
O primeiro debate presidencial das eleições de 2026, realizado pela Band na noite deste domingo (23), foi marcado pelas ausências do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do senador Flávio Bolsonaro (PL) e do ex-governador mineiro Romeu Zema (Novo-MG). Os lugares reservados para os candidatos foram mantidos vazios no estúdio durante o debate, que contou com a presença de Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante).
O candidato à Presidência do Avante ameaçou desistir do debate minutos antes do início do encontro na Bandeirantes, em São Paulo. Ele chegou a anunciar que abandonaria o evento pelas ausências de Lula e Flávio. “Estou profundamente magoado e consternado com a ausência de duas pessoas no debate, que adoeceram essa nação com a polarização. A ausência de Lula e Flávio Bolsonaro e também de Romeu Zema. A gota d’água, que me faz não entrar nesse debate, é o que o Lula está fazendo: uma entrevista no mesmo horário. Isso não é democracia. Isso é desrespeito à nação brasileira”, afirmou Cury, que recuou e manteve a presença no debate.
O primeiro bloco, que foi aberto com as perguntas dos mediadores Adriana Araújo e Eduardo Oinegue, começou com críticas dos candidatos participantes pelas ausências de Lula e Flávio Bolsonaro. “Com o país em crise, esses dois criminosos não vieram ao debate. Desrespeitaram a Rede Bandeirantes, desrespeitaram os brasileiros. Vivem brigando na internet, botando os seus cachorros para ficar discutindo, mas eles próprios são covardes”, criticou Renan Santos.
O candidato do Missão ainda lembrou das denúncias e dos escândalos de corrupção, principalmente nos governos petistas. “[Eles] não vieram porque não têm coragem de falar sobre os crimes que cometeram. Lula, com Lulinha, com o petrolão e o mensalão. E o Flávio Bolsonaro com o envolvimento com o Daniel Vorcaro e com o escândalo da rachadinha”, disparou.
Caiado lembrou que Lula e Flávio são os candidatos mais rejeitados pelo eleitorado brasileiro no cenário de polarização, ao se apresentar como uma alternativa no pleito ao Palácio do Planalto. “O telespectador esperava a presença dos dois candidatos que são os mais rejeitados do país. A ausência ocorre, talvez, por não ter como eles explicarem os escândalos em que estão envolvidos.”
Na noite deste domingo, Flávio justificou a ausência no debate, que teria sido provocada pela decisão de Lula de não participar do encontro. Em vídeo nas redes, ele afirmou que deseja confrontar o candidato à reeleição. “Quero debater com quem está destruindo o Brasil”, afirmou o candidato do PL.
Candidatos criticam entrevista de Lula na Record
Durante o debate, Augusto Cury voltou a lembrar da exibição da entrevista na Record no mesmo horário do primeiro encontro entre os candidatos à Presidência da República. A estratégia do petista foi vista como uma forma de apresentar um contraponto às críticas sem se expor ao confronto direto com os demais candidatos.
“O Brasil está radicalmente doente. Polarizado e radicalizado, pois venderam uma ideia que estamos em dois barcos. Estamos em um barco só, nem de direita e nem de esquerda. O barco se chama família brasileira e 90% das dores não têm cor partidária”, avaliou Cury.
Renan Santos atacou a Record pela exibição da entrevista e pela estratégia do candidato petista. “A Record é uma emissora que está se comportando como um moleque. […] Ao invés de contribuir com a democracia, chamou aquele bêbado, safado, para ir lá fazer monólogo. Eu quero saber se vão perguntar para o Lula, se o filho dele, o Lulinha, roubou ou não roubou o nosso dinheiro no INSS”, disparou.
Caiado cobra Flávio e Lula por explicações por suspeitas de corrupção
O ex-governador goiano Ronaldo Caiado afirmou que passará a defender mudanças na legislação eleitoral que obriguem os candidatos a participarem dos debates presidenciais, assim como os concorrentes à Presidência da República são obrigados a registrar os planos de governo.
