Por Alexandre Freitas
Nos últimos anos, a confiança do povo brasileiro nas instituições da República vem sendo abalada por sucessivos episódios de impunidade, parcialidade e abuso de poder, especialmente no topo do Judiciário.
A Operação Lava Jato, inicialmente celebrada como um divisor de águas no combate à corrupção, passou a incomodar quando seus tentáculos se aproximaram das altas cortes – em especial o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o Supremo Tribunal Federal (STF). A partir daí, o sistema reagiu.
É notório que o poder mais blindado da República, o Judiciário, tem sido também o menos fiscalizado. No Brasil, o tráfico de influência se tornou rotina e a venda de decisões judiciais já não surpreende.
O ambiente de impunidade se consolida quando juízes e ministros são protegidos por um corporativismo arraigado e pela reserva de jurisdição – um princípio que impede investigações externas, mesmo diante de fortes indícios de irregularidade.
Exemplos não faltam:
• A suspensão, em 2019, por decisão do ministro Alexandre de Moraes, da apuração feita por auditores da Receita Federal sobre movimentações suspeitas envolvendo ministros do STF e seus familiares.
• A controversa aposentadoria compulsória do juiz Marcelo Bretas, responsável pela Lava Jato no Rio de Janeiro, após colocar sob investigação os maiores escritórios de advocacia do país – alguns deles com ligações diretas com ministros e ex-ministros dos tribunais superiores.
Esses episódios mostram que, quando o combate à corrupção ameaça os bastidores do poder togado, a estrutura se mobiliza para silenciar e proteger os seus. Famílias de magistrados permanecem intocáveis.
O acesso a dados bancários ou fiscais? Um tabu. Mandados de busca e apreensão? Inimagináveis. É justamente nesse cenário que a Lei Magnitsky surge como uma luz no fim do túnel.
Criada nos Estados Unidos em 2012, a Global Magnitsky Human Rights Accountability Act é uma legislação que permite ao governo americano aplicar sanções contra indivíduos estrangeiros envolvidos em graves violações de direitos humanos e corrupção sistemática. Isso inclui juízes, políticos, empresários e militares, independentemente de seu cargo ou país de origem.
As sanções incluem:
• Congelamento de bens nos EUA;
• Proibição de entrada em território americano;
• Fazer negócio com empresas que tenha relação comercial com os EUA;
• Restrição de acesso ao sistema financeiro internacional.
A lei foi expandida em 2016 para alcançar não apenas agentes russos, mas qualquer cidadão ou autoridade de outro país que atente contra os princípios democráticos e os direitos fundamentais. Ela tem sido usada para punir figuras da China, Venezuela, Nicarágua, República Democrática do Congo, entre outros. Ao longo dos anos foram mais de 740 pessoas sancionadas.
A atuação do STF nos últimos anos como tribunal de exceção tem gerado crescente repulsa da sociedade civil, juristas, parlamentares e até mesmo de analistas internacionais.
O Supremo, que deveria ser o guardião da Constituição, tem extrapolado suas atribuições ao legislar, investigar, julgar e punir – tudo ao mesmo tempo – especialmente nos chamados inquéritos do fim do mundo, que concentram poder absoluto nas mãos de poucos ministros.
O risco de tirania togada não é ficção. É a realidade brasileira. E diante de um Senado omisso, refém do foro privilegiado, e de uma mídia tradicional cúmplice ou silenciada, a sociedade vê-se sem instrumentos internos de contenção. Como bem previu Olavo de Carvalho em 2020, “a Lei Magnitsky é a maior ou única esperança de um Brasil livre de comunolarápios”.
A Lei Magnitsky transformou a maior democracia do mundo – os Estados Unidos – em protagonista na defesa dos valores universais da liberdade, da democracia e da integridade pública.
Ao sancionar agentes estrangeiros corruptos, a Lei Magnitsky envia um recado claro: a impunidade não será tolerada nem dentro nem fora das fronteiras nacionais
Diferente do que se imagina, a lei não depende de cooperação do Estado brasileiro. Seus efeitos atingem diretamente os bens, vistos e operações financeiras de indivíduos, mesmo que ocupem cargos elevados no Brasil. E os investigados não precisam ser cidadãos americanos – basta que sua conduta afete interesses internacionais ou viole normas éticas reconhecidas globalmente.
Engana-se quem acredita que as sanções se limitam a ditadores africanos ou oligarcas chineses. O radar dos EUA está cada vez mais atento à corrupção institucionalizada no Brasil, e há fortes indícios de que figuras ligadas ao STF estejam sob análise – não apenas por abuso de autoridade e violação de liberdades civis, mas por possível corrupção financeira, tráfico de influência e enriquecimento ilícito. E aí, não haverá amigo do amigo do pai de quem quer que seja, que conseguirá impedir a responsabilização dos corruptos.
A verdade é que, no Brasil, a corrupção também se tornou suprema. E quando o Judiciário deixa de dizer a lei para exercer controle sobre os outros poderes atuando como ator político, censor e intérprete exclusivo da verdade, ele perde sua legitimidade.
A Lei Magnitsky representa um marco no direito internacional e uma esperança real de responsabilização para além das fronteiras nacionais. Ela resgata a ideia de que ninguém está acima da lei, nem mesmo ministros de Cortes Supremas.
O brasileiro honesto e trabalhador – cansado de ver privilégios, arbitrariedades e impunidade – começa a enxergar que diante da cegueira deliberada do Senado, a justiça não virá da Iustitia tropical, cooptada e corrompida, mas poderá vir da Libertas do Norte.
Quando ela vier, não haverá toga capaz de esconder os que há muito tempo se consideram intocáveis, pois em breve será possível saber aquilo que há muito tempo se suspeita: que debaixo da toga, os corruptos estão nus.
Alexandre Freitas é político e advogado. Julgou o ex-governador Wilson Witzel por crime de responsabilidade e foi autor de um pedido de impeachment contra o Ministro Alexandre de Moraes em 2020.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/a-nudez-das-togas-como-a-lei-magnitsky-alcanca-os-intocaveis/

