
Preso pela segunda vez desde março deste ano, Daniel Vorcaro reforçou sua equipe jurídica para tentar destravar uma nova proposta de colaboração premiada – a terceira desde que se tornou alvo das investigações e da Compliance Zero -, mas ele tem encontrado um caminho espinhoso pela frente.
Sem muitos trajetos abertos para explorar brechas e tentar nulidades processuais capazes de reverter a situação, a aposta do ex-controlador do Banco Master passou a ser reconstruir a relação com as autoridades responsáveis pela investigação, movimento que promete render, ainda nesta semana, uma reunião entre seu novo advogado e o ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF).
Quem assumiu a tarefa de reabrir esse canal foi o criminalista Daniel Bialski, contratado há poucos dias para atuar ao lado do advogado Sérgio Leonardo, que acompanha Vorcaro desde o início das investigações. Bialski já defendeu nomes como o ex-governador do Rio Cláudio Castro e atuou em casos relacionados à Lava Jato.
Ele deve dizer ao ministro que pretende apresentar uma proposta de colaboração viável e ampla, avaliando haver espaço para uma nova rodada de negociação. O próprio Bialski afirmou na terça-feira (11) que pretende retomar essas tratativas para o acordo de colaboração premiada.
Segundo ele, Vorcaro está disposto a prestar esclarecimentos e colaborar com as investigações, mas a defesa ainda precisa aprofundar o conhecimento sobre as acusações e sobre as informações apresentadas nas tentativas anteriores de delação, rejeitadas pela PF e pela PGR.
O advogado confirmou que pediu a audiência com Mendonça e pretende ampliar o tempo de visitas a Vorcaro na Papudinha nos próximos dias.
Uma reformulação completa da estratégia
Neste momento, a intenção da defesa não seria simplesmente reapresentar uma versão ajustada das duas propostas anteriores, ambas rejeitadas pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR), mas recomeçar as tratativas do zero, dessa vez com uma delação mais robusta e com um potencial de entregar mais.
Para isso, os advogados protocolaram um pedido formal para que o STF autorize acesso ampliado a Vorcaro, de até seis horas diárias, tempo que seria usado para um levantamento completo de tudo o que o banqueiro sabe sobre o esquema do Master, na tentativa de afastar a desconfiança de que ele estaria omitindo informações e nomes relevantes do esquema.
A ideia é que, se a negociação for retomada, ela ocorra de forma simultânea com a PF e a PGR, evitando o desgaste de conversas fragmentadas com cada órgão separadamente. A defesa também estaria sinalizando, nos bastidores, um discurso de transparência total com as instituições.
As duas tentativas frustradas de acordo deixaram claro, segundo fontes ligadas à investigação, quais são os pontos que Vorcaro precisará resolver caso queira emplacar uma eventual terceira proposta. O primeiro é a exigência de que ele assuma formalmente a autoria dos crimes apurados, algo que teria irritado tanto a PF quanto a PGR por não ter sido feito nas rodadas anteriores.
O segundo obstáculo envolve, mais uma vez, dinheiro. As autoridades questionam o valor exato a ser ressarcido e, principalmente, onde estariam os recursos desviados no esquema do Master, cujo rombo é estimado na casa dos R$ 60 bilhões. O terceiro entrave é a ausência de fatos novos. A PF argumenta que boa parte do que Vorcaro apresentou até agora já constava em dezenas de celulares e dispositivos eletrônicos apreendidos ao longo das investigações.
Diante desse histórico, o ceticismo predomina entre investigadores e procuradores. Avalia-se que uma real chance de destravar as negociações só existiria se o ex-banqueiro decidisse reformular por completo sua colaboração e revelar informações efetivamente inéditas, o que, até o momento, ninguém no meio das investigações considera garantido.
Resistência dentro das instituições
Além do histórico de rejeições, a nova investida da defesa esbarra em outra barreira: a falta de disposição, neste momento, dentro das instituições. Na PGR, por exemplo, nem sequer haveria disposição para se discutir uma terceira proposta. Procuradores a par das investigações relatam que o entendimento é de que as negociações com Vorcaro estão encerradas e esgotadas.
Essa resistência se soma às razões técnicas, como a falta de elementos novos e a recusa em assumir responsabilidade pelos crimes, o que reforçaria um cenário desafiador que a nova defesa enfrenta antes mesmo de sentar à mesa de negociação.