O candidato do PSD disse que cobrou Flávio Bolsonaro, logo após as primeiras denúncias envolvendo o financiamento do filme Dark Horse, que conta a trajetória eleitoral de Jair Bolsonaro (PL), com repasse do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master. “Ele [Flávio] não deu satisfação, não explicou o Dark Horse. Ele fugiu da explicação para a sociedade. Como é que o candidato a presidente quer ter a presunção da inocência se não explica onde foram parar esses milhões e milhões de reais”, afirmou Caiado.
O goiano também não poupou Lula e as suspeitas sobre o filho do presidente Fábio Luís Lula da Silva, investigado por tráfico de influência em uma associação com a lobista Roberta Luchsinger. “Temos o Dark Horse de um lado e do outro o Dark Lobby com a Roberta e o Lulinha, que é o artista desse filme”, comparou.
Ao comentar o assunto, Renan Santos disse que Lula prefere ter Flávio Bolsonaro no segundo turno. “É o único candidato que ele é capaz de vencer. O Flávio é fraco, não é inteligente e tem gravíssimos déficits cognitivos. A última vez que o Flávio participou de um debate, ele teve problemas gástricos”, ironizou.
“Você tem um nível de agressividade que me assombra”, diz Cury para Renan Santos
O candidato Renan Santos criticou a militância petista pelo apoio a Lula e disse que não precisa dos votos do eleitorado lulista. “Tirando o eleitor que está no Bolsa Família, que ainda acredita que o Lula é a única fonte de comida, de maneira errônea, o restante, que apoia esse cara, está sendo canalha. Está rifando o nosso futuro e eu não quero o voto dele”, declarou.
A fala foi criticada por Augusto Cury, que afirmou que a maneira como o candidato do Missão expõe as ideias pode ser nocivo ao processo democrático. “Você tem um nível de agressividade que me assombra. As ideias podem ter fundamento, mas a agressividade asfixia a capacidade das pessoas terem as suas próprias opiniões. Nós estamos em uma democracia e a beleza dela está na divergência”, rebateu. “Você pode criticar as ideias de Lula, que são criticáveis, mas não pode criticar a pessoa, transformando ela em uma escória humana, um lixo, e nem mesmo o eleitor do Lula”, acrescentou.
Os candidatos também divergiram sobre a proposta para acabar com a escala de trabalho 6×1 no país. Segundo Cury, 30% dos trabalhadores brasileiros sofrem da síndrome de burnout, por causa do esgotamento profissional e de cobranças excessivas. “A escala 5×2 atende a necessidade dos trabalhadores. Eles poderão ter mais tempo com a família, mais qualidade de vida e, consequentemente, produzirão mais. A escala 6×1 atende a determinados setores da economia. Precisamos ajustar para atender as necessidades dos trabalhadores e das empresas”, argumentou.
Na réplica, Santos afirmou que os trabalhadores vão sofrer mais se não tiverem “comida na mesa por falta de trabalho”. Na avaliação dele, empresas podem fechar as portas e o desemprego deve aumentar se a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da escala 6×1 for aprovada no Congresso e sancionada pelo governo Lula. “Quero aumentar a produtividade da economia brasileira para que você possa ganhar mais por hora e que sobre dinheiro no fim do mês.”
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/candidatos-cobram-lula-flavio-suspeitascorrupcao-ausencias-debate-presidente/

Filipe Martins foi vítima de uma fraude

Agora é mais do que oficial: a Justiça americana está informando que não houve um erro ou um engano no registro falso de entrada de Filipe Martins nos Estados Unidos: foi fraude mesmo. O juiz Gregory Presnell, do Distrito Central da Flórida, foi nomeado para o cargo por Bill Clinton, democrata; nem tem nada a ver com Donald Trump. Ele trabalha muito contra a corrupção dentro do governo, acredita que alguém foi corrompido para fazer isso, e vai investigar para saber quem fez e quem mandou fazer.
