Os abusos contra as liberdades no Brasil estão chegando ao Parlamento Europeu

Alexandre Garcia
O eurodeputado português António Tânger, em foto de 2024. (Foto: Miguel A. Lopes/EFE/EPA)

Vi no Instagram uma publicação do deputado presidente da Comissão de Direitos Humanos do Parlamento Europeu, o português António Tânger, dizendo que recebeu uma delegação brasileira, com um relatório sobre os direitos humanos no Brasil, as liberdades, e o avanço do Estado sobre a nação. Ele está encaminhando tudo isso para o Parlamento Europeu examinar quem são os responsáveis por isso.

Falando nisso, Eduardo Tagliaferro está na região da Calábria, mas não pode percorrer tudo por ali porque assumiu um compromisso com o governo italiano enquanto não houver decisão sobre o pedido de extradição dele, feito pelo ministro Alexandre de Moraes – que também pediu a prisão de Tagliaferro, mas a Justiça italiana não acatou. Ele entregou o passaporte e se comprometeu a não se ausentar da província onde vive: é Catanzaro, quase na “ponta da bota”. E, pesquisando, descobri mais um lugarzinho da Itália que eu não conhecia. Catanzaro é sensacional; tem um teatro maravilhoso, o Politeama. Tem duas pontes maravilhosas, parece que saem de duas montanhas. Fica na costa do Mediterrâneo, um lugar muito bonito, com um centro histórico belíssimo. Tagliaferro escolheu bem o lugar para ficar como refugiado político, porque provavelmente é isso que vai acontecer.

Gaúchos continuam mostrando que não vão esperar nada dos governos 

Rio Grande do Sul deu mais uma demonstração de sua vontade de não esperar pelo governo. Na época das enchentes, aconteceu com a ponte do Rio das Antas, que foi derrubada e as pessoas reconstruíram. Na ponte do Forqueta, também entre Lajeado e Arroio do Meio, as empresas participaram doando material, aço, tudo o que podiam, para reconstruir logo a ponte. Agora é a vez do pessoal preocupado com o futuro, com ciência, tecnologia e inteligência artificial. A iniciativa privada não esperou e fez um aporte de R$ 400 milhões para o Instituto de Tecnologia e Computação (Itec). O dinheiro vai servir para filantropia, para bancar bolsas de estudo para jovens se formarem lá, morando em regime de internato. O terreno tem 20 hectares; a prefeitura de Gravataí deu a urbanização e fez tudo: infraestrutura, água, luz etc. E o setor privado já fazia isso em relação à PUC, com bolsas para a formação de estudantes nessa área. Qual é a exigência para receber a bolsa? Não é cor da pele, é baixa renda. Óbvio, uma questão de justiça.

Deputada brasileira está na flotilha pró-Hamas 

Uma deputada federal brasileira, representante do povo do Ceará, estava na flotilha da Greta ThunbergLuizianne Lins estava no barco e agora está repetindo o que a Greta disse: “Fomos sequestrados por Israel”. Tudo porque Israel fez uma barreira naval para evitar que o Hamas receba armas, munição, os foguetes que eles atiram contra Israel, usando como bases de lançamento hospitais, mesquitas, cemitérios. Porque o Hamas é isso aí. Só não existe paz lá por causa do Hamas, que obedece ao Irã – Hamas, Irã e Hezbollah querem a extinção de Israel. A Organização para a Libertação da Palestina, do Yasser Arafat, e Israel, no tempo em que Yithzak Rabin era chefe de governo, fizeram um acordo e até receberam o Prêmio Nobel da Paz. Criou-se a Autoridade Palestina. O que o Hamas fez? Passou um rolo compressor em cima da OLP, da Autoridade Palestina, e agora manda em Gaza e até em parte da Cisjordânia. Quando puderam, entraram em Israel e trucidaram 1,2 mil israelenses não combatentes. Mataram, estupraram, sequestraram, botaram bebês em micro-ondas. Levaram mais de 200 e tantos reféns. Esse é o Hamas.