A aposta de Bialski em uma nova colaboração também teria gerado um desgaste interno. A escolha por essa estratégia estaria contrariando a linha que Sérgio Leonardo vinha adotando, focada em contestar o mérito das acusações e as provas reunidas pela investigação, e não em negociar um acordo.
Ocorre que a guinada de estratégia teria sido um pedido do próprio Vorcaro, que estaria convencido de que uma nova tentativa de colaboração pode ser o caminho mais rápido para a prisão domiciliar.
O processo de montagem da nova equipe também não foi tranquilo. Nas últimas semanas, Vorcaro chegou a negociar com integrantes de pelo menos três escritórios diferentes, recebendo minutas de contrato e discutindo formas de pagamento de honorários, mas adiando repetidamente a assinatura dos documentos, o que gerou desconfiança entre os advogados sondados sobre se a contratação de fato se concretizaria.
Sérgio Leonardo chegou a divulgar uma nota pública reafirmando ser o único advogado constituído no caso, e reclamou diretamente a familiares do ex-banqueiro sobre a indicação de novos nomes para a defesa. Uma semana depois, a entrada de Bialski como novo integrante da equipe acabou confirmada.
Vorcaro se mostra irritado com a própria situação na prisão
Passados cinco meses de prisão, de idas e vindas entre propostas de colaboração recusadas e mudanças de estratégia na defesa, Vorcaro teria demonstrado impaciência com o rumo do processo.
Essa insatisfação ajudaria a explicar por que, mesmo com o ceticismo generalizado sobre as chances de sucesso, Vorcaro insiste em uma nova rodada de negociação. Ele estaria convencido de que apenas um acordo de colaboração poderia relaxar suas condições de cárcere, encerrando o atual regime de reclusão.
Para investigadores a par das apurações, essa nova tentativa perde o principal trunfo que poderia ter: o fator espontaneidade. Como Vorcaro já apresentou duas propostas anteriores, recebeu recusas e, em determinado momento, chegou a mudar de estratégia para focar no enfrentamento direto das provas e acusações, uma terceira tentativa precisa ser vista pelas autoridades como movimento calculado, o que pode dificultar ainda mais o convencimento da PF, da PGR e do próprio Mendonça, que chegou a dizer que não faria questão de uma delação.
Três familiares de Vorcaro também estão presos
Enquanto a defesa tenta reabrir o canal de negociação, a situação prisional não afeta apenas Daniel Vorcaro. Além dele, outros três integrantes de sua família seguem presos em decorrência das investigações sobre o colapso do Banco Master: o pai do banqueiro, Henrique Vorcaro, também alvo da Compliance Zero; o primo, Felipe Vorcaro; e o cunhado do ex-banqueiro, Fabiano Zettel. Todos negam ter praticado quaisquer irregularidades.
Investigadores consideram que a manutenção dessas prisões reforça a pressão sobre o núcleo familiar e é apontada como mais um fator que tem pesado na decisão de Vorcaro de insistir em uma via negocial com as autoridades, mesmo diante do histórico de recusas à delação.
A busca por um novo acordo de colaboração ocorre no contexto de uma das maiores fraudes financeiras já identificadas no Brasil. A liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, expôs um rombo bilionário deixado para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), associado a um esquema que envolvia a emissão de títulos sem lastro real e ativos supervalorizados usados para inflar artificialmente o patrimônio da instituição.
As investigações da Compliance Zero, que resultaram em duas prisões de Vorcaro, seguem avançando também sobre supostas conexões do ex-banqueiro com autoridades públicas e parlamentares, além do rastreamento de bens que ele possa manter fora do país. Essas frentes, somadas ao impasse em torno da delação, mantêm o caso como um dos mais complexos em curso no sistema de Justiça brasileiro e ainda distante do fim.
Somente com o que a PF apreendeu nas fases já deflagradas da Compliance Zero, haveria subsídio e material capazes de render pelo menos 60 fases da operação. A promessa das autoridades é de que ela não deve ser interrompida nem frear durante o processo eleitoral que se aproxima.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/defesa-de-vorcaro-nao-encontra-brechas-para-anular-processo-e-tenta-delacao-pela-terceira-vez/

