Verborragia de Lula é alvo de críticas e força Planalto a pegar leve em defesa do ditador

Lula recebe o ditador Nicolás Maduro no Palácio do Planalto. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Pesquisas para consumo interno do Palácio do Planalto concluíram que Lula (PT) errou novamente e agora a sua equipe corre para consertar dizendo que o tirano venezuelano Nicolás Maduro era de fato ditador e que o governo petista não reconheceu sua suposta vitória na eleição fraudada. Lula foi fortemente aconselhado a se distanciar da pecha de grande avalista da ditadura no país vizinho. A ordem é que o primeiro escalão não fale da Venezuela. Defesa de Maduro, nem pensar.

Acertou no alvo

Calou fundo a fala do governador paulista Tarcísio de Freitas (Rep), criticando a omissão do petista Lula, que ajudou a prolongar a ditadura.

Até o medo mudou

O medo na Praça dos Três Poderes deixou de ser de notas ou falas críticas e passou a ser de marines desembarcando no pátio do Alvorada.

Na bagagem

O problema é que o recesso de Lula terminou e o petista voltou a Brasília. Com Lula e Janja, voltou o medo do “excesso” nas falas.

Péssimo histórico

Língua solta, Lula no improviso já aliviou para traficantes, ofendeu mulheres e judeus e passou pano para corintiano agressor de mulheres.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/verborragia-de-lula-e-alvo-de-criticas-e-forca-planalto-a-pegar-leve-em-defesa-do-ditador

Parecer da PGR indica que Arruda está inelegível

Paulo Gonet, procurador-geral da República – Foto: Alejandro Zambrana/Secom/TSE).

O chefe da Procuradoria Geral da República (PGR), Paulo Gonet, endossou parcialmente a ação direta de inconstitucionalidade, movida pelo partido Rede Sustentabilidade, contra a lei complementar 219/2025, que alterou a Lei das Inelegibilidades na Lei da Ficha Limpa.

Gonet defendeu que a lei, no seu conjunto, é constitucional, pois não representa retrocesso na proteção à probidade administrativa nem à moralidade eleitoral. Ele argumentou que o Congresso tem ampla margem para ajustar prazos e critérios de inelegibilidade, desde que preserve o núcleo essencial desses princípios.

A norma padroniza prazos em oito anos, redefine marcos iniciais de contagem (como a partir da condenação colegiada em muitos casos) e cria o Requerimento de Declaração de Elegibilidade (RDE).

Na prática, com sua iniciativa, a PGR busca confirmar a inelegibilidade de políticos como o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda (PSD), com várias condenações com ba na Lei da Ficha Limpa. Ele acumula, por exemplo, condenações por improbidade administrativa.

Arruda inelegível

O PGR reconhece inconstitucionalidades em dispositivos específicos, na manifestação enviada ao Supremo Tribunal Federal(STF),  propondo interpretações conforme a Constituição ou suspensão de trechos que extrapolam a lógica de proteção às eleições livres.

Entre eles estão regras sobre contagem de prazos em condenações criminais e por improbidade, limite para acumulação de inelegibilidades e aferição de elegibilidade até a diplomação. Caso a alegação venha a ser confirmada pelos ministros do STF, trata-se da confirmação da inelegibilidade de Arruda.

As alterações na Lei das Inelegibilidades levaram Arruda a concluir que estaria elegível, apesar das cinco condenações por improbidade administrativa, mas o problema é que este é o único caso em que a lei não retroage para beneficir, de acordo com interpretação confirmada no plenário do STF.

A ADI, relatada pela ministra Cármen Lúcia no STF, questiona vícios formais e materiais na lei, alegando flexibilização excessiva das inelegibilidades e risco à integridade do processo eleitoral de 2026. O parecer de Gonet será analisado pelo STF no julgamento da ação.

Duas das cinco condenações de Arruda por improbidade transitaram em julgado nos últimos dois anos, sem a mais recente em 2024. E não tem como “agrupar” todas e nem muito menos fazê-las retroagir para beneficiar o condenado.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/politica/ttc-politica/parecer-da-pgr-indica-que-arruda-esta-inelegivel

É ‘estapafúrdia’ alegação de que BC se precipitou, diz Armínio Fraga

Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central – Foto: reprodução redes sociais.

