
Os brasileiros caíram em uma armadilha. O debate público foi capturado pela imagem do golpe clássico, com homens fardados, tanques, uma “turba de descontentes” em marcha e a ruptura explícita. Essa miragem serviu para chamar de golpe a rebelião de 8 de janeiro de 2023, por exemplo. Enquanto quase todo mundo olhava para o lado errado, a ruptura real, a que reconfigura o regime por dentro, estava se dando sob a toga da defesa da democracia.
Não é exagerado pensar que o regime que rege o Brasil é a juristocracia. Não é apenas a judicialização normal da vida institucional, que seria aquela em que o Judiciário cumpre sua função de conter abusos e zelar pela Constituição. É a substituição gradual da política por decisões judiciais com efeito legislativo; é a transformação do Supremo em “instância de governo”; é a troca da soberania popular por decisões judiciais.
A substituição do governo do povo pelo governo dos juízes foi gradual e tolerada como excepcional e provisória. E é exatamente assim que as democracias morrem: não quando um ator toma tudo de uma vez, mas quando a sociedade vai aceitando pequenas transferências de poder, sempre com uma justificativa moral superior.
O motor dessa mudança não foi apenas o Supremo. Foram os incentivos que partidos e lideranças políticas criaram. A cada derrota, uma ação. A cada votação que contrariava uma minoria ruidosa e sem voto, cujo maior exemplo são os parlamentares do Psol, o roteiro se repetia: perdeu no Parlamento, recorre ao STF; perdeu nas urnas, tenta reverter no tapetão jurídico; não tem maioria, judicializa a pauta.
E aqui está o ponto central: quando um tribunal passa a ser usado como instrumento de política cotidiana, ele deixa de ser árbitro e vira jogador. E, quando isso acontece, o sistema de freios e contrapesos começa a operar de forma assimétrica. Porque o Judiciário não paga o preço político das escolhas. Não tem sequer o ônus de disputar eleição. Não enfrenta campanha. Não lida com o eleitor que o pune. No caso dos ministros do Supremo, não há nada que os controle e, sendo assim, o poder se transforma em suprapoder.
O mais revelador é que essa dinâmica não havia sido ignorada. Pelo contrário, até. Em 2022, logo após conquistar o seu terceiro mandato em uma eleição com forte atuação do Judiciário em seu favor, o então presidente-eleito Lula disse a seus assessores que “a política tem que buscar resolver seus problemas na própria política” e que a judicialização seria “uma medida extrema”.
Mas o mesmo Lula já reconheceu diversas vezes que não se governa mais sem a Suprema Corte. O que antes era descrito por ele como “medida extrema” virou condição de governabilidade. E, quando governar depende de tribunal, não é mais o Executivo que governa dentro de limites constitucionais; é o sistema que passa a operar como tutela judicial permanente sobre a política. É a juristocracia em sua forma mais plena.
O Brasil chegou a um ponto em que Executivo e Legislativo viraram alegoria e peso orçamentário
O Legislativo, em vez de assumir o custo de suas escolhas e o risco de enfrentá-las, aceita de bom grado terceirizar decisões impopulares. O Executivo, quando não consegue formar maioria, sabe que pode contar com decisões monocráticas para resolver o problema da falta de base.
A falência do equilíbrio de poderes é de responsabilidade de todos que acreditaram que a excepcionalidade era o melhor remédio para proteger as instituições diante de um monstro que todos dizem ter escutado o rugido, mas cuja face ninguém de fato viu. A excepcionalidade, entretanto, virou rotina, e o país parece sequestrado pelo suprapoder que devorou os demais.
A separação de Poderes foi concebida para lidar com a natureza humana, a ambição, a vaidade, o corporativismo e a tentação de mandar muito. O sistema não foi desenhado para produzir virtude, mas para conter vícios.
Quando você destrói o mecanismo de contenção, não nasce automaticamente um regime mais moral. Você só cria espaço para o pior repertório possível. Por isso o tal “herói” se transformou em vilão. E aqui estou falando abertamente de Alexandre de Moraes e de boa parte de seus colegas que, assim como ele, usurparam funções.
A juristocracia é o novo sistema de poder em vigor no Brasil. O mais desolador é que o regime (acho que se pode dizer assim, já que não é mais uma democracia de fato) que emergiu no Brasil reúne os piores vícios nacionais: patrimonialismo (o público tratado como propriedade), compadrio (a amizade substituindo a impessoalidade), seletividade (o princípio aplicado conforme a conveniência) e a crônica tentação de blindagem.
Some-se a isso a opacidade típica de decisões que, embora tenham efeitos de lei, não passam pelo ritual democrático: debate público, emenda, negociação, voto, prestação de contas perante a sociedade. O povo perdeu o poder.
O Brasil precisa encarar uma realidade desconfortável: quando você aceita que a regra do jogo pode ser reescrita por urgência moral, você destrói o próprio conceito de regra.
A partir daí, tudo vira disputa de poder travestida de virtude. O tribunal passa a ser cortejado, temido, instrumentalizado. E o país entra num ciclo vicioso: mais judicialização produz mais ativismo; mais ativismo produz mais dependência; mais dependência produz mais erosão da política; e uma política fraca produz mais judicialização.
O que fazer? Antes de tudo, parar de mentir para si mesmo. Não existe democracia sólida com poder “supremo” de fato. Existe Constituição; existe equilíbrio; existe limite. Quando um Poder deixa de ter limite prático, os demais e a República em si viram uma abstração decorativa.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/leonardo-coutinho/democracia-esfarrapada-a-ascensao-da-juristocracia-no-brasil/
Presidente da CPMI reclama do silêncio de Alcolumbre para prorrogar os trabalhos

