Crise no STF captura debate eleitoral, tira holofotes de candidatos e esvazia discussão de propostas

Maior crise já enfrentada pelo STF limita debate eleitoral a menos de 20 dias para o primeiro turno. (Foto: Imagem criada utilizando ChatGPT/Gazeta do Povo a partir de imagem original de Gustavo Moreno/STF)

Nunca se viu eleição como essa na história do país: a menos de 20 dias para a realização do primeiro turno no pleito que define presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais, os candidatos estão “fora dos holofotes” e a atenção dos eleitores voltada para a crise sem precedentes no Supremo Tribunal Federal (STF).

Nesse cenário, a discussão de propostas para os problemas concretos da população, que geralmente já não é lá essas coisas, fica ainda mais prejudicada. Os principais candidatos, ao invés de debaterem entre si soluções para os principais problemas do país, passam a maior parte do tempo trocando acusações sobre quem ou qual grupo político estaria mais envolvido no escândalo do Banco Master e teria mais proximidade com o banqueiro preso Daniel Vorcaro, em desdobramentos do caso no STF. 

Por falar em propostas, o debate eleitoral promovido pela Band TV, que abriu a série de encontros com candidatos a presidente nas eleições 2026, ficou esvaziado sem as presenças de Flávio Bolsonaro (PL), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Romeu Zema (Novo). Já o debate com presidenciáveis previsto para a noite da última segunda-feira (14) foi cancelado após nem Flávio nem Lula confirmarem presença dentro do prazo estabelecido.

Até 4 de outubro, data marcada para a votação do primeiro turno, estão agendados mais dois debates na televisão. A participação de Lula e de Flávio, porém, ainda é uma incógnita.

Caso mantenham as justificativas para a ausência no primeiro debate, é provável que não estejam nos demais encontros. Isso porque a campanha de Lula reclamou que Renan Santos (Missão) e Zema foram convidados — pela lei eleitoral, as emissoras não são obrigadas a convidar candidatos de partidos com menos de cinco representantes no Congresso Nacional. Por sua vez, Flávio confirmou que não vai participar de debates sem a presença de Lula.

Crise no STF muda critérios de voto para o eleitor?

Enquanto isso, na avaliação do cientista político Samuel Oliveira, a crise do STF não está apenas roubando espaço da eleição, e sim está mudando o critério pelo qual parte do eleitorado vai decidir o voto. “A 20 dias do primeiro turno, quando as campanhas normalmente tentariam fechar votos falando de economia, segurança, emprego e entregas de governo, o debate foi deslocado para confiança nas instituições, abuso de poder, corrupção, imparcialidade e limites entre os Poderes”, afirma. 

“O centro da eleição fica menor e a polarização fica maior. O próprio STF já demonstra preocupação de que as sessões virem ‘cortes’ de campanha nas redes. Portanto, não podemos dizer que a crise já virou a eleição. O efeito mais provável nesta fase é outro: ela endurece quem já tinha lado, aumenta rejeições e muda o ambiente no qual o eleitor indeciso fará sua escolha final, inclusive não escolhendo, o que pode refletir em aumento de brancos, nulos e abstenção”, pontua Oliveira. 

O cientista político chama atenção para um efeito menos óbvio e talvez mais importante ainda que na eleição presidencial: o Senado. “Em 2026 serão eleitos 54 senadores, dois terços da Casa. Então, quando o Supremo vira assunto dominante da campanha, o eleitor não está apenas escolhendo entre Lula e Flávio”, diz o cientista político.

“O eleitor pode começar a olhar para o candidato ao Senado perguntando o que ele fará com o STF?. Se essa dinâmica crescer, a maior consequência eleitoral da crise pode aparecer não apenas no Planalto, mas na composição do Senado que vai conviver com o próximo presidente e com o próprio Supremo a partir de 2027.”

E os reflexos aparecem nas campanhas presidenciais. “Enquanto isso, Flávio Bolsonaro tenta convencer o eleitor de que o desgaste do Supremo também é desgaste de Lula. O problema para Flávio é que a crise também bate à sua porta, pois ele aparece formalmente investigado no caso ‘Dark Horse’ e por suas eventuais relações com Daniel Vorcaro”, diz Oliveira.

Isso não significa, no entanto, que o assunto seja confortável para o atual presidente. “Lula está na posição inversa: quanto mais tempo a eleição falar de STF, Moraes e Master, menos se fala de emprego, renda, programas sociais e resultados de seu governo, terreno no qual prefere disputar a reeleição”, afirma o cientista político.

“A oposição tenta transformar a eleição num voto de indignação e mudança, Lula tenta transformá-la num julgamento sobre como está a vida das pessoas. Até agora, os números dizem que a crise não mudou o voto, mas numa eleição tão apertada, os poucos indecisos que ela conseguir mover podem fazer diferença”, ressalta Oliveira. 

Por outro lado, apesar de ocupar a maior parte do espaço no noticiário da imprensa política, que a essa altura estaria focado majoritariamente na eleição, e com consequente atenção do eleitor, a influência da crise no STF sobre a escolha dos candidatos por parte dos eleitores pode ser relativa. Pesquisa Datafolha divulgada no último dia 12 mediu o impacto da crise no STF na eleição do próximo presidente do Brasil.

Segundo o levantamento, 85% disseram que não mudaram de voto após ficarem sabendo da troca de mensagens entre Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes. Outros 7% não mudaram, mas ficaram em dúvida. Os que mudaram o voto e os que não sabem chegaram a 4% cada.

Em outra questão abordada pelo Datafolha, 71% afirmam concordar que o STF é essencial para proteger a democracia no Brasil. Outros 21% discordam e 3% não concordam nem discordam. Por fim, 5% não souberam responder.

A pesquisa foi encomendada pelo jornal Folha de S.Paulo e pela Globo. O Datafolha ouviu 2.002 pessoas de 16 anos ou mais entre os dias 8 e 10 de setembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O número de registro no TSE é BR-01833/2026.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/crise-no-stf-captura-debate-eleitoral-esvazia-discussao-propostas/

O horror no STF aumenta nossa responsabilidade nas eleições

O Brasil inteiro presenciou, horrorizado, as manobras usadas pela tropa de choque comandada por Gilmar Mendes e Flávio Dino para impedir – ao menos temporariamente – que Alexandre de Moraes seja investigado por suas conexões com Daniel Vorcaro. O presidente da Gazeta do Povo, Guilherme Cunha Pereira, mostra que, por incrível que possa parecer, é possível tirar algo de bom do que ocorreu neste dia 15: a desqualificação de vários dos ministros tornou-se inegável até para muitos que resistiam a perceber o óbvio, e isso aumenta a necessidade de escolhermos bem o presidente da República, que indicará os próximos membros do Supremo, e os senadores, que aprovam essas indicações e podem remover, pelo impeachment, os ministros que cometem crimes de responsabilidade.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/julgamento-moraes-stf-responsabilidade-eleitor/

Crise no STF chega aos EUA com pedido de novas sanções contra ministros

Crise no STF amplia pressão sobre a Corte e reacende em Washington a possibilidade de novas sanções contra ministros. (Foto: Antonio Augusto/Divulgação STF)

A crise do Banco Master abriu uma nova frente de pressão sobre o Supremo Tribunal Federal (STF) nos Estados Unidos. Os desdobramentos envolvendo Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro passaram a ser apresentados em Washington como possíveis novos elementos para uma eventual retomada de sanções contra o ministro, enquanto outros integrantes da Corte também podem entrar no radar americano. Analistas apontam, porém, que decisão do governo Trump deverá levar em conta o impacto político de uma nova ofensiva em um momento em que o Brasil se aproxima das eleições presidenciais.

A sessão realizada no plenário do STF nesta terça-feira (15) para analisar a abertura de uma investigação contra Moraes terminou sem decisão, após os ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes manobrarem para adiar a análise do mérito. Mesmo sem uma definição sobre o caso, os acontecimentos da sessão já foram levados à Casa Branca por Eduardo Bolsonaro como argumento para defender novas sanções dos Estados Unidos contra ministros do Supremo.

O tema foi tratado em uma reunião de Eduardo com integrantes do Departamento de Estado americano nesta quarta-feira (16). Segundo informou à Gazeta do Povo o jornalista Paulo Figueiredo, o ex-deputado pediu a aplicação de sanções dos EUA contra Moraes, Mendes e Dino. Outros encontros estão previstos para ocorrer esta semana em Washington.

