“Ucrânia Ocidental”: o possível futuro do país após a guerra com a Rússia

Moscow (Russian Federation), 10/03/2022.- Russian President Vladimir Putin attends a videoconference meeting with Government members at the Kremlin in Moscow, Russia, 10 March 2022. The meeting focuses on minimising the impact of sanctions on the Russian economy. Russian troops entered Ukraine on 24 February prompting the country's president to declare martial law and triggering a series of severe economic sanctions imposed by Western countries on Russia. (Rusia, Ucrania, Moscú) EFE/EPA/MIKHAIL KLIMENTYEV / KREMLIN / SPUTNIK / POOL MANDATORY CREDIT

Embora Rússia e Ucrânia tenham sinalizado avanços nas negociações pelo cessar-fogo, o governo do presidente Volodymyr Zelensky tem resistido a uma das principais demandas russas para o fim do conflito: o reconhecimento da região da Crimeia como território russo e a independência dos territórios separatistas de Donetsk e Lugansk, na região de Donbass, localizada na fronteira entre os dois países.

“Em relação aos territórios ocupados, a posição da Ucrânia permanece inalterada: as fronteiras do país não podem ser cedidas”, disse o conselheiro presidencial ucraniano Mykhailo Podolyak a um canal polonês.

Mas, ao que tudo indica, o Kremlin ampliou seus objetivos na medida em que a Rússia avança em direção à Kiev e já domina várias outras cidades. Militares sob o comando de Putin já controlam as cidades de Sumy e Kharkiv, no leste da Ucrânia, além de Donetsk e Lugansk. Ao sul, Kherson, Mariupol e Volnovakha foram tomadas, e, no norte, forças da Rússia estão em Chernihiv, Konotop e Chernobyl.

Rússia avança em todo o território

Na opinião de Márcio Coimbra, presidente da Fundação da Liberdade Econômica e Coordenador da pós-graduação em Relações Institucionais e Governamentais da Faculdade Presbiteriana Mackenzie em Brasília, a possibilidade de um acordo de paz sobre a independência das regiões é remota e, portanto, a Rússia só deve parar quando tomar todo o território ucraniano.

“Acho difícil a guerra ficar circunscrita à Donetsk e Lugansk, mesmo que a Rússia consiga o controle dessas regiões. Também não acredito que Ucrânia ceda parte do seu território, mas, se ceder, o objetivo é chegar até às margens do Dniepre, rio que corta a Ucrânia entre Leste e Oeste, e tomar Kiev”, diz o especialista.

A Rússia também tem avançado e apertado o cerco contra Kiev – principal objetivo militar dos russos atualmente -, na tentativa de pressionar Zelensky e negociar os objetivos políticos do Kremlin.

“No caso de se tomar Kiev, acaba-se tomando o resto do país. Chegou-se em um momento da guerra em que um dos dois lados deve vencer completamente: ou a Ucrânia, de um lado, ou a Rússia, de outro”, explica Coimbra.

Lugansk, Donetsk e a Crimeia faziam parte da Ucrânia quando o país declarou independência da União Soviética, em 1991. Tratam-se de regiões que continuam sendo reconhecidas pela Organização das Nações Unidas (ONU) como território ucraniano.

Em 21 de fevereiro deste ano, no entanto, presidente russo Vladimir Putin assinou um decreto reconhecendo a independência das regiões autoproclamadas Donetsk e Lugansk, que declararam independência de Kiev em abril de 2014, quando milícias apoiadas pela Rússia tomaram o controle de sedes do governo local e outras infraestruturas.

“Ucrânia ocidental e isolada”

Uma outra estratégia possivelmente aventada pela Rússia, segundo apontam especialistas, seria a consolidação do controle sobre as áreas do leste do país e a criação de uma espécie de “Ucrânia Ocidental”, sem necessariamente um governo russo liderando todo o país. Essa, por exemplo, é a opinião dos especialistas de Nicholas Heras, Carolina Rosa e Eugene Chausovsky em artigo para a revista New Lines.

Na perspectiva deles, a Rússia deve tentar fragmentar o país e criar uma região ucraniana ao Oeste isolada, sem litoral e enfraquecida. “Uma potencial Ucrânia Ocidental precisaria ser severamente enfraquecida econômica e militarmente. Para atingir esse objetivo, a Rússia provavelmente teria como alvo a infraestrutura civil, militar e a agricultura da região”, explicam os especialistas no artigo.

“Seria preciso danificá-la a ponto de o custo para reerguer a ‘Ucrânia Ocidental’ e prepará-la para receber novamente a população ser extremamente caro”, afirmam.

Dividir a Ucrânia dessa maneira forneceria à Rússia vários amortecedores entre países da Otan, como Polônia e Romênia, por exemplo. Além disso, ficaria para a União Europeia e a Otan a missão de reconstruir uma ‘Ucrânia Ocidental devastada’, explicam os especialistas.

*Os governos de Rússia e Ucrânia não têm apresentado boletins com números de mortos. Os dados, portanto, variam de acordo com diferentes balanços.

Fonte: Gazeta do Povo

Be the first to comment on "“Ucrânia Ocidental”: o possível futuro do país após a guerra com a Rússia"

Leave a comment

Your email address will not be published.


*