
O Departamento de Estado norte-americano ligou para o Itamaraty nesta quinta-feira com o convite do secretário de Estado Marco Rubio – que é o equivalente a um ministro de Relações Exteriores dos Estados Unidos – para que o chanceler de jure do Brasil, Mauro Vieira, vá a Washington para um encontro sobre as tarifas. Como Donald Trump já deixou bem claro, a base da negociação será a necessidade de o Brasil reabilitar a liberdade de expressão e o Estado de Direito; os norte-americanos sabem que perdemos isso graças à ação do STF e a omissões do presidente da República, que jurou perante o Congresso Nacional defender a Constituição.
Câmara barra mais um aumento de impostos, mas governo não vai desistir
Parece que há uma combinação entre os presidentes dos três poderes para que tudo seja mantido, para que não venha de novo nenhum governo maluco que corte benesses, privilégios, a doce vida do mundo estatal. Digo isso porque a carga de impostos é insuportável, e a mídia, que deveria servir a sua audiência, acaba servindo a quem a sustenta com propagandas desnecessárias. Aumento de impostos, nessa imprensa, vira “equilíbrio fiscal”; déficit vira “evento de desequilíbrio”; e só se fala em “arrecadação”, não em cobrança de mais imposto – cobrança, aliás, que os deputados derrubaram nesta última tentativa do governo de cobrar mais R$ 17 bilhões do brasileiro. Eles representaram condignamente os seus mandantes, pagadores oprimidos pelos impostos.
Putin reconhece que defesa russa derrubou avião de passageiros do Azerbaijão
Na quinta-feira houve um encontro entre Vladimir Putin e o presidente do Azerbaijão. Putin, desculpando-se, revelou que foi a defesa antiaérea aérea russa que derrubou um avião da empresa Azerbaijan Airlines em dezembro do ano passado, matando 38 pessoas; a aeronave caiu sobre o território do Cazaquistão. Não foi um impacto direto, mas dois mísseis explodiram a alguns metros do avião, tanto que o piloto disse ter havido uma colisão com uma revoada de pássaros. Na verdade, havia ocorrido uma autodestruição do míssil para que não caísse em algum lugar do território russo, mas os estilhaços atingiram e perfuraram a fuselagem. O piloto ainda tentou um pouso de emergência, mas não conseguiu. Morreram 38 pessoas e sobreviveram 29. Putin pediu desculpas, disse que vai indenizar as famílias e a companhia aérea, e se justificou dizendo que os mísseis teriam sido disparados porque havia a suspeita de presença de drones da Ucrânia.
Show de drones na China termina em chuva de fogo
Falando em drones, preocupam-me essas coisas chinesas. Na cidade de Liuyang, famosa por demonstrações de fogos de artifício, estava ocorrendo um espetáculo daqueles em que drones fazem desenhos maravilhosos no céu. Mas os drones começaram a pegar fogo e caíram sobre o povo que estava assistindo. Não há registro de mortes, mas não sabemos se houve feridos, queimados, pequenos incêndios etc. Era como se uma chuva de meteoros estivesse caindo sobre o povo. A China tem feito maravilhas tecnológicas e arquitetônicas, construindo rapidamente pontes, aeroportos, mas às vezes dá errado, como nessa destruição dos drones pelo fogo, como se tivesse dado um curto-circuito neles.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/marco-rubio-mauro-vieira-tarifas/

Vitória sem guerra: a estratégia de Trump para conquistar a paz

Os terroristas do Hamas e Israel firmaram um pacto que dá início a uma tentativa de paz. O acordo, desenhado pelo presidente Donald Trump, com o aval de praticamente todos os que têm relevância nessa história e naquela região, prevê, nesta etapa inicial, a libertação dos reféns sobreviventes e a devolução escalonada dos corpos daqueles assassinados desde o ataque de 7 de outubro de 2023. Como não existe paz definitiva, é o início de um desenlace provisório (tomara, duradouro) de uma tragédia que parecia sem saída.
Como interlúdio entre conflitos e violência, a paz jamais chega sem feridas e cicatrizes. Esta que agora se anuncia nasce, sobretudo, de um cálculo de força e política: Trump e sua administração assumem a mediação dos Estados Unidos, mas atuaram junto com Catar e Egito (e, em parte, Turquia), num esforço diplomático complexo que relembra ao mundo que o America First do presidente Trump nem de longe significa que a América deixou o mundo de lado ou perdeu sua capacidade e influência em temas complexos.
Os passos seguintes preveem a desmobilização do Hamas, a retirada das tropas israelenses e a reconstrução de Gaza. Tudo parece perfeito e promissor. Mas o desafio que vem junto com isso é a cura das feridas de ambos os lados.
Quando os selvagens do Hamas invadiram Israel e, por meio do terrorismo, iniciaram uma guerra, queriam reativar a fúria e formar mais uma ou duas gerações movidas pelo ódio. Eles atraíram Israel para o campo de batalha sabendo que, militarmente, não seriam capazes de enfrentar a reação. É justamente nessa assimetria que o Hamas tem a sua força.
Como o terrorista não usa uniforme, todos que morrem são apresentados como civis. Como o terrorista não tem regra, a população de Gaza foi colocada na linha de tiro para morrer, gerar números e imagens. O resultado: empatia externa e ódio interno. A paz que se anuncia chega imperfeita, como sempre. Mas, neste caso, ela não só é incompleta: é altamente vulnerável.
Dando um salto para a América Latina, vemos o presidente que busca a vitória sem guerra, com unidades navais estacionadas no mar do Caribe, com os canhões apontados para a Venezuela. Muitos interpretaram essa mobilização como prenúncio de invasão, mas as evidências apontam para outra lógica. A evidência maior vem da ameaçada Venezuela. Nicolás Maduro está adorando dizer que está sob risco de guerra e que se prepara para resistir à invasão.