Monumento à cegueira
A imprensa que as classes culturais deste país consideram responsável, e para a qual o STF não vê necessidade de “regulamentação”, publicou dias atrás uma notícia imensa. O general Mario Fernandes, apontado pela PGR, a polícia e os jornalistas como a alma negra da “trama golpista” do dia 8 de janeiro, confirmou que sim, ele tinha um plano para executar o presidente Lula (por envenenamento), o ministro Alexandre de Moraes (forca) e, quem diria, até o vice Geraldo Alckmin – tudo a mando de Bolsonaro, é óbvio. Quem poderia ser, se não ele?
O depoimento do general Fernandes, de acordo com o noticiário publicado, foi uma “confissão” na verdade, a prova mais espetacular, ou a única, que apareceu sobre a “trama golpista” até agora. Aí sim: depois do angu de alegações, miragens e afirmações cretinas que a PGR apresentou como “provas”, finalmente aparece alguma acusação que pode ser levada a sério. Seria a bunker buster que liquidaria de vez com o “golpe”, como a bomba usada pelos Estados Unidos para detonar as centrais atômicas do Irã. Mas, nesse caso, por que a notícia já sumiu, como um cometa? Porque ela é uma mentira fundamental.
O leitor com alguma experiência em distinguir o que dizem os títulos e o que está pasteurizado nas entranhas da notícia disse para si mesmo, assim que lhe jogaram em cima a “confissão” do general Fernandes. “Aí tem coisa.” E tinha mesmo. O general, ao depor em juízo, não confessou, nem confirmou, nem admitiu que tinha um plano para matar toda aquela gente — a “Operação Punhal Verde-Amarelo”, que a polícia apresentou e a mídia engoliu com casca e tudo meses atrás. O que ele teve foi, como disse, “um pensamento digitalizado”. O que seria isso? Umas divagações ao acaso, coisas que lhe rodaram pela cabeça e provavelmente gostaria de ter feito. Para não “cansar a vista” com a leitura, como disse, imprimiu cópias na impressora do Planalto. É isso a “prova-bomba” do regime.

