As mensagens no celular de Vorcaro: o que a PF ainda não revelou sobre o caso Master

Alexandre Garcia
Sede do Banco Master, em São Paulo. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

Hoje eu começo com fatos policiais, porque a Polícia Civil no Rio de Janeiro e em São Paulo está atrás de um grupo. Já prendeu alguns, todos jovens, da geração Z, gente que nasceu neste século, neste milênio. Eu acho que começaram com brincadeira, brincadeira sobre assunto sério, de jogar bombas na Avenida Paulista, no dia 2 de fevereiro, e na frente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, também no dia 2 de fevereiro. O fato é que a polícia apreendeu explosivos quando fez busca e apreensão na casa de muitos deles. Isso se dissemina pela rede social, tem gente que calcula 7 mil pessoas, “gente” que eu digo é a polícia, 7 mil pessoas no Brasil inteiro. Lá em São Paulo seria uns 600, no Rio uns 700, tem 12 presos em São Paulo, 17 no Rio de Janeiro. 

Já que estou falando de Avenida Paulista, em São Paulo, ontem, houve um tiroteio na Faria Lima. Só que não tem nada a ver com o Master. Acontece uma coisa na Faria Lima que não tem a ver com o Master. É que bandidos que… eu não sei como, mas jornalista gosta de elogiar bandido. O Estadão escreveu que são “especializados” em assaltos a residências. Ora, especializado é um adjetivo positivo e elogioso. Num país em que tem pouca gente especializada, eles dizem que o bandido é especializado. Não! São ladrões de residência, meu Deus do céu! Bandidos que assaltam residências. Não tem nada de especializado. Fizeram uma refém, ainda fugiram de carro e foram perseguidos. Na Faria Lima, um deles atirou na polícia e foi morto. Tem outro que está baleado na perna e outro que se entregou. E a refém saiu ilesa. Não aconteceu nada. Agora, foi interrompido o trânsito na Faria Lima, o que significa movimento numa região importante de São Paulo, que foi muito, muito prejudicado. 

Dinheiro de aposentados no Master

Mas também teve prisão do sujeito que presidia o fundo de pensão dos funcionários estaduais do Rio de Janeiro. Ele e mais dois, esses dois, diz também a imprensa, que estão foragidos. Não, eles não estão foragidos, eles não foram presos. Eles estão sendo procurados para serem presos. E puseram quase R$ 1 bilhão do dinheiro dos funcionários do fundo no Master. Quanto será que levaram, hein?! Porque o preso já tinha transferido a propriedade de dois carros, já tinha apagado provas nos computadores e nos celulares, então, ele tem muito a esconder. Aliás, tem muita gente aí que tem muito a esconder. Tanto é que tem um sigilo sobre o inquérito na Polícia Federal do Master. Foi levantado um pedacinho mostrando trechos do depoimento do Vorcaro, mas as pessoas querem ver o que está nos celulares do Vorcaro, as provas que foram conseguidas, as anotações, os arquivos. Isso sim, porque se tem gente graúda envolvida, aí interessa mais ainda ao povo. Mais interessa ao povo porque o povo – essa é a democracia – é que é a fonte do poder. E essas coisas têm que ficar claras, tranquilas.

Sigilo e CPI

Só que o presidente da Câmara disse “Não. Não pode fazer uma CPI.” Por que querem uma CPI? Por que não querem uma CPI? Porque a CPI torna tudo isso público. E na Polícia Federal é possível haver um controle. Não houve? O inquérito não ficou parado um tempão? O inquérito dos aposentados da Previdência ficou parado, até que caiu nas mãos do ministro André Mendonça, que mandou tocar. Toffoli estava segurando. Estava nas mãos dele e não acontecia nada. Estava parado, simplesmente. Então, é isso que precisa ser investigado. O presidente da Gazeta do Povo, festejando os 107 anos da Gazeta do Povo ontem, disse que uma das saídas disso é fazer uma CPI de abuso de autoridade do Supremo, por exemplo. Seria uma saída.