Beleza. Mas cadê as tropas venezuelanas reforçando a segurança da costa? Maduro mandou seus blindados para a fronteira com a Colômbia. Como assim? Se a invasão vem pelo mar, por que Maduro resolveu reforçar a segurança na selva, bem longe do suposto problema fatal? É que Maduro sabe que o problema é outro e, por isso, mandou proteger o seu negócio: o do Cartel dos Sóis. Está protegendo áreas de produção e armazenamento de cocaína. Enquanto cuida do que realmente importa para seu regime, faz espuma para ganhar apoio com a mensagem de que está pronto para defender a soberania.
O presidente Trump não pode ser definido como pacifista. Sua doutrina parece ser a de negociar a partir da posição de quem pode golpear, se necessário. Por isso, ele estica a corda ao máximo antes de chamar para a mesa de negociação
O mesmo conceito se aplica a Lula e ao Brasil. Não pensem que o americano está morrendo de amores por Lula. Lula mudou a narrativa e a postura porque já sabe que não está em boas condições. Vai ceder no que Trump quer e depois vender a imagem de que saiu vitorioso. Estratégia válida para a claque interna. Trump dá a mínima para isso, desde que arranque o que deseja.
Na América Latina, os navios de guerra dos Estados Unidos no Caribe despertaram temores legítimos. O passado de intervenções não foi esquecido. Mas é preciso distinguir o que é fato do que é má interpretação. A frota atua nas fronteiras marítimas, na fiscalização de rotas ilícitas, pressionando estruturas que se beneficiam do caos regional, e não como prelúdio óbvio de invasão.
A presença americana por mais tempo pode gerar problemas para Maduro e seus negócios. E isso pode ser o que levará ao seu fim. Maduro pode cair por sua imagem ter se transformado em um passivo para a atividade criminosa que domina a Venezuela e é o pilar financeiro do regime. Imagine Maduro se aposentando em Moscou justamente para salvar o negócio?
Uma paz imperfeita e sem guerra.
Esse exercício delicado, muitas vezes, passa por atacar quando preciso, parar quando possível e negociar sempre que se possa. É a arte de tornar a dissuasão instrumento da paz. Por mais incompreensível que possa parecer, o presidente Trump está nos ensinando que a paz por meio da força tem se mostrado mais eficiente do que a versão idílica e demagógica da paz perfeita.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/leonardo-coutinho/vitoria-sem-guerra-a-estrategia-de-trump-para-conquistar-a-paz/
Filipe Martins diz que destituição de seus advogados é abusiva e pede revisão a Moraes

O ex-assessor Filipe Martins repreendeu o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, após o magistrado destituir seus advogados e nomear a Defensoria Pública da União (DPU) para representá-lo. Por meio de petição escrita a mão e protocolada nesta quinta-feira (10), Filipe acusa Moraes de violar o direito à livre escolha do advogado, direito, segundo ele, inalienável e assegurado por decisões tanto do STF quanto do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
“Não autorizei, não solicitei e não consinto que a DPU ou qualquer defensor dativo me represente ou pratique qualquer ato de defesa neste processo, pois mantenho integral confiança nos advogados RICARDO SCHEIFFER FERNANDES e JEFFREY CHIQUINI DA COSTA, que constituí legal e regularmente nos autos, e desejo que apenas eles me representem.
A destituição dos meus advogados, realizada sem minha oitiva e sem prévio contraditório é abusiva e viola frontalmente meus direitos inalienáveis, em especial o direito de escolher livremente o defensor de minha confiança, garantia elementar em um regime democrático e amplamente reconhecida pela jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça.
Não houve abandono de causa, mas sim atuação técnica legítima, voltada à preservação do contraditório e da paridade de armas, o que é comprovável pelas petições regularmente protocoladas por minha defesa e amplamente noticiadas pela imprensa nacional.“
Por que Moraes destituiu os advogados de Filipe Martins?
Nesta quinta-feira, Alexandre de Moraes decidiu destituir os advogados tanto de Filipe Martins quanto de Marcelo Câmara, também ex-assessor de Bolsonaro. Moraes acusa os advogados de praticarem “manobra procrastinatória” ao, segundo ele, atrasar a entrega das alegações finais. O ministro ainda fala em litigância de má-fé, conduta caracterizada por usar do direito de acesso ao judiciário de forma desvirtuada ou abusiva.
A defesa diz que não houve qualquer atraso. Em vez disso, foi protocolado um pedido para conseguir mais tempo na defesa, isso porque a Procuradoria-Geral da República teria inserido, já ao final do processo, novos documentos. Os documentos, segundo os advogados, não puderam ser contestados, e vieram sem a devida cadeia de custódia.
Jurista vê gravidade na decisão
O advogado André Marsiglia comentou a decisão em uma publicação na rede social X. Marsíglia aponta para o Código de Processo Penal, que só permite ao juiz excluir um advogado da defesa do cliente em caso de abandono. O jurista ainda explica que, mesmo nesse caso, o juiz deve perguntar ao réu se este possui outro defensor de sua confiança para nomear. De acordo com o jurista, ao agir dessa maneira, Moraes “parece querer escolher também quem será seu adversário processual.”
Filipe Martins responde no âmbito do processo do chamado núcleo 2, acusado de articular suposto golpe de estado no Brasil. A condução dos julgamentos do suposto golpe também é criticada por juristas, que veem atuação abusiva de Alexandre de Moraes, além de violações processuais como, por exemplo, a prática do document dumping, estratégia que consiste em subir ao processo um volume elevado de provas, para que a defesa não tenha tempo hábil para análise.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/filipe-martins-diz-a-moraes-que-nao-autorizou-destituicao-de-advogado/
Hamas será desarmado “por bem ou por mal”, alerta Netanyahu

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou nesta sexta-feira (10), em uma mensagem de vídeo, que os próximos estágios do plano de cessar-fogo após a entrega dos reféns incluem a entrega das armas por parte do Hamas e a desmilitarização da Faixa de Gaza, mesmo que isso demande o uso da força.
“Estamos cercando o Hamas por todos os lados em preparação para as próximas etapas do plano, nas quais o Hamas será desarmado e Gaza será desmilitarizada. Se isso for conseguido por bem, que assim seja. Caso contrário, será conseguido por mal”, advertiu.
