Reeleição iguala Lula a tiranos que buscam se perpetuar no poder

Lula com Vladimir Putin. líder autoritário sem pressa para deixar o poder na Rússia – Foto: redes sociais/

O presidente Lula (PT), reeleito ontem (25) para um quarto mandato à frente da Presidência da República, garantiu que vai passar 16 anos no comando do Brasil, se equiparando a autoritários como Xi Jinping (China), Kim Jong-Un (Coreia do Norte), Valdimir Putin (Rússia) e o amigo do petista Daniel Ortega (Nicarágua). Entre brasileiros, Lula vai ficar atrás apenas de Getúlio Vargas, que chegou a 18 anos no poder.

Modelo chinês

Xi Jinping está no poder na China desde 2012. Atualmente no terceiro mandato (que vai até 2028), ele pode ser reeleito indefinidamente.

Eterno

Vladimir Putin foi reeleito em 2024 na Rússia, vai ficar no poder até 2030, mas pode ser reeleito para outro mandato até 2036, que seria o último.

Ditador hereditário

Kim Jong-Un é ditador norte-coreano desde 2011. Será líder da ditadura hereditária até morrer ou transferir o poder a um dos herdeiros.

Poder de verdade

Lula ficará encarregado de indicar ao menos outros quatro ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no próximo mandato. Terá oito de onze.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/reeleicao-iguala-lula-a-tiranos-que-buscam-se-perpetuar-no-poder

Freire classifica de ‘golpe de Estado’ Zanin prorrogar votação a pedido de Lula

Freire comandou o Cidadania por 30 anos Foto: ABr

O ex-senador, ex-deputado e ex-ministro da Cultura Roberto Freire (Cidadania), um dos políticos mais experientes do Brasil, classificou como “golpe de Estado” a decisão monocrática do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prorrogação do horário de votação do segundo turno das eleições de 2026 até as 19h (horário de Brasília) em todo o País.

Em postagem na rede social X neste domingo (25), Freire afirmou que a medida — tomada a pedido da coligação do presidente e candidato à reeleição Lula (PT) — “usurpa a competência constitucional do Tribunal Superior Eleitoral” e configura golpe. O político ainda acusou Zanin de cometer “evidente crime de responsabilidade”.

Para Rooberto Freire, a decisão de Zanin “gera um clima próprio para um golpe de estado promovido por uma decisão monocrática e usurpadora da competência constitucional do TSE”, reiterou.

A decisão de Zanin atendeu a pedido de urgência protocolado pela coligação petista, que apontou redução significativa da frota de ônibus e dificuldades de deslocamento de eleitores em diversos municípios, com destaque para Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas (BA), além de São Paulo e outras capitais. Na capital baiana, a Justiça Eleitoral chegou a determinar a prisão do secretário municipal de Mobilidade. O pedido inicial se referia a localidades específicas, mas Zanin estendeu a prorrogação para todas as seções do Brasil.

Pouco depois, o ministro esclareceu que a prorrogação vale apenas para as seções em que as urnas eletrônicas ainda estavam abertas no momento da decisão. Nas que já haviam sido fechadas, os votos serão computados e totalizados normalmente, sem possibilidade de reabertura dos equipamentos. O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, emitiu ofício orientando os Tribunais Regionais Eleitorais no mesmo sentido: as seções ainda abertas devem permanecer em funcionamento até as 19h.

A decisão provocou confusão operacional em vários estados. Parte das seções já havia encerrado a votação, impresso boletins de urna e iniciado o processo de transmissão quando a ordem chegou, inclusive no Distrito Federal e em Santa Catarina. A apuração nacional foi pausada temporariamente. A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) também havia solicitado extensão de horário ao TSE em municípios afetados por chuvas e alagamentos, mas de forma mais restrita.

A medida monocrática de Zanin — indicado ao STF pelo próprio Lula — gerou críticas de interferência na competência da Justiça Eleitoral. Integrantes do TSE manifestaram irritação com o que consideram sobreposição de atribuições, especialmente porque a decisão saiu muito próxima ou após o horário legal de encerramento (17h). Freire, político com longa trajetória (foi constituinte, candidato a presidente em 1989 e ministro da Cultura no governo Temer), reforçou essa linha ao classificar o ato como usurpação de competência e crime de responsabilidade.

Até o fechamento desta reportagem, não havia posicionamento oficial do STF ou de Zanin sobre a acusação de Freire. A prorrogação limitada às urnas ainda abertas e a orientação do TSE buscam minimizar os efeitos práticos da decisão tardia, mas o episódio alimenta o debate sobre o equilíbrio entre a garantia do direito de voto e a autonomia da Justiça Eleitoral no dia do pleito.Ver Comentários

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/ttc-brasil/roberto-freire-chamou-de-golpe-de-estado-zanin-prorrogar-votacao-a-pedido-de-lula

Celina supera mentiras e misoginia para ser a primeira mulher eleita governadora do DF

Celina Leão foi reeleita governadora do Distrito Federal no 2º turno (Foto: Redes Sociais)

A governadora Celina Leão (PP) foi reeleita neste domingo (25) para um mandato completo de quatro anos à frente do Palácio do Buriti, ao lado do vice Gustavo Rocha (Republicanos), com cerca de 57,2% dos votos válidos contra 42,8% de Leandro Grass (PT), segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral com mais de 90% das urnas apuradas. A vitória consolida a permanência de um grupo político de centro-direita no comando do Distrito Federal e representa a primeira eleição direta de uma mulher para o cargo na história da capital federal.

Celina, que assumiu o governo em março de 2026 após a renúncia de Ibaneis Rocha (MDB), chegou perto da vitória já no primeiro turno (4 de outubro), com 49,93% dos votos válidos (825.530), a poucos votos da maioria absoluta. No segundo turno, manteve a liderança desde as primeiras parciais e ampliou a vantagem, contando com apoio de nomes como Michelle Bolsonaro e Bia Kicis (ambas do PL, eleitas ao Senado) e alinhamento à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. A campanha ocorreu em contexto de polarização nacional, paralelo à disputa presidencial.

A disputa foi marcada desinformação e ataques. Celina e sua campanha denunciaram intensificação de “campanha do medo”, disseminação de notícias falsas, cartazes com número eleitoral incorreto (associando-a ao 22, em vez do 11) e outros materiais de ataque. Ela afirmou que o adversário recorreu a mentiras e desinformação, especialmente em grupos de servidores e na reta final, e acionou a Justiça Eleitoral e a Polícia. O TRE-DF até concedeu direito de resposta a Celina por afirmações consideradas inverídicas em propaganda do adversário. Ambos os lados registraram queixas e a campanha teve embates judiciais e na imprensa.

