Dois anos e meio depois de a Brasil Paralelo ter sido vítima de alguns dos episódios de censura mais abjetos da última campanha eleitoral para a Presidência da República, a produtora de conteúdo se vê, mais uma vez, na mira dos autoproclamados donos da verdade encastelados em Brasília. O motivo, agora, é um episódio da série Investigação Paralela que se debruça sobre o caso da farmacêutica e ativista Maria da Penha Maia Fernandes. Um tiro a deixou paraplégica em 1983; seu ex-marido foi condenado por tentativa de homicídio em 2002 (longos 19 anos após o crime), passou dois anos na cadeia e está livre desde 2004. O caso deu origem à Lei Maria da Penha, que definiu melhor as situações de violência contra a mulher e endureceu as penas contra os agressores.
A Advocacia-Geral da União, por meio da Procuradoria Nacional de Defesa da Democracia (PNDD) – um dos órgãos da megaestrutura informal que junta Executivo e Judiciário num “Ministério da Verdade” orwelliano –, quer que a Brasil Paralelo retire o episódio do ar, publique uma retratação (cujo texto será escrito por um órgão do governo) e pague uma multa de R$ 500 mil. Mas o que há de tão escabroso no conteúdo? Em resumo, ele colocou em prática um princípio jornalístico básico: deu voz ao “outro lado”, o do economista e professor Marco Antonio Heredia Viveros, que alega ter sido condenado injustamente. Ele afirma, por exemplo, que o casal realmente foi vítima de um assaltante, ocasião em que foi disparado o tiro que atingiu Maria da Penha – a Justiça considerou que Heredia havia forjado o assalto.
O governo, por meio da AGU e sua PNDD, mergulhou de cabeça na missão de ser o árbitro final do que é verdade e do que é mentira, e pretende impor suas próprias convicções à população
Os produtores, ressalte-se, tomaram uma série de cuidados: em momento algum endossam de voz própria a versão de Heredia; e tentaram ouvir Maria da Penha, que se recusou a falar com a Brasil Paralelo – mesmo assim, o documentário mostrou a versão da ativista, e as razões alegadas pela Justiça para a condenação de Heredia, oferecendo assim o quadro completo. Além disso, em momento algum os responsáveis pelo conteúdo se mostraram contrários à Lei Maria da Penha, e deixaram claro que a realização do episódio não significava crítica à legislação aprovada em decorrência do caso – uma ressalva em si desnecessária, já que a crítica a leis não é crime em hipótese alguma, mas a Brasil Paralelo, depois do que passou em 2022, tornou-se o proverbial gato escaldado.
Os disclaimers não foram suficientes para a AGU, que afirmou haver prejuízo às políticas públicas de combate à violência contra a mulher pelo simples fato de a Brasil Paralelo ter levantado dúvidas sobre as circunstâncias específicas de uma condenação – o clássico non sequitur, a falácia em que a conclusão não decorre logicamente das premissas. E, a esse respeito, é preciso voltar ao óbvio: ainda que o documentário de fato estivesse fazendo uma crítica à maneira como o poder público lida com a chaga social da violência doméstica contra a mulher, a crítica a políticas públicas também não é crime, por mais que certos jornalistas de alma autoritária pensem assim. Só países ditatoriais chegam a esse nível de repressão, criminalizando quem discorde publicamente de uma lei ou de uma política pública.
Esta, no entanto, está longe de ser a única aberração na ação – os absurdos começam na própria participação da AGU, que existe para defender os interesses da União, mas está interferindo para banir um conteúdo que não tem relação alguma com o governo federal. Isso mostra, segundo os especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo, que o governo, por meio da AGU e sua PNDD, mergulhou de cabeça na missão de ser o árbitro final do que é verdade e do que é mentira, e pretende impor suas próprias convicções à população, inclusive por meio da censura. E as consequências, caso esse tipo de ação prospere, representarão um (novo) dano incomensurável à liberdade de expressão no Brasil.
Se a Brasil Paralelo sofrer um novo episódio de censura, isso significará que qualquer produção jornalística que tente apontar falhas em uma decisão judicial poderá ter o mesmo destino, caso os donos da verdade considerem haver prejuízo a qualquer iniciativa de interesse público (ou, melhor dizendo, interesse do governo). Não estaria longe o dia em que, por exemplo, apontar os evidentes abusos do STF no inquérito das “fake news” ou nos processos do 8 de janeiro passaria a ser proibido por “desqualificar a defesa da democracia” – algo que, precisamos admitir, já acontece de forma mais ou menos sutil atualmente. Os danos extrapolam, inclusive, o campo da liberdade de expressão, pois um desfecho desfavorável à Brasil Paralelo seria um freio a quaisquer produções jornalísticas que pudessem expor erros reais da polícia, do Ministério Público ou da Justiça, alguns dos quais levaram à prisão de pessoas inocentes.
Ressalte-se, por fim, que a AGU ainda invocou uma recente decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a veiculação de declarações de entrevistados, responsabilizando o veículo de comunicação em determinadas circunstâncias. Seu uso neste caso aponta para um cenário bizarro, em que qualquer pessoa condenada judicialmente estaria proibida de se defender nos meios de comunicação, pelo simples fato de suas alegações serem consideradas falsas por terem sido desconsideradas pela Justiça – um outro non sequitur, evidentemente. Isso mostra como está sendo construído, lentamente, um arcabouço jurídico e institucional destinado a calar qualquer crítica e questionamento, garantindo que a população seja exposta apenas as ideias previamente aprovadas pelos atuais detentores do poder.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/brasil-paralelo-maria-da-penha-ministerio-da-verdade/
Janja vai “estar onde ela quiser” e “falar o que ela quiser”, diz Lula