O gravíssimo é que foi nessa falsidade que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, se baseou para prender preventivamente Filipe Martins. O juiz norte-americano também reconheceu esse fato; disse que o registro falso “prejudicou uma pessoa de forma considerável”, que “o governo reconhece a falsidade e a gravidade disso”, que Martins foi preso por causa desse registro e “tem o direito de saber como isso aconteceu e quem deu causa a isso”.
O advogado de Martins diz que essa verdade apareceu graças a um jornalismo corajoso e independente, que tornou possível que o mal fosse cortado. Quem faz esse “jornalismo corajoso e independente”? Quem acompanhou o caso de Filipe Marins nos lugares errados nunca soube disso, mas a Gazeta do Povo, a Oeste e outros veículos – alguns nos quais eu colaboro, outros não – acompanharam.
Moraes pode até ter sido enganado, mas PGR e STF inverteram o ônus da prova e mesmo assim Martins foi preso
Houve, portanto, um registro falso. Se for alguém, alguma autoridade do governo dos Estados Unidos que fez isso para prejudicar alguém, eles irão atrás porque isso é gravíssimo, tem implicações para a segurança nacional pros Estados Unidos. Quem fez essa entrada, onde quer que resida, mesmo que more no Brasil, será responsabilizado. Esta é uma questão de segurança nacional dos Estados Unidos, mas também é algo muito sério para a Procuradoria-Geral da República de Paulo Gonet. Um ministro do Supremo foi enganado por isso; quem o enganou? Martins foi preso em fevereiro de 2024; isso é gravíssimo, tem de ser investigado. Moraes cometeu um erro crasso, baseado em um indício falso – nem sequer era prova. E esse não foi o único erro: o ônus da prova foi invertido, ficou com Filipe Martins. Ele até demonstrou que estava no Brasil o tempo todo, que foi de Brasília para Curitiba, de Curitiba para Ponta Grossa, mostrou registros do Uber que ele usou, a passagem de avião, mas não adiantou nada; acabou preso mesmo assim.
Quanto os irmãos Batista pagaram para comprar a Avibras?
Os irmãos Batista, Wesley e Joesley, compraram a Avibras, que estava em recuperação judicial. Tempos atrás, a J&F colaborou em um aporte de R$ 300 milhões; agora, assumiu 100% da empresa; não sei se foi esse o preço final. A Avibras é uma indústria bélica, que produz principalmente artilharia antiaérea e terra-terra, mísseis e foguetes, não pode ter custado só R$ 300 milhões. Mas vejam a coincidência: o ministro Dias Toffoli suspendeu um pagamento, um acordo de leniência dos irmãos Batista, porque um deles tinha sido preso, fez delação, havia concordado em pagar multa de 10,3 bilhões. Será que foi só esse troquinho depois da vírgula que bastou para comprar a Avibras?
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/filipe-martins-vitima-fraude/
Investigação sobre lavagem do tráfico chega ao STF por possível elo com casos Master e INSS

Uma investigação sobre tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, iniciada em 2024 pela Polícia Civil de São Paulo, chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) no início deste mês, por possível ligação com as fraudes do Banco Master e das aposentadorias do INSS. Os investigadores rastrearam uma rede de contas, empresas de fachada e pessoas físicas que, segundo relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), movimentaram cerca de R$ 48 bilhões no período de cinco anos.
A investigação partiu da prisão, em 2024, de um traficante flagrado com drogas, instrumentos para venda de entorpecentes e R$ 100 mil em espécie. Com a quebra de seu sigilo bancário e de seu fornecedor, a polícia passou a vasculhar sucessivas transações financeiras, partindo de empresas em nome de laranjas para outras controladas por operadores suspeitos de movimentar recursos de diversos esquemas criminosos. A investigação cresceu e recebeu o nome de Operação Saturno.
A conexão com o Master foi identificada numa sequência de transações entre várias empresas. Identificou-se, inicialmente, que uma distribuidora, chamada Maguinific, repassou R$ 7,5 milhões, oriundos de venda de drogas, à Nexpay, uma fintech de intermediação de pagamentos em sites de compras da China. Para repassar o dinheiro aos vendedores chineses, a Nexpay fazia operações de câmbio no Master.