Ex-presidente do Banco Central no governo Fernando Henrique Cardoso, o economista Armínio Fraga considera “estapafúrdia’ a “acusação de precipitação” do BC na liquidação do Banco Master, de Daniel Vorcaro. Ele disse ao jornalista Alvaro Gribel, do jornal O Estado de S. Paulo que vê com preocupação as intervenções do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal de Contas da União (TCU) no caso.

Para Arminio, nome respeitado no mercado financeiro, o risco de uma reversão da liquidação é absurda e as atuações de ministros de ambas as cortes não fazem sentido.

Apesar dessa avaliação, ele afirma que não há problema nenhum em o Banco Central ter o seu trabalho auditado e que processos sejam revistos, nas não acha que é isso que “parece estar acontecendo” neste momento.

“É algo extremamente estranho o que acontece agora. Como esse tema envolve relações de poder em tudo o que é parte do espectro político, é um caso em que, pelo visto, tem muita gente querendo assar uma pizza do tamanho do Maracanã”, disse.

Arminio diz que os sinais de problemas no Master já correm há muitos anos, e que é praticamente impossível que o BC erre na avaliação de ativos problemáticos da instituição: “Não há nada interpretativo nessa análise, é absolutamente técnica”, disse.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/dinheiro/ttc-dinheiro/e-estapafurdia-alegacao-de-que-bc-se-precipitou-diz-arminio-fraga

Vice de Tarcísio, Felício Ramuth reitera que PT é ‘narcoafetivo’

O governador em exercício, Felício Ramuth (PSD) | Foto: Divulgação / Governo de SP

O governador em exercício de São Paulo, Felício Ramuth (PSD), voltou a chamar o Partido dos Trabalhadores (PT) de “narcoafetivo” dias após a legenda ingressar na Justiça contra ele por declarações semelhantes. A ação foi protocolada nesta terça-feira (6) pelo Diretório Nacional do PT.

Felício Ramuth é vice-governador desde 2023, na gestão de Tarcísio de Freitas, e assumiu interinamente o comando do estado durante a licença do titular até domingo (11). Filiado ao PSD desde 2022, é apontado como um dos nomes cotados para a disputa pelo governo paulista em 2026.

Leia íntegra da nota de Felício

“O termo foi usado em sentido político e retórico, para criticar uma postura pública de tolerância e relativização diante do crime organizado, algo que inclusive parte da sociedade e da imprensa já debate.

Reafirmo que o PT é um partido Narcoafetivo.

Um Partido que vota em peso contra o PL Anti-Facção.
Um Partido que promove e defende saidinha de presos.
Um Partido que tem sua principal liderança afirmando que traficante é vítima de usuário.
Um Partido que acessa livremente locais do Brasil que nem a polícia tem acesso.
Um Partido que permite que drogas e armas continuem entrando pelas fronteiras.
Um Partido que tem seus ministros e presidente dividindo palanque com crime organizado (ex: favela do moinho).
É sim um Partido Narcoafetivo.”

O partido acusa Ramuth de suposta “calúnia” e “disseminação de fake news”, pede censura ao conteúdo e ainda quer tomar R$30 mil de Ramuth a título de “indenização”. A legenda repetiu o velho chavão de que “liberdade de expressão não autoriza a atribuição de crimes sem comprovação a adversários políticos.”

A declaração que motivou o processo foi feita na segunda-feira (5), durante agenda em Santo Amaro, na zona sul da capital paulista, quando Ramuth comentou a crise na Venezuela e um eventual fluxo migratório ao Brasil. Na ocasião, ele associou o PT a um “Estado narcoafetivo”.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/sao-paulo/vice-de-tarcisio-felicio-ramuth-reitera-que-pt-e-narcoafetivo

BC aciona MPF para bloquear R$10 bilhões ligados ao Banco Master

Dono do Banco Master é alvo de operação da Polícia Federal. (Foto: Divulgação).

