A sombria missão de Lula nos EUA

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Casa Branca, Washington, D.C. Fotos: Ricardo Stuckert / PR (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

encontro entre os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos na Casa Branca teve vasta cobertura da imprensa. Afinal, ali está supostamente um grande foco de tensão política. Se Donald Trump fez o que fez com Nicolás Maduro, a princípio todos os aliados do ex-ditador venezuelano estão nessa incômoda berlinda.

E o que essa vasta cobertura da imprensa mostrou sobre o tão aguardado encontro? Nada. Ou melhor: mostrou uma coletânea de especulações obtidas pelo buraco da fechadura dos vazamentos mais ou menos confiáveis. Tudo aconteceu nas sombras.

Não deixa de ser curioso que a imprensa brasileira dedique tanto espaço a um evento que, na última hora, foi sonegado à própria imprensa. A decisão de barrar toda e qualquer cobertura jornalística antes, durante e depois da reunião entre Lula e Trump foi atribuída a um pedido do governo brasileiro — segundo uma dessas fontes pelo buraco da fechadura. E não foi isso que dominou as manchetes na tal vasta cobertura. Incrível…

Ao contrário: a imprensa barrada agiu como mulher de malandro. Mesmo sem o direito a uma entrevista coletiva dos dois presidentes após a reunião, ou, pelo menos, a uma oportunidade de fotografá-los juntos e fazer-lhes perguntas breves antes da reunião, boa parte dos veículos saiu cantando vitória para Lula.

O presidente brasileiro não poderia sonhar com uma mídia mais compreensiva. Fez seu stand-up sozinho na Embaixada do Brasil em Washington, ajeitou sua “narrativa” sobre o encontro fechado do jeito que bem entendeu e emplacou manchetes de todos os tipos: mandou Trump sorrir mais, disse que o colega americano ainda vai fazer um pix etc. E a decisão grave de barrar a imprensa no grande encontro? Deixa pra lá.

Recentemente, um desses levantamentos “científicos” que produzem estatísticas engraçadas anunciou o Brasil superando os EUA no ranking de liberdade de imprensa

Isso foi manchete na grande mídia — essa mesma que teve de se contentar com migalhas especulativas sobre o encontro na Casa Branca após a blindagem pedida pelo governo do Brasil, o país-sensação da liberdade de imprensa.

Esse coquetel de especulações e deduções aproximadas — típico de quando o jornalismo é barrado na porta — tem dado conta de que o encontro Lula-Trump foi marcado pelo empresário Joesley Batista. Então, além de driblar o circuito da imprensa, aparentemente o Brasil adotou também um circuito diplomático “alternativo”, por assim dizer. Sai o Itamaraty, entra a picanha. Muito saudável para a democracia.

Mesmo depois de todos esses sinais de movimentação subterrânea, a vida seguiu seu curso no faz-de-conta da grande mídia: Lula é a resistência democrática contra o fascismo imaginário. Jornalistas são impedidos de discutir um projeto de lei, e moradores são obrigados a retirar faixas de suas varandas. Mas está tudo normal.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/guilherme-fiuza/a-sombria-missao-de-lula-nos-eua/

Moraes reabre ferida do 8 de janeiro e chama atenção para longa lista de abusos do STF

Ao mandar suspender a Lei da Dosimetria, o ministro Alexandre de Moraes demonstrou que o Supremo está, agora, preso dentro da própria rede de arbítrio que criou, e não aceita que os outros poderes atuem para desfazê-la. O presidente da Gazeta do Povo, Guilherme Cunha Pereira, afirma que quem critica os desmandos recentes do STF em casos como o do Banco Master precisa ser coerente e reconhecer que os abusos vêm de longa data: Filipe Martins, Débora Rodrigues e Deltan Dallagnol são apenas algumas das vítimas em casos que os formadores de opinião precisam revisitar para compreender como chegamos até aqui e como podemos restaurar a normalidade democrática.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/alexandre-de-moraes-dosimetria-abusos-stf/

“Taxa das blusinhas” se tornou principal desgaste político de Lula, apontam pesquisas

Sucessivas pesquisas de opinião apontam que taxação de compras internacionais até US$ 50 foi maior erro de Lula neste terceiro mandato. (Foto: reprodução/Youtube Canal Gov)

A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de zerar o imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50, oficializada nesta quarta-feira (13) após a publicação de uma medida provisória, ocorre em meio ao desgaste provocado pela chamada “taxa das blusinhas”, apontada por pesquisas recentes como a medida mais impopular do terceiro mandato petista e com forte apelo eleitoral.

