Pode ser inócua e custar caro ao Brasil a decisão do governo Lula (PT) de autorizar o descumprimento da Lei Global Magnitisky, que enquadrou Alexandre de Moraes. Bancos ou empresas que o fizerem devem ser expostas a multas bilionárias e exclusão do mercado financeiro internacional, do qual os bancões dependem. E nem adianta dizer que não é decisão de governo, como lembrou um governador de sólida formação jurídica: quem ajuizou a ação foi o líder do governo na Câmara e a decidiu Flávio Dino, ministro umbilicalmente ligado a Lula.
Em nome da ‘soberania’
O banco BNP Paribas ignorou a Magnitsky e foi multado em R$48,4 bilhões por transações com ditaduras, e teve de demitir 13 diretores.
O Brasil sob risco
O governador acha a decisão do governo Lula “irresponsável” por “colocar em risco todos os brasileiros e todas as nossas instituições.”
Bancões com a lei
Como sabem das punições por descumprimento da Lei Magnitsky, presidentes do Bradesco e Itaú já deixaram claro que a irão cumprir.
Cliente é obrigatório?
Mesmo “autorizados” a descumprirem a Magnitsky, bancos não podem sem obrigados a manter cliente, nem mesmo sendo ministro do STF.
Sob pressão dos EUA, Maduro ordena mobilização de 4,5 milhões de milicianos em toda a Venezuela

Sob forte pressão do governo dos Estados Unidos, que dobrou a recompensa por informações que levem à sua captura, o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou nesta segunda-feira (18) a mobilização de 4,5 milhões de milicianos chavistas em todo o território venezuelano. O anúncio ocorreu dias depois de Washington acusá-lo de liderar um esquema de narcotráfico ligado ao chamado Cartel de los Soles.
Em rede nacional, Maduro declarou que “esta semana vou ativar um plano especial para garantir a cobertura com mais de 4,5 milhões de milicianos em todo o território nacional”. O líder chavista classificou a medida como parte de um “plano de paz” e pediu às milícias que se mantenham “preparadas, ativadas e armadas”.
O anúncio acontece em meio ao endurecimento das ações dos Estados Unidos contra o regime chavista. Na semana passada, o Departamento de Justiça elevou de 15 para 50 milhões de dólares a recompensa por informações que levem à prisão de Maduro. Segundo a procuradora-geral norte-americana, Pam Bondi, as autoridades dos EUA já confiscaram cerca de US$ 700 milhões em bens vinculados ao ditador, incluindo jatos, veículos e ativos financeiros.
Além disso, a Administração de Controle de Drogas (DEA) dos EUA afirma ter interceptado mais de 30 toneladas de cocaína relacionadas ao entorno de Maduro e outras sete toneladas diretamente ligadas ao líder venezuelano. Washington acusa formalmente o regime de transformar o país em base operacional para o narcotráfico internacional desde o primeiro mandato do ex-presidente Donald Trump.
Paralelamente, o Pentágono reforçou a presença militar no Caribe e na América Latina. De acordo com informações da emissora CNN e confirmadas por meios locais, cerca de 4.000 fuzileiros navais foram enviados para a região, acompanhados de destróieres, aviões de vigilância e sistemas lançadores de mísseis. A ação visa intensificar o combate aos cartéis de drogas que operam sob proteção do regime chavista.
Durante seu pronunciamento, Maduro afirmou que seguirá expandindo a presença das milícias em diversos setores da sociedade.
“Seguirei avançando no plano de ativação das milícias camponesas e das milícias operárias, em todas as fábricas e centros de trabalho de todo o país. Nenhum império vai tocar a terra sagrada da Venezuela”, disse.