Na semana passada, Eduardo já havia antecipado à agência Reuters que viajaria a Washington para defender a retomada das sanções baseadas na Lei Magnitsky contra Moraes. À agência, ele afirmou que a articulação por medidas do governo americano ocorre há mais de um ano e rejeitou que a iniciativa estivesse relacionada à eleição presidencial brasileira.

A possibilidade de novas sanções dos EUA chegou a ser mencionada durante o julgamento desta terça-feira. Flávio Dino citou notícias de que integrantes do STF poderiam voltar a ser alvo da Lei Magnitsky e criticou o que classificou como “tentativa de intervenção estrangeira sobre a Corte”.

Crise do Master envolvendo o STF pode alimentar novo debate em Washington

O portal UOL publicou nesta semana, ouvindo fontes dos Estados Unidos, que novas sanções contra Moraes e outros integrantes do Supremo voltaram a ser discutidas em Washington. Segundo a apuração, o processo que fundamentou a sanção anterior contra Moraes ainda seria considerado válido pelo Tesouro americano e uma retomada dependeria de aval do Departamento de Estado. Flávio Dino e Gilmar Mendes também estariam entre os nomes mencionados nas discussões, embora uma eventual medida contra outros integrantes da Corte exija procedimentos próprios e possa levar mais tempo.

Gazeta do Povo procurou o Departamento de Estado para comentar o caso, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem. O material será atualizado caso haja posicionamento.

Flavio Pierobon, mestre em ciência jurídica, especialista em direito constitucional, advogado e professor da Universidade Positivo (UP), considera que a ida de Eduardo a Washington pode ter peso real na decisão do governo Trump de retomar sanções contra ministros, devido ao atual ambiente político. Isso não significa, contudo, que uma nova ofensiva produziria os resultados esperados pelos seus defensores no Brasil.

Pierobon avalia que Washington deve considerar também a repercussão política das medidas adotadas anteriormente. Segundo ele, a pressão americana realizada no ano passado acabou fortalecendo o discurso do governo Lula de “defesa da soberania brasileira”, efeito contrário ao pretendido por aqueles que defenderam as punições.

A realização de eleições tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos também acrescenta, segundo o professor, outro fator ao cálculo da Casa Branca. “Em razão de existirem eleições tanto aqui quanto lá, um movimento nesse sentido mais brusco deverá ser calculado melhor pelos Estados Unidos”, afirmou.

Moraes pode voltar à lista da Magnitsky?

Do ponto de vista jurídico americano, a retirada de Moraes da lista de sanções não criou uma proteção contra uma nova designação.

O ministro foi incluído na lista da Lei Magnitsky em 30 de julho de 2025. Na ocasião, o Departamento do Tesouro afirmou que ele havia usado seu cargo para autorizar detenções preventivas arbitrárias e restringir a liberdade de expressão. A sanção foi aplicada por abusos graves de direitos humanos. Em setembro, Washington ampliou as medidas para Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, e para o Instituto Lex, que pertence à família Barci de Moraes. O Tesouro americano justificou as designações afirmando que ambos integravam uma estrutura que prestava apoio ao ministro. Os três foram retirados da lista em 12 de dezembro de 2025.

Fernando Villena Del Carpio, doutor em Direito e professor do curso de Relações Internacionais da Universidade Positivo (UP), explica que não existe impedimento para uma nova inclusão de Moraes na Magnitsky. “Não existe nenhum obstáculo, seja jurídico, seja administrativo, para uma pessoa ser colocada novamente na lista Magnitsky”, disse.

O próprio Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac), responsável pela aplicação de sanções financeiras, prevê processos administrativos para avaliar e reconsiderar designações e exclusões de suas listas de sanções. O secretário do Tesouro, em consulta com o secretário de Estado e o procurador-geral, tem total autoridade nos EUA para bloquear bens de estrangeiros que o governo americano determine serem responsáveis ou cúmplices de graves abusos de direitos humanos ou de determinadas práticas de corrupção.

Caso Master pode fornecer novos argumentos para sanções

As sanções aplicadas contra Moraes e demais ministros do Supremo no ano passado foram fundamentadas em casos de perseguição política e violação de direitos humanos. O decreto que regula a Lei Magnitsky, no entanto, também permite a aplicação de medidas baseadas na lei contra determinados agentes públicos envolvidos em corrupção, incluindo suborno, apropriação de ativos e corrupção relacionada a contratos governamentais.

Entre os elementos que provocaram a crise no STF estão mensagens atribuídas a Vorcaro dirigidas a Moraes e o contrato firmado pelo Banco Master com o escritório de Viviane Barci de Moraes. Nas comunicações com Moraes, a Polícia Federal identificou indícios de que o banqueiro recorria ao ministro em assuntos de interesse do Master e levantou suspeitas de possível favorecimento e tentativa de interferência em investigações que atingiam o banco. O Master está no centro da investigação da Polícia Federal sobre o suposto esquema de fraudes bilionárias no sistema financeiro brasileiro, além de suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa.

Moraes contesta as suspeitas contra si e afirmou que as mensagens atribuídas a ele no celular de Vorcaro não comprovam a existência de diálogos entre os dois. Segundo o ministro, textos encontrados no bloco de notas do aparelho foram tratados como se fossem mensagens enviadas a ele, sem que houvesse comprovação de autoria ou de que os conteúdos tivessem sido efetivamente encaminhados a seu número – as conversas ocorriam por imagens de visualização única. Moraes também argumentou que não existe, até o momento, pedido formal da Polícia Federal ou do Ministério Público para investigá-lo.

Para Villena Del Carpio, essas informações envolvendo o ministro e Vorcaro podem servir como ponto de partida para uma nova análise de sanções pelos EUA. Segundo ele, o peso desses elementos ainda dependerá do que as investigações brasileiras conseguirem comprovar, contudo, não seria necessário que o caso resultasse primeiro em uma condenação no Brasil para que Washington avaliasse novas medidas.

“As recentes revelações servem, eu não diria de material de prova ou material relevante, mas servem como indício, servem para um ponto de partida”, afirmou.

Outros ministros também poderiam ser sancionados

Uma eventual nova rodada de sanções também poderia atingir outros ministros do STF. O decreto que regula a Lei Magnitsky permite ao governo americano sancionar pessoas consideradas responsáveis, cúmplices ou participantes das condutas previstas pelo regime, além de indivíduos e estruturas que prestem apoio material ou atuem em nome de alguém já sancionado.

Villena Del Carpio lembra que, em tese, outros integrantes da Corte poderiam entrar na lista de sanções dos EUA caso o governo americano concluísse que suas condutas se enquadram nos critérios abrangidos pela Lei Magnitsky.

“Os Estados Unidos podem aplicar sanções não só ao Alexandre Moraes, mas a qualquer outro ministro do Supremo, aliás, a qualquer outra autoridade que eles acreditem que está violando o que se enquadra dentro dos pressupostos” da legislação, afirmou. O mesmo vale para familiares ou empresas.

Efeito das sanções está concentrado na jurisdição americana e pode ser limitado no Brasil

Os especialistas consultados pela reportagem divergem de uma leitura segundo a qual novas sanções americanas produziriam automaticamente efeitos amplos dentro do Brasil.

Quando uma pessoa entra na lista do Ofac, seus bens e interesses em bens que estejam nos Estados Unidos ou sob posse ou controle de pessoas americanas ficam bloqueados. Pessoas dos Estados Unidos também ficam, em regra, proibidas de realizar transações com o sancionado. Essas restrições podem produzir consequências econômicas relevantes, especialmente em operações que passam pelo sistema financeiro americano.

Contudo, Pierobon acredita que a lei Magnitsky, caso seja aplicada contra qualquer ministro, ainda pode ter efeito limitado no Brasil, uma vez que ela não equivale a uma condenação judicial em território nacional, nem obriga autoridades brasileiras a executar internamente uma punição.

“Uma decisão dos Estados Unidos é difícil de ser aplicada no Brasil porque depende de atos de autoridade interna para que ela tenha um efeito concreto”, afirmou.

Segundo ele, uma nova sanção contra Moraes ou outros ministros tenderia a produzir efeitos jurídicos semelhantes aos observados em 2025.