A tal flotilha supostamente levaria auxílio humanitário para a Faixa de Gaza. Sabem quem dá ajuda humanitária aos palestinos? Israel. São os israelenses que dão eletricidade, água – Israel teve de fazer a manutenção, porque o ataque do Hamas estragou a maior parte das ligações de eletricidade – e emprego. Vocês sabiam que o pessoal de Gaza que está empregado em Israel ganha seis vezes mais que os outros? Pois é: são coisas que precisamos saber para estar informados no meio dessa onda de desinformação.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/abusos-liberdades-brasil-parlamento-europeu/

Lula antecipa 2026… enquanto mercado financeiro aposta em outro nome.

Lula antecipa disputa eleitoral de 2026, promete derrotar “pessoal do ódio” e alerta adversários para que “se preparem para lutar”. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

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De certo modo já é 2026. Em evento oficial do governo federal, Lula assumiu a faceta candidato ao afirmar que pretende “derrotar outra vez” seus adversários na disputa ao Planalto.

Enquanto isso, o mercado financeiro dá sinais de que se arrependeu da nova chance dada ao petista nas eleições que lhe conferiram um terceiro mandato na presidência da República. A um ano da ida às urnas e com um aparente recuo de Tarcísio de Freitas, o novo favorito também é governador, mas em fins de um segundo mandato. Veja aqui para onde aponta o radar da Faria Lima.

Opinião da Gazeta

Melhor destino para o Código Civil de Rodrigo Pacheco é o arquivo. Rodrigo Pacheco deixou a presidência do Senado sem ter conseguido fazer andar o projeto que ele vê como seu maior legado, o que não significa que o senador mineiro tenha desistido de sua menina dos olhos. Agora, ele é o presidente de uma comissão especial que analisa o Projeto de Lei 4/2025, vendido como uma “reforma” do atual Código Civil. O texto, no entanto, vai muito além de uma simples atualização. Destrói tudo o que existiu antes para instalar em seu lugar um ordenamento gerado por pura e simples ideologia.

Os problemas do “Código Pacheco” não estão em trechos específicos, mas na mentalidade revolucionária – no pior sentido da palavra – que norteou sua elaboração

Política, economia e mundo

Escalada na crise. O presidente norte-americano Donald Trump informou ao Congresso do país que os EUA estão em guerra declarada contra cartéis de drogas. Washington defende que está envolvido em um “conflito armado formal” com o narcotráfico.

“Provocação e ameaça”. Em mais um acirramento das tensões, o governo de Nicolas Maduro denunciou um suposto episódio de “assédio militar” por parte dos americanos.

Giro pelo mundo. Alvo de sanções internacionais por envolvimento na invasão da Ucrânia em 2022, um deputado russo foi recentemente recebido na Câmara, em Brasília. Na casa, ele tentou espalhar propaganda de guerra durante fórum dos Brics.

O que mais você precisa saber hoje

PEC 27/2024. Fundo bilionário reacende disputa ideológica sobre igualdade racial no Congresso

“É só o que falta”. Governador de SC cobra universidade estadual sobre cota para nordestinos

Pernambuco. Justiça suspende edital que criaria turma de Medicina exclusiva para aliados do MST

Milícias digitais. Moraes ordena que redes sociais identifiquem dezenas de perfis após denúncia de Dino

Artigos e colunas

Brasil à margem da nova dinâmica. Com o isolamento brasileiro sob Lula, país não deve se beneficiar como poderia da retomada econômica americana e postura petista vai custar caro. Leia no artigo de Marcos Degaut.

Leonardo Coutinho reflete sobre um plano de paz: a solução para Gaza seria virar um resort?

Lúcio Vaz revela como o presidente do STF torrou R$ 5,9 milhões em viagens de jatinhos da FAB.

