Especialistas alertam para ilegalidades em pacote de bondades de Lula às vésperas da eleição

Candidato à reeleição, presidente Lula (PT) intensificou anúncio de medidas com forte apelo popular com a aproximação das eleições. (Foto: Sebastiao Moreira/EFE)

A sequência de medidas anunciadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que beneficiam parte expressiva da população ou com forte apelo popular neste ano de disputa eleitoral configura infração a uma série de dispositivos legais, segundo especialistas em Direito Eleitoral e contas públicas.

O pacote de ações já em execução desde o início do ano promove um expressivo efeito fiscal negativo, seja pelo aumento de despesas ou pela renúncia de receitas. Entre as medidas estão a desoneração e o subsídio a combustíveis, o fim da taxa das blusinhas, as diversas etapas do programa Desenrola e a liberação de crédito para aquisição de veículos por taxistas e motoristas de aplicativo.

Com a proximidade do primeiro turno e, posteriormente, com a confirmação da realização de um segundo turno da disputa presidencial, o governo anunciou ou colocou em prática uma nova sequência de medidas com impacto bilionário sobre as contas públicas e que beneficiam parcela expressiva do eleitorado.

A lista inclui o reajuste de 15,04% do Bolsa Família, a criação do Desenrola Brasil 3.0, o perdão de dívidas de microempreendedores individuais (MEIs), a criação do chamado Pix MEI, a ampliação do Pé-de-Meia para universitários, a gratuidade do transporte público aos fins de semana, novas desonerações e subsídios para combustíveis e até a distribuição de canetas emagrecedoras no Sistema Único de Saúde (SUS).

Entre as regras que estão sendo desrespeitadas, segundo os especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo, estão artigos previstos na Lei 9.504/1997, que disciplina as regras eleitorais, e na Lei Complementar 101/2000, a chamada Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), em razão do impacto nas contas públicas.

A intensificação de anúncios justamente com a aproximação do primeiro e do segundo turno do pleito presidencial pode ser entendida ainda como abuso de poder político e econômico, o que também infringe a Lei Complementar 64/1990 (Lei da Inelegibilidade). O governo nega haver desrespeito às normas.

Impacto fiscal de medidas eleitoreiras de Lula já beira R$ 300 bilhões

O pacote de benefícios já soma impacto fiscal de R$ 298,4 bilhões, segundo cálculos da Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão vinculado ao Senado Federal. Desse total, R$ 93,8 bilhões correspondem a medidas com impacto primário, enquanto R$ 185,7 bilhões envolvem recursos destinados a programas de crédito com juros subsidiados, cujos financiamentos devem ser devolvidos à União.

Até o momento não houve entendimento de ilegalidade nas iniciativas pela Justiça, apesar de questionamentos por parte da oposição. O reajuste do Bolsa Família, anunciado 17 dias antes do primeiro turno das eleições, chegou a ser judicialmente questionado como possível conduta vedada, mas a contestação foi rejeitada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O que há de errado com o “pacote de bondades” de Lula

Para o advogado Alexandre Rollo, especialista em direito eleitoral, medidas como o reajuste do Bolsa Família e o subsídio a combustíveis às vésperas das eleições configuram irregularidades previstas no artigo 73 da Lei 9.504.

O dispositivo proíbe condutas “tendentes a afetar a igualdade de oportunidades entre candidatos nos pleitos eleitorais”.

Entre as vedações previstas estão o uso de bens, materiais e serviços públicos em benefício de candidatos, partidos ou coligações; e a publicidade institucional de atos, programas, obras, serviços e campanhas de órgãos públicos, “salvo em caso de grave e urgente necessidade pública, assim reconhecida pela Justiça Eleitoral”.

As punições previstas na legislação incluem multa e cassação do registro de candidatura, além de processo por improbidade administrativa, que pode resultar em inelegibilidade.

O advogado, que já atuou como professor convidado da Escola Judiciária Eleitoral Paulista (Ejep) do Tribunal Regional Eleitoral do Estado de São Paulo (TRE-SP), faz a ressalva de que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) também teria infringido dispositivos da lei às vésperas da eleição de 2022.

Na época, ele conseguiu aprovar no Congresso a chamada “PEC Kamikaze”, que decretou estado de emergência no país para driblar vedações da legislação eleitoral e liberar cerca de R$ 41,2 bilhões fora do teto de gastos.

Os recursos foram utilizados para aumentar a parcela do Bolsa Família, então chamado de Auxílio Brasil, de R$ 400 para R$ 600; dobrar o valor do Auxílio Gás; criar um voucher de R$ 1 mil para caminhoneiros autônomos; conceder auxílio financeiro para taxistas; além de prever recursos para compensar estados que reduzissem impostos sobre combustíveis e etanol.

“O meu ponto de vista é que está tudo errado: em 2022 estava errado, e em 2026 está errado também, porque esse pacote de bondades é proibido pela legislação eleitoral”, afirma Rollo. “Agora, o TSE anda em sentido contrário. Já disse em 2022 e pode eventualmente dizer o contrário agora em 2026.”

PEC de Bolsonaro em 2022 foi considerada inconstitucional pelo STF

Em julgamento em 2024, no entanto, a PEC de Bolsonaro teve trechos considerados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Na ocasião, prevaleceu divergência aberta pelo decano da Corte, Gilmar Mendes.

O ministro destacou que as medidas não deveriam ser anuladas para não prejudicar as pessoas que receberam os benefícios de boa-fé, mas que o caso ainda deveria ser discutido para evitar a repetição de situações semelhantes.

“Que possamos sinalizar que valeu uma vez, e não mais. Porque se não nós corremos o risco de aprimoramento desse modelo”, afirmou Gilmar Mendes. “É de extrema relevância um pronunciamento dessa Corte sobre essa matéria. Sob pena de, em situações que venham a surgir no futuro, que tenhamos sempre um bypass [desvio] da regra da anterioridade eleitoral e da violação da igualdade eleitoral”, acrescentou.

