Filho de Barroso decide não voltar aos EUA após medida de Trump

Barroso teria aconselhado o filho a não voltar aos Estados Unidos para evitar a possibilidade de ser barrado ao entrar no país. (Foto: Rosinei Coutinho/STF)

O filho do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso, Bernardo Van Brussel Barroso, teria decidido não voltar para os Estados Unidos após a suspensão dos vistos americanos de ministros da Corte pelo governo de Donald Trump.

Bernardo é diretor do banco BTG Pactual em Miami e teria tomado a decisão por precaução para evitar ter a entrada no país negada. No dia 18 de julho, os Estados Unidos revogaram o visto do ministro Alexandre de Moraes, seus familiares e aliados.

A lista de “aliados” de Moraes afetados pela medida não foi divulgada oficialmente, mas a restrição teria atingido Barroso, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Cármen Lúcia, Edson Fachin e Gilmar Mendes. Moraes também é alvo da Lei Magnitsky.

Os ministros Luiz Fux, André Mendonça e Nunes Marques não teriam sido sancionados. O presidente da Corte teria aconselhado o filho a não voltar aos EUA após um período de férias na Europa. Sem a confirmação do governo Trump sobre quem foi impactado, Bernardo deve voltar ao Brasil.

A informação foi divulgada inicialmente pelo portal UOL e pelo Estadão e confirmada pela Gazeta do Povo. O BTG Pactual informou que não vai comentar sobre o tema.

As sanções contra os magistrados foram anunciadas em meio à taxação de 50% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos. O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) articulou as medidas contra Moraes e já ameaçou outros membros da Corte com possíveis restrições.

Trump também criticou decisões do ministro contra plataformas digitais e o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por suposta tentativa de golpe de Estado em 2022. Moraes é o relator do caso e de outras investigações envolvendo o ex-mandatário.

O filho do ex-presidente e parlamentares da oposição pressionam pela aprovação do “pacote da paz” pelo Congresso, que prevê a anistia “ampla, geral e irrestrita” aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, o impeachment de Moraes e o fim do foro privilegiado.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/filho-de-barroso-decide-nao-voltar-aos-eua-apos-medida-de-trump/

Apoio de Lula à Rússia e China ameaça compras de armas e equipamentos militares

Defesa brasileira está adquirindo novos helicópteros Black Hawk dos EUA. (Foto: Sargento Johnson/ Agência Força Aérea Brasileira)

Compras importantes da área de Defesa para o Brasil, com a aquisição de helicópteros para operar na Amazônia e mísseis antiblindado Javelin, estão sob ameaça com a escalada das tensões entre o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e também diante do alinhamento da gestão petista com Rússia e China. Além disso, pode haver prejuízo para projetos estratégicos das Forças Armadas, como a construção de submarinos em parceria com França e caças com tecnologia da Suécia.

Segundo analistas ouvidos pela reportagem, a aproximação com China e, principalmente, com Rússia tem gerado um ambiente de tensão crescente e aberto espaço para movimentos estratégicos das potências declaradamente antiocidentais.

A reportagem apurou que o Alto Comando do Exército reconhece o tensão e não descarta possíveis dificuldades nas compras dos helicópteros, mísseis e outros equipamentos americanos sob os governos de Lula e Trump. Mas a cúpula da força armada acredita que contratos com outros países do Ocidente não serão impactados.

“A aproximação com China e Rússia, impulsionada por afinidades ideológicas do governo Lula, do PT e estimulada por figuras influentes no entorno presidencial, já se reflete em iniciativas concretas, como o assédio de empresas desses países à indústria militar brasileira e do risco de não fornecimento de materiais e itens de defesa ao Brasil por alianças ocidentais”, alerta o doutor em Direito Internacional pela Universidade de São Paulo Luiz Augusto Módolo.

A Gazeta do Povo procurou o governo federal, por meio do Ministério das Relações Exteriores e do Ministério da Defesa, mas não houve retorno até a publicação da reportagem.

“O conjunto da obra diplomática brasileira atual, especialmente a presença de Lula ao lado de Putin, lança dúvidas sobre o compromisso do Brasil com os interesses ocidentais. Isso inevitavelmente impacta a confiança em acordos militares, principalmente em países membros ou próximos da Otan”, afirma Marcelo Almeida, especialista em segurança e defesa.

Os riscos à defesa também reverberam no meio político. “Os Estados Unidos têm muito mais poderio bélico que nós, temos as Forças Armadas sucateadas neste momento e o governo Lula mantém sua postura de afronta aos Estados Unidos. Se aliando a russos e chineses, coloca projetos e a própria Defesa em alerta e em perigo”, reforça a ex-deputada federal Silvia Waiãpi (PL-AP), que foi afastada do cargo por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em meio às tensões diplomáticas com os Estados Unidos e à crescente aproximação do governo Lula com países considerados antiocidentais, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, será ouvido pela Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado nesta quinta-feira (14), às 10h.

Ele irá prestar esclarecimentos sobre as atividades do Ministério da Defesa e os projetos estratégicos de defesa nacional. O requerimento para a audiência foi feito pelo senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), que destaca a necessidade de o Brasil focar no atual cenário internacional, marcado por intensificação de tensões geopolíticas e instabilidade nos fóruns multilaterais de segurança.

Além de Múcio Monteiro, a comissão convidou os comandantes da Marinha, Exército e Aeronáutica, cujas participações ainda não foram confirmadas.

Rússia tenta aumentar influência na América Latina

O analista Marcelo Almeida alerta que há anos a Rússia tenta intensificar sua presença em países da América Latina com uma clara “ofensiva de charme” voltada também ao mercado militar brasileiro.  Ou seja, Moscou tenta aumentar sua influência com propaganda em redes sociais e lobby diplomático e empresarial para a venda de tecnologia e armamentos.

Ele avalia que isso possa se refletir mais intensamente neste momento, aproveitando a tensão diplomática com os Estados Unidos.

A ofensiva de influência da Rússia na América Latina é uma estratégia diplomática e política usada pelo governo Putin para estreitar laços com países da região, especialmente aqueles com governos mais críticos aos Estados Unidos e à ordem internacional liderada pelo Ocidente. Essa ofensiva envolve visitas diplomáticas, acordos de cooperação econômica, militar e energética e apoio político.