Para inspirar e alegrar

Medicina preventiva movida a IA. O modelo da nova Inteligência Artificial Delphi 2-M promete funcionar como um verdadeiro oráculo da saúde. Conheça a IA que usa dados de hábitos de vida e registros médicos para prever doenças 20 anos antes de surgirem.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/bom-dia/lula-antecipa-2026-enquanto-mercado-financeiro-aposta-em-outro-nome/

STJ diz que sanção dos EUA contra Benedito Gonçalves é injustificável

Após sanção dos EUA, STJ defende ministro Benedito Gonçalves e critica pressão e ameaças contra juízes e seus familiares. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) criticou a suspensão do visto do ministro Benedito Gonçalves pelos Estados Unidos. O magistrado foi sancionado no último dia 22. Em 2023, Gonçalves foi o relator das duas ações que tornaram o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) inelegível no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

“São injustificáveis, sob qualquer ângulo, tentativas de interferência política, nacional ou internacional, no funcionamento e na atuação independente do ministro ou de qualquer dos integrantes dos Tribunais Superiores do Brasil”, disse o STJ, em uma nota oficial divulgada nesta quarta-feira (1º).

A revogação do visto foi anunciada pelo governo de Donald Trump no mesmo dia da inclusão na Lei Magnitsky da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Durante o julgamento de Bolsonaro no TSE, Moraes era o presidente da Corte eleitoral.

Em referência aos processos contra o ex-presidente, o STJ destacou que o “Poder Executivo não controla – e seria impensável que assim pretendesse − o funcionamento do Poder Judiciário, seja para paralisar julgamentos, seja para orientar o resultado de 2 julgamentos”. Também tiveram os vistos cancelados no último dia 22:

  • José Levi, ex-advogado-geral da União e ex-secretário-geral de Moraes no TSE;
  • Airton Vieira, ex-juiz instrutor do gabinete de Moraes no STF entre 2018 e março de 2025;
  • Marco Antonio Martin Vargas, ex-juiz auxiliar durante o período em que Moraes presidiu o TSE;
  • Rafael Henrique Janela Tamai Rocha, ex-juiz auxiliar de Moraes no STF;
  • Cristina Yukiko Kusahara, chefe de gabinete de Moraes no STF.

“Pressionar ou ameaçar os julgadores (e seus familiares) na esperança de que mudem ou distorçam a aplicação do Direito fragiliza e deslegitima a essência de um padrão de justiça baseado na máxima de que a lei vale e deve valer, com o mesmo peso, para todos, sem privilégio e sem perseguição”, ressaltou o STJ.

Ao anunciar o tarifaço contra o Brasil, o presidente americano, Donald Trump, exigiu que a ação contra Bolsonaro no STF fosse encerrada “imediatamente” e criticou decisões de Moraes contra big techs. Apesar da pressão, a Primeira Turma do STF manteve o julgamento e condenou o ex-mandatário e outros sete réus por suposta tentativa de golpe de Estado.

O STJ afirmou que “ingerência interna ou externa na livre atuação do Judiciário contraria os pilares do Estado de Direito, pois significaria erodir a independência, a imparcialidade e a probidade que se requer dos juízes”. O Tribunal reforçou que as decisões dos tribunais brasileiros são tomadas ou confirmadas de maneira colegiada, a partir de uma legislação com “robustos mecanismos de pesos e contrapesos que asseguram a integridade e a seriedade do sistema judicial”.

Veja a íntegra da nota do STJ sobre Benedito Gonçalves

“​O ministro Benedito Gonçalves, juiz federal de carreira, possui 37 anos, 7 meses e 18 dias de dedicação à magistratura nacional.

Neste Tribunal Superior, a sua trajetória o levou a exercer elevadas funções e responsabilidades, como Presidente da Primeira Turma e da Primeira Seção, Conselheiro do Conselho da Justiça Federal, Corregedor-Geral do Tribunal Superior Eleitoral, Diretor-Geral da Enfam e membro desta Corte Especial, entre outras relevantes atribuições.

