A indignação da extrema-esquerda com a megaoperação do Rio

Thiago Braga
Aprovação: quase 90% dos moradores de favelas cariocas aprovam a megaoperação. (Foto: Antonio Lacerda/Agência EFE)

Nas últimas semanas, a internet parou para comentar a megaoperação no Rio de Janeiro, onde lamentavelmente quatro policiais morreram no confronto contra narco-terroristas. Mas o lamento dos militantes da extrema-esquerda não é sobre os policiais mortos, e sim sobre os criminosos que, a cada dia mais, criam um Estado paralelo, dominando territórios com “fronteiras” marcadas por barricadas.

A hipocrisia desse tipo de gente é revelada no próprio discurso: eles entendem e justificam as ações de Stálin e de seu time, que mataram milhões de pessoas de fome graças às suas políticas desastrosas.

Quando encontraram resistência dos camponeses que estavam sofrendo e morrendo, executaram centenas de milhares e deportaram outros milhares para campos de concentração, sob a mera acusação de serem “inimigos da revolução” ou kulaks — camponeses ricos que supostamente tentavam sabotar a coletivização da agricultura.

Além disso, não podemos esquecer do infame Grande Terror, quando o comunismo soviético executou sumariamente quase 1 milhão de inimigos políticos, pessoas que se empenhavam ativamente em mudar o curso terrorista do regime.

Os comunistas só precisaram de cerca de 10 anos para matar todos esses milhões de civis: camponeses, professores, políticos, engenheiros. Nesse caso, dizem eles, essas ações são compreensíveis analisando o “contexto” de que a URSS sofria sério risco de ser derrubada; portanto, tais medidas seriam para proteger o regime contra os capitalistas.

O Estado brasileiro tem uma série de falhas sistêmicas, isso é inegável: educação, segurança e saúde são os três pilares nos quais o Estado tem falhado, e o crime também é consequência disso.

Mas o crime existe hoje, e ele precisa ser combatido hoje: mesmo que o Estado investisse 100% do PIB nesse tripé, ainda assim haveria crime organizado dominando territórios, cobrando internet, gás e aplicativo de transporte dos moradores, colocando barricadas em frente às suas casas

Os moradores não aguentam essa realidade diária e estão desesperados. E as pesquisas refletem isso, para desespero dos demagogos elitistas: quase 90% dos moradores das favelas apoiaram a operação e apoiam futuras operações nesse estilo.

Porém, na análise desses demagogos que estão no conforto de seus apartamentos, o trabalho da polícia é simples, pois “com uma pedra é possível desarmar um criminoso com um fuzil de guerra”, como uma dessas sábias “especialistas” comentou recentemente.

Uma pena que esses especialistas não subam os morros junto com os policiais e entrem em confronto com criminosos para mostrar como se faz. Acho que os policiais ficariam felizes em aprender com quem realmente entende de segurança pública.

Aliás, não sei quanto a você, mas depois de ouvir esses especialistas em segurança, eu me sentiria mais seguro em ver policiais patrulhando com pedras nas mãos em vez de armas na Cidade Maravilhosa. E você?

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/thiago-braga/a-indignacao-da-extrema-esquerda-com-a-megaoperacao-do-rio/#success=true

Alexandre Garcia

Tarifas dos EUA continuam e governo festeja como se não existissem

Redução de tarifas recíprocas anunciada pelos Estados Unidos traz alívio de 10% para o Brasil, que continua a ser alvo da taxação de 40%. (Foto: EFE/Andre Borges)

Muita gente se enganou, festejando — inclusive o governo festejou — que Trump tirou as tarifas e tal. Só que não foi só do Brasil: tirou de todo mundo. E tem gente que é concorrente do Brasil que foi altamente beneficiado, como o Vietnã, por exemplo, que ficou com zero tarifa para o café. Tirou 10% aqui, mas o nosso café ainda tem os 40% da tarifa punitiva.

Por que é punição? Porque a Constituição brasileira diz, no artigo 5º, inciso 37, que não haverá juízo ou tribunal de exceção. E está havendo. E aí o Trump sabe que está havendo e vai manter a punição enquanto houver.

