
Depois dos absurdos cometidos por um ministro do Tribunal de Contas da União, o ex-deputado e médico Jhonatan de Jesus, o presidente do TCU, Vital do Rêgo Filho, também médico e também ex-parlamentar, está dizendo que deve recuar da inspeção no Banco Central, ordenada dentro do caso do Banco Master. Aí ficamos pensando em como o Supremo faz as coisas. Alexandre de Moraes não tinha permitido atendimento hospitalar para Jair Bolsonaro, que havia sofrido uma queda na Polícia Federal, mas acabou concedendo; acho que depois da candente entrevista da mulher de Bolsonaro, Michelle, ele acabou cedendo. Bolsonaro foi ao hospital, não se constatou lesão dentro do crânio, nem causa de convulsão. Descobriram que ele tentou caminhar e caiu.
Bolsonaro está com tonturas, tem labirintite, apneia do sono, refluxo, está tomando vários medicamentos antidepressivos e para controlar a musculatura dos soluços, tem problemas no trato intestinal, está convalescendo de duas cirurgias no abdômen, na região inguinal… tudo isso recomendaria prisão domiciliar. Vejamos o que Moraes decide.
LinkedIn diz que Filipe Martins não entrou na plataforma; e agora?
Além de Bolsonaro, Moraes tem outro caso exigindo decisão rápida, o da prisão de Filipe Martins, ordenada por ele. Primeiro, Martins foi investigado, foi condenado, porque estaria em uma reunião da qual não participou. Depois, foi preso porque teria desembarcado nos Estados Unidos, quando na verdade desembarcou em Ponta Grossa. Ficou em uma solitária porque se negou a fazer delação premiada. Mais recentemente, ele estava com tornozeleira, mas foi posto em prisão domiciliar, sem poder sair de casa, porque Silvinei Vasques fugiu para o Paraguai, ou seja, pagou pelo que outro fez. Agora, foi recolhido a um presídio, porque um coronel dedo-duro da FAB, chamado Ricardo Wagner Roquetti, disse que Martins tinha acessado o LinkedIn dele. Mas a plataforma informa que Filipe Martins não fez isso. E agora?
Se antes de ordenar a prisão Moraes tivesse exigido uma comprovação do acesso por parte do LinkedIn, não teria mandado Martins para a cadeia. Quando Bolsonaro tem uma queda e pede para ir para o hospital, Moraes exige primeiro o laudo médico; para mandar prender Filipe Martins, não pediu nada. E agora, vai fazer o quê? E esse coronel da reserva, vai explicar como?
Poder cubano sobre Venezuela é assunto pouco explorado após prisão de Maduro
Hugo Chávez, vocês se lembram, morreu em Cuba, onde estava se tratando. E Nicolás Maduro saiu de lá já ungido – foi por Chávez ou foi pelos cubanos? Maduro já veio nomeado pelos cubanos, um interventor cubano na Venezuela. Era Diosdado Cabello quem tinha as Forças Armadas; esperava-se que fosse ele a tomar o lugar de Chávez. Mas Maduro chegou já com segurança cubana. Morreram 32 seguranças cubanos no ataque norte-americano de sábado. Quem eram eles? Agora ficamos sabendo que, oficialmente, eles estariam em Cuba, mas sua missão era tão secreta que estavam na Venezuela. E não são seguranças quaisquer: são formados em forças especiais, em inteligência. Eles, na verdade, não só davam segurança para Maduro: eles o vigiavam, informavam tudo que Maduro fazia e conversava. Mas, com a prisão de Maduro, esse aspecto do poder cubano sobre a Venezuela ficou bastante desfocado.
E essa escolha dos irmãos Rodríguez? Delcy, que assumiu no lugar de Maduro, é irmã de Jorge, presidente da Assembleia Nacional. Ela recebeu a lealdade das Forças Armadas, e certamente tem a lealdade de todos os comissionados bolivarianos que estão no governo da Venezuela. Delcy foi escolhida para negociar com os americanos e já está tomando medidas. Pediu às forças policiais que prendessem todos os que apoiaram a prisão de Maduro, mas não vimos nenhuma notícia de prisões.
