
O Supremo Tribunal Federal (STF) informou no início da noite desta quinta-feira (12) a decisão do ministro Dias Toffoli de abandonar a relatoria do caso Banco Master, após o escândalo provocado pelas revelações de sua ligação ao principal investigado, banqueiro Daniel Vorcaro, incluindo a venda de sua participação no resorte de luxo Tayayá, no Paraná. Com sua saída, assumirá a relatoria o ministro André Mendonça, com informamos durante comentário para a TV BandNews, no jornal apresentado por Paula Valdez, às 15h30. Ele é o “juiz prevento” do caso, mas o STF divulgou que a escolha se deu por sorteio.
A saída de Toffoli ocorreu após reunião dos ministros do STF convocada pelo seu presidente, Edson Fachin, que considerava inclusive a possibilidade de assumir o encargo de afastá-lo da relatoria. Em nota, o STF informou que o ministro pediu que o tema fosse redistribuído para outro ministro relatar, “considerados os altos interesses institucionais”.
O nome do ministro André Mendonça passou a ser considerado por “prevenção”, pela relação dos investigados a outro escândalo, o do roubo a aposentados e pensionistas, por meio de mais de 252 mil contratos de empréstimos consignados não autorizados pelos segurados.
A nota diz ainda que “não ser caso de cabimento para a arguição de suspeição”, que reconhecem “a plena validade dos atos praticados pelo ministro Dias Toffoli” e que expressam “apoio pessoal ao Exmo. Min. Dias Toffoli, respeitando a dignidade de Sua Excelência, bem como a inexistência de suspeição ou de impedimento”.
De olho em mais uma vaga, Lula quer Toffoli fora do STF

Assessores palacianos passaram a tarde desta quinta-feira (12) abordando jornalistas com a informação de que Lula (PT) considerava “inviável” que o ministro Dias Toffoli continuasse à frente da relatoria do caso Banco Master e até mesmo que permaneça integrando a mais alta Corte do País.
O que os assessores petista não contam é que Lula vê no episódio das relações até comerciais de Toffoli com o banqueiro Daniel Vorcaro a chance de abrir mais uma vaga no STF, permitindo-lhe “pacificar” as relações com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que não deixa prosperar a indicação de Jorge Messias, advogado-geral da União, para o lugar do ministro Luis Roberto Barroso, que se aposentou.
Desde cedo circula a informação, divulgada primeiro pelo jornalista Cláudio Dantas, de que Lula teria liberado Alcolumbre a instaurar um inédito processo de impeachment de Toffoli, assumindo o compromisso de finalmente indicar para a nova vaga o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), como quer o presidente do Senado.
Além de resolver o impasse que paralisa a indicação de Messias, Lula também promoveria um “acerto de contas” com Toffoli. em razão de suas decisões nos escândalos do Mensalão e do Petrolão, francamente favoráveis à punição dos corruptos envolvidos. Lula não perdoa também o fato de Toffoli haver negado a ele autorização para comparecer ao sepultamento de um irmão, enquanto cumpria pena, em regime fechado, por corrupção e lavagem de dinheiro.
Mendonça ‘herda’ relatoria e acumula com o caso INSS

Com o afastamento aparentemente voluntário do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso do Banco Master no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF), seu substituto mais óbvio foi confirmado: o ministro André Mendonça. O STF divulgou que a escolha foi produto de sorteio, mas a verdade é que Mendonça recebeu a relatoria por “prevenção”. Ele é o relator do caso do roubo a aposentados e pensionistas do INSS, que se conecta com o inquérito que apura a suspeita de que o banco de Daniel Vorcaro teria fraudado empréstimos consignados também não autorizados pelos segurados.
Lulistas contra
De acordo com a lei e o regimento, André Mendonça seria “juiz prevento” do caso, mas a bancada de Lula no STF resistia à possibilidade.
Ele quer ficar
Toffoli disse em princípio do presidente do STF, Edson Fachin, que não haveria motivo para se afastar da relatoria, alegando que nada fez de errado. Mas cedeu à pressão dos colegas e entregou os pontos.
Antes o Toffoli
Para fontes do STF ligadas à discussão interna, a chance de o caso “sobrar” para André Mendonça foi usada como forma de tentar manter Toffoli na posição. Mas a situação do ex-relator era insustentável.