Que crime seria esse – querer que o ministro Moraes acabe a sua vida pendurado num poste?
Tudo bem: não deve haver ninguém querendo a morte de um político conhecido como “Picolé de Chuchu”. Mas Alexandre de Moraes? “Tenha dó” seria capaz de dizer ele mesmo. Sabe-se lá quantos brasileiros (e até americanos, hoje em dia) pensam o que o general Fernandes pensou. Pensamento não é crime. Para o STF, o governo e a mídia é, com certeza. Mas para a lei em vigor não é. Da mesma forma, “pensamento digitalizado” não é plano de golpe, nem “ato preparatório” para nada. Não é planejamento para assassinato – pensar na morte de alguém é uma coisa, planejar um homicídio é outra.
O general Fernandes, enfim, não comunicou o seu pensamento, digitalizado ou impresso, para ninguém. Nem para Bolsonaro, para os seus superiores no Exército, nem para o célebre coronel Cid – a testemunha-chave da acusação, e sobre a qual se fundamenta todo o caso da PGR e do STF. Ou seja: a testemunha-chave dos acusadores nunca viu, leu ou ouviu o plano para a execução de Lula etc. Como é possível fazer um plano de golpe se o autor do plano não mostra para ninguém o que planejou – aliás, nem planejou, conforme acaba de dizer em juízo? Em suma: a “confissão” do general Mario Fernandes noticiada pela imprensa é o contrário de uma confissão. É uma negativa.
Eis aí o retrato em alta definição do que significa hoje no Brasil a atividade conhecida como jornalismo. A história do general Fernandes e do seu pensamento digitalizado não é um equívoco, desses que acabam na seção de “correções” depois de cometidos. É uma decisão deliberada; pode até ser automática, mas é feita de propósito. No caso, o título da matéria diz uma coisa e o texto diz outra, não porque o comunicador se atrapalhou com as informações na hora de escrever, mas porque quis mesmo deixar o público com a impressão de que aconteceu algo que não tinha acontecido. Na verdade, faz isso porque considera que é o seu dever, como profissional e cidadão: a exposição dos fatos como eles são pode levar a conclusões incorretas e ser aproveitado pelo “bolsonarismo”, “golpismo” etc. Ou, então, age assim porque é um militante de esquerda. Dá na mesma, num caso e no outro.
É esse o procedimento-padrão no noticiário político de hoje: a ideia é aplicar uma espécie de vacina obrigatória para imunizar o público contra os riscos do pensamento que a junta de governo Lula-STF considera “antidemocrático.” Por conta disso, o jornalismo deixou de ser a entrega de informação e passou a ser o fruto da aplicação, na mídia, de um sistema de IA que poderia ser chamado de CA – ou Cegueira Artificial. A CA basicamente bloqueia os circuitos cerebrais que identificam fatos e reconhecem suas realidades. Em vez de relatar os acontecimentos, assim, o noticiário político reproduz mecanicamente o que o programa de CA lhe manda publicar.