Ele também acusou organizações estrangeiras de financiar infiltrações para desestabilizar o chavismo. O ditador citou a Fundação Rosa Luxemburgo, com sede na Alemanha, e afirmou que “potências europeias e o imperialismo” estariam patrocinando grupos que se apresentam como de esquerda, mas que atuam para dividir a base popular do regime.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/sob-pressao-dos-eua-maduro-ordena-mobilizacao-de-45-milhoes-de-milicianos-em-toda-a-venezuela/
Justiça manda governo Lula religar radares em 45 mil km de rodovias

A juíza Diana Wanderlei, da 5ª Vara Federal de Brasília, determinou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva religue os radares de fiscalização de velocidade desligados neste mês por falta de verba. A decisão obriga o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e as concessionárias a reativarem os equipamentos em até 24 horas. A multa em caso de descumprimento é de R$ 50 mil por dia.
A ordem foi proferida no âmbito de uma ação popular apresentada em 2019 pelo senador Fabiano Contarato (PT-ES). Naquele ano, o então presidente Jair Bolsonaro (PL) tentou suspender os radares. A Justiça firmou um acordo que garantiu o funcionamento dos aparelhos em trechos com maior índice de acidentes. O processo permaneceu em aberto justamente para prevenir novos descumprimentos.
Neste ano, o Dnit informou que precisava de R$ 364 milhões para manter os contratos em 2025, mas o orçamento destinou apenas R$ 43,3 milhões. O corte levou ao desligamento de cerca de 4 mil pontos distribuídos em 45 mil quilômetros de rodovias federais. Desde 1º de agosto, não há fiscalização eletrônica nesses trechos.
Valor arrecadado com multas superam em três vezes a manutenção dos radares
Segundo a decisão, a magistrada ordenou que o Dnit comunique as concessionárias para religar os equipamentos conforme o Acordo Nacional dos Radares. Além disso, o órgão terá 72 horas para apresentar um diagnóstico dos impactos do “apagão” e detalhar o valor necessário para cumprir o acordo. Já a União deverá entregar, em cinco dias, um plano emergencial com previsão de recursos para garantir o pagamento às empresas responsáveis pela manutenção.
“É inconteste que o não adimplemento dos contratos e a ausência de prestação do serviço atingem diretamente o interesse primário da sociedade pela segurança. A autonomia do Poder Executivo na definição das dotações orçamentárias é relativa, pois o cumprimento de serviços primários não pode ser relegado ou colocado em segundo plano”, escreveu Diana Wanderlei.
De acordo com a juíza, os valores arrecadados com multas superam em três vezes o custo da manutenção. Ela afirmou que a União abre mão de receita e, ao mesmo tempo, compromete a segurança nas estradas.
“Para surpresa deste juízo, o atual governo federal, grupo que, à época da retirada dos radares nas rodovias federais [em 2019], foi um dos grandes críticos daquela medida […], agora age de forma oposta, o que soa como contradição e retrocesso na proteção social, no cuidado com as pessoas”, disse Wanderlei.
A magistrada também determinou a intimação pessoal do ministro da Casa Civil, Rui Costa, para acompanhar o caso e buscar uma solução consensual sobre a alocação de recursos. A Advocacia-Geral da União foi igualmente notificada.
Segundo técnicos do Dnit, os registros de infrações aumentaram desde o desligamento dos equipamentos. A juíza manteve a ação em aberto para garantir o cumprimento do acordo e evitar novas interrupções.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/justica-manda-governo-lula-religar-radares-em-45-mil-km-de-rodovias/

Esquerda hipócrita diz querer proteger crianças na internet enquanto defende aborto

Como é abundante a hipocrisia nesse caso que foi reaberto pelo influenciador digital Felca, repetindo denúncias já feitas anos atrás pela Damares Alves, pela Antônia Fontenelle, e ninguém deu bola porque disseram que era coisa de evangélico, coisa da direita, coisa de fascista. Os mesmos que não deram bola para aquele filme Som da Liberdade, que trata exatamente desse assunto, do abuso sexual, da pedofilia. A esquerda brasileira diz que está defendendo as crianças e que para isso é preciso censurar as redes sociais. Não precisa; tanto que não houve censura e a Polícia Federal descobriu esse tal Hytalo Santos.
