A notícia saiu na Gazeta do Povo, e foi confirmada pelas autoridades competentes: um professor de escola secundária de Roraima afirmou, em plena sala de aula, que um assaltante tem o direito de roubar as pessoas porque está apenas “trabalhando”. Ele é um cidadão injustiçado e carente que, em seu entender, precisa ganhar a vida, etc, etc, etc; não há nada de errado, nem de anormal, em sair por aí metendo um revólver na cara dos outros para roubar o que precisa, etc, etc, etc.
Qual é o problema? Ele tem o direito de prover o seu sustento como todo mundo, não é mesmo? Um aluno perguntou se estaria certo ele trabalhar dez anos seguidos para comprar um carro, por exemplo, e ter de entregar o seu carro para o ladrão. Tudo o que o professor fez foi dizer que “ninguém” consegue comprar um carro no Brasil com dez anos de trabalho, diante de toda essa injustiça social que, segundo ele, está aí. Fora isso, deu uma bronca no aluno.
É possível fazer todo tipo de comentário diante de um despropósito desses, mas, com certeza, há um que estará errado: dizer que isso só acontece em Roraima ou em algum outro fim de mundo desse “brasilzão” atrasado. Falso. Pode acontecer em São Paulo, no Rio de Janeiro ou em Brasília, em qualquer escola e em qualquer dia do ano letivo.
Na verdade, o manifesto social do professor de Roraima é tão parecido com a posição semioficial da esquerda brasileira sobre crime e criminosos, mas tão parecido, que não dá para ver bem qual é a diferença. Afinal das contas, gente muitíssimo mais conhecida do que ele diz basicamente a mesma coisa – e é considerada a quinta essência do progressismo nacional. O professor está apenas repetindo o que ouve falarem nestas cumeeiras de sabedoria.
Como esperar outra coisa? Um dos peixes mais graúdos da advocacia criminal brasileira, devoto fervoroso da candidatura Lula à Presidência, não disse recentemente, na frente de todo mundo, que os crimes pelos quais a Justiça brasileira condenou o ex-presidente deveriam ser esquecidos? “Já aconteceu”, disse ele. “O que adianta punir?”
Ou seja: o sujeito mata a mãe, mas já que a mãe está morta mesmo, não adianta nada punir o filho, certo? O advogado em questão julgou oportuno, também, dar uma lição de ciência penal ao público. “Não se ache que a punição irá combater a corrupção”, afirmou. Na sua opinião, segundo se pode deduzir, o corrupto está apenas “trabalhando” para assegurar o próprio sustento – algo mais ou menos na mesma linha de raciocínio exibida pelo professor que defende os assaltantes. Qual é a grande diferença?
Num país em que um condenado por corrupção e lavagem de dinheiro, em três instâncias e por nove juízes diferentes, é candidato à Presidência da República, é possível esperar tudo – a começar pela defesa do crime nas salas de aula. Essa indulgência plenária para os delinquentes vale, até mesmo, quando as suas vítimas estão dentro dos círculos mais elevados da esquerda lulista.
Como se noticiou amplamente, um filho do ex-presidente foi assaltado há pouco no centro de São Paulo e, automaticamente, absolveu os bandidos. De quem é a culpa, então? Segundo o filho de Lula, o culpado é “o Bolsonaro” – ele “não adota políticas sociais” e, em consequência disso, os cidadãos saem por aí assaltando os outros. O professor de Roraima, como se vê, poderia ser um consultor valioso da campanha de Lula.
Renato Duque e a “descondenação” de Lula

Renato Duque foi o corpo e a alma de Lula na Petrobras, durante todo o seu, digamos assim, governo. Ele, na Petrobras, foi o alter ego de Lula naquela empresa petroleira.
Duque foi Diretor da empresa entre 2003 (início do governo do Grande Larápio) até 2015, já no segundo mandato de Dilma Rousseff, a Acéfala.
Duque, de fato, foi o principal operador do Petrolão dentro da Petrobras, esquema criminoso concebido e implantado por Lula e seus asseclas, para extorquir a estatal em favor de si próprio e de seu bando corrupto.
Homem ligadíssimo a Lula, Duque foi condenado na Lava Jato a SESSENTA anos de prisão. Mas, como bandido de alto calibre associado a Lula, Duque vive livre e solto, por conta do Estado Cleptocrático de Direito, criado pelo STF em 07/11/2019. /1/. Imagino que Duque deva dormir tranquilo como um inocente.
Conforme a revista Veja de 01/06/2022:
“Em seu edital, o TCU dá um prazo de 15 dias para que Duque apresente alegações de defesa quanto às ocorrências descritas no processo, e ou recolha aos cofres da Petrobras os valores atualizados monetariamente desde as respectivas datas de ocorrência das irregularidades. Os valores históricos atualizados monetariamente são de R$ 975.323.932,00 [pouco mais de 975 bilhões de reais]. Se Duque não conseguir comprovar a lisura do processo, ele deve ser condenado e o débito deverá ser cobrado judicialmente. ”
O grande problema reside precisamente na última frase colocada acima, que dá margem a todo o tipo de enrolação até que um recurso chegue ao STF. Aí Duque poderá relaxar. Estará a salvo, segundo experiência pregressa relacionada a outros bandidos do esquema do Petrolão. Ao final, certamente terá sua multa anulada porque a nossa Suprema Corte não tolera condenações (quaisquer condenações) de bandidos de alto coturno que procuram sua proteção.
Em se tratando de Renato Duque, um indivíduo intimamente imbricado com o ex-presidiário Lula, a salvação é mais garantida ainda: afinal o STF não vai querer ver seu candidato à presidência da República, o seu bandido predileto, o ex-presidiário Lula, ser prejudicado eleitoralmente.
O Brasil talvez seja o único país no mundo em que um megacorrupto tenha sido “descondenado” pela sua Corte Suprema, para concorrer à presidência da República. Neste quesito parece que estamos bem mais avançados do que as piores ditaduras latino-americanas e africanas, tão beneficiadas no (vá lá) governo do ex-presidiário.
Tristes Trópicos!

