
Circula a fantasia ingênua de que o ministro do STF André Mendonça restringiu a delegados, agentes e peritos da Polícia Federal o acesso à investigação do caso Banco Master, vetando compartilhamentos com os superiores, para supostamente abrir caminho à “blindagem” de colegas. Servidores experientes do STF acham que o ministro agiu certo: “Se não fizesse isso, o chefe da investigação não seria o relator e sim Lula (PT), por meio do diretor da PF”, diz um deles, há mais de 20 anos na Corte.
Improvável
Ingênuos devem achar possível um magistrado reunir policiais, sem risco de ser denunciado, e ordenar: “Vamos blindar estas pessoas aqui”.
Vingança, não
Além de preservar sua autoridade, Mendonça impede que o caso sirva para vingança pessoal, como sugere o rancor de Lula por Dias Toffoli.
Acesso dá nisso
O relatório sobre o ex-relator foi entregue por ordem de Lula a Edson Fachin, presidente do STF. E o portador não foi o delegado do caso.
Verdadeiro titular
A PF pediu suspeição de Toffoli sem submeter a alegação (e o relatório) ao crivo da PGR. Mas passou pelo crivo de Lula.
Sanderson aciona PGR pela prisão de Lulinha no roubo aos aposentados

O deputado federal Sanderson (PL-RS) protocolou nesta quarta-feira (25), na Procuradoria-Geral da República (PGR), pedido de prisão preventiva do empresário Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula (PT).
O parlamentar fundamenta a solicitação em delações premiadas de ex-dirigentes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), investigados no caso que ficou conhecido como “farra do INSS”, envolvendo supostos descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas.
Segundo o documento, tornaram-se públicos relatos de que os ex-servidores estariam em estágio avançado de colaboração premiada, apontando uma suposta articulação político-empresarial para viabilizar e manter cobranças irregulares sobre benefícios previdenciários.
As informações divulgadas indicariam possível participação de Fábio Luís, inclusive com eventual recebimento de vantagens indevidas ou atuação indireta por meio de intermediários.
Os ex-dirigentes Virgílio Oliveira Filho e André Fidelis, presos desde 13 de novembro, teriam citado o empresário e outros agentes políticos em seus depoimentos. As investigações apuram suspeitas de corrupção no âmbito do INSS, com possível desvio de recursos que podem alcançar cifras bilionárias.
No pedido encaminhado à PGR, Sanderson afirma que, se confirmados, os fatos revelam “gravidade concreta acentuada”, por envolverem recursos descontados de aposentados e pensionistas, grupo considerado especialmente vulnerável.
O deputado sustenta que as condutas podem, em tese, enquadrar-se nos crimes de corrupção passiva (artigo 317 do Código Penal), organização criminosa (Lei nº 12.850/2013) e lavagem de dinheiro (Lei nº 9.613/1998), entre outros.
Fundamentação para prisão preventiva
Com base no artigo 312 do Código de Processo Penal, o parlamentar argumenta que a prisão preventiva pode ser decretada para garantia da ordem pública ou econômica, conveniência da instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que haja prova da existência do crime e indícios suficientes de autoria.
Sanderson também menciona que Fábio Luís realizou viagem ao exterior no período em que vieram à tona as primeiras denúncias relacionadas ao esquema.
Para o deputado, embora o fato não constitua prova de ilícito, poderia indicar risco à aplicação da lei penal e justificar a análise de medidas cautelares. Veja aqui o documento na íntegra.
Oposição projeta eleger ao menos 35 senadores este ano

studos internos do Partido Liberal (PL) de Jair Bolsonaro fazem uma estimativa animadora para a oposição a Lula (PT): a previsão é eleger, de certeza, ao menos 35 senadores, em outubro, considerando duas vagas por unidade da Federação. Estarão em disputa 54 das 81 cadeiras de senador. Apesar disso, o otimismo é ainda maior: além dessas 35 vagas, elegendo dois senadores na maioria dos Estados, o PL projeta a vitória ao menos de um candidato ao Senado em vários outros Estados. A informação é da Coluna Claudio Humberto, do Diário do Poder.
Se a oposição conquistar 35 vagas em outubro, como projeta, encontrará outros 15 senadores de direita cujos mandatos estão na metade.
Em Estados de eleitorado conservadores, como Distrito Federal e Santa Catarina, o PL promete lançar dois candidatos a senador.
No Nordeste, a expectativa é outra: candidatos ligados a Lula têm acentuado favoritismo em diversos Estados.
CPI convida esposa de Moraes e convoca irmãos de Toffoli