Quando o sujeito vai explicar os 129 milhões, hein?!

Fui dar uma volta na praia que, em julho, é praticamente deserta. Só eu e os velhos. Mais velhos, digo. Tinha um pescando com a água pelas canelas. Água geladíssima. Outro brincava na areia com um detector de metais. Juro que vi um casal 70+ enchendo sacolas plásticas com conchinhas. E este outro vinha na direção contrária. A uns cem metros de mim. Perto. Mais perto. Bem perto agora. “Quando é que o sujeito vai explicar os 129 milhões, hein?”, me perguntou ele.
Na verdade ele não disse “sujeito”. Disse va———. Posso reproduzir a fala do cidadão anônimo e indignado na praia? Vivemos numa democracia? Hehehe. Segui em frente. O plano era comprar cação, preparar uma moquequinha e tal. Chego ao mercado de peixes e nem bom dia o pescador me dá. Quando é que o sujeito vai explicar os 129 milhões, hein? Compro o cação. Me deparo com surfistas. Quando é que o sujeito vai explicar os 129 milhões? Pausa dramática. Hein?! Penso em voltar correndo para casa. Me falta folego.
¯\_(ツ)_/¯
Os termos variam. Por decoro e alguma prudência, não os reproduzo neste espaço. Mas você vai imaginando aí. Sim, teve esse também. Mas teve outros muito piores. Mais cabeludos, como se diz ou dizia. Termos que rimam com truta. Quando é que o sujeito vai explicar os 129 milhões?, me perguntou a tia do churros. Quando é que o sujeito vai explicar os 129 milhões?, me perguntou o porteiro. Quando é que o sujeito vai explicar os 129 milhões?, me perguntou um bêbado. E a todos eu respondia com um ¯\_(ツ)_/¯ sincero e às vezes um “sei lá!” indignado.
Fui jogar boliche e um grupo de tiozões na pista ao lado me perguntou em uníssono. Na padaria, a atendente não hesitou. Abasteci o carro e o frentista gago que-que-queria saber. No restaurante, o garçom perguntou quando fiz o pedido e insistiu depois, ao trazer a conta. Na rua, o policial sussurrou. No mercado e na farmácia. No elevador. Ricos e pobres, gordos e magros, altos e baixos. (Mencionei o anão do circo? Pois). Um turista holandês se enrolou todo. Mas perguntou. Quando é que o klootzak vai explicar os 129 milhões? Em holandês pode, né?
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/polzonoff/129-milhoes/
TSE suspende sistema de filiações após falso registro de Flávio e tentativa contra Lula