José J. de Espíndola
REFERÊNCIA:
Sobre a criação do Estado Cleptocrático de Direito, pelo STF, leia o artigo:
1. https://www.jornaldacidadeonline.com.br/noticias/17243/7-de-novembro-de-2019-oficializa-se-a-cleptoc…
7 de novembro de 2019, oficializa-se a cleptocracia no Brasil

Guarde-se esta data: 07 de novembro de 2019. Ela representa o dia da criação – sempre tão ansiada por Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Marco Aurélio de Mello, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello, com a colaboração decisiva de Rosa Weber – do Estado Cleptocrático de Direito (ECD).
Guardem também estes cinco nomes – Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Marco Aurélio Mello, Ricardo Lewandowski, Celso de Mello, e Rosa Weber. Estes são os seis criadores do ECD, turma já batizada por J. R. Guzzo como “Facção–Pró- Crime” do STF.
Esta turma será execrada na História do Brasil, bem mais do que o é Joaquim Silvério dos Reis, o traidor da Independência do Brasil. Silvério dos Reis traiu os inconfidentes. Este bando togado em gabinetes presidenciais suspeitos (quando não corruptos) traiu o Brasil no que deveriam ser suas mais sagradas características: a decência pública e a ilibada reputação do Judiciário do Brasil.
A criação do ECD pelo STF garante aos criminosos de alto coturno – também chamados de colarinho branco – a base jurídica da IMPUNIDADE COM TRANQUILIDADE, necessária para melhor delinquirem e espoliarem o povo trabalhador, com a certeza de que não serão presos até as calendas gregas*, com possibilidade real e bastante provável de prescrição de seus crimes.
Com a criação do ECD pela Facção-Pró-Crime do STF, fica praticamente inoperante a Lava Jato. A Lava Jato só se tornou capaz de deslindar os grandes e complexos esquemas de corrupção graças ao mecanismo da “Delação Premiada”. O corrupto, ao perceber a aproximação da condenação em segunda instância – e, consequentemente, da cadeia – abria o bico e falava tudo, deslindava o mega-esquema de corrupção de que se servia. Sem esse mecanismo, a Lava Jato não avançaria nas investigações; teria continuado patinando feito barata tonta.
Agora, com a prisão lançada para as calendas gregas, não existe mais razão para o corrupto abrir o bico e confessar o esquema de que se serviu. A Lava Jato, então, definhará. Sofrem o Brasil e os brasileiros decentes que se veem desamparados ante a impunidade dos piores criminosos.
Os efeitos daninhos daquela farsa perpetrada pela Facção–Pró–Crime já se fazem sentir até na economia.
Enquanto escrevo, me chega a notícia de que, com a soltura de Lula, às 16h54 (horário de Brasília) o Ibovespa caía 2,04% e o dólar comercial avançava 1,73% chegando a R$ 4,1632 na compra e a R$ 4,1642 na venda. O dólar futuro, com vencimento em dezembro, subia 1,57% a R$ 4,168. Eis aí uma amostra do dano – o menor dos danos, diga-se – que esta Facção-Pró-Crime inflige ao Brasil.
O único consolo – se é que se pode chamar isso de consolo – é que esses ministros, esses membros da Facção-Pró-Crime, feitos juízes a bico de pena em gabinetes presidenciais suspeitos – quando não comprovadamente corruptos – não terão vida fácil ao deixarem a toga imunda que ostentam, com a próxima aposentadoria compulsória.
Não poderão aparecer livremente em um evento público, não poderão usar transporte público, terão praticamente que viver reclusos, ou com um aparato de segurança constrangedor, se é que terão direito a tal aparato.
O POVO QUE OS DESPREZA E OS ODEIA NÃO OS DEIXARÃO EM PAZ.
Provavelmente eles já pensam em se mudar para outro país, o que se tornou fácil com as polpudas economias que acumularam ao longo da sinecura que receberam de presidentes amigos.
Sete de Novembro de 2019 deverá ficar conhecida como o dia em que se oficializou a cleptocracia no Brasil.
* As calendas, no antigo calendário romano, representavam o primeiro dia de cada mês, quando ocorria a Lua nova. Eram (são) raríssimas as calendas romanas. Não havia o termo “calendas” no calendário grego. Quando os romanos ironicamente falavam das “calendas gregas”, queriam referir-se a uma data que não existia. É nesse sentido que usei a expressão “calendas gregas” no meu texto.

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