Em uma ofensiva para resguardar ativos e garantir a ordem do processo de liquidação, o Banco Central (BC) solicitou ao Ministério Público Federal (MPF) o congelamento de valores que ultrapassam a marca de R$ 10 bilhões. O montante está alocado em fundos de investimento que eram utilizados pelo Banco Master, instituição que recentemente teve sua liquidação decretada pelo regulador.

O requerimento de bloqueio ocorre em um momento crítico, logo após a interrupção das operações da instituição. A estratégia da autoridade monetária visa impedir que recursos significativos sejam movimentados ou retirados antes da apuração completa das obrigações da massa liquidanda. O foco da medida são os veículos de investimento estruturados, que concentram grande parte do patrimônio gerido ou vinculado ao banco.

A atuação conjunta com o MPF é um rito padrão em casos de intervenção sistêmica, servindo como uma camada extra de proteção contra a possível “dissipação de ativos”. Segundo interlocutores próximos ao processo, a rapidez na solicitação é fundamental para evitar que decisões rápidas e de “difícil reversão” comprometam o ressarcimento de credores e a estabilidade do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

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A decisão do BC de acionar os procuradores federais reforça a gravidade com que o órgão trata a deterioração financeira do Master. A medida de congelamento de bens e fundos é vista como um passo indispensável para garantir que a auditoria interna e a futura destinação dos recursos ocorram sem interferências externas ou tentativas de esvaziamento patrimonial durante o período de liquidação.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/bc-aciona-mpf-para-bloquear-r10-bilhoes-ligados-ao-banco-master

Filho de Lula é dono de empresa com quase R$400 mil de dívida à União

Sandro Luís Lula da Silva (Foto: Reprodução)

A G4 Entretenimento e Tecnologia Digital Ltda., companhia que tem como um de seus proprietários Fábio Luís Lula da Silva, primogênito do presidente da República, possui uma dívida acumulada de R$ 398,3 mil com o governo federal. Os dados constam nos registros oficiais da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e referem-se a débitos que já foram inscritos na Dívida Ativa da União, abrangendo pendências tributárias e previdenciárias.

De acordo com as informações extraídas do sistema da PGFN, o montante total é dividido em três categorias principais de inadimplência. A maior fatia, correspondente a R$ 310,2 mil, é relativa a impostos federais diversos. Outros R$ 79 mil são provenientes de contribuições previdenciárias não recolhidas, enquanto uma parcela menor, de R$ 9 mil, refere-se a multas de natureza trabalhista.

A empresa, na qual Fábio Luís divide a sociedade com os empresários Kalil e Fernando Bittar, está atualmente em situação de “irregularidade” perante o fisco. Esse status impede, entre outras sanções, que a companhia obtenha a Certidão Negativa de Débitos (CND), documento essencial para a participação em processos de licitação pública ou para a contratação de financiamentos junto a instituições bancárias estatais.

Questionada sobre o passivo financeiro, a defesa do empresário minimizou o impacto dos valores e indicou que a regularização está sendo processada. Em nota oficial, os representantes legais de Fábio Luís Lula da Silva declararam que:

“A G4 Entretenimento e Tecnologia Digital Ltda., como inúmeras empresas brasileiras, possui débitos fiscais que estão sendo discutidos ou parcelados, seguindo os trâmites legais previstos pela Receita Federal e pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional.”

O posicionamento reforça que a situação fiscal da G4 não difere da realidade de outros empreendimentos privados no país e que os mecanismos jurídicos de quitação estão sendo utilizados. Até o fechamento desta edição, não houve atualização no sistema da PGFN que indicasse a quitação integral ou a suspensão da exigibilidade dos débitos citados.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/filho-de-lula-e-dono-de-empresa-com-quase-r400-mil-de-divida-a-uniao

Segurança do país depende da derrota de Lula em 2026

Maioria dos brasileiros desaprova governo Lula, segundo levantamento da Paraná Pesquisa. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Uma Lei Antifacção rigorosa e mecanismos para atingir os recursos financeiros dos grupos criminosos organizados não serão suficientes para livrar o Brasil da insegurança enquanto tivermos Lula como presidente da República. No balanço dos trabalhos deste ano, na Câmara dos Deputados, para buscar avanços na segurança pública, a conclusão a que eu chego é de que eleger um presidente de direita em 2026 é a única saída para tirarmos o país das mãos dos bandidos.