Traficantes venezuelanos também estão no Brasil
O grande repórter Alexandre Magnani está em Washington e foi à Drug Enforcement Administration (DEA), o departamento norte-americano que cuida do combate às drogas, já que Maduro é acusado de tráfico. O governo venezuelano era um virtual cartel de drogas, embora os norte-americanos tenham tirado a referência ao Cartel de Los Soles no processo. Mas há também o Tren de Aragua. Aragua é o nome de um estado importante, Maracay é a capital, e esse grupo está lá em Roraima, tem ligações com o Comando Vermelho e o PCC aqui no Brasil. Então, também temos permissividade com essa gente. Trump disse que o Tren de Aragua está aterrorizando comunidades americanas; será que está falando de bairros que os traficantes vão dominando, como tomam conta de bairros aqui no Brasil, inclusive na Amazônia?
EUA deixaram venezuelanos “tontos” durante ataque
Por fim, vejam o poderio americano nessa ação que prendeu Maduro. Os EUA cortaram todos os sinais de internet e de radar, confundiram as comunicações, os Sukhoi-30 comprados da Rússia ficaram no chão, os imensos blindados T-72 não serviram para nada, a artilharia antiaérea ficou cega, surda e muda. Agradeço a meu amigo Fabián Calle, argentino, que fez excelentes relatórios a respeito disso tudo. Tenho ainda o relato do conhecimento das Forças Armadas brasileiras sobre a Venezuela, mas fico devendo essa por hoje porque a conversa já vai longa.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/alexandre-de-moraes-jair-bolsonaro-hospital/
PGR recebe pedido de prisão de Moraes por tortura contra Bolsonaro

Nesta quinta-feira, 8, a Procuradoria-Geral da República (PGR) recebeu um pedido de prisão para o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, em virtude de “tortura” contra o ex-presidente Bolsonaro. A PGR ainda não o analisou.
Obtido em primeira mão por Oeste, o processo assinado pelo advogado Paulo Faria foi protocolado depois de Bolsonaro sofrer um acidente na cela da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde cumpre a pena de quase 30 anos de cadeia, por causa de suposta tentativa de golpe de Estado.
Conforme Faria, após se machucar, Bolsonaro permaneceu, “por período superior a 24 horas, sem atendimento hospitalar adequado, apesar de recomendação médica e da existência de sintomas neurológicos”.
De acordo com o advogado, a decisão de Moraes que impediu o ex-presidente de deixar o cárcere imediatamente provocou “sofrimento físico e psicológico relevante”, além de ter violado “direitos fundamentais, à Lei de Execuções Penais e a normas nacionais e internacionais de proteção aos direitos humanos”.
O advogado sustentou que a conduta configura omissão estatal, “consistente no retardamento deliberado da assistência médica”, o que, na avaliação dele, é “crime permanente, atraindo a incidência das regras de flagrante delito contínuo”.
Faria falou ainda em abuso de autoridade, prevaricação e infrações penais relacionadas à proteção da pessoa idosa, destacando a idade do ex-presidente como “circunstância agravante legal”.
Volta do ‘balcão’: governo Lula distribuiu R$32 bilhões em emendas parlamentares

O governo Lula (PT) distribuiu mais de R$32,02 bilhões em emendas parlamentares em 2025, segundo dados do Portal da Transparência, da Controladoria-Geral da União (CGU). O total reservado havia sido maior: R$47,8 bilhões, mas apenas 67% foram de fato pagos. As emendas parlamentares destinam verbas do Orçamento a mando de deputados e senadores, sem interferência do Poder Executivo.
Maioria individual
Cerca de 53% de tudo pago pelo governo federal atendeu às emendas individuais, tanto emendas pix, quanto as com finalidade definida.
Nosso dinheirinho
Segundo o Tesouro Nacional, o governo Lula pagou R$3 bilhões a mais em emendas em 2025 do que em 2024.
Balcão 2025
O Tesouro Nacional contabiliza R$28,9 bilhões pagos em 2025 em emendas parlamentares, quase tudo (75%) em emendas individuais.
Saco sem fundo
Para 2026, a perspectiva é de ainda mais gastos com emendas. O Orçamento do ano, já aprovado, prevê pagamento de R$61 bilhões.

Master não comprova legalidade de 251,7 mil consignados no INSS

O Banco Master não conseguiu apresentar documentos comprovando a legalidade de 251.718 empréstimos consignados em nome de beneficiários do INSS, de acordo com informe da Diretoria de Benefícios e Relacionamento com o Cidadão à presidência do INSS.
O relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), disse recentemente ao Diário do Poder que, no total, mais de R$90 bilhões podem ter sido roubados dos aposentados em esquema semelhante aos descontos associativos realizados nos proventos, mês a mês, por associações e sindicatos picaretas.