Então, tirou de carne, de aço, de banana, de açaí. Vamos ver se tem mais algum outro produto que interessa. Foram 200 produtos. Sucos. Só que tirou de todo mundo, inclusive dos nossos concorrentes. O próprio ministro do Comércio Exterior, que é o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, disse que piorou a situação. E o governo festejou. Bom, mas enfim, agora a gente continua com 40% dessa punição.

Barroso e o risco de novas sanções Magnitsky

Só para lembrar dessas punições: Barroso foi punido, como todos os ministros — quase todos os ministros — do Supremo, com perda de visto. Mais o AGU, Messias, e o procurador-geral da República. No Supremo, só não perderam o visto Fux, André e Cássio; os outros perderam.

Acho que alguém soprou para Barroso que havia a iminência de mais Magnitsky. E ele, como adora os Estados Unidos e tem bens por lá, resolveu sair do Supremo para ver se seria dispensado de mais uma punição. Eu não sei o que pode acontecer ainda, porque continuam os problemas contrariando a Constituição brasileira, que proíbe que haja tribunal de exceção.

Por exemplo, esses que estão sendo julgados lá no Supremo deveriam estar na primeira instância. Eles não têm foro privilegiado, nenhum deles. Deveriam estar na primeira instância e ter o direito de defesa, direito de recurso na segunda instância, na terceira instância. Mas não têm. Então a Constituição também diz, no mesmo artigo 5º, que exige o amplo direito de defesa. E isso não existe.

PGR denuncia irmãos por ameaças, mas caso vai ao Supremo

Dois irmãos foram presos, estão em prisão domiciliar, por ameaçar Moraes e sua família. E agora a Procuradoria-Geral da República os denuncia no Supremo.

Mas esses dois irmãos são deputados? São senadores? São ministros? Não. São pessoas comuns, que deviam estar na primeira instância. Esse é o problema. Como é que a própria vítima é quem vai julgar? Isso é tribunal de exceção? Não faz sentido.

Eu tenho dito que o Kafka, autor de “O Processo”, está sendo humilhado aqui no Brasil. A ficção dele está sendo simplesmente história da carochinha, de Poliana, perto do que acontece aqui no Brasil.

UNB e o filtro ideológico em novos professores

O sujeito vai lá na Unb, Universidade de Brasília, para começar a lecionar e passa por um interrogatório para saber se ele é de direita ou esquerda, em quem ele votou. Se ele votou “errado” para a UnB, se ele não é de esquerda, ele não entra na UnB. E o nome dele fica marcado para não entrar em nenhuma universidade federal.

A UnB, o setor que toma decisões, decidiu dar doutor honoris causa — ou doutora — a Dilma Rousseff, cuja administração na Presidência da República provocou um encolhimento do produto interno bruto em 7%. Foi um dos piores períodos da economia brasileira. Certamente não é doutora honoris causa em Economia. E a comunicação foi publicada, escrita por uma professora, num português tão paupérrimo quanto.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/tarifa-dos-eua-continua-e-governo-festeja-como-se-nao-existisse

Paulo Filho

Porta-aviões dos EUA no Caribe: pressão estratégica ou sinal de guerra?

O maior porta-aviões do mundo, USS Gerald R. Ford, pertencente aos EUA, chegou ao mar do Caribe, elevando as tensões com a Venezuela. (Foto: Maxwell Orlosky/Marinha dos EUA/Wikimedia Commons)

Em uma movimentação militar sem precedentes nas últimas décadas, o porta-aviões norte-americano de propulsão nuclear Gerald Ford, a maior embarcação de guerra do mundo, chegou ao Caribe, escoltado pelos quatro navios — três contratorpedeiros e um navio de apoio logístico — que compõem o Grupo de Ataque 12 da Marinha dos EUA.