Segundo Almeida, do lado norte-americano, especialmente sob a liderança de Donald Trump, o Brasil passou a ser visto não como um parceiro neutro, mas como peça no tabuleiro da rivalidade estratégica com a China e próximo da Rússia, o que pode estimular os russos em parcerias militares com o Brasil.

No entanto, por ora, não há qualquer indicativo de que oficiais em posições de comando das Forças Armadas tenham interesse em compras de equipamentos da Rússia. Isso porque a maioria dos armamentos que o Brasil possui depende de manutenção, munição e peças fornecidas por países do Ocidente, que podem interromper as operações para que a tecnologia não caia em mãos russas.

Programa de submarinos do Brasil é dependente de tecnologia da França

Entre os projetos que em teoria podem ser afetados pela disputa geopolítica está o firmado com o governo francês para construção de cinco submarinos. Durante visita ao Brasil em 2024, o presidente Emmanuel Macron e Lula anunciaram um “avanço estratégico em cooperação bilateral” para tentar viabilizar a transferência de tecnologia para a construção do primeiro submarino brasileiro de propulsão nuclear.

O acordo já firmado com Paris inclui a transferência de tecnologia para o Brasil construir quatro submarinos de propulsão convencional (três deles já foram concluídos) e um com motor nuclear. O tratado firmado em 2008 entre os dois países prevê que a França compartilhe a tecnologia para a construção do casco do submarino nuclear, mas não o motor. O Brasil tenta sem sucesso desenvolver essa tecnologia desde o final da década de 1970 e agora quer convencer a França a fornecer a tecnlogia pronta.

O alinhamento do Brasil com a Rússia cria uma vulnerabilidade: a tecnologia dos submarinos classe Scorpène franceses poderia, em tese, ser repassada pelo governo Lula a Moscou. Isso poderia ser usado pelo Kremlin para aprimorar o monitoramento dos navios franceses e até encontrar vulnerabilidades militares no equipamento que poderiam ser exploradas pelos russos em caso de guerra. O cenário é agravado pelo fato desses submarinos serem usados em operações da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Assim, segundo Módolo, o envolvimento simultâneo do Brasil com a França e sua relação estreita com China e Rússia pode gerar um dilema geopolítico complexo e potencialmente arriscado à Defesa.

No Brasil, a preocupação de membros das Forças Armadas se dá porque o Programa de Submarinos (Prosub) é totalmente dependente do fornecimento de peças francesas. O principal exemplo é que os torpedos usados pelos submarinos só são fabricados na França.

A principal preocupação recai sobre a sensibilidade das informações estratégicas envolvidas em um projeto de submarinos e em outros, como a produção dos caças suecos. “Qualquer percepção, por parte da Otan ou de seus aliados, de que o Brasil possa servir de canal de vazamento de tecnologia ou conhecimento sensível, ainda que de forma não intencional, colocaria em risco toda a parceria com a França e outros países e a Defesa brasileira em risco”, segundo Almeida.

“Em um mundo marcado por alianças rígidas e crescente polarização, o Brasil corre o risco de ser visto como um ator ambíguo comprometendo tanto sua credibilidade diplomática quanto seu acesso a tecnologias estratégicas de ponta”, completa.

Compra de helicópteros e mísseis dos Estados Unidos: incertezas sobre manutenção de programas

o risco de desabastecimento se estende ainda à aquisição de equipamentos de defesa pelo Brasil dos Estados Unidos. O especialista em segurança pública Sérgio Gomes, investigador aposentado das forças federais de segurança em fronteira, cita como exemplo os 12 helicópteros Black Hawk (estimados em US$ 451 milhões) e os mais de 200 mísseis antitanque Javelin (cerca de US$ 74 milhões) que estão em fase de aquisição.

Esse processo foi autorizado pelo governo brasileiro e aprovado por Washington ainda durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ainda no primeiro mandato de Trump, quando o Brasil foi considerado um aliado extra-Otan. Mas a negociação segue em curso até hoje. Da parte dos EUA, em 2024, no governo de Joe Biden, os Estados Unidos autorizaram a venda dos 12 helicópteros Black Hawk ao Brasil, que ainda não chegaram ao país.

A compra de helicópteros foi autorizada com restrições logísticas e sem contrapartidas de industrialização local. Eles são utilizados para sobrevoo em selva, como patrulhamento na região amazônica, salvamentos e resgates. Hoje, os helicópteros usados para essas tarefas não têm a mesma segurança e autonomia dos Black Hawk. Acidentes são relativamente frequentes.

Embora formalmente previstas no FMS (Foreign Military Sales, ou Vendas Militares Estrangeiras, na tradução literal), um contexto de conflito diplomático pode bloquear ou fazer com que a Casa Branca reavalie a venda. “Diante de todo o cenário de sanções e os alertas feitos por Trump, que vão desde Bolsonaro, passando pelo STF e as big techs americanas, o comércio relacionado à defesa certamente não será poupado”, destaca.

Para o especialista, há riscos de atrasos, bloqueios ou constrangimentos operacionais decorrentes de uma relação instável, o que fragiliza não somente a efetividade das aquisições, mas também a segurança estratégica do país.

Além das aeronaves Black Hawk, o pacote incluía 34 motores, 28 sistemas de navegação GPS Honeywell Eagle-M e 24 rádios para piloto. Os EUA também aprovaram previamente a aquisição de até US$ 500 milhões adicionais em equipamentos e serviços de defesa, permitindo que futuras compras não dependam de novas autorizações individuais. “Não há dúvidas que neste momento isso tudo vem sendo repensado”, afirma Gomes.

O Black Hawk é utilizado por 28 países e, no Brasil, integra frotas mais antigas da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, com um total de 26 unidades operacionais.

Já os mísseis portáteis Javelin são estratégicos para a defesa da fronteira com a Venezuela. Esse tipo de equipamento foi o mesmo utilizado para impedir a invasão russa da capital ucraniana, Kyiv, em 2022. No Brasil, são armas fundamentais para impedir que blindados venezuelanos usem o território brasileiro, em Roraima, em um eventual ataque à Guiana.