Digo tudo isso para contar que se descobriu – porque o governo divulgou com muito cuidado – um decreto de Lula anulando um decreto de Jair Bolsonaro contra o aborto. O texto anterior foi anulado pelo novo, de Lula, sob a égide da proteção à infância. A oposição afirma que isso abrirá frestas para permitir o aborto, que é o sonho da esquerda. O Código Civil, no artigo 2.º, diz que a pessoa adquire personalidade jurídica – isto é, tem nome – a partir do nascimento. Mas, ao mesmo tempo em que a personalidade civil começa no nascimento, “a lei põe a salvo, desde a concepção [ou seja, o momento em que o espermatozoide entrou no óvulo], os direitos do nascituro”. Quais são esses direitos? Olhem a Constituição: o artigo 5.º protege o direito à vida.
Violência se combate com educação, mas os demagogos não querem educar o povo
Três mulheres perderam a vida em Ilhéus (BA). Estavam passeando na praia com o cachorro, só o cachorro sobreviveu. Sofreram um ataque a faca e os corpos foram encontrados. Eram duas professoras municipais, de mais de 40 anos, e a filha de uma delas, de 20. Todas agredidas a faca. Fazem tanta campanha contra armas de fogo, mas eu olho as estatísticas de homicídios e vejo que 70% das mulheres assassinadas foram mortas à faca. Será que vão fazer uma campanha de registro de faca, ou de porte de faca? Eu ironizo porque há pessoas que fingem não saber que a origem da violência não é a arma. A arma, que serve para matar, serve também para defender a vida e a propriedade. A arma é inerte. A origem da violência está nos cérebros que armam as mãos. Então, é preciso desarmar os cérebros, e isso se faz com educação.
Mas os demagogos não querem saber de ensino e educação. Os demagogos se gabam, como Lula quando provocou Trump mais uma vez, de que nós somos o país do samba, do futebol e do carnaval. E isso basta para que as pessoas não pensem nas coisas mais importantes da vida, que são o bem-estar, a liberdade, a garantia disso tudo para os filhos e netos. Só o conhecimento dá isso, mas o conhecimento também ensina a pessoa a ser eleitora e votar nas pessoas certas. Esse tem sido o mal do nosso país em geral: o voto errado.
Economia desacelera com preferência por Bolsa Família em vez de trabalho duro
O governo lamenta que o PIB está desacelerando, inclusive porque falta mão de obra. Onde existe necessidade de mão de obra intensa, a pessoa prefere ficar em casa, não fazer nada, e ganhar o Bolsa Família. Milhões de pessoas estão assim. Alguns precisariam menos, outros se viciaram nisso, como lembra Luiz Gonzaga, que deu música àqueles versos de Zé Dantas: a esmola envergonha e vicia o cidadão.
STF acha que influenciadores de esquerda vão reverter impopularidade da corte
O presidente do STF esteve em Cuiabá e, durante um discurso, disse que não vai se aposentar, que não sairá do Supremo depois que entregar a presidência para Edson Fachin em setembro, que ele está gostando muito e vai ficar por lá. Luís Roberto Barroso ainda pode ficar mais oito anos. Enquanto isso, vemos a foto de quase 30 influenciadores de esquerda que foram ao Supremo mostrar apoio a Alexandre de Moraes e combinar campanhas de propaganda, para dizer que o Supremo está cumprindo a Constituição. Eu fico curioso para saber se as passagens e hospedagens foram pagas pelos visitantes ou por nós.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/lula-decreto-aborto-infancia/
OAB-PR cobra autocontenção e autocrítica do STF

A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Paraná (OAB-PR) divulgou a “Carta do Paraná em Defesa da Democracia e do Devido Processo Legal”, resultado do congresso “STF: Defesa da Democracia e o Necessário Respeito ao Devido Processo Legal”, realizado em Curitiba. O documento afirma que apoiar o Supremo Tribunal Federal como pilar da democracia não significa endossar todas as suas decisões e ressalta a necessidade de vigilância crítica para que a Corte atue dentro dos limites constitucionais.
