Morre Francisco, o primeiro papa latino-americano, que desejava uma “Igreja em saída” 

Papa Francisco na Praça de São Pedro no Vaticano em novembro de 2024 (Foto: EFE/EPA/FABIO FRUSTACI)

O Vaticano anunciou, na madrugada deste 21 de abril (5h35 do horário de Brasília), a morte do papa Francisco.

“Às 7h35 desta manhã [horário no Vaticano], o Bispo de Roma, Francisco, retornou à casa do Pai. Toda a sua vida foi dedicada ao serviço do Senhor e de Sua Igreja. Ele nos ensinou a viver os valores do Evangelho com fidelidade, coragem e amor universal, especialmente em favor dos mais pobres e marginalizados. Com imensa gratidão por seu exemplo como verdadeiro discípulo do Senhor Jesus, recomendamos a alma do Papa Francisco ao infinito amor misericordioso do Deus Trino”, anunciou Sua Eminência cardeal camerlengo Kevin Farrell.

O pontífice estava desde o início do ano com a saúde fragilizada por complicações respiratórias e ficou cerca de 40 dias hospitalizado para tratar um pneumonia bilateral, mas retornou para casa no fim de março. Durante a Páscoa, Francisco chegou a circular pela Praça de São Pedro de papamóvel, mas seu quadro de saúde era considerado novamente crítico no domingo. Os médicos que o acompanhavam disseram se tratar de um cenário delicado, acreditando agora se tratar de seu último adeus aos fiéis.

O papa enfrentava dificuldades respiratórias desde a juventude. Aos 21 anos teve o lobo superior do pulmão direito removido após uma pneumonia grave. O pastor que desde o primeiro dia de seu pontificado costumava encerrar suas reuniões e homilias pedindo “rezem por mim”, recebe agora a prece dos fiéis do mundo inteiro que se despedem dele, 12 anos depois de sua eleição para suceder Pedro no comando da Igreja.

Francisco foi o papa do diálogo, da “Igreja em saída”, das “periferias do mundo”, mas também um papa de controvérsias, o primeiro a enfrentar um mundo plenamente conectado pela internet e, portanto, com uma exposição midiática muito maior que seus antecessores.  

Sua visão do que significa o papado poderia ser percebida muito tempo antes, quando em 2001, os jornalistas Francesca Ambrogetti e Sergio Rubin entrevistaram-no para uma biografia daquele que era então Arcebispo de Buenos Aires, Jorge Bergoglio. Respondendo à pergunta “qual deveria ser o perfil do próximo papa?”, Bergoglio afirmou: “um pastor”.  

Essa história é contada no prefácio do livro “El Pastor”, lançado em fevereiro de 2023 na Argentina, sem edição brasileira (a edição em português, das Paulinas, está disponível apenas em Portugal). Na sequência do livro, já se pronunciando como papa Francisco, afirmou: “Difícil imaginar, naquele momento, que doze anos depois me converteria nesse pastor: aquele que deve estar na frente do povo para indicar o caminho, em meio ao povo para viver sua experiência, atrás dele para ajudar os que ficaram de lado e, às vezes, respeitar sua intuição para buscar os melhores pastos”. 

De fato, Bergoglio não parecia estar com o pensamento em Roma. No Natal anterior à renúncia de Bento XVI, ele estava se preparando para entregar o Arcebispado de Buenos Aires e iria se recolher em um dormitório no bairro portenho de Flores, “um quarto modesto, com uma escrivaninha, um armário e uma cama de madeira com colchão duro”, dizem os autores. Foi neste bairro que descobriu sua vocação religiosa, depois de uma confissão iluminadora, também foi onde abraçou “sua paixão futebolística pelo San Lorenzo e começou a gostar de tango e ópera”.  

Antes de se tornar o primeiro papa latino-americano, e também o primeiro jesuíta, Bergoglio havia sido nomeado bispo titular de Auca e auxiliar de Buenos Aires pelo papa São João Paulo II, em maio de 1992, escolhendo como lema Miserando atque eligendo [tirado de uma homilia de São Beda o Venerável, citando o episódio evangélico da vocação de são Mateus, que em tradução livre significa “Olhou-o com misericórdia e o escolheu”], lema que levou também para seu pontificado 21 anos depois.  