Projeto de transferência de tecnologia e caças Gripen podem ser afetados

Outra iniciativa que pode ser afetada ocorre em parceria com a Suécia, que lidera o projeto de transferência de tecnologia para os caças Gripen. Após a adesão sueca à Otan, o receio em Estocolmo era que o Brasil fosse, mesmo sem intenção direta, se tornar um ponto vulnerável para vazamento de dados sensíveis da aeronave, considerada peça-chave na defesa aérea sueca.

A FAB já recebeu oito dos 36 Gripens encomendados. Contudo, segundo apuração da Gazeta do Povo, as aeronaves ainda não estão plenamente operacionais e o país não teria tido acesso total ao código-fonte do software, essencial para reprogramação dos sistemas de combate.

A Suécia, por sua vez, teme que essas informações, caso compartilhadas -mesmo que por negligência – com parceiros alinhados a Moscou, comprometam sua segurança nacional e a de outros membros da Otan.

Em nota, a Saab, fabricante do Gripen, evitou comentar as implicações políticas da aproximação de Lula com a Rússia, mas reforçou que confia no Brasil como parceiro. Ainda assim, deixou claro que existem “infraestrutura e protocolos rigorosos” para lidar com informações confidenciais – um sinal de que a atenção sobre o tema está redobrada.

Enquanto isso, nos bastidores diplomáticos, cresce a avaliação de que a política externa brasileira pode afetar o cronograma de entregas, travar futuras aquisições e até congelar a ampliação do programa, estimado em mais de R$ 26 bilhões. A confiabilidade internacional, dizem especialistas, pode ser o maior ativo em jogo neste momento.

Módolo também citou o exemplo da Venezuela, que, ao se atrelar à Rússia, tornou-se um Estado quase falido e uma espécie de “ponta de lança” dos interesses russos na América Latina, o que teria prolongado artificialmente o regime de Nicolás Maduro.

Ele também alerta que esse tipo de aliança pode manchar a imagem internacional do Brasil, gerar desconfiança dos EUA e da Europa e, possivelmente, atrair sanções. Módolo avalia que o Brasil ainda pertence ao Ocidente, mas alerta que, ao se associar a regimes autoritários, o país não os tornará mais democráticos – ao contrário, “corre o risco de perder o pouco de democracia que ainda lhe resta”.

Especialistas temem que projetos de defesa sejam comprometidos

Entre especialistas, há a preocupação de que a crise política possa comprometer negociações cruciais de compra de armamentos, inviabilizar programas de treinamento militar com parceiros americanos e até dificultar a exportação de equipamentos fabricados no país.

O cargueiro militar KC-390, um dos principais produtos militares da Embraer, conta com diversos componentes fabricados nos Estados Unidos. “Uma possível ruptura nas relações comerciais com os EUA agravaria ainda mais a já delicada situação das Forças Armadas brasileiras, que enfrentariam uma crise logística”, avalia Marcelo Almeida.

Durante governos anteriores do PT, decisões estratégicas de defesa foram influenciadas por fatores políticos. Um exemplo foi a escolha dos caças Gripen suecos em detrimento dos modelos da americana Boeing, motivada por um suposto escândalo de espionagem envolvendo os EUA.

Outro caso foi a suspensão da compra de obuseiros israelenses por razões políticas. “Esses precedentes levantam temores de que a subordinação de assuntos militares a interesses políticos possa se repetir, prejudicando a autonomia e a eficácia das Forças Armadas”, completa o especialista.

Há ainda o alerta de que fornecedores internacionais de armamentos detêm poder de veto sobre a revenda dos equipamentos fornecidos. Isso significa que, ao adotar o sistema de armas de um determinado país, o Brasil também acaba se alinhando, ainda que indiretamente, às escolhas geopolíticas desse fornecedor — seja ele os Estados Unidos, a China, a Rússia ou qualquer outro.

“Nesse contexto, propostas sensíveis, como a possível aquisição da empresa estratégica de defesa Avibras pela estatal chinesa Norinco, que causaram preocupação em Brasília, podem ganhar novos contornos diante da redefinição das relações diplomáticas entre o Brasil e grandes potências como EUA e China”, completa o especialista.

O episódio ao qual ele se refere diz respeito à proposta feita no ano passado pela estatal chinesa, que demonstrou interesse em adquirir 49% das ações da brasileira Avibras após a desistência do grupo australiano DefendTex. A empresa retirou-se da concorrência diante das dificuldades de financiamento e restrições impostas pelo governo brasileiro a exportações militares ligadas à guerra da Rússia contra a Ucrânia. Pouco depois da proposta, o próprio governo brasileiro avaliou que as negociações com a China poderiam “causar estresse diplomático”.

Segmentos militares ligam avanços da Rússia e da China à postura do Palácio do Planalto

Militares das Forças Armadas ouvidos pela reportagem sob anonimato demonstraram certo desconforto com o Planalto diante do avanço das relações com China e Rússia. O Ministério da Defesa não comentou o caso.

Alguns dizem suspeitar que o interesse de empresas chinesas e russas no setor de defesa brasileiro não ocorre de forma isolada, mas impulsionado por figuras próximas ao presidente Lula, que priorizam uma diplomacia voltada ao bloco político e econômico dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egito, Etiópia, Indonésia e Irã).

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/apoio-de-lula-a-russia-e-china-ameaca-compras-de-armas-e-equipamentos-militares/

Haddad passou vergonha porque EUA querem discutir pauta política

Ministro da Fazenda, Fernando Haddad. (Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom-ABr).

O cancelamento da suposta reunião de Fernando Haddad com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, decorre do diálogo inviável desde que Lula (PT) devolveu sem resposta a carta de Donald Trump. A Casa Branca aguarda pedido formal de desculpas. Afinal, carta semelhante a uma centena de países resultou em negociações de alto nível com todos eles. O petista preferiu tentar se aproveitar eleitoralmente do episódio. E Trump dobrou a aposta: acordo com o Brasil passará necessariamente pelo livramento de Jair Bolsonaro.

João-sem-braço

Haddad fingiu não entender que problema para governo Trump não é comercial e sim Alexandre de Moraes, sancionado pela Lei Magnitsky.

Quem governa mesmo?

Nos EUA, agora, até a imprensa vê no Brasil sob ditadura judicial, como o Wall Street Journal divulgou no domingo (10).

Dialogo de surdos

Haddad foi esnobado tanto quanto Geraldo Alckmin “não consegue falar com ninguém” na Casa Branca, como disse Lula do seu vice.