De acordo com o levantamento da Diretoria de Benefícios e Relacionamento com o Cidadão, esses 251,7 mil contratos de empréstimos consignados suspeitos de não terem sido autorizados correspondem a 74,3% do total de contratos que o Banco Master alega haver firmado entre outubro de 2021 e setembro de 2025.
Foi exatamente as suspeitas envolvendo o banco de Daniel Vorcaro que fez a CPMI aprovar sua convocação para depor, logo após a retomada dos trabalhos legislativos, e a quebra dos seus sigilos bancário, fiscal, telemático etc.
Apesar da gravidade das suspeitas contra o Banco Master e seu controladoe, o ministro do STF Dias Toffoli proibiu o acesso da CPMI aos dados e documentos decorrentes dessa quebra de sigilo, deixando indignados senadores e deputados que compõe o colegiado. O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), chegou a perguntar o que se pretende esconder com essa medida.
Inquérito investiga mesada e passagens aéreas ligando Lulinha ao ‘Careca’

A Polícia Federal deparou-se com menções a um dos filhos do presidente Lula (PT) ao investigar fraudes bilionárias a aposentadorias e pensões do INSS. No inquérito, Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, é citado em diálogos de WhatsApp, anotações, passagens aéreas e em depoimento de uma testemunha que menciona pagamento de 25 milhões ao filho do presidente, sem especificar em qual moeda, além de mesada de R$ 300 mil.
As menções levaram a PF a informar ao Supremo Tribunal Federal (STF) que investigará a se Lulinha é o não um “sócio oculto” do acusado de liderar o esquema de descontos criminosos nos benefícios do INSS, o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”.
As informações reveladas pelo Estadão detalham que a PF relatou ao STF citações a Lulinha no depoimento do empresário Edson Claro; em celulares apreendidos durante as investigações, e em passagens aéreas localizadas pela corporação.
Outro detalhe aponta a empresária Roberta Luchsinger como suspeita de intermediar a relação de Lulinha com Careca do INSS. Ela firmou contrato de consultoria que lhe rendeu R$ 1,5 milhão repassados pelo acusado de liderar o esquema criminoso.
As menções
O jornalista Aguirre Talento relatou que, em 29 de outubro do ano passado, Edson Claro disse em depoimento que teria ouvido de Careca do INSS que Lulinha também seria seu sócio em sua empresa do setor da cannabis medicinal. Além disso, disse que o acusado de liderar o esquema detalhou pagamentos de R$ 25 milhões ao filho do ex-presidente.
“Antônio afirmou diversas vezes que ‘Fábio Lula’ era seu sócio nesse projeto, e que participou de cerca de três reuniões sobre o tema. Antônio [Careca] comentou ter enviado dinheiro a Fábio Lula, mencionando um valor aproximado de 25 milhões, sem especificar se em reais, euros ou dólares, e que tais recursos seriam provenientes da comercialização de kits de dengue. Antônio também teria dito ter antecipado valores a Fábio, inclusive pagamentos mensais de cerca de R$ 300 mil, referidos como uma espécie de ‘mesada’”, disse Edson Claro, em depoimento.
Um desses pagamentos é identificado em printe de mensagem do Careca do INSS, via WhatsApp, como destinado ao “filho do rapaz”. O que levou a PF a supor ser uma menção a Lulinha.
Em outro diálogo, após a Operação Sem Desconto deflagrada em abril de 2025, a empresária Roberta alerta a Careca que um envelope com o nome do “nosso amigo” foi recolhido em busca e apreensão. Ela cita “envelope ingresso para show”. E a PF apreendeu anotação à mão que tratava de ingressos para camarote, indicando a intenção de ocultar que um dos destinatários seria Lulinha: “Mínimas informações possíveis. CPF – Fábio (filho Lula)”, era o manuscrito publicado pelo Estadão.
A PF ainda encontrou diversas passagens aéreas de Roberta e Lulinha, compradas em conjunto com o mesmo código localizador. Mas ainda não foi identificado quem bancou viagens como entre São Paulo para Brasília, em 2025, e outra de São Paulo a Lisboa, capital portuguesa onde seriam expandidos os negócios da canabis medicinal de Careca do INSS.
‘Sem vínculos diretos’
A PF pondera, ao afirmar que, até o momento, não foram há indícios da participação direta de Lulinha nos fatos investigados. E a defesa de Roberta Luchsinger ressaltou ao Estadão que tem relação pessoal, há anos, com Lulinha e sua família, e que, por isso, já foi alvo de ataques anteriores. Além disso, alegou que a empresária atuou em tratativas iniciais que não prosperaram, na área da regulação do setor de empresas de canabidiol.
O advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, tratou as informações como ilação corriqueira, diante da qual o filho do presidente estaria “absolutamente tranquilo e acostumado”. E destacou que Lulinha reforça não ter relação direta ou indireta com o INSS. “Isso é mais uma vilania, mais uma tentativa de desgastar o governo”, afirmou o advogado, ao Estadão.
Navios russos irão escoltar petroleiro seguido pelos EUA

A movimentação de forças navais da Rússia e dos Estados Unidos elevou a tensão na região do Caribe e nas proximidades da Venezuela após um petroleiro que partiu do Irã passar a ser perseguido por militares norte-americanos desde o dia 21 de dezembro.
O episódio ganhou novo capítulo quando Moscou enviou um navio de guerra, um submarino e outras embarcações para escoltar o cargueiro.
Segundo informações citadas pelo The Wall Street Journal e confirmadas anonimamente ao The New York Times por um oficial dos Estados Unidos, o petroleiro, identificado como Bella 1, seguia em direção à Venezuela para buscar petróleo quando foi abordado pela Guarda Costeira americana. As autoridades dos EUA alegaram possuir um mandado de apreensão, argumentando que a embarcação não ostentava uma bandeira nacional reconhecida.
A tripulação do navio se recusou a permitir o embarque de agentes americanos, alterou a rota em direção ao Atlântico e passou a ser acompanhada de perto por embarcações dos Estados Unidos. Para tentar evitar a captura, os tripulantes pintaram uma bandeira russa no casco, renomearam o petroleiro e incluíram o navio no registro oficial de outra frota ligada à Rússia.
Além das manobras realizadas pela tripulação, o governo russo apresentou um pedido diplomático exigindo o fim da perseguição ao cargueiro. Apesar disso, a escolta norte-americana continuou. Um vídeo divulgado pela emissora estatal russa RT, gravado na terça-feira (6), mostrou o petroleiro sendo seguido por um navio da Guarda Costeira dos Estados Unidos em meio à neblina.
FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/exteriores/navios-russos-irao-escoltar-petroleiro-seguido-pelos-eua
EUA mantiveram canais secretos com a cúpula do regime venezuelano

Antes da atual escalada de tensões envolvendo a Venezuela e os Estados Unidos, altos representantes do governo americano mantiveram negociações sigilosas com Delcy Rodríguez, atual presidente interina de Caracas, e seu irmão Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional venezuelana, segundo apurado por fontes diplomáticas em Washington e em Caracas.
Os encontros, que não haviam sido tornados públicos, foram conduzidos por emissários designados pelo presidente dos EUA, focando em interesses estratégicos de longo prazo, incluindo negociações sobre contratos de petróleo e minerais, além de questões humanitárias como a libertação de cidadãos norte-americanos detidos sob acusação de terrorismo na Venezuela.
Segundo relatos a que a reportagem teve acesso, Delcy e Jorge demonstraram durante as conversas uma postura pragmática, aceitando discutir termos de cooperação que contemplavam a libertação de presos em troca de compromissos específicos.
Parte desses acordos (incluindo a libertação de seis norte-americanos) chegou a ser cumprida em janeiro de 2025, com os detidos retornando aos Estados Unidos em um avião oficial americano.
Os diálogos teriam ocorrido em pelo menos duas rondas de reuniões em Doha, no Catar, ao longo de 2025, em meio a essas conversas, uma proposta discutida envolvia a possibilidade de um “Madurismo sem Maduro”, com representantes venezuelanos propondo uma transição política que preservasse parte da estrutura de poder local enquanto criava espaço para mudanças negociadas.
No entanto, as negociações não foram lineares, autoridades americanas com visões diferentes sobre a estratégia venezuelana (incluindo setores favoráveis a uma abordagem diplomática e outros a medidas mais duras) teriam entrado em confronto nos bastidores de Washington.
A Casa Branca chegou a interromper parte do diálogo no segundo semestre de 2025, em meio a pressões para adotar ações mais enérgicas contra o regime de Nicolás Maduro.
Com a operação militar dos EUA em Caracas nos primeiros dias de 2026, que resultou na captura do então presidente Nicolás Maduro, o contexto político mudou radicalmente.
Delcy Rodríguez foi empossada como chefe de Estado interina e, junto a seu irmão, passou a ser apontada como principal interlocutora dos Estados Unidos para o futuro das relações entre os dois países, inclusive na administração de setores chaves como o petróleo.