Esse parece ser um traço permanente de sua vida pastoral. Corrobora para isso que em 2015, o papa Francisco deu início ao Jubileu Extraordinário da Misericórdia, por ocasião do 50º aniversário do Concílio Vaticano II.   

Na Igreja Católica, o Jubileu é o ano de remissão dos pecados, reconciliação, conversão e penitência sacramental, e ordinariamente ocorre de 25 em 25 anos. O último jubileu ordinário havia sido o de 2000, proclamado “no limiar do terceiro milênio” por São João Paulo II. Neste ano de 2025, a Igreja vive o Jubileu da Esperança, inaugurado por Francisco na última noite de Natal. O fim da peregrinação do papa neste mundo em pleno ano da esperança é profundamente simbólico para os católicos.  

Biografia 

Eleito papa aos 76 anos, Jorge Mario Bergoglio nasceu na capital da Argentina em 17 de dezembro de 1936, em uma família de imigrantes italianos. Seu pai, Mario, era contador, empregado na ferrovia, e sua mãe, Regina Sivori, era dona de casa, dedicada à criação dos cinco filhos.  

Primogênito do casal, Bergoglio se formou como técnico químico e, mais tarde, entrou no seminário diocesano de Villa Devoto. Em 1958 ingressou no noviciado da Companhia de Jesus, fazendo sua profissão perpétua como jesuíta em 1973. Foi ordenado sacerdote em 13 de dezembro de 1969, pelo arcebispo Ramón José Castellano.  

Tornou-se arcebispo de Buenos Aires em 1998 e cardeal em 2001. Marcado pela simplicidade e proximidade com as pessoas, era visto andando de transporte público durante os anos de seu ministério episcopal, morava em um apartamento e gostava de preparar seu próprio jantar. “Meu povo é pobre e eu sou um deles”, dizia.  

“Não se esqueça dos pobres” 

Foi essa frase que, dizem, o falecido cardeal brasileiro Dom Cláudio Hummes teria dito a Bergoglio que estava ao seu lado no conclave, em 13 de março de 2013, quando já se sabia que havia sido eleito. A frase sussurrada teria inspirado a escolha do nome “Francisco” em homenagem a São Francisco de Assis, “o homem da pobreza, o homem da paz, o homem que ama e protege a criação”. A tônica de falar aos marginalizados, às pessoas das “periferias existenciais” da vida já era notada no início. Como costumava dizer, essas periferias existenciais são caracterizadas pelo “mistério do pecado, da dor, da injustiça, da ignorância e da prescindência religiosa”. 

Durante o voo de volta da Jornada Mundial da Juventude em 2013 no Brasil [sua primeira viagem internacional como papa], Francisco deu mostras dessa mudança de postura, respondendo a uma pergunta sobre o clero homossexual feita por um jornalista, levantando as sobrancelhas disse “Se alguém é gay e busca o Senhor e tem boa vontade, quem sou eu para julgar?”. A resposta foi bastante chocante na ocasião, mas também evasiva. Estaria ou não o papa acenando para a comunidade LGBT? Embora possa causar certa confusão, essa postura abriu um diálogo mais amplo com esta comunidade.   

Ele não alterou, contudo, o ensino oficial da Igreja sobre a castidade ou mesmo aprovou bençãos para casais de mesmo sexo, mas enfatizou a necessidade de ser mais receptivo com os católicos homossexuais e se reuniu com alguma frequência com grupos e ativistas LGBT. 

Essa abertura para vozes dissonantes foi frequente durante seu pontificado, confirmando seu desejo de que a Igreja buscasse um contato mais amplo com a sociedade, como um “pastor que tivesse o cheiro das ovelhas”, em suas palavras. 

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/morre-francisco-o-primeiro-papa-latino-americano-que-desejava-uma-igreja-em-saida/

Polzonoff

Nota de Barroso à “Economist” é mentira em papel timbrado do STF

ECONOMIST STF BARROSO
Barroso assina a nota mentirosa do STF à revista “The Economist”. (Foto: Reprodução)

Mentira, mentira, mentira. Mais mentira. Mentira ao quadrado. Mentira institucionalizada. Mentira com papel timbrado do STF. Mentira assustadora, que revela a mentalidade “paranoia democrática” que prevalece na instância máxima do nossa Judiciário. Assim é a nota que o presidente do Supremo, ministro Luís Roberto Barroso, fez questão de assinar em resposta a uma reportagem da revista The Economist sobre o poder absoluto de Alexandre de Moraes & Cia.