Quando foi enquadrado na Magnitsky, Moraes teve ao menos um cartão de bandeira americana bloqueado no Brasil e ficou sujeito a restrições em operações financeiras ligadas aos Estados Unidos, inclusive transações em dólar. Contudo, as restrições não bloquearam automaticamente as operações financeiras de Moraes dentro do Brasil.

Na época, alguns bancos avaliaram que pagamentos, transferências e outras transações realizadas exclusivamente em reais não estavam abrangidas pela sanção americana. O ministro chegou a receber, segundo o jornal O Globo, um cartão da bandeira brasileira Elo após ter seus cartões de bandeira americana bloqueados.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/crise-no-stf-chega-aos-eua-com-pedido-de-novas-sancoes-contra-ministros/

“Pessoa horrível”: 6 vezes em que Gilmar Mendes ouviu o que não queria no STF

Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal. (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil/Arquivo)

Há ministros que atravessam décadas no Supremo colecionando decisões, votos e precedentes. Gilmar Mendes, além disso, parece ter desenvolvido uma coleção paralela: a de embates, reprimendas e frases que dificilmente seriam encontradas em um manual de etiqueta da magistratura. 

Na sessão extraordinária do STF dessa terça-feira (15), marcada para analisar a suposta troca de mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, André Mendonça acrescentou mais uma peça à coleção de desaforos ouvidos por Gilmar Mendes. 

Depois de ouvir do decano da Corte que sua atuação tinha “inequívoco viés político-eleitoral”, Mendonça reagiu dizendo que Mendes não estava falando “com qualquer um” e completou, em tom ríspido: “não aponte o dedo para mim”

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A cena chamou atenção, mas está longe de ser única. O plenário do Supremo já foi palco de discussões em que a temperatura subiu bem mais do que seria de esperar entre os integrantes da mais alta Corte do país. E, em várias delas, Gilmar Mendes ocupou a incômoda posição de protagonista. 

Gazeta do Povo preparou uma lista com seis ocasiões em que Mendes pode até ter falado o que quis, mas acabou ouvindo o que não queria. 

Gilmar Mendes X Joaquim Barbosa, 2009: “Capangas do Mato Grosso” 

Em 22 de abril de 2009, o ministro Joaquim Barbosa se mostrou insatisfeito com o desfecho de uma votação da qual não havia participado, e tentou reabrir a discussão. Mendes tentou desqualificar o colega pela forma de sua manifestação, e foi prontamente rebatido. 

Mendes: Vossa Excelência não tem condições de dar lição a ninguém. 

Barbosa: E nem Vossa Excelência. Vossa Excelência me respeite, Vossa Excelência não tem condição alguma. Vossa Excelência está destruindo a Justiça desse país e vem agora dar lição de moral em mim? Saia à rua, ministro Gilmar. Saia à rua, faz o que eu faço. 

Mendes: Eu estou na rua, ministro Joaquim. 

Barbosa: Vossa Excelência não está na rua não. Vossa Excelência está na mídia, destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro. É isso. Vossa Excelência quando se dirige a mim não está falando com os seus capangas do Mato Grosso, ministro Gilmar. Respeite. 

Gilmar Mendes X Luis Roberto Barroso, 2017: “Juiz não pode ter correligionário” 

Em 26 de outubro de 2017, o STF estava reunido em discussão sobre a extinção dos Tribunais de Contas de Municípios do Ceará. O assunto foi para escanteio quando Mendes começou um bate-boca com Barroso sobre a decisão que libertou José Dirceu da cadeia. 

Mendes: Vossa excelência, quando chegou aqui, soltou José Dirceu. 

Barroso: Porque recebeu indulto da presidente da República. 

Mendes: Não, não. Vossa excelência julgou os embargos infringentes. 

Barroso: Absolutamente. Isso é mentira. Aliás, vossa excelência normalmente não trabalha com a verdade. Então gostaria de dizer que José Dirceu foi solto por indulto da presidente da República. 

Mendes: Vossa excelência julgou. 

Barroso: E vossa excelência está fazendo um comício que nada tem que ver com extinção de tribunal de contas do Ceará. 

Mendes: Tem, sim. 

Barroso: Vossa Excelência está queixoso porque perdeu o caso dos precatórios e está ocupando o tempo do plenário com um assunto que não é pertinente para destilar esse ódio constante que vossa excelência tem, e agora o dirige contra o Rio. Não julga, não fala coisas racionais, articuladas, sempre fala coisa contra alguém, está sempre com ódio de alguém, está sempre com raiva de alguém. 

Mais à frente, Barroso voltou a criticar Mendes. 

Barroso: Não transfira para mim esta parceria que vossa excelência tem com a leniência em relação à criminalidade do colarinho branco. 

Mendes: Quanto ao meu compromisso com o crime de colarinho branco, presidente, eu tenho compromisso com os direitos fundamentais. Eu não sou advogado de bandidos internacionais. 

Barroso: Vossa Excelência vai mudando a jurisprudência de acordo com o réu. Isso não é Estado de Direito, é Estado de compadrio. Juiz não pode ter correligionário. 

Gilmar Mendes X Ricardo Lewandowski, 2015: “Eu não faço insinuações, digo diretamente” 

Na sessão de 2 de dezembro de 2015, o STF estava julgando a possibilidade de condenados em regime semiaberto cumprirem a pena em regime domiciliar, caso não houvesse vagas nos presídios. O então presidente da Corte, ministro Ricardo Lewandowski, divergiu do voto de Mendes, que cobrava do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a execução de medidas para fiscalizar o monitoramento de presos. 

Lewandowski avaliou que o “Programa Começar de Novo”, criado quando Gilmar Mendes era presidente do STF e do CNJ, poderia estar superado por outras ações em andamento. Sem pedir aparte, Mendes o interrompeu e começou a discussão. 

Mendes: A questão do trabalho do preso, tenha o nome que tiver. Senão nós vamos ficar naquela disputa do “Bolsa Família” com o “Bolsa Escola”, com os estelionatos eleitorais que se fazem. 

Lewandowski: O CNJ não faz nenhum estelionato. 

Mendes: Eu chamei o programa de “Começar de Novo” o programa que faça as vezes de. Porque senão fica muito engraçado. Vamos tratar as pessoas com a devida seriedade. 

Lewandowski: Vossa Excelência está dizendo que eu não estou tratando com a devida seriedade? 

Mendes: Vossa Excelência não está tratando com a devida seriedade. 

Lewandowski: Não, absolutamente. Peço que Vossa Excelência retire isso. 

Mendes: Eu não sou de São Bernardo e não faço fraude eleitoral. 

Lewandowski: E eu não sou de Mato Grosso, Vossa Excelência me desculpe. Vossa excelência está fazendo ilações incompatíveis com a seriedade do Supremo Tribunal Federal. 

Mendes: Vossa Excelência está insinuando… 

Lewandowski: Eu não estou insinuando nada. Eu não faço insinuações, eu digo diretamente, ministro, o que eu tenho que dizer. 

Gilmar Mendes X Ricardo Lewandowski, 2015: “Quem preside a sessão sou eu” 

Meses antes, em setembro de 2015, os dois ministros já haviam entrado em rota de colisão no plenário do STF durante o julgamento sobre o financiamento de campanhas eleitorais por empresas. Mendes era a favor dessa modalidade, e deixou isso claro em um voto que durou mais de quatro horas. 

Ao fim da longa fala, o advogado responsável pela Ação Direta de Inconstitucionalidade pediu a palavra por uma “questão de fato”, no que foi prontamente concedido por Lewandowski. O presidente da Corte ainda advertiu o advogado de que ele não poderia fazer uma réplica ao voto. Ainda assim, a medida irritou Mendes, que abandonou o plenário. 

Mendes: Presidente, ei, não tem nada de questão de fato. Tudo isto está dentro do voto. 

Lewandowski: Vamos garantir a palavra ao advogado. Vossa Excelência falou por quase cinco horas. 

Mendes: Eu sou um membro da corte, e o advogado é um advogado. 

Lewandowski: Não, o advogado representa a OAB e merece ter direito à palavra. 

Mendes: Vossa Excelência pode deixar ele falar por 10 horas. Eu não fico aqui. 

Lewandowski: E quem preside a sessão sou eu, ministro. 

Gilmar Mendes X Ricardo Lewandowski, 2016: “Vossa Excelência me esqueça!” 