Pavão misterioso

Já o vaidoso chanceler Mauro Vieira divulgou misteriosa reunião com o homólogo americano, mas o Departamento de Estado não a confirmou.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/haddad-passou-vergonha-porque-eua-querem-discutir-pauta-politica

Representação de Motta poderá virar apenas ‘censura’

Parlamentares de Oposição na Câmara. (Foto: Instagram/Nikolas Ferreira).

Tem tudo para dar em nada a representação contra deputados que ocuparam por quase 36 horas a mesa diretora da Câmara. Avançando na Corregedoria, o caso segue para o Conselho de Ética. No colegiado, o tema vira queda de braço com apoiadores de Jair Bolsonaro. Dos atuais 20 membros do colegiado, a metade se elegeu surfando na onda do ex-presidente, em 2022. Seu partido, o PL, detém o maior número de indicados: 4. A suspensão deve virar advertência ou “censura”. A informação é da Coluna Cláudio Humberto, do Diário do Poder.

A coluna conversou com membros do Conselho. Sob reserva, dizem que dificilmente seria aprovada a suspensão do mandato por 6 meses.

O caso deve marinar nas gavetas, sem pressa. Se a coisa apertar, aí sim, entra na pauta, mas pode mudar.

Até do lado do governo há quem concorde que, se isso virar prioridade, dificilmente a isenção do IR e a LDO terão vida fácil na Câmara.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/politica/ttc-politica/representacao-de-motta-podera-virar-censura

Em Curitiba, 63,5% reprovam e 41,4% acham Lula péssimo

Presidente Lula. (Foto: Ricardo Stuckert/PR).

A avaliação do governo do presidente Lula (PT) pelos eleitores de Curitiba obteve uma reprovação de 63,5%, de acordo com o levantamento do instituto Paraná Pesquisas, divulgado nesta terça-feira (12). Somente 33,7% aprovam o governo petista, na cidade em que Lula já esteve encarcerado, quando condenado e preso por corrupção, em 2018.

Enquanto somente 6,9% dos curitibanos consideram governo do petista ótimo, sua administração é considerada péssima por 41,4% dos entrevistados na capital do Paraná. Somada aos 10% que consideram o governo petista ruim, a avaliação negativa fica em 51,4%.

A gestão de Lula é considerada regular por 23,8% dos curitibanos. E 16,3% avaliam seu governo como bom.

Lula viveu 580 dias preso na carceragem da Superintendência Regional da Polícia Federal de Curitiba, entre 2018 e 2019, para cumprir parte da pena de 8 anos e 10 meses de prisão, por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. A condenação acabou sendo anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em 2021, por ilegalidades no processamento e julgamento do caso, no âmbito da Operação Lava Jato.

A Paraná Pesquisas ouviu uma amostra de 806 eleitores de Curitiba, entre os dias 07 e 11 de agosto de 2025. E o levantamento atinge um grau de confiança de 95,0% para uma margem estimada de erro de aproximadamente 3,5 pontos percentuais para os resultados gerais.

Veja os números:

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/csa-brasil/em-curitiba-635-reprovam-lula-e-414-acham-pessimo-o-seu-governo

Polzonoff

Lula contrata negociador americano para lidar com Trump. Saiba quem é ele

Michael Scott já começou a negociar com Trump. (Foto: ChatGPT)

Em mais uma jogada de mestre no complexo xadrez da geopolítica, Lula anunciou hoje a contratação do economista e negociador americano Michael Scott para conduzir as delicadas conversas sobre tarifas e sanções com o presidente dos EUA, Donald Trump. A indicação teria partido da primeira-dama Janja, que viu na série “The Office” um retrato fiel, realista e inspirador da capacidade de liderança, negociação e gestão de Michael Scott.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a nomeação do estadunidense representa “um passo decisivo para a reativação proativa da centralidade brasileira no diálogo internacional” — o que quer que isso signifique. Para ele, o mais importante é neutralizar as ações do deputado Eduardo Bolsonaro. Haddad comparou a chegada de Scott a “um capitão conduzindo o Titanic com serenidade”, destacando que o americano traz “soft skills” raramente observadas na diplomacia brasileira, como imitações, mágicas e seu indefectível “that’s what she said”.

That’s what she said

Michael Scott, para quem não conhece, é um ícone do mundo corporativo norte-americano. Nem tanto por sua gestão à frente da Dunder Mifflin, uma gigante do setor de papelaria, e mais por sua coleção impressionante de prêmios Dundies. Além disso, Scott é autor do best-seller “Somehow I Manage” [traduzido no Brasil como “Eu Dou um Jeito” e em Portugal como “De Alguma Forma Eu Administro”]. A obra, que vendeu mais do que “A Arte da Negociação”, do Trump, revela a receita daquele que um dia já foi considerado O Melhor Chefe do Mundo.

Num dos capítulos do livro, por exemplo, Michael Scott fala de sua famosa “Estratégia do Diálogo Humano-Primeiro”, uma “estratégia multivetorial de engajamento internacional, com foco na humanização das tensões, yadda, yadda, yadda”. Trata-se de um protocolo de negociações que combina ignorância, vergonha-alheia e uma carência emocional absurda para destravar negociações aparentemente impossíveis, como essa do tarifaço.

Entenda como isso é bom

Com a contratação de Michael Scott, o governo Lula troca a Diplomacia de Mesa de Bar pela Diplomacia Feita Ali Naquele Canto Onde Fica o Galão de Água e o Cafezinho. O nome do negociador estrangeiro também foi bem recebido nos bastidores do STF. Para Gilmar Mendes, a iniciativa “tem baixo risco político, dado que qualquer fracasso pode ser atribuído ao fator exótico do método”. Procurado pela reportagem, Michael Scott disse estar transbordando confiança. “Trump é um negociador duro, mas que depois de um tempo amolece – that’s what she said”, disse, caindo na gargalhada.

