e lançá-lo a governador por São Paulo, o futuro partido deve lançar o presidente nacional do DEM, ACM Neto, ao governo da Bahia, e buscar as reeleições de governadores atualmente filiados às duas legendas: Ronaldo Caiado (DEM), em Goiás; Mauro Mendes (DEM), em Mato Grosso; e Marcos Rocha (PSL), em Rondônia.
Em Santa Catarina, o futuro partido tende a lançar ao governo o prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro (DEM) — o atual governador, Carlos Moisés, era do PSL, mas se desfiliou.
No Ceará, a ideia é filiar o deputado Capitão Wagner (Pros) e tê-lo como candidato a governador. Em Pernambuco, a meta é ter o deputado Fernando Coelho (DEM) como candidato ao governo estadual.
O vice-presidente nacional do PSL, deputado Júnior Bozzella (SP), diz que o futuro partido despertou o interesse de diversas lideranças no país e confirma a expectativa em lançar candidaturas competitivas nos estados.
Mas Bozzella discorda da análise do Planalto de que a sigla não seria uma ameaça na disputa pela Presidência. “Se você tem palanques bem organizados e estruturados nas principais regiões do país, é óbvio que você vai interferir diretamente na eleição nacional. Não tem como isso não acontecer, principalmente quando tem uma fatia do eleitorado que considera e busca alternativa [terceira via]”, pondera Bozzella.
“Quando a gente achar um nome que seja o catalisador desse sentimento e desejo da sociedade com o partido estruturado, [montar] palanques fortalecidos regionalmente e fidelizar essas candidaturas ao projeto macro, é óbvio que isso vai interferir no projeto nacional e vai ter mais robustez, com possibilidade de eleição em um terço dos estados”, aposta o vice-presidente do PSL.VEJA TAMBÉM:
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Como seria a relação do Planalto com o novo partido no Congresso
O novo partido, que pode ser oficialmente criado em novembro, seria o maior da Câmara dos Deputados, com 81 deputados. Atualmente, DEM e PSL, juntos, têm sete senadores. Esses números eventualmente podem crescer (com o ingresso de novos filiados) ou diminuir (com uma possível debandada de aliados de Bolsonaro). Mas a avaliação é que, ainda que haja variações, o União Brasil será um partido de peso no Congresso.
Nos bastidores, a aposta é de que a nova legenda terá mais independência em relação ao governo nas votações da Câmara e do Senado, especialmente porque o partido tende a ter um projeto próprio para 2022. Apesar da perspectiva de autonomia, Bozzella diz que a relação entre o partido e o governo no Congresso se dará conforme a pauta.
O deputado Celso Sabino (PSL-PA), que recentemente se filiou à legenda, enfatiza que, por ser um partido que defenderá pautas liberais na economia e conservadoras nos costumes, haverá ocasiões em que o partido votará junto ao Planalto. “Nas pautas que forem congruentes, vamos apoiar o governo qualquer que seja ele. Nas pautas que forem em desacordo com o partido, vamos defender nossas bandeiras”, destaca.
Já o Planalto vai aguardar o posicionamento da legenda a ser criada para tomar sua postura. “Havendo um posicionamento contrário ao governo e que, principalmente, possa vir a criar dificuldades nas votações, o comportamento será um. Caso não, a relação será outra”, resume um interlocutor.
A saída de alguns governistas do futuro partido também vai mexer no comando da liderança dos partidos nas duas Casas. O PSL, por exemplo, é liderado hoje na Câmara pelo deputado Vitor Hugo (PSL-GO), apoiador de Bolsonaro, que não seria mantido na liderança com a fusão. Os atuais vice-líderes são igualmente apoiadores de Bolsonaro; e também perderiam seus postos.
Deputados do DEM dizem que a liderança do União Brasil na Câmara ficará com Elmar Nascimento (DEM-BA), o “representante” de ACM Neto na Casa. A vice-liderança seria composta por quadros igualmente de centro-direita sem vínculo com o bolsonarismo. Bozzella não confirma a informação e diz que essa discussão ainda será feita; e que a definição ficará para 2022.
A fusão abrirá uma janela partidária para que atuais filiados a DEM e PSL que não aceitarem a unificação deixem o partido, o que pode ocorrer ainda este ano. “Dia 7 ou 8 eu já saio, não fico em comissão nenhuma, abro mão das comissões [em que é membro titular] e saio imediatamente”, diz o deputado Bibo Nunes (PSL-RS).
Outros aliados de Bolsonaro podem permanecer até março. O objetivo é não perderem seus assentos nas comissões e recursos do fundo eleitoral. Eles deixariam a a legenda somente na janela partidária eleitoral de março.

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