Netanyahu também enalteceu as decisões que seu governo vem tomando ao longo da ofensiva de guerra,
“Também digo que, para dizer o mínimo, não foi fácil. Tive que enfrentar enormes pressões, tanto internas quanto externas: pressão para não entrar em Rafah [do ex-presidente dos EUA, Joe Biden], pressão para não tomar o Eixo Filadélfia, pressão para não operar em outros cenários, pressão para parar a guerra e me retirar da Faixa, quando o Hamas, o Hezbollah, o regime de Assad e o Irã estavam no auge de seu poder. Mas eu rejeitei firmemente todas essas pressões porque tinha apenas uma consideração em mente: a segurança de Israel”, declarou.
Netanyahu também agradeceu à sua equipe de negociação pela finalização do acordo, liderada por seu ministro das Relações Exteriores, Ron Dermer, e, acima de tudo, a Trump e seu enviado especial para o Oriente Médio, Steve Witkoff.
“Quero agradecer ao presidente Trump por sua liderança geral e esforços incansáveis para formular esse plano para o retorno dos reféns. Nesse sentido, ele também demonstrou mais uma vez sua grande amizade e carinho por nosso povo e nosso país”, concluiu Netanyahu.
Acordo em vigor
O acordo de cessar-fogo e o início da primeira fase do plano do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a Faixa de Gaza entrou em vigor nesta sexta-feira às 12h (horário local, 6h de Brasília), após a retirada das tropas israelenses de cidade de Gaza, conforme combinado no documento. Com isso, iniciou-se o período de 72 horas em que as 48 pessoas ainda mantidas em cativeiro devem ser libertadas.
Após a retirada das tropas para a “linha amarela” dentro da Faixa – cor do mapa oferecido pela Casa Branca ao anunciar o acordo –, a Agência EFE pôde constatar como dezenas de habitantes de Gaza começaram a se deslocar para o norte, em direção à cidade de Gaza, pela via costeira de Al Rashid.
As forças israelenses também abandonaram o posto de controle militar localizado no Corredor de Netzarim, ao sul da capital. Nesta primeira retirada, Israel permanece em cerca de 53% do território de Gaza, embora antes do cessar-fogo estivesse presente em mais de 80%.
O porta-voz militar em árabe, Avichay Adraee, confirmou em um comunicado que a circulação do sul para o norte de Gaza está permitida tanto por Rashid quanto pela estrada Salah al-Din, mas advertiu que o norte do enclave – Beit Hanoun, Beit Lahia e Shujaiya – continua sendo perigoso devido à “concentração de tropas”, assim como a entrada no Mar Mediterrâneo.
FONTE: GAZEAT DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/hamas-sera-desarmado-por-bem-ou-por-mal-alerta-netanyahu/
Quem é Jared Kushner, genro de Trump envolvido em negociações sobre Gaza

Considerado um dos arquitetos dos Acordos de Abraão, ratificados na Casa Branca em 15 de setembro de 2020, Jared Kushner volta aos holofotes com sua participação na equipe de negociação americana que media o plano de paz para Gaza, proposto por seu sogro, o presidente Donald Trump.
Apesar de manter certa discrição neste segundo mandato republicano, sua presença no Egito sinaliza uma recuperação da proeminência que havia evitado até agora.
Nascido em Livingston, Nova Jersey, Kushner é um judeu de 44 anos, casado com a filha mais velha de Trump, Ivanka, e pai de três filhos – Arabella Rose, Joseph Frederick e Theodore James. Ele não tem um cargo oficial na Casa Branca, mas assessora indiretamente o governo americano desde que o republicano retornou ao poder em janeiro.
Em 2020, ele foi uma figura-chave na assinatura dos Acordos de Abraão, por meio dos quais Israel estabeleceu relações diplomáticas com os Emirados Árabes Unidos (EAU), o Bahrein, e posteriormente com o Marrocos e o Sudão. Kushner é cofundador do Instituto de Paz dos Acordos de Abraão, criado para fortalecer os laços entre os membros desse pacto e incentivar a inclusão de novos signatários. Ele assumiu esse papel de mediador sem experiência diplomática prévia.
O presidente Donald Trump disse em diferentes ocasiões que espera ver novos países de juntando aos tratados que mudaram as relações no Oriente Médio. Um dos principais focos dos Estados Unidos é a Arábia Saudita, que antes dos ataques terroristas do Hamas mantinha contatos indiretos com Israel.
“Foi tanto um trunfo quanto uma responsabilidade. Eu disse a mim mesmo que a pior coisa que poderia acontecer era fracassar, como todos os outros já haviam fracassado”, disse Kushner em setembro de 2022, por ocasião do segundo aniversário do pacto.
Apesar da figura central da equipe americana ser o enviado especial para o Oriente Médio, Steve Witkoff, a presença do genro de Trump não passou despercebida na imprensa devido ao potencial conflito de interesses entre seus negócios privados e seu papel de representante público.
A Forbes informou no mês passado que o genro do presidente americano entrou para o clube dos bilionários recentemente. A ascensão financeira estaria ligada a um conjunto de fatores como “bons investimentos”, a valorização de seus imóveis na Flórida e “novos financiamentos de seus apoiadores do Oriente Médio”. A revista estimou que a fortuna de Kushner chegue a US$ 1 bilhão, herdada em grande parte de seu pai, o incorporador imobiliário Charles Kushner.
Segundo a CNN, Jared Kushner esteve diretamente envolvido em reuniões na Casa Branca, nos meses anteriores, nas quais se discutiu o futuro de Gaza após o fim da guerra. Ele também esteve presente no último encontro de Trump com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, no qual foi apresentado o plano de paz americano.
A terceira rodada de negociações indiretas entre os negociadores de Israel e do Hamas acontece atualmente na cidade de Sharm el-Sheikh, no Egito, para acertar a aplicação do plano de paz americano, com um maior apoio dos mediadores.