Bom, só para terminar, o irmão do Bolsonaro, o Renato, foi retirar o prêmio, devido a ele, na Mega-Sena da Virada, que é jogo de azar, porque o jogo de azar é aquele que depende da sorte. Foi retirar na Caixa Econômica, era pouca coisa, R$ 216. Teve 308 mil ganhadores, só que ele foi informado que o prêmio dele já tinha sido retirado. Que coisa, né?!

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/o-que-a-pf-ainda-nao-revelou-sobre-o-caso-master/

Guilherme Fiuza

Crise no IBGE fura bolha da mídia

A crise no IBGE, sob Márcio Pochmann, expõe o risco de politizar a estatística: demissões, suspeitas sobre o PIB e a volta da mistificação populista nos dados oficiais. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A crise no IBGE é um dos problemas mais preocupantes da atual conjuntura — que já é, em si, problemática. A ciranda da inversão de valores foi longe demais, num regime que chama todo mundo de antidemocrático para ficar à vontade nos seus desmandos. Colocar os indicadores socioeconômicos do país nessa névoa é uma temeridade.

Às vésperas da divulgação dos dados do PIB, a presidência do instituto tomou medidas drásticas. A demissão sumária da coordenadora de Contas Nacionais levou a pedidos de demissão em série de funcionários graduados do setor. O presidente do IBGE, Márcio Pochmann, é tradicional integrante da ala mais ideológica do PT — e mesmo a equipe de Dilma Rousseff, no período da derrocada de sua administração, lutou contra a influência de Pochmann no governo.

Entregar uma área técnica a um estilo administrativo sempre dividido entre a conduta acadêmica e a militância partidária é arriscado. Ou talvez tenha sido premeditado. O PT iniciou sua primeira gestão no governo federal (2003) seguindo as diretrizes da responsabilidade fiscal. O populismo e as tentações fisiológicas foram, naquela época, contidos e controlados em favor de uma administração pragmática. Mas isso não durou muito.

O petismo raiz logo se arrependeu de tentar pensar grande e retomou o fisiologismo como filosofia de segurança. As incertezas de uma administração meritocrática são muitas para quem acha que a maior chance de ter poder é se agarrar a ele. Na época do mensalão — denunciado em 2005 — ocorria também a guinada macroeconômica, verificada a partir da chegada de Guido Mantega à Fazenda. E, nessa época, os olhares petistas se voltaram para a Argentina.

Transcorria o governo de Néstor Kirchner, com algumas inovações interessantes para os adeptos da mistificação como fator de governança. Serviços essenciais tinham suas tarifas espetacularmente reduzidas, para produzir o efeito da aparente bondade que depois viria a ser bancada de forma menos perceptível pelo contribuinte. E surgiam também as mudanças de cálculos dos indicadores nacionais.

Kirchner alterou várias metodologias para inflação, crescimento econômico, emprego e outros índices essenciais à fotografia da sociedade. Chegou a decretar interferências explícitas nos órgãos oficiais de estatística para “modernizar” as aferições. Naturalmente, os dados foram ficando mais positivos para o governo — e a ruína populista do kirchnerismo ganhou uma fantasia bonita.

Esse tipo de mistificação “oficial” sempre encantou os fisiológicos brasileiros. Se o grande objetivo é viver pendurado na máquina estatal, fica bem mais seguro e confortável poder encher o peito para declarar que essa máquina está trabalhando bem — e ostentar bons resultados “oficiais”. O que pode atrapalhar nessas horas é a imprensa — tanto que Lula sempre convidou seu público a desconfiar do que lia nos jornais. Nos últimos anos, com a imprensa mais dócil ao PT, o problema passou a ser as redes sociais.