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu nesta quinta-feira (13) o registro de novas filiações no Sistema de Filiação Partidária (Filia) após a falsa filiação do senador Flávio Bolsonaro (PL) ao Partido Missão.
A Corte eleitoral também disse ter identificado uma tentativa de alterar a filiação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que não chegou a ser efetivada. O presidente do TSE, Nunes Marques, determinou a investigação dos casos.
Em nota, o TSE informou que a suspensão é necessária para “garantir que não haverá novas tentativas indevidas de registro”.
“Além da suspensão do sistema, que não causa prejuízos uma vez que a legislação exige a observância de prazos para filiação partidária, o presidente do TSE também determinou que fossem apuradas tentativas de burla com nomes de outros candidatos à Presidência”, disse o Tribunal.
A Corte ressaltou que o sistema Filia “segue recebendo pedidos e deve ser reativado para o processamento de novas filiações em breve”.
Filiação de Flávio Bolsonaro ao Missão
Nesta quinta-feira (13), o pré-candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro, não conseguiu formalizar sua candidatura no sistema do TSE, pois aparecia como filiado ao Partido Missão.
Em meio ao impasse, o Tribunal informou que “a filiação de Flávio Bolsonaro ao partido Missão não foi fruto de hackeamento do sistema de filiação partidária, mas sim de uso indevido da ferramenta por parte de alguém que possuía as credenciais da legenda para efetivar filiações”.
Horas depois da identificação da irregularidade, o TSE corrigiu a filiação do senador. A equipe de Flávio oficializou a candidatura da chapa presidencial nesta noite.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/tse-suspende-sistema-de-filiacoes-apos-falso-registro-de-flavio-e-tentativa-contra-lula/

Trump promete ofensiva digital contra as facções brasileiras

O presidente dos Estados Unidos está agindo mais uma vez contra o Comando Vermelho e o PCC. Ele publicou uma ordem, colocando todos os meios do governo dos Estados Unidos, em parceria com as empresas privadas da área digital, à disposição de uma guerra cibernética contra as facções. Assim como Israel tem um escudo aéreo para impedir que os mísseis atinjam o país, algo parecido pode acontecer também em nível digital contra o crime organizado no Brasil, já que as facções estão enquadradas pelos EUA como organizações terroristas. O governo brasileiro não aceita isso, diz que PCC e CV não são terroristas; eles tomam território brasileiro, dominam áreas no Rio de Janeiro, na Amazônia, dominam rios da região amazônica, inclusive o próprio Rio Amazonas, têm pistas de pouso, têm uma organização muito grande, mas para Lula e o PT as facções não são terroristas.
Nesta quinta-feira ouvi, no fórum Caminhos da Liberdade, o Rodrigo Pimentel, que é um especialista nisso e fala do que conhece, e Renan Santos, do Missão. Ambos mostram que conhecem os caminhos; na verdade, todos conhecem os caminhos de entrada de drogas e armas, as ações do Comando Vermelho e do PCC. Só o governo brasileiro é que não sabe, ou não quer saber. Não sei se há uma simpatia ou uma empatia com as facções, ou se há uma antipatia em relação a Donald Trump, mas o certo é que antepõem isso à segurança, que é o principal problema do país e será o principal tema dessa campanha eleitoral. Quem estiver ao lado dos bandidos certamente não terá voto. E o contrário é o verdadeiro, porque o povo quer segurança e saúde. Deveria também querer muito ensino, porque é o ensino que tira a ignorância do eleitor; com o domínio da capacidade de se informar, da curiosidade sobre quem são os candidatos, a pessoa aperfeiçoa seu voto e escolhe melhor o seu futuro.
História da “filiação” de Flávio Bolsonaro ao Missão está muito mal contada
Ficou muito estranha essa história de Flávio Bolsonaro não ter conseguido registrar sua candidatura pelo PL porque aparecia como filiado ao Missão na Justiça Eleitoral. O TSE alega que nenhum hacker entrou nos sistemas do órgão; Renan Santos disse que foi alguém que tinha credenciais para entrar no e-mail de Flávio e fez o registro; Flávio nega que tenha feito qualquer coisa nesse sentido. Já foi resolvido, a Justiça Eleitoral já registrou Flávio de volta no PL, mas continua afirmando que ninguém entrou por vias digitais nos sistemas da corte para fazer isso.
PGR também defende violação de prerrogativas de advogados no caso de Flávio
Já disse algumas vezes que Jair Bolsonaro é um prisioneiro especial de Alexandre de Moraes. O ministro repassou para o procurador-geral Paulo Gonet um pedido da defesa de Flávio, que é advogado do pai. Advogados têm licença absoluta para falar com seus clientes, mas Flávio está proibido – como filho e também como advogado. E a PGR foi favorável à proibição durante 90 dias, ou seja, durante toda a campanha eleitoral. Antevejo um certo entrechoque entre decisões do Tribunal Superior Eleitoral e decisões do Supremo – mais exatamente, de Moraes, de Flávio Dino ou de Gilmar Mendes. Não sei o que Edson Fachin, o presidente do STF, fará para que isso não cause maiores problemas. Estão deixando de lado a razão e o bom senso, e usando politicamente algo que tem de ser puramente técnico, que é a administração de eleições e a contagem clara e transparente de votos.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/donald-trump-ofensiva-digital-pcc-comando-vermelho/
Flávio Bolsonaro promete endurecer combate ao crime e cortar poderes do STF

