
A decisão do ministro Flávio Dino de autorizar o terceiro inquérito contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, colocou nas mãos do próprio magistrado uma peça capaz de alterar os rumos de toda a investigação, segundo análise de especialistas ouvidos pela reportagem.
Isso porque, além de abrir uma nova frente para apurar suspeitas envolvendo o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Dino determinou uma apuração paralela sobre o vazamento de informações sigilosas do caso, tema que também já mobiliza o ministro André Mendonça.
Analistas ouvidos pela Gazeta do Povo alertam que, a depender da interpretação de Dino sobre os vazamentos, o processo investigado pode ser parcialmente travado.
A hipótese mais grave, segundo analistas, é Dino avaliar que os vazamentos de provas ou dados sensíveis foram ilegais, podendo fazer com que o processo em andamento trave por completo ou se prolongue a perder de vista.
Também haveria a possibilidade de invalidação de informações nos autos que tiveram vazamentos que possam ser identificados como seletivos, abrindo brechas para pedidos de anulação da defesa.
“A depender da interpretação de Dino sobre a conexão entre os procedimentos, o alcance das provas e a competência de cada relator, uma decisão do ministro pode travar ou redirecionar o conjunto das investigações que hoje avançam no STF contra Lulinha”, alerta o constitucionalista André Marsiglia.
Entre exemplos do que poderia ser invalidado estão diálogos extraídos do celular da lobista Roberta Luchsinger que indicam suposta sociedade secreta com Lulinha e o empresário Fernando Bittar, dono do sítio em Atibaia. Para investigadores, há um entendimento de que, caso fique evidenciado vazamento indevido, essas conversas ficariam comprometidas para a condução do processo.
A Gazeta do Povo buscou o posicionamento dos ministros Dino e Mendonça, mas não obteve retorno até o fechamento da matéria.
Inquéritos com Mendonça não serão invalidados, mas podem perder força
Os dois inquéritos envolvendo Lulinha, sob condução de Mendonça, podem perder força caso provas relacionadas às investigações sejam invalidadas no inquérito conduzido por Dino.
Seria o caso, por exemplo, das conversas atribuídas ao celular de Roberta Luchsinger que envolvem o filho do presidente Lula e que foram divulgadas no contexto dessas apurações.
A eventual invalidação do material vazado, porém, não significa necessariamente o esvaziamento completo dos procedimentos: novas provas, ainda não tornadas públicas, que tenham surgido a partir das mesmas conversas, poderão ser preservadas e mantidas no processo, desde que consideradas válidas e possam contribuir para dar sustentação às investigações conduzidas por Mendonça.
O ministro tem em mãos as investigações que nasceram de elementos da Operação Sem Desconto, que investiga os descontos indevidos de aposentados e pensionistas do INSS. Lulinha não é investigado por causa dos descontos irregulares nos benefícios, mas sim em razão do suposto tráfico de influência envolvendo o governo federal.
Segundo especialistas, além da decisão a ser tomada por Dino sobre supostos vazamentos, o ponto central é saber se os procedimentos permanecerão separados ou se os fatos, personagens e elementos de prova serão reunidos em um único inquérito.
A fragmentação pode produzir conflitos sobre competência, validade de provas e ritmo das diligências e, no limite, abrir espaços já explorados para questionamentos técnicos da defesa antes mesmo de se chegar ao mérito das suspeitas.
“Tudo depende do que foi supostamente vazado e do que foi preservado na chamada cadeia de custódia para qualquer um dos inquéritos ou eventuais novas informações que possam surgir no decorrer das apurações”, descreve o criminalista Márcio Nunes.
Na última semana, Mendonça também determinou investigação sobre vazamentos de dados sigilosos envolvendo os inquéritos que preside. Um deles apura suspeitas de tráfico de influência e corrupção relacionadas a negociações envolvendo Lulinha com o Ministério da Saúde e produtos à base de “cannabis medicinal”. O negócio não prosperou. O outro examina possíveis favorecimentos a empresários interessados em negócios com a Dataprev e outros órgãos públicos.
A defesa de Lulinha nega irregularidades. Os advogados questionam juridicamente os vazamentos de informações e sustentam que o filho do presidente não participou, nem direta nem indiretamente, de nenhum ato ilícito.
A decisão que colocou Dino no centro do caso
A distribuição dos inquéritos no STF chamou atenção porque os três procedimentos têm pontos comuns e de contato. O constitucionalista Alessandro Chiarottino avaliou que existe um núcleo comum entre as investigações: suspeitas de tráfico de influência envolvendo Lulinha e empresários que apareceram nas apurações derivadas da Sem Desconto.