Outra ligação com o Master aparece em duas transferências que somam R$ 940 mil de uma empresa chamada Wave para a Entre Investimentos e Participações, grupo que mantinha fundos no Master e que teria sido usado pelo banqueiro Daniel Vorcaro para repassar dinheiro para a produção do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo a Polícia Civil de São Paulo, a Wave é usada para lavar dinheiro de diversos esquemas criminosos e aparece na Operação Saturno “exercendo papel fundamental na dissipação de valores oriundos do tráfico de drogas”.
Já a suspeita de ligação com as fraudes do INSS aparece porque a Prospect Consultoria Empresarial, pertencente ao lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, repassou R$ 13,7 milhões à empresa Arpar Administração, Participação e Empreendimento.
Essa empresa, por sua vez, transferiu recursos a um grupo de outras cinco empresas suspeitas de receberem dinheiro do tráfico.
Várias dessas empresas intermediárias, segundo a investigação, foram abertas em nome de “laranjas” – em geral, trabalhadores de baixa renda abordados por conhecidos que pediam seus documentos pessoais para abrirem uma firma em troca de pagamentos mensais, de R$ 1 mil ou R$ 2 mil.
No relatório final da investigação, a Polícia Civil de São Paulo pede o envio do caso à Justiça Federal em razão de ligações com investigações da Polícia Federal. Foram indiciadas oito pessoas apontadas como controladoras das empresas que lavavam dinheiro para o tráfico e diversos outros esquemas.
“Foi possível identificar que os sistemas de lavagem não atuam para apenas um segmento, fundindo operações relacionadas ao tráfico, sonegação, fraudes, contrabando, entre outros, atuando na dissipação dos valores, que são empregados em câmbios paralelos, compra de criptomoedas, transmutados em valores em espécie, para retornarem ‘lavados’ aos verdadeiros responsáveis”, diz o relatório final.
“Desvendou-se a existência de um verdadeiro ‘SISTEMA FINANCEIRO PARALELO’, à margem dos sistemas de controle, onde operadores oferecem serviços de todos os tipos e naturezas, desde a abertura fraudulenta de contas correntes ao câmbio paralelo, recebendo spreads [margens de lucro] pelas operações e serviços prestados”, diz o documento.
O Ministério Público de São Paulo concordou com o envio do caso para a Justiça Federal e reafirmou a complexidade do caso. “Os investigados operavam esquema sofisticado de circulação e dissimulação de valores ilícitos, com uso reiterado de contas em nome de terceiros, empresas sem atividade econômica real, fintechs, bancos digitais e até criptoativos, em dinâmica de pulverização e recomposição dos recursos, dificultando sobremaneira sua rastreabilidade”, diz o parecer do órgão.
Instado a se manifestar, o Ministério Público Federal (MPF) opinou pelo envio do caso ao STF, em razão da possível conexão com casos investigados na Corte – os inquéritos do Master e do INSS são supervisionados pelo ministro André Mendonça.
O procurador que analisou o relatório ressalvou, no entanto, a possibilidade de não haver conexão direta com os esquemas do banco e do órgão da previdência.
“A prática demonstra que a análise de RIFs [relatórios de inteligência financeira] muitas vezes leva à verificação de esquemas paralelos sem conexão, haja vista que muitos doleiros e operadores transacionam entre si em sistema de compensação. Nesses casos, evidentemente não há conexão, mas eventualmente descoberta fortuita, que deve ser autuada em separado, apenas com as peças pertinentes, e encaminhada ao Juízo competente”, escreveu no parecer favorável ao envio da investigação ao STF.
O inquérito chegou ao gabinete de André Mendonça no último dia 12 em segredo de Justiça e, até o momento, o ministro não adotou providências.
O que dizem os envolvidos citados na investigação
Procurada pela reportagem, a defesa de Antônio Carlos Camilo Antunes afirmou que desconhece a investigação e que não iria se manifestar sobre as suspeitas. A defesa de Daniel Vorcaro, do Banco Master, também não se manifestou. O espaço permanece aberto.