O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, colocou o combate ao crime organizado e mudanças na atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) entre os principais eixos de seu plano de governo. O documento, apresentado nesta quinta-feira (13), prevê reduzir a maioridade penal, endurecer o cumprimento de penas e classificar facções como organizações terroristas, além de limitar decisões monocráticas e retirar do Supremo parte de suas competências criminais.
Durante a live de lançamento do plano, Flávio apresentou a segurança pública como uma das primeiras prioridades de um eventual governo e afirmou que pretende “declarar guerra” ao crime organizado a partir de 2027. Já o vice da chapa, Alfredo Gaspar (PL), que foi secretário de Segurança Pública de Alagoas, disse que a proposta representa uma mudança de postura do governo federal diante da criminalidade.
Entre as medidas anunciadas estão a criação de 500 mil vagas no sistema prisional e de cinco novos presídios federais, além da integração das forças policiais e do reforço da fiscalização de fronteiras. O plano também prevê classificar PCC, Comando Vermelho, milícias e outras facções como organizações terroristas.
Na apresentação, Flávio associou a proposta ao avanço de grupos criminosos sobre territórios e ao uso de drones em ataques contra policiais e adversários. “O problema da segurança quem tem que resolver é a gente. São as nossas polícias, investimentos do governo federal, fazendo a nossa parte, fiscalizando as fronteiras, coibindo a entrada de fuzis e de drogas, seja pela via terrestre ou pelos portos”, defendeu Flávio.
A legislação penal também ocupa espaço central no programa. A proposta é reduzir de 18 para 16 anos a maioridade penal e estabelecer responsabilização mais dura para adolescentes entre 14 e 16 anos que cometam crimes graves, como homicídio, estupro e tráfico de drogas de grande porte. O documento ainda prevê o fim da progressão de regime para condenados por crimes hediondos.
“O Brasil não pode ser um país da impunidade. O bandido vai saber que presídio não é colônia de férias como é hoje”, defendeu Flávio.
Na mesma linha, Alfredo Gaspar defendeu uma nova abordagem para a segurança pública. “Enquanto o adversário alisa a cabeça de bandido, o governo Flávio Bolsonaro enfrentará a bandidagem para trazer paz ao Brasil e às famílias. Não há prosperidade sem esse sentimento de segurança”, afirmou.
Flávio propõe reforma do STF e limites a decisões monocráticas
O plano de governo analisado pela Gazeta do Povo prevê mudanças na atuação do STF, com o objetivo de reduzir a concentração de poder na Corte e reforçar o papel do Congresso. Entre as propostas estão a limitação de decisões monocráticas, a retirada das competências criminais originárias do Supremo e mudanças nas regras para ações de controle de constitucionalidade.
A proposta estabelece que decisões individuais de ministros não poderão se sobrepor indefinidamente às decisões do Congresso em temas de grande impacto político, econômico ou institucional. Medidas urgentes tomadas monocraticamente também deverão ser submetidas rapidamente ao colegiado, segundo o documento.
No documento, Flávio associou a proposta à defesa do equilíbrio entre os Poderes e criticou a concentração de decisões em ministros individuais. “Cobrar limites não é atacar o Supremo. É defender um STF forte, colegiado e concentrado em sua missão de guardar a Constituição”, afirma o texto apresentado pela campanha.
O programa também prevê retirar do STF as competências criminais originárias. Parlamentares e outras autoridades continuariam sujeitos à Justiça, mas os processos passariam a começar em instâncias como o Superior Tribunal de Justiça (STJ) ou os Tribunais Regionais Federais (TRFs), conforme o caso.
Outra frente envolve mudanças nas regras de instrumentos usados pelo Supremo para analisar questões constitucionais. O plano propõe revisar o alcance das ADPFs, ADIs e ADCs e limitar a possibilidade de que esses mecanismos sejam utilizados para levar ao Judiciário decisões que, na avaliação da campanha, deveriam permanecer no campo político e legislativo.
A campanha apresenta o conjunto de medidas como uma tentativa de “recuperar o equilíbrio institucional” e evitar que o poder seja concentrado em uma única autoridade. A proposta também estabelece uma quarentena de um ano para autoridades que tenham ocupado ministérios ou secretarias de Estado antes de uma eventual indicação ao Supremo.
A discussão sobre o STF foi ampliada durante a própria apresentação do programa. Ao defender o chamado “Tesouraço da Censura”, Flávio criticou medidas relacionadas à regulação das redes sociais e associou o tema à liberdade de imprensa e ao sigilo da fonte.
O candidato também citou a operação autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes contra a fonte de um jornalista no Maranhão e afirmou que seu eventual governo não terá censura nas redes sociais. “Não vai ter censura de rede social, não vai ter esse nome bonitinho de regulamentação e usando esses sofismas para tentar justificar uma censura, ter um controle. Vai acabar, tesourar com o Ministério da Verdade que foi criado pelo Lula”, afirmou.
Economia, mulheres e Nordeste também entram no plano de Flávio
Além da segurança pública e das mudanças na atuação do Supremo, o plano de governo de Flávio Bolsonaro reúne propostas voltadas à economia, às mulheres e ao desenvolvimento regional. O documento prevê medidas para reduzir o custo de vida, ampliar o acesso a crédito e serviços públicos e direcionar investimentos para regiões consideradas prioritárias pela campanha.
Na área econômica, o programa promete reduzir impostos sobre produção e consumo, revisar a reforma tributária e diminuir custos de energia e alimentos. A proposta é associar a redução do tamanho da máquina pública ao alívio da carga tributária e ao aumento do poder de compra das famílias.
“O governo gasta mais do que arrecada. Isso gera inflação, gera juros altos, gera inadimplência, gera informalidade, gera um ciclo vicioso negativo na economia. Então, o presidente vai ter, de novo, de volta a responsabilidade fiscal para proteger a poupança da sociedade e o poder de compra da população”, afirmou Flávio.
O plano também dedica um eixo específico às mulheres. Intitulado “Brasil por Elas”, o conjunto de propostas inclui medidas de proteção contra a violência, ampliação de creches, acesso a crédito e capacitação profissional.
Durante a live, Daniella Marques, coordenadora do plano econômico, afirmou que a proposta busca tratar questões como autonomia financeira, cuidado com filhos e idosos e acesso a serviços de saúde de forma integrada.
“A essência do nosso ‘Brasil por Elas’ não é identitária ou de segmentação, mas, sim, um reconhecimento da realidade econômico-social no Brasil hoje, de mulheres que enfrentam uma pandemia de violência, de mulheres que precisam de cuidado e rede de apoio para poder trabalhar, vaga de creche, uma medicina acessível, cuidado com o idoso”, afirmou Marques.
O documento ainda reserva atenção ao Nordeste, região de origem do vice Alfredo Gaspar. O plano prevê prioridade para obras de infraestrutura hídrica e projetos de desenvolvimento regional, além de iniciativas como a expansão do Baixio do Irecê e investimentos relacionados à Transnordestina e ao chamado Trem do Nordeste.
Na apresentação, Gaspar destacou a atenção dada pela campanha à região e afirmou que a escolha de um vice nordestino representa uma sinalização política. “Não tenho dúvida nenhuma que foi a maior sinalização de que o Nordeste é a solução, de que o Nordeste é a porta de esperança para a economia do século 21”, afirmou.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/flavio-bolsonaro-promete-endurecer-combate-ao-crime-e-cortar-poderes-do-stf/