São injustificáveis, sob qualquer ângulo, tentativas de interferência política, nacional ou internacional, no funcionamento e na atuação independente do ministro ou de qualquer dos integrantes dos Tribunais Superiores do Brasil.

O Brasil é hoje uma vibrante democracia, com eleições e imprensa livres, instituições sólidas, separação de poderes e limites à atividade estatal decorrentes da presunção de inocência e do devido processo legal. Os princípios de uma sociedade democrática estão claramente consagrados na Constituição brasileira. O primeiro deles é a soberania, condição inegociável no Brasil e no mundo todo. Entre os princípios consagrados na Constituição, repita-se, está, logo no art. 1º, o respeito à soberania – a nossa e a dos outros.

Os juízes federais e estaduais brasileiros são escolhidos por mérito, após aprovação em dificílimo concurso público nacional. O Poder Executivo não controla – e seria impensável que assim pretendesse − o funcionamento do Poder Judiciário, seja para paralisar julgamentos, seja para orientar o resultado de 2 julgamentos. No relacionamento com outros países, nos termos da Constituição de 1988, nosso comportamento se pauta pela igualdade entre nações, pela não-intervenção e pela solução pacífica de conflitos.

Ingerência interna ou externa na livre atuação do Judiciário contraria os pilares do Estado de Direito, pois significaria erodir a independência, a imparcialidade e a probidade que se requer dos juízes. Pressionar ou ameaçar os julgadores (e seus familiares) na esperança de que mudem ou distorçam a aplicação do Direito fragiliza e deslegitima a essência de um padrão de justiça baseado na máxima de que a lei vale e deve valer, com o mesmo peso, para todos, sem privilégio e sem perseguição.

Esses são os valores que devem ser defendidos, hoje e sempre.

Finalmente, no Brasil as decisões dos tribunais com competência nacional são tomadas ou confirmadas de maneira colegiada. Além disso, o nosso processo civil e penal prevê um amplo leque de recursos. Há, portanto, robustos mecanismos de pesos e contrapesos que asseguram a integridade e a seriedade do sistema judicial.

Os ministros do Superior Tribunal de Justiça reiteram a confiança no ministro Benedito Gonçalves”.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/stj-diz-que-sancao-dos-eua-contra-benedito-goncalves-e-injustificavel/

Flávio Gordon

De Barroso a Fachin: sai o Iogue, entra o Comissário

De saída da presidência do STFLuís Roberto Barroso anuncia um período sabático, que deverá ser concretizado em retiro espiritual junto à seita indiana Brahma Kumaris. Diante da notícia, lembrei-me do que escreveu Max Scheler: “O homem acredita quer num deus, quer num ídolo; não há terceira opção”. Já G. K. Chesterton, mais bem-humorado que o filósofo alemão, proclamou que “quando um homem deixa de acreditar em Deus, não é que ele já não acredite em nada – é que ele acredita em qualquer coisa”.

O pensamento iluminista e a revolução a que deu origem provaram-no definitivamente, com a substituição do catolicismo na França pelas mais excêntricas religiões seculares, cujos objetos de culto iam desde a “deusa razão” até a “lei” e a “pátria” (daí esse ar solene e quase místico que até hoje se respira diante de um francês pronunciando “loi” ou “patrie”). Na condição de iluminista assumido e orgulhoso, não surpreende, pois, que Barroso, o “Voltaire de Vassouras”, se entregue tão afobadamente a qualquer ersatz de transcendência, como já o fez, no passado, com João de Deus, e o faz agora com a seita indiana (que, aliás, também já esteve às voltas com acusações de fraude, corrupção e exploração sexual).

Para o lugar de Barroso, entra um sujeito com uma personalidade bem distinta, quando não mesmo oposta, o que sugere uma significativa variação de estilo, ou de forma, sobre a mesma substância juristocrata. Para bem descrever essa mudança de perfil no comando do partido-corte, ocorre-me retomar metaforicamente a oposição, criada pelo romancista Arthur Koestler nos anos de 1940, entre dois tipos de persona utópico-revolucionária – o iogue e o comissário.