A chegada do Gerald Ford reforça o já numeroso contingente aeronaval norte-americano na região, composto por diversos navios de guerra, incluindo o Grupo-Tarefa de Desembarque Anfíbio Iwo Jima, que transporta um contingente de 2,2 mil fuzileiros navais, um submarino de propulsão nuclear, além de aeronaves de reconhecimento e ataque e de efetivos posicionados em bases dos EUA no Caribe, especialmente em Porto Rico.

A entrada do navio na área de responsabilidade do Comando Sul dos EUA foi anunciada no dia 11 de novembro. O Pentágono emitiu uma nota na qual justificou o movimento, afirmando que ele atendia à diretriz do presidente Trump de “desmantelar Organizações Criminosas Transnacionais e combater o narcoterrorismo em defesa da Pátria”. O Secretário da Guerra dos EUA, Pete Hegseth, anunciou a “Operação Lança do Sul”, destinada a “remover os narcoterroristas do nosso hemisfério”.

Nesse contexto, destaque-se que os EUA já destruíram cerca de vinte barcos no Caribe e na costa pacífica da Colômbia, matando 80 pessoas, alegando que todos transportavam drogas destinadas aos EUA. Recorde-se, também, que o governo norte-americano acusa o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, de ser o líder de um cartel internacional de tráfico de drogas.

Tudo isso levou a uma crescente especulação sobre quais seriam os próximos passos das forças armadas americanas. Haverá ataques ao território continental da Venezuela? Nesse caso, quais seriam os alvos? O objetivo é o declarado combate ao narcotráfico ou vai mais além, visando, na verdade, retirar Maduro do poder?

Se for esse último o objetivo, é possível que os EUA optem por uma invasão da Venezuela, nos moldes das realizadas no Iraque e no Afeganistão? Toda essa movimentação destina-se apenas a fornecer apoio a eventuais grupos venezuelanos dispostos a derrubar Maduro? Ou trata-se tão somente de pressionar psicologicamente o presidente venezuelano para que ele próprio tome a iniciativa de negociar sua saída do poder?

Perguntado sobre o tema, e depois de participar, na semana passada, de várias reuniões com seus principais assessores das áreas de segurança, defesa e relações exteriores, o presidente Trump disse que já havia “mais ou menos decidido” o que fazer, mas que não podia revelar qual era a sua decisão.

Nesse quadro, a forte presença militar americana é evidentemente muito superior ao necessário para a simples atuação contra o narcotráfico. Por outro lado, uma invasão à Venezuela exigiria uma força muito superior à que está atualmente desdobrada no Caribe.

Esse meio-termo parece apontar para uma atuação mais incisiva do que os ataques a pequenos barcos do narcotráfico

O porta-aviões pode, por exemplo, garantir a superioridade aérea necessária para ações de pequeno porte, como o desembarque de efetivos reduzidos para a realização de operações especiais de captura ou eliminação de alvos; garantir o êxito de ataques cirúrgicos contra alvos estratégicos; ou apoiar eventuais ações insurgentes desencadeadas dentro da própria Venezuela com o objetivo de destituir o atual governo.

Nesse sentido, María Corina Machado, a principal líder oposicionista venezuelana, divulgou um áudio no último sábado, dia 15 de novembro, conclamando os militares do país a, “na hora decisiva” que, segundo ela, se aproxima, não cumprirem as ordens do regime Maduro. Trata-se de uma fala que deixa no ar a iminente possibilidade de uma ação que exigirá uma tomada de posição dos militares venezuelanos. Contudo, não é a primeira vez que Corina faz esse tipo de discurso, sem que nada tenha acontecido nas ocasiões anteriores.

O governo Maduro alega que Trump quer “forçar uma guerra em uma zona de paz” e tenta demonstrar alguma prontidão militar, mobilizando as forças armadas e as chamadas milícias bolivarianas.

De qualquer maneira, a situação já escalou para um jogo de soma zero, no qual a vitória de um dos lados — Trump ou Maduro — significará a derrota do outro. Para Maduro, a simples permanência no poder já constitui uma vitória. Para Trump, será difícil explicar ao público interno tamanha movimentação militar se, ao fim de tudo isso, o líder venezuelano continuar no comando.