Levantamento recente da AtlasIntel em parceria com a Bloomberg, divulgado em março, mostrou que 62% dos brasileiros consideram a cobrança um erro do governo. O percentual é o maior índice de reprovação entre todas as medidas avaliadas pelo instituto. Apenas 30% classificaram a medida como um acerto, enquanto 8% disseram não saber responder.

A pesquisa também indicou que a rejeição à taxação superou outros temas que já haviam causado desgaste ao Palácio do Planalto, como a proposta de fiscalização ampliada do PIX, reprovada por 59% dos entrevistados, a retirada de estatais dos programas de privatização, com 51% de rejeição, e o arcabouço fiscal, visto como erro por 45%.

A medida ficou conhecida popularmente como “taxa das blusinhas” por atingir diretamente compras de baixo valor realizadas em plataformas estrangeiras de comércio eletrônico, especialmente de roupas, acessórios e itens populares vendidos em sites asiáticos. O imposto passou a valer em 2024 sobre encomendas internacionais de até US$ 50, segmento que anteriormente tinha isenção federal dentro do programa Remessa Conforme.

Nos bastidores do governo, a repercussão negativa passou a ser tratada como um dos principais problemas de comunicação e imagem da gestão Lula. A medida atingiu principalmente consumidores de classe média e baixa que haviam incorporado as compras internacionais de baixo custo à rotina de consumo após a popularização das plataformas digitais.

O desgaste ocorreu mesmo com a defesa feita pela equipe econômica e pelo setor produtivo brasileiro, que argumentava que a cobrança buscava aumentar a arrecadação federal e equilibrar a concorrência com o varejo nacional. Setores da indústria e do comércio brasileiro também pressionavam por mudanças nas regras de tributação das plataformas internacionais.

A decisão anunciada por Lula nesta semana é interpretada como uma tentativa de reduzir o impacto negativo provocado pela cobrança. O recuo ocorre após meses de desgaste contínuo nas pesquisas de opinião e em um momento de queda nos índices de aprovação do governo.

A própria Atlas/Bloomberg vem registrando aumento da desaprovação do presidente nos últimos levantamentos. Em março, o instituto apontou que mais da metade dos brasileiros desaprovava o desempenho de Lula à frente do governo federal.

A pesquisa da AtlasIntel ouviu 5.028 brasileiros entre os dias 18 e 23 de março, com margem de erro de um ponto percentual e nível de confiança de 95%.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/economia/taxa-blusinhas-tornou-principal-desgaste-politico-lula/

França confirma hospitalização de 22 pessoas que tiveram contato com holandesa que morreu por hantavírus

A ministra da Saúde francesa, Stéphanie Rist, disse que a decisão de hospitalizar quem teve contato com a mulher foi uma medida “preventiva” (Foto: YOAN VALAT/EFE/EPA)

O Ministério da Saúde da França informou nesta quarta-feira (13) que 22 cidadãos franceses estão hospitalizados em várias cidades do país após ter sido identificado que tiveram contato com uma passageira holandesa que morreu após desembarcar do navio de cruzeiro MV Hondius, onde foi registrado um surto de hantavírus.

Segundo informações da agência EFE, a pasta informou que esse grupo inclui oito franceses, alguns deles crianças, que viajaram com a idosa holandesa em 25 de abril da ilha de Santa Helena para Joanesburgo, e outros 14 que viajaram no mesmo dia da cidade sul-africana para Amsterdã, em um avião onde a mulher embarcou brevemente antes de ser levada para um hospital, onde morreu no dia seguinte.

Em depoimento perante uma comissão da Assembleia Nacional francesa nesta quarta-feira, a ministra da Saúde, Stéphanie Rist, disse que a decisão de hospitalizar quem teve contato com a mulher foi uma medida “preventiva”.

Ela também afirmou que a França, o Reino Unido e a Espanha transmitirão uma mensagem de “cautela” em relação ao hantavírus em uma reunião que realizarão ainda nesta quarta-feira com representantes de outros países europeus.