A juristocracia brasileira, longe de ser mero excesso ocasional, tornou-se sistema permanente: uma dialética contínua de alucinação e coerção, de promessa transcendente e de ameaça terrena

No ensaio homônimo, publicado originalmente na revista londrina Horizon, em 1942, Koestler explica o contraste tipológico nos seguintes termos:

“Gosto de imaginar um instrumento que nos torne capazes de penetrar os padrões do procedimento social como o físico penetra um feixe de raios. Olhando através desse espectroscópio sociológico, veríamos espalhado pela difração o espectro multicor de todas as possíveis atitudes humanas da vida. Toda a deplorável confusão tornar-se-ia limpa, clara e compreensível.

“Em uma das extremidades do espectro, evidentemente do lado infravermelho, veríamos o comissário. O comissário acredita na evolução pelo lado de fora. Acredita que todas as pestes da humanidade, incluindo a prisão de ventre e o complexo de Édipo, podem ser e serão curadas pela revolução, isto é, por uma radical reorganização do sistema de produção e distribuição dos bens; que este fim justifica o uso de todos os meios, incluindo a violência, a fraude, a traição e o veneno; que o raciocínio lógico é uma bússola infalível e o universo, uma espécie de vasto mecanismo de relógio, no qual um imenso número de elétrons, uma vez postos em movimento, girarão para sempre nas suas possíveis órbitas; e qualquer indivíduo que acredite em qualquer outra coisa é um trânsfuga da realidade. Esta extremidade tem a mais baixa frequência de vibrações e é, de certa maneira, o mais rude componente do feixe; porém veicula a maior quantidade de calor.

“Na outra extremidade do espectro, onde as ondas se tornam tão curtas e de tão alta frequência que a vista não mais as percebe, incolor, frio, mas todo-penetrante, arrasta-se o iogue, confundindo-se com o ultravioleta. Ele não se opõe a que o universo seja mecanismo de relógio, porém acha que poderia chamar-se, com maior propriedade, caixa musical ou tanque de peixe. Ele acredita que o fim é imprevisível e que somente importam os meios. Rejeita a violência em quaisquer circunstâncias. Acredita que o raciocínio lógico perde gradualmente seu valor de bússola, na medida em que a mente se aproxima do polo magnético da verdade ou do absoluto, os únicos que têm valor. Ele crê que nada pode ser melhorado pela organização exterior, mas tudo pelo esforço individual, íntimo; e quem quer que acredite em qualquer outra coisa é um trânsfuga da realidade (…) Acredita que cada indivíduo é solitário, porém ligado ao todo por um cordão umbilical invisível, que suas forças criadoras, sua bondade, sinceridade e utilidade, podem somente ser alimentadas pela seiva que o alcança através deste cordão; e que a única tarefa que lhe cabe no decorrer de sua vida terrena é evitar qualquer ação, emoção ou pensamento que possam provocar o rompimento do cordão. E isso só pode ser realizado mediante uma técnica difícil e complicada, a única que ele aceita (…) As energias emotivas do Comissário estão concentradas na relação entre o indivíduo e a sociedade; as do Iogue, na relação entre o indivíduo e o universo.”

Eis aí, nessa descrição, a imagem da distância que separa Edson Fachin, o Comissário, de Barroso, o Iogue. Note-se que, se Barroso é um representante prototípico do Iluminismo dentro do partido-corte, Fachin não o é de somenos. Mas ele representa o Iluminismo do racionalismo mecanicista, que vê o mundo como um mecanismo de relógio, enquanto Barroso advém da deriva romântica do Iluminismo, que converteu a ciência – de cuja ideia pura ele não é menos devoto que o colega – em mística.