A novidade agora é que, aparentemente, a imprensa está mostrando sem filtros a crise no IBGE. Quem sabe isso não seja um bom sinal? Chega uma hora que a mistificação cansa até o mistificador. Com um pouco de sorte, ainda veremos os economistas do Plano Real que apoiaram a nova aventura petista tendo um choque de consciência. E ajudando o país a rejeitar o caminho da enganação.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/guilherme-fiuza/crise-no-ibge-fura-bolha-da-midia/

Rodrigo Constantino

STM pode expulsar Bolsonaro do Exército

Bolsonaro cumpre pena na “Papudinha”. Moraes determinou que o ex-presidente receba atendimento médico integral. (Foto: André Borges/EFE)

O Superior Tribunal Militar (STM) receberá nesta terça os pedidos de expulsão das Forças Armadas dos primeiros cinco oficiais condenados pela suposta tentativa de golpe liderada por Jair Bolsonaro. A lista é encabeçada pelo capitão e ex-presidente, que foi sentenciado a 27 anos e está preso na Papudinha.

Também serão julgados os generais e ex-ministros Augusto Heleno, Walter Braga Netto e Paulo Roberto Nogueira. Completa a relação o almirante Almir Garnier, ex-comandante da Marinha. Os cinco oficiais da reserva foram condenados criminalmente pelo Supremo Tribunal Federal, estão presos e agora podem perder postos e patentes se forem considerados indignos ao oficialato pelo STM.

A credibilidade das Forças Armadas perante a população desabou. Se Bolsonaro e seu entorno forem mesmo expulsos, isso poderá ser a pá de cal, o fim melancólico de uma entidade que já gozou de tanta estima do povo

Bolsonaro, Braga Netto e Augusto Heleno seriam “indignos” das Forças Armadas, tudo isso por um julgamento farsesco e teatral com base na narrativa do golpe. O comandante em chefe das Forças Armadas hoje é Lula, descondenado por um malabarismo supremo. Lula deve ser digno das Forças Armadas…

Os generais se viram obrigados a prestar continência a Nicolás Maduro no começo do novo governo petista, quando Lula estendeu tapete vermelho para seu companheiro ditador. Isso, pelo visto, não torna as Forças Armadas uma instituição indigna…

Vale lembrar que em várias pesquisas as Forças Armadas despontavam como a instituição mais respeitada pelo povo, principalmente durante o governo Bolsonaro, quando houve um resgate do patriotismo no país. A esquerda vem tentando sucatear as Forças Armadas desde sempre, e pelo visto conseguiu cooptar suas lideranças.

Hoje, vários patriotas enxergam as Forças Armadas como traidoras, brincam que são militares melancias – verdes por fora, mas vermelhos por dentro – e acham que o trabalho que restou a eles é pintar asfalto. A credibilidade da instituição perante a população desabou. Se Bolsonaro e seu entorno forem mesmo expulsos, isso poderá ser a pá de cal, o fim melancólico de uma entidade que já gozou de tanta estima do povo.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/rodrigo-constantino/stm-pode-expulsar-bolsonaro-do-exercito/

Luciano Trigo

Caso Orelha expõe relativismo moral

Orelha, cão mascote da Praia Brava (Florianópolis), morreu em 5 de janeiro de 2026 após sofrer maus-tratos por adolescentes e precisou ser submetido à eutanásia. (Foto: 110280Andre/Wikimedia Commons)

O caso do cachorro Orelha, barbaramente torturado na Praia Brava, em Florianópolis, chocou o Brasil. Tudo indica que Orelha foi brutalmente agredido por um grupo de adolescentes, sofrendo ferimentos tão graves que levaram à sua eutanásia. Inicialmente relatado por moradores locais, o crime ganhou repercussão nacional quando imagens passaram a circular nas redes sociais, despertando uma onda de indignação legítima — e transversal a diferentes campos políticos e ideológicos.