Em seu primeiro discurso após a confirmação da vitória, Celina destacou o marco de uma bancada feminina nos principais cargos majoritários do DF e declarou que governará “para todos”, buscando transformar a capital em modelo para o Brasil. A reeleição ocorre em um cenário em que o eleitorado local optou pela continuidade de uma gestão associada ao espectro de centro-direita, em contraste com o candidato do PT, apoiado por Lula.

O resultado reforça a tendência observada em parte das disputas estaduais de 2026, em que candidaturas alinhadas a posições mais à direita ou de centro-direita obtiveram vitórias em alguns estados, enquanto a esquerda registrou derrotas em outras frentes. A gestão de Celina enfrentará desafios como questões orçamentárias, o Banco de Brasília e demandas por serviços públicos, temas centrais na campanha.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/csa-brasil/celina-supera-mentiras-e-misoginia-para-ser-a-primeira-mulher-eleita-governadora-do-df

Lula reeleito terá de negociar com Congresso dominado pela direita em 2027

Lula reeleito terá um quarto mandato em convivência com uma composição de Congresso majoritariamente conservador. (Foto: Joedson Alves/EFE)

Reeleito neste domingo (25) para um quarto mandato à frente da Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá de enfrentar desafios para colocar sua agenda em prática a partir de 2027. Com a direita fortalecida no Congresso, o petista precisará negociar com partidos do Centrão e buscar apoio além de sua base para aprovar propostas econômicas e avançar em sua agenda política.

A composição da Câmara dos Deputados e do Senado será um dos principais condicionantes do novo mandato. Embora a vitória nas urnas dê a Lula mais quatro anos no Palácio do Planalto, ela não garante maioria parlamentar para sustentar suas iniciativas. A oposição espera que a correlação de forças no Legislativo imponha limites ao governo e exija concessões nas negociações com deputados e senadores. 

O Partido Liberal (PL), do ex-presidente Jair Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro, terá a maior bancada da Câmara dos Deputados e do Senado a partir de fevereiro de 2027. A legenda elegeu 121 deputados federais e 19 senadores em outubro e deverá iniciar a próxima legislatura com 28 integrantes na Casa Alta, ampliando o peso da oposição. 

Além de liderar as bancadas nas duas Casas, o partido pretende conquistar a presidência do Senado, hoje ocupada por Davi Alcolumbre (União-AP), que busca a reeleição. Entre os nomes cotados para disputar o cargo está o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial derrotada de Flávio. 

A escolha do próximo presidente do Senado será estratégica para a relação entre o Legislativo e o Planalto. Além de influenciar a definição da pauta de votações, o comando da Casa tem papel relevante no encaminhamento de propostas de interesse do governo e da oposição. 

O Senado também terá papel decisivo na escolha dos próximos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Durante o mandato que começa em 2027, Lula poderá indicar ao menos quatro integrantes para a Corte: um para a vaga de Luís Roberto Barroso e outros três para substituir Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes, que deverão atingir a idade de aposentadoria compulsória até 2030. 

A indicação do advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, para o lugar de Barroso foi rejeitada pelos senadores em abril deste ano — uma derrota histórica imposta a Lula que, no entanto, já havia sinalizado a intenção de mandar mais uma vez o nome do atual AGU para a vaga na Corte após o período eleitoral. 

 Sem maioria no Congresso, Lula vai depender de acordo com o Centrão  

Na falta de uma maioria própria no Congresso, Lula deverá recorrer à negociação com partidos do Centrão para aprovar as principais propostas do governo a partir de 2027. A estratégia exigirá concessões na articulação política e na composição do governo, em um Legislativo no qual partidos de direita terão bancadas numerosas e capacidade de influenciar votações. 

A relação com o Centrão foi uma das marcas dos mandatos anteriores do petista e deverá continuar sendo importante para a governabilidade. Formado por partidos de diferentes orientações, o bloco não atua necessariamente de maneira uniforme: o apoio a cada proposta depende dos interesses das legendas, das negociações com o Executivo e das prioridades de suas lideranças.  

Neste cenário, a principal moeda de troca será a liberação de emendas parlamentares, cuja estimativa é somar R$ 57 bilhões no ano que vem, além da abertura de espaço em órgãos e ministérios da gestão petista. O Orçamento de 2027 ainda depende de aprovação por parte do Congresso Nacional. 

A federação PT-PCdoB-PV terá 88 deputados, dos quais 70 são do PT. Somadas às bancadas de PSOL-Rede, PSB e PDT, as legendas tradicionalmente associadas à esquerda e à centro-esquerda chegam a 124 cadeiras, cerca de 24% da Câmara. 

Já partidos como União Brasil e PP, que formam a federação União Progressista, elegeram 87 deputados. PSD, Republicanos e MDB terão, respectivamente, 43, 41 e 36 representantes. Juntas, essas legendas somam 207 cadeiras. 

Neste caso, a reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) para a presidência da Câmara estará entre os pontos de negociação do presidente com os deputados. Na outra Casa do Legislativo, o PT terá nove senadores, enquanto partidos como MDB, União Brasil, PP, PSD e Republicanos, frequentemente incluídos no Centrão, somarão cerca de 30 parlamentares. 

Assim como na Câmara, a expectativa é de que a reeleição de Davi Alcolumbre seja imposta ao partido de Lula como troca de apoio às pautas do Executivo. “Quando a gente vai governar, governa com as instituições existentes. (…) Todo mundo fica assustado quando eu viajo e falo que sou presidente de um país em que o meu partido só tem 70 deputados em 513 e só 9 senadores em 81. E nós aprovamos tudo o que a gente quis aprovar, inclusive uma reforma tributária que há 40 anos se tentava”, afirmou Lula.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/lula-reeleito-tera-de-negociar-com-congresso-dominado-pela-direita-em-2027/

Lula permanece no poder e Zanin tumultua a eleição

Apoiadores de Lula comemoram a vitória do petista no Rio de Janeiro. (Foto: ChatGPT sobre foto de André Coelho/EFE)

O brasileiro votou, as urnas foram fechadas, e o presidente Lula conquistou a reeleição ao terminar a apuração do segundo turno neste domingo com 51,8% dos votos válidos, contra 48,2% de seu adversário, Flávio Bolsonaro. Em condições normais, o Brasil estaria apenas comentando as perspectivas para o país (que, como afirmamos muitas vezes, estão muito longe de ser das melhores) e analisando as possíveis razões para uma virada que jamais havia ocorrido na história do país desde que a eleição em dois turnos foi criada, após a redemocratização. Seria uma eleição como tantas outras que o Brasil já viveu, com um resultado a lamentar profundamente como já aconteceu tantas outras vezes, se o processo também não tivesse sido tumultuado por uma deplorável manobra judicial, pelas mãos do ex-advogado de Lula e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin.