Economista atribui impunidade a “inércia das instituições”

O fato de o governo ou a campanha de Lula não terem sido enquadrados na LRF ou na lei eleitoral resulta do que o economista Marcos Mendes, pesquisador associado do Insper, classifica como “total inércia das instituições”.

“Você não vê o TCU levantar uma avaliação a respeito disso que está sendo proposto e aprovado”, disse Mendes, em entrevista à CNN Brasil. “Você não vê, internamente, no Executivo, nenhum levantamento técnico das áreas econômicas, dos ministros da Fazenda e do Planejamento, dizendo ‘olha, isso não cabe no Orçamento’.”

“O que a gente está vendo é um enxame de medidas, todas elas com impacto eleitoral, sem nenhuma pesquisa técnica por trás”, afirmou.

“A Lei de Responsabilidade Fiscal está sendo absolutamente desrespeitada à luz do dia, e ninguém faz nada. Então a própria democracia não está funcionando com seus pesos e contrapesos”, aponta o economista.

Governo usa brechas, mas conjunto de medidas pode configurar abuso de poder político

Para escapar das restrições impostas pela legislação, o governo tem encontrado brechas para anunciar as medidas. No caso do reajuste do Bolsa Família, o argumento é que o aumento no valor das parcelas apenas incorporou a alta inflacionária no período.

A antecipação do pagamento para o período anterior ao segundo turno, por sua vez, teria sido necessária para reduzir os impactos do El Niño sobre famílias mais vulneráveis. No caso do Pix MEI e da tarifa zero no transporte coletivo aos fins de semana, o governo afirma que não haverá distribuição em 2026 e que as iniciativas dependerão de aval do Congresso.

Para o perdão da dívida de microempreendedores, a justificativa é que grande parte dos créditos que serão perdoados é de difícil recuperação ou considerada irrecuperável. Já a redução de tributos sobre gasolina e etanol e o subsídio ao diesel foram apresentados como resposta à alta internacional dos combustíveis decorrente dos conflitos no Oriente Médio.

Os advogados Lucas Bessoni Coutinho de Magalhães, Lucas Menezes Elias e Paulo Augusto Fernandes Fortes consideram, no entanto, que o conjunto das medidas, pelo volume, concentração no período eleitoral, calendário de vigência ou execução e forma de custeio, configura abuso de poder político, nos termos do artigo 22 da Lei Complementar 64/1990, a chamada Lei de Inelegibilidade.

Novo pede cassação da candidatura de Lula por pacote eleitoreiro

Representando o partido Novo, os advogados apresentaram uma ação de investigação judicial eleitoral (AIJE) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo a cassação da chapa do petista e de seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), além da inelegibilidade de ambos por oito anos. O processo foi distribuído nesta terça-feira (20), por sorteio, ao ministro Ricardo Villas Bôas Cueva.

Ao todo, são citados na petição inicial 35 atos normativos, entre medidas provisórias (MPs) e decretos, “que criaram ou ampliaram benefícios à população ou que responderam a temas de forte apelo popular”.

Para os advogados da sigla, Lula teria usado prerrogativas exclusivas do cargo de presidente para multiplicar benefícios e medidas de forte apelo popular em 2026, concentrando-as no período de campanha e ajustando a vigência ou os pagamentos ao calendário eleitoral, com o objetivo de favorecer sua candidatura à reeleição.

Segundo levantamento apresentado na peça, as 35 medidas de 2026 equivalem aos anúncios de todos os três anos anteriores do mandato: foram 17 em 2023, quatro em 2024 e 14 em 2025.

Além disso, das 35 iniciativas deste ano, 12 foram editadas entre 16 de agosto e 16 de outubro, período da campanha eleitoral. No mesmo intervalo, o estudo não identificou nenhuma medida nos anos de 2023 e 2024 e apenas duas em 2025.

A ação destaca ainda o modo de custeio. Somente neste ano, o governo abriu, por medida provisória, 13 créditos extraordinários destinados a essas medidas, no total de cerca de R$ 99,7 bilhões, parte deles para operações de crédito.

Em 2023 e 2024 não houve abertura de créditos com essa finalidade, enquanto em 2025 foram R$ 42 bilhões. Somente para subsídios aos combustíveis foram oito aberturas de créditos extraordinários, três deles durante a campanha.

Além da ação na Justiça Eleitoral, o partido está apresentando uma representação junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) para pedir a análise dos efeitos fiscais do conjunto das medidas. O objetivo é apurar se a política de benefícios adotada em ano eleitoral comprometeu o equilíbrio das contas públicas e se houve uso da estrutura estatal em benefício da candidatura à reeleição.

Governo diz que Orçamento de 2027 será reajustado para acomodar despesas

Procurado pela Gazeta do Povo, o Ministério da Fazenda argumenta que os valores associados às medidas anunciadas “não representam, em sua totalidade, impacto adicional sobre o Orçamento de 2027”.

“Após a designação do relator, o governo encaminhará ao Congresso os ajustes necessários à proposta orçamentária, considerando as características específicas de cada medida”, diz nota da pasta.

Ainda de acordo com a Fazenda, medidas como o Pix MEI e a tarifa zero para o transporte público aos fins de semana “ainda dependem da definição final de seu desenho e, portanto, terão seus impactos devidamente estimados”.

“Em todos os casos, os ajustes serão compatibilizados com a meta de resultado primário e com o arcabouço fiscal, preservando o compromisso com a trajetória de melhora fiscal”, finaliza a nota.

Também em nota à reportagem, o Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO) defende que “iniciativas de naturezas distintas, com diferentes fontes de financiamento e períodos de execução, não podem ser somadas indiscriminadamente, sob pena de produzir interpretações equivocadas sobre a atuação do Estado e a situação fiscal do país”.