A CPI do Crime Organizado aprovou, nesta quarta-feira (25), convocações de dois irmãos do ministro Dias Toffoli e convite à esposa do ministro Alexandre de Moraes. As medidas da comissão de inquérito instalada no Senado tentam ampliar as investigações de suspeitas sobre as atuações dos integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) no caso que apura fraudes bilionárias do Banco Master, de Daniel Vorcaro.
As convocações e os convites miram José Carlos e José Eugênio, irmãos de Toffoli, e a advogada Viviane Barci, esposa de Moraes. Mas a CPI também aprovou as quebras de sigilos de empresas citadas como ligadas a crimes financeiros do Master. Entre as empresas que devem ter expostos dados bancários, fiscais, telefônicos e telemáticos, está a Maridt Participações, que tem Toffoli como sócio; além da Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, foco das suspeitas de abastecer a facção PCC e de inflar o patrimônio do banco de Vorcaro.
A Maridt, de Toffoli, foi citada nas investigações da Polícia Federal como tendo recebido repasse milionário do Master, segundo mensagem encontrada no celular de Vorcaro. Tal pagamento, que seria de R$ 35 milhões, teria favorecido o ministro que atuava como relator da investigação que questionava os motivos da liquidação do Banco Master, pelo Banco Central.
“A CPI do crime organizado aprovou a quebra de sigilo de empresas ligadas ao caso Master, inclusive a Maridt, e convites e convocações de diversas figuras, inclusive a Dra. Viviane Barsi [sic] (convite por ser advogada) e os irmãos Toffoli (convocação)”, comunicou o relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira, em publicação na rede social X.
Convidada neste primeiro momento, Viviane Barci de Moraes pode ser convocada, caso não compareça para explicar quais serviços prestou o prestaria ao Banco Master, por meio do contrato de R$ 129 milhões de seu escritório jurídico com o banco de Daniel Vorcaro.
Eduardo Girão pressiona pela abertura da CPI do Banco Master no Senado

Durante a retomada das atividades presenciais no Senado Federal, ocorrida nesta terça-feira, 24, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) ocupou a tribuna para exigir a instauração imediata da CPI do Banco Master. Além da comissão, o parlamentar cobrou celeridade na análise dos pedidos de impeachment direcionados a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Girão enfatizou que o requerimento para a criação da CPI já possui o apoio de 51 senadores, quantia que ultrapassa a maioria absoluta da Casa, composta por 81 membros. Em seu pronunciamento, o senador declarou que “precisamos dar uma resposta imediata à sociedade e abrir a CPI”, classificando a medida como “inegociável”.
O congressista também levantou suspeitas sobre uma articulação política que envolveria o PL da Dosimetria e a abertura da investigação bancária. De acordo com reportagem da Folha de S.Paulo, lideranças do Legislativo estariam tentando inviabilizar a CPI em troca da votação deste projeto de lei. Girão foi enfático ao rejeitar qualquer composição nesse sentido: “Se tiver, não contem comigo”.
A reportagem indica que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tem evitado convocar a sessão conjunta necessária para a leitura de requerimentos de CPIs e análise de vetos presidenciais.
O centro da polêmica reside no objetivo do PL da Dosimetria, que visa abrandar as punições de indivíduos condenados pelos atos ocorridos em 8 de janeiro. Caso a proposta avance sem restrições, a pena atual do ex-presidente Jair Bolsonaro, situada entre seis e oito anos de regime fechado, poderia sofrer uma redução drástica, caindo para aproximadamente dois anos e quatro meses.
Para que o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja mantido e a proposta barrada, o governo necessita do suporte de 41 senadores e 257 deputados. O cenário, contudo, é desafiador para o Executivo, visto que o texto original foi aprovado com folga em ambas as Casas: 291 votos favoráveis na Câmara e 48 no Senado.
CPI do Crime Organizado pode revelar “caixa preta” de empresa de Toffoli