Nas suas versões mais avançadas, o sistema elimina todos os perigos da presença de vida inteligente no que a imprensa publica. Há um raciocínio lógico aqui? Há uma conclusão racional ali? O CA acende na hora uma luz vermelha na tela do computador e troca o que deveria ser dito pelo seu exato contrário. Todas as vezes que encontra algo claro, joga escuridão em cima. Pense de novo na história do general Fernandes. A informação certa era: “General nega plano para matar Lula”. O que sai é: “General confessa plano para matar Lula”. Mais ainda, sai a mesma coisa em todo lugar. Até algum tempo atrás, um jornalista se orgulhava de dar uma notícia com exclusividade. Hoje o seu sonho é dar a notícia o mais parecida possível com a do concorrente.
A ideia-matriz é concordar com o STF, e principalmente com o ministro Alexandre de Moraes, em tudo. Eles dizem que houve um “golpe armado” numa baderna em que, segundo a própria polícia, as únicas armas encontradas foram um par de estilingues? (Está nos autos, com foto e tudo.) A mídia repete imediatamente: “Houve um golpe armado”. Uma senhora de 74 anos, que está entrevada numa cadeira de rodas, é mandada de volta para a prisão fechada porque é um risco para a segurança pública, segundo o ministro Moraes? A mídia assina embaixo. A cabeleireira do batom está condenada a 14 anos de cadeia? A mídia acha que a decisão é perfeitamente correta. A noção de absurdo foi abolida no Brasil pelo STF. A mídia aboliu junto.

É um princípio inegociável, para todas as ditaduras, falsificar o significado das palavras tais como elas estão no dicionário e na lógica para inventar a sua própria História. A mídia brasileira imita esse vício com disciplina de monge beneditino. Censura é “regulamentação das redes sociais”. Moraes isola a Praça dos Três Poderes num raio de 1 quilômetro; a mídia diz que a praça foi “protegida” num raio de 1 quilômetro. Após dois anos e meio de investigação, não há nenhuma prova material de golpe, nem uma que seja. A mídia, a cada vez que toca no assunto, diz que as provas são “robustas”. Barbeiros, motoboys e vendedores ambulantes do 8 de janeiro são descritos, obrigatoriamente, como “golpistas”. O STF não recebe críticas; só recebe “ataques”. Os advogados dos réus são citados pela mídia como
“advogados bolsonaristas”.
A cegueira dos meios de comunicação deriva de um princípio constitucional que não existe – o de que é proibido legalmente no Brasil, como os jogos de azar ou a impressão clandestina de moeda, algo chamado bolsonarismo. E um artigo não-escrito de todos os manuais de redação hoje disponíveis, e o jornalista-padrão acredita nisso como se acreditava antigamente nos números da lista telefônica. Moraes, o STF (“derrotamos o bolsonarismo”) e o governo Lula são os aiatolás mais dedicados dessa jihad contra o grande satã; por via de consequência, para a imprensa, têm razão em tudo. Nesse tipo de crença, a verdade dos fatos é um estorvo que tem de ser combatido o tempo todo.
FONTE: REVISTA OESTE https://revistaoeste.com/revista/edicao-280/monumento-a-cegueira/
Transparência Internacional liga prisão de Bolsonaro a silenciamento político

A Transparência Internacional no Brasil destacou uma nota nesta terça-feira (5), repudiando a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo o órgão, a medida tem “fundamentos jurídicos frágeis” e pode representar uma tentativa de silenciamento político, “incompatível” com os princípios do Estado de Direito.
“A prisão domiciliar decretada com base em fundamentos jurídicos frágeis, especialmente por suposta violação de proibição genérica de comunicação, é preocupante e parece configurar tentativa de silenciamento incompatível com o Estado de Direito”, destaca trecho da nota.
O ministro Alexandre de Moraes é relator da ação da suposta “trama golpista”, que tramita no STF. A Transparência afirma que a condução do processo seja dentro das normas e garantias constitucionais.
A organização também afirma que o empoderamento da Corte em um contexto de intervir em processos políticos não pode se tornar prática recorrente de “extrapolação” de competências.
“O momento exige autocontenção institucional e compromisso com a normalidade democrática”, afirma.
Jair Bolsonaro (PL) teve prisão domiciliar decretada por Alexandre de Moraes na segunda-feira (4). O relator do processo da suposta “trama golpista”, que tramita no STF, alegou que o ex-presidente descumpriu medidas cautelares ao acenar para apoiadores em vídeo chamada no manifesto “Reaja Brasil”, em Copacabana, Rio de Janeiro.