Mas, caso o governo Maduro — considerado ilegítimo por EUA, União Europeia e por boa parte dos países da região — caia sem derramamento de sangue, Trump poderá reivindicar uma vitória geopolítica relevante, removendo um governo profundamente desalinhado de Washington e, além disso, retirando um espaço importante para as influências russa e chinesa na América Latina.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/paulo-filho/porta-avioes-dos-eua-no-caribe-pressao-estrategica-ou-sinal-de-guerra

Roberto Motta

O Congresso contra o povo

Câmara aprovou o projeto que garante isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados)

O Brasil tem um Congresso que aprova a contínua expansão da máquina do Estado, vota a favor de aumentos de impostos e apoia leis que transformam pautas “progressistas” em itens de cumprimento obrigatório. Uma das conclusões possíveis é que o Congresso trabalha contra o povo.

Nas últimas semanas, o Congresso aprovou três projetos desastrosos. O primeiro foi um pacote de “isenção” de imposto de renda que, na verdade, é apenas uma correção parcial da tabela (a correção deveria ser automática)e que serve de cavalo de Troia para impor a tributação de dividendos e um certo “imposto de renda mínimo” para quem é isento. O segundo projeto “regulamenta” os serviços de streaming, criando mecanismos de censura e um imposto (Condecine) para financiar produtoras amigas do governo. O projeto também obriga a exibição de conteúdo estatal. O terceiro projeto foi a ampliação da licença paternidade. Esse último merece algumas considerações.

Quanto mais benefícios forem determinados pela lei, mais alto é o custo de um trabalhador brasileiro quando comparado com trabalhadores de outros países onde esses benefícios não são obrigatórios

Quem decidiu que o aumento da licença paternidade estava entre as prioridades nacionais? A legislação trabalhista do Brasil já está entre as mais complexas do mundo. Para cumpri-la, o empregador gasta quase o equivalente ao salário que ele paga ao funcionário – ou seja, um empregado com salário de R$ 2.000 pode custar ao seu empregador até R$ 4.000 por mês. Contratar funcionários é atividade de risco; um processo trabalhista pode levar uma empresa à ruína. O Brasil é recordista nesse tipo de ação.

A lista de benefícios e direitos do trabalhador formal é grande. À primeira vista, isso parece bom. O trabalhador tem direito, por exemplo, a 30 dias de férias anuais, a um “salário de férias”, ao 13º salário e a licenças maternidade e paternidade – essa última, agora, ampliada de 5 para 20 dias. Mas será que esses “direitos” realmente beneficiam o trabalhador e o país?

No curto prazo, há um evidente impacto positivo. É melhor tirar 30 dias de férias do que tirar apenas 10 dias, ou nenhum. Quando nasce um filho, é melhor para o pai ficar vinte dias com ele do que apenas cinco. Mas é preciso olhar além dos efeitos imediatos para entender as consequências da legislação. A capacidade de entender as consequências de longo prazo é uma das habilidades mais importantes dos políticos.

Os benefícios são pagos pelas empresas que contratam os trabalhadores, ou pelo Estado, usando o dinheiro dos impostos. Quanto mais benefícios forem determinados pela lei, mais alto é o custo de um trabalhador brasileiro quando comparado com trabalhadores de outros países onde esses benefícios não são obrigatórios. E quanto mais alto o custo do trabalhador, menos empregos serão gerados. Um trabalhador desempregado não tem direito a nenhum benefício.

A legislação trabalhista é um dos fatores que tornam o Brasil um péssimo país para se investir e fazer negócios, comparado a países como os Estados Unidos, onde não existem leis como as brasileiras. Uma empresa americana não é obrigada a dar 30 dias de férias. Muitos americanos, ao começar em um emprego, tiram apenas cinco ou dez dias de férias por ano; depois, para cada ano adicional na empresa, o trabalhador ganha um dia extra de férias. Em termos de benefícios trabalhistas, os EUA são um inferno comparado com o paraíso do Brasil. Ironicamente, qualquer trabalhador brasileiro, se tiver oportunidade, troca nosso paraíso pelo inferno americano. A razão é óbvia: o padrão de vida nos EUA está entre os maiores do mundo; a economia é dinâmica, há abundância de empregos e até os trabalhadores nas profissões mais humildes vivem uma vida que, no Brasil, é reservada para a classe média.