Esses encontros discretos, até então desconhecidos do público, lançam uma nova luz sobre as tentativas de negociação prévias ao conflito aberto entre Washington e Caracas, e mapeiam parte das estratégias diplomáticas que antecederam a atual fase de confrontos e acertos geopolíticos entre os dois governos.
Direita reage à decisão de Moraes de anular sindicância sobre atendimento médico de Bolsonaro

A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que anulou a sindicância do Conselho Federal de Medicina (CFM) — que visava apurar a conduta da Polícia Federal (PF) no atendimento ao ex-presidente Jair Bolsonaro — provocou reações imediatas de parlamentares da oposição nas redes sociais.
Moraes classificou a ação do CFM como “ilegal”, sem “competência para fiscalizar” a PF, e determinou depoimento do presidente do CFM à corporação. Integrantes da bancada da direita acusaram o magistrado de interferência indevida nos órgãos técnicos e perseguição política, além de abuso de poder.
O senador Magno Malta (PL-ES) afirmou que o CFM estava apenas “cumprindo seu dever institucional” ao questionar o atendimento de um custodiado. Segundo o senador, a anulação da sindicância e a ameaça criminal contra o órgão configuram “usurpação de competência, desvio de finalidade e abuso de poder” por parte de Moraes.
Para o senador Rogério Marinho (PL-RN), a decisão de Moraes escancara o que entende como distorção das instituições. “A Justiça, infelizmente, tem sido cada vez mais parcial e seletiva quando o assunto é Bolsonaro. Impedir que um conselho de classe exerça suas atribuições legais é um grave sinal de distorção institucional”, escreveu.
O deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS) acusou Moraes de tentar intimidar o CFM por cumprir sua função de fiscalizar denúncias, chamando a decisão de “clara tentativa de intimidação a um dos poucos conselhos de classe que não deixa de se posicionar contra os abusos da tirania”. Ele expressou solidariedade à direção do CFM.
Na mesma linha, a deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) criticou a determinação de oitiva do presidente do CFM pela Polícia Federal no prazo de dez dias. “A inércia do Senado Federal chegou ao ponto de o cara querer mandar no Conselho Federal de Medicina”, escreveu.
O deputado federal e delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP) classificou a anulação do processo administrativo como uma “clara intimidação” à autarquia. O deputado questionou a amplitude dos poderes do magistrado, indagando se ainda restaria “confiança na democracia brasileira” diante de um juiz que, em suas palavras, “apita em tudo”. “Um juiz que apita em tudo, alguém ainda acredita que não vivemos uma ditadura?”, disse.
Líder das minorias, o deputado Paulo Gayer (PL-GO) foi mais um a destacar o caráter autoritário da decisão. “Nosso país se tornou um regime autoritário, há tempos temos denunciado isso. O Judiciário controlando e neutralizando órgãos de fiscalização, violação direta ao princípio da legalidade”, disse ele no X.
Por fim, o deputado federal Cabo Gilberto Silva (PL-PB) reforçou as críticas, utilizando a decisão como “mais uma prova” de que o país vive sob um regime autoritário. Ele argumentou que a anulação pelo STF desrespeita diretamente a classe médica e a autonomia necessária para que o conselho realize apurações técnicas sobre a saúde de seus pacientes.
“A decisão do CFM de instaurar processo administrativo para apurar demora no socorro a Jair Bolsonaro, foi anulada pelo STF através de Moraes, clara intimidação do CFM! Um ministro do STF que não respeita nem a classe médica”, escreveu.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/direita-reage-a-decisao-de-moraes-de-anular-sindicancia-sobre-atendimento-medico-de-bolsonaro/
O inaceitável ataque do TCU à credibilidade do Banco Central

Quando examinaram a documentação do Banco Master, perceberam as bilionárias irregularidades do banco de Daniel Vorcaro e decidiram vetar a compra da instituição pelo Banco de Brasília (BRB), em setembro do ano passado, e liquidar extrajudicialmente o Master, dois meses depois, os técnicos do Banco Central certamente sabiam que estavam mexendo em um enorme vespeiro. Mas teriam eles esperado uma ofensiva tão brutal e uma tentativa tão escancarada de minar sua credibilidade, como a que vem sendo levada adiante por algumas das principais instituições da República? Depois do Supremo Tribunal Federal, é a vez de o Tribunal de Contas da União ameaçar a autonomia do Banco Central, conquistada a duras penas.