A nota começa mencionando as “ameaças sofridas pela democracia no Brasil”. E cita “a invasão da sede dos três Poderes da República por uma multidão insuflada por extremistas”. Como interrompeu suas miniférias em Trancoso, porém, o ministro praiano devia estar com preguiça de explicar na nota por que essa invasão é mais grave do que as perpetradas pela esquerda em várias ocasiões. É que para o ex-advogado de Cesare Battisti os extremistas são sempre os outros.

Aumenta o drama

Aí o presidente do STF aumenta o drama e fala que uma das ameaças eram os “acampamentos de milhares de pessoas em portas de quartéis pedindo a deposição do presidente eleito”. Sou velho o bastante para ter visto o PT pedir a deposição de todos os presidentes eleitos desde Collor. Mas essas manifestações nunca foram consideradas antidemocráticas nem dignas de prisão. Por quê? Só porque não eram realizadas em frente aos quartéis? E em que democracia não se pode pedir a deposição de um presidente eleito?

Barroso continua elencando as ameaças e fala em “tentativa de atentado terrorista a bomba no aeroporto de Brasília e tentativa de explosão de uma bomba no Supremo Tribunal Federal”. Sobre a primeira, qual o explosivo usado pelos terroristas? Qual o potencial destrutivo do artefato? Onde estão os envolvidos e a quem eles estão ligados? Ao contrário das imagens do imbróglio ocorrido em Roma, não me parece que uma tentativa de atentado a bomba num aeroporto seja algo fácil de se varrer para debaixo do tapete.

Hahahahhahahaha

Sobre o segundo, hahahahhahahaha. Só um STF frágil, ocupado por homens frágeis (é “beta” que se diz?) pode levar a sério o ato tresloucado de um pobre-coitado desequilibrado munido de rojões e que acabou com a própria vida em frente ao tribunal. Aliás, um tribunal digno do nome e presidido por alguém honrado era para se compadecer do destino trágico do sujeito e refletir sobre sua própria culpa no episódio todo. Mas não. Embora envolvido em tudo, o STF nunca tem culpa de nada.

Por fim, Barroso cita o “plano de assassinato do presidente, do vice-presidente e de um ministro do tribunal”. Onde estão esses planos, ninguém sabe. Será que estão escondidos sob a cabeleira vistosa de Fux? Ou estariam pairando no éter? Aqui vale lembrar que Barroso se refere ao plano que não foi adiante porque o sujeito não conseguiu pegar um táxi. Ou coisa assim. Patético.

Confissão em nota oficial

As mentiras não param, mas no meio delas há uma confissão no mínimo interessante. Preste atenção ao que escreve Barroso: “Foi necessário um tribunal independente e atuante para evitar o colapso das instituições (…)”. Independente é mentira. Mais uma. Agora, atuante, ministro? Quer dizer que o STF é mesmo ativo, ativão, ativista, militante? Não que eu não soubesse, mas me surpreende a confissão em nota oficial – com direito a versão em inglês e tudo.

Na mesma frase, chama minha atenção o fato de Barroso comparar o iminente “colapso das instituições” no Brasil ao que “ocorreu em vários países do mundo, do leste Europeu à América Latina”. Ao mencionar o leste europeu, ele se refere ao colapso dos regimes comunistas depois da queda do Muro de Berlim e do fim do Império Soviético? Quanto à América Latina, será que ele está falando da Venezuela? Uau.

Festival de besteiras que assola o Supremo

O festival de besteiras que assola o Supremo não para por aí. Barroso continua a nota citando números do Datafolha que ele não é capaz de interpretar. “A pesquisa DataFolha mais recente revela que, somados os que confiam muito (24%) e os que confiam um pouco (35%) no STF, a maioria confia no Tribunal. Não existe uma crise de confiança”. Pequepê! Esse sujeito é o presidente do Poder Judiciário no Brasil! Um cara que não consegue entender que confiar pouco e não confiar na Justiça dá na mesma.