Durante entrevista coletiva ao fim de sua viagem ao Vietnã, o presidente Lula rebateu críticas à atuação da primeira-dama Janja da Silva, dizendo que “ela vai continuar fazendo o que ela faz, porque a mulher do presidente Lula não nasceu para ser dona de casa”. O petista acrescentou que “ela vai estar aonde ela quiser, vai falar o que ela quiser, e vai andar para onde ela quiser, é assim que eu acho que é o papel da mulher”. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.
Janja não está no Vietnã com o presidente; ela foi ao Japão uma semana antes da chegada da comitiva presidencial, e de lá foi a Paris, onde discursou em um evento sobre combate à fome, a convite do presidente francês, Emmanuel Macron. “A Janja foi oficialmente me representando, ela não foi em uma viagem escondida”, disse Lula. “Ela viajou a convite do companheiro Macron para discutir a aliança global contra a fome e a pobreza, e eu fiquei muito orgulhoso”, acrescentou o presidente.
Políticos da oposição têm questionado cada vez mais os gastos da primeira-dama em viagens ao exterior, principalmente depois que o Estadão revelou a existência de uma equipe informal, composta por uma série de servidores lotados em diferentes órgãos do governo, que assessora Janja e viaja com ela – tudo isso apesar de a primeira-dama não ter nenhum tipo de cargo oficial. Segundo o jornal paulista, os salários dessa equipe somavam R$ 160 mil mensais no fim de 2024, e os gastos em viagens nos dois primeiros anos de mandato de Lula chegaram a R$ 1,2 milhão.
No entanto, Janja tem conseguido até agora escapar de um escrutínio mais criterioso. Uma ação popular movida por um vereador de Curitiba contra o “gabinete informal” da primeira-dama foi rejeitada pela Justiça. Uma representação do deputado Gustavo Gayer foi arquivada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), e a Advocacia-Geral da União (AGU) está trabalhando em um parecer que pode blindar de vez a primeira-dama; segundo o advogado-geral Jorge Messias, o objetivo é deixar Janja “trabalhar em paz” e “afastar qualquer tentativa de intimidação institucional contra a primeira-dama”.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/janja-lula-entrevista-vietna/?ref=veja-tambem
PGR se manifesta pelo arquivamento de pedido de prisão preventiva de Bolsonaro

O procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet, pediu o arquivamento de um pedido de prisão preventiva protocolado contra Jair Bolsonaro, nesta quarta-feira, 2. A notícia-crime foi apresentada pela vereadora Liana Cirne, do PT de Recife, pouco depois do ato do ex-presidente em favor da anistia aos presos do 8 de janeiro, no Rio de Janeiro. De acordo com a parlamentar petista, Bolsonaro incorreu na prática dos crimes de obstrução de Justiça e incitação ao crime ao convocar o povo para sair às ruas.
“A realização de manifestações pacíficas pela concessão do benefício não constitui ilícito penal, bem como não extrapola os limites da liberdade de expressão, que é consagrada constitucionalmente e balizada pelo binômio liberdade e responsabilidade” , argumentou Gonet. Conforme o PGR, “os relatos dos noticiantes não contêm elementos informativos mínimos, que indiquem suficientemente a realidade de ilícito penal, justificadora da deflagração da pretendida investigação”.
Prisão de Bolsonaro

Em 19 de março, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, deu cinco dias à PGR para se manifestar a respeito da solicitação de Liana. A resposta, contudo, só veio hoje.
Moraes determinou que a Procuradoria opinasse se, ao convocar manifestações pelo perdão aos presos, Bolsonaro “cometeu os delitos de obstrução de Justiça, incitação de crimes contra as instituições democráticas e coação no curso do processo”.
A PGR ainda tem de analisar um pedido semelhante ao de Liana. Assim como a vereadora do PT, Duda Salabert (PDT-MG), parlamentar trans, acionou a Justiça contra Bolsonaro.
FONTE: REVISTA OESTE https://revistaoeste.com/politica/pgr-se-manifesta-pelo-arquivamento-de-pedido-de-prisao-de-jair-bolsonaro/
Denúncia baseada em “recortes, vídeos, interpretações forçadas, depoimentos contraditórios e delações feitas para salvar a própria pele”

O senador Marcos Rogério (PL-RO) afirmou que o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) “não tem base jurídica. Tem motivação política e desrespeita o devido processo legal”. Segundo o parlamentar, a denúncia aceita pela Corte é baseada em interpretações, delações contraditórias e recortes de falas, sem provas que justifiquem a acusação de tentativa de golpe.
“O que se apresenta aqui como prova são, em sua maioria, recortes, vídeos, interpretações forçadas de discursos, depoimentos contraditórios e delações premiadas feitas por investigados buscando salvar a própria pele. Onde estão as evidências, as provas que demonstram, de forma cabal, de forma inequívoca, a intenção de se praticar um golpe no Brasil?”, questionou.
O senador também argumentou que o processo está sendo usado para impedir a participação de Bolsonaro nas eleições de 2026. Ele comparou a situação ao cancelamento de condenações da Operação Lava Jato por irregularidades processuais e criticou o tratamento desigual entre os casos.
“Por muito menos se anulou a Lava Jato e todas as condenações derivadas daquele processo, por violação do devido processo legal. Mas o que valeu lá para socorrer criminosos contumazes não serve para Bolsonaro neste momento, porque o julgamento é político”, afirmou.