Sob controle
Lula agora estimula o impeachment de Toffoli para ganhar mais uma vaga no STF, mas seria ainda mais importante manter um ministro amigo na relatoria do caso Master.

Feliz com Toffoli, Vorcaro nem tentou 1ª instância
Nenhum dos advogados de defesa que atuam no caso do Banco Master pediu a retirada da ação do âmbito do Supremo Tribunal Federal. O retorno à primeira instância da Justiça poderia ser requisitado pelos representantes dos acusados, como o dono do Master, Daniel Vorcaro, mas até o agora ninguém o fez. O caso foi remetido ao STF por ordem do ministro Dias Toffoli pelo suposto envolvimento de um deputado.
Com foro
O deputado federal João Carlos Bacelar (PL -BA) seria citado em um dos documentos apreendidos pela PF.
Interrompido
O jornal O Estado de S.Paulo informou que Bacelar negociava um imóvel com Vorcaro quando a Operação Compliance Zero suspendeu tudo.
Irrelevância
Até agora, nem a Polícia Federal, nem o Ministério Público apontaram qual seria o envolvimento do deputado federal na fraude no Master.
Ética, eis a questão
Se o ministro for mesmo afastado do caso Master, restará ainda outra questão ética: Dias Toffoli atuará como julgador, como Alexandre de Moraes, que não alegou suspeição nem mesmo figurando como vítima?
A vida como ela é
Mestre em direito penal, Acácio Miranda disse a Vitor Brown, na TV BandNews, que nem o legislador foi tão criativo para imaginar a situação na prática, com o risco de anulação de todos os atos decisórios do Dias Toffoli no caso Banco Master, ainda que o processo seja preservado.
Massacre, não
O ex-senador Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM) avalia como “exagero e mesquinharia” a possível cassação de patente de Jair Bolsonaro pelo Superior Tribunal Militar. “Justiça é uma coisa e massacre é outra”, diz.
Vermelhíssimo
Hamilton Mourão (Rep-RS) avalia as contas do governo Lula, até agora: “Lula entregou o terceiro resultado primário negativo do atual mandato. São R$ 368,6 bilhões de déficits primários acumulados em três anos”.
Frase do dia
A situação do Toffoli é tão delicada que não surpreenderia se ele contratasse a mulher do Moraes
André Marsiglia, jurista, na melhor frase do dia sobre o “Caso Toffoli” no STF
‘Mesversário’ nebuloso
A divulgação de despesas do governo Lula (PT) com viagens está parada desde 16 de janeiro. Nos primeiros dias de 2026 foram torrados R$1,23 milhão. De lá para cá, a Transparência deixou de divulgar dados.
PSB vs. PT
No Ceará, o PT briga com o PSB. Aliados na esfera federal, lutam por vagas da bancada federal. Até suplentes trocam o PSB de Cid Gomes pelo PT do governador Elmano de Freitas e do ministro Camilo Santana.
Mudança para depois
Apesar da movimentação política em 2025 por novas vagas na Câmara dos Deputados, na eleição de 2026 serão disputadas as 513 cadeiras de sempre. O aumento para 531 vagas ficou para 2030.
Sem aliados não dá
Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos) expôs a fragilidade de Lula (PT) no Senado Federal após afirmar que que o petista o incentiva a concorrer a senador por Pernambuco, mas, lembrou: “precisa ter aliados”.
Pensando bem…
…curioso o interesse só por um dos ministros envolvidos com o banco.
Quebrado, Correios aplica calote geral de R$3,7 bilhões

Abalados por um fluxo de caixa negativo e quedas sucessivas em suas receitas, os Correios deixaram de honrar o pagamento de R$ 3,7 bilhões referentes a impostos, faturas de fornecedores e compromissos com fundos assistenciais de seus colaboradores. A estratégia de postergar os desembolsos foi estabelecida formalmente em junho, por meio de um Comitê Executivo de Contingência ligado diretamente à presidência da estatal, visando enfrentar o cenário de crise econômica.