Segundo a pasta, as medidas reunidas na análise “incluem políticas financiadas com recursos privados, operações de crédito de bancos públicos e despesas do orçamento federal” e “misturam ações emergenciais para enfrentar os efeitos das guerras em curso, políticas públicas já previstas em orçamentos de anos anteriores e iniciativas cuja implementação está prevista apenas para 2027”.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/pacote-de-bondades-lula-lei-eleitoral-lrf/

PGR atesta o óbvio ao rejeitar investigação contra Mendonça

PGR não viu nas atitudes de Mendonça nenhuma violação da Lei de Abuso de Autoridade. (Foto: ChatGPT sobre foto de Victor Piemonte/STF)

A farsa montada pelo ministro Alexandre de Moraes em represália contra seu colega André Mendonça, que pedira a investigação de Moraes por suas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro, não está saindo como ele e seus aliados chicaneiros pretendiam. A Procuradoria-Geral da República (PGR) enviou ao presidente do STF, Edson Fachin, um parecer contrário à solicitação de Moraes, para quem Mendonça deveria ser investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. Em apenas sete parágrafos, o procurador-geral Paulo Gonet rebateu boa parte das pretensões de Moraes, tanto na forma quanto no conteúdo.

Primeiro, o procurador-geral ressaltou aquilo que os documentos apócrifos da Polícia Federal, usados por Moraes como argumento para investigar Mendonça, já afirmavam: que seu conteúdo era imprestável. “Os próprios relatórios contêm advertência de que não possuem valor probatório, não sendo peça de instrução; não podem ser considerados provas ilícitas, até porque provas não são. Reduzem-se a hipóteses de cenários concebidos a partir dos fatos registrados”, afirma Gonet ao justificar sua posição contrária à abertura de uma investigação contra Mendonça.

Era preciso ser muito desonesto juridicamente – ou estar muito comprometido – para acusar Mendonça de abuso de autoridade

Gonet não parou por aí e ainda comentou o conteúdo dos relatórios. “Neles se leem conjecturas em torno de cenários especulativos sobre motivações e consequências para o andamento das atividades e da administração do próprio órgão policial”, diz o procurador-geral. E podemos dizer que ele ainda foi bastante generoso ao falar apenas em “conjecturas” e “cenários especulativos”, pois o procurador-geral podia ter apontado para verdadeiras barbaridades, como a insinuação de que Mendonça e o advogado-geral Jorge Messias estariam agindo de forma concertada, motivada pela fé evangélica de ambos.

Por fim, vem uma breve análise sobre o mérito da questão. Após admitir que “os relatórios sugerem direção das investigações com vieses desafeiçoados da posição de neutralidade do magistrado incumbido de supervisionar os procedimentos policiais” – uma das “conjecturas” e ilações do texto da PF, Gonet conclui que não há sinais de “que a conduta possa ser reconduzida a ato punido por algum tipo da (…) Lei de Abuso de Autoridade”. A única ressalva que o procurador-geral faz é que as outras duas acusações que Moraes faz contra Mendonça – improbidade administrativa e crime de responsabilidade – não foram objeto do parecer enviado a Fachin.

É preciso, mesmo, ser muito desonesto juridicamente – ou estar muito comprometido – para acusar Mendonça de abuso de autoridade. Afinal, o que ele fez foi justamente o que se esperava em um caso como este: ao identificar um ministro do Supremo entre os interlocutores de Vorcaro, e perceber que as conversas apontavam para possíveis ilícitos, levou tudo ao presidente do STF para que tomasse as devidas providências – no caso, submeter ao plenário o pedido de investigação. Aliás, se considerarmos que um dos crimes previstos na Lei de Abuso de Autoridade é “requisitar instauração ou instaurar procedimento investigatório de infração penal ou administrativa, em desfavor de alguém, à falta de qualquer indício da prática de crime, de ilícito funcional ou de infração administrativa”, e que a conduta deve ser praticada “com a finalidade específica de prejudicar outrem ou beneficiar a si mesmo ou a terceiro, ou, ainda, por mero capricho ou satisfação pessoal”, é totalmente justificável imaginar que, ao pedir que Mendonça fosse investigado, tenha sido o próprio Moraes a cometer abuso de autoridade punível por lei.

O parecer da PGR, no entanto, não encerra o assunto, pois precisa ser acatado pelo plenário do Supremo. Lá, Moraes e seus aliados chicaneiros insistirão em uma absurda equivalência moral, para que ou ambos os ministros sejam investigados, ou todos os pedidos sejam arquivados – o próprio Gonet, embora tenha acertado neste último parecer, vergonhosamente trabalhou para proteger Moraes ao pedir a nulidade do relatório da PF que contém as conversas entre Vorcaro e o ministro (e também traz referências que complicam a vida do procurador-geral).

Se não há motivo algum para investigar Mendonça pela sua condução do caso Master, sobram razões para investigar Moraes: do contrato multimilionário com o escritório da esposa do ministro aos pedidos de proteção e aconselhamento – feitos por Vorcaro não à sua advogada paga a peso de ouro, mas ao marido dela. O Brasil inteiro já sabe que uma parte da corte suprema está empenhada na autoblindagem e na impunidade; resta saber se os demais ministros se deixarão arrastar para o lodaçal ou se terão a decência de fazer o que deve ser feito.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/pgr-parecer-investigacao-andre-mendonca/

Minas Gerais volta a ser peça-chave para decisão da disputa presidencial

Flávio Bolsonaro conta com Nikolas Ferreira como cabo eleitoral no “estado-pêndulo”. (Foto: Rhuan Pablo/Divulgação Nikolas Ferreira)

O presidente Lula (PT) terá pela frente uma “missão impossível” no estado considerado como o mais decisivo das eleições no Brasil, no próximo domingo (25). A vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) em Minas Gerais no primeiro turno foi maior do que a obtida em todo o país e, para conseguir uma inédita virada, Lula precisa vencer o adversário no “estado-pêndulo”.

No último dia 4, Flávio teve 48,2% dos votos válidos em Minas Gerais; Lula 43,3%. Desde a redemocratização do país, todos os presidentes eleitos venceram nas urnas mineiras, o que coloca o segundo maior colégio eleitoral do país como peça-chave para os concorrentes rumo ao Palácio do Planalto.