O Paraná é um estado privilegiado nesse sentido, graças às políticas do governador Ratinho Júnior, por sinal um grande nome da direita para a Presidência. Enquanto Lula diz que traficante é vítima de viciado e o Congresso Nacional deixa para 2026 as definições sobre a Lei Antifacção e a PEC da Segurança, minha defesa ainda é de que os integrantes desses grupos organizados recebam, sim, o tratamento jurídico de terroristas. E, para atingir seus braços financeiros, apresentei o Projeto de Lei 5.475/2025, o PL das Bets, que proíbe propaganda dos jogos que destroem famílias e enriquecem facções.

De outro lado, sempre defendi o direito do cidadão comum ter armas para se proteger. E, este ano, apresentei o Projeto de Lei 4.631, que permite o uso de armas de fogo pelos agentes agropecuários durante suas atividades no meio rural, que sempre podem envolver a violência típica do Movimento dos Sem Terra, o MST. No campo, não é diferente do que nas cidades, a preocupação com segurança. Afinal, agora, em dezembro, mais um estudo internacional apontou o país como o sétimo mais violento entre 50 países pesquisados, um destaque ruim para a sociedade que anseia por paz.

Outra medida relacionada à violência foi a apresentação do Projeto de Lei 4.433, que garante o afastamento do trabalho e benefício previdenciário para as mulheres vítimas de violência doméstica. E, para proteger os idosos que vivem em instituições de longa permanência, como clínicas e asilos, elaborei o Projeto de Lei 5.152, que as obriga a manter câmeras de monitoramento nos ambientes comuns e de monitoramento direto.

Reinhold Stephanes Júnior é empresário e economista, deputado federal, membro das Comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, Relações Exteriores e Finanças e Tributação.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/seguranca-do-pais-depende-da-derrota-de-lula-em-2026/?cx_testId

Pressão do TCU e do STF sobre o BC no Caso Master expõe conflitos de interesses

Toffoli determinou a acareação sem pedido prévio dos investigadores da Polícia Federal responsáveis pela apuração do caso, no âmbito do processo sigiloso sob sua relatoria no tribunal. Depois, recuou. (Foto: Gustavo Moreno/STF)

O embate entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Banco Central, desencadeado a partir do caso Banco Master, expôs conflitos de interesses e desafia a contenção de poderes. Uma prova de que as tensões estão longe de terminar emergiu nesta segunda-feira (5). O Tribunal de Contas da União (TCU), órgão ligado ao Legislativo, rejeitou as explicações apresentadas pelo BC sobre a liquidação extrajudicial do Master e determinou uma inspeção mais profunda no regulador para apurar o processo decisório, com foco em documentos internos e na cronologia das decisões.

O relator, ministro Jhonatan de Jesus, afirmou que a medida visa reconstruir o “caminho das decisões” e verificar se foram devidamente motivadas, coerentes e proporcionais, sem, contudo, o TCU se substituir ao BC na análise técnica. Agentes do mercado financeiro temem que movimentos assim coloquem em risco a credibilidade de todo o sistema financeiro, ameaçado por ingerências políticas sobre os reguladores técnicos.

No despacho, o TCU não descartou a adoção de uma medida cautelar contra a autoridade monetária caso entenda que as decisões adotadas na liquidação possam comprometer a apuração ou gerar “danos irreversíveis”. A Corte quer saber, entre outros pontos, se alternativas privadas e propostas de compradores foram adequadamente avaliadas antes da decisão final de retirada do banco do sistema financeiro. Analistas chamam o risco de suspensão da liquidação de catástrofe sistêmica.

Antes disso, houve alívio temporário da diretoria do Banco Central (BC), dos sócios das instituições financeiras e dos operadores do mercado de capitais com o recuo do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), em sua intervenção pessoal nas investigações do escândalo do Banco Master. O ministro excluiu Ailton Aquino dos Santos, diretor de Fiscalização do BC, da acareação atípica que ele próprio havia marcado para 30 de dezembro com o controlador do Master Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa, Toffoli se dobrou aos altos riscos da sua iniciativa.