Flávio Bolsonaro conseguiu 3,7 milhões de votos a mais em comparação com o primeiro turno, mas Lula elevou sua votação em cerca de 10 milhões. A abstenção caiu em quase 2 pontos porcentuais, e reduzir a quantidade de brasileiros que não votaram foi uma das prioridades da campanha petista. Mas quem haverá de negar o efeito dos R$ 300 bilhões a R$ 400 bilhões em medidas eleitoreiras anunciadas ou prometidas por Lula nos últimos meses, semanas e até dias que antecederam o segundo turno? Ou da irracional campanha de medo que associava uma vitória de Flávio ao fim de benefícios e direitos protegidos pela Constituição?

Quem haverá de negar o efeito dos R$ 300 bilhões a R$ 400 bilhões em medidas eleitoreiras anunciadas ou prometidas por Lula nos últimos meses, semanas e até dias?

Que ninguém se iluda: assim como aconteceu em 2015, após a reeleição de Dilma Rousseff, as consequências de uma política econômica completamente temerária chegarão – e nos parece improvável que a campanha petista seja responsabilizada no futuro por tanta compra de votos, deixando para todos os próximos governantes a mensagem de que a irresponsabilidade compensa. É verdade que, no fim das contas, Lula será o herdeiro da herança maldita deixada por ele mesmo, mas isso só poderia ser lido como algo positivo se não viesse à custa de uma provável crise que trará dor a dezenas de milhões de brasileiros, independentemente de quem tenham escolhido neste domingo.

Mas, se não hesitamos em dizer que o dinheiro do pagador de impostos e as previsões apocalípticas deram a Lula a vitória, não podemos deixar de mencionar a atuação de Cristiano Zanin nos momentos que deveriam ter sido os minutos finais do pleito. Sua decisão de prorrogar por duas horas a votação em todo o país, após pedidos da campanha petista nesse sentido não terem recebido resposta do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nunes Marques, provocou um caos inédito em uma história eleitoral recente que já não é exatamente um exemplo de tranquilidade. O gabinete de Zanin divulgou a decisão apenas às 17h03, quando as urnas nas seções que não tinham eleitores esperando para votar já deveriam estar fechadas – há dúvidas muito razoáveis sobre o instante exato da assinatura da decisão, que poderia inclusive apontar não para uma prorrogação, mas para uma reabertura da votação. Tribunais Regionais Eleitorais no país inteiro foram pegos de surpresa, e Zanin publicou uma espécie de esclarecimento, afirmando que as seções já fechadas assim permaneceriam, e aquelas que haviam recebido a decisão a tempo deveriam seguir abertas até as 19 horas.

Até que ponto as duas horas adicionais, nos locais onde a votação foi prorrogada, contribuíram para a diferença de 4,4 milhões de votos, jamais saberemos. Mas era certo que, caso Flávio saísse vitorioso, as condições para uma anulação estariam dadas, devido às seções em que a ordem teria sido descumprida, ainda que pela mera impossibilidade temporal de fazer valer a decisão, e apesar dos esclarecimentos de Zanin. O recurso, no entanto, nem será necessário, e o Brasil terá mais quatro anos de petismo no poder, até porque quaisquer contestações feitas pela campanha de Flávio Bolsonaro, por mais bem embasadas que possam estar na legislação eleitoral, têm chance nula de prosperar no TSE ou no STF.

A nova interferência de Zanin, atropelando o ramo da Justiça responsável por monitorar o processo eleitoral e garantir sua lisura, só reforça o caráter prioritário que o fim da juristocracia deve ter para o Congresso eleito – que terá de atuar sozinho, sem o apoio do Poder Executivo. Deputados e senadores serão os únicos com a capacidade de proteger o país, conduzindo o impeachment dos ministros indignos, resistindo a novas indicações lulistas e expondo ao país a enorme lista de abusos do STF. Lula, aliado que é da banda chicaneira do Supremo, tentará manter na presidência da Câmara e do Senado aqueles que têm bloqueado os processos contra ministros por crime de responsabilidade e a abertura da CPI do Abuso de Autoridade. É hora de se reagrupar e se preparar para esta próxima batalha.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/lula-reeleito-economia-stf-zanin/

Diferença de votos na vitória de Lula sobre Flávio dificulta anulação da eleição

Flávio Bolsonaro (PL) anunciou que contestará resultado da eleição presidencial. (Foto: André Borges/EFE)

A diferença de mais de 4,4 milhões de votos que deu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a vitória sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial torna mais difícil uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que anule a eleição. Além da demonstração de que o prejuízo foi maior que essa diferença, uma decisão do tipo tem alto impacto político e institucional e é complexa por exigir uma nova votação.

A hipótese de anulação do segundo turno foi levantada no meio jurídico em Brasília após a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que estendeu o horário de votação para as 19h, dando aos eleitores de todo o país duas horas a mais para comparecer às urnas.

O pedido foi apresentado pelo PT, que apontou dificuldade de eleitores chegarem às seções por falta de transporte público, especialmente no Nordeste.

Flávio Bolsonaro contesta resultado e acusa quebra de isonomia na votação

Após a proclamação do resultado, o próprio Flávio anunciou que contestará o resultado. Classificou a decisão de Zanin como “inaceitável” e “sacanagem”.

“Um ministro da Suprema Corte, pela primeira vez na história, ex-advogado do Lula, dá uma canetada a pedido de um ex-sócio dele, e muda a regra do jogo no meio do jogo. Às 17h01, o ministro Zanin, que não faz parte da Tribunal Superior Eleitoral, atropelando a Justiça especializada, toma uma decisão prorrogando por duas horas as eleições. Isso nunca tinha acontecido na história do Brasil”, afirmou em pronunciamento.

“Houve um total quebra de isonomia, entre os brasileiros de diversas cidades e diferentes estados. Eu nunca vou saber se numa cidade onde as urnas não foram reabertas, quantos votos eu poderia ter”, disse ainda, falando depois da possibilidade de anulação da eleição. “É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram.”

Segundo Flávio, fiscais do PL foram retirados da sala-cofre do TSE após a decisão de Zanin. “Então, existe muita coisa para ser esclarecida antes de o Brasil simplesmente reconhecer essa sacanagem que aconteceu agora nessas eleições. Eu não vou desistir do meu Brasil, espero que você que está me assistindo também não desista.”