A violência gratuita contra um animal indefeso toca um nervo moral profundo da sociedade. Mas a revolta, em tese apartidária, revelou uma contradição da militância de esquerda. Historicamente contrária à redução da maioridade penal e à punição severa de adolescentes que cometem crimes, parte significativa dessa militância passou a clamar por punições “exemplares” aos menores envolvidos — incluindo prisão, encarceramento prolongado e tratamento “como adultos”. Como que por encanto, o discurso habitual sobre a maioridade evaporou.

maioridade penal no Brasil foi fixada em 18 anos pelo artigo 228 da Constituição. Adolescentes entre 12 e 17 anos são considerados inimputáveis penalmente e respondem por atos infracionais nos termos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). As sanções previstas são medidas socioeducativas, incluindo prestação de serviços à comunidade, liberdade assistida ou, no máximo, internação em unidades específicas, com duração máxima de três anos, independentemente da gravidade do ato.

A esquerda brasileira sempre defendeu esse modelo com convicção quase dogmática. Em debates como o da PEC 171/1993, que propunha a redução da maioridade penal para 16 anos no caso de crimes hediondos, a reação progressista foi acusar a proposta de “populismo penal”, “vingança social” e “barbárie punitivista”.

Os argumentos eram sempre os mesmos: adolescentes não têm plena capacidade de discernimento, o sistema prisional é uma escola do crime e a lei não pode ser guiada pela emoção do caso concreto. Esse discurso foi repetido como um mantra por décadas. A esquerda afirmava, também, que princípios jurídicos devem ser universais e estáveis, não moldados pela pressão da opinião pública.

O contraste se torna ainda mais evidente quando se recorda a reação da mesma militância a crimes cometidos por menores de idade muito mais chocantes que o caso Orelha. Estupros, latrocínios, esquartejamentos e homicídios brutais de crianças e idosos — muitos deles praticados por adolescentes ligados ao tráfico — jamais produziram mobilização semelhante. Nesses casos, prevaleceu o discurso padrão da vitimização social do agressor.

Casos emblemáticos ilustram essa assimetria moral. Em novembro de 2003, no caso Champinha, um adolescente de 16 anos liderou o sequestro, estupro e assassinato de Liana Friedenbach, após dias de cárcere, violência e terror. Em fevereiro de 2007, João Hélio, de seis anos, foi arrastado até a morte durante um assalto; um dos envolvidos tinha 16 anos. Em abril de 2013, o jovem Victor Hugo Deppman foi executado a sangue frio por um ladrão adolescente de 17 anos, mesmo após entregar o celular. Isso, para só citar três exemplos.

Em todos esses episódios, a posição da esquerda se manteve intacta: defesa intransigente do ECA e rejeição absoluta a qualquer endurecimento penal.

A mensagem é inquietante: a inimputabilidade penal deve valer para uns, mas não para outros. Quando a revolta deixa de ser contra o crime e passa a ser contra a origem social do criminoso, a justiça cede lugar ao ressentimento

O discurso era previsível: “São vítimas do contexto social”; “O sistema falhou”; “Prisão não resolve”; “Reduzir a maioridade é populismo”. A violência contra seres humanos — em diversos casos, infinitamente mais cruel — nunca foi suficiente para abalar o dogma. A indignação, quando existiu, foi cuidadosamente desviada da responsabilização direta dos autores.

Tudo isso sugere que a comoção atual não obedece a critérios jurídicos ou racionais, mas a uma seletividade moral profundamente ideológica.

A hipocrisia se aprofunda quando poucos lembram — ou preferem esquecer — que foi durante o governo Jair Bolsonaro que se aprovou a Lei nº 14.064/2020, conhecida como “Lei Sansão”, que aumentou significativamente a pena para maus-tratos contra cães e gatos, elevada para dois a cinco anos de prisão, além de multa e proibição da guarda de animais.

À época, o tema foi tratado com indiferença ou mesmo hostilidade pelos setores progressistas, que hoje se apresentam como grandes guardiões da causa animal. Mas reconhecer esse fato exigiria admitir que o inimigo político foi responsável por um avanço concreto — algo inaceitável para quem opera no registro da demonização permanente. O compromisso não é com a coerência, mas com a narrativa.