A carta denuncia fragilidades na condução dos processos relacionados aos atos de 8 de janeiro de 2023, apontando interpretações casuísticas sobre competência, abuso na conexão processual e aplicação cumulativa de crimes que resultam em penas excessivas a réus de participação considerada secundária. O texto ainda critica violações às prerrogativas profissionais da advocacia, como restrições ao acesso aos autos, prazos exíguos para defesa, dificuldades de contato com réus presos e medidas cautelares que limitam a comunicação.
Outro ponto destacado refere-se à colaboração premiada no contexto dos atos de 8 de janeiro. A OAB-PR questiona sua legalidade, citando ausência de espontaneidade, múltiplas versões prestadas e a pressão do contexto de prisão preventiva, fatores que comprometem a credibilidade das declarações. Também há críticas à instabilidade gerada pelas oscilações sobre foro privilegiado, ao uso de decisões monocráticas e a julgamentos em plenário virtual, considerados prejudiciais à transparência e à oralidade.
Em tom de alerta, a OAB-PR conclama o STF a adotar autocrítica e autocontenção, lembrando que a legitimidade da Corte depende do respeito às garantias fundamentais e ao devido processo legal. O texto defende que não há democracia sem devido processo e que a justiça se legitima não apenas pelo resultado, mas pelo caminho percorrido.
Veja a íntegra do manifesto
A OAB-PR, fiel ao seu compromisso histórico e institucional de defesa intransigente da democracia, da Constituição e do Estado de Direito, bem como diante do atual e preocupante cenário social, político e jurídico do Brasil, apresenta a Carta do Paraná, fruto das conclusões do Congresso “Supremo Tribunal Federal: defesa da democracia e o necessário respeito ao devido processo legal”, ocorrido nos dias 6 e 7 de agosto de 2025, em Curitiba/PR.
Em um cenário marcado por acentuada polarização e tensões ideológicas, no qual até a soberania nacional é posta à prova diante de indevidas interferências externas, o Supremo Tribunal Federal assumiu protagonismo inédito, especialmente diante da responsabilidade de julgar fatos de extrema gravidade e com potencial de abalar o Estado Democrático de Direito.
Se é certo que a atuação da Suprema Corte deve ser reconhecida por seus méritos, é igualmente legítimo e necessário que aspectos de sua atividade jurisdicional sejam objeto de análise crítica e técnica. A Suprema Corte ocupa posição insubstituível na preservação do Estado Democrático de Direito, mas sua legitimidade decorre não apenas de sua autoridade institucional, como também da observância estrita às regras constitucionais, processuais e éticas. Defender o STF, como instituição, significa também exigir uma atuação transparente, colegiada e em estrito respeito ao devido processo legal. A construção e a preservação da democracia não são automáticas: resultam de uma atuação pautada pelo devido processo legal, com respeito aos direitos fundamentais e aos limites impostos pelo modelo republicano.
Nesse contexto, é fundamental que se faça uma análise técnica e desprovida de paixões sobre sua atuação recente, sobretudo nos procedimentos criminais posteriores ao “Inquérito das Fake News”, culminando nas ações penais que tratam dos gravíssimos fatos ocorridos em 8 de janeiro de 2023.
A partir dos debates realizados no mencionado evento, o Conselho Estadual da OAB-PR aprova e torna públicas as seguintes conclusões:
- O Supremo Tribunal Federal possui papel institucional fundamental; não há democracia sem uma Corte Constitucional independente. Também por isso, é uma questão central de soberania nacional defender o Supremo de ataques ou interferências estrangeiras.
