Cerco a perito que mirou Moraes e Toffoli é novo alerta do STF a delatores

Investigação da PF aponta que perito no estado de Roraima acessou e compilou dados de citações a ministros do STF extraídos de celular de Vorcaro. (Foto: Rosinei Coutinho/STF)

recente revelação de novos dados sobre a investigação da Polícia Federal (PF) contra o perito criminal federal João Cláudio Nabas reacendeu o debate sobre o risco a servidores públicos que levam à imprensa informações envolvendo autoridades. Nabas produziu, em dezembro de 2025, arquivos em PDF a partir de dados extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e alvo da Operação Compliance Zero. Agora, é alvo de investigação autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que emite um novo alerta sobre os riscos a delatores internos do Estado brasileiro.

Segundo os elementos reunidos pela PF, os documentos foram batizados de “Moraes.pdf” e “Toffoli e esposa.pdf” e reuniam mensagens, contatos telefônicos e referências aos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), encontradas sobretudo no primeiro celular apreendido de Vorcaro. O vazamento está relacionado ao contrato de R$ 129 milhões firmado entre o banco e o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.

Uma decisão de maio do ministro André Mendonça determinou mandados de busca e apreensão e medidas cautelares contra o servidor, incluindo seu afastamento temporário da função pública. A apuração não tem como alvo jornalistas ou veículos de imprensa, mas somente a conduta do agente público que, segundo o STF, teria violado o dever funcional de preservar informações sigilosas.

Servidores que revelam informações de interesse público para expor possível irregularidade envolvendo autoridade costumam ser tratados no debate público com o nome de “whistleblower”, expressão em inglês que significa denunciante ou, em tradução literal, “assoprador de apito”.

A proteção constitucional ao sigilo da fonte preserva o jornalista, mas não de forma clara o “whistleblower” que passou a informação. Há legislação específica para proteger reportantes de irregularidades nas instituições, mas seu desenho privilegia comunicações feitas por canais formais, o que tende a ser pouco seguro no caso de denúncias sobre altas autoridades.

Situação de perito que revelou dados de Moraes e Toffoli se soma a outros casos recentes de reação do STF

A situação de Nabas se soma a outros casos recentes de reação institucional contra quem levou informações sensíveis sobre a elite estatal ao conhecimento público.

Em janeiro de 2026, depois da publicação de reportagens sobre vínculos financeiros de familiares de ministros do STF com o banco, Alexandre de Moraes abriu de ofício um inquérito sigiloso para apurar se servidores da Receita Federal e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) teriam acessado ou vazado dados de ministros e familiares. A investigação surgiu na sequência de revelações sobre o contrato de R$ 129 milhões do escritório da esposa de Moraes, Viviane Barci, com o Master, e sobre negócios envolvendo familiares do ministro Toffoli.

O caso avançou em fevereiro, quando quatro servidores federais passaram a ser investigados por suspeita de acesso irregular a dados fiscais da mulher de Moraes, de outros ministros e de parentes. A apuração foi incluída no inquérito das fake news, aberto em 2019 e relatado pelo próprio Moraes.

Moraes também determinou uma varredura sobre acessos a dados de ministros do Supremo, do procurador-geral da República e de cerca de uma centena de familiares. Os auditores teriam de cruzar informações em dezenas de sistemas da Receita.

O mesmo padrão apareceu no caso Tagliaferro. Ex-assessor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele divulgou mensagens internas no gabinete de Moraes que indicavam práticas como monitoramento de cidadãos com base em publicações em redes sociais e atuação paralela aos autos para incriminar pessoas. Em vez de ser ouvido para o esclarecimento das denúncias, Tagliaferro virou réu no STF acusado de crimes como violação de sigilo funcional, obstrução de investigação e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Lei brasileira prevê proteção contra retaliação

A legislação brasileira prevê mecanismos para a proteção de “whistleblowers”. A Constituição protege o sigilo da fonte jornalística, o que impede que o repórter seja compelido a revelar quem lhe passou a informação. Já a Lei 13.608/2018 assegura proteção contra retaliação a reportantes de crimes contra a administração pública.