“Estamos trabalhando ativamente para tentar bloquear essa cadeia de transmissão [do hantavírus] em todos os níveis”, disse a ministra, que acrescentou que por ora apenas um caso positivo foi confirmado na França – uma mulher que esteve no MV Hondius e que está em estado grave, entubada.

O MV Hondius chegou às Ilhas Canárias, na Espanha, no domingo (10), com mais de 90 passageiros a bordo após um surto do vírus na embarcação. Estas pessoas foram submetidas a protocolos sanitários e repatriadas para seus países de origem, onde estão sendo observadas. Desde os relatos dos primeiros casos no cruzeiro, há nove confirmados e dois suspeitos.

A cidadã holandesa, seu marido e uma passageira alemã que estavam no cruzeiro morreram entre 11 de abril e 2 de maio. Além dos que chegaram à Espanha no domingo, 30 passageiros que viajavam a bordo do navio e que desembarcaram na ilha de Santa Helena em abril estão sendo rastreados para detectar se ocorreram contágios adicionais.

As origens do surto ainda estão sendo investigadas. Uma das hipóteses é que o casal holandês tenha contraído o vírus durante uma observação de pássaros na cidade argentina de Ushuaia, na qual podem ter entrado em contato com roedores com o vírus, antes de embarcar no cruzeiro.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/franca-confirma-hospitalizacao-pessoas-contato-holandesa-morreu-hantavirus/

Alexandre Garcia

Brasil tem de se mexer para garantir venda de carne para a Europa

Europa impôs novas restrições sanitárias à carne brasileira. (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

A agência Lusa, aqui em Portugal, noticiou algo que pode afetar muito o Brasil inteiro, a começar pelo agronegócio: uma proibição, com bases sanitárias, da compra de produtos brasileiros de origem animal, incluindo ovos e mel, em toda a União Europeia. O Piauí, por exemplo, é um grande produtor de mel, e pode sentir os efeitos a partir de setembro, quando a medida entra em vigor. Estão alegando exigências sanitárias para evitar contaminação; parece que nesta quarta-feira o Brasil já vai tentar reuniões com autoridades europeias da área da certificação de saúde animal.

Isso é muito sério porque o mercado brasileiro anual desses produtos está em quase US$ 2 bilhões. Eu vejo, por exemplo, nos restaurantes que servem carne aqui em Portugal, a propaganda da carne argentina e da carne uruguaia. Provavelmente, nos restaurantes que se anunciam como “churrascaria brasileira” ou “rodízio brasileiro”, a carne venha do Brasil. Mas ela não poderá mais chegar aqui a partir de setembro se o governo brasileiro, que foi surpreendido por essa medida, não se acertar no lado sanitário.

Rússia testa novo míssil e assusta o mundo

Os países europeus estão todos à mercê das armas nucleares da Rússia, que investe na intimidação para o equilíbrio de forças no mundo. A Rússia está agora terminando os testes de um míssil que tem um alcance de 35 mil quilômetros. Como aprendemos na escola, uma volta à Terra pelo Equador tem 40 mil km, ou seja: esse míssil, que não vai circular a Terra por cima do Equador, pode atingir qualquer parte do mundo. A Otan está chamando esse míssil de “Satanás 2”; os russos o chamam de Sarmat. O que é isso? É Vladimir Putin se sentindo enfraquecido. Ele está há 26 anos no poder, pensou que fosse dobrar a Ucrânia em poucos meses ou em semanas, mas não conseguiu nada disso. Os ucranianos enfraqueceram as forças russas e o moral russo. Então, Putin surge com uma arma para assustar a Europa e o mundo.

Conversei nesta terça-feira com amigos portugueses, mais novos que eu, sobre armas e o poderio da China e dos Estados Unidos. Eu disse a eles que sempre foi assim. Os erros dos políticos, que flertaram com a guerra, resultaram na Grande Guerra, que depois passou a se chamar Primeira Guerra Mundial porque veio a Segunda Guerra Mundial – novamente causada por erros de gente como Chamberlain e Daladier, que acreditaram em Von Ribbentropp e nas garantias de que a Alemanha não invadiria nada. “Ganhamos a paz”, disseram, e em setembro de 1939 a Alemanha invadiu a Polônia e iniciou a Segunda Guerra Mundial. Assim foi com os franceses e os norte-americanos no Vietnã, com a guerra Irã-Iraque. Essas guerras são muito boas para a indústria bélica, mas nunca para a população, nem para os soldados. E é a população que fornece seus filhos para as guerras.