- Estabelecida a ressalva inicial, a atuação do Supremo deve ser permanentemente acompanhada e debatida pela sociedade. Eventuais críticas não configuram agressões ou ataques ao Tribunal, mas sim contribuições legítimas para o aprimoramento de sua atividade jurisdicional e, em última instância, para a defesa da democracia e da Constituição. A crítica responsável é um dever democrático, pois fortalece o tribunal e amplia a confiança da sociedade nas instituições. Do mesmo modo, é fundamental a definição de limites institucionais, portanto é necessário que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) regulamente a matéria dos eventos dos quais magistrados participam, seus patrocínios e eventuais vantagens ou retribuições financeiras aos convidados. Na mesma linha é preciso que haja clareza sobre benefícios oferecidos a familiares de juízes e definições do que pode configurar conflito de interesse. Requer ainda atenção a relativização que o STF fez do impedimento a parentes de ministros de atuarem em tribunais superiores. Ao julgar a ADI 5.953, a corte formou maioria para considerar inconstitucional o Artigo 144, inciso VIII do Código de Processo Civil (CPC), que vedava esse tipo de atuação.
- A erosão da confiança no Poder Judiciário, evidenciada por pesquisas de opinião, é um sinal de alerta que merece atenção. Questões como a duração excessiva de inquéritos, alterações de entendimentos jurídicos “pós-fato” e o questionamento da imparcialidade de Ministros geram instabilidade e incerteza. É fundamental que a Corte reforce a observância rigorosa do devido processo legal, pois qualquer violação desses princípios basilares, especialmente no mais alto grau de jurisdição, possui um efeito cascata em todo o sistema de justiça.
- Sob a ótica do princípio do juiz natural e das regras constitucionais e legais sobre competência, é possível identificar fragilidades no devido processo legal nas chamadas “Ações do 8 de janeiro”. Sempre que as normas de competência não são rigorosamente observadas, há risco de comprometimento da imparcialidade e da legitimidade da jurisdição, o que pode gerar preocupações quanto à conformidade com os parâmetros constitucionais, conforme abaixo:4.1. A utilização equivocada e o alargamento do instituto da conexão, por vezes interpretado com fundamento no Regimento Interno do STF em detrimento da lei, contraria o princípio da taxatividade da competência jurisdicional. Tal prática tem levado à ampliação excepcional da competência do Tribunal, seguida de cisão posterior dos processos, afetando a coerência e previsibilidade da jurisdição.4.2. A interpretação oscilante sobre o foro por prerrogativa de função, alterada diversas vezes nas últimas duas décadas sem mudança legislativa ou constitucional, revela abordagem casuística, fonte clara de insegurança jurídica. Casos como o Mensalão, a Lava Jato e as ações do 8 de janeiro ilustram esse problema.
- Têm sido observadas, inclusive nas ações relacionadas ao 8 de janeiro, recorrentes violações às prerrogativas profissionais da advocacia — como restrições ao acesso aos autos, prazos exíguos para a defesa, dificuldades de contato com réus presos e imposição de medidas cautelares que limitam a comunicação entre advogados e investigados — o que compromete não apenas o exercício da advocacia, mas também os princípios da imparcialidade do juízo e do devido processo legal, conforme reconhecido pelo próprio Supremo Tribunal Federal em decisões anteriores.
- Determinadas práticas adotadas por Ministros do Supremo Tribunal Federal impõem obstáculos relevantes ao pleno exercício do direito de defesa, como a limitação do acesso dos advogados aos magistrados, a crescente utilização de decisões monocráticas em matérias complexas, o julgamento de ações penais por meio do plenário virtual — em detrimento da oralidade e da publicidade inerentes ao rito presencial — e a substituição da sustentação oral por sua simples gravação e juntada aos autos. Tais medidas comprometem a efetividade da atuação da defesa técnica.
- A aplicação conjunta dos crimes previstos nos arts. 359-L e 359-M do Código Penal (abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado), levantam questionamentos à luz do princípio da consunção. O uso do concurso material tem resultado em penas excessivas, especialmente para réus de baixa participação nos fatos. Tal interpretação e a inobservância ou justificativas para inaplicabilidade do conflito aparente de normas, além de se mostrar tecnicamente inadequada, resulta em cumulação indevida de penas, ampliando desproporcionalmente a resposta penal e comprometendo os princípios da razoabilidade e da individualização da pena.