O ano de 2016 foi frutífero nas discussões entre Mendes e Lewandowski. Embalados pela forma como o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff foi conduzido, ambos os ministros relembraram o caso durante uma discussão em um julgamento sobre a contribuição previdenciária em gratificações temporárias de trabalhadores, em novembro daquele ano.

Mendes decidiu pedir vista no julgamento, mesmo após voto favorável à causa. O pedido foi questionado por Lewandowski, que considerou a postura do colega como “inusitada”. 

Lewandowski: Perdão, pela ordem, o ministro Gilmar Mendes já não havia votado? Tenho a impressão de que acompanhou a divergência. Sua Excelência está abrindo mão do voto já proferido? Data Vênia, um pouco inusitado isso [pedir vista após o voto]”. 

Mendes: Enquanto eu estiver aqui, posso fazer. Vossa Excelência fez coisa mais heterodoxa. 

Lewandowski: Graças a Deus eu não sigo o exemplo de Vossa Excelência em matéria de heterodoxia. Graças a Deus. 

Mendes: Vossa Excelência fez coisas mais heterodoxas. 

Lewandowski: E faço disso meu ponto de honra.  

Mendes: Basta ver o que Vossa Excelência fez no Senado [referindo-se ao fatiamento da votação do impeachment]. 

Lewandowski: No Senado? Basta ver o que Vossa Excelência faz diariamente nos jornais, é uma atitude absolutamente, a meu ver, incompatível. 

Mendes: Faço isso inclusive para reparar os absurdos que Vossa Excelência faz. 

Lewandowski: Absurdos não. Vossa Excelência retire o que disse, porque isso não existe. Vossa Excelência está faltando com o decoro não é de hoje. 

Mendes: E não é de hoje. 

Lewandowski: E eu repilo. Repilo! Vossa Excelência, por favor, me esqueça! 

Gilmar Mendes X Luis Roberto Barroso, 2018: “Uma mistura do mal com atraso e pitadas de psicopatia” 

Uma das broncas mais célebres recebidas por Gilmar Mendes no plenário do STF foi dita pelo ministro Luis Roberto Barroso em 21 de março de 2018. A Corte estava reunida discutindo a inconstitucionalidade de doações ocultas feitas para campanhas eleitorais. 

Mendes disparou sua metralhadora verbal contra a então presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, e ao ministro Luiz Fux. Ao citar supostas manobras na votação de alguns processos, Mendes lembrou da questão do aborto. 

Aquele processo foi julgado pela 1ª Turma, então presidida por Barroso. Na ocasião, se decidiu descriminalizar a interrupção da gestação feita nos três primeiros meses de gravidez. O voto vencedor, em divergência ao relator Celso de Mello, foi justamente o de Barroso. 

Ao tentar voltar para a questão eleitoral, onde era voto vencido, Mendes foi abruptamente interrompido por Barroso em um puxão de orelha que chegou a estampar camisetas à venda na internet. 

Mendes: É preciso que a gente anteveja esse tipo de manobra. Porque não se pode fazer isso com o Supremo Tribunal Federal. “Ah, agora eu vou dar uma de esperto e vou conseguir a decisão do aborto”. Sendo, de preferência, na turma com dois, com três ministros. Aí a gente faz um 2×1. 

Barroso: Me deixa de fora desse seu mau sentimento. Você é uma pessoa horrível, uma mistura do mal com atraso e pitadas de psicopatia. Isso não tem nada a ver com o que está sendo julgado. É um absurdo Vossa Excelência aqui fazer um comício cheio de ofensas, grosserias. Vossa Excelência não consegue articular um argumento, fica procurando. Já ofendeu a presidente, ofendeu o ministro Fux, agora chegou a mim. A vida para Vossa Excelência é ofender as pessoas. Não tem nenhuma ideia. Nenhuma, nenhuma. Só ofende as pessoas, ofende as pessoas. Qual é a sua ideia? Qual é a sua proposta? Nenhuma, nenhuma. É bílis, ódio, mau sentimento, mal secreto. Uma coisa horrível. Vossa Excelência nos envergonha. 

Mendes: Eu estou com a palavra, presidente. 

Barroso: Vossa Excelência é uma desonra para o tribunal, é uma desonra para todos nós. Um temperamento agressivo, grosseiro, rude. É péssimo isso. Vossa Excelência sozinho desmoraliza o tribunal. É muito ruim, é muito penoso para todos nós, termos que conviver com Vossa Excelência aqui. Não tem ideia, não tem patriotismo, está sempre atrás de algum interesse que não é o da Justiça. Uma coisa horrorosa. É uma coisa horrorosa, uma vergonha. Um constrangimento, é muito feio isso. Isso é um Supremo Tribunal Federal. 

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/pessoa-horrivel-6-vezes-em-que-gilmar-mendes-ouviu-o-que-nao-queria-no-stf/

Deputado dos EUA cobra OEA sobre Moraes e proximidade de observador eleitoral com Lula

Carta do deputado federal americano Chris Smith amplia pressão internacional sobre Alexandre de Moraes (Foto: Gage Skidmore/Wikimedia Commons)

O deputado federal americano Chris Smith (Partido Republicano) enviou na última terça-feira (15) uma carta à Organização dos Estados Americanos (OEA) na qual cobrou providências da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) – órgão da OEA – sobre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e um posicionamento sobre as eleições de outubro no Brasil.

Na mensagem, à qual a Gazeta do Povo teve acesso, Smith lembrou da comunicação que enviou à CIDH em 2024, perguntando o que esta pretendia fazer sobre o que chamou de “abuso de autoridade, supressão da expressão e censura de manifestação política protegida por lei” pelo STF.

O deputado escreveu que a visita de um relator especial da CIDH, Pedro Vaca Villarreal, ao Brasil em fevereiro de 2025 “representou um passo na direção certa por parte da CIDH; no entanto, a situação no país continuou a se deteriorar”.

“No relatório de visita ao país, divulgado em 26 de dezembro de 2025, o relator especial recomendou que o Supremo Tribunal Federal restringisse o uso de procedimentos sigilosos, suspendesse ordens de restrição à liberdade de expressão emitidas antes de uma decisão de mérito e se abstivesse de restringir a expressão com base em conceitos vagos e imprecisos, como ‘desinformação’, ‘informação incorreta’ ou ‘atos antidemocráticos’, entre outras recomendações. Tais preocupações permanecem sem resposta e sem solução por parte do governo brasileiro”, escreveu Smith.

Em seguida, o deputado republicano abordou as revelações sobre os vínculos de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro.

“A divulgação de provas da Polícia Federal, extraídas do telefone de Vorcaro, revelaria que ele mantinha uma relação próxima e anteriormente não revelada com o ministro Moraes, incluindo pelo menos seis encontros presenciais, pedidos para que o ministro interviesse junto às autoridades policiais em seu favor e um contrato de aproximadamente US$ 23 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa do ministro”, disse Smith à OEA.

“Essas revelações desencadearam uma crise institucional na mais alta corte do Brasil, levando ao afastamento do ministro Moraes de casos importantes que ele supervisionava e a editoriais de grandes jornais brasileiros pedindo sua renúncia ou impeachment”, acrescentou o deputado, que lembrou as sanções aplicadas pelo governo Donald Trump contra o ministro via Lei Magnitsky no ano passado (posteriormente retiradas).

“É estarrecedor que o ministro Moraes não seja mencionado sequer uma vez no relatório de visita ao país emitido pelo relator especial, apesar de haver relatos que identificam mais de cem decisões restringindo a liberdade de expressão de brasileiros”, criticou Smith.

O deputado então mencionou a eleição de outubro, alegando que a situação “é particularmente preocupante” diante do “surgimento de evidências de interferência do Supremo Tribunal Federal nas eleições anteriores, por meio da censura a opositores políticos, inclusive àqueles que criticavam o processo de votação”.

Nesse sentido, Smith alertou sobre a designação do ex-secretário-geral da OEA José Miguel Insulza (ex-ministro do Interior e ex-senador do Chile) como chefe da missão de observação eleitoral da organização no pleito brasileiro.

“É fato amplamente documentado que o senhor Insulza e o presidente [Luiz Inácio] Lula da Silva mantêm uma relação política de longa data e que o presidente Lula apoiou a candidatura do senhor Insulza ao cargo de secretário-geral da OEA em 2005”, lembrou o deputado.