Para analistas ouvidos pela Gazeta do Povo, o ministro foi pressionado por vários lados sobre desgastes da Corte e danos à credibilidade da autoridade monetária.

A acareação havia sido determinada por Toffoli no âmbito das investigações que envolvem Vorcaro e o ex-presidente do BRB. No BC, sempre houve o entendimento de que não havia justificativa para submeter um diretor da autarquia a um confronto direto com investigados, especialmente sem a existência de versões contraditórias previamente formalizadas. Pela mesma razão, a Procuradoria-Geral da República (PGR) também havia pedido o adiamento da medida.

A retirada do servidor reduziu então a tensão institucional e evitou a exposição indevida do BC em um procedimento considerado irregular por juristas. Preservada a autonomia institucional e operacional da autoridade monetária e sem o surgimento de precedente perigoso, no qual decisões judiciais poderiam constranger servidores técnicos no exercício das suas funções regulatórias.

Eduardo Galvão, diretor de Public Affairs da consultoria internacional Burson, avalia que, do ponto de vista apenas institucional, o episódio do Banco Master ainda envolve muito mais um embate político e narrativo do que um caso jurídico em si. “A oposição atua dentro de um incentivo político de momento ao tensionar o tema, enquanto o próprio desenho institucional brasileiro impõe barreiras altas a qualquer escalada mais grave contra ministros do STF”, diz.

Para ele, no curto prazo, o risco maior não é jurídico, mas reputacional e institucional. Assim, sem fatos novos, a hipótese de impeachment de Alexandre de Moraes ou Dias Toffoli segue sendo de baixa probabilidade.

Arrefecimento da crise pode ser motivado por combinação de pressões

Para o economista e consultor financeiro Julio Hegedus Netto, os investidores respiraram aliviados após o recuo de Dias Toffoli, num momento em que o STF se aproximava perigosamente de um ponto capaz de comprometer seriamente a credibilidade e a autonomia operacional do BC. Na sua avaliação, o presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, confirmou a expectativa dominante entre os agentes econômicos de que atuaria como anteparo institucional, disposto a preservar o BC de interferências externas e de desgastes políticos desnecessários.

Segundo Hegedus Netto, o fato de Galípolo ter sido indicado pelo presidente Lula contribuiu para conter reações de setores governistas e do próprio STF contra essa postura considerada responsável, evitando a escalada aberta do conflito. “A leitura do mercado é de que esse equilíbrio tende a ser mantido, mesmo com futuras indicações do Planalto para a diretoria da autoridade monetária, prevalecendo o compromisso com as regras técnicas e com o mandato legal da instituição”.

O economista avalia ainda que o arrefecimento da crise pode decorrer da combinação de pressões vindas de diferentes frentes — mercado financeiro, especialistas, entidades representativas e opinião pública. “A resposta da sociedade foi tão acachapante que Toffoli recuou”, resumiu. Para ele, a repercussão jornalística sobre conexões consideradas suspeitas entre integrantes da Corte e o controlador do Banco Master também serviu de catalisador desse movimento, encorajando críticas que antes circulavam apenas nos bastidores.

Hegedus Netto acrescenta que o eventual surgimento de novas revelações a partir do conteúdo do celular de Daniel Vorcaro pode funcionar, na prática, como uma espécie de delação antecipada, ainda que informal. Na sua visão, os detalhes e as ramificações dessas informações têm potencial para produzir impactos mais profundos no ambiente político e institucional, ampliando o custo de novas investidas contra a autonomia do BC e reforçando a vigilância do mercado sobre a rotina das instituições.

Confronto de versões marca investigação sobre veto à venda do Banco Master

Em decisão de última hora, o ministro Dias Toffoli determinou que a Polícia Federal realizasse, em 30 de dezembro, a oitiva das três figuras apontadas por ele como centrais no inquérito que apura a decisão do Banco Central de vetar a venda do Banco Master ao Banco de Brasília e, posteriormente, decretar a liquidação extrajudicial da instituição.