Embora os casos envolvam órgãos diferentes, como o Ministério da Saúde e a Dataprev, a hipótese investigativa mantém elementos em comum, o que significaria remeter tudo a um mesmo relator, no caso, Mendonça, que era o juiz de prevenção do caso.
A consequência prática é que dois inquéritos permanecem sob Mendonça, enquanto o terceiro passou a ser conduzido por Dino. O analista levanta a possibilidade de que os procedimentos pudessem ser reunidos sob a relatoria de Mendonça justamente em razão das conexões entre os fatos.
“O risco apontado não é apenas político. Com dois ministros analisando investigações relacionadas, podem surgir decisões diferentes sobre produção, compartilhamento e aproveitamento de provas”, descreve.
Especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo alertaram que esse tipo de fragmentação pode resultar em conflitos de competência, recursos e pedidos de reunião dos processos, prolongando ou travando a apuração.
“É nesse ponto que uma decisão de Dino pode se tornar decisiva. Não necessariamente porque interromperia automaticamente a investigação, mas porque pode dificultar uma estratégia única de apuração, caso os fatos realmente sejam conexos”, destaca Marsiglia.
O isolamento de Mendonça dentro do STF
André Marsiglia vem acompanhando a disputa em torno da relatoria e, em diferentes análises, chamou atenção para o que considera um processo de esvaziamento da posição de Mendonça dentro do STF.
O constitucionalista afirmou que a criação de relatorias paralelas poderia, na prática, reduzir a autoridade do relator originalmente sorteado. “Mendonça está à frente de investigações particularmente sensíveis, incluindo os desdobramentos da CPMI do INSS e questões relacionadas a Lulinha. A criação de relatorias alternativas poderia funcionar como forma de contornar a atuação do ministro”, destaca.
Segundo Chiarottino, Mendonça parece estar isolado em suas ações dentro do Supremo. “E isso não seria de hoje, temos visto que ele é o único, por exemplo, a enfrentar Moraes [o ministro Alexandre de Moraes]”.
Marsiglia questionou ainda se Dino teria “independência e tranquilidade” para conduzir a investigação envolvendo o filho do presidente Lula, pois foi ministro do atual governo e indicado pelo petista para compor a Corte. Ele afirmou ainda esperar que a apuração não tivesse um “voo de galinha” – expressão usada para se referir a algo que começa, mas não tem continuidade – ao defender o prosseguimento das diligências.
Na semana passada, ao analisar a movimentação da Procuradoria-Geral da República para levar parte do caso à primeira instância, o constitucionalista sustentou que a mudança poderia retirar das mãos de Mendonça justamente a investigação que, segundo ele, estaria mais avançada no Supremo, a que investiga suposto lobby na Saúde. “Trata-se de uma hipótese, e não como conclusão sobre a intenção da PGR”.
Chiarottino também colocou a questão em termos institucionais. Ao analisar o pedido para retirar o caso do STF, o constitucionalista também destacou que Mendonça enfrenta um isolamento dentro da Corte e relacionou esse cenário à sua atuação em temas que envolvem o governo e outros ministros.
Em sua avaliação, a abertura de novas frentes pode testar justamente a chamada prevenção, princípio pelo qual um ministro que já conduz uma investigação relacionada pode ter preferência para analisar os desdobramentos dela.
O que pode acontecer agora
Analistas alertam que, quaisquer que sejam as decisões de Dino, isoladamente, não significa que as investigações contra Lulinha devam ser paralisadas. Tampouco existe, neste momento, uma decisão que determine o encerramento das diligências conduzidas por Mendonça.
O problema apontado seria outro. “Quanto mais fragmentadas estiverem as apurações, maior poderá ser a disputa sobre quem pode determinar as próximas medidas e como as provas produzidas em um inquérito poderão ser utilizadas nos demais”, lembra Marsiglia.
Esse cenário pode se tornar especialmente sensível se surgirem elementos que conectem os diferentes núcleos investigados. “Nesse caso, poderão voltar à mesa pedidos de reunião dos procedimentos, discussões sobre prevenção e questionamentos sobre a competência de cada relator”, descreve o criminalista Márcio Nunes.
Para Marsiglia, é por isso que uma possível “canetada” de Dino teria peso maior do que a abertura de um novo inquérito. Ela consolidaria uma investigação paralela justamente quando Mendonça já conduz duas apurações relacionadas.
“Se as linhas de investigação permanecerem separadas, a defesa poderá explorar eventuais divergências entre decisões e procedimentos. Se forem reunidas, voltará ao centro do debate a possibilidade de concentração do caso sob Mendonça”.