Conselho de Ética aprova parecer e Erika Hilton pode perder mandato por quebra de decoro

O Conselho de Ética votou pela aprovação do parecer preliminar que pode levar à perda do mandato da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) por quebra de decoro parlamentar na Câmara dos Deputados. O placar foi de 10 votos a favor e 5 contra. A parlamentar tem dez dias para se defender.
A votação decidiu dar prosseguimento ao parecer do deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), que apreciou favoravelmente uma representação do partido Missão contra Erika.
A agremiação denunciou Erika após ela chamar as críticas à sua recém-conquistada posição de presidente da Comissão de Defesa dos Direitos das Mulheres de “imbeCIS”.
O partido também enfatizou que a manifestação da parlamentar utilizava o verbo “latir” para as críticas, o que pode ser interpretado como chamar as mulheres biológicas de “cadelas”.
“A opinião de transfóbicos e imbeCIS é a última coisa que me importa. (…) Podem espernear. Podem latir. Eu sou a presidenta da Comissão da Mulher”, escreveu a parlamentar no X.
Limites à imunidade parlamentar
Autor do parecer preliminar aprovado, Cabo Gilberto Silva concluiu pela continuidade do processo. “A imunidade parlamentar não afasta a possibilidade de que o próprio Parlamento reconheça excesso ou abuso no emprego da palavra e aplique a sanção que entender cabível”, disse o relator, segundo a Agência Câmara.
Na defesa prévia apresentada ao conselho, Erika Hilton pede arquivamento do processo e acusa a oposição de perseguição. Segundo ela, a palavra “imbeCIS” se dirigia a pessoas transfóbicas, e não à coletividade das mulheres. Em relação a “podem latir”, afirmou que a frase se referia a seus opositores políticos.
Erika pediu troca de relator
A defesa também pedia a troca do relator, argumentando que Silva não seria imparcial por já ter assinado um projeto de resolução que reservava os cargos na Mesa da Comissão da Mulher apenas a deputadas mulheres biológicas.
Presidente do Conselho de Ética, o deputado Fabio Schiochet (União-SC), não acolheu o pedido de troca de relator. Schiochet afirmou que a apresentação de projetos não pode ser confundida com pré-julgamento da conduta.
Durante a reunião, os deputados Chico Alencar (PSOL-RJ), professora Luciene Cavalcante (PSOL-SP) e Maria do Rosário (PT-RS) defenderam a colega dizendo que ela não se referiu a mulheres cisgênero, mas sim a grupos “transfóbicos e racistas”.
“Estamos aqui discutindo um tweet que foi descontextualizado, quando uma deputada, uma mulher negra, trans, foi legitimamente eleita para ser presidente da Comissão de Defesa dos Direitos das Mulheres e vai se defender de grupos de homens que estavam sendo transfóbicos, machistas, racistas, redpills”, disse a deputada professora Luciene Cavalcante.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/conselho-de-etica-aprova-parecer-e-erika-hilton-pode-perder-mandato-por-quebra-de-decoro/#cxrecs_s

Se o CV cobra “imposto” sobre campanhas, quem é soberano no Brasil?

Em um momento em que Lula lamenta que os EUA tratem o PCC e o CV como organizações terroristas, afiançando que “ficou triste que disseram que nossos criminosos são terroristas” (sic), em que a palavra soberania passa a ser usada para impedir ações internacionais contra essas organizações criminosas e em que os EUA revogam o visto da embaixadora brasileira em Washington, uma reportagem de Diógenes Feitosa nessa Gazeta do Povo mostra que a situação só não está mais tensa por falta de conhecimento.
A Operação Omertá, que faz referência ao código de silêncio da máfia (quem colaborar com a polícia, morre), descobriu que o Comando Vermelho está cobrando “pedágio” de R$ 60 mil de políticos com mandato e de R$ 30 mil de candidatos sem mandato para poderem fazer campanha em alguns bairros de Sobral, no Ceará.
Além disso, o MPCE e a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) descobriram que os criminosos do Comando Vermelho ameaçavam candidatos e tentavam influenciar a escolha dos eleitores.
Bem… se estamos falando de um país tão “soberano”, como diz Lula e alguns nacionalistas perdidos unicamente quando têm problemas com a polícia, quem é de fato o soberano?
Mais: segundo fomos informados pelos maiores gênios da humanidade, os políticos (Lula incluso), organizações como o PCC e o CV não devem ser enquadrados como terroristas por não terem objetivos políticos. Ora, uma única notícia desfaz totalmente o caso.
Não é demais lembrar que o Comando Vermelho tem “vermelho” no nome por uma questão político-partidária. Que os criminosos aprenderam com os terroristas políticos da época da ditadura no presídio de Ilha Grande a se profissionalizarem e transformarem-se em uma organização criminosa.
No caso do PCC, apenas no dia do “Salve Geral” de maio de 2006, com 564 mortes em uma única semana em atentados feitos para “desmoralizar o governo”, explicam as filiações políticas do grupo. Os atentados reúnem o terror e a motivação político-partidária.
O caso de Sobral não deve ser considerado isolado. Se candidatos e políticos precisam pagar para a facção criminosa apenas para fazer campanha, não se pode dizer que o Brasil seja “soberano”
A palavra, usada erroneamente numa média de 11 em cada 10 vezes em que é citada no debate público, tentaria deixar claro que o Brasil, institucionalmente, consegue andar sozinho e funcionar sem ajuda de aparelhos.
Não é o caso, se as eleições são definidas por achaque do CV. Se os candidatos vencedores não são aqueles definidos pelo sistema político brasileiro (o tal do “Estado democrático de Direito” tão citado), e sim por uma facção criminosa, não há mais motivo para dizer que haja soberania territorial brasileira. Institucionalmente, o crime organizado está acima das organizações, e define as eleições – a base do sistema político brasileiro.
O TSE, que autorizou tropas federais nas eleições de 2022 em Sobral, não parece ter se manifestado sobre a atuação do grupo terrorista CV nas eleições de 2024 e nas desse ano. Se em qualquer parte do território, ainda mais em uma disputa apertada, quem determina os votos são criminosos, as eleições, no mínimo, podem ser consideradas um pouco forçadas.
Para isso, teríamos de lembrar o que o próprio TSE, então presidido por Alexandre de Moraes, determinou em 2022. Na época, Alexandre de Moraes proibiu a veiculação de uma propaganda de Bolsonaro que afirmava que Lula havia sido o candidato mais votado em presídios. Moraes declarou as peças “estatisticamente incorretas e gravemente descontextualizadas”.
Para o dono do Brasil, os votos computados diziam respeito a apenas 2,06% dos presos do Brasil – apesar de ser um percentual bem maior do que qualquer pesquisa eleitoral. Ainda fez Bolsonaro ser obrigado a exibir um pedido de resposta de Lula. Neste ano, Lula venceria com larga folga se apenas os presos votassem, com 79,8% dos votos.
Carl Schmitt, em famosa provocação, definiu que “soberano é quem define no estado de exceção”. O Brasil já vive em um estado de exceção constante. Já temos um soberano em um tribunal em Brasília. E parece que, por mera coincidência, o candidato que adora falar em soberania é o mesmo que ganha apoio de criminosos.
As instituições soberanas brasileiras têm mais coisas escondidas do que nossa vã filosofia é capaz de imaginar.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/flavio-morgenstern/se-o-cv-cobra-imposto-sobre-campanhas-quem-e-soberano-no-brasil/
Falsa filiação de Flávio expõe vulnerabilidade no sistema da Justiça Eleitoral