No programa Última Análise desta quarta-feira (25), o convidados falaram a respeito da quebra de sigilo da empresa Maridt Participações, pela qual o ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), teria recebido pagamentos derivados do Banco Master. Agora, a empresa deverá fornecer informações para a investigação no âmbito da CPI do Crime Organizado e terá sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático quebrados.
A cientista política Júlia Lucy elogiou o trabalho feito pelo Congresso Nacional. “A CPI do Crime Organizado mal começou e já traz uma grande vitória. É a prova de que o Legislativo pode atuar ao lado do povo, sobretudo fiscalizando. E a quebra do sigilo vai revelar muita coisa”, ela celebrou.
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do banco, deverá prestar depoimento, junto com o próprio Toffoli. Foram aprovados convites, ainda, para ouvir o ministro Alexandre de Moraes e sua esposa, Viviane Barci – nesta modalidade, no entanto, os citados não são obrigados a comparecer à comissão.
“Hoje é um dia para comemorar e, ainda que não tenhamos chegado ao final, estamos no caminho dele. Estamos lutando há tanto tempo pelo impeachment dos ministros e nunca estivemos tão perto. Quando abrirmos esta caixa preta da Maridt, vamos descobrir o que Toffoli estava escondendo”, diz o ex-procurador Deltan Dallagnol.
Lulinha envolvido em delação
Segundo reportagem do jornal Metrópoles, há negociação em andamento para uma delação premiada envolvendo dois servidores do INSS: Virgílio Oliveira Filho e André Fidelis. Eles estão presos desde novembro de 2025, investigados pela Operação Sem Desconto, da Polícia Federal. Em troca de diminuição de pena, eles entregariam Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, o filho de Lula, que teria recebido pagamentos ilegais da autarquia.
“Há várias motivações para pessoas consideradas ‘peixe pequeno’ nas investigações se movimentarem para entregar peixes maiores, para que não sobre apenas para elas. E então vira um dominó. Cai o primeiro, o segundo, assimcomo aconteceu na Lava Jato”, diz o escritor Francisco Escorsim.
A defesa de Lulinha emitiu uma nota em que trata como “factoides” as informações sobre o envolvimento dele na farra do INSS. Além disso, afirma que pediu ao Supremo para ter acesso à investigação.
Segundo Dallagnol, é preciso lembrar que delação não é um ponto de chegada, mas de partida. Assim, este acordo poderia abrir caminho para outras investigações. “Qual é a influência que Lulinha tem para fazer parte de um grande esquema de corrupção envolvendo pessoas do INSS, a ponto de receber mesadas milionárias? Isso arrasta o governo Lula para um grande escândalo”, ele explica.
O programa Última Análise faz parte do conteúdo jornalístico ao vivo da Gazeta do Povo, no YouTube. O horário de exibição é das 19h às 20h30, de segunda a sexta-feira. A proposta é discutir de forma racional, aprofundada e respeitosa alguns dos temas desafiadores para os rumos do país.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/cpi-tem-a-chance-de-revelar-caixa-preta-de-empresa-de-toffoli/