Para analistas, o que já está posto é uma disputa sobre a arquitetura da investigação e, nesse desenho, a posição de André Mendonça teria se tornado, segundo analistas, um dos principais pontos de tensão do caso.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/canetada-dino-fragmentar-investigacao-lulinha-enfraquecer-mendonca/
Moraes, Lula, Motta e Alcolumbre selam o “grande acordo nacional”

Difícil acreditar que, quando redigiu o artigo 2.º da Constituição, o que descreve os três poderes como “independentes e harmônicos entre si”, o constituinte de 1988 tivesse em mente o que estamos vendo hoje: não uma harmonia construída no entendimento de que cada poder tem seu papel, de que eles trabalham juntos pelo bem comum e de que diferenças são resolvidas sempre pelas ferramentas institucionais, mas o conchavo puro, simples e despudorado entre autoridades do Executivo, do Legislativo e do Judiciário. É como se aquele artigo da Carta Magna tivesse sido reescrito por Romero Jucá e Sérgio Machado, flagrados em conversas telefônicas dez anos atrás falando de “um grande acordo nacional, com o Supremo, com tudo”.
No início de agosto, o ministro e vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes organizou, ao lado do colega Cristiano Zanin, um jantar de “reconciliação” entre o presidente Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Os dois andavam brigados desde novembro do ano passado, quando o petista resolveu indicar o advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga aberta no STF com a saída de Luís Roberto Barroso – Alcolumbre não escondia de ninguém que seu favorito era o também senador Rodrigo Pacheco, e passou a retaliar o governo até articular a rejeição de Messias no plenário do Senado, submetendo Lula a uma humilhação quase sem precedentes na história brasileira.
Essa harmonia entre poderosos, mais que entre poderes, é conveniente para todos porque resulta em um enorme grau de autoproteção e blindagem
Ministros de suprema corte, em qualquer democracia digna do nome, não se portam como agentes políticos; no Brasil, eles assumem esse papel abertamente, sem corar. Essa harmonia entre poderosos, mais que entre poderes, é conveniente para todos porque resulta em um grau de autoproteção e blindagem que vai além daquilo que os ministros do STF já fazem entre si. Lula vê o escândalo do INSS cada vez mais próximo do seu gabinete, enquanto Alcolumbre e Moraes estão enrolados com Daniel Vorcaro e o Banco Master. Mas Alcolumbre é a garantia de que nem Moraes, nem qualquer outro membro do Supremo perderá a paz com processos de impeachment, enquanto a campanha de Lula pela reeleição sempre poderá esperar alguma mãozinha amiga do ministro, que ainda se acha dono do TSE, como quando ameaçou Flávio Bolsonaro com a inelegibilidade devido ao uso de um vídeo feito com inteligência artificial mostrando o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Com Lula e Alcolumbre acertados – a ponto de o Senado ter praticamente desistido de ser casa legislativa com vontade própria para agir como carimbador do que vem da Câmara nas PECs da Segurança Pública e da escala 6×1 –, faltava incluir Hugo Motta na equação. O presidente da Câmara, um dos participantes das famosas degustações de uísque patrocinadas por Vorcaro, almoçou com os presidentes da República e do Senado no Palácio da Alvorada, na última quarta-feira, e o trio saiu totalmente fechado: o Legislativo deve correr, nos próximos dias, com pautas que o governo pretende usar na campanha; Motta e Alcolumbre anunciaram seu apoio à reeleição de Lula; e o petista retribuiu afirmando que a dupla também tem seu aval para seguir à frente das duas casas do Congresso no ano que vem.
Há os que desejam continuar demolindo as liberdades no Brasil sem a devida responsabilização; os que não querem dar explicações à nação sobre seus negócios nebulosos; os que desejam manter a qualquer custo o poder que receberam, da população ou dos seus pares; os que precisam desesperadamente empurrar para debaixo do tapete as estripulias de familiares e assessores. São muitos interesses fortíssimos e, quando eles se encontram, o resultado são os jantares e almoços que temos presenciado em Brasília. Quando Jucá e Machado falavam do “grande acordo nacional”, diziam que ele serviria para “estancar a sangria”. A sangria das autoridades, essa certamente será estancada por Moraes, Lula, Alcolumbre e Motta caso essa aliança prospere; já a sangria do Brasil, essa cabe ao eleitor estancar em outubro.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/acordo-lula-alexandre-de-moraes-davi-alcolumbre-hugo-motta/
Com marido exilado após 8/1, mãe de seis cria filhos sozinha e tem bens bloqueados por Moraes

Desde que o marido foi condenado à pena de 14 anos pelo 8 de janeiro e buscou refúgio em outro país, a rondoniense Vanessa Rolim Vieira cuida dos seis filhos e luta na Justiça pelo desbloqueio dos bens da família.