Mesmo territorialmente longe das guerras, o Brasil sofre os efeitos

Aqui na Europa as pessoas se sentem mais próximas do perigo. No Brasil há um Oceano Atlântico a nos separar da Europa, ou, no caso de guerras na Ásia, um Oceano Pacífico, que fica mais longe ainda, do outro lado da América do Sul. Somos um país pacífico, mas temos de estar atentos às consequências econômicas das guerras, por exemplo no preço do petróleo. Enchi o tanque e paguei bem mais que no ano passado. Como estou perto da fronteira com a Espanha, já me aconselharam que por lá o combustível ainda está mais barato, porque estão segurando o preço. O mundo está todo interligado; o que acontece nas montanhas do Irã acaba, de um jeito ou de outro, batendo na Petrobras e nos postos de combustíveis no Brasil.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/brasil-restricoes-venda-carne-europa/

Guilherme Macalossi

Beber detergente virou o mais novo ato de resistência

A reação de apoio à marca de detergentes guarda semelhança com o negacionismo visto na pandemia. (Foto: Imagem produzida por Gemini IA/Gazeta do Povo)

O grafiteiro britânico Banksy, famoso pelas pinturas inventivas em murais na cidade de Bristol, ainda fará um desenho de um cidadão tomando uma garrafa de detergente. A simulação de beber o líquido, replicada em inúmeros vídeos nas redes sociais, tornou-se um verdadeiro ato de resistência ao que muitos entendem ser o “estado policial” comandado por Lula. A marca Ypê e, claro, o indefectível senador Ciro Nogueira seriam apenas as derradeiras vítimas de uma perseguição ideológica movida pelo aparato burocrático infectado pelo petismo.

Anvisa e Polícia Federal seriam órgãos distintos a operar em nome do mesmo fim: destruir o bolsonarismo e todos os seus representantes, seja no Congresso, seja no corredor de produtos higiênicos no supermercado. Ciro Nogueira, por óbvio, não desfruta do mesmo prestígio do famoso detergente e, por isso, a ele não foi dedicada qualquer mesura, ato de solidariedade ou manifestação pública de apoio. Ao contrário, até Flávio Bolsonaro, que o considerava “o vice dos sonhos”, lhe virou as costas, publicando um vídeo defendendo a investigação do escândalo do Master. Com o Ypê, entretanto, o tratamento dispensado foi outro.

Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro começaram uma verdadeira campanha de apoio ao produto, um movimento com participação da fina flor da microbiologia. Influenciadores como a cantora Jojo Todynho e políticos como o vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo, e o senador Cleitinho (favorito ao governo de Minas Gerais) saíram em defesa da marca. Cleitinho chegou até mesmo a questionar se a Anvisa fiscalizaria “a bucha de cada brasileiro”. Até mesmo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro resolveu se posicionar sobre o assunto, postando uma foto de uma garrafa de detergente em suas redes sociais.

Parafraseando Karl Marx, a história se repete: primeiro como tragédia, depois como piada. Há, no caso, uma comicidade inequívoca, já que personagens do mesmo grupo, outrora, já foram flagrados prestando continência a pneus e requisitando intervenção extrassensorial de alienígenas. Não se pode ignorar, entretanto, o aspecto trágico da reação, uma vez que esta guarda semelhança perigosa com o que se viu na pandemia de Covid-19, quando a Anvisa também foi acusada de atuação política — daí para a suposta implementação do que estes chamavam de “ditadura sanitária”.

Se, no passado, negacionistas estimulavam a população a se expor ao vírus da Covid, aqui o estímulo é ao potencial de contaminação por bactérias. A ideologização do detergente é apenas a reciclagem, em modo circense, da ideologização das vacinas. Subsiste, entretanto, a mesma irresponsabilidade, travestida com o discurso da resistência.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/guilherme-macalossi/beber-detergente-virou-o-mais-novo-ato-de-resistencia/

Por que as “bondades” de mais de R$ 100 bilhões não recuperam a popularidade de Lula

Lula já aprovou R$ 140 bi em “bondades” em ano eleitoral, mas não conseguiu aumentar popularidade. (Foto: EFE/EPA/Hannibal Hanschke)

Mesmo após anunciar cerca de R$ 144 bilhões em medidas de estímulo à economia, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda não conseguiu reverter a deterioração da popularidade.