Rodrigo Chemim, doutor em Direito do Estado e professor de Processo Penal da Universidade Positivo, afirmou recentemente à Gazeta do Povo que, “quando um servidor que torna públicas informações sensíveis passa a responder judicialmente por atos relacionados à sua iniciativa, o sinal enviado aos demais agentes públicos é preocupante”.

Para Chemim, o desincentivo ao whistleblower instala no ambiente público brasileiro uma espécie de “omertà”, a lei do silêncio das máfias italianas. “Quando o próprio sistema de Justiça passa a desestimular ou punir quem colabora com as apurações, o efeito é profundamente negativo. Essa postura não apenas abala a confiança na capacidade do Estado de se autorregular, mas também cria um ambiente de medo de represálias e de desconfiança em relação aos superiores hierárquicos que detêm poder para retaliar”, disse. “O controle social interno se afrouxa, e esse clima de silêncio favorece a continuidade de práticas ilícitas e impede que irregularidades venham à tona”, completou o jurista.

Comentando o caso de Tagliaferro, Luiz Guilherme Marinoni, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pós-doutor em Direito na Universidade Estatal de Milão e na Columbia Law School, destacou que as informações trazidas pelo ex-servidor eram “de grande interesse para a sociedade e para as instituições públicas” e, portanto, deveriam ser prestadas “em ambiente receptivo ao esclarecimento da verdade”.

“A admissão de que o ministro que pode ser afetado pelas declarações pode presidir um processo voltado a sancionar o informante toca às raias do absurdo. Além de enfraquecer a autoridade da Corte, desmoralizar o Judiciário e zombar da inteligência de qualquer estudioso do Direito”, afirmou Marinoni.

Delatores internos foram essenciais para revelar grandes escândalos

A liberdade de expressão de potenciais delatores internos é historicamente uma condição para desvendar casos de corrupção que, de outro modo, permaneceriam ocultos por décadas.

Em diferentes democracias, os episódios mais emblemáticos de responsabilização de membros do Estado começaram com alguém que decidiu romper o silêncio e enfrentar estruturas de poder. Sem esse tipo de gesto, práticas abusivas de autoridades de alto escalão dificilmente chegariam ao conhecimento público.

A própria história do Brasil recente tem exemplos disso. Em 1992, a denúncia de Pedro Collor foi decisiva para derrubar seu irmão Fernando Collor, primeiro presidente eleito após a redemocratização. Ao revelar o esquema de corrupção comandado por Paulo César Farias em benefício do ex-presidente, ele acionou uma sequência de eventos que envolveu CPI, cobertura jornalística intensa e mobilização social de grandes proporções.

Em 2005, foi um delator interno quem revelou um dos maiores esquemas de corrupção do país. Roberto Jefferson, então deputado federal, trouxe a público o esquema do Mensalão: pagamentos mensais a parlamentares em troca de apoio ao governo Lula. A denúncia abalou o Congresso, deu origem a CPIs e resultou no julgamento histórico da Ação Penal 470 pelo STF, com condenações que atingiram políticos de diversos partidos e figuras centrais do governo.

Foi também um “whistleblower” que expôs práticas ilícitas dentro do Poder Judiciário no final do século passado. Em 1999, o esquema de desvio de verbas na construção do Fórum Trabalhista de São Paulo, comandado pelo juiz Nicolau dos Santos Neto, o “Lalau”, foi revelado por Marco Aurélio Gil de Oliveira, seu ex-genro. O caso envolvia R$ 169 milhões em recursos desviados e, na época, levou à criação de uma CPI do Judiciário.

Nos Estados Unidos, no início da década de 1970, o célebre escândalo de Watergate só veio à tona graças ao informante conhecido como Garganta Profunda – depois revelado como Mark Felt, vice-diretor do FBI. As informações que ele repassou ao jornal The Washington Post levaram à queda do então presidente Richard Nixon e se tornaram um símbolo da importância de garantir liberdade de expressão a delatores internos para a saúde das democracias.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/cerco-a-perito-que-mirou-moraes-e-toffoli-e-novo-alerta-do-stf-a-delatores/

Nikolas reforça apoio a Flávio e defende união no PL após carta de Jair Bolsonaro

Nikolas Ferreira defende a união no PL e reafirma apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. (Foto: Bruno-Spada/Câmara dos Deputados)

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) comentou neste domingo (12) a carta divulgada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e reafirmou apoio ao projeto da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. Em publicação nas redes sociais, o parlamentar defendeu a união do grupo político e criticou integrantes que, segundo ele, ignoram os apelos feitos por Bolsonaro.