Na última sexta-feira (28), um dos pedidos judiciais — em que ela solicita metade dos recursos, como direito do cônjuge — começou a ser julgado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). O julgamento segue até a próxima sexta-feira (4), mas Alexandre de Moraes já negou o pedido, e seu voto foi seguido por Cristiano Zanin, Flávio Dino e Dias Toffoli.
“Até minha conta salário segue bloqueada, e isso é absurdo”, desabafa Vanessa, à Gazeta do Povo. A mulher é funcionária pública do Estado de Rondônia, e explica que a privação financeira tem sido imposta à família desde o início de 2023, quando seu esposo, o motorista e empresário Ezequiel Ferreira Luis, foi preso pelos atos do 8 de janeiro.
Desde então, ela informa que todas as contas bancárias e bens do casal foram bloqueados. “Enfrentamos o caos financeiro, agravado com o impedimento do licenciamento dos caminhões que havíamos financiado”, relata a mulher, ao citar acúmulo de dívidas e a necessidade de sustentar, sozinha, os seis filhos do casal: Francisco, Maria, Ana, Emílio, José e Paulo.
Os caminhões que adquirimos para conquistar um patrimônio para nossa família estão mofando e apodrecendoVanessa Rolim Vieira, sobre bloqueio dos bens da família após o 8 de janeiro de 2023
Segundo a defesa da família, Vanessa têm suportado os efeitos econômicos das medidas adotadas em uma ação penal que envolve apenas seu esposo e, por não ter sido denunciada ou condenada, não poderia sofrer essas consequências.
“Ela não é ré”, apontam os advogados João Lucas Silva e Guilherme Gomes do Prado, em nota enviada à reportagem sobre o julgamento a respeito do desbloqueio parcial dos bens da família, iniciado na sexta-feira (28).
Segundo Vanessa, o pedido analisado pelo Supremo se refere especificamente às restrições de licenciamento dos veículos do casal, pois essa proibição impede que os caminhões atuem regularmente na atividade de transporte. “Em vez de estarem rodando, os caminhões que adquirimos para conquistar um patrimônio para nossa família estão mofando e apodrecendo”, lamenta, ao citar que precisa dos veículos gerando renda para pagar os financiamentos.
A inadimplência, de acordo com a defesa, pode levar, inclusive, à retomada dos veículos pelas instituições financeiras, prejudicando a mulher e os seis filhos menores, e também “o próprio interesse público na preservação do valor patrimonial destinado à reparação dos danos”.
Por isso, a defesa solicitou ao STF que fosse mantida a proibição de transferência dos veículos, mas com liberação para o licenciamento, a fim de viabilizar a utilização econômica dos bens.
“Após quase 20 anos de profissão, juntamos nossas economias para financiar nosso primeiro caminhão”, relata Vanessa, ao afirmar que o marido conseguiu crédito para financiar os demais veículos por ser um “homem íntegro”. Ao todo, o casal têm seis caminhões.

Família já foi citada em vídeo do ex-presidente Jair Bolsonaro
A situação de Vanessa já foi divulgada, inclusive, pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que gravou um vídeo com a família, em 2024. Na publicação, Bolsonaro descreveu Ezequiel, marido de Vanessa, como “homem trabalhador e honrado”. O ex-presidente também chamou as crianças de “órfãos de pais vivos” e criticou a perseguição realizada pelo STF.
“Até quando essas crianças vão sofrer, crescendo sem o pai ao seu lado?”, questionou o ex-presidente, na época. “É um crime o que estão fazendo, roubando o futuro dessas crianças”, continuou no vídeo.
À Gazeta do Povo, Vanessa afirma que ela e os seis filhos não estavam em Brasília no dia 8 de janeiro de 2023, mas também foram “condenadas” à falência financeira e à ausência de Ezequiel. Segundo ela, as crianças sofrem há mais de dois anos sem poder dar um abraço no pai.
Vanessa tenta viver sem o esposo: “Sozinha, é impossível”
“Sou a única adulta presente para cuidar de tudo: dos nossos seis filhos, da educação moral, espiritual e intelectual deles, da alimentação, da saúde de cada um, inclusive a minha”, revela a funcionária pública, que está afastada do trabalho por licença médica, e precisa cuidar da casa, do trabalho, das contas e decisões. “Sozinha, é impossível”, revela.