Tanto é que, na última semana, Flávio e Lula fizeram campanha no estado ao lado de aliados de peso. O candidato do PL foi até o Vale do Jequitinhonha, reduto eleitoral petista, para um comício na cidade de Capelinha, onde ele venceu no primeiro turno. “O Brasil quer mudança e eles vão ter que aturar o Bolsonaro subindo a rampa da Presidência da República. […] Eles tentaram enterrar o Bolsonaro vivo achando que iam calar o nosso sentimento”, declarou Flávio no palanque na quinta-feira (15).

Durante o evento, o presidenciável foi apresentado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), principal cabo eleitoral do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro no estado. O parlamentar foi o candidato a deputado federal mais votado do país, com 3,1 milhões de votos.

Minas Gerais retrata polarização regional

O cientista político mineiro Adriano Cerqueira, professor do IBMec em Belo Horizonte, explica que Minas Gerais tem a peculiaridade de retratar o posicionamento político de diferentes nichos de eleitores. Apesar da vitória de Flávio no estado, Lula venceu no Vale do Jequitinhonha, região com forte influência do Nordeste, e na Zona da Mata, onde está localizada a cidade de Juiz de Fora. O maior município da região é administrado pela prefeita petista Margarida Salomão e recebeu Lula na última sexta-feira (16).

No mesmo dia, o presidente fez uma caminhada em Ipatinga, no Vale do Aço, ao lado da senadora eleita Marília Campos (PT), um dos principais nomes do partido no estado. Ex-prefeita de Contagem — segunda maior cidade da Região Metropolitana de Belo Horizonte, atrás apenas da capital —, Marília Campos foi reeleita com mais de 60% dos votos válidos no primeiro turno das eleições 2024. Ela deixou o cargo no último mês de março para disputar o Senado.

“O presidente Lula terá que procurar alianças regionais. No norte de Minas, ele vai procurar lideranças locais, movimentos de base ligados à Igreja Católica, para conseguir palanque”, avalia Adriano Cerqueira. Nas redes sociais, um dos principais aliados do petista é o deputado federal André Janones (Rede-MG), responsável pelo grupo de mensagens “Exército do Lula”, que conta com mais de 4,5 milhões de seguidores.

Por outro lado, Flávio venceu na capital e na região metropolitana de Belo Horizonte, onde está concentrado cerca de 30% do eleitorado. Cerqueira aponta que o sul de Minas é a segunda região mais relevante do estado nas urnas, com aproximadamente 15% dos eleitores.

No primeiro turno, Flávio venceu nas principais cidades da região, entre elas Poços de Caldas e Pouso Alegre, localizadas próximas à divisa com São Paulo. “Para obter uma boa votação em Minas Gerais, é preciso rodar o estado e saber diferenciar as regiões. O sul tem uma realidade socioeconômica diferente do Triângulo Mineiro e do norte de Minas, por exemplo. Para conseguir esses votos, é preciso atravessar todo o estado — a regionalidade acaba fazendo com que Minas represente um pouco o Brasil”, analisa.

Vitória de Cleitinho no 1º turno favorece Flávio em Minas Gerais

Quem conseguiu a adesão do eleitorado em diferentes regiões foi o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), eleito governador mineiro no primeiro turno, com 55,4% dos votos válidos. Após a vitória, Azevedo reforçou o apoio a Flávio Bolsonaro, que ele já havia anunciado no primeiro turno, apesar da candidatura estadual do empresário Flávio Roscoe pelo PL.

O resultado das urnas impactou nos planos de Lula, que apostava na manutenção do palanque petista em Minas Gerais. O PT lançou o nome de Patrus Ananias, que fez 26,2% dos votos válidos, ficando em segundo lugar. “Muitos eleitores bolsonaristas votaram no Cleitinho, pois não queriam dar palanque para o Lula no segundo turno, repetindo o voto útil anti-PT, como aconteceu na eleição nacional”, compara o cientista político.

Cerqueira lembra que a aliança formal entre Cleitinho e Flávio foi adiada no primeiro turno, principalmente pela indefinição da candidatura pelo Republicanos, que foi confirmada no final do prazo de registro junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Quando ele conseguiu sacramentar a candidatura pelos Republicanos, a primeira declaração dele foi apoio ao Flávio para não correr o risco de perder boa parte do eleitorado para o governador Mateus Simões (PSD) ou para o Roscoe”, recorda.

Segundo o cientista político, a aliança é uma aposta de Cleitinho Azevedo para renegociar a dívida do estado com o governo federal, caso Flávio seja eleito presidente, e para contar com apoio do PL na base governista da Assembleia Legislativa mineira.

“O Cleitinho tem sido estratégico nas declarações políticas e alianças. Por outro lado, ele ainda não se acostumou com a roupa de governador recém-eleito”, disse. Como exemplo, Cerqueira citou o vídeo publicado pelo governador eleito. Na publicação, Cleitinho está ao lado de Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado, e se declara a favor da votação da Proposta de Emenda à Constituição que acabou com a escala 6×1.

No mesmo dia, Azevedo publicou um vídeo do encontro com Flávio Bolsonaro, Nikolas Ferreira e com o senador eleito Domingos Sávio (PL-MG). “Fiz esse compromisso na campanha e pode ter certeza que vou honrar o povo mineiro. O dinheiro da dívida de Minas será gasto em Minas”, afirma o governador eleito.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/minas-gerais-peca-chave-eleicao-presidencial/

Ofensiva de medo do PT na internet tende a aumentar rejeição a Lula

A estratégia digital do PT na reta final da campanha escancara o desespero de Lula. (Foto: EFE /Andre Borges)

A estratégia do Partido dos Trabalhadores (PT) na reta final da disputa presidencial de difundir terror psicológico e tentar desconstruir o adversário pode aumentar a rejeição ao candidato Luiz Inácio Lula da Silva, segundo analistas ouvidos pela reportagem.

O senador Flávio Bolsonaro (PL) liderou a votação no primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do petista. A surpresa com o desempenho negativo fez a campanha de Lula abandonar a moderação na internet.

Em posts publicados nos canais oficiais de Lula na internet, é possível ver mensagens distorcendo o posicionamento de Flávio Bolsonaro sobre o fim da escala 6×1 e acusando o candidato do PL de ser favorável ao fim de benefícios sociais, como o Bolsa Família e Farmácia Popular, por exemplo.