O Código Eleitoral fixa o encerramento da eleição às 17h e diz que “é nula a votação […] quando realizada em dia, hora, ou local diferentes do designado ou encerrada antes das 17 horas”.

Nos bastidores, ministros do STF apontaram fragilidade na decisão de Zanin, especialmente por ter sido proferida após as 17h e atropelando o próprio TSE, cujo presidente, Kassio Nunes Marques, ainda analisava a questão. À tarde, ele anunciou que os Tribunais Regionais Eleitorais estavam mobilizados para facilitar o transporte de eleitores, especialmente de regiões afastadas, como indígenas e ribeirinhos.

Presidente do TSE diz que decisão de Zanin colocou apuração em risco

À noite, ao proclamar o resultado, Nunes Marques queixou-se da dificuldade criada pela decisão que, segundo ele, colocou em risco a totalização dos votos – a apuração teve que começar às 19h, após o efetivo encerramento da votação.

“Isso gerou uma contenção extraordinária nos boletins de urna. Não sabíamos ao certo se teríamos a capacidade de armazenar todos esses dados. Tudo foi inusitado”, disse. No entanto, em seguida afirmou que a decisão foi cumprida estritamente pelo TSE e Justiça Eleitoral, que empregou esforços para não comprometer a totalização.

“Na verdade, não houve problema – conseguimos contornar todas essas dificuldades de última hora. Fizemos a contenção de todos os pacotes de boletim de urna do Brasil e, após as 19h, conseguimos dar uma fluência e ritmo que evitasse qualquer tipo de problema técnico. Mesmo diante de todas essas circunstâncias que se fizeram necessárias e fomos absolutamente exitosos. Temos absoluta segurança de todo o processo eleitoral”, disse.

No momento em que a decisão de Zanin foi comunicada, boa parte das seções já havia encerrado a votação e não era mais possível reabrir a votação na urna eletrônica. Algumas seções puderam usar cédulas para garantir o cumprimento da decisão do STF.

Diferença de 4,4 milhões de votos dificulta anulação, avaliam especialistas

Para especialistas em direito eleitoral consultados pela Gazeta do Povo, além do descumprimento da regra do Código Eleitoral, haveria argumentos relevantes para Flávio impugnar o resultado, se conseguir provar que sofreu prejuízo.

Seria o caso de demonstrar, por exemplo, que a medida beneficiou mais Lula, que fez um apelo para a extensão, especialmente para possibilitar a votação de eleitores do Nordeste, onde concentra votos.

O problema é que a campanha de Flávio também pediu a extensão após o PT, para viabilizar a chegada às seções de eleitores que tiveram dificuldades para votar na região Sul, atingida por chuvas e onde ele tem base eleitoral forte.

Para a advogada e professora de direito eleitoral Marilda Silveira, uma anulação da eleição é quase impossível nessas circunstâncias.

“Ambos os candidatos pediram adiamento para o presidente do TSE por conta de intercorrências – por exemplo, chuvas em MG e problema de transporte na BA. Não dá para dizer que a decisão favoreceu uma ou outra campanha. O que ela favoreceu foi o comparecimento eleitoral – portanto, a soberania popular. Não é comum, nem é o ideal. Mas são escolhas difíceis. E é melhor escolher aquilo que favoreça o voto”, diz.

Outros juristas afirmam que a decisão de Zanin certamente gerará questionamentos, mas também consideram remota a chance de realização de um novo segundo turno.

“Não tenho dúvida que haverá um pedido, qualquer que fosse o derrotado, em razão da confusão do horário do fechamento das urnas. Mas se isso vai parar de pé ou não, quer dizer, se é um argumento que faz sentido ou não, depende muito dos números. Um resultado muito acirrado, muito próximo, poderia dar força para o argumento”, diz o advogado eleitoral Fernando Neisser.

Outra hipótese que poderia dar força à ação, para ele, é a demonstração, no mapa de votação, que estados que favorecem determinado candidato, as urnas na média fecharam às 17h, enquanto estados que favorecem o adversário fecharam às 19h.

O advogado eleitoral Carlos Enrique Bastos também considera provável uma contestação, mas entende que a decisão do STF prevalecerá. “O assunto já está no STF. O TSE só fará figuração. Mesmo que o impacto real da decisão do Zanin possa ser discutível em termos práticos, será o mote de Flávio para pedir a nulidade por interferência judicial”, diz.

“Mas acho que a chance de virar o cenário no judiciário é muito remota. Por outro lado, Lula usou e abusou da máquina nesse semestre. A pressão das ações no TSE será enorme”, diz Bastos.

Arthur Rollo concorda que as ações de Flávio contra Lula, já em andamento no TSE, que apontam abuso de poder político por uso da máquina do governo, deverão pressionar mais a Corte pela cassação do mandato e inelegibilidade, penas aplicadas em caso de condenação. Durante a campanha, Lula aumentou o valor do Bolsa Família, anunciou programas contra o endividamento e ampliação de benefícios sociais.

“A extensão do horário da votação não é o pior dos problemas. O pior foi o uso da máquina nas eleições. Houve claro uso da máquina nas eleições. Então isso é bem pior do que estender o resultado da eleição”, afirma o advogado.

Quanto à possibilidade de anular a votação, Rollo também expressa ceticismo. “Acho que no Tribunal Superior Eleitoral não vinga, porque a maioria lá não é a favor do Flávio e não tem precedente na história nacional de cassação de presidente eleito. Então, acho dificílimo reverter o resultado da eleição, embora, na minha concepção, tenha muitos motivos. Mas tem motivos também em relação ao Flávio. Os dois abusaram, na minha opinião”, diz Rollo.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/diferenca-de-votos-na-vitoria-de-lula-sobre-flavio-dificulta-anulacao-da-eleicao/

Flávio Bolsonaro diz que não reconhece resultado e vai pedir anulação da eleição

O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que não reconhece o resultado do segundo turno e que vai pedir a anulação da eleição. O pronunciamento foi feito por volta das 22h40 deste domingo (25). A decisão do candidato do PL ocorre em razão da decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou por duas horas o período de votação.

O senador classificou a medida como “inaceitável” e disse que não reconhece o resultado eleitoral nas circunstâncias em que o pleito foi realizado. “É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram”, disse.

Flávio Bolsonaro salientou que a decisão foi tomada às 17h01. O senador criticou a atuação do ministro, já que ele não integra o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele acusou o magistrado de interferir nas atribuições da Justiça Eleitoral.