Há ainda um elemento raramente explicitado, mas claramente perceptível no debate sobre o caso Orelha: o classismo invertido que permeia a indignação coletiva. A fúria moral da militância não se dirige apenas ao crime, mas à condição social dos autores. O fato de os adolescentes envolvidos serem identificados como jovens privilegiados de classe média alta — moradores de uma área nobre, frequentadores de praias valorizadas etc. — despertou um desejo de punição que vai além da justiça e se aproxima da vingança simbólica.

A retórica de inúmeras postagens nas redes sociais deixa claro que não se trata apenas de responsabilizar, mas de “dar uma lição”, “mostrar que dinheiro não compra tudo”, “fazer esses playboys sofrerem”. Em inúmeros crimes extremamente violentos envolvendo adolescentes ligados ao tráfico, a esquerda recorreu ao discurso estrutural para diluir a culpa individual; aqui, porém, o mesmo campo abandona a sociologia sem qualquer cerimônia para abraçar o justiçamento moral.

A mensagem implícita é inquietante: a inimputabilidade penal deve valer para uns, mas não para outros. Mas, quando a revolta deixa de ser contra o crime e passa a ser contra a origem social do criminoso, a justiça cede lugar ao ressentimento — e o Estado de Direito se transforma em instrumento de revanche de classe.

Nada do que foi dito acima significa minimizar a brutalidade do crime. A morte cruel de um animal indefeso revolta qualquer pessoa minimamente civilizada. O ponto aqui é outro: ou se acredita que adolescentes são inimputáveis penalmente e devem receber medidas socioeducativas, ou se aceita que podem e devem ser responsabilizados como adultos.

Defender as duas posições ao mesmo tempo é incoerência moral e oportunismo político. O resultado dessa ginástica retórica é, mais uma vez, a erosão da credibilidade da esquerda junto ao cidadão comum.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/luciano-trigo/caso-orelha-expoe-relativismo-moral/

Caso Master: PT admite apoiar CPI, mas só a governista proposta na Câmara

Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master (Foto: Divulgação)

Declaração do ex-líder do PT na Câmara Lindbergh Farias (RJ) de que seu partido apoiaria a criação de CPI para investigar a fraude do Banco Master pegou de surpresa uma boa parte dos petistas. A ala baiana do PT, incluindo Rui Costa (Casa Civil), não quer nem ouvir falar em CPI. O temor é que a CPI avance sobre o CredCesta, consignado para servidores da Bahia entregue de bandeja para o Banco Master, e arraste o governo de Jerônimo Rodrigues (PT) e antecessores para o centro do escândalo, Costa e o atual líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).

Desgastou, mudou

Até dias atrás, o líder do governo Lula na Câmara José Guimarães (PT-CE) descartava apoio a qualquer CPI para investigar o Master.

Com ressalva

Com o escândalo colando no governo, parte do PT resolveu apoiar a investigação, mas nada de assinar a CPMI, puxada pela oposição.

Só a trupe

Para fazer o filme, o PT só apoia os pedidos de Fernanda Mechionna (Psol-RS), Heloísa Helena (Rede-RJ) e Rodrigo Rollemberg (PSB-DF).

Destino: gaveta

Na Câmara e Senado, é hoje perto de zero a chance de instalação de CPIs envolvendo o Master. Se sair, e olhe lá, será uma preguiçosa CPMI.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/caso-master-pt-admite-apoiar-cpi-mas-so-a-governista-proposta-na-camara

Banco Central indica possível redução da Selic em março

Sede do Banco Central, em Brasília. (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil).

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central indicou, em ata publicada nesta terça-feira (3), a possibilidade de iniciar a redução da taxa Selic a partir de sua reunião de março. A sinalização ocorre após uma evolução positiva nas projeções inflacionárias, que apresentaram maior convergência para o centro da meta de 3% estabelecida pela autoridade monetária.

O documento sugere que este ambiente de preços mais controlado oferece o respaldo necessário para um futuro ajuste nos juros, embora ressalte que a condução da política seguirá em patamar restritivo para assegurar a estabilidade econômica.