O objetivo central do marketing petista consiste em amedrontar o eleitor com cenários fictícios catastróficos, caso a direita retorne ao comando do país.

Esse movimento, contudo, não garante novos votos a Lula e deve, segundo especialistas, gerar efeito contrário ao planejado pelo PT: em vez de desgastar a campanha de Flávio, a histeria negativa tende a inflar ainda mais a rejeição ao próprio Lula.

Nesse sentido, o analista político João Cândido, da Amelati Consultoria, explica que as mensagens exageradas publicadas pelo PT na internet, sem evidências, perdem a credibilidade e sofrem o repúdio imediato do eleitorado.

“Quando o ataque ocupa todo o espaço da comunicação, corre o risco de reforçar a imagem de uma campanha excessivamente agressiva e deixar sem resposta as dúvidas concretas do eleitor”, explicou.

Vestir camisa da seleção na internet é atestado de fraqueza

A ofensiva digital petista, potencializada principalmente após o primeiro debate direto entre Flávio Bolsonaro e Lula na TV Bandeirantes, no domingo (18), aposta em peças apelativas de marketing negativo.

Nesse contexto, as postagens oficiais tentam rotular Flávio como inimigo do trabalhador comum.

Para isso, distorcem debates legítimos sobre a modernização da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1, pauta aprovada recentemente pelo Congresso Nacional.

Em outra frente, os posts do canal oficial de Lula exploram casos judiciais e antigas acusações requentadas sobre segurança pública e milícias.

Em outra frente à pancadaria virtual, a campanha do PT tenta manobras estéticas que, de acordo com analistas, beiram o ridículo.

O deputado André Janones (Rede-MG) chegou a ordenar, no sábado (17), que a militância petista vestisse a camisa verde e amarela da seleção brasileira de futebol e fizesse o gesto do “L” nas redes sociais.

Diante disso, o cientista político Antônio Testa interpretou a iniciativa petista como “uma confissão explícita de fraqueza”.

O especialista acrescenta que os símbolos agora reivindicados pela militância de Lula já foram atacados recentemente pelos próprios apoiadores do PT.

“Nenhum eleitor atento esquece os anos de hostilidade da esquerda contra os símbolos nacionais apenas porque um comando burocrático de internet mandou os militantes fingirem patriotismo a poucos dias da votação”, lembrou Testa.

Os efeitos colaterais da tática do terror petista

Ao concentrar todo o seu poder de fogo em plantar medo e pânico sobre um possível mandato de Flávio Bolsonaro, a campanha de Lula comete um erro primário de leitura do eleitor independente e moderado brasileiro, segundo analistas.

De acordo com João Cândido, em disputas de segundo turno acirradas e polarizadas, o cidadão não busca discursos apocalípticos ou agressões histéricas. Ele busca soluções pragmáticas para o bolso, emprego, inflação dos alimentos e segurança nas ruas.

Consequentemente, ao substituir propostas críveis por vídeos difamatórios, o PT acaba provocando saturação e repulsa no eleitor indeciso.

Além disso, o alcance digital das mensagens não representa necessariamente apoio eleitoral.

Uma publicação pode alcançar milhões de visualizações simplesmente porque provocou indignação, ironia ou críticas. Mas, segundo Cândido, o fator determinante não é a quantidade de pessoas que viram o conteúdo nas redes sociais, mas sim quantas foram convencidas, mobilizadas e efetivamente compareceram às urnas.

“Em vez de convencer quem ainda tem dúvidas, o bombardeio negativo confirma a imagem de um governo sem realizações para mostrar e obcecado em manter o poder a qualquer custo”, disse o analista.

PT foca em ameaças de perda de direitos e de apoio social

A tentativa petista de estruturar uma campanha de ataques a Flávio Bolsonaro com o uso de mensagens de medo na internet enfrenta barreiras estruturais severas quando descamba para o alarmismo desprovido de evidências sólidas.

Na segunda-feira (19), um dia após o debate dos candidatos à Presidência da República na Bandeirantes, a página oficial de Lula no Instagram publicou diversas mensagens de ataque contra Flávio Bolsonaro.

Em uma delas, o texto da postagem afirma que, “com Flávio, o trabalhador perde direitos”, em referência à Proposta de Emenda Constitucional (PEC) aprovada e promulgada pelo Congresso Nacional que acabou com a jornada trabalhista 6×1.

O candidato do PL, Flávio Bolsonaro, votou a favor da medida. Mesmo assim, a publicação de Lula induz o leitor a crer que Flávio vai retirar direitos consolidados dos trabalhadores caso seja eleito presidente.

Em outro post no mesmo canal de Lula, a mensagem aponta para uma suposta investida de Flávio contra o Sistema Único de Saúde (SUS). Em mais uma publicação, a campanha tenta associar o adversário ao crime organizado.

“Essas argumentações precisam estar apoiadas em declarações, propostas e posições verificáveis do adversário. Simplesmente afirmar que Flávio pretende acabar com direitos ou enfraquecer o Estado, sem apresentar evidências, pode comprometer a credibilidade da mensagem”, analisou Cândido.

“Quando o discurso se concentra excessivamente no medo, não necessariamente amplia o apoio ao próprio candidato”, reafirmou o especialista.

Ao recorrer ao medo desmedido, Lula expõe sua própria insegurança e pavimenta o caminho para que sua rejeição atinja o ápice nas urnas de domingo (25).

“As redes sociais atingem até os fanáticos petistas. Eles sabem que é tudo mentira”, resumiu Antônio Testa.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/ofensiva-de-medo-do-pt-na-internet-tende-a-aumentar-rejeicao-a-lula/

Guilherme Fiuza

‘‘O Brasil acabou’’: gafe ou ato falho?

Lula durante o debate na Band: entre reclamações e gafes, o presidente se complicou com as próprias palavras. (Foto: Renato Pizzutto/Band)

Lula encerrou sua participação no debate da Band afirmando que aspira a um quarto mandato para poder anunciar que “o Brasil acabou”. Foi a gafe mais famosa do duelo com Flávio Bolsonaro, mas houve quem considerasse que se tratou, na verdade, de um ato falho.