Maranguape expõe o colapso da segurança no Ceará
Com a maior taxa de homicídios do Brasil em 2024, chegando a 79,9 mortes por 100 mil habitantes, Maranguape se tornou o retrato cru do colapso da segurança pública no estado. Em vez de ações firmes, o que se viu foi negligência institucional, enquanto a violência avançava casa por casa, bairro por bairro, sem controle.
A responsabilidade é direta e inegável do Governo do Estado. A escalada das facções, a ausência de policiamento efetivo, a falta de inteligência territorial e a demora em conter os grupos armados que disputam o controle de áreas inteiras mostram o tamanho do problema. O Ceará não tem um plano de segurança à altura da crise que enfrenta, e isso custa vidas.
Não basta alegar redução pontual de crimes em 2025 quando o estrago de 2024 já está feito. Maranguape teve 87 assassinatos em um único ano. Isso não se resolve com notas técnicas. É uma emergência social, e o governo sabe disso. A dor das famílias, a rotina afetada pela insegurança, o comércio em alerta — cada aspecto da vida em Maranguape revela um pedido urgente por cuidado e ação.
A Prefeitura de Maranguape, por sua vez, não pode se esconder. Embora a segurança pública seja responsabilidade primária do Estado, o município tem o dever de atuar na prevenção, criar alternativas para a juventude e fortalecer as comunidades. No entanto, o que se viu foi omissão e paralisia, enquanto a cidade sangrava.
O povo de Maranguape não quer mais discursos. Quer ação. Quer policiamento presente, escolas funcionando, equipamentos sociais de verdade, oportunidades reais. Quer viver sem medo de voltar para casa ou de ver seus filhos e filhas no mundo do crime.
Chega de empurrar culpa. O Ceará está perdendo suas cidades para o crime, e Maranguape é o grito mais alto desse fracasso.
Maranguape não pode mais se dar ao luxo de perder o que é essencial para o futuro da cidade: creches que acolhem as crianças, quadras poliesportivas que tiram os jovens da rua, e a recuperação urgente de espaços culturais e de lazer, como seu estádio e o teatro, que são parte vital da identidade e da esperança da comunidade. O futuro não pode esperar.
Pedro Matos (Avante) é Deputado Estadual no Ceará.
FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/opiniao/maranguape-expoe-o-colapso-da-seguranca-no-ceara

Carta ao meu filho ministro

Filho,
Quando você ler estas palavras, eu já não estarei por aqui. Fiz recomendações expressas para que este envelope só lhe fosse entregue depois do meu falecimento, no dia em que o ex-presidente estivesse finalmente preso por ordem sua.
Estivemos afastados durante muito tempo, mas meu coração de pai sempre esteve perto de você. Todas as noites, eu rezei pela salvação de sua alma, para que Deus finalmente lhe tire as escamas dos olhos, como fez com Paulo na estrada de Damasco, transformando-o de perseguidor em apóstolo.
Paulo era tão temido e odiado quanto você, filho. E Deus lhe abriu os olhos, tirando-o de uma vida de poder e segurança para uma vida de sacrifício e tribulação. Levo para a eternidade a esperança de que você também tenha um caminho de Damasco em sua vida.
No dia em que aquele homem morreu no pátio, eu achei que a dureza do seu coração pudesse ter sido atingida. Pensei que a luz daquela morte pudesse cegar os seus olhos por três dias, para então devolver-lhe a visão. Infelizmente eu estava enganado. Parece que o seu coração endureceu ainda mais.
O sangue da vítima acicatou os seus instintos como faz com os tubarões e os touros selvagens — e você redobrou os esforços para aniquilar a vida de outros inocentes.
Eu me lembro do dia em que você nasceu. Para muitos, em nosso país, aquele foi um tempo de trevas, o início dos anos de chumbo. Mas, para mim, foi um dia de festa. Lembro-me especialmente de quando você saiu da maternidade, nos braços de sua mãe, e eu fui dirigindo o nosso Fusca pelas ruas da cidade, onde brilhavam as luzes de Natal.
Lembro-me do dia em que você passou no vestibular e cortaram seus cabelos. Anos depois, o primeiro cargo público, e tantas expectativas. Sim, filho. Tenho saudade do bebê, do menino, do jovem que você foi; e do homem que você não foi.
Agora tantos sofrem por sua causa, filho. Você reinaugurou as trevas. Sua mão hoje assina os papéis que determinam a desgraça e a morte de muitos, especialmente aqueles que não têm nenhuma possibilidade de defesa
Deus ainda não abriu seus olhos, filho, mas tenho certeza de que seus ouvidos funcionam. Por um momento, quando estiver sozinho, preste atenção ao silêncio: dentro dele, por baixo das camadas que recobrem a realidade, existe uma sinfonia em tom menor: são as vozes dos inocentes, dos degredados, dos humilhados, dos angustiados, dos filhos que perderam os pais, das mães que perderam os filhos, dos sedentos e famintos da verdade, da bondade, da justiça.
São as vozes das famílias destroçadas, das histórias cortadas, dos que nem sequer viram a luz do Sol. São as vozes do que gemem e choram no Vale de Lágrimas.
Ouça essas vozes, meu filho, eu imploro! Só assim você fugirá ao destino de ser uma delas eternamente.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/paulo-briguet/carta-ao-meu-filho-ministro/