Os números são chocantes. Em seu livro How Latin America Fell Behind, Stephen Haber estima que em 1800 o PIB per capita brasileiro era igual ao americano. Em 1913 o PIB americano já era sete vezes maior que o brasileiro. Até 1982 o PIB per capita da Coreia do Sul era inferior ao do Brasil; hoje ele é 3 vezes e meia maior. O PIB mede a produtividade, a riqueza e a qualidade de vida do trabalhador médio. O brasileiro, com todos os direitos, tem uma vida pior do que a do americano. Segundo Alan Reynolds em seu livro Income and Wealth, 70% dos americanos oficialmente classificados como pobres possuem pelo menos um automóvel. A faxineira que trabalha para um dos meus amigos de Washington dirige um carro novo, um SUV japonês. Onde estão os carros das faxineiras brasileiras?

A contínua interferência do Estado na relação entre empregador e empregado cria burocracia e insegurança jurídica, aumenta o custo da contratação de funcionários, desestimula a criação de empregos, dificulta investimentos e, no longo prazo, reduz a renda e o padrão de vida do trabalhador, principalmente o menos qualificado.

Não deveria ser difícil para os parlamentares do Congresso compreenderem isso.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/roberto-motta/o-congresso-contra-o-povo

Recondução de Gonet ajuda a perpetuar o estado de exceção

Em votação secreta, o Senado aprovou a recondução de Paulo Gonet ao comando da Procuradoria-Geral da República (PGR). (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, garantiu nesta quarta-feira mais dois anos no cargo. Sua recondução tinha sido assinada por Lula no fim de agosto, mas faltavam a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e a votação no plenário do Senado – ambas ocorreram neste dia 12. Enxergar o copo meio cheio é ressaltar que o procurador-geral quase acabou barrado: depois de passar pela CCJ com 17 votos favoráveis e 10 contrários, no plenário ele teve o apoio de 45 senadores (apenas quatro a mais que os 41 necessários), contra 26 – a título de comparação, em 2023 Gonet teve vida bem mais tranquila no plenário, com seu nome aprovado por 65 a 11. No entanto, o fato é que a recondução de Gonet não deve ajudar em nada o país a recuperar a normalidade institucional perdida nos últimos anos, pois o procurador-geral ajudou a construir o estado de coisas atual.

Um exemplo bastante contundente é o da repressão ao 8 de janeiro. Ainda que as denúncias genéricas, no atacado, violando frontalmente a necessidade de individualização da conduta, tenham sido feitas quando a PGR ainda estava sob o comando de Augusto Aras (indicado por Jair Bolsonaro), a troca de procurador-geral não mudou absolutamente nada nos processos, com Gonet mantendo o vício de origem que levaria a inúmeras condenações claramente absurdas. A despeito de um ou outro acerto pontual – como o parecer pela liberdade provisória de Cleriston Pereira da Cunha, ignorado por Alexandre de Moraes (Cunha, que tinha vários problemas de saúde, morreria dois meses depois do pedido da PGR, na Papuda) –, no geral a Procuradoria-Geral da República endossou o arbítrio, insistindo na condenação de centenas de manifestantes por vários crimes de cujo cometimento não havia prova alguma.