“Aliás, essa já é a segunda vez que o presidente pede publicamente união, maturidade e que diferenças pessoais sejam deixadas de lado em nome de algo maior. Infelizmente, alguns parecem não conseguir obedecer nem mesmo o líder que dizem seguir”, afirmou Nikolas Ferreira.

O deputado também declarou que permanece alinhado ao projeto defendido pelo ex-presidente. “Da nossa parte, não haverá espaço para vaidade, disputa interna ou ressentimentos. O foco é um só: o projeto que Jair Bolsonaro escolheu apoiar e que nós também apoiamos”, declarou.

Carta de Bolsonaro pede fim das divergências e declara apoio a Flávio

A carta de Bolsonaro foi lida por Flávio Bolsonaro durante uma transmissão ao vivo no YouTube, realizada no sábado (11). De acordo com o senador, o ex-presidente entregou o documento durante uma visita feita pela manhã do mesmo dia. No texto, Bolsonaro afirma que o grupo político precisa superar divergências internas e preservar a unidade.

Na mensagem, o ex-presidente afirma que o país atravessa um momento decisivo e pede apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto. Em seguida, apresenta o filho como seu representante político. “Meu pré-candidato, creio que o seu também, meu porta-voz, no qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e a prosperidade”, diz trecho da carta.

A divulgação do documento ocorreu poucos dias após a exposição pública de um desentendimento entre Flávio Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Michelle publicou um vídeo nas redes sociais no qual relatou divergências com o enteado.

O impasse teve origem em discussões sobre acordos políticos do PL, entre eles o apoio da legenda ao ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes (PSDB), pré-candidato ao governo do Ceará.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/nikolas-reforca-apoio-a-flavio-e-defende-uniao-no-pl-apos-carta-de-jair-bolsonaro/

Dino dá 10 dias para Motta explicar emendas parlamentares sob suspeita

Decisão ocorre após Dino bloquear recursos do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha. (Foto: Gustavo Moreno/STF)

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), apresente em até dez dias todos os documentos de tramitação interna das emendas parlamentares investigadas por suspeitas de irregularidades e direcionamento indevido de recursos públicos.

A decisão ocorreu após o ministro bloquear recursos do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (Republicanos-RJ), por supostamente influenciarem a destinação de recursos mesmo sem terem mandados efetivos.

Dino determinou que Motta encaminhe a documentação necessária forma individualizada e organizada por emenda para auxiliar as investigações conduzidas pela Polícia Federal.

“Expeça-se ofício ao exmo. sr. presidente da Câmara dos Deputados, para que, no prazo corrido de dez dias, apresente todos os documentos de tramitação interna das emendas identificadas pela representação da autoridade policial”, escreveu.

Além de intimar a Câmara, Dino determinou que a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Controladoria-Geral da União (CGU) cumpram a suspensão imediata de despesas relacionadas às emendas citadas pela Polícia Federal. A determinação abrange qualquer etapa da execução orçamentária, incluindo empenho, liquidação e pagamento.

Na última sexta-feira (10), o ministro ordenou o bloqueio de R$ 119,2 milhões em emendas parlamentares após a Polícia Federal apontar um suposto esquema de direcionamento irregular de recursos envolvendo Valdemar Costa Neto. Segundo as investigações, servidores da Câmara teriam atuado em conjunto para operacionalizar pelo menos 21 emendas consideradas irregulares.

No despacho, Dino afirmou que existem “veementes indícios convergentes” sobre a possível responsabilidade criminal dos investigados e mencionou a hipótese de peculato. Ao mesmo tempo, o ministro ressaltou que “ainda é cedo” para concluir que houve efetivo desvio dos recursos, uma vez que as investigações continuam em andamento.