Os horários das refeições, de acordo com ela, são os mais críticos, já que costumavam ser os momentos da família reunida. Hoje, no entanto, há conflitos entre as crianças e tristeza. “Estão emocionalmente carentes e sentem a ausência do pai, muitas vezes, sem conseguir explicar”, lamenta. “As refeições acontecem em meio às minhas lágrimas e minhas súplicas”, continua.
Outro desafio, segundo ela, é manter a religiosidade, já que o cansaço físico e emocional dificultam até a condução de uma oração. “Ainda assim, insisto, porque sei que é na fé que encontramos forças para continuar”, diz. “Muitas vezes, a oração é tudo o que me resta”.

Ezequiel está refugiado em outro país; família não sabe a localização
A moradora de Ji-Paraná (RO) relata que o marido Ezequiel Ferreira Luis não quebrou nada em Brasília durante os atos de 8 de janeiro de 2023, mas permaneceu sete meses preso no Complexo Penitenciário da Papuda. O homem foi condenado pelos crimes de tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, associação criminosa e deterioração de patrimônio público.
Após a condenação à pena de 14 anos, Ezequiel decidiu se refugiar em outro país para não retornar ao presídio. Ele viajou em maio de 2024, 21 dias após o nascimento do seu filho mais novo.
Desde então, a família conversa com o pai semanalmente por vídeo em aplicativo privado, nas não tem o telefone do genitor ou a localização dele. “O Ezequiel não se sente seguro e tem medo”, informa a esposa, que respeita a discrição do marido. “Foi tirado tudo dele.”
Para seguir em frente, ela afirma pedir forças a Deus para levantar todas as manhãs. “Não porque a dor tenha passado, mas porque os nossos filhos precisam de mim”, resume.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/com-marido-exilado-apos-8-1-mae-de-seis-cria-filhos-sozinha-e-tem-bens-bloqueados-por-moraes/

Cardápio do almoço entre Messias e diretores da PF e da Interpol incluiu Lulinha?

Na semana passada, o advogado-geral da União, Jorge Messias, convidou para um almoço o ex-ministro da Justiça, ex-ministro do Supremo e ex-advogado do Master Ricardo Lewandowski; o atual ministro da Justiça, Wellington Silva; o secretário-geral da Interpol, o brasileiro Valdecy Urquiza; e Andrei Rodrigues, diretor da Polícia Federal. Qual foi o cardápio desse almoço? Oficialmente, era a entrega de uma medalha para Urquiza. Mas não deve ter sido só isso. Certamente Lula pediu a Messias que resolvesse uma certa questão. E o que teria de ser resolvido, que envolve a PF, a Interpol – que atua na Espanha também –, Lewandowski e o ministro da Justiça? Bem, a PF está investigando Lulinha, está investigando o Marcola do Lula… deve ser isso, não?
O relator das investigações contra Lulinha é André Mendonça, que virou uma referência de legalidade no Supremo. Mendonça é presbiteriano, e faz sermões sobre trechos do Antigo Testamento. É lá que está a história de Sodoma e Gomorra; se houvesse dez justos naquelas cidades, não teria havido a chuva de enxofre e fogo. Não seria maravilhoso haver dez justos no Supremo, além de André Mendonça? Mas, hoje, esses são sonhos utópicos.
A Polícia Federal é uma polícia de Estado, uma instituição permanente como o Exército, a Marinha e a Aeronáutica. Se ela virar uma força política a serviço de um governo, ela acaba, porque aquilo que está na política fica sujeito a crítica, fica sujeito ao julgamento do povo, e ela deixa de ser uma polícia que está do lado da lei para estar do lado das tendências políticas, sendo usada como guarda pretoriana. A PF é a instituição de polícia judiciária do Estado brasileiro, da União, e não existe apenas para cuidar de fronteiras e crimes federais.
Se não deve haver investigação porque contrato não foi fechado, por que investigam “golpe” que não deu certo?
Já vi gente com o seguinte raciocínio: “Lulinha e Roberta, talvez também o Kalil, tentaram vender para o Ministério da Saúde 1,2 milhão de frascos de canabidiol por R$ 626 milhões, mas não venderam, então não há nada para investigar”. Mas, se for assim, por isonomia, analogamente, também não haveria “golpe” nenhum para investigar, certo? Ninguém tirou o governo, não “fecharam o contrato”, se é que houve algum. Então, vamos botar um pouco de racionalidade nessa discussão.