Witkoff e Kushner chegaram ao país nesta quarta-feira, como era esperado. Uma fonte disse ao Canal 12 de Israel no dia anterior que os dois não deixariam o Egito sem a assinatura de um acordo em mãos.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/quem-jared-kushner-genro-trump-envolvido-negociacoes-sobre-gaza/
Girão cobra impeachment de Gilmar Mendes por suspeição e atividade política

O senador Eduardo Girão (Novo-CE) fez um novo pronunciamento contra o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na quinta-feira (9), em que cobrou seu impeachment. As acusações do senador são de “suspeição, atividade política e abuso de autoridade”.
Girão realizou um pedido de impeachment contra o ministro em julho. A Gazeta do Povo entrou em contato com o gabinete do ministro Gilmar Mendes. O ministro, no entanto, disse que não irá se manifestar sobre as acusações de Girão.
O senador declarou que o ministro teria determinado a soltura do empresário João Gustavo Ricci Volpato, apontado como líder de esquema criminoso acusado de desviar R$ 21 milhões do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), entre outros investigados pela Operação Sepulcro Caiado.
Conduzida pelo próprio TJMT, a operação apura fraudes em execuções judiciais entre 2018 e 2022. Girão defendeu a instalação de uma CPI para apurar as supostas irregularidades do Judiciário e informou já ter reunido 16 assinaturas para protocolar o pedido de investigação.
O senador criticou ainda a participação do ministro na inauguração de obras da duplicação de uma rodovia em Mato Grosso (BR-163), em dezembro de 2024, “justamente no trecho que atravessa o município do qual o prefeito é simplesmente irmão do ministro Gilmar Mendes”.
Para ele, o ministro feriu a Lei do Impeachment, que proíbe magistrados de exercerem atividades político-partidárias. “Político é que tem que fazer política. Ministro de Supremo é que tem que cuidar da Constituição”, disse o senador.
Girão critica decisão de Gilmar
O senador também afirmou que Gilmar Mendes incorreu em conduta que configuraria crime de responsabilidade, ao conceder liminar que manteve Ednaldo Rodrigues na Presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), contrariando decisão judicial anterior. Girão destacou que, nesse período, a entidade firmou contrato de R$ 10 milhões com o Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), fundado por Gilmar Mendes.
“Este caso é muito grave. Ednaldo Rodrigues foi afastado da Presidência da CBF, em segunda instância, no mês de dezembro de 2023. Mas em abril de 2024 Gilmar Mendes concedeu liminar a Ednaldo, anulando decisão do TJ”, acusou.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/girao-cobra-impeachment-de-gilmar-mendes-por-suspeicao/
Políticos de direita repercutem saída de Barroso do Supremo

A saída antecipada do ministro Luís Roberto Barroso do Supremo Tribunal Federal provocou reações no mundo político. Representantes da direita manifestaram suas opiniões sobre o ministro, algumas com fortes considerações.
O deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) afirmou que o ministro será lembrado pelo avanço das decisões autoritárias. “Barroso anuncia aposentadoria no STF e sai marcado como o presidente da corte que permitiu que a ditadura do judiciário avançasse no País”, escreveu no X.
O deputado federal Bibo Nunes (PL-RS) afirmou que Barroso se antecipou a um pedido de impeachment do Congresso Nacional. “Auto impeachment de Barroso ao pedir para se aposentar do STF. Sua alma de justiça falou mais alto e disse que se arrependia de ter dito “Vencemos o Bolsonarismo”, disse parlamentar em sua conta no X.
O deputado federal Zé Trovão (PL-SC) fez uma análise em sua conta no Instagram. O parlamentar disse que a renúncia seria uma estratégia de Lula para evitar indicações do próximo governo, que ele projeta como de direita. “A gente sabe que não existe um ponto sem nó neste governo de esquerda”, disse.
Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) chamou o fim da carreira do magistrado de “simbólica”. “Um encerramento simbólico: quem um dia defendeu um terrorista, termina a carreira deixando milhares de presos políticos no Brasil os condenando como… terroristas… e destruindo a vida de milhares de famílias e vidas”, escreveu no X.
A deputada federal Rosangela Moro (União-SP) também destacou sua atuação como ministro que sentenciou réus do 8 de janeiro. “Penso nas famílias das pessoas com doenças raras, que seguem sem tratamento por causa dos critérios impostos no Tema 1234, e também nas famílias que aguardam anistia e justiça pelos atos de 8 de janeiro”, publicou no X.
O ex-deputado federal Douglas Garcia (União-SP) ironizou. “A ‘serenidade’ no olhar de quem foi agente político no judiciário e tem a convicção de quem vai escapar de forma impune. Barroso passará a história como o símbolo do judiciário partidário, do judiciário que é linha auxiliar na perseguição de opositores e de uma justiça com j.”
O ex-deputado federal e vice-prefeito de Curitiba Paulo Eduardo Martins (Novo-PR) preferiu especular as indicações que o presidente da República poderá fazer. “Barroso anuncia aposentadoria. Pelo ambiente do país, é capaz do Lula indicar o Jones Manoel ou o Mauro Iasi para a vaga. O Senado aprova.”
O vereador de Curitiba Rodrigo Marcial (Novo-PR) afirmou que cai o primeiro “deus” da democracia. “Renuncia, mané, não amola”, escreveu junto a um vídeo do momento do anúncio.
Presidente da Câmara agradece
Uma voz dissonante entre os políticos, o presidente da Câmara dos Deputados Hugo Motta (Republicanos-PB) reconheceu o trabalho do magistrado. “O ministro do STF desempenhou sua função com maestria e equilíbrio na defesa da Constituição e da Democracia. Registro meu reconhecimento pelo seu trabalho e desejo muito sucesso nesta nova caminhada. Fará falta na mais alta Corte do Brasil”, disse.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/politicos-repercutem-saida-de-barroso/
Saída de Barroso do STF esquenta disputa por cadeira; Lula terá 5 indicados na Corte

O anúncio do ministro Luís Roberto Barroso de que vai se aposentar do cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) reaqueceu a disputa pela cadeira. Com a nova indicação – que deve ser aprovada pelo Senado –, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá indicado três ministros neste terceiro mandato. Entre os atuais 11 integrantes do tribunal, ele também indicou Cármen Lúcia, em 2006, e Dias Toffoli, em 2009, durante seu segundo mandato na Presidência. Ou seja, somando todas as escolhas, Lula terá nomeado cinco dos 11 membros da Suprema Corte.
