolsonaro já se tentou de tudo, até uma investigação por extrema proximidade com uma baleia. A acusação mais recente é a de golpe de Estado. Aparentemente, trata-se de uma denúncia autoprovada; ou seja, a acusação em si já é a prova do crime. Com Bolsonaro encarcerado, a sequência lógica é retirar da vida pública (e talvez também prender) os políticos que o apoiam, inclusive parlamentares com mandato. Restará a questão do que fazer com os cinquenta e oito milhões de eleitores que escolheram Bolsonaro na última eleição presidencial, especialmente quando o político em quem eles votaram tiver sido preso por seus adversários políticos.
Perverter a Justiça é um crime pior do que o pior crime do pior bandido, porque a Justiça é o último recurso das pessoas de bem e a principal justificativa para a existência do Estado. O Brasil é o país onde, em meio a mais uma crise de criminalidade, o Estado anuncia o plano “Pena Justa” para melhorar os presídios e reduzir as penas de criminosos. Esse projeto, que deveria se chamar “Crime Justo”, é a prova de que a elite burocrática do país – os tutores da população – vivem em um mundo diferente do nosso. É um mundo onde o imaginário moral é ocupado por uma obsessão com o bem-estar de bandidos.
Ao mesmo tempo em que afagam e desencarceram criminosos violentos, nossos tutores querem prender o político mais popular da história recente. As consequências dessa decisão são imprevisíveis. Mas a verdade – que produz muitas noites insones em opulentas mansões do Lago Paranoá – é que alguém que realmente venceu o bolsonarismo não precisaria prender Bolsonaro.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/roberto-motta/julgamento-bolsonaro-imprevisiveis-consequencias-resultado-previsivel/

Más notícias para a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro

(Começar a semana com más notícias é dose. Mas vamos lá!).
Quinta passada (6), a defesa do Jair Bolsonaro apresentou seus contra-argumentos à denúncia da PGR, que acusa o ex-presidente de todos aqueles crimes que você e eu estamos carecas de saber. Nas redes sociais, apoiadores de Bolsonaro e entusiasmados operadores do Direito correram para exaltar a qualidade técnica, as doutrinas e os latinórios todos da peça. Até aí, tudo bem.
O problema é que a defesa do ex-presidente, por melhor que ela seja e não estou duvidando disso, se baseia numa premissa cada vez mais questionável: a de que ainda é possível convencer alguém, quanto mais um ministro do STF ou um Procurador-Geral da República, por meio da palavra e, por consequência, por meio da razão. Aliás, toda a civilização se baseia nessa premissa.
E você?
Em sendo a premissa questionável, vou aproveitar para perguntar se você, é, você mesmo, não adianta olhar para trás, não, se deixa convencer pela palavra que conduz à razão. Mas assim, ó: quando foi a última vez que você, depois de ler um artigo ou livro (ficção e não-ficção) ou petição ou crônica ou mensagem de WhatsApp ou e-mail ou bula de remédio, mudou de ideia a respeito de algo importante ou talvez até essencial?
Enquanto você pensa e faz as contas, vou aproveitar para dar vazão ao meu lado mais melancólico e dizer que ninguém está interessado em se deixar convencer pela palavra/razão. Se duvidar, nem eu. Pelo contrário! As pessoas (entre as quais me incluo) só querem consumir palavras que reforcem um ponto de vista anterior. Por isso a direita lê Jordan Peterson e a esquerda, Thomas Piketty. E nunca vice-versa.
Me ocorre agora
Ao mesmo tempo, me ocorre agora que todo mundo está convencido de que a palavra só existe com uma finalidade: convencer o interlocutor de que ele está mais certo do que nunca – ou errado para além de qualquer possibilidade de redenção. Daí porque tanta gente considera textos que propõem uma reflexão ou que pretendem fazer rir, sem falar na poesia, ah, a poesia!, uma perda (quando não “perca”) de tempo.
Imagine
De volta à defesa apresentada pelos advogados de Bolsonaro, não duvido que estejam cheias de obviedades necessárias* e daquela lógica simples, mas não simplista, explorada por juristas nas últimas semanas: atos preparativos não são considerados crime, não se tenta um golpe de Estado sem armas, delação de Mauro Cid foi obtida sob coação, numa democracia tudo pode ser questionado, até o sistema eleitoral, etc.
Mas imagine o Xará Gonet ou os ministros do STF lendo essas coisas todas. Imaginou? Agora tente imaginá-los convencidos pelos argumentos expostos em palavras bonitas e difíceis. Pelo que é óbvio e lógico. Dificultou, né? Por fim (e sem cair no riso!), tente imaginar um Alex—. Não, melhor. Peguemos um ministro mais café-com-leite. Tente imaginar um Luís Fux lendo a defesa do ex-presidente e se deixando convencer verdadeiramente pelos argumentos apresentados.
Vira-casaca
Agora que você chegou até aqui, vá além e imagine o mesmo Fux, uma vez convencido, tendo de assumir que estava errado e, por isso, tendo também de adotar uma postura contrária à de seus pares. Imagine o trabalho que isso daria e, no embalo, imagine a preguiça, a hesitação e, por fim, a desistência. Porque são raros aqueles que, uma vez tocados pelo desconforto da dúvida ou incomodados pela luz da verdade, têm coragem de enfrentar o exército da opinião pública, com seus tanques de senso comum municiados com bombas de falsas certezas.
Dando continuidade ao Projeto Tem Uma Trave no Meu Olho, porém, encerro este texto dizendo que, se você parar para pensar (vish!) e for honesto consigo mesmo, encontrará aí no seu coração essa mesma tendência a usar certezas frágeis, sejam elas políticas, sociológicas, científicas ou estéticas, para se proteger do poder potencialmente destruidor da dúvida ou da verdade-que-nos-contraria. E tudo por orgulho. Afinal, vai que alguém nos confunde com um vira-casaca, um oportunista, um traidor, um quinta-coluna.
Quase escrevi “ululantes”**, mas me contive.
** Agora escrevi***.
*** Desculpe pelos asteriscos.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/polzonoff/defesa-bolsonaro/