A recondução de Paulo Gonet não deve ajudar o país a recuperar a normalidade institucional, pois o procurador-geral ajudou a construir o estado de coisas atual

O mesmo pode ser dito do “processo do golpe”, em que a PGR ofereceu denúncia contra Bolsonaro e vários outros supostos “golpistas” com base em uma única delação premiada (a do tenente-coronel Mauro Cid), que, além de ter várias versões diferentes, foi obtida em circunstâncias que qualquer outro órgão de acusação e qualquer outro tribunal do planeta considerariam suficientes para torná-la imprestável, já que a coação exercida por Moraes sobre Cid, com ameaças a familiares, foi notória e devidamente registrada. A PGR ainda atropelou o artigo 15 do Código Penal ao pedir condenações por crimes que podem até ter sido cogitados e preparados, mas não foram tentados, o que exclui a responsabilização. Mais recentemente, Gonet ainda defendeu uma tese mirabolante em relação a outro suposto “golpista”, o ex-assessor Filipe Martins, que segundo a PGR teria fraudado a própria entrada nos Estados Unidos, no fim de 2022 – a viagem, que não existiu, foi o argumento de Moraes para manter Martins preso por vários meses; o ex-assessor agora está em prisão domiciliar.

A disposição de Gonet em colaborar com a perseguição aos críticos do Supremo Tribunal Federal, jogando-os todos no balaio dos “golpistas” e dos responsáveis por “ataques à democracia”, também ficou evidente em outros episódios, como no bate-boca entre a família Mantovani e Moraes no aeroporto de Roma. A Polícia Federal havia encerrado o inquérito sem pedir nenhum indiciamento, mas a PGR solicitou a reabertura das investigações, com um novo delegado da PF, que chegou a novas (e convenientes) conclusões, apontando a existência de calúnia ainda que as imagens do circuito interno do aeroporto não tivessem som. A PGR ofereceu denúncia, e o processo só foi encerrado porque a família escolheu se retratar publicamente. Mais recentemente, a PGR voltou a colaborar com a perseguição política ao oferecer denúncia contra o perito e ex-assessor do TSE Eduardo Tagliaferro, que tem denunciado o funcionamento de um gabinete paralelo envolvendo o Supremo e a corte eleitoral; em vez de investigar essa atuação eufemisticamente chamada “fora do rito”, a PGR preferiu ir atrás do whistleblower, acusando-o até mesmo de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

O apagão da liberdade de expressão no Brasil também contou e segue contando com o apoio da PGR. Ainda que a maioria das ordens de suspensão de perfis emitidas por Moraes nem sequer tenha passado pela PGR, Gonet foi favorável à suspensão do X no Brasil, em agosto de 2024. Durante o recente julgamento sobre a constitucionalidade do artigo 19 do Marco Civil da Internet, Gonet não viu necessidade de mudar a posição de seu antecessor sobre o assunto: Aras defendeu o modelo de “dever de cuidado”, cuja principal consequência é o estabelecimento de um regime de censura por parte dos provedores, que apagariam conteúdos potencialmente “problemáticos”, ainda que lícitos, para evitar futuros problemas com a Justiça.

Durante o primeiro biênio de Paulo Gonet na PGR, um órgão de investigação e acusação foi transformado em órgão de perseguição. Infelizmente, não há como esperar nenhum tipo de reviravolta nos próximos dois anos. O “ainda tem muita gente para prender e muita multa para aplicar” dito por Moraes no fim de 2022 impregnou-se na PGR sob Gonet, que segue atrás de “inimigos da democracia” para investigar e acusar, sem perceber que é a própria procuradoria-geral quem contribui decisivamente para a manutenção de um regime que de democrático já não tem nada.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/reconducao-paulo-gonet-pgr-estado-de-excecao

Direita soma 70,1% dos votos e impõe grande derrota à extrema-esquerda no Chile

O segundo turno será entre José Antonio Kast, de direita, e Jeanete Jara, do PCC, de extrema-esquerda.

Os candidatos conservadores a presidente do Chile somaram 70,1% dos votos e o mais votado deles, José Antonio Kast (Partido Republicano), com 24,02%, irá disputar o segundo turno contra a candidata de extrema-esquerda Jeannette Jara, do Partido Comunista Chileno (PCC), candidata de uma coalizão de partidos esquerdistas, que somou 26,76%.

O jornalista Gustavo Burgos, diretor da prestigiada revista El Porteño, afirmou à televisão local que os chilenos “provavelmente estãn presenciando uma das derrotas políticas eleitorais de maior envergadura da esquerda nos últimos 50 anos”.