- A colaboração premiada relacionada aos atos de 8 de janeiro apresenta questionamentos relevantes quanto à sua legalidade, especialmente por relativizar requisitos essenciais do instituto previstos na Lei nº 12.850/2013, como a concordância do Ministério Público, condição de validade do acordo com precedente do próprio STF. Dúvidas sobre a ausência de espontaneidade, a existência de múltiplas versões prestadas pelo colaborador e o contexto de prisão preventiva em que se deu a colaboração colocam em risco a credibilidade das declarações como fundamento das acusações.
- A legitimidade de qualquer tribunal também se constrói pela capacidade de corrigir seus próprios erros. A melhor resposta aos ataques antidemocráticos é mais democracia: mais respeito às garantias fundamentais, mais estrita observância do devido processo legal e mais compromisso com o princípio da legalidade.
A partir das reflexões e conclusões apresentadas nesta Carta, fruto do intenso debate realizado em pioneiro congresso que se debruçou sobre o tema de maior preocupação hoje em nosso país, a OAB/PR reafirma sua confiança na capacidade institucional do Supremo Tribunal Federal de evoluir no sentido de fortalecer o Estado Democrático de Direito, preservando-o por intermédio de atuação firme, independente e justa. Da mesma forma, espera do STF autocrítica e autocontenção para evitar desvios autoritários e violações ao devido processo legal.
A OAB-PR reafirma que apoiar o Supremo Tribunal Federal como pilar da democracia não significa endossar todas as suas práticas ou decisões. A lealdade às instituições se demonstra na vigilância crítica e na cobrança firme para que atuem dentro dos limites constitucionais.
A melhor resposta a qualquer ameaça ao Estado Democrático de Direito não é a mitigação seletiva de garantias; pelo contrário: é nesse cenário que cresce a necessidade de respeito a esse conjunto de garantias próprias do devido processo legal. É nas crises que mais se exige o respeito às regras, pois a justiça se legitima não apenas pelo resultado, mas pelo caminho percorrido.
Para os próximos capítulos desta história, esperamos um Supremo Tribunal Federal que demonstre um compromisso renovado com o respeito aos princípios fundamentais do sistema de justiça criminal — devido processo legal, imparcialidade, legalidade, contraditório e ampla defesa — e que veja na advocacia o caminho legítimo (e único) para a efetivação da justiça, jamais um obstáculo a ser superado.
Defender a democracia é tarefa contínua, que exige coragem para apontar erros, firmeza para exigir correção e compromisso para preservar as garantias que sustentam a liberdade de todos.
Não há democracia sem devido processo legal, nem justiça sem a voz livre da advocacia. Que esta Carta se inscreva na história como testemunho firme e inequívoco de que a OAB-PR esteve, está e estará na trincheira da Constituição, da democracia e das liberdades fundamentais, em qualquer tempo e contra qualquer arbítrio.
Curitiba, 15 de agosto de 2025.
Governo Lula já pagou R$8,1 bilhões em emendas

No balcão das relações com o Congresso, o governo Lula (PT) já pagou mais de R$8,1 bilhões em emendas parlamentares este ano, segundo o Tesouro Nacional. Do total, mais de R$6,9 bilhões quitaram emendas individuais e outros R$1,2 bilhão as emendas de bancadas. A maior emenda individual de 2025, de R$34,3 milhões, foi paga dia 5 de agosto e pertence à senadora Augusta Brito (CE), nova líder interina do PT no Senado e suplente do ministro Camilo Santana (Educação). As informações são do jornalista Cláudio Humberto, colunista do Diário do Poder.