A falta de ética nas indicações de Lula para os tribunais

Não foi isso que eu aprendi com meu avô sobre ética, sobre princípios. O presidente Lula nomeou para o Superior Tribunal Militar a advogada de Gleisi, de Paulo Bernardo, o então marido de Gleisi, que era ministro das Comunicações, e advogada de Alckmin. Advogada de Gleisi e Paulo Bernardo na Lava Jato. A advogada Verônica Abdalla Sterman vai ser ministra do STM.
Bom, em primeiro lugar, a questão do meu avô, né? Veja só, ele (Lula) já nomeou o próprio advogado para ser ministro do Supremo, Zanin. O advogado do PT para ser ministro do Supremo, que trabalhava com José Dirceu, o Toffoli, que soltou José Dirceu, seu ex-patrão. Meu avô me ensinou que isso é impossível. A gente não pode fazer isso, né? Nem no serviço público, nem lugar algum.
Eu já contei para vocês que mesmo no tempo em que eu era chefe da Globo em Brasília, meus vizinhos vinham me pedir: “olha, tem que consertar o bueiro na nossa rua e tal”. Eu dizia: “eu não posso, eu moro aqui, eu não posso. Não posso, é impossível, porque envolve o meu interesse pessoal. Eu não posso usar a televisão para defender meu interesse pessoal.”
Gente, isso é básico de ética, só que não funciona mais. O que há, o que houve com a gente? Nós estamos afundando. Japão e Alemanha, arrasados na Segunda Guerra, se ergueram por causa dos valores que começam em casa, começam na família e se impõem na nação e no Estado que serve à nação.
Advogados buscam títulos em Tribunais Superiores
Outra coisa que eu não entendo: advogado brilhante, que ganha sei lá, R$ 1 milhão por mês — se for brilhante, ganha mais de R$ 1 milhão por mês — vai ganhar, comparado com o que ganhava por mês na banca de advocacia, um salariozinho de ministro de Tribunal Superior.
Eu não entendo isso, eu não entendo esse desprendimento. A pessoa já fez o pé de meia e agora quer o título. Eu não posso ir além dessa suposição, né? Não posso pensar mal de ninguém, mas eu fico sem entender. Realmente fico sem entender.
Senado pode julgar STF
Bom, eu queria falar também com vocês sobre Rui Barbosa. Toda hora ele é citado: “Não há pior ditadura do que a ditadura do Supremo, porque acima dela não há recurso.” Bom, em primeiro lugar, eu ouvi o presidente da OAB do Rio Grande do Sul, Lamachia, citar Rui Barbosa. Eu já pedi que ele me forneça onde Rui Barbosa disse ou escreveu isso, porque eu não achei em lugar nenhum.
Mas, gente, tem recurso sim: é o Senado Federal. Está lá na Constituição. É o Senado que julga ministro do Supremo que for perjuro, ou seja, jurou defender a Constituição e, ao contrário, não está sequer guardando a Constituição. Eu acho estranho isso.
Justiça também é compaixão
E mais: eu estranho a frieza com que se trata pessoas que estão lá presas, com criança pequena em casa. Gente que estava precisando de ajuda médica, não recebeu e morreu. E é uma frieza incrível.
Eu não consigo entender, uma vez que a palavra latina que está no frontispício de um grande Tribunal Superior Romano, que está em Roma, diz: “Graça e Justiça”. Ou seja, a justiça também tem compaixão. Faz parte da justiça. Compaixão também é justiça.
Um alerta sobre o cinto de segurança
E, por fim, só um registro. Foi lá em Chapecó. Morreu uma senhora muito querida na cidade, tanto que o prefeito João Rodrigues se manifestou com uma nota. Senhora Valéria Simione, 37 anos. Deixou filhos de 15 e de 2 anos, além do marido. Capotou o carro e, ou ela estava sem cinto, ou o cinto abriu e ela foi projetada para fora do carro. O carro rolou por cima dela.
Eu estou dizendo isso porque eu uso cinto há 58 anos – eu acho que fui o primeiro a usar cinto no Brasil, porque nem tinha cinto nos carros brasileiros. Eu importei um cinto e mandei instalar no meu carro. O cinto é essencial para a vida, para salvar vidas. Eu aproveito essa tragédia de Chapecó para lembrar isso.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/a-falta-de-etica-nas-indicacoes-de-lula-para-os-tribunais/