De acordo com Gleisi Hoffmann, a escolha de Michael Scott é “um gesto ousado e inovador, capaz de abrir novas portas na relação com Washington”. Entre a oposição, a notícia foi recebida com desconfiança. “Michael Scott é um agente globalista financiado por George Soros”, esbravejou o deputado Gustavo Gayer na tribuna. Já a imprensa puxa-saco está otimista. “A indicação de um profissional com essas credenciais reflete uma ousadia rara na diplomacia brasileira. Entenda como isso é bom”, escreveu Miriam Leitão.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/polzonoff/lula-negociador-americano-trump/

Alexandre Garcia

Ninguém perguntou ao motorista se quer seu carro rendendo menos

Teor de álcool na gasolina está em 30% atualmente. (Foto: Daniel Castellano/Arquivo/Gazeta do Povo)

Eu gostaria de poder lembrar todos os dias, a cada brasileiro que tem um veículo a gasolina, que só 70% do que você coloca no tanque é gasolina mesmo; os outros 30% são álcool, que, como sabemos, tem menos energia, ou seja: o carro vai precisar de mais combustível para andar a mesma distância. O preço da gasolina não caiu, e você ainda está sujeito a fazer mais visitas à oficina para limpar todo o sistema de alimentação dos cilindros de seu carro e retirar impurezas. E ninguém perguntou se queríamos mais álcool na gasolina, perguntou? Dizem que todo poder emana do povo, mas o Estado brasileiro faz isso sem consultar os que estão sendo prejudicados com essa medida.

Mais barbeiragens da classe jornalística

Também lembro sempre por aqui que a pessoa que se forma jornalista tem de conhecer sua ferramenta básica, que é a palavra, a escrita, a língua portuguesa. Mas li em um jornal que “o corpo do casal foi encontrado na beira da estrada”. O casal tem um corpo só? Que casal unido, esse! Seguidamente vejo reportagens afirmando que “uma arma irregular foi apreendida”. O que é uma “arma irregular”? Deve ser aquela que tem um cano torto; se o jornalista quis se referir a uma arma ilegal, tem de saber que “ilegal” não é sinônimo de “irregular”. Irregular é aquilo que é diferente, que não é regular, e não é aquilo que é ilegal. Pior ainda foi um título que li em um jornal importante, superando o Conselheiro Acácio, o personagem de Eça de Queiroz que só dizia obviedades: “Iniciativas estão só no começo”. E vejam que quem faz os títulos é o editor, que está acima do reporter. “Iniciativas estão só no começo” é como dizer “o início está no começo”. Quem fez esse título não sabe o que significa “iniciativa”; certamente queria se referir a algum programa ou coisa do tipo, mas não sabe o significado das palavras porque não lê e não tem vocabulário.

Artigo no Wall Street Journal denuncia o “golpe de Estado” dado pelo STF

Wall Street Journal é tão popular e tão importante nos Estados Unidos que basta dizer The Journal, “o jornal”, para saber que estão falando do Wall Street Journal. Na edição de domingo, na página de opinião, um texto fala do golpe de Estado – em inglês usa-se o original francês, coup d’état – dado pelo Supremo no Brasil. O artigo conta todas as coisas que já sabemos, nem preciso repetir aqui todas as ilegalidades, inconstitucionalidades, avanços sobre o Legislativo, entrevistas, declarações. O presidente do Supremo afirma, e mais de uma vez, que o STF não é mais um órgão judiciário, e sim um órgão político da maior importância; e confessa, num evento da UNE, aplaudido por Flávio Dino (então ministro da Justiça), que “nós derrotamos o bolsonarismo”. Depois, sem ligar para os bons modos, diz a um brasileiro “perdeu, mané, não amola” – a moça que escreveu a mesma frase com batom em uma estátua foi duramente punida, com pena igual à de um homicida.

Cidadania americana para os perseguidos políticos pelo STF, que tal?

A imprensa internacional está dizendo que Donald Trump poderia conceder cidadania norte-americana aos 20 reféns do Hamas na Faixa de Gaza ainda sobreviventes. E se ele resolvesse fazer o mesmo com a gente aqui, no Brasil?

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/alcool-gasolina-rendimento-motor/

José Fucs

Trump está certo sobre o Brasil

Com suas medidas punitivas, Trump mostrou também que Moraes e seus colegas do STF podem muito, mas não podem tudo. (Foto: Eric Lee /EFE/EPA/ POOL)

O tarifaço anunciado pelo governo Trump sobre exportações brasileiras para os Estados Unidos, em vigor desde 6 de agosto, e as punições impostas a ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), em especial a Alexandre de Moraes, e a integrantes do Executivo e do Legislativo, abriram “oficialmente” a nova temporada de patriotadas e bravatas antiamericanas no Brasil.

De repente, espalhou-se por aí um sentimento de indignação e revolta contra a tentativa de Trump usar as medidas para “interferir” nos assuntos internos do País, em decorrência da perseguição sofrida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e por sua corrente política e dos abusos cometidos contra a liberdade de expressão, os direitos humanos e a democracia pelo STF, muitas vezes em coordenação com o atual governo petista.

A “onda verde-amarela”, impulsionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e por seus aliados, em parceria com Moraes e vários de seus colegas do Supremo, contagiou não só a esquerda, como seria de se esperar, mas também boa parte do chamado “centro democrático” – um balaio que inclui os “isentões”, os sociais-democratas e os autodenominados “liberais progressistas”, seja lá o que isso signifique.

Em discursos, notas oficiais, comentários à imprensa e publicações nas redes sociais, os patriotas de ocasião saíram por aí bradando em defesa da “soberania nacional” e chamando de “traidores da pátria” os que apoiaram as medidas adotadas por Trump. Houve até quem chamasse o presidente dos EUA de “mafioso” na mídia e quem defendesse, nas redes, o boicote a produtos americanos e a expulsão pura e simples do País de cidadãos brasileiros que ficassem ao seu lado na questão.   

É possível até discutir se o tarifaço foi a melhor alternativa para Trump expressar seu desagrado com os rumos trilhados pelo Brasil e alcançar seu objetivo: promover o fim do arbítrio; assegurar o respeito à separação de Poderes; garantir o direito de Bolsonaro e de seu grupo político participarem do jogo democrático; e preservar o devido processo legal nos processos que correm no STF pela suposta tentativa de golpe de Estado.

O tarifaço imposto por Trump tem, afinal, um gosto amargo para o país, apesar da tentativa oficial de minimizar os seus efeitos e de a revista The Economist ter afirmado que ele representa “mais um latido do que uma mordida”.