Ato falho é quando a pessoa diz sem querer aquilo que realmente pensa ou sente. É uma boa questão: o que será que Lula pensa, de fato, da sua presença no comando da nação? Segundo Roberta Luchsinger, em entrevista à CNN, afastando-se a hipótese de senilidade, Lula seria mentiroso. Ela não especificou de qual tipo: o mentiroso que só mente para os outros? Ou o que mente para si mesmo — e acredita na própria mentira?

Às vezes, Lula parece confiar no seu discurso — e talvez a assessoria consiga de fato convencê-lo da veracidade do que está dizendo. Especialmente sobre economia, o presidente tem sido enfático, nos debates e sabatinas, sobre a premissa de que seu governo não é deficitário. É um ponto para os especialistas se debruçarem, considerando-se que o próprio Banco Central assinala expansão fiscal exagerada, gerando pressão inflacionária e endividamento crescente. É verdade, esse bilhete?

Lula já admitiu usar números fantasiosos no terreno dos indicadores sociais, quando disse que apresentou dados exagerados sobre crianças vivendo nas ruas brasileiras. Chegou a contar de forma irreverente que foi alertado pelo arquiteto Jaime Lerner de que aqueles dados eram irreais. Não ficou claro se até então Lula acreditava na informação equivocada que estava transmitindo.

Se a expressão “o Brasil acabou” tiver sido um ato falho, o presidente estaria expondo, involuntariamente, sua consciência de que o governo dirigido por ele está colocando o país em maus lençóis

O processo de endividamento é bastante claro e indisfarçável, mesmo com bons filtros da assessoria. Numa entrevista, o presidente disse que não se preocupava com isso. Em outra, para a mesma emissora, declarou que a situação da dívida o preocupa.

Pode ser que não o preocupe de fato. Pode ser que ele considere ser um efeito colateral administrável — e tenha manifestado preocupação para sinalizar responsabilidade. Se “o Brasil acabou” tiver sido apenas uma gafe, e não um ato falho, pode ser que o presidente acredite que o país vá resistir bem aos solavancos administrativos. E talvez acredite que a deterioração dos indicadores seja consequência da conjuntura — e não resultado direto da forma como seu grupo político exerce o poder.

Sem dúvida, o apoio propagandístico oferecido ao PT por setores influentes da sociedade — do meio acadêmico ao meio artístico, passando pelo meio jornalístico — deve contribuir para uma certa anestesia de consciência presidencial. Notadamente no meio artístico, o alcance da adesão a Lula cria um discurso bastante estimulante para o governo.

Mas há quem considere isso uma fantasia pueril. É o caso do músico Carlos Maltz, integrante da banda Engenheiros do Havaí. Ele gravou um vídeo sobre o assunto — do qual vale destacar o trecho a seguir:

“Não é nem uma questão política isso, senhores. Essa mudança de ares é uma questão da gente poder sobreviver. O problema maior do nosso país não é a direita e a esquerda. É a superficialidade, senhores. É a infantilidade com que as pessoas lidam com as coisas. Quando eu vejo declaração política de artista aí, dá vontade de pegar os caras no colo e cantar ‘nana nenê’. Um monte de ideia, um monte de slogan: ‘A liberdade!’, ‘a democracia!’, ‘a arte!’, ‘em nome da cultura eu vou votar em não sei quem’… Meu amigo, dá vontade de pegar no colo.”

Para Carlos Maltz, a eleição presidencial é de fato um momento de vida ou morte. Ele está falando em sobrevivência. Se “o Brasil acabou” tiver sido um ato falho, Lula concorda com ele.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/guilherme-fiuza/o-brasil-acabou-gafe-ou-ato-falho/

Coluna Esplanada

Lula acreditava que seria mais fácil vencer Flávio Bolsonaro

Candidato à reeleição, presidente Lula (PT) intensificou anúncio de medidas com forte apelo popular com a aproximação das eleições. (Foto: Sebastiao Moreira/EFE)

Em março de 2021, assim que soube da decisão do ministro do STF Edson Fachin que anulou as condenações de Lula da Silva e o libertou – abrindo caminho para sua candidatura – o então presidente Jair Bolsonaro bateu a mão na mesa e soltou “maravilha” com uma gargalhada. Comemorou o fato de que disputaria o cargo com o petista, para quem ele meses depois perdeu a reeleição.

No 1º trimestre deste 2026, tão logo foi informado de que o candidato a presidente do PL seria Flávio Bolsonaro, o presidente Lula – em alta nas pesquisas à ocasião – deu um recado debochado a um amigo do senador, num evento: avise a ele para não desistir. O domingo dirá se Lula morderá a língua.

Risco eleitoreiro

A despeito de os apoiadores apontarem que a emenda que encerrou a escala de trabalho 6×1, ainda não regulamentada, vai dar soluções, ela é apenas um ato eleitoreiro. Sindicatos e empresas estão apavorados com os acordos de convenções coletivas que terão de ser obrigatoriamente renegociados com a lei da nova escala.

Régua e compasso

Num país que tem mais academias de ginásticas que escolas e faculdades, não é surpresa a escassez e a evasão de talentos na engenharia. Esse problema e o futuro do setor estão entre os temas do Seminário ANE 2026, da Academia Nacional de Engenharia, dias 5 e 6 de novembro em Florianópolis. Presidente da ANE, Mário Menel alerta que grandes decisões do país dependem da formação destes profissionais.

Gestão pública

A sede da PGE-RJ recebe de hoje a sexta-feira o XIX Congresso Anual da Associação de Direito e Economia (ABDE) para debates sobre economia e políticas públicas brasileiras. O ministro dos Transportes, George Santoro, e o ex-ministro da Fazenda Mailson da Nóbrega são esperados no evento. “Nosso objetivo é promover um debate qualificado, plural e independente”, diz Cristiane A. J. Schmidt, presidente da ABDE.