A derrota dos patifes

Foi tudo muito bem planejado. Cada passo, ainda que trôpego, cambaleante. Foi tudo feito diabolicamente, desde o início. Não com minutas fajutas, apócrifas, sem nenhum valor. As artimanhas foram sendo implementadas desavergonhadamente, sempre com a desculpa de que a “democracia brasileira” corria sérios riscos. Contra fascistas e nazistas, vale tudo, essa sempre foi a “mensagem”. Eles tinham de ser identificados, calados, eliminados, esmigalhados. As leis que se danem. Foi um jogo macabro, de cartas marcadas, com um único resultado possível: o triunfo dos imorais, dos ilegais, dos tiranos mequetrefes, dos patifes.
Depois das denúncias esfareladas contra Jair Bolsonaro e meses antes de seu “julgamento”, já discutem em que lugar ele ficará preso. Sim, a prisão parece certa, e largá-lo num quartel do Exército não parece indicado. Imagina, Bolsonaro poderia ter contato com militares… “Bolsonaristas” poderiam acampar do lado de fora, “fazer arruaça”… O que ficou claro é que só a ocupação de um país inteiro por tiranos e só a arruaça que eles fazem invariavelmente podem ser aceitas. Já faz tempo que não há mais cadeia para os corruptos, para os abusadores, para os verdadeiros fora-da-lei. Eles estão sendo soltos, para dar lugar àqueles que o Brasil de fato deveria proteger e apoiar. Os criminosos reais agora querem respeito, posam de heróis para cúmplices igualmente sem coração e sem caráter, incautos e ignorantes.
Não há mais julgamentos para aqueles que são contra a aliança STF-PT. Suas sentenças estão prontinhas há muito tempo
Que país é este em que um condenado em três instâncias por corrupção e lavagem de dinheiro pode ocupar a cadeira de presidente da República? É o país que tem Edson Fachin, um militante de um grupo de invasores de terra, na suprema corte… Partiu dele o movimento espúrio para tirar Lula da cadeia, numa manobra desastrosa para um país que renascia. É o país que tem como ministro do STF alguém como Dias Toffoli, reprovado em dois concursos para juiz. Ele, o inventor do Inquérito do Fim do Mundo, o libertador-geral de corruptos da nação.
Que país é este que tem Luís Roberto Barroso no Supremo, alguém que agiu e age politicamente? Foi Barroso quem barrou no Congresso a melhoria tão necessária para o sistema eleitoral brasileiro: o voto impresso auditável, a contagem pública dos votos. Todos se mostravam a favor, mas deixaram de ser, pois era imperativo “derrotar o bolsonarismo”. Lula precisava ser o candidato contra Bolsonaro, e tinha de levar a eleição. Por isso, Alexandre de Moraes, também do STF e ocupando a presidência do TSE, promoveu o processo eleitoral mais infame da história. Foi uma campanha em que valia tudo contra o “fascista, nazista e genocida” Bolsonaro… A favor de Lula, “a viva alma mais honesta deste país”, tudo era permitido.
Caminhamos, assim, para o que poderia ser a mais aguda decisão inconstitucional, ilegal, antijurídica: a condenação de Jair Bolsonaro. Não há mais julgamentos para aqueles que são contra a aliança STF-PT. Suas sentenças estão prontinhas há muito tempo. Só que não há espaço para todos nas barras da tirania. E não há proteção possível para os bandidos travestidos de mocinhos. Eles jamais terão respaldo suficiente e protetor. Não são eles que atraem apoio, são suas vítimas, os perseguidos injustamente, são esses que conquistam empatia – talvez imediata, talvez tardia. Sim, o plano não era perfeito. Há gente grande no mundo de olho no Brasil, e há os brasileiros sofridos, massacrados, mas incansáveis. Eles não perdem a noção de que é preciso lutar sem parar pelo que é certo, por justiça, pela verdade. Eles estão prontos para a luta, e sempre foram maioria.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/luis-ernesto-lacombe/derrota-dos-patifes-pt-stf/
Musk acusa Soros e outros bilionários de esquerda de financiar ataques contra a Tesla