Segundo a Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais), o tarifaço pode levar à perda de quase 150 mil empregos em até dois anos e a uma redução de 0,22% no PIB (Produto Interno Bruto). Pode afetar ainda, de acordo com cálculos da Câmara Americana de Comércio para o Brasil, mais da metade das exportações do país para os EUA, o maior mercado global e o segundo maior importador de produtos nacionais.

É possível até questionar também, eventualmente, se o cancelamento de vistos de entrada de autoridades brasileiras nos EUA é a melhor ferramenta para levar a uma mudança no curso dos acontecimentos no Brasil.

O mesmo se pode dizer sobre a aplicação, a Moraes, da Lei Magnitsky, que prevê o bloqueio de contas e de bens mantidos nos EUA e em instituições financeiras que operam no mercado americano, por cidadãos de qualquer país envolvidos em graves violações dos direitos humanos e em atos de corrupção.

Agora, independentemente dos efeitos que as medidas de Trump possam ter, o que se pode afirmar, sem medo de errar, é que a narrativa de que elas atentam contra a soberania nacional só serve aos interesses do consórcio Lula-STF, que governa o país, e a seus aliados — declarados e enrustidos — que normalizam o arbítrio sob a justificativa de “defender as instituições” de “ataques” alienígenas.

A imposição de sanções a países, a organizações ligadas a governos e a autoridades e seus familiares — como restrições comerciais, congelamento de ativos e proibições de viagem — é um instrumento legítimo de pressão, usado com frequência pela comunidade internacional contra regimes e indivíduos que cerceiam a democracia e promovem violações de direitos individuais, prisões arbitrárias, perseguição de opositores e censura pelo mundo afora.

Mesmo que os resultados alcançados pelas medidas punitivas sejam discutíveis, tais sanções já foram aplicadas a diversos países, como Cuba, Venezuela, Nicarágua, Bielorrússia, Myanmar, Zimbábue e Irã (desde antes do lançamento de seu programa nuclear), bem como às autoridades envolvidas nos abusos e aos seus cônjuges e filhos.

Outro dia mesmo, os EUA dobraram a recompensa para US$ 50 milhões pelo fornecimento de informações que levem à prisão do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro – e é difícil imaginar que qualquer democrata digno do nome se oponha a isso, em nome da “soberania” venezuelana e da “autodeterminação dos povos”, como costuma falar Lula ao defender regimes tirânicos que se alinham ao seu discurso antiamericano e anticapitalista.

Embora a Lei Magnitsky não tenha sido imposta anteriormente a autoridades judiciais, diversos juízes, magistrados e promotores da Venezuela e da Nicarágua, por exemplo, já foram punidos pelos EUA, de um jeito ou de outro, por atentarem contra a democracia, por legitimarem ações autoritárias do governo e por manipulações eleitorais.

A ideia de que a busca de apoio externo para enfrentar as arbitrariedades representa uma “traição à pátria” também só reforça a narrativa propagada pelos que estão à frente do regime de exceção que está em vigor no país, além de ignorar, de forma oportunista e com o objetivo de obter vantagens políticas imediatas, o que aconteceu no passado recente.

Quando Lula foi preso, em 2018, as próprias lideranças do PT fizeram a mesma coisa que o deputado Eduardo Bolsonaro

Quando Lula foi preso, em 2018, as próprias lideranças do PT fizeram a mesma coisa que o deputado Eduardo Bolsonaro, o filho 03 do ex-presidente, e alguns bolsonaristas que também moram nos EUA estão fazendo agora: levaram o caso ao Comitê de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, na Suíça, e à Associação Internacional dos Advogados Democráticos (IADL, na sigla em inglês). Buscaram também apoio de partidos, líderes e organizações de esquerda no exterior, com o argumento de que Lula, condenado por corrupção pela Lava Jato e depois “descondenado” pelo STF, era um “preso político” e “vítima de lawfare (perseguição judicial)”.

Mais do que as medidas adotadas por Trump, porém, o principal em tudo isso é que ele está certo em seu diagnóstico sobre o Brasil, que motivou as sanções aplicadas ao país e a integrantes do Supremo, do governo Lula e do Congresso. É preciso ser um negacionista total para dizer que o Brasil atual é um “exemplo de democracia” – e essa percepção parece, enfim, ganhar corpo não apenas no Brasil, mas também no exterior, fora das fileiras da direita internacional.

Dias atrás, o site americano The Hill, voltado à cobertura política e longe de ser considerado “de direita”, publicou um artigo com o mesmo título usado nesta coluna. Não faltam evidências para amparar a visão de que o Brasil promove hoje uma verdadeira “caça às bruxas”, como afirma Trump. São tantos os exemplos de abusos cometidos contra a oposição no Brasil, principalmente contra Bolsonaro e seus apoiadores, que surgiu até um site, o dossiemoraes.com, com versões em português e inglês, para compilá-los e embasar um pedido coletivo de impeachment de Moraes, a ser apresentado em setembro.

Segundo o site, criado pelo professor de economia, advogado e vereador de Curitiba, Rodrigo Marcial (Novo), com o apoio de políticos, advogados e jornalistas, Moraes já cometeu um total de 78 abusos desde março de 2019, quando o ministro Dias Toffoli, então presidente da Corte, instaurou o famigerado inquérito das fake news e o designou como seu condutor, sem a realização de sorteio para a distribuição do processo.

A lista de abusos inclui o julgamento, pelo Supremo, de ações que deveriam correr em primeira instância; a instauração de inquéritos de ofício pelo STF; a imposição de prisão domiciliar a Bolsonaro e a outros réus, com uso de tornozeleira eletrônica, sem condenação judicial; e a perseguição a congressistas protegidos por imunidade parlamentar.

Inclui também a censura a veículos de comunicação; o bloqueio de contas bancárias e perfis em redes sociais por motivos políticos e de forma sigilosa; a realização de prisões sem julgamento por publicações nas redes; a retirada da plataforma X do ar por não indicar representante legal no País e pelo não pagamento de multas impostas por Moraes; o confisco de dinheiro da Starlink para cobrir pendências do X, com base em interpretação criativa do conceito de grupo econômico; a proibição do uso de VPN e a instituição de multa de R$ 50 mil para quem burlasse a restrição; a tentativa de aplicar a legislação brasileira para silenciar indivíduos e empresas nos EUA; e até a prisão de um cidadão por causa de uma viagem ao exterior que ele provou jamais ter feito.