A porta giratória da Rouanet: empresa capta dinheiro e contrata ministra cantora

O Ministério Público encaminhou ao Tribunal de Contas da União um pedido de investigação sobre a ministra da Cultura, Margareth Menezes. Ela também é cantora, participou de um bloco e, segundo o MP, recebeu R$ 290 mil de cachê, junto com sua equipe. A empresa dona do bloco, chamada Pau Viola Cultura e Entretenimento, só na gestão de Margareth Menezes, teve oito projetos com captação de recursos autorizada pela Lei Rouanet. O MP diz que isso é um escândalo, porque a ministra abre a porta para a Lei Rouanet e depois recebe cachê como cantora.
CPI do Crime Organizado está fazendo seu trabalho ao convocar Vorcaro e irmãos de Toffoli
A lista de convidados e convocados para a CPI do Crime Organizado só aumenta: Daniel Vorcaro, os diretores do Banco Master, os irmãos do ministro Dias Toffoli que são sócios dele na Maridt (esse “dt” no fim é de “Dias Toffoli”) – a empresa também teve o sigilo quebrado. A CPI também aprovou convite ao casal Moraes, para eles contarem o que todos querem saber: como é, afinal, esse contrato? Como disse o senador Eduardo Girão, há 129 milhões de razões para Davi Alcolumbre parar de segurar requerimentos de impeachment de ministros do Supremo.
Com assassinos de Marielle condenados, o que vai acontecer com quem tentou implicar Bolsonaro?
O Supremo condenou os irmãos Brazão, Chiquinho e Domingos, a 56 anos pelo assassinato da vereadora Marielle Franco. Acho muito estranho haver processo criminal no STF; a última instância de processos criminais tinha de ser o Superior Tribunal de Justiça; o Supremo é uma corte constitucional, mas anda se metendo em tudo, julgando até quem nem tem foro privilegiado. Eu fico pensando: não acontecerá nada com aqueles que noticiaram, insinuaram participação da família Bolsonaro no crime? Não haverá nenhum processo por danos morais, nenhuma indenização? Denunciar alguém, insinuar ou noticiar como suspeito de homicídio sem ter indícios ou provas é gravíssimo. Mas, com essa condenação, vemos que esse assassinato é o tipo de coisas que acontecem no Rio de Janeiro, como todos sabem.
Os escândalos no Judiciário estão cada vez mais escabrosos
Foi um escândalo o que aconteceu no Tribunal de Justiça de Minas Gerais: apesar do voto contrário da única juíza mulher da 9ª Câmara Criminal Especializada, liberaram um sujeito de 35 anos que vivia com uma menina de 12 anos, alegando que havia união afetiva; absolveram também a mãe da adolescente, que consentia com tudo isso. A revolta foi nacional, graças ao mundo digital, às redes sociais – do contrário isso ficaria só no boca a boca, ou na base da carta e do telegrama. O Ministério Público recorreu e o relator, Magid Láuar, mudou de ideia e mandou prender tanto o homem de 35 anos quanto a mãe da menina de 12.
Será que Láuar acha que assim vai calar as bocas que se abriram, depois daquele voto de solidariedade com um homem de 35 anos que estava com uma menina de 12 anos, isso apesar de a lei não abrir nenhuma exceção para casos de relação sexual com menor de 14 anos? Difícil, porque um primo do desembargador, hoje adulto, veio a público dizer que, quando tinha 14 anos, sofreu uma tentativa de abuso por parte do magistrado. Apareceu mais uma denúncia, e o escândalo está crescendo. O Ministério Público precisa reagir porque ele é o titular da ação penal e pode tomar iniciativa. O Conselho Nacional de Justiça também está em cima disso. Juiz tem de estar acima de qualquer suspeita; quanto mais sobe no Judiciário, virando desembargador, e depois ministro, maior a responsabilidade.
E temos visto um caso atrás do outro. Houve o do ministro do STJ investigado por importunação sexual a uma moça de 18 anos em Balneário Camboriú; uma funcionária do próprio tribunal também apresentou denúncia. Isso sem falar dos outros crimes que vemos, como naquele caso do Mato Grosso em que havia um mercado de sentenças, compra e venda. O Judiciário tem de se lavar – e não pode ser apenas lavagem de roupa suja lá dentro, como já aconteceu e todos viram nesses últimos tempos.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/lei-rouanet-margareth-menezes-bloco/