Paraísos baianos

Criado pela Associação Comercial e Empresarial de Cairu, o Portal Oficial de Vendas Morro de São Paulo & Boipeba vai aproximar hotéis, pousadas, passeios, experiências e serviços locais de agências e operadores. É estratégia de maior de visibilidade dos paradisíacos destinos nos mercados nacional e internacional, específicos para o ambiente B2B.

Saúde mental

A ABRH Brasil realiza amanhã, online, o Fórum Saúde Mental 2030 – Estamos preparados? Pessoas, trabalho e tecnologia em transformação. Mario Sergio Cortella, Jeane Tsutsui (Grupo Fleury) e outros especialistas debaterão a saúde mental no ambiente corporativo, liderança, IA e bem-estar financeiro, incluindo os impactos do endividamento e das apostas esportivas.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/coluna-esplanada/lula-acreditava-que-seria-mais-facil-vencer-flavio-bolsonaro/

Entrelinhas

Rony Gabriel aposta no desgaste de Lula na reta final: “A internet mostra a verdade”

(Foto: Reprodução/ Youtube)

Dinheiro, influência política e controle das narrativas estão no centro das críticas de Rony Gabriel (Podemos-RS), deputado federal eleito que ganhou projeção ao denunciar a contratação de influenciadores por Daniel Vorcaro. Em entrevista ao Sem Rodeios e à coluna Entrelinhas, da Gazeta do Povo, ele sustenta que o caso expõe um problema maior do que as relações entre o banqueiro e personalidades da internet: a disposição de setores políticos e da imprensa para cobrar explicações de adversários enquanto poupam aliados.

“A crítica que faço vai além da questão somente do crime. Ela vai à questão de quem está influenciando e de quem paga por essa influência”, disse. Na mira de Rony estão não apenas os influenciadores, mas também jornalistas e veículos de comunicação que, segundo ele, precisam responder por eventuais vínculos com interesses privados.

O parlamentar eleito relata ter sido chamado de mentiroso e acusado de usar uma denúncia feita no começo do ano para se promover. Também questiona a cobertura do caso por veículos como SBT News e Metrópoles e diz que houve tentativas de tirar o assunto de evidência, deslocando o foco para nomes da direita, como Flávio Bolsonaro (PL) e Nikolas Ferreira (PL-MG). Ele defende que as investigações avancem sem distinções partidárias e que eventuais sanções correspondam às condutas comprovadas.

Escândalo do INSS pode ampliar desgaste de Lula

Entre os episódios que, segundo Rony, podem pesar na reta final da campanha eleitoral está o caso envolvendo Roberta Luchsinger e as denúncias relacionadas ao escândalo do INSS. O deputado considera que as declarações dela ampliam o debate para além das suspeitas de corrupção, ao levantar questionamentos sobre possíveis interferências políticas e a atuação de pessoas próximas ao presidente.

Ele também menciona ameaças relatadas por Roberta e o acidente envolvendo a filha dela, cujas circunstâncias, segundo o parlamentar, ainda precisam ser esclarecidas. Rony diz que tornar as acusações públicas é uma forma de reduzir a vulnerabilidade de quem denuncia irregularidades.

Outro ponto que considera grave é a alegação de que ministros teriam procurado a lobista para obter acesso ao presidente. Para ele, o episódio levanta dúvidas sobre a relação entre autoridades e intermediários privados, além de alimentar questionamentos sobre o funcionamento das instituições. “O Lula intervém na Polícia Federal para proteger o filho”, destacou.

Janones e o tiro no pé da campanha petista

A estratégia de comunicação da campanha petista também entrou na mira do deputado eleito. Rony criticou a atuação de André Janones (Rede-MG), questionando a escolha do parlamentar para a linha de frente da mobilização digital de Lula. Na sua avaliação, a cobrança moral dirigida aos adversários perde força quando não é aplicada com o mesmo rigor aos aliados. Janones orientou seu público a não se informar sobre as denúncias da lobista.

Para Rony, a repercussão do caso dependerá também da capacidade de as denúncias romperem as bolhas políticas. Ele cita os vídeos em que Roberta rebate declarações de Lula sobre não conhecê-la e afirma que a proximidade dela com a família do presidente torna o episódio politicamente relevante.

O deputado ainda vê contradição no anúncio, às vésperas da votação, de medidas relacionadas ao Bolsa Família e à escala de trabalho 6×1. Em sua leitura, a apresentação tardia dessas propostas reforça a percepção de uma campanha que tenta recuperar terreno sem oferecer, ao longo do percurso, respostas consistentes aos problemas do país. “Lula tem feito todos os absurdos possíveis para tentar reverter a eleição. O último agora foi o adiantamento do Bolsa Família”, destacou.

Rony aposta, por fim, no alcance da comunicação digital para levar essas controvérsias a um público mais amplo. “Graças a Deus, agora a gente tem internet para mostrar a verdade”, concluiu.

O desafio de Flávio Bolsonaro e o voto decisivo

Com a disputa eleitoral na reta final, Rony considera que Flávio Bolsonaro conta com uma base consolidada à direita, mas precisa avançar sobre o eleitor de centro.

A perspectiva de um novo mandato petista, argumenta, seria agravada por um Congresso de maioria conservadora. O embate entre Executivo e Legislativo poderia dificultar a aprovação de projetos e indicações ao Supremo, comprometendo a governabilidade e ampliando a instabilidade política.

A preocupação, porém, não se limita à relação entre os Poderes. Rony associa a continuidade de Lula a riscos para a economia, a segurança pública e a previsibilidade jurídica — fatores que considera essenciais para a retomada da confiança no país.