Na semana passada, novas e preocupantes denúncias de abusos vieram à tona, revelando a criação de uma espécie de Dops — a temida polícia política do regime militar — da era digital. De acordo com reportagem dos jornalistas Michael Shellenberger, David Ágape e Eli Vieira, batizada de Vaza Toga 2, Moraes coordenava um “gabinete paralelo” que usou, de forma ilegal, a estrutura do órgão de “combate à desinformação” do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e os dados biométricos dos eleitores para identificar pessoas detidas após o 8 de Janeiro e classificá-las ideologicamente, com base em postagens feitas nas redes em favor de Bolsonaro e com críticas a Lula, ao PT e ao STF.

Quase ao mesmo tempo, o ex-funcionário do Departamento de Estado dos EUA, Mike Benz, afirmou, em depoimento realizado na Comissão de Relações Exteriores da Câmara, que o governo Biden atuou no Brasil, por meio de agências como a CIA e a USAID (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional), para apoiar autoridades brasileiras na manipulação de narrativas e na censura a conteúdos digitais, com o objetivo de favorecer Lula contra Bolsonaro nas eleições de 2022.

Disse também que o governo Biden financiou ONGs e agências de checagem de fatos no País para realizar o trabalho sujo de identificação de perfis de direita a serem bloqueados pelo TSE durante a campanha eleitoral. Apesar de Benz não ter apresentado provas de suas acusações, elas revelam um quadro sinistro que, se confirmado, dará um xeque-mate na narrativa da “independência” do TSE e do STF na gestão do último pleito presidencial.

Por tudo isso, o que quer que se pense sobre as medidas adotadas por Trump contra o país e contra integrantes do STF, do Executivo e do Legislativo, não dá para negar que ele acertou na mosca ao ampliar a visibilidade global do regime de exceção — é este o nome que se deve dar — em vigor hoje no Brasil.

Com suas medidas punitivas, Trump mostrou também que Moraes e seus colegas do STF podem muito, mas não podem tudo. Podem estar acima do bem e do mal no Brasil, mas não estão a salvo do escrutínio global. Lá fora, como mostrou o presidente americano, ainda há gente que pode confrontá-los, com as armas de que dispõe, sem correr o risco de sofrer censura, levar um processo nas costas e acabar no xilindró.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/jose-fucs/trump-esta-certo-sobre-brasil/

Paulo Briguet

Miguel Uribe: a morte de um inimigo da esquerda

A morte de Miguel Uribe após atentado expõe o traço central do socialismo radical: eliminar inimigos políticos sem limites ou remorso. (Foto: Reprodução/Instagram/maclaudiat)

“Destruiremos implacavelmente quem quer que, por seus atos e pensamentos ameace a unidade do estado socialista. Para a completa destruição de todos os inimigos, eles mesmos, e seus parentes!”
(Josef Stálin, novembro de 1937)

Depois de lutar dois meses pela vida no leito de um hospital, o senador colombiano e pré-candidato presidencial Miguel Uribe, de apenas 39 anos, morreu ontem em Bogotá. No dia 7 de junho, ele havia sofrido um atentado a tiros durante um comício. O autor dos disparos — que, com toda certeza, não agiu sozinho — era um adolescente de 15 anos.

Miguel Uribe teve o destino que o movimento comunista sempre reservou para seus inimigos: a morte. É interessante notar que, poucos dias atrás, o advogado esquerdista Felipe Santa Cruz, ex-presidente da OAB nacional e atual secretário do governo de Eduardo Paes no Rio, havia defendido a aplicação da pena capital ao ex-presidente Jair Bolsonaro:

“Traição aos cânones democráticos. No meu mundo ideal, pena de morte. Bala na nuca!” 

O atual presidente da Colômbia, Gustavo Petro, não chegou a defender abertamente a execução de Uribe, mas antes do atentado atacou duramente a sua família e a memória de seu avô, Julio Cesar Turbay, que fora presidente do país entre 1979 e 1982:

“O neto de um presidente que tentou a tortura de dez mil colombianos falando em ruptura institucional?”

Essa frase foi pronunciada em agosto de 2023, quando Uribe Turbay apresentou uma denúncia criminal contra Petro, apontando contribuições ilegais de traficantes de drogas para a campanha do atual presidente. 

Sempre digo aos meus sete leitores que a morte do inimigo político é o dogma central da mentalidade revolucionária.

A maioria esmagadora dos líderes e militantes de partidos socialistas mandaria seus adversários para o pelotão de fuzilamento sem pestanejar, caso tivesse os meios para isso e a certeza da impunidade

Todo comunista, no fundo, faz coro às palavras de Bertolt Brecht, citadas pelo ex-candidato presidencial Mauro Iasi em 2015:

“Nós estamos dispostos a oferecer o seguinte: um bom paredão, onde vamos colocá-lo na frente de uma boa espingarda, com uma boa bala e vamos oferecer depois de uma boa pá, uma boa cova”.

De alguma forma, todos os líderes políticos que se opõem ao movimento comunista acabam sendo mortos ou sofrendo atentados. Foi assim com Ronald Reagan e S. João Paulo II em 1981, com Margaret Thatcher em 1984, com Jair Bolsonaro em 2018, com Shinzo Abe em 2022 e com Donald Trump em 2024. É bom lembrar que as vítimas nem sempre são da direita: basta pensarmos nos casos de Leon Trotsky, Celso Daniel, Eduardo Campos e Teori Zavascki.

Não há ódio maior que o de um esquerdista que tem seu projeto de poder ameaçado por alguém — até mesmo por um companheiro de partido.

No Brasil, a obsessão da esquerda pela pena de morte dos adversários é exemplificada por inúmeros casos atuais. Hoje citarei apenas dois. 

Daniel Silveira, mesmo com o risco de sofrer uma gangrena, está proibido de receber o tratamento médico adequado. O mesmo aconteceu em 2007 com o empresário russo Sergei Magnitsky, cuja morte na prisão inspirou a lei hoje aplicada contra o Imperador Calvo.

A professora aposentada Iraci Higashi, condenada a 14 anos de prisão por ter se refugiado no Palácio do Planalto para se proteger das bombas lançadas pela polícia, está sendo obrigada a dormir no chão, passar frio e dividir a cela com mais cinco detentas, além de não receber o atendimento médico para seus diversos problemas de saúde. O que é isso, senão a pena de morte gradual aplicada a uma pessoa cujo único crime foi não aceitar o regime PT-STF e o golpe socialista de 2022?