“Diante desse cenário, solicitamos uma ação célere e uma declaração pública por parte da CIDH e do relator especial para a liberdade de expressão que reforcem as obrigações assumidas pelo Brasil de garantir o direito de seus cidadãos de buscar, receber e difundir livremente informações e ideias de qualquer natureza — inclusive de cunho político — e que assegurem ao povo brasileiro que seu direito de votar e de ser eleito em eleições genuínas e periódicas será preservado”, escreveu Smith.

O deputado republicano pediu na mensagem uma “rápida resposta” da OEA sobre suas considerações, mas ainda não houve manifestação.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/deputado-eua-cobra-oea-moraes-proximidade-observador-eleitoral-lula/

Alcolumbre se torna alvo de campanhas eleitorais em meio a julgamento de Moraes

Nikolas Ferreira organizou protesto contra Moraes para pressionar Alcolumbre no estado do presidente do Senado. (Foto: Rhuan Pablo/Divulgação Nikolas Ferreira)

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tornou-se um dos principais alvos da direita durante esta semana de julgamento do ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF). O senador do Amapá é acusado de barrar a votação de pedidos de abertura de processo de impeachment contra o aliado.

Com a escalada da crise no Supremo, a oposição voltou a pressionar Alcolumbre no Congresso e a postura do presidente do Senado foi objeto de manifestações encabeçadas por candidatos. Durante o julgamento no STF nesta terça-feira (15), o candidato a presidente Romeu Zema (Novo-MG) protestou junto com deputados e senadores do Novo, em frente ao Congresso Nacional, para cobrar a abertura da investigação contra Moraes no STF.

“Boa parte do Supremo está apodrecido, se corrompeu e perdeu toda a credibilidade. Em 135 anos, o STF nunca teve esse tipo de comprometimento tão grave por causa dessa cultura dos ‘intocáveis’, que se consideram acima da lei”, disse o presidenciável.

Antes do evento, Zema acusou Alcolumbre de blindar os ministros da Suprema Corte ao não colocar em pauta no Senado a votação para abertura de processos, que podem culminar na cassação de mandatos dos magistrados. “O Davi Alcolumbre é a ‘paquita do Xandão’ e já engavetou mais de 100 pedidos de impeachment contra ministros, incluindo o meu pedido contra Alexandre de Moraes”, declarou.

No último domingo (13), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), candidato à reeleição, organizou uma manifestação em Macapá em favor do impeachment de Moraes e com cobranças a Alcolumbre. O deputado mineiro afirmou que o presidente do Senado será considerado “um dos maiores covardes da história”, caso não coloque em votação a possibilidade de abertura do processo de responsabilização de Moraes, em decorrência das suspeitas envolvendo a relação dele com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

“Estamos aqui não pedindo vingança, mas justiça; paute o impeachment e o resto nós faremos. E nunca mais o Amapá vai se curvar à velha política”, declarou Ferreira durante o protesto.

Oposição volta a se mobilizar por impeachment de Moraes e pressiona Alcolumbre

Reeleito senador em 2022, Alcolumbre não disputará as eleições deste ano. O mandato é de oito anos e o presidente da Casa Alta se movimenta pela reeleição ao comando do Senado para manter o controle da pauta.

Um dos cotados para fazer frente a Alcolumbre na disputa pela direção da Casa, o líder da oposição no Senado e coordenador da campanha à Presidência de Flávio Bolsonaro (PL), Rogério Marinho (PL-RN), criticou a “inércia” do adversário e do Congresso Nacional.

“Estamos indignados, inclusive, com a nossa inércia como instituição, não a minha, não a dos senadores aqui presentes. Como eu disse, o regimento desta Casa dá um poder desmedido a seu presidente”, cutucou ele. Na segunda-feira (14), os parlamentares da oposição apresentaram propostas para mudanças no regimento interno do Senado, na tentativa de diminuir o monopólio de decisão do presidente da Casa.

Na semana passada, Alcolumbre lembrou das denúncias do caso “Dark Horse” contra Flávio Bolsonaro e saiu em defesa de Moraes em pronunciamento no plenário do Senado. “Todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para as mesmas pessoas para fazer um filme e agora o culpado sou eu e o ministro Moraes”, rebateu.

FONTE: GAZEAT DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/alcolumbre-alvo-campanhas-eleitorais/

Sílvio Ribas

A audácia de Flávio Dino que frustrou o julgamento de Moraes e piora a crise do STF

Ministro encabeçou ofensiva para tirar relatoria de Fachin e buscar sorteio para caso Moraes-Vorcaro. (Foto: Rosinei Coutinho/STF)

A sessão de 15 de setembro no Supremo Tribunal Federal (STF), convocada para só decidir se o ministro Alexandre de Moraes deveria ser investigado, frustrou milhões de cidadãos que a seguiam ao nada decidir. Oito horas de debate sobre questão de ordem sequestraram a Corte e expuseram o racha.

A estratégia regimental pautou a sessão. Em vez de analisar as escandalosas 52 mensagens de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, a Moraes, o plenário se atolou em discussões sobre relatoria, eventual reunião do caso com acusações contra Mendonça e duros insultos trocados. O mérito sumiu.

O ministro Flávio Dino assumiu logo protagonismo da catimba. Interrompeu manifestações, desautorizou o presidente Edson Fachin e questionou a sua decisão de assumir a relatoria da petição 16.662. Chegou a advertir que a interpretação dele poderia abrir “avenida” para autoritarismo nos tribunais.

Gilmar Mendes, por sua vez, elevou ainda mais a temperatura do plenário com o seu estilo agressivo. Em sucessivos embates, atacou a condução da investigação por André Mendonça e sustentou haver motivação eleitoral no caso. Mendonça negou parcialidade e resistiu às acusações de colegas.

O jogo de intimidações de ministros por ministros, que incluiu uma explícita busca por constrangimentos contidos no celular de Vorcaro, alcançou convenientemente outros, levando à saída de Kássio Nunes Marques do julgamento, se declarando suspeito, assim como fizera Dias Toffoli antes.

Julgamento de Moraes foi engolido por debate sobre procedimentos

Luiz Fux votou com Fachin e Mendonça na defesa da tramitação separada e entrou em choque com Gilmar ao discutir a atuação da Polícia Federal (PF). O uso da chamada “PF paralela” para produzir relatórios clandestinos e convenientes e espionar ministros do STF abriu, assim, um segundo front.

Moraes negou irregularidades e acusou Mendonça de agir por vingança e motivação política. Sua defesa de 44 páginas enviada horas antes e repetida em plenário contesta relatório da PF contra ele, frisando que a corporação ou da Procuradoria-Geral da República (PGR) não pediram para investigá-lo. Ele não se reconheceu suspeito e até votou em sua própria causa no plenário.

Para o cientista político Paulo Kramer, a atuação de Dino, Gilmar e Moraes na sessão seguiu estratégia coordenada para deslocar o foco do mérito do julgamento e prolongar discussões laterais. “O trio impôs agenda, enquanto Mendonça, Fachin e Cármen não reagiram com igual articulação”, disse.

Kramer critica a tentativa de estabelecer equivalência entre as condutas de Mendonça e Moraes e sustenta que a legitimidade do STF depende, em última instância, da confiança do público. Nesse ponto, a Corte encontra-se no momento de pior aprovação, agravado pelos últimos acontecimentos.

Dino paralisa julgamento e amplia o papel decisivo de Cármen Lúcia

Cármen Lúcia confirmou o seu peso decisivo na correlação interna do STF. Ela votou com Fachin, Mendonça e Fux para manter separados os casos de Moraes e Mendonça e sinalizou apoio à investigação de Moraes. Gilmar, Zanin, Dino e Moraes formaram o bloco em favor da junção dos dois casos.

Diante do placar virtualmente empatado em quatro a quatro para a tal questão de ordem, Dino pediu vista depois de registrar o seu voto a favor, anulando a sua manifestação inicial e a deixando em suspense. Com isso, ele paralisou o julgamento por até três meses, bem além das eleições de outubro, e deixou o desfecho do impasse em um horizonte incerto.

Como forma de pressionar colegas, Dino ainda levou ao plenário a notícia de possíveis novas sanções dos Estados Unidos contra integrantes do STF. Classificou eventual pressão externa como ilegítima e questão de soberania nacional. A sua fala deu dimensão internacional à sessão extraordinária.