Em depoimento no inquérito, em abril, o dono da Nexpay afirmou que a empresa foi fechada no ano passado. Alegou que a Maguinific era uma empresa de e-commerce e operou com a Nexpay por aproximadamente dois meses e meio. Segundo ele, a empresa cadastrou as empresas estrangeiras para recebimento dos valores, enviou documentação com dados de compradores, valores e conversões cambiais.
“Os documentos apresentados eram considerados regulares, contendo CPFs válidos, inexistindo indícios aparentes de irregularidade no momento das operações […] Não havia ciência da eventual origem ilícita dos valores, considerando que as operações eram acompanhadas de documentação formal e regular”, afirmou o dono da Nexpay.
As demais empresas não tiveram seus sócios ou administradores indiciados – a investigação verificou que estavam em nome de laranjas, em geral trabalhadores de baixa renda, que não operavam as contas nem sabiam da origem ilícita dos valores.
Empresas da Operação Saturno já haviam aparecido em investigação sobre PCC
A estrutura formada por empresas como Wave e Arpar já havia aparecido em investigação sobre uma suposta rede de lavagem de dinheiro ligada ao PCC.
Como a Gazeta do Povo mostrou em julho, documentos da CPMI do INSS apontaram que a Wave recebeu R$ 514,5 milhões da Victory Trading, empresa de Victor Shimada, sancionado pelo governo dos Estados Unidos por suposta ligação com uma rede de lavagem de dinheiro da facção.
A Wave também foi apontada como parte da chamada rede Arpar, que teria sido usada para lavar recursos de diferentes esquemas criminosos.
A empresa foi procurada pela reportagem da Gazeta do Povo em julho, mas não se manifestou. Anteriormente, em maio de 2025, ao Fantástico, da TV Globo, ao tratar de outra irregularidade investigada, um representante da companhia negou que a Wave tivesse participação em lavagem de dinheiro, afirmou que a empresa trabalhava com criptomoedas e disse que as operações haviam sido encerradas.
Em julho, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos incluiu Shimada em sua lista de sancionados para combater o crime organizado transnacional. Segundo o governo americano, ele teria participado de uma rede de lavagem de dinheiro utilizada pelo PCC para movimentar recursos provenientes de atividades ilícitas. A medida também atingiu empresas e outros integrantes apontados como parte da estrutura financeira da organização.
A defesa de Shimada negou as acusações. Em manifestação à Gazeta do Povo à época, os advogados afirmaram que ele não tem relação com o PCC, classificaram as acusações como infundadas e questionaram as sanções impostas pelos Estados Unidos.
Agora, documentos da Operação Saturno mostram que essa mesma estrutura aparece em uma investigação sobre tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, com transações que também alcançaram empresas relacionadas ao Banco Master e ao esquema de fraudes do INSS.
Em nota enviada à Folha de S.Paulo, em 3 de julho de 2026, a Entre Investimentos afirmou que “realiza suas operações em conformidade com as normas e regulamentações aplicáveis ao setor financeiro” e reforçou seu compromisso com a integridade, a transparência e o cumprimento da legislação vigente. A empresa disse ainda que permanecia à disposição das autoridades competentes sempre que fosse necessário.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/investigacao-sobre-lavagem-do-trafico-chega-ao-stf-por-possivel-elo-com-casos-master-e-inss/

O que é um jornalista e por que o debate sobre diploma é uma farsa

Algumas pessoas, inclusive jornalistas, têm usado a expressão blogueiro para se referir a indivíduos que trabalham com a publicação de informações online. A aparente intenção é desqualificar os profissionais, negando a eles a importância que o trabalho de um “verdadeiro” jornalista possuiria.
Mas qual é a diferença entre um jornalista e um blogueiro?
Ou, perguntando de outra forma: o que caracteriza o trabalho de um jornalista?
Certamente não é um diploma de jornalismo. Alguns dos maiores nomes da profissão nunca tiveram esse diploma.