A acareação ficou condicionada à avaliação da delegada da PF, Janaína Palazzo, que identificou contradições entre o controlador do Master, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. O confronto entre as versões, realizado à noite do mesmo dia, durou cerca de meia hora e terminou deixando dúvidas, além de evidenciar forte tensão entre as partes — sobretudo porque a defesa do banqueiro buscava questionar os atos do BC. Janaína sentiu-se constrangida por receber questionário pronto do STF.

De acordo com bastidores registrados pela imprensa, as perguntas formuladas por Toffoli e repassadas a seu juiz auxiliar Carlos Vieira Von Adamek, que acompanhou a acareação, coincidiram com a estratégia dos advogados de Vorcaro. O foco esteve nos fundamentos técnicos e circunstanciais que levaram o regulador a rejeitar a operação financeira entre as instituições, ponto sensível no inquérito.

Os depoimentos integram uma investigação mais ampla sobre suspeitas de irregularidades e possíveis fraudes relacionadas à tentativa de venda do Master, cuja liquidação foi decretada pelo BC em novembro. Embora decidida no âmbito da PF, a acareação acabou cumprindo formalmente seu papel de confrontar versões divergentes para esclarecer inconsistências, sem produzir, até o momento, conclusões definitivas.

A expectativa agora é que o inquérito siga seu curso regular, sem novos movimentos que ampliem o desgaste institucional ou coloquem em xeque a independência do órgão responsável por vigiar o sistema financeiro.

Pressionada a apurar ligação Moraes-Master, PGR está em ponto de espera

Após o procurador-geral da República, Paulo Gonet, decidir arquivar um pedido de investigação sobre a possível atuação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, em favor dos interesses do Master, parlamentares voltaram a solicitar que a sua conduta seja apurada. Moraes nega qualquer irregularidade.

Os pedidos foram protocolados depois que veículos de imprensa divulgaram que Moraes teria mantido diversas conversas com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, para tratar do caso — informação publicada pelo O Globo e confirmada pelo O Estado de S. Paulo.

Em apenas um dia, Moraes teria ligado seis vezes para Galípolo para tratar do tema. Para Gonet, no entanto, não há provas concretas para apurar as suspeitas de que Moraes teria pressionado o presidente do BC sobre a fiscalização no banco. Moraes negou a acusação e disse que tratou com ele apenas sobre a aplicação de sanções financeiras dos Estados Unidos, no âmbito da Lei Magnitsky.

No âmbito da PGR, o vereador de Curitiba Guilherme Kilter (Novo) apresentou novo pedido para que seja investigada a atuação de Moraes. Já no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o deputado Ubiratan Sanderson (PL-RS) solicitou a abertura de procedimento apuratório para verificar possíveis condutas inadequadas.

O debate gira em torno de relatos de que Moraes teria feito várias ligações para Galípolo num curto espaço de tempo sobre o Banco Master. Além disso, há controvérsia sobre um contrato de R$ 129 milhões entre o banco e o escritório de advocacia da esposa de Moraes, Viviane Barci, que motivou questionamentos sobre conflito de interesses.

Kilter argumenta que as ligações mostram “a intensidade da pressão exercida pelo ministro sobre a autoridade monetária” e que isso poderia configurar advocacia administrativa – crime que consiste em influenciar decisões públicas em favor de interesses privados.

A oposição articula, mesmo durante o recesso parlamentar, uma estratégia para avançar com a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a apurar o caso Banco Master, incluindo possíveis conflitos de interesses envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, do STF. Para a instalação da CPMI, são necessárias 171 assinaturas de deputados e 27 de senadores. Até agora, parlamentares oposicionistas afirmam ter conseguido 231 assinaturas de deputados e 20 de senadores.