No dia seguinte, o ministro fez mais uma ofensiva e determinou o bloqueio de até R$ 6,15 milhões em bens e valores de Eduardo Cunha. A Polícia Federal afirma ter encontrado indícios de que o ex-deputado, mesmo sem mandato desde 2016, teria influenciado a destinação de recursos por meio da servidora Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”.

De acordo com os investigadores, foram identificadas ao menos 21 emendas, somando R$ 6,15 milhões, que teriam sido destinadas conforme indicações atribuídas a Cunha, embora registradas formalmente em nome de parlamentares. A Polícia Federal sustenta que o procedimento teria sido utilizado para ocultar o verdadeiro responsável pelas indicações.

A representação policial aponta ainda que o suposto esquema envolvia pelo menos 29 emendas parlamentares e que a participação de deputados mencionados nas conversas ainda será apurada. Após a efetivação das medidas de indisponibilidade patrimonial, o sigilo do despacho foi retirado.

Motta reage a Dino

Em reação à decisão, Hugo Motta afirmou que a presidência da Câmara considera a medida uma “indevida intervenção judicial” em uma atividade típica do Parlamento. Segundo ele, a “decisão em questão não identifica desvio, abuso ou aplicação irregular de verbas públicas” e se baseia em “inferições” que tentariam “criminalizar a atividade política”.

O presidente da Câmara também saiu em defesa dos servidores da Casa e afirmou que é prática regular que parlamentares autorizem suas equipes a operacionalizar indicações de emendas conforme orientações partidárias. Para Motta, esse procedimento “não traduz qualquer irregularidade” e está em conformidade com a legislação e com acordos institucionais firmados entre os Poderes.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/dino-10-dias-motta-explicar-emendas-parlamentares-suspeita/

Alexandre Garcia

A indireta de Temer sobre o comportamento de Moraes no STF

Ex-presidente Michel Temer defende respeito à Constituição (Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados)

Eu tinha visto uma entrevista do ex-presidente da República, o constitucionalista, professor Michel Temer; só tinha visto, mas não tinha lido no Estadão. E agora eu vejo o brilhante Fernando Schuler chamando a atenção para algumas coisas que o ex-presidente disse e que são absolutamente verdadeiras.

Vocês já ouviram essas coisas da minha boca, mas eu não sou constitucionalista; eu só sei ler a Constituição. E agora Michel Temer é que está dizendo. A primeira coisa, perguntam para ele o que precisa ser feito para pacificar o país, e ele diz: seguir rigorosamente a Constituição.

Tenho falado muito disso aqui. Está escrito na Constituição. Por que invertem o que está escrito? Por que interpretam e sai o oposto do que está estabelecido pela Constituição? Então, é preciso cumprir rigorosamente a Constituição. É uma crítica direta ao Supremo que não cumpre a Constituição, inclusive àquele que Michel Temer indicou para ser ministro do Supremo.

Temer indica que “não sabia que Moraes agiria assim”

Ele tem responsabilidade nisso. Talvez esteja se tentando fazer um ato de contrição: “Olha, eu não sabia que seria assim”. A gente deve muito a Michel Temer. Ele entregou o caos de Dilma já muito suavizado para o governo seguinte, Bolsonaro, com as reformas que ele fez.

Continuando os destaques da entrevista, ele diz assim: “Se não tem foro no Supremo, foro privilegiado não pode ser julgado pelo Supremo”. É outra coisa óbvia. Eu falo toda hora que o juiz natural versus o… está lá escrito na Constituição: não haverá juízo de exceção. E está escrito que a pessoa que é da primeira instância vai para a primeira instância; quem tem foro privilegiado, está entre aqueles que a Constituição diz que tem foro privilegiado, vai para o Supremo. Está cheio de gente julgada no Supremo.

Outra, ele diz assim: “Se a Constituição diz que parlamentar tem imunidade por quaisquer palavras, não pode ser acusado por aquilo que disseram”.

Está cheio de parlamentar preso, mas a Constituição diz que é imune por quaisquer palavras. Eu digo, brincando aqui, se ofender a mãe do presidente do Supremo, sinto muito: “quaisquer palavras”, está escrito na Constituição. E interessante que tem algumas coisas que são cláusulas pétreas que não podem ser mudadas a não ser por uma nova constituinte; não podem ser mudadas sequer por emendas com 60% dos votos em duas votações na Câmara e no Senado. Então, se não observa isso, não dá para dizer que no Brasil vigora um Estado Democrático de Direito, porque não observa a Constituição. É simples.