Crise do STF atravessa o plenário e alcança a campanha presidencial

A crise já entrou na campanha. Flávio Bolsonaro fez pronunciamento associando Lula a Moraes e ao desequilíbrio entre Poderes, embora tenha evitado tratar de suas próprias referências no material ligado a Vorcaro. A disputa eleitoral passou, portanto, a disputar também a interpretação do caso Master.

A Quaest ajuda a dimensionar esse ambiente, sem estabelecer causalidade: Flávio tem 42% e Lula 40% em um eventual segundo turno, empate dentro da margem de dois pontos. Foram ouvidos 2.004 eleitores, de 10 a 13 de setembro, com 95% de confiança. Registro TSE BR-03607/2026.

O saldo institucional do dia foi uma Corte que mostrou suas fissuras antes de examinar as suspeitas que motivaram a sessão. Entre impedimentos, acusações, questões regimentais e o pedido de vista de Dino, o STF adiou seu teste mais difícil: definir como fiscaliza um de seus próprios ministros sem comprometer a imparcialidade que exige dos demais.

Para João Henrique Hummel Vieira, diretor da consultoria Action, a crise no STF teve efeito inesperado: mobilizou a sociedade por esclarecimentos. A divisão da Corte inquieta o eleitorado e, segundo ele, a associação política construída entre Lula e Moraes amplia o desgaste do presidente.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/silvio-ribas/a-audacia-de-flavio-dino-que-frustrou-o-julgamento-de-moraes-e-piora-a-crise-do-stf/

Galípolo traiu Lula? Por que o presidente do Banco Central virou a “decepção” do petista

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, com o ex- ministro da Fazenda, Fernando Haddad (Foto: Ricardo Stuckert/PR/YouTube)

Reservadamente, Lula vê em Gabriel Galípolo, nome que indicou para a presidência do Banco Central (BC), o maior “traidor” em sua trajetória política. Os motivos: o ritmo lento dos cortes da taxa de juros Selic em ano eleitoral e a postura no caso Banco Master.

Publicamente, o petista já afirmou estar “triste e frustrado” com a manutenção dos juros em níveis elevados. No entanto, segundo apuração do Poder360, Lula disse a interlocutores que a “traição de Galípolo” é maior do que a recebida do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, que afirmou, durante as investigações da Lava Jato, que Lula havia recebido propina.

Antes de chegar ao comando do BC, Galípolo foi coordenador de campanha de Lula na área econômica, nas eleições de 2022, além de secretário-executivo do Ministério da Fazenda e diretor de Política Monetária da autarquia.

A pressão de Lula por juros mais baixos

“Nós temos que ir ajustando as coisas e eu tenho certeza que o Gabriel Galípolo vai consertar a taxa de juros nesse país e nós só temos que dar a ele o tempo necessário para fazer as coisas”, disse Lula a uma rádio do Amapá em fevereiro de 2025.

Quando Galípolo assumiu a presidência do Banco Central, em janeiro de 2025, a taxa de juros estava em 12,25%. De lá para cá, a Selic foi aumentando até chegar em 15% e atualmente se encontra em 13,75% ao ano, após ser reduzida em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira (16).

Lula, no entanto, já cobrava publicamente de Roberto Campos Neto – ex-presidente do BC, indicado por Jair Bolsonaro – a redução dos juros e atrelava a manutenção da Selic elevada a uma tentativa de desestabilizar seu governo.

Apesar das críticas do petista, a definição da Selic cabe ao Comitê de Política Monetária (Copom), que toma suas decisões com base nas condições econômicas e nas perspectivas para a inflação.

A permanência da Selic em patamares elevados tem sido justificada pelo Copom pela necessidade de conter as pressões inflacionárias e assegurar a convergência da inflação para a meta.

Em público, Lula nega rompimento com Galípolo

Segundo a Folha de S. Paulo, o presidente negou a banqueiros e empresários, em jantar no Palácio da Alvorada, em 31 de agosto, a informação de que considera Galípolo um traidor, mas reafirmou o descontentamento com os juros altos. Ao mesmo tempo, disse que o dirigente da autoridade monetária tem um mandato a cumprir no BC e que isso será respeitado.

A justificativa técnica, porém, não encerra a insatisfação entre aliados de Lula. Um dos mais próximos, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), diz que a queda da Selic é “decepcionante”. Segundo ele, o movimento ocorre em “ritmo de tartaruga”.

Durante sabatina na TV Record na última terça (15), ele ressaltou que a autonomia do BC limita a capacidade de um presidente eleito de conduzir a política econômica de acordo com o programa aprovado nas urnas

Outra figura próxima a Lula que manifestou críticas à atuação de Galípolo foi o ex-ministro José Dirceu. Ele afirmou que a definição da Selic está sendo feita de forma política. “Por que temos essa Selic? Qual é a explicação?”, questionou.

Os diretores do BC que integram o Comitê de Política Monetária (Copom), porém, foram indicados no governo do petista.

Caso Master: o segundo ponto de atrito entre Lula e Galípolo

Há, ainda, um segundo motivo para a decepção de Lula com o presidente do BC: o escândalo do Banco Master. O PT buscou vincular o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para atribuir a responsabilidade pelo crescimento e pelas fraudes da instituição ao governo de Jair Bolsonaro.

A estratégia, porém, esbarrou no próprio BC: na CPI do Crime Organizado, Galípolo blindou Campos Neto ao dizer que nenhuma auditoria ou sindicância aponta culpa do ex-presidente da autoridade monetária.

Por que os juros continuam elevados

Mesmo com os cortes na Selic, o Brasil mantinha, em agosto, a segunda maior taxa de juros real do mundo — 9,33% ao ano, atrás apenas da Rússia (9,67%), segundo levantamento da MoneYou.

Ao longo do ano, os integrantes do Copom destacaram, nos comunicados e atas das reuniões que decidiram as reduções, que o esmorecimento no esforço de disciplina fiscal e reformas estruturais, as incertezas em relação à estabilização da dívida pública e o aumento do crédito direcionado tendem a manter as taxas em níveis mais elevados. A taxa de juros neutra, aquela que não estimula nem desestimula a atividade econômica, estaria ficando mais alta.

O cenário permanece complexo. Além da questão fiscal, Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, aponta outros fatores que tornam mais difícil a redução dos juros nos próximos meses: o calendário eleitoral tende a pressionar o câmbio; o El Niño ameaça os preços dos alimentos até o início de 2027; os preços dos serviços seguem resilientes; e o barril do petróleo voltou a ser cotado acima de US$ 100.

Mercado também quer juros baixos, mas a razão é outra

A cobrança por juros baixos, porém, não é exclusividade do Planalto. No mercado, a crítica aponta na mesma direção, mas o diagnóstico é outro: a raiz do problema não está na suposta politização do BC, e sim no desequilíbrio fiscal e na lentidão das reformas estruturais.

O presidente do conselho de administração do BTG Pactual, André Esteves, afirmou na segunda-feira (14), durante evento do Esfera Brasil em São Paulo, que o principal passo para consolidar a estabilidade macroeconômica do país é chegar a taxas de juros que definiu como “civilizatórias”.

“Isso vale muito mais do que qualquer programa social, do que qualquer política de governo, do que aumentar um pouquinho o investimento. O juro sair de 14% para 7% é uma transformação nesse Brasil, que brigamos tanto para andar na direção certa.”

Camilo Cavalcanti, gestor de carteiras da Oby Capital, credita o desempenho recente da economia ao efeito da política monetária, mas não vê espaço para cortes mais expressivos nos juros nos próximos meses.

Pela meta contínua de inflação, o Banco Central persegue 3% ao ano pelo IPCA, com tolerância de 1,5 ponto percentual.

“As expectativas de inflação para 2027 continuam se deteriorando, hoje em torno de 4,3%, ainda desancoradas em relação à meta de 3%. Isso além da difícil situação fiscal, que não se encaminha de maneira simples e não está presente nos discursos eleitorais”, afirma.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/economia/lula-galipolo-selic-juros-2026/

Gilmar aprofunda crise e diz que Mendonça fez ajuste prévio com Fux sobre afastamentos na PF

Ministro decano do STF acusa Mendonça de ter acertado previamente condução de afastamentos na PF. (Foto: Alejandro Zambrana/STF)

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acusou o presidente da Segunda Turma, Luiz Fux, de ter feito um “prévio ajuste” com André Mendonça para acelerar a análise da decisão que afastou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada, das funções.