Atualmente, a taxa básica de juros encontra-se em 15% ao ano, o nível mais elevado registrado desde julho de 2006. O Banco Central esclareceu que, caso as expectativas do cenário base sejam ratificadas, um ciclo de afrouxamento monetário terá início no próximo encontro, devendo ocorrer de forma parcimoniosa.

De acordo com os membros do colegiado, “o compromisso com a meta impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo, que dependerão da evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária”.

A Selic permanece estacionada em 15% desde junho de 2025. Ao longo das últimas cinco reuniões consecutivas, o Banco Central optou por uma postura de vigilância e cautela para frear a escalada dos preços, mantendo a taxa inalterada a despeito de pressões e críticas recorrentes vindas de integrantes do governo federal. A decisão de março será pautada pela confiança na trajetória da inflação em direção à meta oficial.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/banco-central-indica-possivel-reducao-da-selic-em-marco

Oposição protocola requerimento para CPMI do Master

Deputado federal Carlos Jordy, autor do requerimento. (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados).

Liderada por parlamentares da oposição, o requerimento para a instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banco Master foi protocolado nesta terça-feira (3) com o apoio de 280 parlamentares.

A iniciativa, encabeçada pelo deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), tem como pauta, apurar fraudes financeiras atribuídas ao Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro.

Sem citar nomes, mas se referindo a Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, o parlamentar destacou:

“Esse caso deixa a Lava Jato no chinelo. Temos esposa de ministro, que tem contrato milionário de R$ 129 milhões sem ter nenhum registro de sua atuação no Banco Central desse banco fraudulento, irmão de ministro dono de resort ligado a fundo ligado ao Banco Master”.

O requerimento precisa ser lido em sessão conjunta da Câmara e do Senado para que a CPMI seja oficialmente instalada. A leitura cabe ao presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que ainda não definiu data para o ato.

Para o vice-líder da Oposição na Câmara, deputado federal Sanderson (PL-RS), a CPMI é essencial para garantir transparência:

“O Parlamento não pode se omitir diante de indícios graves. A sociedade exige respostas claras e responsabilidade. O Brasil precisa passar a limpo.”

Já o deputado federal Capitão Alberto Neto (PL-AM) classificou o número de assinaturas como um avanço significativo:

“Alcançamos 280 assinaturas. Muita coisa será revelada, toda podridão será exposta. Quem não deve, não teme. A CPMI vai separar narrativas políticas da verdade dos fatos. 2026 é o ano de resgatar o país.”

O deputado federal Rodrigo Valadares (União-SE) destacou a pressão popular pela investigação:

“Essa CPMI nasce da indignação do povo brasileiro, que não aceita mais escândalos abafados nos bastidores do poder.”

O deputado federal Rodolfo Nogueira (PL-MS) enfatizou a dimensão política e institucional do caso:

“Com 280 assinaturas, fica claro que o Congresso está disposto a ir até o fim. Se há grandes players envolvidos, isso torna a CPMI ainda mais necessária. Não é sobre revanche, é sobre verdade, transparência e respeito ao dinheiro do povo. O Brasil precisa ser passado a limpo, doa a quem doer.”

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/oposicao-protocola-requerimento-para-cpmi-do-banco-master

Os fatos desmentem Toffoli

Ministro Dias Toffoli (Foto: Antonio Augusto/STF)

Há poucos dias falamos neste espaço sobre a nota oficial de Dias Toffoli na qual o ministro, com evidente desprezo pela inteligência do público, afirmou que sua atuação como relator do caso Banco Master teria sido absolutamente normal, limitada a uma suposta “supervisão” do inquérito. O problema é que os fatos não param de desmentir o ministro. E o fazem de maneira cada vez mais constrangedora.