O Serviço Eleitoral chileno divulgou os percentuais de votação na noite deste domingo (16), depois de computados prticamente todos os votos. Os demais candidatos de direita foram Franco Parisi (Partido de La Gente), com 19,59%, Johannes Kaiser (Partido Libertário), com 13,94%, e Evelyn Matthei, de centro-direita, com 12,56%.

No total, os candidatos conservadores de direita ou centro-direita somaram 70,13% dos votos e todos eles já garantiram apoio a Kast no segundo turno contra a candidata apoiada pelo atual presidente, Gabriel Boric, do PCC, que conclui seu mandato como um dos presidentes mais mal avaliados pelos seus cidadãos.

FONTE: GAZETA DO POVO https://diariodopoder.com.br/exteriores/ttc-internacional/direita-soma-7013-dos-votos-e-impoe-grande-derrota-a-extrema-esquerda-no-chile

Votação fraca de Gonet vira alerta para Messias

Jorge Messias, Advogado-geral da União. (Foto: Emanuelle Sena/AscomAGU).


O Palácio do Planalto acompanhou a recondução do Paulo Gonet ao comando da Procuradoria-Geral da República não exatamente por receio de rejeição ao nome do PGR, mas para aferir a temperatura em uma eventual indicação ao substituto de Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF). Nome em alta para a sucessão é o do ministro Jorge Messias, o “Bessias”, da Advocacia-Geral da União (AGU). O resultado não foi bom. Gonet perdeu votos entre os senadores.

Sinal amarelo

No plenário do Senado a queda foi de 30%. Gonet somou 45 a 26. Em 2023, o PGR consegui 65 votos. O mínimo são 41 para aprovação.

CCJ arisca

Na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), também houve estragos. O PGR caiu dos 23 votos (2023) para 17 na última sabatina.

Pacheco escanteado

Lula pretende retomar essa pauta nos próximos dias. Deve receber o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o senador Rodrigo Pacheco.

Ainda tem isso

Lula prefere Messias, mas teme que a indicação azede negociações com os EUA. O AGU entrou com ações judiciais contra o tarifaço.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/votacao-fraca-de-gonet-vira-alerta-para-messias

Caso Zambelli: Moraes autoriza devolução de equipamentos apreendidos de hacker

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a devolução do celular, do notebook e dos HDs apreendidos com o hacker Thiago Eliezer Martins Santos. Ele era alvo de investigação por possível ligação com a deputada Carla Zambelli (PL-SP) na invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça, em 2023.

A Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República, no entanto, defenderam a devolução dos equipamentos. Isso porque as duas instituições afirmaram que não há indícios de participação de Martins no crime.

A PF informou que houve perícia em todos os dispositivos. Apesar disso, eles não apresentaram elementos que apontassem envolvimento do hacker na invasão. “Todos os procedimentos periciais tiveram êxito na extração e análise do conteúdo”, afirmou o delegado Fabio Shor.

Moraes fixa prazo para retirada dos objetos do hacker

Com base nos relatórios, Moraes concluiu que não havia motivo para manter a apreensão. Ele determinou que Martins retire os equipamentos em até 30 dias, sob pena de destruição. O ministro destacou que os itens têm propriedade lícita e já passaram por análise completa.
A defesa afirmou que Martins não foi indiciado nem denunciado. “É crucial destacar que, após exaustiva investigação, Thiago Eliezer Martins Santos não foi indiciado pela autoridade policial, tampouco denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF), não se comprovando qualquer envolvimento seu com a prática dos crimes”, declarou.

FONTE: REVISTA OESTE https://revistaoeste.com/politica/caso-zambelli-moraes-autoriza-devolucao-de-equipamentos-apreendidos-de-hacker/?utm_medium=personalized-push&utm_source=taboola

Be the first to comment on "A indignação da extrema-esquerda com a megaoperação do Rio"

Leave a comment

Your email address will not be published.


*