O texto está ficando longo e eu, cansado. Mas vamos a mais falácias barrosianas. “O X (ex-Twitter) foi suspenso do Brasil por haver retirado [sic] os seus representantes legais do país, e não em razão de qualquer conteúdo publicado”. Mentira. O Twitter foi suspenso por se recusar a ceder à censura imposta por Alexandre de Moraes e os representantes legais da empresa foram retirados do país porque estavam sendo ameaçados de prisão pelo Supremo. Procure se informar, ministro.

Magnum opus

Adiante, Barroso diz que “todas as decisões de remoção de conteúdo foram devidamente motivadas e envolviam crime, instigação à prática de crime ou preparação de golpe de Estado”. Aqui Barroso espera que acreditemos no que ele diz, porque os processos são todos sigilosos e as decisões são tomadas na calada da noite. Dado o histórico de mentiras supremas, contudo, quem confia? Eu não.

E agora a magnum opus da pena barrosiana: “O presidente do Tribunal nunca disse que a corte ‘defeated Bolsonaro’. Foram os eleitores”. Disse, sim. Tem imagens. Tem vídeo. Tem áudio. Tem a figura prepotente do presidente do Tribunal visivelmente emocionado, falando para a plateia de estudantes: “Nós derrotamos o bolsonarismo”. Tem até análise sintática sobre esse “nós” aí, Barroso. Assuma!

Definições diferentes de coragem

Depois disso, o ministro enrola para justificar a restrição das ações penais às turmas, e não ao plenário e diz que “o ministro Alexandre de Moraes cumpre com empenho e coragem o seu papel, com o apoio do tribunal, e não individualmente”. Com empenho é fato. O quanto esse empenho é legítimo já não sei. A respeito da coragem, sou obrigado a mais uma vez discordar de Barroso. É que temos definições diferentes de coragem.

Sobre o apoio do tribunal, sei não, mas me parece que a mera referência a isso na nota à Economist foi uma exigência de Alexandre de Moraes. Uma versão togada do histórico “não me deixem só” de Collor. Além do mais, STF unido não é sinônimo de STF justo. Pelo contrário! É mais uma confissão de que, ali, o espírito corporativista predomina sobre a lei.

Mentira, mentira, mentira

Barroso encerra a nota que retrata esse Supremo contido, imparcial e ético, um Supremo pra inglês ver, dizendo que “o Brasil vive uma democracia plena, com Estado de direito, freios e contrapesos e respeito aos direitos fundamentais”. Mentira. Mentira, mentira, mentira. Mais mentira. Mentira ao quadrado. Mentira institucionalizada. Mentira com papel timbrado do STF.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/polzonoff/nota-barroso-economist/

Alexandre Garcia
Moraes libera Filipe Martins para ir ao próprio julgamento no STF
Filipe Martins, ex-assessor de Jair Bolsonaro, foi autorizado a ver seu próprio julgamento. (Foto: Arthur Max/MRE)

Está marcado para terça-feira (22) o julgamento da denúncia contra Filipe Martins. Não sei se estão denunciando que ele foi para os Estados Unidos, ou que ele fingiu ir para os Estados Unidos, ou que ele é milagroso e está ao mesmo tempo nos Estados Unidos e, em vez de desembarcar em Orlando, está desembarcando em Curitiba.

Isso é uma coisa incrível que precisa ser e está sendo investigada pelas autoridades americanas. Quem falsificou a entrada dele escreveu “Felipe” Martins, mas o certo é “Filipe”, como em Filipinas. Na Espanha, na Inglaterra ou nos Estados Unidos, Filipe é com I. No sistema americano, entrou com E. Tem muito brasileiro que escreve “Felipe” com E.

A defesa de Filipe Martins pediu, e Moraes autorizou-o a sair de Ponta Grossa e ir para Brasília para assistir ao próprio julgamento, na Primeira Turma – com só cinco juízes, em vez de onze do Supremo –, da denúncia da Procuradoria-Geral da República contra ele por suposta participação em golpe de Estado.

Está tudo pormenorizado: onde ele pode descer, aonde ele pode ir… Tem que ficar no hotel. A defesa teve que explicar que não se trata de pressão.

Engraçado que comigo já aconteceu um processo no Tribunal Superior do Trabalho contra a antiga Rede Manchete. Um dos juízes disse: “Eu não li os autos, mas vejo que a presença de uma das partes aqui tenciona pressionar os juízes; portanto, voto contra ele”. Nunca vi isso. Na minha cara! Mas, enfim, assim é o Judiciário Brasileiro. Não é de agora.