Em um ofício enviado a Fux na última sexta-feira (11) e revelado nesta quinta-feira (17), Gilmar questionou a rapidez com que o caso foi incluído em sessão extraordinária da Segunda Turma e recebeu votos favoráveis de Fux e Nunes Marques. Segundo o ministro, a sequência registrada no sistema do STF indica que a sessão foi convocada sem que todos os ministros tivessem sido previamente informados.

“Vê-se, pois, que, em pouco mais de uma hora, uma decisão de tamanha gravidade institucional, […] foi proferida, divulgada pela imprensa, pautada para referendo e submetida a julgamento virtual, sem que se possibilitasse à totalidade dos integrantes do colegiado o integral conhecimento dos fatos e a adequada reflexão jurídica a seu respeito”, disparou Gilmar.

Pouco depois, Mendonça respondeu a Gilmar afirmando que jamais ameaçou os colegas de “execração pública” e “nem se valeu de linguajar impróprio” durante julgamento.

A decisão monocrática de Mendonça aprofundou uma crise que havia começado dias antes após o magistrado tirar o sigilo de um relatório de investigação que apontou supostas relações entre o colega Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro.

No ofício, Gilmar cita a Fux o que seria uma cronologia dos atos de Mendonça que levantaram a suspeita de “prévio ajuste – não comunicado a parcela dos demais colegas integrantes do colegiado”:

  • 8h43: André Mendonça concedeu a medida cautelar que determinou o afastamento de Andrei Rodrigues;
  • 9h29: o gabinete de Mendonça incluiu o processo na pauta da Segunda Turma para referendo;
  • 9h38: o gabinete de Gilmar foi informado sobre a convocação da sessão extraordinária, marcada para as 10h;
  • 10h: Gilmar pediu vista do processo, interrompendo o julgamento;
  • 10h04 e 10h06: Fux e Nunes Marques anteciparam seus votos e acompanharam Mendonça.

Na manifestação, Gilmar afirma que a cronologia de horários “demonstra que a designação dessa sessão virtual extraordinária ocorreu mediante entendimento direto entre Vossa Excelência e o Relator, sem prévia comunicação a parte dos integrantes do colegiado”.

Em outro trecho do ofício, Gilmar Mendes acusa Mendonça de tratar os demais ministros da Segunda Turma de forma desigual, uma crítica que se tornou frequente nos últimos dias ao afirmar que todos os magistrados são iguais sem hierarquia.

“A necessidade de tratar todos os membros da Turma de forma igualitária, sob pena de inviabilizar a participação em sessões designadas mediante entendimento reservado entre o Presidente da Turma e o Relator, à margem dos demais integrantes do colegiado”, pontuou.

A antecipação dos votos de Fux e Nunes Marques formou maioria na Segunda Turma para referendar a decisão de Mendonça, mesmo depois do pedido de vista de Gilmar. O próprio registro oficial do STF confirma que Mendonça foi acompanhado por Fux e Nunes Marques e que Gilmar pediu vista durante a sessão virtual extraordinária de 8 de setembro.

Ápice da crise no STF

A crise entre os ministros do STF havia chegado ao ápice na última terça-feira (15) após a análise do pedido de investigação de Moraes ficar pelo caminho por causa de uma questão de ordem apresentada pelo próprio Gilmar Mendes para que o caso fosse unido a outro, apresentado por Moraes para investigar Mendonça por suposto abuso de autoridade e de irregularidades na condução do caso Master.

A votação desta questão de ordem ficou paralisada por um pedido de vista (mais tempo de análise) do ministro Flávio Dino mesmo com um placar de 4 a 3 contra a junção dos casos para serem analisados no próximo dia 23, em que os ministros se reunirão para deliberar sobre o pedido de Moraes contra Mendonça.

Com a questão de ordem ainda em aberto — Dino tem até 90 dias para devolver a análise — há a expectativa de que a sessão para votar o pedido de investigação de Mendonça seja cancelada.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/gilmar-aprofunda-crise-fux-fez-ajuste-previo-com-mendonca/

Polzonoff

Sai da frente do meu sol!

Gilmar, Dino e Moraes: Sai da frente do meu sol, γαμώ! (Foto: Pixabay/ Grok)

Reza a lenda que Alexandre, o Grande, vinha todo-todo pela estrada quando se deparou com um homem maltrapilho deitado à margem do caminho. Era Diógenes, o Cínico. Aquele que andava para cima e para baixo com uma lanterna, à procura de uma pessoa honesta, autêntica e virtuosa. Mas o conquistador petulante não sabia e por isso o confundiu com um mendigo qualquer. “Sou Alexandre, o Grande”, teria dito ele, num ataque de modéstia. “E posso te conceder o que você pedir”, ofereceu, bancando o magnânimo. Ao que Diógenes teria respondido daquele jeitão cínico lá dele: “Então sai da frente do meu sol, γαμώ!”.

Como diria minha finada avó Olívia, “se non è vero, è ben trovato”. E foi bem assim que eu (que não sou cínico e até odeio um pouquinho o cinismo), me senti na terça-feira (15), ao acompanhar de soslaio a sessão do STF que decidiu… Decidiu o que mesmo? Me senti como Diógenes, ainda que mais gordo, bonito e bem-vestido, dizendo aos poderosos ministros daquela espelunca para eles saírem da frente do meu sol. Do delicioso sol que me aquecia e secava depois de umas duas semanas de chuva e friozinho. Sai da frente do meu sol, Alexandre de Moraes! Sai da frente, Gilmar. E, por motivos óbvios, principalmente você, Flávio Dino. Sai daí!

A luta continua

E aqui vou destoar um bocado do tom da coluna para ser explícito em meu intento: não deixe que esses sujeitos fiquem na frente do seu sol. Escrevo isso porque vejo muita gente apelando ao discurso fatalista de que o Brasil não tem jeito, tudo acabou, ó céus, ó vida – como diria a saudosa hiena do desenho animado. Outros dizem que o Brasil é um país desgraçado e amaldiçoado. Não é. O problema é que o bem sussurra, enquanto o mal esbraveja. Deus é uma brisa, não um furacão. Além disso, se deixar afetar pelo que acontece no STF é uma escolha consciente. Você está usando a sua razão, vontade e livre-arbítrio para sofrer. Faz sentido?

E não, leitor. Não estou, com isso, defendendo que ignoremos os problemas sérios e urgentes deste país. A luta continua, como diziam os esquerdistas antes de virarem uns puxa-sacos de juizeco pequeno-burguês. Nesta humilde crônica de constrangedor tom panfletário apenas o exorto (gente, nunca exortei antes; não acredito que tô exortando; mãe, vem cá, olha só como eu exorto!) a agir com a mesma virtude que você espera de seus heróis. Tenha paciência. Seja sábio. Aqui e ali, pare para apreciar a vista. E, quando algum grande homem pequeno chegar se oferecendo para atender seus desejos, recuse o pacto. Do contrário, você pode até dominar impérios, mas jamais será capaz de sentir a paz do sol de inverno a lhe aquecer a alma.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/polzonoff/meu-sol/

Danilo de Almeida Martins

Moraes + Gonet + Macallan = 1698 abortos?

A equação do aborto no Brasil expõe decisões de Alexandre de Moraes, inércia de Paulo Gonet e 1698 crianças vitimadas. (Foto: ChatGPT sobre foto de Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Seria essa a expressão matemática do problema da atual conjuntura abortiva de nosso país?

Quem acompanha nossa coluna já está literalmente careca de saber que o ministro Alexandre de Moraes proferiu três liminares na ADPF 1141 que, na prática, liberaram o aborto em nosso país, em qualquer idade gestacional e por qualquer motivação.

Segundo dados do SUS, infanticídios de bebês acima de 22 semanas vêm ocorrendo à razão de dois por dia. Como a primeira liminar foi publicada no dia 20 de maio de 2024, até hoje, temos 1698 crianças que tinham capacidade de sobreviver fora do útero, mas que foram cruelmente assassinadas pela Assistolia Fetal, carbonizadas quimicamente.

Moraes equivoca-se ao dizer que, no Brasil, não existe previsão legal de limite gestacional para a realização de aborto. Conforme já comprovamos em vários artigos, há mais de 20 anos, as Normas Técnicas expedidas pelo Ministério da Saúde (tanto pelos governos do PT quanto pelo governo do PL) são uníssonas em afirmar – juntamente com toda a literatura médica internacional – que aborto é a perda do produto da concepção até a 20ª ou 22ª semana de gestação, ou quando o feto pesa 500 gramas.