O Iogue prepara o terreno, anestesia consciências, cria um clima místico de inevitabilidade histórica. O Comissário, em seguida, impõe a disciplina, aplica a punição e torna efetivo o delírio anterior

Mas seria um erro pensar que o contraste entre personalidades traduz uma eventual mudança nos rumos do STF. Porque, mais que uma simples troca de pele na presidência, o que testemunhamos é a alternância dialética dos dois polos de Koestler. Com Barroso, a usurpação da soberania popular vinha sempre embrulhada no celofane espiritualista, que falava em “deuses da democracia”, e no individualismo romântico, que soltava a voz nos sambas e bailes da vida. Por vezes, era como se o tribunal constitucional fora transformado ora em mandala, ora em show de calouros. Já com Fachin, o quadro pragmático e fiel à linha partidária, o discurso adquire a austeridade do Comissário. A partir daqui, ouviremos muito falar nos deveres constitucionais do Judiciário, na defesa da integridade institucional, da supremacia da Constituição, da separação e harmonia entre os poderes – tudo isso no singular rigor de sentenças político-morais que ninguém votou, mas a que todos devemos obedecer.

É um jogo perfeito de complementaridade. O Iogue prepara o terreno, anestesia consciências, cria um clima místico de inevitabilidade histórica. O Comissário, em seguida, impõe a disciplina, aplica a punição e torna efetivo o delírio anterior. Transforma a visão mística em protocolo. A combinação explica por que a juristocracia brasileira, longe de ser mero excesso ocasional, tornou-se sistema permanente: uma dialética contínua de alucinação e coerção, de promessa transcendente e de ameaça terrena.

Sim, Barroso é o Iogue, que, tendo atingido um estado individual de elevação do espírito, pretendeu salvar o mundo pela reforma da consciência, pela meditação e pela gnose neoconstitucionalista. Já Fachin é o Comissário, o camarada rigidamente disciplinado, discreto, que tudo faz para assumir o controle do mecanismo e fazê-lo funcionar em prol do Partido. Trata-se de uma relevante mudança de estilo. Trata-se, a fortiori, de uma mais relevante ainda manutenção de agenda. Quer pela via infravermelha, quer pela ultravioleta, o partido-corte seguirá impondo o seu espectro político-ideológico sobre o país. Barroso é o Voltaire de Vassouras. Fachin, o Robespierre de Passo Fundo.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/flavio-gordon/barroso-fachin-stf-iogue-comissario/

Rodrigo Constantino

Eduardo Bolsonaro incomoda muita gente

Será mesmo que acreditam que Eduardo Bolsonaro vem dando munição para a campanha de Lula? (Foto: Zoltan Mathe / EFE)

Deu na coluna da Bela Megale no Globo: “Eduardo Bolsonaro é alvo de ironia e críticas em jantar na casa de Alexandre de Moraes“. Pelo que consta, havia até “bolsonaristas” presentes. E todos debochavam do esforço de Eduardo, o “melhor cabo eleitoral” de Lula.

Leandro Ruschel comentou sobre o tema: “Barroso jura que não há abusos no Brasil. Mas como explicar o juiz relator de um processo contra Eduardo Bolsonaro organizar um jantar com políticos e ministros que poderão julgá-lo  onde, segundo O Globo, o deputado foi achincalhado? Se houvesse Estado de Direito, só isso já anularia todos esses processos”.

Verdade. Mas quero focar em outro aspecto: será mesmo que eles acreditam que Eduardo Bolsonaro vem dando munição para a campanha de Lula? Afinal, essa “tese” se espalha em veículos da velha imprensa e mesmo alguns liberais “sofisticados” acreditam nela. Eduardo, ao articular com o governo Trump sanções para ministros supremos, estaria levantando a bola para Lula cortar?

Ora, se Eduardo Bolsonaro é tão tóxico assim para a direita e ajuda Lula, então melhor deixá-lo como articulador de sanções, não é mesmo? Lula vai ganhar no primeiro turno…

Se depender do Globo, devemos todos acreditar nisso. Diz uma manchete: “Valdemar diz que Eduardo Bolsonaro não tem votos e não respeita o pai”. Diz outra: “Divisão da direita opõe clã Bolsonaro e Centrão e afeta definição para 2026”. Uma terceira diz ainda: “A maior preocupação de Bolsonaro com os ataques de Eduardo nas redes”.