Aécio tem tudo para repetir Dilma em 2018
Aécio Neves aceitou ser candidato ao Senado por uma coligação entre PSDB e PDT? Eu imaginei, aqui, se Dilma Rousseff pudesse dizer algo a ele, seria “você será eu em outubro”. Em 2018, Dilma ficou em quarto lugar na eleição para o Senado em Minas. Ricardo Lewandowski e o Senado rasgaram o parágrafo único do artigo 52 da Constituição, quando Dilma sofreu impeachment, mas não ficou inelegível, como manda a Constituição. O eleitor mineiro teve de fazer o trabalho, derrotando-a nas urnas.
Não faz sentido esperar que candidato já declare quem apoiaria em segundo turno
Vejo gente reclamando porque Andrei Rodrigues, diretor da Polícia Federal, disse que a PF é imparcial e não trabalha com viés político. “Ele mentiu”, dizem. Mas como ele iria dizer algo diferente? Ele jamais diria o contrário, que é parcial, que está obedecendo a recomendações do presidente da República. Da mesma forma, vieram comentar comigo que Renan Santos não disse quem ele apoiaria se não chegasse ao segundo turno. Mas é claro que não disse! Como é que um candidato que está querendo chegar ao segundo turno vai considerar publicamente a possibilidade de não estar lá? Ele não respondeu porque, se respondesse, seria um idiota. As pessoas não pensam, o pensamento vai só dez milímetros à frente. Candidatos estão sempre com o pé atrás, sempre prontos, atentos.
Vi a entrevista de Renan Santos, e já comentei aqui. Também acho que Flávio Bolsonaro se saiu bem, e a dupla de entrevistadores da Globo se saiu muito bem em todas as sabatinas. Já o Lula foi destruído pelo Luiz Inácio; o Luiz Inácio disse tanta coisa que deixou muito mal o candidato Lula. Mais uma vez, ficou parecido com aquele último debate da eleição de 1989. Fora essa história de usar chapéu em lugar fechado, sentado à mesa, diante de uma senhora. No mínimo, isso é muito exótico.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/almoco-messias-pf-interpol-lulinha/

O Brasil que trabalha e dá certo

O negativismo sistemático é uma forma sutil de falsear a realidade. A vida, como uma grande pintura, é feita de luzes e sombras. O jornalismo responsável não pode esconder os problemas, silenciar diante da corrupção nem abandonar sua função fiscalizadora. Mas também não deve apresentar a realidade como um imenso corredor sem portas e sem janelas.
A velha máxima segundo a qual notícia ruim é notícia boa contaminou parte da imprensa. O resultado está diante de nós: manchetes carregadas, análises sombrias e uma sucessão de conteúdos que parecem destinados a castigar diariamente o fígado do leitor. A denúncia, indispensável à democracia, transformou-se, em alguns ambientes, numa espécie de denuncismo profissional.
O problema não está na crítica. Está na obsessão seletiva pelo fracasso. Está na incapacidade de perceber tudo o que nasce, cresce e prospera longe dos gabinetes oficiais e dos corredores do poder. O Brasil real não é apenas o país das crises políticas, das decisões judiciais controversas e dos escândalos administrativos. É também a nação de milhões de pessoas que acordam cedo, enfrentam dificuldades, criam empregos, inovam e sustentam suas famílias. É preciso olhar para elas.
O empreendedorismo brasileiro não é uma construção teórica. É uma realidade concreta, frequentemente nascida da necessidade. Muitos dos nossos empresários começaram com pouco dinheiro, escasso apoio e enormes obstáculos. Não herdaram estruturas prontas. Construíram seu caminho degrau por degrau, acumulando experiência, enfrentando erros e transformando dificuldades em oportunidades.
O Brasil real é a nação de milhões de pessoas que acordam cedo, enfrentam dificuldades, criam empregos, inovam e sustentam suas famílias
Empreender exige coragem. Mas coragem não é ausência de medo. É a decisão de seguir adiante apesar dele. O verdadeiro empreendedor não ignora os riscos: procura conhecê-los, administrá-los e vencê-los. Cai, aprende e recomeça. Sabe que nenhum crescimento consistente acontece sem trabalho, disciplina, formação e perseverança.
Um bom exemplo desse Brasil inovador é a Akiyama, empresa nacional fundada em 2005 e especializada em identificação biométrica. Com tecnologia desenvolvida no país, tornou-se referência em um setor estratégico, oferecendo suporte técnico e manutenção em mais de 5 mil municípios, incluindo todas as capitais brasileiras.