Constituição garante: ninguém será incriminado por críticas

Outra coisa que ele fala, eu dizia isso aqui: “Se a Constituição diz que há liberdade de pensamento, liberdade de expressão, ninguém no YouTube pode ser incriminado por críticas”. Está escrito na Constituição: é livre a expressão do pensamento, vedado o anonimato.

Isso no artigo 5º; no artigo 220 fala sobre a comunicação, a informação sobre qualquer meio que é vedada a censura e a liberdade. Não se fará nenhuma lei que imponha a censura. Saiu da boca de um constitucionalista publicado no jornal O Estado de S. Paulo.

Agora estamos em Copa. Queria mencionar a morte desse jogador da África do Sul. Me chamou atenção porque ele é de Stellenbosch, que é uma velha conhecida grande produtora de vinhos. Atleta de 25 anos, é mais um caso: jovens cheios de saúde, atletas de higidez física, frequentadores de academia.

Futebol não pode ser mais importante que o ensino

E aí é o mecanismo de fuga identificado por Freud. O Brasil foi eliminado da Copa. Passaram a falar só da Copa Feminina do ano que vem, que vai ser no Brasil. Vai ser em Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro, Recife, Porto Alegre, Salvador, São Paulo, oito capitais, de 24 de junho a 25 de julho, algo assim. Por que que eu estou citando?

Não é só por esse mecanismo de fuga ou de transferência, é também porque já estão fazendo ampliação das férias escolares por causa da Copa do Mundo Feminina no Brasil. Meu Deus do céu, não vai para a frente jamais esse país desse jeito. Não vai. O futebol é mais importante que o serviço público, o futebol é mais importante que eleição, o futebol é mais importante que o ensino. Só que o futebol não altera em nada o nosso amanhã, como diz a letra daquela música, “para tudo se acabar na quarta-feira”. É cinzas que estão fazendo deste país. Isso é um pecado mortal, porque a gente recebeu isso e não administra.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/a-indireta-de-temer-sobre-o-comportamento-de-moraes-no-stf/

Pornografia e prostituição invadem o mercado do futebol

Cada vez mais times estão sendo patrocinados por sites de conteúdo erótico ou de prostituição. (Foto: Imagem criada utilizando ChatGPT/Gazeta do Povo)

Em abril de 2023, o técnico Cuca durou apenas duas partidas no Corinthians; ele pediu demissão após forte pressão da torcida, especialmente sua ala feminina, devido ao fato de ter contra si uma condenação por violência sexual na Suíça, em 1989 – ele sempre negou o crime, e em janeiro de 2024 a condenação foi anulada por irregularidades processuais, sem análise de mérito. Três anos depois, o clube paulista se vê novamente diante de um episódio que testa seu compromisso com a dignidade da mulher, mas a repercussão tem sido muito menor que a esperada e necessária.

A prostituição e a pornografia estão seguindo o caminho aberto pelas bets e invadindo o mundo do futebol. Em 4 de julho, o Corinthians anunciou um contrato de patrocínio no valor de R$ 22 milhões com um site de conteúdo erótico, em que os usuários pagam para receber fotos, vídeos ou interagir com as mulheres presentes na plataforma – o mesmo site também está patrocinando o Operário (PR) e o Vila Nova (GO). O site pertence a um conglomerado que também opera uma agência de prostituição (eufemisticamente chamada de “anúncios de acompanhantes”), que coloca ou já colocou seu nome nos uniformes de outros times, como Vitória (BA), Amazonas (AM), Brusque (SC), Paysandu (PA), Remo (PA) e Ponte Preta (SP).

A prostituição e a pornografia reduzem a pessoa da mulher, com toda a sua riqueza, ao seu corpo, usado como instrumento de prazer por outra pessoa

Tanto o Corinthians quanto o novo patrocinador afirmam que o nome do site não será estampado nos uniformes da equipe de futebol feminino – os calções terão a frase “respeita as minas”, slogan de um movimento de torcedoras e jogadoras, e que foi muito usado nos protestos após a contratação de Cuca. Uma ressalva hipócrita; afinal, se não houvesse nenhum problema com o tipo de atividade praticada pela empresa patrocinadora, a marca poderia muito bem estar no uniforme das atletas. No fim, admite-se implicitamente que a última coisa que o patrocinador faz é respeitar as mulheres.