O empresário Elon Musk, dono da Tesla, da rede social X e de outros negócios do setor tecnológico, acusou bilionários alinhados à esquerda de financiarem atos de vandalismo contra seus empreendimentos nos EUA, incluindo George Soros.
Segundo Musk escreveu no X, neste domingo (9), uma investigação – que não foi identificada por ele – apontou que cinco grupos financiados pelo ActBlue foram responsáveis pelos “protestos destrutivos” contra a Tesla.
Vários veículos e estações de recarga foram danificados ou destruídos durante atos de vandalismo em concessionárias e postos pelo país, embora não esteja claro se os protestos e o vandalismo estão relacionados, segundo a Fox News.
As ações começaram após Musk assumir a liderança do Departamento de Eficiência Governamental (DOGE) do governo Trump, que visa reduzir gastos desnecessários e identificar fraudes dentro do governo federal.
Segundo a agência Associated Press (AP), manifestantes atacaram uma concessionária da Tesla no Oregon, na quinta-feira passada. O ato de vandalismo contou com tiros contra vários carros.

“Uma investigação descobriu que cinco grupos financiados pelo ActBlue são responsáveis pelos ‘protestos’ da Tesla: Troublemakers, Disruption Project, Rise & Resist, Indivisible Project e Democratic Socialists of America”, escreveu o empresário.
Musk, então, nomeou cinco financiadores do ActBlue, o comitê de ação política (PAC) e plataforma de arrecadação de fundos do Partido Democrata, que ele acredita serem responsáveis pelo financiamento dessas ações, incluindo George Soros e o e cofundador do LinkedIn, Reid Hoffman.
“O ActBlue está atualmente sob investigação por permitir doações estrangeiras e ilegais, em violação criminal às regulamentações de financiamento de campanha”, continuou Musk.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/musk-acusa-soros-e-outros-bilionarios-de-esquerda-de-financiar-ataques-contra-tesla/
Após o Carnaval, segunda metade do governo Lula ‘começa’ desanimadora