A gravidade do desequilíbrio financeiro é detalhada em relatórios internos da empresa. Entre janeiro e setembro de 2025, a arrecadação da companhia somou R$ 16,9 bilhões, montante insuficiente para cobrir os R$ 20,6 bilhões em obrigações totais do período. Segundo a administração da estatal, caso todas as contas tivessem sido liquidadas dentro do cronograma original, o prejuízo operacional teria alcançado R$ 2,7 bilhões.
O detalhamento do passivo acumulado revela as áreas mais afetadas pelos adiamentos:
- INSS patronal: R$ 1,44 bilhão
- Fornecedores: R$ 732 milhões
- Postal Saúde: R$ 545 milhões
- PIS/Cofins: R$ 457 milhões
- Remessa Conforme: R$ 346 milhões
- Postalis: R$ 135 milhões
A situação se deteriorou rapidamente no segundo semestre. Em julho, o montante em aberto era de R$ 2,7 bilhões, o que indica um crescimento de aproximadamente R$ 1 bilhão em dívidas nos meses seguintes. Nesse intervalo de pouco mais de 90 dias, o débito com a Previdência Social quase duplicou, enquanto a inadimplência de tributos federais mais que dobrou.
A diretoria dos Correios atribui parte desse cenário a passivos herdados de 2024 e entraves para captar recursos no encerramento do último ano. Embora o terceiro trimestre tenha registrado um prejuízo de R$ 6 bilhões, a cúpula financeira da instituição trabalha com uma projeção de perda contábil consolidada de R$ 5,8 bilhões para o fechamento de 2025.
FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/quebrado-correios-aplica-calote-geral-de-r37-bilhoes
Comedouro inaugurado por Randolfe virou viveiro de larvas

Após ter sido ridicularizado nas redes sociais por haver inaugurado um “comedouro” para animais de rua de em Santana, no Amapá, o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) agora está sendo criticado após o local ter sido tomado poucos dias depois pela imundície, coberto de larvas, como mostrou reportagem de uma emissora de TV local.
Inaugurado com pompa e até discurso, o comedouro (canos de PVC, potes plásticos de ração e uma pequena cobertura) foi apresentado pelo parlamentar em vídeo divulgado nas redes sociais como um gesto de cuidado com os animais, mas encorado como mera demagogia, até porque o local só serviu para o político posar para fotos e imagens.
A estrutura teve direito até a placa com o nome do senador e foi batizada de “Espaço Orelha”, referência a um cão que sofreu violência em Santa Catarina no início do ano.
Durante a gravação da reportagem, nenhum cachorro ou gato se aproximou do tal comedouro imundo. A única presença registrada foi a de um pombo, considerado por muitos, “rato de asas”, que circulou rapidamente.
Nas redes sociais, imagens do comedouro ganharam repercussão e foram alvo de memes ridicularizando a atitude demagógica, muitos lembrando que o parlamentar deveria usar sua posição para a criação e manutenção de hospital veterinário público.
A hora da verdade para o Brasil: Toffoli tem de sair

O conteúdo de um relatório de centenas de páginas entregue pela Polícia Federal ao presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, apontando ligações entre o ministro Dias Toffoli e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, coloca o Brasil e, especialmente, suas instituições diante de uma encruzilhada – que também é uma oportunidade. O país terá de escolher: ou começa a reverter sua trajetória atual de hipertrofia do Judiciário, ou aprofunda sua descida em direção à anomia.
Dias Toffoli, recorde-se, jamais deveria ter assumido a relatoria do escândalo do Banco Master no STF. Em 29 de novembro de 2025, dia seguinte ao sorteio, o ministro do STF havia pego uma carona de jatinho com o advogado de um dos sócios do banqueiro Daniel Vorcaro rumo ao Peru, onde ambos assistiriam à final da Libertadores. Por mais que naquele momento essa informação ainda não tivesse chegado ao público, Toffoli sabia, e isso bastaria para qualquer juiz que tivesse um mínimo de decência se afastar do caso. Mas não: Toffoli “matou no peito” e no início de dezembro, quando o mesmo advogado que viajou com o ministro apresentou um recurso no STF em nome de seu cliente, Toffoli colocou todo o caso em sigilo e puxou as investigações para o Supremo, alegando haver negociações entre Vorcaro e um deputado federal – negociações essas que não tinham relação com o Master e nem chegaram a ser concretizadas.