A dimensão de sua atuação impressiona. Mais de 140 milhões de brasileiros foram cadastrados por meio de equipamentos e programas fornecidos pela empresa. Em um país continental, garantir identificação segura, confiabilidade dos dados e atendimento técnico em milhares de localidades é uma tarefa de enorme complexidade.
A trajetória da Akiyama revela uma verdade importante: empresas que olham para o futuro não podem viver prisioneiras do retrovisor. Precisam preservar os valores que as fizeram crescer, mas devem estar abertas à renovação. Tradição e inovação não são adversárias. Quando bem combinadas, tornam-se poderosas ferramentas de desenvolvimento.
Outro exemplo inspirador vem de Rondônia. Tony Cozendey nasceu numa família humilde em Alta Floresta do Oeste. Aos 15 anos, mudou-se para Buritis e começou a trabalhar como office boy em uma ótica. Fazia cobranças de bicicleta, percorrendo os bairros da cidade. Depois, aprendeu a ajustar e montar óculos. Aos poucos, passou a atender os clientes e tornou-se vendedor.
Cada tarefa foi uma escola. Tony não desprezou os trabalhos simples nem ficou esperando a oportunidade ideal. Transformou o serviço cotidiano em aprendizado. Observou o funcionamento do negócio, conheceu as necessidades dos consumidores e descobriu um mercado que poderia ser mais bem atendido.
Anos depois, passou a comandar sua própria rede, presente em 14 estados, com mais de 34 unidades e faturamento anual em torno de R$ 20 milhões. O Instituto Visão Solidária, conhecido como IVS, cresceu oferecendo óculos a preços acessíveis, especialmente em cidades das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
A história de Tony mostra que o crescimento profissional raramente ocorre por meio de saltos espetaculares. Ele é construído com pequenas conquistas: aprender uma tarefa, atender bem um cliente, conquistar confiança, assumir novos desafios e não se acomodar. Antes de dirigir uma empresa, é necessário aprender a dirigir a própria vida.
Precisamos formar jovens que não tenham medo do trabalho, da responsabilidade e do risco
O Brasil precisa valorizar essa cultura do esforço. Precisamos formar jovens que não tenham medo do trabalho, da responsabilidade e do risco. Jovens que compreendam que direitos e deveres caminham juntos e que a realização profissional não nasce apenas do desejo, mas da competência, da constância e do caráter.
A imprensa tem importante papel nessa tarefa. Deve denunciar os abusos, mas também revelar os bons exemplos. Deve fiscalizar o poder, sem ignorar a vida que pulsa fora dele. Deve mostrar o empresário que investe, o trabalhador que se aperfeiçoa, o professor que transforma uma escola, o jovem que abre um negócio e a comunidade que encontra soluções para seus problemas.
As sombras existem e precisam ser mostradas. Mas elas não conseguem apagar as luzes que brilham todos os dias na vida de milhões de brasileiros. Há um Brasil que trabalha, empreende, aprende e cresce. Um país que não aparece sempre nas manchetes, mas que merece ser conhecido.
Como sugeriu Guimarães Rosa, quando parece que nada acontece, pode haver um milagre que não estamos percebendo. Cabe ao bom jornalista abrir os olhos, sair às ruas e contar também os milagres cotidianos do trabalho, da perseverança e da esperança.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/carlos-alberto-di-franco/akiyama-instituto-visao-solidaria-brasil-trabalha-da-certo/
Lula e Flávio aparecem tecnicamente empatados no 2º turno

O presidente Lula aparece na liderança da corrida presidencial no primeiro turno, mas a vantagem sobre Flávio Bolsonaro diminui quando os dois são colocados frente a frente em uma simulação de segundo turno. É o que mostra a 12ª rodada da pesquisa Nexus, realizada entre os dias 28 e 30 de agosto e divulgada nesta segunda-feira (31).
No cenário estimulado de primeiro turno com maior número de candidatos, Lula tem 39% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, com 33%. O escritor Augusto Cury aparece em terceiro, com 11%. Na sequência estão Ronaldo Caiado, com 5%, Renan Santos, com 3%, e Romeu Zema e Samara, com 1% cada. Outros candidatos somam 2%, enquanto 3% dizem votar em branco ou nulo e outros 3% não souberam ou não responderam.
Em um segundo cenário de primeiro turno, que inclui Pablo Marçal entre os candidatos, Lula chega a 40%, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 37%. A pesquisa mostra, portanto, uma diferença de apenas 3 pontos percentuais entre os dois principais nomes da disputa nesse cenário.