O negacionismo da imprensa

A nova obsessão da imprensa é desacreditar manifestações populares. A importância da imprensa na história da civilização sempre foi associada ao fortalecimento das sociedades. Ou seja: disseminação de informação para o público, em oposição à concentração de conhecimento e poder. Uma imprensa que se dedica a desacreditar manifestações de rua, portanto, desistiu de ser imprensa.
E essa imprensa que desistiu de ser imprensa virou o que? Porta-voz do poder? Fica a dúvida.
Os últimos anos no Brasil concentraram algumas das maiores manifestações populares da história do país. Algum historiador que não seja empregado por institutos de pesquisa coreográficos pode fazer esse levantamento.
Constatará que as vultuosas manifestações da última década, e em especial dos últimos cinco anos, tiveram três dados predominantes: foram pacíficas, tiveram as cores da bandeira nacional e pediam liberdade. Já os principais veículos de comunicação da mídia tradicional oscilaram entre dois pólos: dizer que tinha pouca gente ou associar o ato a propensões fascistas.
No último fim de semana não foi diferente. Manifestações populares expressivas tomaram diversas capitais e múltiplas cidades país adentro. Mais uma vez estavam lá as cores da bandeira, o comportamento pacífico e o pedido por liberdade. No caso, liberdade para a multidão de perseguidos por um regime que essa população que saiu às ruas considera autoritário. E como reagiu a imprensa tradicional?
Abriu a gaveta e sacou seu negacionismo providencial. A disposição de diminuir a realidade é tal, que os ativistas da alquimia jornalística chegam a se dedicar a um método bizarro: comparam entre si manifestações contra o regime atual, para dizer que uma foi menor do que a outra. Contando ninguém acredita.
E as manifestações populares a favor da corrente que conquistou o poder no Brasil? Onde estão? Onde estiveram? Foram maiores ou menores do que elas mesmas? A falta de povo a favor do grupo que a imprensa resolveu defender não comove os negacionistas das redações.
Eles não estão nem aí para esse negócio de gente nas ruas. Mas quando eventualmente um grupelho fingindo defender alguma minoria sai por aí tacando fogo e quebrando tudo, eles chamam de manifestação popular. Que papel triste.
Não deve ser fácil olhar para multidões nas ruas e ficar pensando sofregamente como fazer para diminuir a importância daquilo
Mesmo que não trabalhe na USP ou no DataFolha, algum jeito você vai ter que dar para minimizar o evento.
Sempre se tem o velho expediente de publicar uma foto do início da concentração e destacar os espaços vazios. Já cansaram de fazer isso sem o menor constrangimento. Também podem se dedicar à contagem de quarteirões ocupados – e se tiverem sido dez, ou mais que isso, sempre se pode dizer que ficou aquém de alguma outra manifestação por liberdade no mesmo local. Para o jornalismo da negação, nenhum pedido por liberdade será suficiente.
Será que a história vai expor devidamente os autores desse vexame? Será que o tempo é mesmo senhor da razão? A persistência da escalada mistificadora às vezes nos deixa em dúvida sobre isso. Seja como for, nos dias de hoje, se você está com a consciência em paz, pode se considerar um bilionário.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/guilherme-fiuza/o-negacionismo-da-imprensa/