O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), reclamou que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não fala com ele há um mês e que está fugindo de contato “que nem diabo foge da cruz”. A insatisfação ocorre principalmente pela pressão do encerramento do prazo para a conclusão dos trabalhos do colegiado, previsto para o final do mês de março.
Viana enviou um ofício a Alcolumbre, na última segunda (23), pedindo a prorrogação da CPMI por mais 60 dias, e que o pedido conta com amparo da Constituição.
“Há uma manobra administrativa interna para que ele não avance. Nós temos o direito de que ela permaneça. Esperava mais cooperação”, afirmou em entrevista à Folha de S. Paulo nesta quinta (26).
Pelo prazo regimental atual, Viana terá de apresentar o relatório final da CPMI no dia 23 de março, com encerramento no dia 28. No entanto, dado ao andamento dos trabalhos e aos recentes requerimentos aprovados, a comissão precisará de mais tempo para concluir as investigações – as ligações da fraude bilionária contra aposentados e pensionistas com o Banco Master tornaram esse cenário ainda mais complicado.
“Diante disso, solicito a adoção das providências cabíveis para o regular prosseguimento da solicitação, com vistas à formalização do ato de prorrogação do prazo de funcionamento da CPI pelo período requerido”, escreveu Viana no requerimento.
O senador ameaçou recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) caso Alcolumbre não se pronuncie sobre o pedido de prorrogação.
Avanço da CPMI
No mesmo dia, um pouco mais cedo, a CPMI aprovou a quebra de sigilos do empresário Fabio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sob forte confusão entre os parlamentares. Governistas tentaram retirar o requerimento da votação, mas não conseguiram.
Segundo o relatório, um dos pontos considerados mais relevantes é a interceptação de mensagens atribuídas a Antônio Camilo Antunes – o “careca do INSS” –, nas quais ele menciona o repasse de R$ 300 mil ao “filho do rapaz”. Para a Polícia Federal, a expressão seria uma referência a Fábio Luís. O diálogo é tratado pelos investigadores como indício de vínculo financeiro entre os envolvidos.
Outro elemento citado são registros de viagem que mostram que Lulinha e Antunes estiveram juntos em Lisboa, em novembro de 2024. De acordo com os documentos anexados, ambos teriam embarcado na mesma ocasião em assentos de primeira classe, com passagens cujos valores variam entre R$ 14 mil e R$ 25 mil.
O requerimento também menciona suspeitas de que Fábio Luís teria atuado como “sócio oculto” em empreendimentos ligados ao mercado de cannabis medicinal. Conforme a investigação, essas empresas teriam sido financiadas com recursos que, em tese, teriam origem em desvios da Previdência Social.
A defesa de Lulinha afirmou que recebeu a notícia sobre a quebra de sigilo de Fábio Luís pela CPMI e, supostamente, no inquérito do STF, mas que está tranquila quanto ao resultado, sustentando que o filho de Lula não participou de fraudes no INSS nem cometeu crimes.
A nota, assinada pelo advogado Guilherme Suguimori Santos, diz ainda que, desde o início, Lulinha se colocou à disposição do STF para prestar esclarecimentos e entregar documentos.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/presidente-cpmi-reclama-silencio-alcolumbre-prorrogar-trabalhos/