O ministro do TCU Jhonatan de Jesus, médico e ex-deputado federal ligado ao Centrão, iniciou sua campanha de ataque à credibilidade do Banco Central pouco antes do Natal, quando deu 72 horas para o BC se explicar sobre a liquidação do Master – no despacho inicial (ou seja, antes mesmo que houvesse qualquer resposta do BC), o ministro já manifestava juízo de valor ao falar em “precipitação na adoção da medida extrema de liquidação”, já deixando subentendido para onde gostaria de conduzir o caso todo. As explicações, assinadas pelos diretores Ailton de Aquino (Fiscalização) e Renato Gomes (Organização do Sistema Financeiro e de Resolução; seu mandato terminou em 31 de dezembro), foram enviadas logo depois do recesso natalino, e nelas o BC explicava em detalhes o tamanho e as circunstâncias da crise de liquidez do Master.
Por motivos que podemos considerar, sem medo, como inconfessáveis, muita gente em Brasília está bastante empenhada em salvar o Banco Master e Daniel Vorcaro
Não bastou. Como o Banco Central alegou que certos documentos embasando a liquidação do Master não constavam da resposta por serem sigilosos, com acesso restrito e consulta presencial apenas dentro da sede do BC, Jhonatan de Jesus reagiu. Em vez de simplesmente pedir, então, permissão para que os técnicos do TCU pudessem ir ao prédio do BC consultar a papelada, o ministro ordenou algo inédito: uma inspeção urgente no Banco Central, e cujo resultado poderia levar até mesmo a uma reversão da decisão que liquidou o Master, ou ao menos impedir a venda de ativos do banco de Vorcaro, providência comum em casos de liquidação.
Os bancos liquidados pelo BC se contam às dezenas: foram 40 nas últimas três décadas, e alguns deles ligados a figuras poderosas, como ex-ministros e ex-governadores. Mesmo assim, jamais ocorreu algo parecido com o que Jhonatan de Jesus resolveu fazer no caso da liquidação do Master, mesmo antes de o Congresso aprovar a autonomia do Banco Central, em 2021. E a razão é muito simples: o Tribunal de Contas da União não tem competência para investigar o Banco Central desta forma. Não há absolutamente nada nos artigos 70 a 75 da Constituição que dê ao TCU o poder de realizar esse tipo de inspeção, muito menos de anular uma decisão como a que o Banco Central tomou de forma técnica, tamanhas as encrencas em que Vorcaro meteu o Master com suas práticas. Em outras palavras, não há nenhuma explicação decente que justifique a decisão do ministro – o que há são outros tipos de explicação, que remetem ao ótimo relacionamento que Vorcaro mantinha com os altos círculos do poder em Brasília.
A ilegalidade da inspeção do TCU é tão flagrante que, em um país normal, bastaria ao Banco Central procurar a Justiça, que protegeria a autonomia do BC desse tipo de ingerência. Mas o Brasil não é um país normal. O Brasil é o país onde um ministro do Supremo Tribunal Federal lança sigilo quase absoluto sobre as investigações do Master e ordena uma acareação ilógica, com a presença de um diretor do BC (que o ministro tenha recuado disso na véspera é o de menos, pois só o fez diante da enorme repercussão negativa), tudo isso depois de pegar uma carona em um jatinho com o advogado de um dos sócios de Vorcaro. O Brasil é o país onde o escritório da mulher de outro ministro do STF tem um contrato multimilionário para defender o Master, com pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões que eram considerados prioridade absoluta pelo banqueiro. Nessas circunstâncias, como confiar que o Supremo faria valer a lei e colocaria Jhonatan de Jesus em seu lugar? O BC recorreu primeiro ao próprio TCU, mas uma corte de contas que já demonstrou seu pendor político no passado, ao perseguir Deltan Dallagnol, desperta tanta confiança quanto o STF de Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.
Por motivos que podemos considerar, sem medo, como inconfessáveis, muita gente em Brasília está bastante empenhada em salvar o Banco Master e Daniel Vorcaro, nem que para isso tenha de desferir um golpe mortal na autonomia do Banco Central, minando a credibilidade do setor técnico da autarquia. As duas principais instituições que avaliam a solidez dos sistemas bancários nacionais, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial, estão em alerta, e as pressões sobre o BC podem aparecer em um relatório que embasa a percepção de investidores estrangeiros sobre o Brasil e sobre os riscos de investir no país. É esse tipo de estrago que pessoas como Jonathan de Jesus estão dispostas a fazer, sabe-se lá por que obscuras razões.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/tcu-inspecao-banco-central-banco-master/

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