“Um ministro da Suprema Corte, pela primeira vez na história, ex-advogado do Lula, dá uma canetada a pedido de um ex-sócio dele, e muda a regra do jogo no meio do jogo”, declarou.

O senador lembrou que Zanin foi advogado de Lula e afirmou que o ministro deu “uma canetada” e mudou “a regra do jogo no meio do jogo”. O candidato afirmou também que “isso nunca tinha acontecido na história do Brasil”

Zanin atendeu a um pedido da coligação de Lula, que apontou problemas com o transporte público em pelo menos nove estados: São Paulo, Alagoas, Pernambuco, Roraima, Piauí, Paraíba, Pará, Paraná e Rio de Janeiro. Embora o pedido tratasse dessas unidades da federação, a decisão valeu para todo o Brasil.

Flávio argumentou que a prorrogação teria provocado uma quebra de isonomia entre eleitores de diferentes cidades e estados, uma vez que nem todas as localidades tiveram as urnas reabertas. Para o senador, a medida comprometeu a igualdade de condições entre os participantes da eleição. “Eu nunca vou saber se numa cidade onde as urnas não foram reabertas, quantos votos eu poderia ter”, afirmou.

Ele disse ainda que fiscais do PL foram retirados da sala-cofre a partir do momento em que a decisão de prorrogar a votação foi tomada.

O pronunciamento de Flávio ocorreu na casa em que ele acompanhou a apuração dos votos, no Lago Sul, em Brasília. Estavam ao lado dele o candidato a vice na chapa, deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), a senadora eleita Bia Kicis (PL-DF), o senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP) e o coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN).

O deputado federal reeleito Nikolas Ferreira (PL-MG) e a coordenadora econômica da campanha, Daniella Marques, ex-presidente da Caixa, também estavam próximos.

Confira a declaração de Flávio Bolsonaro na noite deste domingo

“O que aconteceu hoje não foi algo normal. Um ministro da Suprema Corte, pela primeira vez na história, ex-advogado do Lula, dá uma canetada a pedido de um ex-sócio dele, e muda a regra do jogo no meio do jogo. Às 17 horas e 1 minuto, o Ministro Zanin, que não faz parte do Tribunal Superior Eleitoral, atropelando a justiça especializada, toma uma decisão prorrogando por duas horas as eleições. Isso nunca tinha acontecido na história do Brasil.

Houve uma quebra total de isonomia entre os brasileiros de diversas cidades e de diferentes estados. Eu nunca vou saber se em algum estado onde as urnas não foram reabertas, quantos votos eu poderia ter. É inexplicável o que aconteceu. Inclusive nas palavras de algum ministro aí que a própria imprensa publicou, que as eleições deveriam ter sido anuladas, nas condições que as coisas aconteceram nesse momento.

E o que eu tenho que falar aqui agora é que é impossível, é impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram. Nós vamos usar o nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições. Não vou aceitar que a regra do jogo tenha sido mudada em cima do jogo, mais uma vez, pelos amigos do Lula do Supremo Tribunal Federal.

É inexplicável que isso tenha acontecido. As coisas acontecem do nada a pedido de um ex-sócio do próprio Zanin, e ele atende a um pedido por cima da justiça eleitoral. E outra coisa, detalhe que poucos sabem aqui: os nossos fiscais do PL foram retirados de dentro da sala-cofre a partir do momento que essa eleição foi tomada.

Então tem muita coisa para ser esclarecida antes de o Brasil simplesmente reconhecer essa sacanagem que ocorreu agora nessas eleições. Eu não vou desistir do meu Brasil. Espero que você queira desistir também não desista. Obrigado”.

Campanha de Flávio pediu prorrogação do prazo de votação ao TSE

A campanha de Flávio também pediu a prorrogação da votação neste domingo, mas fez a solicitação ao TSE, e não ao STF. O pedido foi encaminhado ao presidente da Corte Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, e previa a extensão do horário até as 19h em municípios de São Paulo, do Paraná e de Santa Catarina, entre eles a capital paulista e Curitiba, por causa de chuvas, alagamentos, interdições e quedas de energia.

A defesa do senador pediu ainda que a divulgação dos resultados só começasse após o encerramento da votação nessas cidades. Mas a liminar de Zanin, do STF, estendeu o horário em todo o país.

Números da eleição

Antes da fala do candidato, aliados conversaram com a imprensa. O senador eleito Mauro Mendes (União Brasil-MT) disse que “os números nos parecem um pouco estranhos”.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) garantiu matematicamente a reeleição às 21h08, com 97,69% das urnas apuradas, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Naquele momento, Lula tinha 62.641.973 votos, 51,74% dos válidos, contra 58.436.437 de Flávio, 48,26%.

Com 100% das urnas apuradas, Lula registrou 51,79% dos votos válidos (64.256.232 votos), e Flávio Bolsonaro ficou com 48,21% (59.826.041 votos).

No primeiro turno de 2026, o senador havia terminado à frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/flavio-bolsonaro-pronunciamento-anulacao-eleicao/

Imprensa internacional repercute vitória de Lula e destaca confusão após decisão de Zanin

Imprensa internacional repercutiu vitória de Lula no Brasil. (Foto: EFE/Andre Borges)

A vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições brasileiras, realizado neste domingo (25), virou destaque na imprensa internacional.

Jornais dos Estados Unidos, da Europa e da América Latina ressaltaram a virada do petista, que havia terminado o primeiro turno atrás de Flávio, e avaliaram os efeitos do resultado sobre o avanço da direita no continente e a influência do presidente americano, Donald Trump.

A cobertura estrangeira também destacou a confusão na eleição provocada pela decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de prorrogar a votação até as 19h, quando diversas seções eleitorais já haviam encerrado os trabalhos.

Veículos como o argentino La Nación, o espanhol El País e a agência americana Associated Press mencionaram os questionamentos à medida, a suspensão temporária da apuração e a possibilidade de contestações judiciais.

Lula conquistou seu quarto mandato presidencial com cerca de 51,7% dos votos válidos, contra 48,2% de Flávio Bolsonaro, com 99,9% das urnas apuradas. O resultado representa uma virada inédita desde a redemocratização, já que nenhum candidato que havia ficado em segundo lugar na primeira votação tinha conseguido vencer o segundo turno presidencial.