No páreo pela vaga estão o advogado-geral da União, Jorge Messias; o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG); e o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Bruno Dantas.
O candidato do Prerrogativas, grupo de advogados que tem forte influência em nomeações do governo, é Messias, pela proximidade e confiança que tem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Esse foi o principal critério do petista, aliás, para as indicações de Cristiano Zanin e Flávio Dino.
“O nome natural é o Messias. Tem espírito público, reúne as qualidades técnicas indispensáveis para ocupar o cargo. Tem sensibilidade social e tem o apoio de partidos da base, do PT, de ministros de tribunais superiores. É um nome absolutamente talhado para ocupar essa posição”, disse o fundador do Prerrogativas, Marco Aurélio de Carvalho, ressalvando que o grupo apoiará qualquer outro nome distinto.
Como AGU, Messias defende o governo junto ao STF e, desde sua nomeação, no início de 2023, tem conquistado simpatia na Corte, principalmente pelo alinhamento a uma das principais bandeiras dos ministros nos últimos anos: a regulamentação mais rígida das redes sociais para “combater a desinformação”. Como o Congresso se recusa a aprovar uma legislação que amplie o ambiente de censura sobre críticas dirigidas às autoridades, o STF tomou a frente em nome da “defesa das instituições”.
Messias colaborou com pareceres junto ao STF e também com estudos para subsidiar propostas do Executivo sobre o tema no Legislativo, além de iniciativas dentro da AGU para defender o governo sob o discurso de enfrentar “a descredibilização de políticas públicas” e, com isso, reforçar a versão oficial sobre medidas adotadas.
Por meio da Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia, que Messias criou, a AGU passou a notificar redes sociais a remover postagens que desagradam o governo e também acionar a Polícia Federal para investigar os autores.
No STF, Messias também ganhou apoio por estudar uma forma de proteger Alexandre de Moraes da sanção da Lei Magnitsky – a AGU trabalha num projeto de lei, defendido por Gilmar Mendes, para que a aplicação de restrições que sancionados sofram no Brasil por parte de bancos e empresas passe antes pelo crivo do Judiciário.
Rodrigo Pacheco, por sua vez, tem simpatia dentro do STF, porque blindou os ministros no período que presidiu o Senado, recusando sucessivos pedidos de impeachment – gostam dele Barroso, Moraes, Cármen Lúcia e Luiz Fux.
Advogado, Pacheco também ganhou projeção dentro da classe pelo empenho na reforma do Código Civil, proposta formulada por um grupo de juristas que montou no Senado em 2023. O projeto, porém, é objeto de críticas no meio jurídico.
Apesar de sonhar com o STF, Pacheco pode ser escalado por Lula para disputar o governo de Minas e dar ao presidente um palanque no estado na eleição de 2026.
Por fim, Bruno Dantas tem apoio do Centrão. Ex-consultor do Senado, chegou ao TCU pelas mãos de Renan Calheiros (MDB-AL). No início do governo Lula, ganhou projeção por colaborar com a transição com relatórios detalhados sobre a situação da administração pública ao final do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em 2023, liderou auditorias no Cadastro Único (CadÚnico), que identificaram concessão irregular de benefícios sociais, no programa “Minha Casa Minha Vida” e em recursos emergenciais para o Rio Grande do Sul após desastres causados pelas chuvas.
Barroso prefere mulher para a cadeira que deixa no STF
Em entrevista à imprensa após anunciar sua saída, Barroso disse que há nomes de peso aptos para ocupar sua cadeira, mas que gostaria que uma mulher fosse indicada.
“Sem fazer uma escolha pontual para essa vaga, que é uma competência do presidente, sou um defensor de mais mulheres nos tribunais superiores como uma regra geral. A resposta é sim [gostaria]. Mas há homens e mulheres capazes”, disse, lembrando que implementou resolução no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para aumentar o número de desembargadoras nos tribunais.
Barroso elogiou as últimas escolhas de Lula para o STF. “O presidente mandou para cá, neste novo mandato, os ministros Cristiano Zanin e Flávio Dino. Foram duas excepcionais escolhas, dois grandes ministros, duas grandes pessoas. Acho que o presidente tem acertado e vai acertar de novo”, afirmou.
Defendeu, de qualquer modo, que a escolha recaia sobre alguém que tem “integridade, civilidade e idealismo”. “Que é o compromisso com o Brasil. A pessoa não vir aqui para realizar a sua própria agenda. A gente aqui tem que servir ao país”, afirmou, em referência à última característica.
O ministro disse que esteve com Lula no último sábado (4), no show da cantora Maria Bethânia, sinalizou que queria uma conversa e, segundo ele, Lula intuiu que ele deixaria o STF, em razão de outra conversa que tiveram há dois anos sobre essa possibilidade. Barroso, no entanto, afirmou que ainda não conseguiu falar com o presidente diretamente sobre o assunto nos últimos dias.
O ministro deve permanecer no cargo no máximo até sexta da semana que vem. Disse que ainda vai checar se há alguma decisão importante a tomar no acervo de processos.
Plano de Barroso, por enquanto, é ser um “intelectual público”
Barroso disse não ter planos definidos. No final do ano, vai dar aulas como professor visitante no Instituto Max Planck, na Alemanha, e em janeiro na Sorbonne, na França. Afirmou não ter pretensão de ocupar cargos públicos, por exemplo, na ocupação de uma embaixada na Europa, como chegou a se especular na imprensa.
“Eu quero servir ao Brasil – se eu puder escolher – como um intelectual público. Alguém que olha o país e pensa coisas sem cargo, sem esses deveres”, disse.
Ele disse que vai continuar morando em Brasília e no Rio de Janeiro. Ainda neste mês, fará um retiro espiritual na Espanha com o grupo indiano Brahma Kumaris.