A exploração da mulher, seja pela prostituição, seja pela pornografia, é um atentado grotesco à dignidade feminina. A pessoa da mulher, com toda a sua riqueza, é reduzida ao seu corpo, usado como instrumento de prazer por outra pessoa. Essa avaliação independe completamente de a mulher consentir ou de tomar a iniciativa de expor ou negociar o seu corpo; a desvalorização, a objetificação, os problemas de autoestima são consequências praticamente inescapáveis. Pesquisadores como Mary Eberstadt têm se dedicado a investigar o custo que a sociedade paga pela pornografia e pela prostituição, e já encontraram mecanismos de vício semelhantes ao causado pelas drogas, bem como relações de correspondência entre consumo de pornografia e violência contra mulheres. A dessensibilização dos homens que recorrem à prostituição e a pornografia destrói relacionamentos reais e famílias inteiras.

Assim como as bets, o mercado da exploração sexual de mulheres movimenta cifras grandes, e os R$ 22 milhões pagos ao Corinthians fazem desse patrocínio um dos maiores do time paulista atualmente, e o maior das modalidades poliesportivas (ou seja, excluindo o futebol masculino) do clube. Mas será mesmo necessário? A Gazeta do Povo acredita que pode dizer algo a esse respeito. Cerca de 25 anos atrás, quando os classificados ainda eram uma enorme fonte de receita de todos os jornais, decidimos não publicar mais os anúncios de prostituição disfarçados sob os rótulos de “massagistas” ou “acompanhantes”, uma prática que era amplamente difundida na grande imprensa nacional e à qual as publicações faziam vista grossa. O autêntico respeito à dignidade da mulher era incompatível com a publicação de tais anúncios, e a eventual redução de receita se revelou, no longo prazo, um preço baixo a pagar pela coerência.

A reação da torcida e das jogadoras do Corinthians e de outros times patrocinados pelo mesmo conglomerado, infelizmente, tem sido muito menor que a registrada quando da contratação do técnico Cuca, quando deveria ser equivalente. Estariam os R$ 22 milhões comprando consciências? Ou a sociedade estaria normalizando a prostituição e a pornografia, aceitando-as socialmente a ponto de não se incomodar com a propaganda mesmo em ambientes como o esportivo, frequentado inclusive por crianças e adolescentes? Em qualquer dos casos, estamos presenciando o fortalecimento de um processo que precisa ser contido antes que se torne irreversível – e as mais prejudicadas serão, indiscutivelmente, todas as mulheres.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/patrocinios-prostituicao-pornografia-times-futebol/

Mendonça determina apreensão do passaporte de publicitário contratado por Vorcaro

Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master e alvo de investigação por fraude financeira. (Foto: reprodução/Youtube Esfera Brasil)

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça determinou neste sábado (11) a apreensão do passaporte do publicitário Thiago Miranda, contratado para conter uma crise de imagem, segundo investigação no caso Master. A decisão foi tomada no caso sob sigilo judicial, mas confirmada pelo STF à Gazeta do Povo. Miranda, por sua vez, criticou o “vazamento seletivo” de informações (leia mais abaixo).

A decisão do ministro veio após manifestação do deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), que afirmou ter enviado ofício a Mendonça pedindo a imposição de medidas cautelares por “perigo de fuga”. Não há confirmação oficial de que Mendonça tenha atendido ao parlamentar na ação.

Miranda foi alvo da 10ª fase da Operação Compliance Zero, que apreendeu aparelhos eletrônicos na residência dele e apura a criação de um grupo descrito como de “características mafiosas”, voltado para, na tese da Polícia Federal, criar desconfiança sobre as instituições financeiras que liquidaram o Banco Master na época. A ação de comunicação teria as iniciais de Vorcaro, “Projeto DV”.