O trabalho no jornalismo envolve um conjunto de habilidades, técnicas e conhecimentos que podem ser adquiridos fora de uma sala de aula. Na verdade, há coisas que o jornalista precisa saber que são praticamente impossíveis de serem ensinadas em uma universidade.
Jornalismo não é uma área do conhecimento, como biologia, química, física ou matemática. Jornalismo é uma atividade composta por um conjunto de habilidades e práticas.
As habilidades principais de um jornalista são a capacidade de análise, o raciocínio lógico, a facilidade de articular e apresentar ideias e, evidentemente, a capacidade de escrever bem. Além disso, um bom jornalista possui ampla cultura geral e curiosidade intelectual, além de aprender rápido.
O mundo está cheio de pessoas que possuem essas habilidades e que nunca assistiram a uma aula de jornalismo. Um diploma de jornalista não confere esses atributos.
Existem inúmeros profissionais diplomados, em todas as atividades, cujo trabalho é de péssima qualidade. Muitos deles são desonestos.
Nossa cultura dá ao diploma uma importância que ele não tem.
O Brasil, ainda apegado a diplomas e acostumado com regulação estatal, não está preparado para essa discussão.
Há alguns dias fiz uma postagem na rede X que dizia:
“Observe que a entidade que sugere a volta da exigência de diploma para quem trabalha como jornalista é a mesma que tem, na sua composição, pessoas que nunca passaram em concurso para juiz, mas exercem a função de magistrado”.
Eu estava me referindo à polêmica, aberta pela Suprema Corte brasileira, sobre a volta da exigência de diploma de jornalista para quem trabalha com notícias. O curioso da polêmica é que ela foi iniciada pela própria Corte. Ela não foi uma resposta a uma necessidade da sociedade nem foi uma reivindicação de jornalistas. Ela, na verdade, foi consequência de uma operação policial, determinada pela Corte, que resultou na violação do sigilo de uma fonte jornalística. O sigilo da fonte é o direito que o jornalista tem de não revelar como ele obteve suas informações.
A operação policial teve origem em rivalidades políticas do Maranhão, que foram trazidas para a Corte quando um dos líderes políticos locais foi nomeado magistrado.
A violação do sigilo da fonte – uma garantia constitucional – provocou protestos de muitos jornalistas e de entidades do setor. A resposta da Corte foi sugerir que a proteção constitucional só se aplica nos casos de jornalistas diplomados (o jornalista alvo da operação não concluiu o curso). Um ministro também sugeriu que, para evitar que a proteção do sigilo seja indevidamente invocada para fins criminosos, seria preciso restabelecer a exigência do diploma.
Inexiste conexão entre um diploma e a legalidade das atividades do seu portador. Muitos diplomados em cursos superiores cometem crimes. A garantia constitucional de sigilo da fonte, assim como outras garantias, constitui um direito fundamental dos cidadãos, independentemente de classe social, ideologia, etnia e nível educacional.
A tática de mudar de assunto e rebater a indignação dos jornalistas acenando com a volta da exigência do diploma funcionou. Diversos jornalistas, e pelo menos uma entidade de classe, aplaudiram a proposta da Corte, esquecendo a indignação quanto à violação do sigilo da fonte.
O Brasil, ainda apegado a diplomas e acostumado com regulação estatal, não está preparado para essa discussão. Ainda assim, é preciso entender que toda regulamentação de profissão é uma reserva de mercado. Quando se estabelecem requisitos para que alguém exerça uma profissão, está se limitando o número de profissionais.
Quando o exercício da profissão envolve risco à vida ou à segurança das pessoas, regulamentação tem algum sentido. Mas é inevitável que a tentação de regular seja expandida para todas as áreas. Para perceber o absurdo disso, basta imaginar que amanhã pode ser exigido um diploma de literatura para quem quiser escrever livros, uma graduação em música para cantores e um registro profissional de poeta para quem quiser escrever poemas. Imaginem que, para fazer postagens em rede social, seja exigido diploma em curso superior de influencer.
Não riam.