Barroso negou que sua saída tenha relação com as recentes sanções dos Estados Unidos sobre os ministros – a aplicação da Lei Magnitsky a Alexandre de Moraes e a revogação de vistos para outros ministros, incluindo ele próprio (embora não haja uma lista oficial).
“Eu espero que isso se resolva, porque eu acho que nós simplesmente cumprimos e bem nosso dever. E não me é indiferente o tipo de sanção que recaiu sobre o ministro Alexandre e a esposa dele. Acho que foi um movimento errado, baseado numa narrativa falsa, e acho que a gente tem que continuar a desfazer. Acho que é preciso que eles conheçam a verdade, e aqui nós fizemos tudo como tinha que ser feito dentro da Constituição e das leis”, disse.
Barroso se despediu emocionado no plenário
Barroso chegou ao STF em 2013, indicado pela ex-presidente Dilma Rousseff. Hoje tem 67 anos e poderia ficar na Corte até 2033. Na despedida que fez no plenário, disse que esses 12 anos “foram tempos de imensa dedicação à causa da Justiça, da Constituição e da Democracia”.
“A vida me proporcionou a bênção de poder servir ao país, retribuindo o muito que recebi, sem ter qualquer interesse que não fosse fazer o que é certo, justo e legítimo para termos um país maior e melhor”, disse, emocionado.
No pronunciamento, fez referência a desgastes que sofreu no cargo.
Desde 2022, após presidir o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Barroso passou a ser alvo de hostilidades mais intensas, nas redes sociais e nas ruas, inclusive fora do Brasil, pela preparação para as eleições daquele ano e por declarações embaraçosas.
Em novembro daquele ano, após a vitória de Lula, falou “perdeu, mané!” para um eleitor do ex-presidente Jair Bolsonaro que o importunava em Nova York, nos EUA. Em julho de 2023, gritou “nós derrotamos o bolsonarismo”, em discurso exaltado para estudantes esquerdistas que o vaiavam durante evento da UNE Brasília – depois, se retratou, dizendo que queria se referir ao “extremismo”.
No discurso de despedida, o ministro ainda reafirmou sua confiança na civilidade contra a intolerância e o radicalismo político.
“Apesar da agressividade e da intolerância que ainda se vê aqui e acolá, reafirmo a minha fé nas pessoas, no bem, na boa-fé, na boa-vontade, no respeito ao próximo e na gentileza, sempre que possível. Fora desta bancada, continuarei a trabalhar por um tempo de paz e fraternidade. Reitero: a integridade, a civilidade e a empatia vêm antes da ideologia e das escolhas políticas. O radicalismo é inimigo da verdade. A gente na vida deve ter cuidado para não se apaixonar pelas próprias razões”, disse.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/saida-de-barroso-do-stf-esquenta-disputa-por-cadeira-lula-tera-5-indicados-na-corte/
Câmara derruba a malandragem tributária do governo

Em junho, enquanto o Congresso Nacional cogitava a possibilidade de um projeto de decreto legislativo que derrubasse o aumento ilegal do IOF decretado pelo governo Lula – ilegal, pois tratava-se de alteração com finalidade arrecadatória em um imposto regulatório –, o presidente da República publicou uma medida provisória que aumentava outros impostos, como forma de compensar alguns recuos no decreto original do IOF. No fim das contas, o Congresso de fato aprovou o PDL, retomando as alíquotas anteriores do imposto, e o governo pediu socorro ao Supremo, que restaurou o decreto governamental em decisão monocrática de Alexandre de Moraes (ainda não analisada pelo plenário da corte).
Mesmo com o decreto do IOF restabelecido graças à ajuda suprema, no entanto, o governo não desistiu dos R$ 17 bilhões que poderia arrecadar com as outras elevações de impostos presentes na MP 1.303 – o valor já era fruto de concessões do governo, pois a versão original da “MP da Taxação” poderia gerar até R$ 35 bilhões em arrecadação. Lula e seus aliados correram contra o tempo para aprovar a MP no Congresso antes da meia-noite do último dia 8, mas acabaram falhando. O texto passou raspando por uma comissão mista na terça-feira, sendo aprovado por 13 a 12, mas não chegou a ser votado no plenário da Câmara: um requerimento de retirada de pauta, apresentado pelo deputado Kim Kataguiri (União-SP), foi aprovado por 251 a 193 no começo da noite de quarta-feira, levando a MP a caducar.
Governo apontou o dedo para meio mundo ao buscar culpados pela derrota, mas o culpado é ele mesmo, gastador e ávido em cobrar cada vez mais impostos
De imediato, o governo entrou no modo de terceirização da culpa. Dedos foram apontados para o governador paulista, Tarcísio de Freitas, um dos nomes citados como possíveis presidenciáveis da direita em 2026; para os presidentes de União Brasil e PP, partidos que desembarcaram recentemente da base aliada; e para a bancada do agronegócio. Sobrou até para Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar, e os manifestantes do 8 de janeiro, que seriam parte de uma “força” que estaria “desorganizando o orçamento de 2026 para tentar interferir no resultado eleitoral”, nas palavras do ministro da Fazenda, Fernando Haddad – que não escondeu a irritação quando ouviu de um jornalista a expressão “aumento de impostos”, em uma pergunta sobre a derrubada da MP da Taxação.
Nessa busca por culpados pela derrota governista, faltou procurar apenas no lugar mais óbvio. Um governo que gasta muito mais do que pode, que não corta despesas, que pretende abrir ainda mais a torneira em 2026, para “fazer o diabo” em ano eleitoral – seguindo a receita de Dilma Rousseff –, e que insiste em arrancar ainda mais dinheiro dos cidadãos e das empresas para bancar essa farra toda: eis aí o principal responsável pela derrota de quarta-feira. Quem age contra o país e contra o povo, como disseram Lula e a ministra Gleisi Hoffmann, não são os parlamentares que barram um aumento de impostos, mas um governo perdulário cuja política fiscal irresponsável causa inflação e juros altos.