Até o fim de junho, o Tesouro registrava R$2,6 bilhões em emendas pagas pelo governo Lula, e o valor quase triplicou
A emenda da senadora petista para o Fundo de Saúde do Ceará foi empenhada em 26 de junho, liquidada dia 4 e paga em 5 de agosto.
Dia 13, Brito virou líder do PT no Senado, após Rogério Carvalho se tornar líder do governo, enquanto Jaques Wagner trata da saúde.
A Democracia e a Liberdade ‘a gente vê depois’?
Não estaríamos atravessando este período se, durante a campanha eleitoral presidencial de 2022 não tivessem sido proibidas quaisquer referências às péssimas relações e amizades de Lula e seu partido no plano nacional e internacional. A pandemia desse autoritarismo maldito, que nos sufoca, era pra já; o resto ficava pra depois.
Nas democracias de verdade, as campanhas eleitorais existem, também, para advertir os eleitores sobre riscos inerentes a escolhas feitas sem a necessária informação. Entre outros alertas, também esse, sobre as más amizades de Lula, foi proibido naquele pleito e ele, tão logo empossado, correu para se aliar aos inimigos do Ocidente. Resultado: os setores mais carentes e menos esclarecidos da sociedade, os que mais necessitariam da importante advertência, serão os que, proporcionalmente, absorverão o maior dano socioeconômico das medidas tarifárias já impostas por Trump.
Enquanto, no Brasil, o regime se esmera em controlar a divergência e a “polarização” é reprimida como se fosse uma invenção maligna da direita, nos Estados Unidos, em 2024, durante a campanha transcorrida lá, Donald Trump conseguiu deixar bem claras suas intenções e seu princípio fundante: Make America great again. Prometeu mais tarifas e barreiras comerciais para conter a influência chinesa. Reforçou o apoio total a Israel. Defendeu medidas duras na fronteira com o México. Garantiu que providenciaria a imediata saída dos imigrantes irregulares, etc., etc., etc. Tudo foi reiterado no discurso de posse.
No outro polo, Biden e Kamala Harris atacaram-no livremente, na vida privada e na vida pública. Combateram-no, também, pelo que não disse sobre direitos humanos, sem que nenhuma autoridade judicial os impedisse de pisar nesse calo ou bater nessa tecla. Quanto mais amordaçado ou esterilizado for o entrechoque de posições, quanto maior a contenção da natural polarização do debate político do presidencialismo com dois turnos, quanto maiores forem as censuras e as interdições, mais aberto fica o espaço para a mentira, para a falsidade, para a omissão e para os desastres subsequentes.
Aqui, em 2022, Lula fez campanha como se não tivesse passado, só futuro. E o futuro era a volta de um amor que só se viu na publicidade. Reapareceu até o belíssimo vídeo das mulheres grávidas que, na campanha dele em 2002, desceram uma coxilha verdejante ao som do Bolero de Ravel. Embora os bebês do vídeo já contassem 20 anos ou mais, o prontuário de Lula foi apresentado, naquele pleito, flamante e intocado como manual de carro zero. Agora está ele aí, fazendo estragos com as mesmas velhas e perigosas amizades que não podiam ser mencionadas.
Os novos problemas que passaremos a enfrentar a partir do dia 6 de agosto poderiam ter sido evitados com uma receita eficaz e saudável: mais liberdade. Mas essa liberdade foi rotulada como danosa para os interesses do grupo político que, sem ela, chegou ao poder. O preço dos efeitos da falta de liberdade não será pago, infelizmente, por aqueles que, desde a bolha onde vivem vida à forra, nos enclausuram prometendo, vida afora, o que não têm para entregar.
Por essas razões, e por tantas outras, no dia 3, domingo, nos veremos nas ruas e praças deste chão abençoado. Respeitem a Constituição, que a democracia e a liberdade vêm junto. Basta-me isso e um cafezinho. E desse eu mesmo me sirvo.
Percival Puggina é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/opiniao/a-democracia-e-a-liberdade-a-gente-ve-depois

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