Toffoli não está apenas desqualificado para ser relator do caso do Banco Master: ele perdeu a legitimidade moral até mesmo para manter a cadeira de ministro do STF
Pois Toffoli não se afastou quando o Brasil soube da carona aérea, e tampouco o fez quando a imprensa revelou a sociedade, na posse de um resort paranaense, entre os irmãos do ministro, o cunhado de Vorcaro e fundos de investimento que integravam a rede usada pelo banqueiro para cometer suas fraudes. Pelo contrário, seguiu dobrando a aposta, dando ordens cada vez mais escandalosas: uma acareação sem previsão legal, já que seria feita antes mesmo dos depoimentos; e uma tentativa (parcialmente frustrada) de manter no Supremo, sem acesso a mais ninguém, todas as provas apreendidas em uma nova fase da Operação Compliance Zero.
As últimas horas trouxeram novas provas de que Toffoli é totalmente desqualificado para atuar no caso Master – nem como julgador, e muito menos como relator. O relatório elaborado pela PF, com base nos conteúdos do celular de Vorcaro, aponta ligações telefônicas entre Toffoli e o banqueiro. O que eles conversaram nestes telefonemas é desconhecido, mas os policiais também encontraram um convite de Toffoli a Vorcaro para uma festa de aniversário, e conversas entre o banqueiro e outras pessoas sobre o resort Tayayá, incluindo menções a pagamentos. Só depois dessa informação o gabinete do ministro se manifestou, confirmando o que já se suspeitava, até porque a imprensa já relatava que funcionários do Tayayá tratavam Toffoli como proprietário: o ministro de fato é sócio dos seus irmãos da empresa Maridt e recebeu dividendos da sociedade familiar.
O gabinete até citou a Lei Orgânica da Magistratura para argumentar que, como Toffoli não atua na gestão da Maridt, não haveria nenhum problema legal. Como se a questão fosse apenas essa. Toffoli tem debochado do Brasil desde o início do caso Master, e seu empenho em esconder sua participação na sociedade com os irmãos até não ser mais possível escapar da verdade mostra que, mesmo que Toffoli esteja caminhando no limite da legalidade (o que ainda assim é questionável), a moralidade já foi para o lixo há muito tempo.
Diante da informação inicial de que a Polícia Federal teria pedido a suspeição de Toffoli, o gabinete do ministro se lembrou imediatamente de que existem códigos processuais no Brasil, códigos esses que o STF tem ignorado dia sim, dia também, quando se trata de perseguir seus críticos. “Juridicamente, a instituição [PF] não tem legitimidade para o pedido, por não ser parte no processo, nos termos do artigo 145, do Código de Processo Civil”, informou a nota oficial do gabinete. De qualquer forma, a bola agora está com o presidente da corte, Edson Fachin. Ele já havia decepcionado quando, no fim de janeiro, defendeu Toffoli ao afirmar, em nota, que seu colega estava “atuando na regular supervisão judicial” e que as críticas eram uma tentativa de “desmoralizar o STF para corroer sua autoridade”.
Mudanças de relatoria têm sido incomuns – recentemente, por exemplo, Luís Roberto Barroso rejeitou pedidos de suspeição e impedimento de Alexandre de Moraes no caso do suposto golpe, apesar de o ministro figurar como vítima da suposta trama. Mas era hora de mudar essa escrita. Por tudo o que fez na condução do caso, por todas as suas relações, pelo que tentou manter escondido do Brasil, Toffoli não tinha a menor condição moral – e, muito provavelmente, também legal – de se manter na relatoria das investigações do Master no STF. Caberia a Fachin decidir se tem mesmo compromisso com a ética na atuação dos membros da corte, ou se preferirá ser arrastado com Toffoli para o fundo do poço em nome de um coleguismo irracional. No entanto, o presidente do Supremo acabou poupado desta escolha na noite desta quinta-feira, quando Toffoli decidiu deixar a relatoria, permitindo que o caso Master seja novamente sorteado para outro ministro.
Jogar toda a carga nas costas de Fachin, no entanto, seria uma injustiça; o máximo que ele poderia fazer seria trocar o relator do caso Master, mas Toffoli não está apenas desqualificado para esta relatoria: ele perdeu a legitimidade moral até mesmo para manter a cadeira de ministro do STF, para a qual foi apontado por Lula em 2009. E isso depende de outros atores políticos e institucionais.