A situação muda pouco nas simulações de segundo turno. No confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro, o presidente registra 45%, contra 44% do senador. Brancos e nulos somam 10%, e 1% não soube ou não respondeu. A diferença de um ponto percentual está dentro da margem de erro da pesquisa, de dois pontos para mais ou para menos.
A pesquisa também testou Lula contra outros nomes da oposição. Contra Romeu Zema, Lula aparece com 46%, ante 45% do governador de Minas Gerais. Contra Ronaldo Caiado, Lula tem 46%, enquanto o governador de Goiás registra 45%. Já diante de Renan Santos, Lula chega a 47%, contra 38% do adversário. Em todos os cenários, há percentuais de votos brancos e nulos e de eleitores que não souberam responder.
Os números mostram que a eleição permanece aberta nas simulações de segundo turno. Embora Lula lidere todos os confrontos testados pela Nexus, as disputas contra Flávio Bolsonaro, Zema e Caiado aparecem tecnicamente empatadas, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais.
A pesquisa Nexus ouviu 2.005 eleitores de todo o país por telefone, entre 28 e 30 de agosto. O levantamento tem nível de confiança de 95% e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-08900/2026.
Amigo de Lulinha que faturou R$58 milhões no governo Lula fez acordo para não ser preso, diz revista

A Polícia Federal investiga as relações do empresário Cléber Ribas, dono da empresa de informática 3Structure, com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho de Lula (PT). A 3Structure recebeu R$58 milhões em contratos federais desde o início do atual governo. Reportagem da revista Veja, publicada neste domingo (30 de agosto de 2026), dos jornalistas Hugo Marques, Ricardo Chapola e Laryssa Borges, detalha mensagens, contratos e um acordo penal firmado pelo empresário.
Um dos três inquéritos da PF contra Lulinha envolve a Dataprev e Ribas. Mensagens em poder da polícia mostram que o empresário contratou a lobista Roberta Luchsinger — descrita pelos investigadores como sócia oculta de Lulinha e com trânsito em Brasília — para obter mais contratos na Dataprev e no Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS). Também foram obtidas mensagens de Lulinha orientando a lobista a “emitir NF” (nota fiscal) para ser paga por Cleber, o que tem sido interpretado como provável pagamento pelos “serviços prestados” por Lulinha, investigado por tráfico de influência.
Em março de 2023, Luchsinger perguntou a Ribas se ele queria falar com alguém de outro ministério. Ele respondeu que havia “uma questão da Dataprev”. Ela prometeu verificar “quem está no comando”. Em abril, a lobista organizou um jantar com a presença de Lulinha e de Fernando Bittar, sócio do filho do presidente. “A ideia é aquela: vc contratar eles”, escreveu ela. No mesmo mês, mencionou um encontro com Carlos Gabas, ex-ministro da Previdência. Em maio, Ribas pediu reunião com Fábio e comentou a posse do novo presidente da Dataprev.
Enquanto negociava com o governo, Ribas enfrentava outro problema. Em setembro de 2024, assinou um acordo de não persecução penal com o Ministério Público para não ser preso por corrupção. O MP concluiu que, entre 2006 e 2010, o então presidente do Centro de Processamento de Dados do Estado de Mato Grosso (Cepromat), Adriano Niehues, recebeu R$ 218 mil em vantagens indevidas da Consist Software Solutions Inc por intermédio de Ribas. O empresário classifica o episódio como “mal-entendido”.
Pelo acordo, Ribas se comprometeu a devolver valores a uma entidade social, informar qualquer mudança de endereço ao juízo e se abster de frequentar casas de prostituição e bares. Mesmo assim, ele visitou o Palácio do Planalto em maio de 2024 e fechou dois contratos com o MDS comandado pelo ministro Wellington Dias. Ribas afirma que tudo ocorreu “dentro da legalidade”.
O empresário atribui o estreitamento da amizade com Lulinha a um episódio pessoal. “Eu descobri um câncer em junho de 2024. Até então eu conhecia o Fábio, mas convivia pouco com ele”, disse à Veja. “Não sei se por conta do problema do pai e da mãe, ele resolveu se aproximar. Quando fiquei careca e raspei a cabeça, ele raspou também. Minha relação com o Fábio é de amizade, não é financeira.”
A reportagem da Veja se insere em uma série de apurações da PF sobre um suposto núcleo de atuação envolvendo Lulinha, Luchsinger e Bittar para interlocução de interesses privados junto a órgãos federais.
Lulinha é alvo de três inquéritos. Sua defesa tem sustentado que ele colabora com as investigações e que não cometeu ilícitos. Lula tem declarado que não interferirá nas apurações sobre o filho.
A PF segue analisando as mensagens e os contratos.
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