Acabou a blindagem para Lulinha

O sigilo fiscal de Lulinha está duplamente quebrado: pelo ministro do STF André Mendonça, a pedido da Polícia Federal, e também pela CPMI do INSS no Congresso Nacional. Agora vai se descobrir muito mais coisas. Acho até que Lulinha não deixa rastro, mas nessas quebras de sigilo a Polícia Federal certamente vai buscar detalhes envolvendo Roberta Luchsinger, que é apontada como intermediária entre o filho de Lula e o “careca do INSS”.
Convocar Guedes e Campos Neto foi tiro no pé dos petistas
Foi pueril, um gesto de adolescente, a retaliação de Jaques Wagner e Randolfe Rodrigues à ofensiva contra Lulinha: a CPI do Crime Organizado no Senado convocou Paulo Guedes e Roberto Campos Neto. Grande erro: não há ninguém no PT capaz de chegar aos pés nem de Guedes, nem de Campos Neto em dialética, no manejo das palavras, na esgrima verbal – e nem nos argumentos. Os petistas ofereceram uma tribuna para eles arrasarem. Para vermos como as emoções realmente não são boas conselheiras.
O passado veio à tona para desembargador que absolveu homem de 35 anos que vivia com menina de 12
Está bem encrencado o desembargador de Minas Gerais que soltou e absolveu um homem de 35 anos que vivia com uma menina de 12 anos, alegando que a união era voluntária. A lei diz que, abaixo de 14 anos, a adolescente é totalmente incapaz; não interessa se houve ou não consenso. Magid Láuar e outro desembargador, Walner Azevedo, formaram maioria de 2 a 1 na 9.ª Câmara do Tribunal de Justiça de Minas; o voto contrário foi da desembargadora Kárin Emerich.
Quando percebeu o escândalo nacional que a decisão provocou – graças às redes sociais; se não fosse por elas, nada disso teria acontecido –, Láuar “desvotou” seu voto; mandou prender o homem de 35 anos e também a mãe da menina de 12, que autorizava o relacionamento. A adolescente está sob a tutela normal do pai. Mas àquela altura o desembargador já estava exposto: um primo dele veio a público dizer que, quando era adolescente, Láuar havia tentado abusar dele. Apareceram outros, e agora já são quatro denúncias. O caso está no Conselho Nacional de Justiça, ou seja, agora é tarde: o desembargador despertou o passado e quebrou a cara feio.
Acho que essa decisão, de considerar que um adulto de 35 anos podia se aproveitar sexualmente de uma menina de 12, despertou algo nessas pessoas que estavam caladas, talvez por vergonha. E o primeiro a denunciar desencadeou a segunda, a terceira e a quarta denúncia. Sabe-se lá o que ainda vem nesse dominó. É terrível!
Nada impede gente desqualificada de chegar a cargos importantes
O que também é terrível é o fato de uma pessoa que praticou esses atos tenha chegado a desembargador. Não houve nenhum filtro que pudesse impedir isso. Imagino que tenha passado por alguma sabatina, mas ela é incapaz de comprovar o saber jurídico e se a pessoa tem temperamento para ser juiz.
Vejam um outro caso, do julgamento dos irmãos Brazão, condenados a 56 anos: um era ex-deputado estadual e conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro; outro era deputado federal. Um terceiro condenado era ex-chefe da Polícia Civil, outro ainda era ex-assessor do TCE, havia também um PM. E essas pessoas vão galgando cargos, vão subindo. Só reparei que, pelos votos, quem era promotor público e virou ministro do Supremo continua com a natureza de promotor público. Não tem isenção de juiz, não tem a balança pesando os dois lados. O instinto da acusação é forte, o acusador não sai da cabeça.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/lulinha-quebra-sigilo-cpmi-inss/