Nada disso é diferente de exigir diploma de curso de jornalismo para quem publica notícias e quer usufruir da garantia do sigilo da fonte.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/roberto-motta/o-que-e-um-jornalista-debate-sobre-diploma-e-uma-farsa/
Pesquisa BTG/Nexus: Flávio encosta e está apenas a 1 ponto de Lula no segundo turno

A nova rodada da pesquisa BTG Pactual/Nexus, divulgada nesta segunda-feira (24), mostra a disputa presidencial mais apertada entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O presidente continua à frente no primeiro turno, mas o senador avançou numericamente em relação ao levantamento anterior e aparece apenas um ponto atrás de Lula numa eventual decisão entre os dois, em segundo turno: o petista tem 46%, contra 45% do senador. Na pesquisa anterior, Lula tinha 47% e Flávio, 44%.
Na pesquisa estimulada para o primeiro turno, Lula registra 41%, mesmo percentual da rodada de 17 de agosto. Flávio Bolsonaro passa de 36% para 37%. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, a diferença entre os dois principais candidatos caiu de cinco para quatro pontos.
Bem atrás aparecem Ronaldo Caiado (PSD), com 5%; Renan Santos (Missão), com 3%; Romeu Zema (Novo), também com 3%; e Augusto Cury (Avante), com 2%. Branco, nulo ou nenhum dos candidatos somam 5%, enquanto 3% não souberam ou preferiram não responder.
Na comparação com a rodada anterior, além do avanço de um ponto de Flávio, Renan Santos recuou de 4% para 3%, Zema também passou de 4% para 3% e Augusto Cury subiu de 1% para 2%. Caiado e Lula permaneceram estáveis.
A pesquisa espontânea, na qual os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados, também registra crescimento numérico de Flávio Bolsonaro. Lula mantém 38%, enquanto o senador passa de 29% para 31%. Renan Santos aparece com 2%, Caiado com 2% e Zema com 2%. Outros nomes somam 4%. Branco, nulo ou nenhum chegam a 6%, e 15% não sabem ou não responderam.
O cenário mais apertado aparece na simulação de segundo turno entre Lula e Flávio. O presidente tem 46%, contra 45% do senador. Na pesquisa anterior, Lula marcava 47% e Flávio, 44%. Assim, a distância, que era de três pontos, caiu para apenas um. Considerada a margem de erro de dois pontos percentuais, o cenário é de empate técnico. Branco, nulo ou nenhum representam 8%, e 1% não respondeu.
Contra Ronaldo Caiado, Lula também aparece em situação de empate técnico dentro da margem de erro: 46% a 42%. Na rodada anterior, o placar era de 45% a 42%. Branco, nulo ou nenhum chegam a 11%, e 2% não sabem ou não responderam.
Nas outras simulações testadas, Lula conserva vantagens numericamente maiores. Contra Romeu Zema, o presidente aparece com 47%, ante 40% do candidato do Novo. Na pesquisa de 17 de agosto, eram 46% a 41%.
Diante de Renan Santos, Lula registra 47%, contra 35%. Na rodada anterior, o resultado era de 47% a 36%. Nesse confronto, 15% afirmam que votariam branco, nulo ou em nenhum dos dois e 2% não souberam responder.
Os números indicam, portanto, dois movimentos diferentes. Lula permanece estável e conserva a liderança no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro apresenta oscilações positivas tanto na pesquisa estimulada quanto na espontânea. No confronto direto, a soma das oscilações — Lula de 47% para 46% e Flávio de 44% para 45% — reduziu a diferença entre eles para um ponto percentual. Como se trata de variações dentro da margem de erro, não é possível afirmar estatisticamente que houve mudança efetiva nas intenções de voto.
O levantamento também oferece uma primeira fotografia da corrida após o início oficial da campanha e foi realizado justamente no fim de semana do primeiro debate presidencial promovido pela Band. As entrevistas, no entanto, ocorreram entre os dias 21 e 23 de agosto, o que significa que parte da coleta foi feita antes do debate de domingo à noite. Por isso, os números não devem ser interpretados como uma medição consolidada do impacto do encontro entre os candidatos.