Pesquisa Genial/Quaest divulgada em abril mostrou desaprovação de 52% ao governo, ante 43% de aprovação — o pior índice do atual mandato —, indicando que a ofensiva eleitoral do Planalto tem produzido impacto político menor do que o esperado.

Nas últimas semanas, o governo acelerou o ritmo de anúncios. A iniciativa se deu em meio ao avanço do pré-candidato da oposição, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nas pesquisas para 2026 e à persistência da desaprovação de Lula em patamares elevados.

O cálculo das “bondades”, reportado primeiramente pela Folha, reúne medidas anunciadas desde março, concentradas principalmente em expansão de crédito subsidiado, renegociação de dívidas, saques do FGTS, subsídios ao consumo e desonerações.

Só com medidas de expansão de linhas de crédito para pessoas físicas foram R$ 76,2 bilhões. A iniciativa mais recente foi o lançamento do Desenrola Brasil 2.0, nova rodada de renegociação de débitos para famílias, micro e pequenas empresas e produtores rurais, com até R$ 15 bilhões em garantias da União para reduzir juros e ampliar descontos.

O pacote também inclui reforço a programas habitacionais, crédito para caminhoneiros, estudantes e microempreendedores, além de até R$ 32 bilhões em subsídios e renúncias fiscais para conter a alta dos combustíveis provocada pela disparada internacional do petróleo.

A Fazenda informou que outras medidas também estão em elaboração e devem atingir pessoas adimplentes, mas pressionadas por empréstimos com juros elevados, além de trabalhadores informais, taxistas e motoristas de aplicativos — segmentos em que Lula enfrenta maior dificuldade de apoio eleitoral.

Procurado pela Gazeta do Povo, o Ministério da Fazenda afirmou que as mredidas traduzem uma atuação do governo “em sintonia com as demandas de mudança da sociedade”.

Desde janeiro de 2023, diz a Fazenda, foram aprovadas no Congresso 72 matérias com perfil econômico de iniciativa do governo ou com seu apoio decisivo. “Os números mostram um governo que trabalha e produz de forma consistente desde o primeiro dia”, reforça a nota.

Eleitor mudou, mas Lula não percebeu

Izak Carlos da Silva, economista-chefe do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), afirma que o cálculo não considera outras benesses já testadas pelo Planalto sem sucesso. Dentre elas, destacam-se a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e os reajustes concedidos ao funcionalismo público acima da inflação.

Para ele, o baixo retorno político das medidas reflete uma mudança mais profunda no perfil do eleitorado brasileiro em relação aos primeiros mandatos petistas. Os programas de transferência de renda e benefícios sociais perderam parte da capacidade de gerar identificação política porque passaram a ser percebidos como direitos já incorporados pela população mais pobre.

“Nos anos 2000, as pessoas começaram a perceber Bolsa Família como valor. Hoje a sociedade já percebe aquilo como um direito dela”, afirmou.

Na mesma linha, Fábio Murad, sócio-fundador da Ipê Avaliações, afirma que o governo enfrenta uma dificuldade adicional. Segundo ele, a percepção do eleitorado sobre a economia passou a depender menos do anúncio de medidas isoladas e mais da sensação de estabilidade e melhoria contínua das condições de vida.

“Subsídios, renegociação de dívidas e programas voltados ao custo de vida podem produzir algum efeito positivo, sobretudo entre os grupos mais pressionados pela renda. A recuperação da confiança, no entanto, costuma depender de resultados percebidos de forma mais ampla e contínua”, ressalta.

Brasileiros querem empreender e prosperar

Há outros fatores estruturais. Na avaliação de Silva, a população hoje responde mais à perspectiva de mobilidade social, estabilidade e melhoria da qualidade de vida. Um dos exemplos dessa mudança é, segundo ele, a resistência de parte dos trabalhadores de aplicativos às tentativas de regulamentação defendidas pelo governo desde a campanha eleitoral.

“Muitos desses profissionais passaram a enxergar modelos flexíveis de trabalho como oportunidade de independência financeira e ampliação de renda, e não apenas como precarização das relações trabalhistas”, diz.