O ministro simplesmente ignorou o ordenamento jurídico brasileiro e, através de simples decisões monocráticas, passou a chancelar a incineração química de crianças periviáveis em nosso país

Paulo Gonet, por sua vez, emitiu um parecer em 04 de março de 2026 (quase dois anos após a primeira liminar), posicionando-se de forma contrária às liminares. Conhecido por professar a religião católica, era mesmo de se esperar que seu parecer fosse a favor dos nascituros e contra a Assistolia Fetal.

O leitor, então, deve estar se perguntando por que, na equação interrogativa que intitula esta coluna, o seu nome está sendo somado para alcançar o resultado e não subtraído, como haveria de se supor.

Ocorre que, não obstante a emissão de seu parecer, a atuação jurídica do Procurador-Geral da República foi extremamente tímida e completamente ineficaz na defesa da vida humana.

A evidente ilegalidade e a ausência de fundamentação das liminares deveriam ter sido prontamente atacadas por recursos aptos a manter a integridade da ordem constitucional e legal de nosso ordenamento, pois o Ministério Público Federal sempre tem a legitimidade para recorrer mesmo quando atua nos autos como fiscal da lei.

Entretanto, o chefe do MPF preferiu manter-se inerte perante as absurdas decisões monocráticas, limitando-se apenas a emitir um simples parecer opinativo depois de quase 2 anos em que se começou a matar crianças periviáveis em nosso País.

O Whisky Macallan, por sua vez, aparece na expressão unicamente em função da coincidência da data em que ocorreu a sua degustação em um evento em Londres, promovido por Vorcaro. Segundo a imprensa, estavam presentes algumas autoridades brasileiras, dentre elas, Paulo Gonet e Moraes. Tal fato revela a incontestável proximidade entre os dois.

A data da degustação foi 25 de abril de 2024, exatamente um mês antes das liminares proferidas por Moraes e que não foram objeto de recurso por parte de Gonet, o único que poderia defender os nascituros.

Logicamente, se falássemos aqui que esta pífia atuação decorreu de uma possível prevaricação de Gonet em virtude da proximidade com Moraes e destes encontros patrocinados por um banqueiro, estaríamos aqui, certamente, cometendo uma injustiça e, também, um crime de calúnia, algo que foge ao objetivo de nossa coluna e de nossa intenção.

Nossa crítica aqui, realmente, é relacionada à técnica processual, à parte jurídica.

Em 22 de maio de 2024, mesmo diante das evidentes ilegalidades das decisões liminares proferidas, Paulo Gonet tão somente deu ciência nos autos, deixando de interpor o recurso de agravo.

Na sequência, em 24 de julho de 2024, o Procurador-Geral da República apenas emitiu uma manifestação, limitando-se a comentar que as liminares do ministro estavam sendo devidamente cumpridas.

Em 27 de agosto de 2024, o processo foi encaminhado à PGR, mas não houve qualquer manifestação do órgão.

Em 03 de dezembro de 2024, o Ministro Alexandre de Moraes proferiu a terceira liminar obrigando o CREMESP a cumprir sua ordem de não investigar dados sobre aborto em geral, e não apenas sobre o procedimento de Assistolia Fetal. Ou seja, o ministro ampliou o objeto da ação sem que tenha havido qualquer pedido de alguém nesse sentido. Isso é absurdamente ilegal e inconstitucional.

Em outra ilegalidade, uma semana depois, em 10 de dezembro de 2024, Moraes ameaçou o Presidente do CREMESP de responsabilidade pessoal se não obedecesse às ordens ali expedidas.

Curiosamente, no mesmíssimo dia 10 de dezembro – poucas horas depois –, o Presidente do CREMESP peticionou nos autos respondendo que determinou a suspensão de todas as sindicâncias relacionadas a aborto, demonstrando claramente seu temor de desobedecer a qualquer ordem vinda de Alexandre de Moraes.

Embora essas decisões tenham sido absolutamente ilegais – pois ultrapassaram, em muito, os limites da ação –, não houve qualquer recurso do PGR, que preferiu se manter silente sobre todas as ilegalidades, limitando sua atuação à simples emissão de um parecer, que não tem nenhum caráter vinculante.

Enquanto isso, a cada dia, duas crianças foram e continuam sendo vitimadas pela Assistolia.

Importante ressalvar que, mesmo sob o ponto de vista administrativo, o PGR não pode ser responsabilizado, já que a lei permite que ele decida livremente se vai recorrer ou não.

Entretanto, no campo ético, sua postura passiva contribuiu efetivamente para a situação atual, já que a responsabilidade sobre determinado fato é ainda maior sobre aqueles que tinham a possibilidade de agir e proteger e não o fizeram.

Diante disso, o problema matemático proposto na coluna de hoje ficaria melhor equacionado retirando qualquer influência da proximidade pessoal do PGR com Moraes, levando-se em consideração apenas a letargia escolhida por Gonet e a absoluta inocuidade jurídica de seu parecer opinativo. Assim, a expressão correta seria:

Moraes + (Gonet inerte) + (Parecer X zero) = 1698 crianças química e lentamente incineradas dentro dos ventres de suas mães.

Não esqueçamos que, amanhã, sexta, a soma da equação resultará em 1700.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/danilo-de-almeida-martins/moraes-gonet-macallan-1698-abortos/

Coluna Esplanada

Daniel Vorcaro queria ser o dono do Supremo

Vorcaro, conforme mensagens expostas pela PF, fez um approach por whatsapp com diferentes pessoas ligadas aos ministros do Judiciário. (Foto: Reprodução/YouTube/Esfera Brasil)

As investigações da Polícia Federal indicam que Daniel Vorcaro, o “banqueiro” do Master, tinha o projeto de se aproximar de todos os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ) com o intuito de garantir quase R$ 10 bilhões em créditos sub judice. Ele pagou perto de R$ 1 bilhão por papéis podres que chegam a R$ 9 bilhões os quais as usinas falidas cobram da União por políticas de controle de preços de açúcar e álcool nos anos 80.

A aposta era arriscada demais para perder o dinheiro. Então Vorcaro, conforme mensagens expostas pela PF, fez um approach por whatsapp com diferentes pessoas ligadas aos ministros do Judiciário, como filhos e esposas. Em alguns casos diretamente com os próprios ministros. Seu maior projeto era controlar o Judiciário para garantir sentenças favoráveis sobre esses recebíveis.

Brasil da pizza

Dois expoentes do mercado financeiro de São Paulo consultados pela Coluna nesta semana dão a sentença de como vai o termômetro do dinheiro diante da crise no STF: “Vai dar em nada”, resumem, sobre o futuro de Alexandre de Moraes.

Radiografia da crise

A plataforma Taboola monitorou na internet a novela do STF na terça-feira. O termo “STF” atingiu 17 milhões de pageviews (+128%); o nome de Daniel Vorcaro somou 11 milhões de acessos (+143%); a busca/interesse por Andrei Rodrigues (DG da PF) registrou disparada impressionante de +5.528% (2 milhões de pageviews); ministros como Edson Fachin (+779%) e André Mendonça (+460%) lideram picos de audiência.

Identidade digital

A identidade digital se tornou o foco da defesa cibernética das organizações, aponta o Think Ahead Report 2026, da SEK. 71% dos acessos iniciais em incidentes no último ano foram via identidades comprometidas, superando vulnerabilidades técnicas. O tempo médio entre acesso e a movimentação lateral caiu para 29 minutos (queda de 65% em relação ao ano anterior), segundo o CrowdStrike 2026 Global Threat Report.

Alagoanos de sorte

Uma estatística curiosa chamou a atenção ontem quando a Caixa divulgou a lista de cidades onde houve bilhetes premiados da Lotofácil da Independência. Maceió liderou os prêmios nacionais: foram 20 bilhetes da capital com 14 pontos acertados (do total de 15), em 17 lotéricas diferentes – e outros 3 foram por canais eletrônicos. Cada um levou R$ 2.762,74. Ao todo no país foram 8.978 apostas que acertaram 14 pontos.

Ponto Final

O Brasil é o país onde os gestores públicos trocam o “vou chegar lá e fazer diferente” por “agora é a minha vez”.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/coluna-esplanada/daniel-vorcaro-queria-ser-o-dono-do-supremo/

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