Temendo a retomada da desconfiança nacional relativa à insegurança das urnas eletrônicas, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se apressou em negar que seu sistema tivesse sido hackeado para o cometimento dos crimes envolvendo a falsa “filiação” de Flavio Bolsonaro ao Missão, com o objetivo de inviabilizar o registro de sua candidatura. Quem fez isso não é “zé mané”, conhece a legislação ou foi orientado por especialista, porque a filiação a novo partido cancela de imediato a filiação anterior.
Criminoso sabia
Ao contrário do que muitos pensam, para se desfiliar a um partido não precisa de qualquer comunicação formal. Basta se filiar a outro.
Há juízes em Brasília
O crime seria perfeito se o presidente do TSE fosse outro, mas o ministro Nunes Marques restabeleceu a filiação ao PL quando percebeu a jogada.
Termina aos 45
O crime daria certo se fosse descoberto fora do prazo. Seria tão inútil reclamar quanto se queixar após o fim do jogo do pênalti não marcado.
A quem interessava?
Políticos de quase todos os partidos se manifestaram sobre a criminosa falsa filiação de Flávio, mas o silêncio do governo provocou suspeitas…
Hugo Motta agora dependerá do apoio do PT para tentar se manter no cargo

Há ainda muita água a rolar até a eleição para presidência da Câmara, em fevereiro, mas os deputados, que antes precisam renovar o mandato, já desenham a distribuição de cargos da próxima mesa diretora, incluindo o posto principal. Não há sinais de apoio a Hugo Motta (Rep-PB) na maioria conservadora que o elegeu e se sente traída por seus vários gestos de servilismo a Lula, incluindo o apoio já declarado, querendo seguir no cargo e fazer o petista resolver problema familiar na Paraíba. A informação é da Coluna Claudio Humberto, do Diário do Poder.
Motta espera que Lula troque o apoio prometido a Veneziano Vital do Rêgo e João Azevedo por seu pai Nabor Wanderley (Rep), ao Senado.
O PL de Bolsonaro, que esteve com Motta em 2025, não deve apoiar sua recondução ao cargo. Por isso sobrou a opção de pedir arrego ao PT e da esquerda que o despreza.
Deixando o caminho de Motta ainda mais incerto, Arthur Lira (PP), que também ajudou a eleger Motta, disputa em Alagoas vaga no Senado.
Lobista amiga de Lulinha era habitué de gabinetes petistas

Registros oficiais da Câmara dos Deputados mostram que Roberta Luchsinger esteve em seis gabinetes da Casa desde dezembro de 2022.
Entre os destinos estão o gabinete de Alexandre Padilha, então deputado e hoje ministro da Saúde, e a Liderança do Governo na Câmara, já no início do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva.
Luchsinger foi ao gabinete de Padilha em 7 de dezembro de 2022, às 16h19. Segundo a assessoria do ministro, o encontro ocorreu com a então ex-candidata a deputada estadual e pré-candidata a deputada federal por São Paulo. Em 2018, ela disputou uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo pelo PT e recebeu 14.134 votos.
Pouco mais de um mês depois, em 24 de janeiro de 2023, Luchsinger esteve na Liderança do Governo na Câmara. Naquele ano, o cargo era ocupado pelo deputado José Guimarães (PT-CE).
Os registros mostram ainda que ela esteve no gabinete do deputado Florentino Neto (PT-PI), em 20 de abril de 2023, e visitou duas vezes o gabinete de Fábio Macedo (Podemos-MA), nos dias 20 de abril e 10 de maio daquele ano. Também passou pela Liderança do Podemos em 8 de fevereiro de 2023.
A última visita registrada ocorreu em 3 de setembro de 2025, no gabinete do então deputado Otto Alencar Filho (PSD-BA). Hoje conselheiro do Tribunal de Contas do Estado da Bahia, ele afirmou conhecer Luchsinger da época em que atuava na Câmara e disse não se recordar do assunto tratado no encontro.
Luchsinger é amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula, e passou a ser investigada pela Polícia Federal justamente por sua relação com ele e com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Segundo a PF, a empresária aparece como um dos elos entre os dois. Em depoimento, ela afirmou ter apresentado Lulinha a Antunes em um contexto social.
A investigação também identificou pagamentos de R$ 1,5 milhão, em parcelas, de empresas ligadas ao Careca do INSS para uma empresa de Luchsinger. Em uma das mensagens apreendidas pela PF, Antunes teria solicitado a transferência de R$ 300 mil para uma empresa em nome da empresária. A polícia investiga se a expressão “filho do rapaz”, usada na conversa para se referir ao destinatário final, fazia referência a Lulinha.
A relação entre Roberta e Antunes, segundo a versão apresentada por ela à PF, estaria ligada a serviços de consultoria e intermediação relacionados à regulação do mercado de canabidiol. Ela negou ter repassado dinheiro a Lulinha e afirmou que ele não recebeu qualquer remuneração pelos serviços relacionados ao setor. A defesa também nega irregularidades.
A empresária também é investigada em inquérito no Supremo Tribunal Federal que apura possíveis relações de tráfico de influência envolvendo Lulinha. Segundo a PF, a apuração busca esclarecer se houve atuação de Lulinha e Roberta em favor da empresa World Cannabis, ligada ao Careca do INSS, inclusive em contatos com servidores do Ministério da Saúde e do gabinete da Presidência.
A circulação de Roberta por gabinetes da Câmara e por órgãos do governo ganha relevância justamente por ocorrer em paralelo às investigações sobre suas relações com Lulinha e o Careca do INSS. Ela também já era conhecida por frequentar o Ministério da Saúde e, segundo reportagem anterior, alegava ter influência sobre a liberação de recursos da pasta.
Castro volta a ser alvo de buscas da PF por crimes bilionários na Refit