Ao mesmo tempo, o economista avalia que o crescimento recente da economia tem baixa capacidade de melhorar efetivamente o padrão de vida da classe média e dos trabalhadores urbanos.

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram concentração da geração de vagas formais nas faixas de até dois salários mínimos. Por outro lado, os empregos intermediários seguem escassos.

Na prática, argumenta Silva, o país continua gerando empregos de baixa remuneração e baixa qualificação. Essa tendência ajuda a explicar o descompasso entre indicadores macroeconômicos relativamente positivos e a avaliação negativa do governo. “As pessoas querem ascender socialmente, querem melhorar de vida”, afirmou.

Murad ainda acrescenta que o ambiente de maior desconfiança também dificulta a recuperação da popularidade. “Medidas anunciadas perto do período eleitoral tendem a ser avaliadas com cautela. Para alguns eleitores, representam uma resposta concreta a problemas reais; para outros, podem parecer ações motivadas principalmente pelo calendário político.”

Segundo ele, a reversão da perda de popularidade “dependerá menos do anúncio das medidas e mais da capacidade do governo de mostrar efeitos consistentes sobre renda, preços, endividamento e estabilidade econômica, sem ampliar a percepção de risco fiscal”.

Escala 6×1, risco fiscal e disputa política

Neste sentido, o economista do BDMG cita a discussão sobre o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho, uma das principais apostas eleitorais do governo. A medida segue em tramitação acelerada no Congresso, sem que tenha havido, segundo ele, um debate amplo com a sociedade sobre custos, produtividade, emprego e arrecadação.

Além do possível impacto sobre o mercado de trabalho, propostas dessa natureza podem ampliar a pressão sobre as contas públicas. O rombo fiscal já é, no momento, um ponto sensível para o  governo. A gestão petista enfrenta o aumento de despesas obrigatórias e o crescimento da dívida pública, que deve se aproximar de 100% do PIB em 2027, segundo projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Na avaliação do economista, a proposta ainda não entrou integralmente nas projeções fiscais e pode abrir espaço para novas demandas de compensação ao setor produtivo. Para tanto, podem ser consideradas novas desonerações da folha de pagamento das empresas. “É possível que o governo acabe tendo que compensar uma medida com outra”, afirmou.

Além disso, a possibilidade de que a medida sirva como última “bala de prata” — para alavancar a popularidade de Lula — encontra limites na disputa política dentro do Congresso. O cenário deve se manter, mesmo que as propostas avancem rapidamente. “Me parece difícil que o Legislativo deixe que o Executivo sequestre essa pauta sozinho”, afirmou.

Metodologia

A pesquisa Quaest entrevistou 2.004 pessoas entre os dias 9 e 13 de abril. A pesquisa foi contratada pelo Banco Genial S.A. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. Registro no TSE nº BR-09285/2026.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/por-que-as-bondades-de-mais-de-r-100-bilhoes-nao-recuperam-a-popularidade-de-lula/

Lula destina equivalente a 0,73% do lucro anual das organizações criminosas para combatê-las

Lula e seu factoide, o “Brasil Contra o Crime Organizado” (Foto: SEAUD)

O “Programa Brasil contra o Crime Organizado”, que Lula lançou ontem (12) para ter o que dizer nas eleições de outubro, não deve produzir nem mesmo cócegas nas organizações criminosas. O investimento prometido por Lula para o “combate a facções”, no valor de R$1,065 bilhão, é uma enganação. Essa quantia, a ser aplicada em inteligência e capacidade operacional das forças policiais, é uma gota no oceano dos bandidos: o lucro anual das organizações criminosas é estimado em R$146,8 bilhões.

Dados

O lucro anual foi apontado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública no documento “Follow the Products”, de fevereiro de 2025.

Ponta o iceberg

A grana dos bandidões é muito maior. Os R$146,8 bilhões somam só quatro pilares de produtos explorados e não inclui tráfico de drogas.

Quase agiotagem

Se estados e municípios quiserem uma fatia dos R$10 bilhões a mais do programa, aí terão de pagar financiamento a cargo do BNDES.

Juntando poeira

A desconexão de Lula com o tema é tão grave que a PEC da Segurança está na gaveta de Davi Alcolumbre há dois meses. Nem relator tem.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/lula-destina-equivalente-a-073-do-lucro-anual-das-organizacoes-criminosas-para-combate-las

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