Chamam pessoas que não são de carreira e acontece isso. Esse não era de carreira. É um advogado trabalhista que trabalhou com Lula e que me contou, certa vez, que Lula não gosta de pessoas que têm curso superior. Tem preconceito. Chamava ele de “advogadinho”, uma coisa assim. Mas isso é outro assunto.

Filipe Martins vai ser autorizado a assistir ao próprio julgamento. Parece até uma exceção, quando deveria ser regra, não? A pessoa que está sendo denunciada precisa estar lá para saber o que estão dizendo dela e como é que transcorre o processo.

Tudo isso depois de ter ficado seis meses preso por ter ido aos Estados Unidos – ele não foi – e ter ficado em solitária dez dias. Mas ele não assinou a tal delação premiada contra Bolsonaro, que era o que queriam.

SinPatinhas pode significar imposto para quem tem animais domésticos

Está todo mundo falando do tal SinPatinhas, o Sistema do Cadastro Nacional de Animais Domésticos. O título do programa a que ele pertence é “Programa Nacional de Proteção e Manejo Populacional Ético de Cães e Gatos”. Tem uma turma aí que não consegue fazer um título com duas palavras. Está quase tudo no título. Aí botaram um “ético” ali para ficar bonito.

Dizem que isso vai ser grátis. Não, não vai ser grátis. Não pode ser grátis, isso tem um custo. E quem vai pagar é o pagador de impostos, quem paga sempre, paga tudo o que o governo faz. Não tem nada que o pagador de impostos não pague.

Agora está todo mundo com medo de que depois venha imposto sobre a propriedade do cão. Se a gente paga imposto sobre a propriedade do automóvel, sobre a propriedade da casa, vai pagar imposto sobre a propriedade do cão. Está todo mundo com o pé atrás a respeito disso.

Barroso não quis dizer o que disse?

Outro assunto é essa resposta pronta do presidente do Supremo, ministro Barroso, para a revista The Economist. É a revista mais prestigiada do mundo. Fez um artigo que mostra que o Supremo está se afundando – e, com isso, afundando a segurança jurídica do país.

Eu conversava ontem, na hora do almoço, com um advogado escocês, e ele me falava da importância da segurança jurídica. Óbvio. Sem isso, não há investimento, não há segurança para os cidadãos.

E uma das coisas que o Barroso respondeu sobre o artigo da Economist foi que ele não disse “nós derrotamos o bolsonarismo”, não disse que a Corte derrotou o bolsonarismo, mas sim que foram os eleitores que derrotaram o bolsonarismo. Bom, se ele quis dizer isso, por que ele não disse?

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/caso-filipe-martins-ver-o-proprio-julgamento-nao-e-a-regra/

Luís Ernesto Lacombe
Luís Ernesto Lacombe

“Bolsa Traficante”, “Bolsa Corrupto” e outros auxílios

Alexandre de Moraes Espanha Lula asilo Peru Lava Jato
Moraes não gostou da decisão da Justiça espanhola sobre Oswaldo Eustáquio e soltou traficante búlgaro que seria extraditado para a Espanha. (Foto: Rosinei Coutinho/STF)

O Brasil é mesmo pródigo em “programas sociais”, e eles não param de crescer. Na última semana, houve ampliação de três deles: o que concede auxílio a traficantes de drogas, o que atende a corruptos e o que dá apoio a incompetentes da área econômica, de gestão. Nenhum deles está dentro da lei. Todos, sem exceção, ignoram a nossa legislação, a nossa Constituição, até acordos internacionais incorporados ao ordenamento jurídico brasileiro há muito tempo. Todos, sem exceção, são imorais e devem ser condenados pelos brasileiros, mais uma vez, os grandes prejudicados nesse show de horrores.

Alexandre de Moraes, descontrolado diante da recusa da Justiça da Espanha em extraditar o jornalista Oswaldo Eustáquio, embarcou numa retaliação bestial. Ele mandou soltar um traficante de drogas búlgaro que transportou 52 quilos de cocaína em Barcelona e conseguiu fugir para o Brasil, onde foi preso em fevereiro. A Espanha queria que ele fosse extraditado para responder por seus crimes no país. Agora, o sujeito pode cumprir “prisão domiciliar” nos trópicos porque Moraes não aceita a decisão dos juízes espanhóis que consideraram, de forma correta, que Eustáquio é um perseguido político.