O povo está reagindo à prisão abusiva de Bolsonaro

Um único político conseguiu visitar Jair Bolsonaro nesta terça-feira: Ciro Nogueira, que foi ministro de Bolsonaro e é presidente do PP. Ele disse que Bolsonaro está triste, isolado em casa. É uma prisão domiciliar que os juristas classificam como ilegal, porque só poderia haver prisão domiciliar depois de ter sido decretada a prisão preventiva, e não o contrário. Além disso, não houve nenhuma denúncia do Ministério Público a respeito do descumprimento de medidas cautelares. O tal “descumprimento” alegado por Alexandre de Moraes foi o fato de Bolsonaro ter falado, pelo telefone do filho Flávio, aos manifestantes em Copacabana. Disse apenas “boa tarde, Copacabana, é por nossa liberdade, por nosso Brasil, sempre estaremos juntos”. Ponto final.
Cala-se a voz dele, mas a voz dele sai pela voz do povo. O povo não tem um líder em liberdade, mas sai espontaneamente para as ruas, como tinha saído em quase todas as maiores cidades brasileiras no domingo, e saiu na noite de segunda-feira em Brasília, protestando contra essa prisão domiciliar. Até o Departamento de Estado norte-americano se manifestou, dizendo que as pessoas que estão apoiando e colaborando com Moraes também serão atingidas por sanções americanas.
Lula enfileira uma sandice atrás da outra
Lula teve uma reunião do “Conselhão” na terça-feira. O nome oficial é Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, seja lá o que isso possa significar. Quando a gente vê a palavra “sustentável” já fica com o pé atrás, por causa do modismo. “Sustentável” significa que desligaram o ar-condicionado na reunião? Que não jogaram nenhum papel fora? Que não poluíram o ar?
Qualquer alienado se escandalizaria com o que Lula tem pronunciado ultimamente. Ele disse agora que não vai ligar para Donald Trump porque o norte-americano não quer falar. Qualquer pessoa com mais de dois neurônios sabe que Trump, respondendo a uma repórter brasileira, disse: “Lula pode me ligar a hora que quiser que eu vou atender”. Mas Lula quer fazer a verdade dele, que é diferente daquilo que veem todos os que conhecem a verdade. “Vou ligar para convidá-lo para a COP-30”, disse Lula. Mas não ligou. E pelo jeito se esqueceu de que 26 países não querem a COP-30 em Belém, cidade com esgoto a céu aberto e hotéis caríssimos.
“Vou ligar para saber o que ele pensa da questão climática”, disse também Lula. Quer dizer que Lula não sabe o que Trump pensa sobre isso? Todos sabemos. Ele já tirou os EUA do Acordo de Paris. Eu tenho dito aqui que o Acordo de Paris não funciona porque o Sol não assinou, e é o Sol que manda no clima da Terra desde sempre. Falam em “mudanças climáticas”, mas o mais longo raio do mundo, de mais de 500 quilômetros, que avançou por vários estados do meio-oeste americano, caiu quando? Na primeira metade do século passado. Mudanças climáticas dependem das explosões do Sol, que esquentam mais ou menos as águas dos oceanos, e ponto final. Não tenhamos a soberba de achar que temos esse poder todo.
Mas, enfim, é claro que Lula não vai ligar para Trump, ele não quer ligar. Ele quer sanções americanas como pretexto para dizer que o governo dele não está dando certo por culpa dos Estados Unidos.
Ao menos na Câmara ainda há quem se preocupe com decoro
O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados está abrindo processo contra André Janones por ofensas a Nikolas Ferreira, a quem Janones sempre se refere como “Nicole”. O próprio Nikolas se chamou de “Nicole” na tribuna, no Dia Internacional da Mulher, quando ele botou aquela peruca loira e disse que as mulheres estavam perdendo espaço para os homens que se sentem mulheres. O processo não vai dar em nada, mas ao menos mostra que há algum rigor em defesa do decoro na Câmara. Rigor que não vimos até agora no Supremo, com ministro mostrando o dedo do meio em um estádio de futebol, a pessoas que o vaiavam.
Ex-presidente da OAB pede “bala na nuca” de Bolsonaro
O ex-presidente da OAB Felipe Santa Cruz disse que, no mundo ideal dele, haveria pena de morte contra Bolsonaro, com uma “bala na nuca”, e que o ex-presidente é responsável pelas mortes por Covid. Esse é outro desinformado. Hoje já se sabe que os responsáveis foram aqueles que mandaram as pessoas se aglomerar em casa, que não permitiram que as pessoas fossem tratadas com o protocolo da ivermectina, hidroxicloroquina, zinco, vitamina D. Morreu muita gente, sim, mas não por causa do que Santa Cruz está dizendo. E aí entendemos por que a OAB fica nesse silêncio omisso diante dos desvios da Constituição cometidos por Moraes.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/povo-reacao-prisao-abusiva-bolsonaro/
Bia Kicis chama Moraes de abusador e diz que protestos irão continuar