A frase de Stálin, que iniciou este artigo, explica perfeitamente o que o atual regime pretende fazer com seus inimigos. Aqui, na Colômbia ou em qualquer parte.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/paulo-briguet/miguel-uribe-a-morte-de-um-inimigo-da-esquerda/

EUA podem aumentar pressão sobre o STF, diz Eduardo Bolsonaro

A pressão dos Estados Unidos sobre o Supremo Tribunal Federal (STF) pode aumentar diante do julgamento de Jair Bolsonaro, afirmou o filho do ex-presidente e deputado federal licenciado, Eduardo. Ao jornal britânico Financial Times, ele afirmou que Washington avalia novas sanções contra ministros que se recusarem a encerrar o processo pela suposta tentativa de golpe.

Eduardo Bolsonaro conduz articulações nos EUA para sancionar ministros do STF e evitar uma eventual condenação de seu pai, acusado de conspiração para permanecer no poder depois de perder as eleições de 2022 para Luiz Inácio Lula da Silva. O filho do ex-presidente já havia antecipado a aplicação de sanções a Alexandre de Moraes, responsável pelo processo.

“Eu sei que [Trump] tem várias possibilidades em mãos, desde sancionar mais autoridades brasileiras, até uma nova onda de retiradas de vistos e questões tarifárias” , afirmou Eduardo ao
Financial Times. A Casa Branca e o Departamento de Estado norte-americano não responderam aos questionamentos do jornal.

https://twitter.com/BolsonaroSP/status/1954506585255936323?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1954506585255936323%7Ctwgr%5E%7Ctwcon%5Es1_c10&ref_url=https%3A%2F%2Frevistaoeste.com%2Fpolitica%2Feua-podem-aumentar-pressao-sobre-o-stf-diz-eduardo-bolsonaro%2F

O cenário marca o momento mais tenso entre Brasil e EUA em dois séculos. Recentemente, os EUA elevaram tarifas sobre produtos brasileiros para 50% e impediram oito ministros do STF de entrarem no país, em razão do julgamento de Bolsonaro, promoção da censura em redes sociais e disputas comerciais.

O presidente Lula tem rebatido as pressões, as quais classifica como “inaceitáveis”, enquanto o STF mantém o cronograma do julgamento. Bolsonaro, ex-capitão do Exército, é acusado de articular apoio militar para se manter no cargo depois da derrota eleitoral.

Donald Trump criticou o julgamento, o qual chamou de “caça às bruxas”, e cobra o fim
imediato do processo. Apesar das sanções, Moraes intensificou as restrições a Bolsonaro.
Ele determinou a prisão domiciliar do ex-presidente e proibiu o contato entre pai e filho.

De acordo com o ministro do STF, houve tentativa de solicitar apoio dos EUA para interferir no caso. “Moraes esgotou as opções; Trump, ainda não. Trump ainda pode aumentar a pressão diante da reação de Moraes”, avalia Eduardo.

Ele sugeriu que novas sanções podem atingir familiares de Moraes, como a mulher do ministro, e aliados próximos, além de possíveis revogações de vistos. Moraes foi alvo das chamadas sanções Magnitsky, que congelam bens nos EUA e proíbem negócios com norte-americanos, aplicadas a autoridades acusadas de graves violações de direitos humanos.

Ao anunciar as medidas, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, acusou Moraes de
“campanha opressiva de censura, detenções arbitrárias e processos politizados”.

Eduardo Bolsonaro quer buscar apoio na Europa contra Moraes

Eduardo Bolsonaro também afirmou que pretende buscar apoio na Europa para sanções contra o STF. Ele destacou o caso do deputado português André Ventura, líder do Chega, segundo maior partido de Portugal, que defende a proibição da entrada de Moraes no país e o bloqueio de ativos, baseado em leis de direitos humanos.

Na União Europeia, políticos alinhados à direita, como Dominik Tarczynski, da Polônia, e outros 15 parlamentares enviaram carta à chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, com sugestão de sanções contra Moraes e colegas do STF, sob o argumento das violações de direitos humanos.
No Brasil, adversários de Eduardo Bolsonaro o acusam de prejudicar o país. Eles citam os riscos de perdas nas exportações e empregos devido às tarifas. Eduardo rebate ao dizer que age “para salvar a democracia”. “Estou agindo para que pessoas de esquerda possam me insultar e criticar”, disse ao Financial Times.

FONTE: REVISTA OESTE https://revistaoeste.com/politica/eua-podem-aumentar-pressao-sobre-o-stf-diz-eduardo-bolsonaro/?utm_medium=personalized-push&utm_source=taboola#google_vignette

Com comorbidades, idosa condenada pelo 8/1 se locomove de andador na cadeia

Presa novamente em 14 de julho, a dona de casa Vildete Guardia, de 74 anos, precisa de um andador para se locomover na Penitenciária Feminina de Santana (SP).

Vildete voltou ao regime fechado por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), devido à violação de cautelar, a qual o advogado justificou ao STF. A mulher foi condenada a 14 anos de cadeia pelo 8 de janeiro.

Na prisão, Vildete divide a cela com outra detenta comum, informou a defesa a Oeste.

A produtora rural Paula Felipe, filha da dona de casa, lamentou a situação. “Da primeira vez, devolveram a minha mãe em uma cadeira de rodas”, disse, ao mencionar que a mãe estava em tratamento médico. “Ela teve episódios de incontinência urinária súbita, que estava sendo investigada, mas, agora, ficou tudo pelo
caminho.”

Vildete Guardia tem doenças

Há meses, Vildete luta contra uma trombose. Além disso, recentemente, a mulher foi acometida por problemas neurológicos, em virtude dos abalos psicológicos decorrentes do 8 de janeiro.

Antes de obter prisão domiciliar pela primeira vez, Vildete ficou presa nove meses. Durante o período, emagreceu 40 quilos.

FONTE: REVISTA OESTE https://revistaoeste.com/no-ponto/vildete-guardia-do-8-1-se-locomove-de-andador-na-cadeia/?utm_medium=editorial-push&utm_source=taboola

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