
O deputado federal Alfredo Gaspar (União-AL), que atua como relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, manifestou a necessidade de estender o prazo das investigações, atualmente previsto para encerrar em 28 de março. O parlamentar defendeu que o país demanda respostas efetivas contra atos ilícitos e afirmou que “o Brasil não aguenta mais tanta corrupção”. Segundo ele, o aprofundamento dos trabalhos é vital para esclarecer a dimensão de supostos desvios.
No entendimento de Gaspar, a sociedade possui o direito democrático de identificar os responsáveis e compreender a extensão dos danos ao erário. “Em um país democrático, a população tem o direito de saber quem são os envolvidos e o tamanho do roubo”, declarou o deputado ao ser questionado sobre a convocação de indivíduos com conexões no governo federal.
Ele criticou a postura de parlamentares que estariam obstruindo o avanço de depoimentos, como os de Frei Chico e Lulinha, irmão e filho do presidente da República, respectivamente. Para o relator, “é uma vergonha para mim que tenham parlamentares que sigam cegamente a ordem de blindagem”.
Apesar dos obstáculos políticos, o colegiado já reuniu o volume de assinaturas necessárias para garantir a continuidade da CPMI. O senador Carlos Viana (Podemos-MG), que colaborou ativamente na coleta das adesões, reforçou que o encerramento prematuro das atividades seria inaceitável antes da devida apuração de todas as responsabilidades.
Gaspar, entretanto, alertou para a “gigantesca” pressão que deve recair sobre o comando do Senado para impedir a prorrogação, questionando se haverá interesse real por parte daqueles que possuem algum tipo de envolvimento nas questões apuradas.
Um dos focos centrais da nova fase da investigação é o acesso aos dados financeiros de Daniel Vorcaro, banqueiro sob investigação no caso que envolve o Banco Master. O relator fez um apelo público para que a comissão possa analisar tais informações, consideradas essenciais para a conclusão dos trabalhos. O deputado espera “que a CPMI tenha o direito de analisar esses dados. Só analisando esses dados nós iremos saber se há ou não algo de importante para a continuidade e conclusão dos nossos trabalhos”.
Lula vai enrolar para vetar ‘marajás’ criados na Câmara

O governo vai cozinhar no Ministério da Gestão e Inovação, sob comando de Esther Dweck, a análise do dispositivo que autoriza pagamentos acima do teto constitucional para servidores da Câmara e do Senado. Para descolar o governo da indecorosa benesse, Randolfe Rodrigues (PT-AP), foi escalado para trombetear possível veto ao projeto e negar acordo. Participantes do encontro contaram à coluna que a votação foi toda definida em reunião de líderes da Câmara.
Rápido como quem rouba
Na reunião, foi definido que o texto teria tramitação vapt-vupt, em um dia, regime urgência (furando a fila). Em duas horas, estava tudo aprovado.
Passou a boiada
Levantou-se, na trama dos líderes, que o número de beneficiados estaria entre 70 e 80 servidores, mas isso é falso.
Toma lá, dá cá
O próprio ministério de Dweck, que agora supostamente fará a tal análise do veto, foi beneficiada pelo projeto: ganhou 1.500 cargos.
Ranking criminoso
Levantamento do Partido Novo, que votou contra a proposta, indica que os supersalários no Brasil são 21 vezes maiores que na Argentina.
No Brasil não existe lei nem Justiça, diz irmão de Lewandowski

O economista Luciano Lewandowski, irmão do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Ricardo Lewandowski, publicou um desabafo em seu perfil no LinkedIn, afirmando que “no Brasil não existe lei nem justiça” atualmente, ao se referir ao caso do Banco Master. O desabafo foi publicado há cerca de um mês, quando o irmão ainda era ministro do governo Lula, em resposta a uma publicação do ex-diretor do Banco Central e investidor Luiz Fernando Figueiredo sobre o escândalo.
Luciano criticou diretamente os ministros do Judiciário e, pelo contexto, segundo o site Metrópoles, que divulgou a informação em primeira mão na coluna da jornalista Andreza Matais, a crítica pode se referir ao ministro Dias Toffoli, relator do caso no STF.
“Na Justiça, a jurisprudência foi rasgada e cada um decide da maneira que quer. Não existem mais prazos a serem cumpridos. Para os mortais, as decisões duram décadas, e para os amigos do rei, horas. Não existe conflito de interesses. O ministro pode julgar até a mãe!”, escreveu Luciano Lewandowski.
“Escrevo tudo isso para lhe dizer que, na minha opinião, o Brasil teria que começar do zero, mas infelizmente isso não vai mais acontecer na nossa geração”, observou.
STJ cria comissão para investigar denúncia de assédio contra ministro

O Superior Tribunal de Justiça instaurou uma comissão de sindicância para investigar uma denúncia de importunação sexual contra o ministro Marco Buzzi. A decisão foi tomada por unanimidade em uma sessão administrativa convocada pelo presidente da corte, ministro Herman Benjamin. O grupo de investigação será composto por três ministros do tribunal, que terão a responsabilidade de apurar os fatos sob sigilo.
A acusação foi feita por uma jovem de 18 anos, filha de um casal de amigos do magistrado. De acordo com o relato, o episódio teria ocorrido no dia 9 de janeiro em Balneário Camboriú, Santa Catarina, enquanto a família passava férias na casa de praia do ministro. A vítima afirma que Buzzi tentou agarrá-la à força no mar, momento em que ela conseguiu se desvencilhar e informar seus pais sobre o ocorrido.
Além da frente interna no STJ, o caso mobiliza outras instituições. Um boletim de ocorrência foi registrado na Polícia Civil de São Paulo e o Conselho Nacional de Justiça já iniciou a coleta de depoimentos para a esfera administrativa. No âmbito criminal, o processo tramita no Supremo Tribunal Federal sob a relatoria do ministro Kassio Nunes Marques, devido ao foro privilegiado do magistrado.
Em nota oficial, a defesa de Marco Buzzi afirmou que ele recebeu a notícia com surpresa e que as alegações não correspondem à realidade. O ministro nega veementemente qualquer conduta imprópria e diz repudiar as insinuações divulgadas. Diante da gravidade da situação, magistrados da corte manifestaram indignação e o ministro investigado deve solicitar uma licença de suas funções durante o período de apuração.
Sanderson aciona TCU para investigar exonerações no IBGE

O deputado federal Sanderson (PL-RS) solicitou ao Tribunal de Contas da União (TCU) a abertura de um procedimento de fiscalização para apurar a governança e o processo de transição em cargos estratégicos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O pedido ocorre após exonerações registradas na área de Contas Nacionais, responsável pelo cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) do país.
Em ofício encaminhado ao presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo Filho, o parlamentar chama atenção para o momento das mudanças.
Segundo Sanderson, alterações recentes na chefia e a saída de técnicos experientes aconteceram em um período considerado sensível do calendário estatístico, a poucas semanas da divulgação dos dados do PIB de 2025.
“Diante do exposto, observa-se que os atos administrativos relacionados às exonerações e substituições no setor de Contas Nacional do IBGE não teriam, em tese, observado os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, conforme preceitua o art. 37 da Constituição Federal, tampouco observa-se a adoção das medidas adequadas para mitigar os riscos à continuidade do serviço público e à confiabilidade das estatísticas oficiais”, destaca o parlamentar no despacho.
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