Paralelamente, um novo pedido de impeachment de Moraes também foi protocolado pela oposição. Segundo líderes oposicionistas, o documento já teria reunido 150 assinaturas de deputados e 14 de senadores, com a meta declarada de ultrapassar os maiores números já vistos em iniciativas similares — mais de 150 deputados e 40 senadores — para dar maior robustez política ao pedido.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/pressao-do-tcu-e-do-stf-sobre-o-bc-no-caso-master-expoe-conflitos-de-interesses/

Alexandre Garcia

Tentaram até recrutar influenciador para desmoralizar o BC

Banco Master, em São Paulo. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

Estadão é um dos principais jornais deste país e está acompanhando bem o escândalo gigantesco que está se tornando essa liquidação do Banco Master. Eu já falei aqui que eu não vi nenhum tipo de interferência quando liquidaram o Econômico, que tinha Antônio Carlos Magalhães e Ângelo Calmon de Sá, que era ministro; o Nacional, que tinha Magalhães Pinto, ex-governador, ex-presidente do Senado, ex-ministro; ou o Bamerindus, que tinha Andrade Vieira, ex-ministro da Indústria e Comércio. Ninguém fez nada.

O ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, no Estadão, conta essa mesma história sobre a liquidação de outros bancos, com políticos de muito peso; ninguém tentou blindar ou atrapalhar a liquidação, nem se meter no Banco Central, que hoje tem autonomia, mas na época daquelas liquidações ainda não tinha – e, mesmo assim, ninguém se meteu. O governo Fernando Henrique, por exemplo, respeitou a ação do Banco Central, que é muito criteriosa. Por que, então, toda essa história com o Master?

Um vereador em Erechim (RS), influenciador com 1,7 milhão de seguidores, contou ao Estadão que foi procurado para ganhar dinheiro dizendo que o Master é vítima de perseguição do Banco Central. Isso foi no dia 20 de dezembro, mais ou menos um mês depois de o Master ter sido liquidado pelo BC. Isso é Daniel Vorcaro com seus tentáculos, seus amigos, e aqueles que ele tem no bolso. No dia em que ele falar, decerto vai atrapalhar a vida de muita gente. Tem aquele contrato com o escritório da esposa do ministro Alexandre de Moraes, de R$ 3,6 milhões por mês, que ninguém consegue explicar transparentemente. Tem Dias Toffoli levando para o Supremo um caso que estava na primeira instância, e botar um sigilo absoluto por cima.

E agora vem o Tribunal de Contas da União, como se houvesse dinheiro da União no Master, quando é exatamente o oposto: o Master é que certamente deve ter comprado muito papel do Tesouro Nacional. O TCU não tinha nenhum motivo pra se meter nisso. É um órgão do Legislativo, que já está tomando providências, já tem assinaturas suficientes para fazer uma CPI e investigar essa história. E a Polícia Federal vai ouvir outra vez o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa, diretores do Master e do BRB, para apurar por que o BRB queria tanto comprar o Master. Que motivação havia, a ponto de a bancada governista ter sido mobilizada para aprovar no Legislativo do Distrito Federal a compra do Master, considerada um grande negócio.

Lewandowski e Haddad estão de saída

O presidente Lula vai ter de achar um ministro da Justiça e um ministro da Fazenda, porque Ricardo Lewandowski e Fernando Haddad vão cair fora. Lewandowski era ministro do Supremo; ele não viu que a Constituição diz “República Federativa do Brasil”, e fez um projeto de segurança pública que esquece a Constituição. Segurança pública é com os estados, mas Lewandowski estava praticamente transformando a Federação em república unitária. Claro que os governadores não quiseram saber. Esse protesto vem desde sempre no Brasil: o governo central se metendo demais nos estados.

Haddad deve estar dando graças a Deus que vai embora. Não conseguiu resolver os problemas, inventou aquele arcabouço, uma espécie de camuflagem para acabar com o teto de gastos estabelecido no governo Temer – uma das melhores coisas que foram feitas naquela época. E o resultado está aí, um déficit imenso. Se Lula tivesse juízo, seria até divertido: chamaria Paulo Guedes, que botou tudo em ordem com pandemia em metade do mandato; ainda assim, fechou com superávit. É possível fazer; basta aplicar o “mais Brasil e menos Brasília”. 