A decisão da Justiça da Espanha cita que há necessidade de critério de dupla incidência criminal para acusações que justifiquem uma extradição, ou seja, precisa haver tipificação penal tanto no Brasil quanto na lei da Espanha. E não há crime de opinião em nenhum dos dois países… Talvez Moraes pudesse ter alegado que decidiu pela suspensão do processo de extradição do búlgaro porque, se tráfico de drogas é crime na Espanha, talvez no Brasil já tenha deixado de ser, e a dupla incidência não existiria…

Os brasileiros decentes confirmaram que tipo de gente é premiada no nosso país: os traficantes, os corruptos, os jericos econômicos… E tiveram certeza de que os psicopatas estão no poder

O ministro do STF, entre outros absurdos, como pressionar diretamente a Embaixada da Espanha, descumpriu a Convenção da ONU sobre Drogas, da qual o Brasil é signatário e que, portanto, obriga o país a combater o narcotráfico internacional. Alexandre de Moraes favoreceu facções criminosas em sua vingança pessoal contra a Justiça espanhola. A cooperação internacional no combate ao tráfico foi enterrada. Um traficante foi beneficiado pelo que podemos chamar de “Bolsa Traficante”, lançada pelo ego de um ministro doentio.

Outro programa de auxílio reforçado na última semana foi o “Bolsa Corrupto”. Lula achou ótimo conceder asilo a Nadine Heredia, ex-primeira-dama do Peru que foi condenada com o marido, Ollanta Humala, por corrupção e lavagem de dinheiro, a 15 anos de prisão. Humala, que presidiu o país entre 2011 e 2016, recebeu alguns milhões de dólares da construtora brasileira Odebrecht para financiar campanhas eleitorais… E agora Nadine foi muito bem atendida pela turma do “Bolsa Corrupto”: pediu asilo na embaixada brasileira em Lima e rapidamente estava num avião da FAB, voando para o Brasil.

Também houve na última semana muitos incentivos ao “Bolsa Incompetente”… Essa é voltada àqueles que promovem desastres na área econômica, na gestão pública. Entre os beneficiários, está o sindicalista João Luiz Fukunaga. Ele preside a Previ, maior fundo de previdência da América Latina, e, com tantos incentivos, está perto de promover um prejuízo de R$ 20 bilhões à Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil.

Outro abraçado pelo “Bolsa Incompetente” é Guido Mantega, que quase destruiu o Brasil no governo Dilma e agora é conselheiro da Eletrobras. Se o objetivo é acabar com tudo, ele foi incorporado pelo bondoso programa de auxílio e vai recomeçar a demolição, agora por uma empresa recentemente privatizada, mas ainda com participação da União. Se a dobradinha com a genial Dilma Rousseff não foi, por enquanto, refeita, a ex-presidente também está protegida pelo “Bolsa Incompetente”, comandando, sabe o diabo como, o Banco dos Brics.

Se o objetivo dessa turma é não deixar pedra sobre pedra, o governo Lula vai medindo o sucesso do “Bolsa Incompetente” pela quantidade de energúmenos, ou simplesmente mal-intencionados, que são incorporados ao programa. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e a ministra do Planejamento, Simone Tebet, cumprindo os pré-requisitos para receberem o auxílio, não querem saber de cortar despesas do governo. E eles lançaram na última semana um Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias que aponta para o colapso nas contas públicas já em 2027. Não deve haver dinheiro para pagar nem os gastos com saúde e educação… O projeto deixou de fora despesas obrigatórias, como os precatórios – dívidas judiciais – e se baseou em receitas irreais, incertas e que jamais serão recorrentes. É pura ficção.