Imprensa estrangeira destaca virada de Lula e impacto para Trump

O jornal americano The Washington Post destacou o resultado como uma interrupção da sequência de vitórias eleitorais da direita na América Latina. O veículo ressaltou que o presidente Lula conseguiu reverter a vantagem obtida por Flávio Bolsonaro no primeiro turno, quando o senador terminou à frente por mais de dois milhões de votos. Segundo o jornal, o resultado impediu que o maior país da América Latina se somasse aos governos da região politicamente alinhados à direita.

A agência Reuters também classificou a vitória de Lula como uma recuperação eleitoral surpreendente. Na reportagem publicada após a confirmação do resultado, a agência destacou que Lula contrariou as pesquisas deste segundo turno e interrompeu uma sequência de vitórias da direita em países latino-americanos.

A Reuters avaliou ainda que a derrota de Flávio Bolsonaro impede Trump de conquistar um novo aliado regional. Ao mesmo tempo, a agência chamou atenção para as dificuldades que Lula encontrará no Congresso, onde o PL e seus aliados ampliaram a presença parlamentar.

Na Espanha, o jornal El País destacou que a reeleição de Lula representa uma “resistência política à ampliação da influência de Trump na América Latina”.

O jornal também chamou atenção para o cenário que Lula encontrará a partir de 2027. Apesar de vencer a Presidência, o petista terá de governar com um Congresso dominado por forças de oposição de direita, enquanto a maior parte dos países vizinhos também é comandada por presidentes de direita.

No Reino Unido, o The Guardian destacou a recuperação eleitoral de Lula depois de três semanas de campanha. A publicação também ressaltou o crescimento da participação eleitoral no Brasil, com a abstenção caindo de 21,08% no primeiro turno para 19,21% no segundo. O jornal britânico avaliou ainda que a derrota de Flávio representa um revés para Trump, aliado internacional da família Bolsonaro.

Jornais também repercutem confusão após decisão de Zanin

Na Argentina, o La Nación destacou que a decisão do ministro Zanin foi anunciada quando a contagem de votos já havia começado. A publicação citou que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) precisou interromper a divulgação dos resultados, enquanto escolas utilizadas como locais de votação já estavam fechadas e algumas urnas haviam emitido seus boletins.

A reportagem também lembrou que Zanin atuou como advogado de Lula antes de ser indicado pelo presidente ao STF, em 2023. O jornal registrou as críticas do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, à decisão.

O La Nación também tratou das consequências internacionais da eleição. O jornal apontou que a vitória de Lula impede a entrada do Brasil no grupo de governos alinhados a Trump na América Latina e cria um cenário de incerteza para as relações com a Argentina, governada por Javier Milei, que apoiou Flávio Bolsonaro durante a campanha.

A cobertura destacou ainda que o resultado mantém o Brasil fora da iniciativa contra o crime organizado Escudo das Américas, liderada pelos Estados Unidos, e preserva a posição contrária do governo Lula à classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.

Nos Estados Unidos, a Associated Press também destacou a reeleição de Lula e a confusão nos locais de votação gerada pela decisão de Zanin. A agência relatou que a decisão de Zanin foi tomada minutos antes do encerramento previsto para as 17h, mas chegou a algumas seções quando os trabalhos já haviam terminado. A Associated Press afirmou que a decisão poderá provocar questionamentos judiciais por parte de Flávio Bolsonaro.

O britânico Financial Times também repercutiu o resultado, destacando que Lula conquistou a reeleição em uma disputa apertada e “contrariou as expectativas” após ter ficado atrás de Flávio Bolsonaro no primeiro turno.

Na análise do jornal, a vitória dificulta os planos de Trump de ampliar sua rede de aliados na América Latina, mas não elimina os obstáculos políticos e econômicos do novo governo. O veículo apontou a dívida pública elevada do Brasil, as dificuldades fiscais e o fortalecimento da oposição no Congresso como desafios para este quarto mandato de Lula. O jornal também mencionou a controvérsia envolvendo a prorrogação da votação pelo STF.

FONTE: DP https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/imprensa-internacional-repercute-eleicao-lula-brasil-confusao-decisao-zanin/

Advogado de Trump pede investigação independente sobre eleição no Brasil: “Maior virada da história ou fraude”

Advogado da Trump Media questionou determinação de Zanin para prorrogar votação até as 19 horas (Foto: André Borges/EFE)

O advogado americano Martin De Luca, que representa a Trump Media (empresa de mídia do presidente dos EUA, Donald Trump) e a plataforma de vídeos Rumble, fez nesta segunda-feira (26) uma série de posts no X sobre a eleição presidencial no Brasil.

De Luca, crítico do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e que durante a campanha manifestou apoio a Flávio Bolsonaro (PL), falou especialmente sobre a determinação do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de prorrogar o horário da votação até as 19 horas de Brasília.

Posteriormente, o ministro e o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, disseram que a extensão do prazo valia exclusivamente para as seções eleitorais que ainda estavam com as urnas abertas às 17 horas.

“A ‘Janela Zanin’: duas horas que merecem uma investigação completa e independente”, escreveu De Luca.

Em outro post, o advogado da Trump Media afirmou que Lula “perdeu por 11 milhões de votos há duas semanas” – na verdade, no primeiro turno, disputado em 4 de outubro, o petista ficou atrás de Flávio em pouco mais de 2 milhões de votos.

“A maior virada na história da humanidade… ou uma fraude facilitada por uma intervenção sem precedentes de um juiz de uma corte que não tinha competência jurisdicional sobre o caso e que, inclusive, já foi advogado da campanha de Lula [em 2022]”, disse De Luca.

Em um post separado, De Luca falou de um comentário feito pela jornalista Mônica Bergamo na Band News, apontando que, segundo uma fonte no TSE, estender a votação além das 17 horas exigiria reprogramar cerca de 490 mil urnas, uma a uma, pelos mesários.

“Como eles acharam que isso passaria despercebido? Esse pessoal está fora de controle”, acusou De Luca.

“A apuração de Mônica Bergamo levanta uma questão fundamental. Será que Zanin determinou a extensão do horário de votação em todo o país sem sequer verificar se isso era, de fato, exequível?”, escreveu o advogado em outra postagem.

“Se a extensão exigia uma intervenção individual em centenas de milhares de urnas (490 mil), as autoridades precisam esclarecer, com precisão, quais instruções foram dadas, quais alterações foram feitas e onde. A afirmação de que ‘seria necessária uma reprogramação’ exige uma explicação detalhada e documentada sobre o que aconteceu”, afirmou De Luca.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/advogado-trump-pede-investigacao-independente-sobre-eleicao-brasil/

TSE responde Flávio e diz que fiscais do PL não foram retirados da sala-cofre

Corte diz que não há acesso ao local, mas alega que visitação do público a outras unidades permaneceu aberta. (Foto: LR Moreira/Secom/TSE)

A assessoria de comunicação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) usou seu serviço de checagem “Fato ou Boato” para rebater a alegação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de que fiscais do PL teriam sido retirados da sala-cofre da Corte após às 17h, horário previsto para o encerramento do segundo turno das eleições, que acabou sendo prorrogado.