O Congresso Nacional está longe de ser um agente confiável quando se trata de conter as maluquices fiscais de Lula. A Câmara acaba de aprovar de forma unânime o projeto populista da isenção do Imposto de Renda, e os parlamentares vivem abrindo mais e mais exceções ao cálculo do resultado primário para efeitos de cumprimento da meta do arcabouço fiscal, permitindo ao governo gastar ainda mais. Mas, às vezes, os parlamentares acertam, como quando derrubaram o aumento do IOF, e agora, ao deixar caducar a MP da Taxação, escancarando a fúria arrecadatória de Lula e Haddad.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/mp-taxacao-derrubada-camara-malandragem-tributaria/
Congresso fecha a porta e Lula terá mais dificuldade para oferecer “bondades” em 2026

O revés sofrido pelo governo com o arquivamento da Medida Provisória 1303, que traria um reforço de R$ 17 bilhões em arrecadação aos cofres públicos, deixa um recado do Congresso: os parlamentares não estão dispostos a entregar de bandeja a reeleição para o presidente Lula, que já contava com os recursos para as “bondades” eleitoreiras previstas para o ano que vem.
Por 251 a 193 votos, parlamentares tiraram da pauta de votações o texto, que havia sido negociado como alternativa ao aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) proposto inicialmente pelo governo.
A MP, considerada pelo Executivo “crucial” para o equilíbrio fiscal de 2026, previa a tributação de fundos de investimento, ativos virtuais e operações em bolsa, com expectativa de arrecadar R$ 20,8 bilhões e cortar mais de R$ 10 bilhões em despesas, mas, mesmo após o relator Carlos Zarattini (PT-SP) ceder a pressões e retirar a taxação sobre apostas e aplicações, a proposta não avançou.
O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), comemorou a derrota do governo em sua conta na rede X. “Vitória do povo brasileiro, que está cansado do aumento de impostos. O PT quer sustentar seu projeto de poder com o suor de quem trabalha. Hoje, dissemos basta ao populismo e à irresponsabilidade. Parabéns à Câmara dos Deputados!”
Aliados assumem discurso eleitoreiro e culpam Tarcísio
Governistas, por sua vez, argumentaram que os parlamentares optaram por blindar os setores mais abastados, reforçando o discurso de “ricos contra pobres” que tem sido a aposta eleitoral do governo.
Aliados do Planalto acusaram o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), de ter feito campanha contra a MP. “O Tarcísio, em vez de governar São Paulo, fica telefonando para deputados, pressionando para que a MP não fosse aprovada”, disse o relator da MP, deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP).
O líder do PT, deputado federal Lindbergh Farias (RJ), chegou a dizer que o governador passou o dia da votação “ligando e articulando com parlamentares para derrubar a medida provisória”.
Durante uma reflexão sobre a influência da “Faria Lima” na votação da MP, Haddad aproveitou para criticar a atuação do governador de São Paulo em coletiva na manhã desta quinta-feira (9). No começo da tarde, Tarcísio publicou um vídeo nas redes sociais em resposta às acusações.
“Já chega. Vamos parar de inventar culpado. Tenha vergonha, Haddad. Respeite os brasileiros. Cortem gastos. Pensem que a gente precisa governar, a gente precisa sair do palanque, trabalhar e fazer a diferença, que é isso que a gente tá fazendo aqui em São Paulo”, disse Tarcísio.
Ministro diz que pode bloquear emendas
Haddad é quem terá pela frente o trabalho de equilibrar as contas e garantir recursos para financiar a tentativa de Lula subir a rampa do Planalto pela quarta vez. Para compensar a votação, a Fazenda poderá ter que fazer contingenciamentos de gastos e até bloqueio de recursos.
O ministro admitiu, na mesma entrevista, que poderá cortar o pagamento de emendas parlamentares para compensar o fracasso da MP. “Pode ser que tenha corte de emenda, mas isso dentro da regra estabelecida pela lei complementar que o Congresso aprovou”, disse. “Há agora uma regra que também impõe limites ao próprio Congresso.”
Se fizer isso, Haddad pode acirrar ainda mais os ânimos dos parlamentares e comprometer os projetos do governo que ainda precisam de aprovação.
Para analistas ouvidos pela Gazeta do Povo, o Congresso — em especial o Centrão — fez uma sinalização de que o “jogo ainda está sendo jogado”. “Fico feliz porque pela primeira vez no ano o Congresso fala ‘não’ a um imposto”, diz Alexandre Bertoncello, PhD em Economia e fundador da Bella Investimentos. “Os parlamentares fecharam uma porta para o governo.
Derrota interrompe “kit reeleição” de Lula
A derrota da MP interrompeu o ciclo do chamado “kit reeleição” que o Congresso vinha ajudando o Executivo a construir. Desde o início do ano, agindo em sentido contrário ao da política monetária, o Planalto investe em medidas populistas para estimular o consumo e injetar dinheiro no mercado, ampliando programas sociais.
O Bolsa Família, por exemplo, teve expansão significativa nos últimos anos. Segundo o Ministério do Desenvolvimento Social, em setembro são distribuídos R$ 12 bilhões para 18,1 milhões de domicílios, com valor médio de R$ 682,20 por família. Em 2019, o programa atendia 14 milhões de famílias, com média de R$ 190 (cerca de R$ 280 corrigidos pela inflação). O orçamento anual saltou de R$ 35 bilhões para R$ 170 bilhões, um aumento de quase 400%, muito acima da inflação do período, demonstrando o impacto econômico e político da ampliação do benefício.
Também já consolidado, o programa Pé-de-Meia, voltado a estudantes de baixa renda que já beneficia 4 milhões de jovens, representa um investimento anual de R$ 12,5 bilhões para reforçar a formação de uma nova base eleitoral diretamente beneficiada pelas políticas do governo — um trunfo político importante para 2026.
Entre as “bondades” mais recentes já anunciadas estão a tarifa social de energia elétrica, que garante gratuidade para consumo de até 80 kWh mensais e deve custar cerca de R$ 3,6 bilhões por ano, atendendo a 11,5 milhões de famílias de baixa renda, cerca de 15% dos consumidores residenciais; e o programa “Gás do Povo”, que oferece botijões de 13 kg gratuitos a famílias do CadÚnico, com o gás custando em média R$ 110 e custo estimado em R$ 5,1 bilhões no orçamento federal.