Ao julgar pelas “reportagens”, portanto, Eduardo causa enorme estrago na direita e até seu pai estaria preocupado. Mas quando foi que essa turma publicou coisas verdadeiras sobre a direita? Não é justamente a militância que deseja o pior para os conservadores? Ora, se Eduardo Bolsonaro é tão tóxico assim para a direita e ajuda Lula, então melhor deixá-lo como articulador de sanções, não é mesmo? Lula vai ganhar no primeiro turno…

Parece claro que, no fundo, é o contrário. O sistema está incomodado com as sanções e Alexandre de Moraes, se pudesse, já teria prendido Eduardo Bolsonaro. Não cola esse papo de que ele estaria ajudando a campanha lulista e prejudicando a própria direita. Só finge acreditar nisso quem quer a volta da “direita permitida”, uma turma tucana que deseja os votos bolsonaristas sem nada de bolsonarismo.

Eduardo já afirmou várias vezes que não está fazendo o que está fazendo de olho em eleições, mas mesmo assim o fruto de seu trabalho de articulação beneficia a verdadeira direita, pois coloca pressão no sistema podre e carcomido. Paulo Figueiredo ironizou: “Tranquilo. O Alexandre também tem sido alvo de ironias nos jantares na casa do Eduardo Bolsonaro. A diferença é que o Eduardo não está sancionado”.

O Departamento de Justiça dos EUA solicitou informações sobre o acordo de leniência da Odebrecht com o governo americano para avaliar se houve omissão e inconsistências na aplicação de políticas do DOJ. Esta revisão pode levar à reabertura do caso Odebrecht, se provadas omissões. Mais pressão para cima do consórcio PT-STF. Mas para certa ala da “direita”, isso deve ser ruim, pois dá “munição” ao Lula…

Entre a desonra e a guerra, escolhestes a desonra, e terás a guerra. O alerta de Churchill segue atual para a turma do “apaziguamento”. Eduardo Bolsonaro entendeu que é necessário partir para o combate, para o tudo ou nada. Quem quer focar apenas nas eleições de 2026 como se estivéssemos numa democracia normal faz o jogo do sistema. Eduardo incomoda tanta gente ruim justamente porque está fazendo um excelente trabalho!

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/rodrigo-constantino/eduardo-bolsonaro-incomoda-muita-gente/

PT em pânico impede convocação de testemunha-bomba para depor na CPMI

Deputado Paulo Pimenta (PT-RS) em faniquito para impedir convocação de testemunha-bomba (Foto: Andressa Anholete/Ag. Senado)

O governo Lula (PT) entrou em pânico com a quase convocação de Edson Claro, ex-funcionário de Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS. Foi Edson quem contou à Polícia Federal que Careca pagava propina em dinheiro vivo, para roubar aposentados, e decidiu “contar tudo” após ser ameaçado de morte pelo ex-patrão. Isso ligou o alerta. O deputado Rogério Correia (PT-MG) protagonizou situação bizarra: desistiu 17 dias depois do próprio pedido para convocar a testemunha.

Nitroglicerina

A ruidosa ação petista contra o depoimento da testemunha levantou suspeitas. “Chegamos ao cara”, concluiu Adriana Ventura (Novo-SP).

Edson é o cara

Dos 90 requerimentos de convocação ou de quebra de sigilo votados ontem na CPMI, só 2 não passaram, ambos para ouvir Edson.

Cerne do trambique

A blindagem petista estarreceu o relator, que já foi promotor, deputado Alfredo Gaspar (União-AL): “testemunha boa é de dentro do esquema”.

Muito a dizer

Marcel van Hattem (Novo-RS) diz não ver razão para ignorar a “testemunha mais importante”. Vai pedir novamente sua convocação.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/pt-em-panico-impede-convocacao-de-testemunha-bomba-para-depor-na-cpmi

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