Deputada federal Bia Kicis. (Foto: Pedro Taquari/Diário do Poder).
Em entrevista ao Diário do Poder, a deputada federal Bia Kicis (PL-DF), afirmou que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), é um “abusador”.
A parlamentar declarou que a decisão de Moraes de determinar prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é “completamente ilegal, inconstitucional e injurídica”.
A entrevista ocorreu durante o protesto que aconteceu na noite desta terça-feira (5), no centro de Brasília, onde manifestantes pediam “Fora Moraes” e “Fora Lula”.
Bia Kicis afirmou também que manifestações como essa irão ocorrer com frequência com o fim do recesso parlamentar:
“Estamos fazendo dentro do Congresso e nas ruas. Hoje passamos o dia no Plenário, para obstrução total”.
Veja a entrevista completa abaixo:
Parlamentares dormiram no Congresso em protestos contra Moraes

Líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) – (Foto: Reprodução: Redes Sociais)
A reação de parlamentares de oposição ao governo perpetuou-se pela parte da noite desta terça-feira (5), no Congresso Nacional, em Brasília. Deputados e senadores dormiram nas mesas diretoras, tanto do Senado quanto na Câmara.
O líder do Partido Liberal (PL), Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), destacou em suas redes sociais que a obstrução das sessões continua, até que sejam pautadas as ações do “pacote da paz”, deferido pela oposição, que visa pautar o projeto de anistia aos envolvidos nos manifestos do 8 de janeiro, e o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Sóstenes também detalhou uma espécie de revezamento parlamentar que incluía três grupos de deputados com turnos programados a cada três horas.
Protestos em Brasília
Ainda na noite desta terça-feira (5), uma manifestação se mobilizou perto da Torre de TV, no Centro da Capital Federal, com cartazes que diziam “Fora Lula” e “Fora Moraes”.
A deputada federal Bia Kicis (PL-DF) comandava os manifestos e concedeu entrevista ao Diário do Poder, ressaltando a importância da mobilização contra os abusos do Judiciário.
A deputada afirmou que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) é um “abusador” e declarou que a decisão de Moraes de determinar prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é “completamente ilegal, inconstitucional e injurídica”.

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