História do passaporte de Eliza Samudio é coisa de mistério policial 

É enredo para um filme ou livro de mistério policial essa história da descoberta, em uma pensão em Portugal, do passaporte de Eliza Samudio. O ex-goleiro Bruno, do Flamengo, foi condenado a 22 anos pela morte dela; não se achou o cadáver até hoje. Isso faz 15 anos, e agora aparece um passaporte em Portugal. Não é para a gente imaginar mil coisas ou fazer um enredo de ficção, de mistério?

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/influenciador-banco-master-banco-central/

Rodrigo Constantino

A indiferença mata a democracia

Venezuelano comemora com o filho em Brasília, após a prisão de Nicolás Maduro. (Foto: André Borges/EFE)

Participei hoje cedo de uma entrevista com Gabriel Orozco, missionário da Venezuela que conseguiu fugir para o Brasil em 2021. Ele atravessou a fronteira pela mata, acompanhado da mulher e dos três filhos pequenos, enquanto um “coiote” os ajudava e apontava para os maiores perigos da travessia. Deixou pai e irmãos para trás, na miséria, sentindo que havia falhado em sua luta pela liberdade.

Quando Hugo Chávez assumiu o poder, Gabriel tinha apenas 9 anos. “Roubaram minha adolescência”, diz. Ele cresceu com um regime opressor socialista, e sua vida inteira adulta, até 2021, foi sob o regime tirânico de Maduro. Seu pai foi da Colômbia para a Venezuela há 40 anos, e criou uma grande construtora. Ela foi destruída pelo regime.

Com o projeto deliberado de destruir a iniciativa privada para gerar dependência do Estado, o governo da Venezuela se recusava a vender insumos para a empresa, pois o pai de Gabriel não era ligado ao partido socialista no poder. A miséria atingiu a todos: cerca de 8 milhões de venezuelanos buscaram o exílio em outros países, e os que ficaram passam fome, milhões usufruindo de uma só refeição por dia.

Os venezuelanos não se importam com o petróleo ou o diamante: eles pensam em suas famílias, na fome, na liberdade. Por isso enxergam em Trump uma chance para resgatar a democracia e a prosperidade perdidas com os socialistas

Perguntei a Gabriel quais as lições que nós, brasileiros, podemos extrair dessa tragédia toda na Venezuela. Ele respondeu: a indiferença. Muitos venezuelanos não foram votar lá atrás, pois consideravam todos os políticos iguais. Entre Chávez e Caprilles, muitos não ligavam qual seria o governante. Alguns cristãos repetiam que a política era o ambiente do diabo.

Houve traição de muitos da “direita” também, que depois se mostraram aliados do chavismo. Enquanto isso, com o povo desarmado e a oposição perseguida e desmobilizada, a ditadura foi avançando. Milhares de presos políticos passaram por tortura, jornalistas foram presos e as instituições foram aparelhadas.

Gabriel conclui que nada mais poderia ser feito de dentro do país, sem ajuda internacional. Enquanto gente de fora acusa Trump de “imperialista”, Gabriel e os demais venezuelanos enxergam o presidente americano como uma esperança para restaurar a democracia na Venezuela.

Ele sabe que não será fácil nem de imediato, pois a presidente interina, Delcy Rodriguez, é parte da estrutura chavista com seu irmão Jorge, com os ministros Cabello e Padrino. Trump, municiado por análises da CIA, concluiu que era preciso trabalhar num primeiro momento com esses criminosos para manter a ordem, mas espera-se que a pressão americana seja suficiente para uma transição de regime.

O futuro da Venezuela é incerto, mas é do interesse americano não permitir que a China siga explorando seu petróleo. E como Gabriel disse, os venezuelanos não se importam com o petróleo ou o diamante: eles pensam em suas famílias, na fome, na liberdade. Por isso enxergam em Trump uma chance para resgatar a democracia e a prosperidade perdidas com os socialistas.

Sobre o Brasil, Gabriel foi claro: pensem bem em quem votar este ano, pois essa escolha pode fazer toda a diferença no futuro. Pode ser a diferença entre a opressão na miséria e a prosperidade na liberdade. Socialistas sempre produzem um quadro de opressão e miséria. Depois é tarde demais.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/rodrigo-constantino/venezuela-indiferenca-mata-a-democracia/

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