A pesquisa BTG Pactual/Nexus ouviu 2.006 eleitores por telefone entre 21 e 23 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi contratado pelo BTG Pactual e registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-09028/2026.
Lulinha mora em área de alto luxo em Madri reservada aos muito ricos

Fábio Luís Lula da Silva, 51 anos, filho de Lula (PT), investigado pela Polícia Federal por corrupção e tráfico de influência no governo do pai petista, reside com a mulher e os dois filhos em um apartamento no complexo residencial de alto luxo Jardins de La Moraleja (também referido como El Jardín de La Moraleja), localizado na zona exclusiva de La Moraleja, em Alcobendas, ao norte de Madri, Espanha.
La Moraleja é tradicionalmente associada à elite espanhola; os jogadores brasileiros Vinícius Júnior e Rodrygo, do Real Madrid, também residem na região.
Reportagens periodísticas apontam que o imóvel integra um condomínio fechado de luxo, com apartamentos de aproximadamente 202 a 227 metros quadrados. Estimativas de custos de aluguel e taxas chegam a 5,8 mil euros (cerca de R$35 mil) mensais.
O empreendimento se destaca por baixa densidade arquitetônica e mais de 40 mil metros quadrados de áreas verdes exuberantes. Foi destacado pela revista Architectural Digest (España) como um modelo de “urbanização do futuro” e refúgio urbano ideal, com integração interior-exterior por meio de grandes janelas e terraços, espaços fluidos e áreas comuns que incentivam a convivência familiar.
Entre as comodidades estão três piscinas externas (incluindo uma de borda infinita integrada à área infantil) e uma piscina interna climatizada; infraestrutura de bem-estar com academia equipada e spa; clubes e salões sociais para adultos e crianças; espaços de coworking, leitura e gastronomia; além de foco em sustentabilidade com construções ecológicas adaptadas a lazer e teletrabalho.
Batendo em retirada
Lulinha iniciou o processo de saída do Brasil em 2024 e se radicou definitivamente na Espanha em 2025, com a família, no período em que eclodiram investigações relacionadas a fraudes no INSS e uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI). Ele mantém empresa no setor de tecnologia na capital espanhola. A defesa não se pronunciou publicamente sobre detalhes da residência em algumas das reportagens recentes.
A informação contrasta com declarações de aliados, como a do vice-presidente do PT, Washington Quaquá, que em agosto de 2026 afirmou que Lulinha viveria em “condições precárias” na Espanha — afirmação contestada por veículos que descreveram o padrão do local como um dos mais exclusivos de Madri.
Lula destitui vice-líder e expõe medo de Ciro Gomes acabar reinado do PT no Ceará

Lula (PT) ouviu a diretório cearense do seu partido e determinou que Mauro Benevides Filho (União-CE) deixe o posto de vice-líder do governo na Câmara. O deputado declara abertamente apoio ao petista e até pede votos patra ele, mas coordena o programa de governo de Ciro Gomes (PSDB), que tenta se eleger governador do Ceará. Esta coluna apurou que o senador Camilo Santana (PT-CE) e o ministro José Guimarães (Relações Institucionais) atuaram para destituir Benevides do posto de vice-líder. Eles estão claramente com medo do desempenho de Ciro Gomes nas urnas.
Trabalho hercúleo
Pressão maior veio de Camilo, que tem a árdua missão de reeleger o “poste” Elmano de Freitas (PT), que tem Ciro como principal adversário.
Surpresa repetida
Como apoia Lula na Câmara, Benevides não contava com a manobra. É a segunda vez que é sabotado. Perdeu o posto quando deixou o PDT.
Porteira fechada
O recado do Planalto é que não aceitará engajamento para opositores nos palanques regionais. Se fizer, a retaliação vem.
Tomando votos
Nas contas de Camilo e Guimarães, a atuação de Benevides pode até preservar votos de Lula, mas captura votos que poderiam ser de Elmano.
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