“Hoje, colocar o Lula é um suicídio econômico do Brasil, da segurança pública, da segurança jurídica, de qualquer pessoa que imagine ou cogite ter tempos de paz e prosperidade”, declarou.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/entrelinhas/rony-gabriel-aposta-no-desgaste-de-lula-na-reta-final-a-internet-mostra-a-verdade/

O único voto possível neste domingo

A derrota de Lula neste segundo turno da eleição presidencial é fundamental para que comecemos a colocar o Brasil de volta nos trilhos, para que se interrompa o processo de destruição econômica, institucional e ética levado a cabo nos últimos anos. O presidente da Gazeta do Povo, Guilherme Cunha Pereira, expõe de forma abrangente este cenário devastador – hipertrofia do Supremo, caos fiscal, corrupção, desagregação da sociedade – e explica por que, neste domingo, a abstenção (por meio também do voto em branco, nulo ou da ausência) é uma opção que poderá ser tão prejudicial ao país quanto o próprio voto em Lula, cuja vitória trará um risco real, contra os riscos hipotéticos atribuídos ao seu adversário.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/unico-voto-possivel-segundo-turno-derrota-lula/

Favoritismo de Flávio Bolsonaro para o segundo turno chega até a 78,5% na Polymarket

Flávio Bolsonaro e seu vice, Alfredo Gaspar (PL) – (Foto: Beto Barata/PL).

A apenas quatro dias do segundo turno da eleição presidencial no Brasil, as principais plataformas mundiais de “previsão” e apostas, que nunca erraram em eleições presidenciais brasileiras, enxergam a vitória de Flávio Bolsonaro (PL) como o cenário mais provável. A maior delas, a Polymarket, registrou nesta terça (20) 78,5% de chance do candidato do PL contra 22% de Lula. Outras plataformas, como Kalshi e Robinhood Prediction, também apontam Flávio como virtual vencedor no domingo.

Derreteu

Na Polymarket, Lula chegou a ter 67% de chance de vitória em 16 de agosto. Foi a 41% na véspera do primeiro turno e a 18% logo depois.

Disparou

Após o primeiro turno da eleição, Flávio chegou a registrar 90% de chance de vitória na Robinhood.

Flutuou

Após a promulgação do fim da escala 6×1, Lula teve uma leve melhora nas plataformas preditivas, mas voltou a cair após o debate na Band.

Muita grana

Existem mais de US$15 milhões (R$76 milhões) apostados na eleição brasileira na Polymarket, Kalshi e Robinhood.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/favoritismo-de-flavio-bolsonaro-para-o-segundo-turno-chega-ate-a-785-na-polymarket

Polícia Federal pede mais tempo para investigar Lulinha

Lobista Roberta Luchsinger (E), amiga intima de Lulinha (D), filho do presidente Lula

A Polícia Federal pediu mais prazo para investigar o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por suspeitas de tráfico de influência no governo federal. Os investigadores alegam que o prazo inicial de 60 dias não foi suficiente para concluir as diligências e que ainda há medidas importantes em andamento. Os pedidos de prorrogação foram encaminhados ao Supremo Tribunal Federal (STF) em 2 de outubro e ainda aguardam decisão.

As investigações apuram possíveis irregularidades envolvendo relações de Lulinha com empresas e agentes públicos. Em uma das frentes, a PF quer esclarecer se ele teria atuado para favorecer negócios ligados ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, no Ministério da Saúde. O caso envolve tratativas relacionadas à comercialização de produtos à base de cannabis medicinal. Em outra investigação, os policiais apuram uma possível atuação para beneficiar uma empresa de tecnologia em negócios com a Dataprev, estatal responsável por sistemas de dados da Previdência Social.

A PF também pretende rastrear movimentações financeiras e identificar quem pagou viagens realizadas por Lulinha e pela lobista Roberta Luchsinger desde 2023. Os investigadores querem cruzar os deslocamentos com os de outros envolvidos e verificar se houve relação entre as viagens, reuniões com agentes públicos e negócios sob suspeita. Um dos episódios analisados é uma viagem a Portugal, em junho de 2024, realizada por Lulinha e Roberta, dias antes de o Careca do INSS viajar para o mesmo país.

Outra linha de apuração envolve o ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. A PF busca esclarecer possíveis conexões entre ele, Lulinha e Roberta, além de tratativas com integrantes do governo federal. Há ainda um terceiro inquérito, sob relatoria do ministro Flávio Dino, do STF, que investiga suspeitas de favorecimento de empresas junto ao poder público.

Os pedidos de prorrogação foram inicialmente encaminhados ao ministro André Mendonça, responsável por duas das investigações, mas os casos estão sendo direcionados ao gabinete do presidente do Supremo, Edson Fachin. Até o momento, não havia decisão sobre a ampliação do prazo.

A defesa de Lulinha contesta a continuidade das apurações e classifica as novas diligências como uma “pesca probatória”, expressão usada para criticar investigações que, segundo os advogados, procuram provas sem uma hipótese concreta devidamente sustentada. A defesa afirma que os extratos bancários do empresário não mostram pagamentos de Roberta Luchsinger e sustenta que a investigação deveria ser arquivada. Os advogados de Roberta também questionam a prorrogação e defendem o encerramento do inquérito.

Lulinha é alvo de três investigações no STF. As apurações buscam esclarecer suspeitas de tráfico de influência e possíveis favorecimentos em negócios com órgãos federais. Até o momento, as suspeitas investigadas não equivalem à comprovação de crime.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/xwk-brasil/policia-federal-pede-mais-tempo-para-investigar-lulinha

Moraes determina internação médica imediata de Augusto Heleno

General do Exército Augusto Heleno foi preso aos 78 anos – (Foto: Ton Molina/STF).

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a internação médica imediata do ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do governo Bolsonaro, Augusto Heleno, para a realização de uma consulta. Ele tem um retorno marcado com um neurocirurgião para o dia 22 de outubro.

O ex-ministro foi condenado a 21 anos de prisão por suposta tentativa de golpe de Estado, juntamente com o chamado “núcleo crucial” da ação penal 2668, que também contava com o nome de Jair Bolsonaro (PL).

Atualmente, Heleno teve o direito a domiciliar garantindo e cumpre a pena em sua residência.

Moraes ressaltou que ele pode se deslocar até o HFA para a consulta comprovadamente marcada. Moraes autorizou ainda a internação urgente de Heleno, sem necessidade de prévia decisão judicial, quando houver orientação médica.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/e07-brasil/moraes-determina-internacao-medica-imediata-de-augusto-heleno?dicbo=v2-TDICHNH

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