Documentos e registros agora tornados públicos mostram, com ainda mais clareza, que Toffoli não se limitou a acompanhar o trabalho da Polícia Federal. Ele elaborou perguntas, anotou objetivos, indicou linhas de raciocínio e deixou claro que buscava “omissões” e “contradições” no depoimento do diretor do Banco Central, Ailton de Aquino, prestado no dia 30 de dezembro no STF e conduzido pela Polícia Federal. Ao agir dessa forma, Toffoli comportou-se como se o órgão regulador, responsável pela fiscalização e pela liquidação do Master, fosse o verdadeiro investigado. Não se trata de interpretação subjetiva ou exagero retórico: o próprio ministro registrou, por escrito, a finalidade de seus questionamentos.

O Senado, que tem o dever constitucional de exercer controle sobre ministros do Supremo, permanece inerte, como se nada estivesse ocorrendo. Esse silêncio institucional não parece fortuito

A Constituição é clara ao delimitar funções. Investigar é atribuição da Polícia Federal, sob controle externo do Ministério Público. Ao Judiciário não cabe conduzir inquéritos, escolher alvos, formular estratégias investigativas ou buscar contradições em depoimentos. Sua função é outra: controlar a legalidade dos atos, decidir quando provocado e preservar garantias. Ainda assim, há muito ministros do Supremo vêm ultrapassando deliberadamente esses limites.

Em 2023, por exemplo, o ministro Alexandre de Moraes adotou procedimento semelhante ao de Toffoli ao indicar quais perguntas deveriam ser feitas pela autoridade policial ao presidente do Google, no contexto da investigação sobre a campanha contra o PL das Fake News. O que deveria ser exceção transformou-se em método. O Supremo, ou ao menos parte dele, passou a tratar a separação de funções e o respeito ao devido processo legal como formalidades descartáveis.

Em qualquer país com instituições minimamente funcionais, condutas dessa natureza seriam suficientes para afastar um magistrado. No Brasil, contudo, nada acontece. O Senado, que tem o dever constitucional de exercer controle sobre ministros do Supremo, permanece inerte, como se nada estivesse ocorrendo. Esse silêncio institucional não parece fortuito. O receio de que novas revelações sobre o caso Master venham à tona – e é razoável supor que ainda há muito a emergir, dada a emaranhada rede de influência criada por Vorcaro, com tentáculos não só no Judiciário, mas também no Palácio do Planalto e o Legislativo – parece ter produzido um pacto indecoroso entre os Poderes, um acordo tácito de autopreservação no qual o custo político de agir é considerado maior do que o custo institucional da omissão.

Nos discursos feitos na abertura do ano legislativo nesta segunda-feira (2), os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado, Hugo Motta, e Davi Alcolumbre, falaram muito sobre “harmonia entre os Poderes”. Mas não há harmonia quando um poder se permite agir sem limites, acumulando funções, distorcendo papéis e violando princípios básicos do Estado de Direito. Harmonia, nesse contexto, é apenas um eufemismo para conivência com o arbítrio.

Se Câmara e Senado insistirem em se esconder atrás do discurso vazio da harmonia entre os poderes, deixando de cumprir seu papel e abdicando de suas prerrogativas constitucionais, o Legislativo estará aceitando, de uma vez por todas, ser subjugado, naturalizando a supremacia de um Judiciário que já não reconhece limites. Ainda há tempo para corrigir o curso – mas a ação não pode demorar. Uma vez que Davi Alcolumbre não demonstra a coragem que se espera de um presidente do Senado para dar início a um pedido de impeachment contra Toffoli, a responsabilidade recai sobre os demais senadores – e também sobre as instituições que ainda preservam compromisso com os valores republicanos. Reiteramos: é preciso reagir com firmeza e coragem, exigir o afastamento do ministro e assegurar uma investigação profunda, serena e independente sobre o Banco Master e a rede de influências que o cerca.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/fatos-desmentem-toffoli-banco-master/

Be the first to comment on "As mensagens no celular de Vorcaro: o que a PF ainda não revelou sobre o caso Master"

Leave a comment

Your email address will not be published.


*