O STF não se tornou o superpoder do país sozinho: contou com o apoio de formadores de opinião e instituições da sociedade civil, e com a omissão de parlamentares
O Toffoli que fazia o que bem entendia na relatoria do caso Master, o Alexandre de Moraes que transforma a censura prévia em hábito, o Gilmar Mendes e o Flávio Dino que perseguem quem lhes faça críticas e até mesmo piadas, são todos manifestações do mesmo problema: o Judiciário se tornou o superpoder do país. Mas o STF não chegou a esse ponto forçando a barra sozinho, contra tudo e contra todos, pelo contrário: contou com o apoio de formadores de opinião e de instituições da sociedade civil, e com a omissão de parlamentares que poderiam e deveriam ter exercido o contrapeso aos abusos supremos enquanto eles ainda estavam no nascedouro. Esta é a hora da verdade para eles, bem mais que para Edson Fachin.
Não há mais desculpas para recusar a abertura de um processo de impeachment contra Toffoli no Senado, assim que os requerimentos começarem a chegar; nem para a instalação das CPIs do Banco Master – seja uma CPMI, sejam duas comissões separadas, uma na Câmara e uma no Senado. Não há mais desculpas para a opinião pública e as instituições da sociedade civil continuarem a proteger o Supremo, omitindo-se ou fazendo críticas insossas que até apontam os absurdos de Toffoli, mas continuam a exaltar o papel da corte em uma suposta “defesa da democracia” que o mundo real desmente. Se trocarmos o fiapo de institucionalidade que ainda temos pela ausência total de regras, substituídas pela vontade bruta de ministros do STF, a responsabilidade de Hugo Motta, Davi Alcolumbre, entidades e formadores de opinião será maior que a do presidente do Supremo.
Atualização
O editorial foi atualizado com a informação de que Toffoli deixou por conta própria a relatoria do caso Master, na noite de quinta-feira. O áudio deste editorial foi gravado antes de o fato vir a público, e reflete a versão original do texto.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/dias-toffoli-banco-master-daniel-vorcaro-impeachment/

Toffoli entregou os anéis para ficar com os dedos

Alexandre de Moraes deve estar se sentindo aliviado, porque a artilharia da mídia está toda mirando em Dias Toffoli. Mas, a cada vez que se fala de Toffoli e Banco Master, há duas grandes provas, impossíveis de esconder, majestosas, gigantescas. A primeira pega Toffoli: é o resort Tayayá; mas a segunda é o contrato de R$ 129 milhões, ou R$ 3,6 milhões por mês – coisa de Livro Guinness dos Recordes –, com o escritório da mulher de Moraes. Enfim, no Supremo a ideia é entregar os anéis para conservar os dedos. Toffoli deixou a relatoria, mas basta? Não; depois dessa ação toda que estamos vendo, tem advocacia administrativa, tem mentira, tem prevaricação, tem omissão, tem promiscuidade, tem falta de ética. Falam tanto em código de ética, mas não deveriam precisar de código, porque ética é algo que temos de trazer do berço.
Estão divulgando que o patrimônio imobiliário de Toffoli e da sua família em Brasília é de R$ 26 milhões. E tem mais: a empresa de Toffoli e dos irmãos teria recebido R$ 20 milhões. Toffoli diz que não tem nada a ver com isso, que só tem participação societária. Aí entendemos o motivo. Estão lá os dois irmãos em algum cargo, mais um primo, e Toffoli sem cargo, porque fizeram uma sociedade anônima, fechada, que ele diz ser uma empresa familiar. Fizeram uma estrutura jurídica para ele não aparecer. Mas, na verdade, ele é como se fosse o Conselho de Segurança da ONU: tem o poder de veto, o poder de aprovar ou não a venda do resort para o cunhado de Vorcaro e depois para o advogado da J&F, a empresa cuja multa de R$ 10 bilhões na Lava Jato Toffoli perdoou.