Com penduricalhos, pagamentos a juízes superam R$ 300 mil

O desembargador Ibanez Monteiro da Silva, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN), teve rendimento total de R$ 385 mil em janeiro deste ano. Superou o teto remuneratório constitucional? Não, pelas regras do Judiciário brasileiro.
Detalhando: ele recebeu R$ 320 mil em “direitos eventuais”, sendo R$ 243 mil referentes a indenização de férias. Contou ainda com R$ 19 mil em “direitos pessoais”. Seu subsídio foi de R$ 41,8 mil – dentro do teto.
O desembargador João Batista Silveira, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), levou R$ 275 mil, sendo R$ 203 mil em “direitos eventuais”. Recebeu ainda R$ 93 mil por “férias vendidas” e R$ 15 mil na categoria “outras” – a mais misteriosa. Já o desembargador Jonas Hass Silva, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), recebeu um total de R$ 281 mil, dos quais R$ 188 mil em “direitos eventuais”, sendo R$ 125 mil novamente ligados à indenização de férias.
As “férias vendidas” sem Imposto de Renda
Os magistrados têm direito a 60 dias de férias por ano e costumam “vender” 30 dias. Muitas vezes, acumulam vários períodos. Como se trata de uma indenização, não pagam Imposto de Renda sobre esses valores.
A desembargadora Hermenegilda Monteiro da Silva, do TRT-13, teve renda de R$ 367 mil em janeiro, sendo R$ 309 mil em “direitos eventuais” e R$ 13 mil em “direitos pessoais”. Seu subsídio (ou salário fixo) ficou em modestos R$ 41,8 mil.
O juiz Fabiano Rubimger, do TJMG, recebeu R$ 315 mil, sendo R$ 136 mil em “direitos eventuais”, dos quais R$ 108 mil correspondem a férias vendidas. Suas indenizações somaram R$ 131 mil, incluindo duas parcelas expressivas de R$ 107 mil e R$ 20 mil, listadas na categoria “outra”.
Desde setembro de 2017 até 2025, essas verbas milionárias – e pouco transparentes – custaram R$ 37 bilhões aos cofres públicos. Desse total, R$ 12 bilhões vieram de pagamentos retroativos, R$ 5,8 bilhões de “férias vendidas” e R$ 10,5 bilhões da categoria “outros”.
O Ministério Público Federal (MPF) poderia investigar os casos menos transparentes. Mas o MPF também tem seus próprios penduricalhos para cuidar, como mostrou este blog nesta semana.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/lucio-vaz/com-penduricalhos-pagamentos-a-juizes-superam-r-300-mil/
Flávio Bolsonaro fala em “Projeto Brasil” e reforça alinhamento com Tarcísio de Freitas

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, afirmou nesta sexta-feira (27) que pretende construir, ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), um “Projeto Brasil” com foco em prosperidade, ordem e progresso. Em publicação nas redes sociais, o parlamentar defendeu a necessidade de “estabelecer consenso em torno de uma visão de futuro” e destacou áreas que considera estratégicas, como segurança alimentar, transição energética, economia do conhecimento e biotecnologia.
“Vamos fazer história juntos, construindo o ‘Projeto Brasil’ para recolocar o país no caminho da prosperidade”, escreveu. Ao mencionar Tarcísio, Flávio afirmou que estarão “juntos não apenas em São Paulo, mas devolvendo a esperança a todos os brasileiros”.
A manifestação ocorre no mesmo dia em que os dois têm presenças confirmadas na sessão de homenagem ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Caso se confirme, será a primeira aparição pública conjunta desde que o senador anunciou sua pré-candidatura ao Planalto. A solenidade também deve contar com a presença do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes.
Antes do evento, Tarcísio deve receber Flávio para um café da manhã reservado no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. A expectativa é que conversem sobre articulações e estratégias eleitorais.