O governo petista começa a semana (ou o ano, acabou o carnaval) mais borocoxô do que nunca, com a rejeição a Lula (PT) e a seu governo piorando a cada dia, como mostrou a pesquisa AtlasIntel divulgada há três dias. Para completar o inferno astral, a “bala de prata” para reverter a inflação de alimentos deve virar outro retumbante fracasso, como avaliam especialistas, e a cereja do bolo das notícias desanimadoras é a posse de Gleisi Hoffmann como ministra, nesta segunda-feira (10).
Não vai funcionar
Zerar impostos de alimentos importados não funciona, é inócuo, avisa Daniel Vargas, economista da FGV. E a rejeição a Lula seguirá em alta.
Desarticuladora
Brigada com metade dos petistas e com todos os não petistas, Gleisi na “articulação” com o Congresso não tem menor perigo de dar certo.
Lula se isola mais
A escolha de Gleisi não tem a ver com suas qualidades e sim com a falta de opções: Lula não encontrou no Centrão quem topasse a difícil tarefa.
Mais para nada
Disposto a tocar fogo no parquinho, Lula fez clara opção pelo “tudo ou nada” com Gleisi e talvez Boulos. Com grande chance de dar em nada.
OEA avalia papel de Toffoli contra o combate à corrupção

A denúncia contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, apresentada à Organização dos Estados Americanos (OEA) pela Transparência Internacional, entrará agora em uma fase de avaliação dentro da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). O pedido foi feito durante uma audiência temática que discutiu os impactos da corrupção sobre os direitos humanos na América Latina.
O próximo passo será a análise do material apresentado, incluindo documentos e alegações de que decisões recentes no Brasil, como a anulação das provas contra a Odebrecht, enfraquecem o combate à corrupção e geram um efeito dominó nos países vizinhos.
Caso a CIDH considere a denúncia relevante, o órgão pode emitir recomendações formais ao governo brasileiro, pedindo medidas para reforçar a transparência e evitar decisões que comprometam investigações. Outra possibilidade é a realização de um relatório específico sobre a situação do Brasil, com base nos riscos apontados pela Transparência Internacional.
Além disso, a OEA pode pressionar o Brasil a responder sobre as acusações, abrindo espaço para que o governo apresente sua versão dos fatos. Embora o órgão não tenha poder de punição, suas decisões podem influenciar sanções diplomáticas e até a percepção internacional sobre o Brasil no cenário anticorrupção.
Bolsonaro quer ato por ‘reféns do 8/1’ com 1 milhão lotando Copacabana

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) divulgou hoje (9), em suas redes sociais, um apelo para que seus apoiadores garantam a presença de 1 milhão de manifestantes, no ato marcado para o próximo domingo (16), em defesa de anistia humanitária para acusados, assim como ele, por tentativa de um golpe contra a eleição de Lula (PT). Na publicação com vídeos de aliados, Bolsonaro se refere a presos por ataques de 8 de Janeiro de 2023 aos Três Poderes da República como “reféns de 8/jan”.
O ato está marcado para 10 horas da manhã do dia 16. E visam beneficiar com anistia todos os alvos de inquéritos e ações judiciais que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF).
Além da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que exalta a pauta da anistia, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece no vídeo publicado pelo seu pai dizendo o seguinte: “As centenas de presos e perseguidos políticos, mais do que nunca, precisam de todos nós”.
O senador Magno Malta (PL-ES) também aparece prometendo lutar pela liberdade deles. Seguido do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG): “A nossa liberdade precisa ser conquistada por nós”, diz o mineiro.Leia MaisMoraes pede parecer da PGR sobre alegações de defesa no suposto golpe
Outro que convoca o protesto é o deputado Gustavo Gayer (PL-GO): “O que a gente precisa fazer é voltar a ocupar as ruas”, sentencia. Seu colega de partido e de parlamento, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), é tão otimista quanto o ex-presidente: “Nós vamos lotar Copacabana”, prevê.
E o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) reforça o convite de seu pai: “Todos nas ruas para resgatar nosso país”.
O vídeo termina com o pastor Silas Malafaia pedindo “Anistia, já”. E Jair Bolsonaro desejando boa sorte a todos.
Neste sábado (8), o ministro do STF, Alexandre de Moraes, enviou à Procuradoria-Geral da República (PGR) as defesas prévias apresentadas por Jair Bolsonaro e parte dos 34 acusados de crimes e “tentativa de golpe de Estado”. E abriu prazo para o procurador-geral da República, Paulo Gonet, manifestar seu parecer, até a próxima sexta (14).
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