Aposentadoria de Toffoli só seria boa para ele; certo seria o impeachment
Lula já recebeu informações do diretor da Polícia Federal sobre as descobertas, e está achando que Toffoli tem de se aposentar. Seria mais uma vaga no Supremo, e ao menos ele poderia nomear Rodrigo Pacheco, para o senador não dar vexame, querer ser candidato em Minas Gerais com apoio de Lula, e levar uma goleada. E Davi Alcolumbre também ficaria satisfeito – isso se não descobrirem mais nada, porque no Amapá, quando a polícia chegou para pegar Jocildo Lemos, que tinha sido tesoureiro de campanha do Alcolumbre e era presidente da Amapá Previdência, os policiais descobriram que ele já tinha sido avisado. Bateram na casa dele às 6 da manhã e ele não estava, tinha ido para a academia. Quando voltou, os policiais pediram o celular e ele entregou um aparelho novo, dizendo que tinha entregue o antigo para um amigo.
(Aliás, interessante o nome dessa turma. Além do Jocildo, tem o Deivis, presidente da previdência do Rio de Janeiro. Será que é preciso ter esses nomes para ser presidente de previdência estadual?)
Enfim, está tudo tão cristalino que Lula até está com a razão, aposentar ainda é o melhor – melhor para Toffoli, claro, porque o melhor para a consciência da nação, para a vergonha da nação, se é que a nação tem vergonha, seria um impeachment no Senado. O Senado pode investigar e julgar; se não achar provas, paciência. Mas imaginem o quanto Toffoli iria interferir. Na Polícia Federal, há queixas de que ele sempre interferiu; pedia buscas e apreensões para ficar com ele; botou sigilo em cima de tudo; na manhã de quinta, quando ainda era relator, ainda teve a desfaçatez de determinar à PF que entregasse ao STF os dados do celular de Vorcaro.
As movimentações estranhas de Renan Calheiros no caso Master
Interferir parece ser a intenção também do senador Renan Calheiros, presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. Em vez de pressionar Davi Alcolumbre para abrir a CPMI e investigar o caso, que depois poderia resultar em um processo de impeachment, Calheiros foi atrás de Fachin, pedir que o STF compartilhasse com a CAE o que foi descoberto. Como assim? Ele quer saber quem são os envolvidos? De quem estão chegando perto? Ou quer manter o controle da investigação, e uma CPI escaparia ao controle? Que estranho, não? Mas o povo não é bobo.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/toffoli-banco-master-relatoria/
Mensagens do caso Master levam CPI a mirar Toffoli e Moraes

As mensagens que apontam para supostos pagamentos feitos pelo ex-CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro, ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli alteraram o foco da CPI do Crime Organizado no Senado. Diante das revelações, o colegiado incluiu na pauta, na noite desta quinta-feira, 12, uma série de requerimentos para a investigação de pessoas próximas ao magistrado e ao ministro Alexandre de Moraes.
A agenda prevista para o dia 25 de fevereiro contempla a análise de 47 pedidos. Entre eles, estão convites para que Moraes compareça à comissão, além de solicitações que envolvem Toffoli e seus familiares. A CPI pretende ouvir os irmãos do ministro, José Eugênio Dias Toffoli e José Carlos Dias Toffoli. Também constam na pauta o convite e a convocação da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher de Moraes. Viviane firmou contrato de R$ 129 milhões com o banco.
Pressão política resgata CPI
A inclusão desses requerimentos ocorreu depois da divulgação das mensagens. Até o dia anterior, o presidente da CPI, o senador Fabiano Contarato (PT/ES), não havia tratado com os demais integrantes sobre a possibilidade de convocar ministros do Supremo nem dizia que adotaria medidas nesse sentido.
A pauta também alcança nomes ligados ao governo federal. Estão previstos pedidos de convocação de Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Master e apontado como próximo do ministro da Casa Civil, Rui Costa, e do líder do governo no Senado, Jaques Wagner. Há ainda requerimento para convidar o próprio Rui Costa a prestar esclarecimentos.
Outro nome que pode ser chamado a depor é o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, contratado como consultor pelo Banco Master. Além disso, a comissão deve avaliar a convocação do próprio Vorcaro e de Fabiano Zettel, cunhado do ex-executivo, que aparece nas mensagens ao discutir pagamentos atribuídos ao caso.
FONTE: REVISTA OESTE https://revistaoeste.com/politica/mensagens-do-caso-master-levam-cpi-a-mirar-toffoli-e-moraes/?utm_source=taboola&utm_medium=personalized-push
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