Na notícia, o órgão chamou Flávio de “candidato não eleito” e disse expressamente que “a afirmação é falsa”. Detalhou que a sala-cofre não fica aberta para a visitação pública, mas todas as outras permanecem disponíveis até a divulgação dos resultados. O TSE também diz ter filmagens da sala de totalização que comprovam o acesso livre dos fiscais do partido até o final das apurações.

A notícia acrescenta que os fiscais acompanharam o teste de integridade das urnas eletrônicas e visitaram a sala dos partidos. Ao longo do texto, há a citação dos andares do prédio em que ficam esses recursos. Ao final, destaca o anúncio dos resultados pelo presidente do TSE, Nunes Marques.

Relembre a controvérsia envolvendo Zanin e o resultado das eleições

Ex-advogado pessoal de Lula, Zanin mandou prorrogar votação após o fechamento de algumas urnas. A decisão gerou questionamentos e Flávio não reconheceu o resultado. (Foto: Antonio Augusto/STF)

Pela legislação, as seções abrem às 8h e fecham às 17h do horário de brasília. O TSE recebeu pedidos de ambas as campanhas para prorrogar o prazo. Flávio acionou a Corte às 15h27 pedindo a extensão em 19 municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, alegando chuvas, alagamentos e falta de energia.

Antes disso, às 13h22, o PT pediu a prorrogação em Salvador, Feira de Santana (BA) e Lauro de Freitas (BA), afirmando que problemas de disponibilização das frotas de ônibus teriam prejudicado o acesso às urnas. Pouco mais de duas horas depois, ampliou o pedido para outros locais e estados.

O ponto de virada que gerou a controvérsia veio às 16h22. O partido foi ao Supremo Tribunal Federal (STF) alegando demora injustificada por parte da Corte eleitoral. Inicialmente, pediu a extensão do horário apenas nos municípios inicialmente apontados. Em seguida, incluiu São Paulo e Teresina. Depois, apresentou outra petição, para que a prorrogação fosse nacional.

O pedido foi direcionado ao presidente do Supremo, Edson Fachin, uma vez que ele era o plantonista responsável. Fachin, no entanto, mandou o caso à distribuição. O sorteio levou o caso ao ministro Cristiano Zanin, que decidiu prorrogar nacionalmente a votação pouco depois das 17h.

A decisão causou questionamentos por conta do fechamento de algumas seções. Em seguida, o ministro emitiu uma determinação complementar: as urnas já fechadas deveriam ficar como estavam, e apenas as ainda abertas continuariam a receber eleitores.

Após Lula ser matematicamente eleito, em uma virada inédita na história das eleições, Flávio veio a público anunciar que pediria a anulação da votação. Ele argumentou que a decisão de Zanin gerou insegurança nos resultados e, em meio à fala, trouxe a acusação de retirada da sala-cofre.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/tse-responde-flavio-e-diz-que-fiscais-nao-foram-retirados-da-sala-cofre/

Vitória de Lula provoca disparada do dólar e trava a Bolsa; veja as cotações

Petista venceu após pacote de bondades e mercado reage com pessimismo. (Foto: Sebastiao Moreira/EFE)

A Bolsa brasileira (B3) acionou o circuit breaker e paralisou as negociações logo na abertura, na manhã desta segunda-feira (26), primeiro pregão após a vitória do presidente Lula (PT) nas eleições. É a primeira vez que o mecanismo é acionado desde março de 2020, quando a turbulência provocada pelo início da pandemia levou a uma série de interrupções no mercado brasileiro.

A parada durou mais do que os 30 minutos previstos pela regra. No retorno, atingiu uma queda mais acentuada, de 15,9%, ameaçando um segundo acionamento. O limite para a segunda pausa é de 15%, mas foi flexibilizado para 20% por conta das expectativas estrangeiras.

Para Roberta Folgueral, diretora comercial de câmbio e operações da B&T XP, o mecanismo pode voltar a ser acionado ao longo do dia. Ela avalia que o mercado deve continuar em clima de incerteza, sem um sinal de recuperação nos indicadores ao menos até o final deste primeiro pregão.

“Há ainda um outro aspecto que aumenta a incerteza: as declarações do candidato derrotado, Flávio Bolsonaro, sobre uma possível contestação e anulação do resultado das eleições. Esse tipo de manifestação coloca em dúvida a credibilidade das instituições brasileiras e pode fazer com que o investidor estrangeiro enxergue o Brasil com ainda mais desconfiança”, commpletou.

Dólar sobe e ações caem

A reação negativa também aparece no câmbio. O dólar abriu em alta de 8,65%, a R$ 5,42, ante o fechamento de R$ 4,99 na sexta-feira (23). Menos de uma hora depois da abertura, já chegou ao patamar de R$ 5,60. O Euro, por outro lado, opera perto da estabilidade, na faixa de R$ 5,56.

O movimento é oposto ao registrado após o primeiro turno. Na ocasião, quando Flávio Bolsonaro (PL) terminou à frente, o dólar caiu 4,12% no primeiro pregão após a votação e fechou a R$ 5,00.

A retomada das negociações veio acompanhada de fortes quedas entre as principais ações da Bolsa. Os papéis da Petrobras recuavam mais de 10%, enquanto os do Banco do Brasil despencavam mais de 30%. As ações do Magazine Luiza chegaram a cair mais de 50%. A própria B3 também sofreu forte desvalorização: os papéis B3SA3 recuavam 47,48%.

Entenda o mecanismo que interrompe o mercado financeiro no Brasil

O circuit breaker é acionado quando o Ibovespa cai 10% em relação ao fechamento anterior, interrompendo os negócios por 30 minutos. Se, após a retomada, a perda alcançar 15%, a Bolsa para novamente por uma hora. Aos 20%, a B3 pode determinar uma nova suspensão e definir o período da paralisação.

O Ibovespa, por sua vez, é o principal índice da Bolsa brasileira e acompanha o desempenho de uma carteira formada pelas ações mais representativas negociadas na B3. Quando o índice sobe, significa que essa cesta de empresas se valorizou, em média; quando cai, indica perda de valor. Agora, com a queda desta carteira representativa, todo o mercado abrangido pela B3 para de funcionar.