A Polícia Federal voltou a buscar provas de crimes bilionários na Refit em endereços do ex-governador Cláudio Castro (PL), nesta sexta-feira (14), ao deflagrar a 2ª fase da Operação Sem Refino, para investigar o envolvimento do ex-governante e de agentes públicos em fraudes nas licenças ambientais da refinaria. São cumpridos 16 mandados de busca e apreensão expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A suspeita é de crimes de gestão fraudulenta e temerária, lavagem de capitais, sonegação fiscal, evasão de divisas, manipulação de mercado, além de crimes contra a ordem econômica envolvendo a comercialização de combustíveis.
“A ação tem por objetivo apurar fraude na concessão de licenças ambientais para a refinaria, à revelia das diretrizes dos órgãos técnicos competentes, além de lavagem de capitais ligada ao esquema criminoso”, detalhou a PF.
A operação integra o julgamento da ADPF 635/RJ (ADPF das Favelas) que levou a PF a investigar a atuação de grupos criminosos organizados em atividade no estado e suas conexões com agentes públicos.
Na 1ª fase da Sem Refino, deflagrada em 15 de maio, o advogado e empresário Ricardo Magro, dono da Refit, entrou na lista de foragidos internacionais da Difusão Vermelha da Interpol como o maior sonegador fiscal do Brasil. Magro mora em Miami há cerca de dez anos, e é suspeito de usar o setor de combustíveis para crimes que resultaram em um bloqueio de R$ 52 bilhões de seu conglomerados. E já foi cobrado por estados e pela União por uma dívida de R$ 26 bilhões em impostos.
TCU suspende licitação bilionária vencida por família do ministro Bruno Dantas

O ministro Augusto Nardes, do Tribunal de Contas da União (TCU), determinou a suspensão de uma licitação de R$ 1,06 bilhão para a exploração de um pátio de caminhões de 242 mil metros quadrados ao lado do Porto de Santos. A concorrência foi vencida pelo Consórcio Portolog, liderado pelo empresário João Camargo, cunhado do ministro do TCU Bruno Dantas.
Na mesma decisão, Nardes rejeitou um pedido de parlamentares da oposição para declarar Bruno Dantas impedido de atuar no caso. Segundo ele, pelas regras do TCU, somente as partes envolvidas no processo podem apresentar pedido de suspeição ou impedimento de um ministro.
A suspensão da licitação foi motivada por indícios de possíveis irregularidades apontados por técnicos do próprio TCU. Entre os problemas estão o prazo de apenas 25 dias para apresentação das propostas, considerado curto para uma contratação bilionária, e a criação da sociedade de propósito específico vencedora após a realização da licitação. Os auditores também apontaram baixa competitividade e pendências administrativas.
O contrato tem duração prevista de 20 anos. Para Nardes, manter a contratação poderia criar direitos de difícil reversão e comprometer, por décadas, áreas consideradas estratégicas para a expansão da capacidade operacional e ferroviária do Porto de Santos.
O Judiciário já havia suspendido a concorrência em junho, mas a decisão acabou derrubada posteriormente. Com a nova cautelar do TCU, o processo fica novamente paralisado.
Nardes também determinou que a Autoridade Portuária de Santos e o Consórcio Portolog sejam ouvidos e autorizou novas investigações sobre a licitação. O consórcio é formado por empresas ligadas à família de Bruno Dantas, incluindo a esposa, o cunhado e o sogro do ministro, segundo informações citadas na decisão.
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