Miranda teria recrutado, a pedido do empresário Daniel Vorcaro, jornalistas e influenciadores. Ele também teria monitorado desafetos do então banqueiro no mercado e na imprensa. Miranda e sua defesa negam as acusações.

Antigo dono da agência Mithi e ex-sócio do jornalista Leo Dias, Miranda agora está proibido de deixar o país por decisão de Mendonça, que já havia autorizado duas ações de busca e apreensão contra o publicitário.

A reportagem contatou a defesa do publicitário, que divulgou a seguinte nota, reproduzida na íntegra:

Confira a íntegra da nota do advogado de Thiago Miranda

NOTA À IMPRENSA

A defesa de THIAGO MIRANDA, diante das notícias veiculadas nesta data a respeito de decisão proferida no âmbito do inquérito em curso perante o Supremo Tribunal Federal, vem a público prestar os seguintes esclarecimentos:

Desde o início das investigações, o Sr. Thiago Miranda adotou postura estritamente colaborativa, pautada pela boa-fé e pela mais absoluta lealdade processual, comparecendo espontaneamente a todos os atos para os quais foi convocado e prestando os esclarecimentos que lhe foram solicitados.

A defesa nega enfaticamente a prática de qualquer irregularidade por parte de seu constituinte, confiante de que, ao final da regular instrução, restará plenamente demonstrada a improcedência das suspeitas que lhe são atribuídas. 

Reafirma-se, ainda, o irrestrito respeito à atuação da livre imprensa, cuja relevância para o Estado Democrático de Direito é reconhecida e prestigiada por esta defesa. 

O Sr. Thiago Miranda permanece integralmente à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos que se fizerem necessários, e reitera sua confiança na credibilidade e na independência do Poder Judiciário.

Esta defesa, contudo, repudia veementemente a prática de vazamentos seletivos de informações. Causa profunda perplexidade o fato de o Sr. Thiago Miranda ter tomado conhecimento, por meio da imprensa, de medida cautelar adotada em seu desfavor antes mesmo de qualquer intimação ou notificação pessoal ou dirigida ao seu advogado constituído. Tal circunstância compromete o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa e merece a devida apuração.

A defesa seguirá atuando com serenidade e nos estritos limites da lei, confiante na correção dos rumos do processo e no restabelecimento da verdade dos fatos.

Brasília/DF, 11 de julho de 2026. 

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/mendonca-determina-apreensao-de-passaporte-de-publicitario-contratado-por-vorcaro/

Lula cai até 10 pontos e Flávio sobe até 12 entre quem tem Bolsa Família

Presidente Lula (PT) tenta reeleição contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). (Foto: Reprodução/Redes sociais)

O grupo de eleitores beneficiários do Bolsa Família segue sendo capaz de, sozinho, reeleger o presidente Lula (PT) com 58% de intenções de voto em 1º turno e 66% em 2º turno, na eleição polarizada entre o petista e Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Mas os números da pesquisa nacional do instituto Nexus, divulgados nesta segunda-feira (13), mostram que Lula, em apenas duas semanas, perdeu até 10 pontos percentuais e Flávio subiu até 12, entre quem disse receber ou morar com quem recebe a distribuição de renda do programa federal Bolsa Família.

No cenário estimulado de 1º turno, Lula caiu de 68% para 58% da preferência de voto entre beneficiários do Bolsa Família, desde a última pesquisa divulgada em 29 de junho. No sentido inverso, Flávio Bolsonaro avançou de 13% para 25% entre eleitores do mesmo grupo vulnerável, no mesmo período.

Já na simulação de um 2º turno entre os dois rivais do PT e do PL, apenas com entrevistados beneficiários do Bolsa Família, Lula derreteu 9 pontos, ao cair de 75% para 66% das intenções de voto deste grupo historicamente mais propenso a votar na esquerda. Já Flávio saltou 10 pontos, ao partido de 20% para 30%, no confronto direto com Lula contando apenas com quem é favorecido pela distribuição de renda.

No cenário geral de 1º turno, com todos os eleitores entrevistados, Lula recuou de 42% para 40%, com Flávio mantendo o mesmo percentual de 34% da pesquisa anterior. E no embate geral de 2º turno do petista contra o senador filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Lula manteve os 47% da pesquisa anterior e Flávio também repetiu o percentual de 44%, em empate técnico contando com as respostas de todo o eleitorado pesquisado.