O último circuit breaker da Bolsa brasileira havia ocorrido em 18 de março de 2020. Naquele mês, o mecanismo foi acionado seis vezes no país. A interrupção das negociações não ficou restrita ao Brasil: Estados Unidos e Canadá também acionaram circuit breakers durante a crise.

Investidores estrangeiros já reagiam com pessimismo antes da abertura

O mercado futuro já havia sinalizado antes da abertura a intensidade da pressão sobre as ações brasileiras. O contrato futuro do Ibovespa atingiu inicialmente o limite de queda de 15%. Diante da forte volatilidade, a B3 ampliou esse limite para 20% e, antes da abertura do mercado à vista, o índice futuro chegou a recuar 19,7%, aos 167 mil pontos.

No exterior, o EWZ, fundo negociado nos Estados Unidos que acompanha ações brasileiras, chegou a despencar cerca de 26% no pré-mercado após a vitória de Lula. O movimento também contrasta com a reação ao primeiro turno, quando o fundo subiu cerca de 12,5% após a liderança de Flávio.

As ações de empresas brasileiras negociadas no exterior também sofrem. As ADRs do Itaú chegaram a cair mais de 26%, para pouco mais de US$ 7, no pré-mercado. As da Petrobras recuaram mais de 20%, para a faixa de US$ 20.

Análises

Analistas veem uma reversão das apostas de que o próximo governo traria um perfil de controle fiscal. Com isso, projetam uma manutenção dos juros altos por mais tempo caso Lula não sinalize que pode mudar de postura no próximo mandato.

A explicação vem da aposta no risco em investir no país. Os analistas apontam que a maior incerteza fiscal leva a uma exigência por remunerações maiores a quem decide aplicar seu dinheiro em ativos brasileiros.

Para William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, a reação representa uma reversão do chamado “trade eleitoral” formado depois do primeiro turno. Na ocasião, a liderança de Flávio Bolsonaro alimentou entre investidores a expectativa de uma política econômica mais favorável ao mercado e de maior compromisso com o equilíbrio fiscal.

“Com isso, aquele trade eleitoral perde força. Estamos vendo uma queda expressiva das ações brasileiras e uma alta considerável do dólar”, afirmou.

Segundo Alves, a reação pode alcançar também a curva de juros, enquanto investidores passam a observar principalmente a condução das contas públicas no próximo governo. “A situação fiscal é central para a percepção de risco de um país e para a trajetória de sua moeda”, disse.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/economia/dolar-dispara-apos-vitoria-de-lula-acompanhe-a-reacao-do-mercado/

Roberto Motta

PT vestiu verde e amarelo no dia da eleição, mas depois do resultado já voltou ao vermelho

No último dia, o dia das eleições do segundo turno, o PT ordenou que seus militantes fossem às urnas vestindo a camisa do seu adversário, a camisa que o PT sempre chamou de símbolo de opressão, a camisa do Brasil. (Foto: Ricardo Stuckert/Secom)

Domingo, no dia da eleição, um problema localizado de transporte de eleitores foi tratado com uma decisão monocrática – de um juiz que não está no TSE e que deveria se declarar impedido por ter sido advogado de um dos concorrentes – que semeou insegurança na eleição mais tensa da história.

Foi uma decisão incompreensível – e inexequível porque, quando a determinação foi divulgada, muitas seções já haviam encerrado a votação.

Às 19:00 começou a apuração. O resultado deu vitória ao PT, que conquista o seu sexto mandato presidencial desde 2003, e com isso o direito de indicar mais quatro ministros à Suprema Corte brasileira, mantendo a linha de ativismo judicial e intervencionismo completo nas outras instituições.

Domingo de manhã, no caminho até a minha seção eleitoral, minha família e eu fomos surpreendidos por um espetáculo estranho: muitas pessoas vestindo a camiseta verde e amarela, e até embrulhadas em bandeira brasileira, com o adesivo do PT ou do número 13 pregado na roupa.

Vermelho é a cor da esquerda desde sempre. É a cor do socialismo, acordo do sangue que corre nas revoluções que os marxistas dizem serem imprescindíveis para que os trabalhadores cheguem no paraíso comunista

O primeiro efeito disso foi confusão. Quando eu vi o primeiro grupo com camisas verde e amarelas, imaginei que se tratava de apoiadores Flávio Bolsonaro. Só quando eu cheguei perto é que vi o adesivo do PT.

Era praticamente impossível encontrar alguém com a tradicional camisa vermelha. Minha primeira reação de estranhamento foi substituída por um pensamento: será que essa súbita mudança de comportamento veio de uma ordem do general daquele exército do PT?

Foi criado um canal com 3,5 ou 7 milhões – dependendo da versão – de gente disposta a obedecer a qualquer comando. Eu imagino que um desses comandos deva ter sido esse: não vá de vermelho.

O resto do meu dia foi gasto tentando imaginar qual seria o objetivo dessa estratégia. Por que os apoiadores de um candidato e de uma ideologia se disfarçariam como apoiadores dos seus adversários? Isso é mais ou menos como se a direção de campanha do Flávio ordenar-se aos seus apoiadores que fossem votar vestidos de vermelho, com um adesivo do 22 por cima.

Vermelho é a cor da esquerda desde sempre. É a cor do socialismo, acordo do sangue que corre nas revoluções que os marxistas dizem serem imprescindíveis para que os trabalhadores cheguem no paraíso comunista.

É lógico que a maioria das pessoas que usam o vermelho não têm ideia disso.

Inúmeros eventos dignos de nota ocorreram nessa campanha eleitoral, uma campanha onde o partido dos trabalhadores – o partido que está no poder há 20 anos e que já elegeu o presidente em cinco mandatos presidenciais – teve liberdade para dizer, fazer e gastar o que quisesse, autorizado por instituições que deveriam fiscalizar e impor limites ao seu comportamento. Tudo o que o presidente Jair Bolsonaro não conseguiu fazer em sua campanha em 2022 foi franqueado ao PT em 2026.

Mas o mais emblemático de todos os acontecimentos pode ter sido esse: no último dia, o dia das eleições do segundo turno, o PT ordenou que seus militantes fossem às urnas vestindo a camisa do seu adversário, a camisa que o PT sempre chamou de símbolo de opressão, a camisa do Brasil.

No dia das eleições, o PT vestiu verde e amarelo.

Depois do anúncio do resultado, já voltaram ao vermelho.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/roberto-motta/pt-vestiu-verde-e-amarelo-no-dia-da-eleicao-mas-depois-do-resultado-ja-voltou-ao-vermelho/

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