O desespero dos ministros do Supremo comprovado

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu, nesta segunda-feira (23), o pagamento de verbas indenizatórias — os chamados “penduricalhos” — para membros do Poder Judiciário e do Ministério Público. Manifestou “perplexidade” com a “desordem” nas remunerações dos servidores públicos. Falou em moral, ética e responsabilidade institucional.
Depois de décadas sem fazer nada, justamente agora decide cortar penduricalhos em todo o Judiciário e no serviço público para passar a imagem de “moralização”
Gilmar Mendes, de repente, virou moralizador do Judiciário brasileiro. O paradigma da ética. Só que não. O que está acontecendo, na verdade, é um ato de desespero que combina diversionismo com hipocrisia. Os ministros do STF sabem que sua imagem está sendo destruída e buscam desviar o foco para algo que lhes permita recuperar ou reconstruir parte da credibilidade.
Contudo, o buraco é fundo: Alexandre de Moraes aparece ligado a um contrato de R$ 129 milhões da esposa com o Banco Master. Dias Toffoli teve mais de dez encontros com Daniel Vorcaro e é suspeito de corrupção passiva, com repasses que teriam chegado a R$ 35 milhões de Vorcaro para o resort Tayayá. A CPMI do INSS já tem acesso aos dados sigilosos de Vorcaro, e André Mendonça liberou a Polícia Federal (PF) para trabalhar sem amarras. Tudo depois de anos de abusos em inquéritos sem fim, que seguem sendo usados para calar críticos.
O que o Supremo está fazendo agora não é nada mais, nada menos do que uma cortina de fumaça. Depois de décadas sem fazer nada, justamente agora decide cortar penduricalhos em todo o Judiciário e no serviço público para passar a imagem de “moralização”, sem enfrentar a necessidade de moralização da própria Suprema Corte do Brasil.
Não estamos discutindo que as regras constitucionais sobre subsídio devem ser respeitadas, cortando os penduricalhos de um subsídio que deve ter seu valor preservado, para respeitar a regra constitucional da irredutibilidade e evitar pressões por “gambiarras” salariais. Tudo isso é respeitar a Constituição que o Supremo rasga há anos.
Mas o meu ponto aqui é outro: tudo isso sobre “moralização” agora não passa de um jogo de cena. Ninguém precisa mais de moralização do que Gilmar, Moraes, Toffoli e sua turma. Os ministros continuam sem transparência, sem dar respostas e com suas esposas e familiares faturando milhões de reais todos os anos.
A decisão de cortar penduricalhos é a estratégia perfeita: os ministros sacrificam juízes, servidores e procuradores do Brasil inteiro para limpar a imagem deles mesmos, que está mais suja do que pau de galinheiro. E o melhor de tudo, do ponto de vista deles: sem nenhum sacrifício real para si mesmos. Parodiando o ditado popular, “moralização nos olhos dos outros é refresco”.
Sem falar que o corte de penduricalhos, para o STF, é fácil: a maior parte da renda das famílias dos ministros não vem de salário. Vem dos escritórios de advocacia das esposas, dos parentes, dos filhos. Cortar penduricalho de salário não atinge onde realmente dói. A esposa de Moraes, por exemplo, esse prodígio da advocacia, tem o já mencionado contrato de R$ 129 milhões com o Master — e sabe-se lá quantos outros. Os R$ 3,6 milhões mensais do contrato de Viviane Moraes equivalem a milhares de penduricalhos juntos. Vai cortar esse também, Gilmar?
Toffoli, segundo a PF, pode ter recebido propina por meio da Maridt, empresa da família. Isso não é penduricalho de salário. É um suposto esquema de corrupção que precisa ser investigado a fundo e comprovado pela PF. Gilmar vai moralizar isso? Vai cortar esse penduricalho, ou a cruzada moral não vale para o que se suspeita ser propina? Propina pode, penduricalho não. Que moralização é essa?
Observem o timing da decisão: justo agora que as investigações do Master estão avançando. Justo agora que a CPMI prepara a convocação de Moraes e Toffoli. Justo agora que André Mendonça deixou a PF trabalhar. Coincidência? Não existe coincidência em Brasília.
O que existe é apenas estratégia e falta de vergonha na cara. Querem plantar a narrativa de que o STF está se “moralizando”, que os ministros estão combatendo privilégios, dando exemplo — tudo para que, quando as acusações do Master vierem à tona, possam dizer: “Mas olhem, estamos moralizando o Judiciário”.
Moralização de verdade seria investigar os R$ 129 milhões da esposa de Moraes. Seria explicar os encontros de Toffoli com Vorcaro. Seria esclarecer o esquema da Maridt. Mas isso eles não fazem, porque aí dói de verdade, atinge onde importa e revela a podridão. Jesus diria: “raça de víboras”, “sepulcro caiado”.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/deltan-dallagnol/o-desespero-dos-ministros-do-supremo-comprovado/
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