A pesquisa denominada BTG-Nexus foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-07981/2026. E tem como base a amostra de 2.003 eleitores entrevistados nas 27 unidades da federação, entre os dias 10 e 12 deste mês de julho. A amostra tem uma margem de erro estimada em 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/csa-brasil/lula-cai-ate-10-pontos-e-flavio-sobe-ate-12-entre-quem-tem-bolsa-familia

Venezuela: Lula chama ditadora em exercício de ‘presidenta’

Delcy Rodríguez, ditadora em exercício da Venezuala – Foto: redes sociais

Humilhado pelo ex-amigo e ex-ditador da Venezuela Nicolás Maduro, Lula, após muita pressão interna, não reconheceu a fraudulenta eleição venezuelana, mas parece ter mudado de ideia. Nota sobre o telefonema à ditadora em exercício Delcy Rodrigues, que mantém os hábitos do tirano que a precedeu, da Secretaria de Comunicação Social do petista, comandada pelo marqueteiro Sidonio Palmeira, reconhece Delcy como “presidenta designada”, sem explicar quem designou.

São detalhes

O telefonema foi em razão do trágico terremoto no país vizinho. Mas a nota não traz qualquer menção sobre democracia ou o processo eleitoral.

Vai ficando

O “mandato interino” de 180 dias da ditadora expirou assim que julho pontou, mas veio o terremoto e Delcy nunca mais falou em eleições.

Reprovação nas alturas

Pesquisa AtlasIntel na Venezuela mostra reprovação de Delcy em 63,3% em junho. Sobre o enfrentamento à tragédia, desaprovação de 52,4%.

Lula ignora

Apesar da tragédia, 45,7% dos entrevistados disseram que eleger um novo presidente é prioridade, contra 32,6% para reconstruir o país.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/venezuela-lula-chama-ditadora-em-exercicio-de-presidenta

Motta acusa Dino de intervenção indevida para criminalizar política

Deputado Hugo Motta (Rep-PB), presidente da Câmara – Foto: Marina Ramos/Agência Câmara

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), classificou como “intervenção judicial indevida” a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, de suspender a execução de 21 emendas parlamentares que somam cerca de R$ 119,2 milhões. A medida do ex-ministro da Justiça do presidente Lula (PT) foi criticada por Motta neste sábado (11), como tentativa de criminalizar a atividade política, que teve como alvo central o presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, que sofreu um bloqueio do mesmo valor em seus bens, pela suspeita de direcionar as emendas sem ser congressista.

“A decisão em questão não identifica desvio, abuso ou aplicação irregular de verbas públicas. Limita-se a inferições e a tentar criminalizar a atividade política. Torna-se inaceitável, tendo em vista que a alocação das emendas está em plena conformidade com a moldura normativa vigente e com os compromissos institucionais firmados entre o Executivo e o Legislativo perante a própria Corte Constitucional”, reagiu Motta, por meio de nota.

O presidente da Câmara ainda registra confiança no trabalho de seus servidores. E se compromete a continuar conduzindo as atividades com transparência, respeito à ordem jurídica e plena independência do Poder Legislativo.

“A autorização conferida pelos parlamentares para que as equipes que os assessoram operacionalizem as indicações segundo orientação da direção partidária insere-se na normalidade do funcionamento administrativo do mandato e não traduz qualquer irregularidade”, assegurou o presidente da Câmara dos Deputados.

A Polícia Federal apresentou ao ministro Dino indícios de que Valdemar Costa Neto coordenou a destinação do montante milionário a prefeituras governadas não apenas por membros do PL, como destaca a Coluna Cláudio Humberto deste sábado (11), mas também de outras seis siglas além do PL.

A defesa de Valdemar Costa Neto considerou frágeis os argumentos para a decisão do ministro Flávio Dino, tomada nesta sexta-feira (10). E ressaltou que a articulação política do presidente do PL seria “natural”, ao negar qualquer crime.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/csa-brasil/motta-acusa-dino-de-intervencao-indevida-para-criminalizar-politica

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