Assim, em apenas uma semana, os brasileiros decentes, com senso crítico e mais de dois neurônios confirmaram que tipo de gente é premiada no nosso país: os traficantes, os corruptos, os jericos econômicos… E tiveram certeza de que os psicopatas estão no poder. Até quando as pessoas vão continuar se rendendo a isso, curvando-se cada vez mais? Até o ponto em que estarão rastejando para sempre diante dos maiores vilões que o Brasil já teve, como se deles pudesse realmente vir alguma solução, algo de bom? Acordem, acordem! O despertar e a reação não podem ser adiados.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/luis-ernesto-lacombe/alexandre-de-moraes-oswaldo-eustaquio-espanha-lula-peru-asilo/

Frases da Semana: “Muito orgulhoso de ter participado desse processo de ‘desmanche da Lava Jato’”

"Fico muito orgulhoso de ter participado desse processo de 'desmanche da Lava Jato'", Gilmar Mendes, ministro do STF
“Fico muito orgulhoso de ter participado desse processo de “desmanche da Lava Jato'”, Gilmar Mendes, ministro do STF (Foto: Balão de diálogo adicionado sobre foto de Marcelo Camargo/Agência Brasil)

“Disseram-me que hoje é o Dia do Café. Vai um cafezinho aí?” – Geraldo Alckmin, ao postar vídeo tomando café no X. Uma das tragédias do Brasil é que nossa Maria Antonieta, além de careca, é descafeinada. 

“A decisão unânime deste tribunal é que os termos ‘mulher’ e ‘sexo’ na Lei da Igualdade de 2010 se referem a mulheres biológicas e sexo biológico” – decisão da Suprema Corte Britânica. Em nota oficial, a Associação Britânica de Gafanhotos declarou aguardar com otimismo a próxima decisão da Corte, que determinará se a grama é realmente verde. 

“Tem que ser débil mental para querer a volta de um genocida” – João Barone, baterista dos Paralamas do Sucesso. E quem paga ingresso pra ouvir sermão de um cara que toca prato e tambor? 

“Querem fazer brasileiro de idiota” – Nasi, ex-músico em atividade, criticando o PL da Anistia. Em muitos casos, nem adianta querer fazer alguém de idiota. Impossível superar a obra da Mãe Natureza. 

“Vim Trabalhar No Cruzeiro” – Dudu, ex-atleta do Palmeiras, explicando o significado da sigla “VTNC” que usou contra Leila Pereira, presidente do clube. Em resposta, Leila teria dito a Dudu “VSF” e explicou que significa “Vá Ser Feliz”. 

“Eu prefiro comer lixo” – Joanna Maranhão, comentarista lulopetista do SporTV, sobre assistir a vídeos de Jojo Todynho, cantora bolsonarista. Se dizem que “você é o que você come”, talvez seja hora de ela rever sua dieta. 

Por um erro de edição, O Globo não identificou como sendo da coluna de humor Sensacionalista um post sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro” – errata do jornal O Globo. Se o humor era tão “cirúrgico” que os próprios editores confundiram com um relatório de colonoscopia, talvez fosse menos constrangedor nem explicar a piada. 

“O Pé de Meia não é do governo, não é da Tabata, é de cada estudante que voltou a sonhar” – Tabata Amaral, deputada federal (PSB-SP), sobre novo programa que já enfrenta suspeitas de corrupção. Assim que surgem os primeiros escândalos, ninguém mais quer ser pai da criança. 

“Uma pergunta que fazem é até onde vai o meu ato? Decidi quando começar, mas não sei quando vou parar” – Glauber Braga, deputado federal (PSOL-RJ), que faz greve de fome para protestar contra o processo de cassação que enfrenta. Pela primeira vez, um deputado psolista experimenta como seria viver nas ditaduras comunistas que defende. 

“Câmara nunca cassou mandato de deputado por agressão; punição a Glauber seria inédita” – manchete da Folha de S.Paulo. Que absurdo romper a secular tradição da impunidade parlamentar. Um verdadeiro atentado à memória do Petrolão. 

“Por uma questão de honestidade intelectual, é muito simplista atribuir ao governo federal a responsabilidade pela carestia dos alimentos” – André Trigueiro, blogueiro. É, não dá pra aliviar a barra do povo, que insiste em se alimentar mesmo nas situações mais adversas. 

“O país não pode viver eternamente de Bolsa Família” – Lula. Isso aí, o negócio é subir na vida: largar o Bolsa Família, pegar uma Lei Rouanet, quem sabe até um Mensalão? Ir destravando os códigos da riqueza. 

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/frases-semana-orgulhoso-desmanche-lava-jato/

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