Isenção do IR uniu governo e oposição
O ponto alto da estratégia do Planalto foi a aprovação, pela Câmara, em setembro, da isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5 mil por mês, com redução escalonada até R$ 7.350. A medida, prometida durante a campanha de 2022 e formalizada como prioridade em novembro de 2024, é considerada essencial para a estratégia de reeleição do presidente.
A proposta segue agora para o Senado, onde não deve enfrentar grandes dificuldades para ser aprovada. Aliados e oposição não têm como ir contra a iniciativa que beneficia cerca de 16 milhões de contribuintes.
Mas ainda há mais por vir. O cardápio eleitoral reúne propostas de alívio fiscal e expansão de benefícios, além de novas linhas de crédito, como o consignado privado e o financiamento do Minha Casa, Minha Vida — que tem enfrentado entraves devido a valores considerados fora da realidade de mercado, além da iniciativa mais recente de tentar implementar a tarifa zero no transporte público.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, conduz um estudo técnico para avaliar a viabilidade da medida, que já enfrenta ceticismo no Congresso. Estimativas indicam que sua implementação plena em todo território nacional poderia custar cerca de R$ 90 bilhões por ano.
Governo deve apostar nas “bondades”
Para Simão Sílber, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (FGV-Ibre), mesmo com a derrota da MP, o governo não vai desistir do pacote eleitoral. “O problema é que o governo federal — ou, particularmente, o Lula — não está a fim de controlar despesa. Então, se ele não controla despesa, tem que aumentar receita.”
Ele considera certo um novo decreto para ampliar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), após o recuo para determinadas operações. “É uma alternativa que dispensa aprovação do Congresso e está inteiramente nas mãos do Executivo”, diz.
“Não é para ser usado dessa forma arrecadatória — é uma forma equivocada de usar, pois é um imposto regulatório —, mas está no âmbito estritamente do Executivo. O Legislativo não pode apitar, muito menos o Judiciário.”
Renan Martins, da 4intelligence, também destaca o IOF como forma de compensação, além de taxação de fintechs. “O ideal seria um ajuste de despesa — embora essa alternativa seja menos provável em um ano eleitoral”, diz.
Também se discute, segundo relatos de bastidores do Congresso, incluir alguns pontos da medida arquivada dentro do projeto de lei que amplia a isenção do IR, sob relatoria de Renan Calheiros (MDB-AL).
Títulos como LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio) e LCIs (Letras de Crédito Imobiliário), que permaneceram isentos de IR, poderiam ser reinseridos na base de cálculo do imposto mínimo a ser cobrado de pessoas de alta renda.
Isso corroboraria o discurso do governo de taxar as classes mais ricas. Mas dificultaria a aprovação da isenção, que teria de voltar à Câmara para nova apreciação.
Derrota de Lula não é fim de negociações
Para Martins, a derrota da MP 1303 não representa um rompimento entre o Congresso e o governo, mas um sinal de que a negociação precisará ser recalibrada. “Olha, a princípio, atrapalha, mas sempre tem alternativas políticas. O atendimento da meta fiscal não é rigoroso nem inflexível — sempre há exceções que podem ser abertas”, avalia.
Ele ressalta que a resistência do Congresso foi pontual e ocorreu, sobretudo, devido ao conteúdo problemático da MP rejeitada. “Essa MP era ruim, muito ruim. Ela previa, por exemplo, unificar a taxação de investimentos em uma alíquota de 18%, o que afetaria títulos do Tesouro e dificultaria a emissão da dívida pública.” Para ele, propostas mais equilibradas podem ter maior receptividade parlamentar.
O avanço ou não da agenda, avalia o economista, dependerá do cenário político e do humor das pesquisas de opinião. “Dado que as últimas pesquisas têm mostrado o Lula na frente, é consistente imaginar que o Congresso procure se aproximar do governo, tentando conciliar os interesses. Não tenho certeza que o Congresso queira dificultar a vida do governo. Mas, se quiser, pode.”
O especialista observa que a relação entre Executivo e Legislativo tende a se ajustar conforme o governo libere mais emendas e avance em pautas populares. “A liberação de emendas foi muito devagar até maio, mas acelerou entre junho e agosto — e foi quando a pauta começou a andar. Agora, em outubro, o governo vai mostrar qual estratégia pretende adotar: se vai apresentar outro projeto e o quanto está disposto a liberar de emendas para fazer essa pauta avançar.”
Bertoncello, da Bella Investimentos, também tem dúvida sobre como os deputados vão se comportar daqui por diante, sobretudo em relação aos interesses eleitorais e ao cronograma de liberação de emendas. “Geralmente eles seguem o caminho do dinheiro”, diz. “Com o arquivamento da MP, o Congresso fechou a porta, mas não trancou”, resume.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/economia/congresso-fecha-a-porta-e-lula-tera-mais-dificuldade-para-oferecer-bondades-em-2026/
Moraes destitui advogados de Filipe Martins e entrega caso à Defensoria

Nesta quinta-feira, 9, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), destituiu os advogados de Filipe Martins e Marcelo Costa Câmara.
Assessores do governo Bolsonaro, Martins e Câmara são réus no núcleo 2 da ação que trata do “golpe”.
Conforme o despacho, as defesas perderam o prazo para apresentar as alegações finais. No caso de Martins, seus representantes teriam protocolado o pedido fora do período legal, buscando excluir trechos das manifestações do Ministério Público. Já em relação a Câmara, Moraes afirmou que o advogado Eduardo Kuntz não apresentou qualquer documento dentro do prazo fixado.
De acordo com o magistrado, as condutas configuram “manobra procrastinatória” e “litigância de má-fé”. Sendo assim, o juiz do STF
afastou os advogados constituídos e determinou que a Defensoria Pública da União assuma imediatamente a defesa dos dois acusados
FONTE: REVISTA OESTE https://revistaoeste.com/politica/moraes-destitui-advogados-de-filipe-martins-e-entrega-defesa-a-dpu/?utm_medium=personalized-push&utm_source=taboola

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