Apoio reiterado e movimentação no campo da direita
Desde que Flávio lançou sua pré-candidatura, no fim do ano passado, Tarcísio vinha evitando declarações enfáticas de apoio. O governador chegou a ser alvo de críticas de aliados do bolsonarismo por não mergulhar na campanha do senador e, em meio às cobranças, cancelou uma visita que faria ao ex-presidente Jair Bolsonaro no Complexo Penitenciário da Papuda, alegando compromissos em São Paulo.
Tarcísio também foi citado por lideranças do centro como alternativa eleitoral para 2026. O presidente do PSD, Gilberto Kassab, e o presidente do PP, senador Ciro Nogueira, defenderam publicamente a candidatura do governador, avaliando que seu perfil mais moderado poderia ampliar o alcance eleitoral.
Em janeiro, ao ser questionado sobre a pré-candidatura de Flávio, Tarcísio foi categórico ao reafirmar alinhamento com a decisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Sem dúvidas, como tenho afirmado constantemente. Não tem dúvida com relação a isso”, declarou.
Paralelamente às movimentações nacionais, Tarcísio confirmou que disputará a reeleição ao governo paulista. A aproximação com Flávio, agora explicitada nas redes e na agenda pública, indica tentativa de consolidar unidade no campo conservador, com palanques alinhados em São Paulo e no plano federal.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/flavio-bolsonaro-projeto-brasil-reforca-alinhamento-tarcisio-freitas/
Paraná Pesquisa confirma crescimento de Flávio, que aparece à frente de Lula
Novo levantamento nacional do Paraná Pesquisas confirma o crescimento da pré-candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e também mostra, a exemplo de outras pesquisas, que o filho mais veho do ex-presidente Jair Bolsonaro já supera Lula (PT) em cenário bem provável de segundo turno na disputa.
De acordo com esse levantamento, ambos estão praticamente empatados em intenção de votos, mas Flávio Bolsonaro já aparece à frente do petista, com 44,4% contra 43,8%. Qualquer diferença é considerada relevante em disputa tão acirrada, lembrando que a vitória de Lula sobre seu oponente, em 2022, foi de cerca de 1 ponto percentual.
O Paraná Pesquisas realiza esse levantamento mês após mês, e mostra no gráfico abaixo a evolução do nome de Flávio Bolsonaro, cujo nome começou a constar em outubro, quando somou 37% das intenções de voto logo após ser anunciado pelo pai. Desde então, Flávio só cresceu: foi para 38,6% em novembro, 41% em dezembro, 42,2% em janeiro e 44,4% em fevereiro.
Em simulações de primeiro turno, Lula lidera em todos os cenários em que aparece como candidato único da esquerda contra vários candidatos de oposição.
O Paraná Pesquisas entrevistou 2.080 eleitores em 159 municípios dos 26 Estados e do Distrito Federal, entre os dias 22 e 25 de fevereiro. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o n.º BR-07974/2026.
Veja os números da disputa presidencial em disputa de segundo turno:

Para 52,2% do País Lula não merece ser reeleito

O Instituto Paraná Pesquisas divulgou nesta sexta-feira (27), um levantamento onde mostram que 52,2% dos brasileiros afirmam que o presidente Lula (PT), não merece ser reeleito.
Outros dados da pesquisa mostram a queda do petista nas situações eleitorais e a crescente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência pelo Partido Liberal (PL).
De acordo com o levantamento, outros 43,9% dos eleitores dizem que Lula (PT) merece ser reeleito; 3,9% não sabem ou não responderam.
Lula merece ser reeleito?
- Não merece ser reeleito: 52,2%
- Sim, merece ser reeleito: 43,9%
- Não sabem/não responderam: 3,9%
Veja:

Paraná Pesquisas, 27 de fevereiro, “Lula Merece ser reeleito?” – (Foto: Paraná Pesquisas/Reprodução)
Baixa na popularidade
Lula (PT) esteve fora, cumprindo agenda na Ásia, e evidenciou uma série de fatores que ampliam a pressão sobre seu governo em ano eleitoral. A oposição tem pressionado a respeito de sua suposta propaganda eleitoral antecipada no carnaval, quando foi homenageado pela escola Acadêmicos de Niterói, na Marques de Sapucaí.
O ato deferiu críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e os eleitores de direita, rotulados como “neoconservadores em conserva”.
O fato mais recente foi o destaque quinta-feira (26), onde seu filho, Fábio Luís, o Lulinha, teve sua quebra de sigilos autorizada após acusação de participar na fraude de descontos indevidos a aposentados e pensionistas do INSS.
O candidato do PL, Flavio Bolsonaro, tem se movimentado e construído alianças para as eleições de outubro.
A pesquisa
Para o levantamento, foram entrevistados 2.080 eleitores entre 22 e 25 de fevereiro, por meio de entrevistas pessoais e domiciliares. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.
Alfredo acusa governistas de soberba e tentar golpe para blindar Lulinha

O relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL) acusou a base governista de atuar com soberba e tentar um golpe regimental para tentar impedir a aprovação da quebra de sigilos do filho do presidente Lula (PT), cuja contestação do placar da votação causou tumulto nesta quinta-feira (27). Para Alfredo, a disposição da comissão do Congresso Nacional de investigar Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, seria um recado de que “quem roubou aposentados e pensionistas vai responder”.
Alfredo concluiu que “a soberba precedeu a queda”, quando governistas imaginaram ter maioria para blindar Lulinha e propuseram a estratégia regimental de votação em bloco de cada um dos requerimentos pelo aprofundamento da investigação dos suspeitos do roubo bilionário aos beneficiários do INSS. E disse que “a verdade começou a vencer a blindagem”, com o resultado anunciado pelo presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), alvo da ira dos governistas que o acusam de contar sete, em vez de 14 votos dos titulares da comissão contra os requerimentos.
O relator disse ter ido dormir, na quarta-feira (25), tendo a certeza que iria votar requerimento a requerimento, e o governo teria a maioria para derrubar todos. Mas Alfredo lembrou que o governo inventou “uma fórmula que nunca tinha inventado”.
“Na soberba: ‘Olha, em vez da gente se desgastar para dizer que estamos protegendo o sistema financeiro […], vamos dar o golpe, regimentalmente falando’. Qual era o golpe? ‘Vamos votar em bloco, rapaz’. […] Aí Deus mais uma vez mostrou que a soberba precede queda”, relatou Alfredo, citando o Banco Master, voos de aeronave, banqueiros e o “túnel de propina” da a Associação Nacional de Aposentados e Pensionistas (ARPAR), como eventuais alvos da blindagem que protegeria Lulinha.
Alfredo disse que teme Deus e não vai fazer “favor de safadeza de ninguém para sujar” seu nome, ao afirmar que a única coisa que a CPMI tem feito é caminhar de acordo com o rastro do dinheiro e das evidências. E lembrou que o roubo de R$ 10 bilhões ainda não tinha resultado em prisões, antes de a comissão avançar nas investigações. “Ou seja, tava um verdadeiro festival, festival da impunidade”, concluiu.
A votação provocou uma briga que interrompeu a sessão deliberativa, com agressão e empurrões. E a bancada governista protocolou junto à Mesa Diretora do Congresso Nacional uma petição solicitando a anulação da votação, apontando fraude na condução da votação simbólica do colegiado. Para os governistas, houve 14 votos contra os requerimentos e havia 21 parlamentares titulares com direito a voto no plenário da comissão, na hora da votação. Carlos Viana nega tal contagem e aponta 31 presentes, o que somaria titulares e suplentes, segundo a base de Lula.
Assista o momento em que Alfredo acusa governistas de soberba e tentar golpe:

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