Primeira vitória de Trump? Países se mobilizam para negociar tarifas com os EUA

As novas tarifas anunciadas pelo governo de Donald Trump provocaram uma mobilização imediata de diversos países atingidos pelas novas cobranças, algo que estava incluído no pacote de objetivos do presidente americano.
O líder republicano estabeleceu uma tarifa-base de 10% para todos os países e individualizou a relação com cada nação, por meio de acréscimos proporcionais às barreiras comerciais impostas a Washington.
O Reino Unido, que recebeu uma cobrança de 10%, disse que, por enquanto, não planeja retaliar seu “aliado mais próximo”. Pelo contrário, incentivará um acordo econômico bilateral para mitigar o impacto da medida.
Segundo o ministro britânico de Negócios e Comércio, Jonathan Reynolds, seu governo continua “calmo e comprometido” com a busca desse objetivo.
“Sempre agiremos de acordo com os melhores interesses das empresas e dos consumidores do Reino Unido. É por isso que, nas últimas semanas, o governo tem se concentrado totalmente na negociação de um acordo econômico com os EUA que fortaleça nosso relacionamento justo e equilibrado”, acrescentou o ministro.
A Espanha também declarou que busca uma solução negociável com os EUA. Para o ministro da Economia, Carlos Cuerpo, esse meio era essencial para a quarta maior economia da zona do euro, apesar do país ter deixado claro que estava preparado para tomar medidas mais duras para proteger suas empresas e indústrias.
“Temos muito em jogo. Temos que proteger o importantíssimo relacionamento comercial e econômico que temos entre os dois maiores parceiros do planeta”, disse Cuerpo durante entrevista nesta quinta-feira (3) na rádio RNE.
A nova política comercial de Trump prevê uma tarifa de 20% sobre as exportações da União Europeia (UE).
No mesmo dia do anúncio de novas tarifas, a Itália, da premiê Giorgia Meloni, afirmou que as tarifas sobre a UE “não serão boas para nenhuma das partes”, mas que buscaria um acordo com os EUA para “evitar uma guerra comercial”.
O Japão também manifestou interesse imediato em negociar com o governo americano. Em um pronunciamento, o primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba, disse que tentaria negociar diretamente com o presidente, visto que era “extremamente lamentável” que os EUA aplicassem uma tarifa de 25% sobre automóveis ao Japão, apesar de sua enorme contribuição para a economia dos EUA.
O premiê declarou que o Japão pressionará por uma reconsideração das medidas tarifárias. “Eu o farei neste momento e usarei os métodos mais apropriados para isso, sem hesitação”.
A Ucrânia, que está um processo de negociação mais direto com Trump por minerais, também se posicionou nesse sentido, em busca de obter melhores condições tarifárias dos EUA.
A ministra da Economia ucraniana, Yuliia Svyrydenko, escreveu em sua conta no X: “A Ucrânia tem algo a oferecer aos EUA como um aliado e parceiro confiável. Ambos os países se beneficiarão de tarifas justas”, disse ela.
A Índia, atingida por tarifas de 26%, disse que se esforçará para acelerar as negociações para um acordo comercial com os EUA. “Continuamos em contato com o governo Trump e esperamos levá-los adiante nos próximos dias”, disse o Ministério do Comércio indiano.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/vitoria-trump-paises-mobilizam-para-negociar-tarifas-com-eua/

Erratas

Logo no começo, onde está escrito que “a República Federativa do Brasil tem como um de seus fundamentos o pluralismo político”, leia-se: “a República Federativa do Brasil tem como um de seus fundamentos a hegemonia da esquerda e não hesitará em usar todo o aparato estatal para sufocar qualquer discordância”.
No parágrafo único, onde está escrito “Todo o poder emana do povo”, leia-se: “Todo poder emana do ovo”.
Errata da errata
Errata da errata: no parágrafo acima, onde está escrito “todo poder emana do ovo”, evidentemente um erro tipográfico, leia-se: “Todo poder emana do Supremo Tribunal Federal, na figura de seus sapientíssimos e infalíveis ministros que cumprem a missão de recivilizar o Brasil. E cale a boca!”.
No art. 3º, onde consta que um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil é “garantir o desenvolvimento nacional”, leia-se “garantir o de$envolvimento dos amigos do PT”.
Alguns mais iguais do que os outros
Em seguida, no Art. 4º, sobre as relações internacionais, onde se lê aquela coisa de “independência nacional; prevalência dos direitos humanos; autodeterminação dos povos; não-intervenção; igualdade entre os Estados; etc”, deveria constar que a relações internacionais serão pautadas por “(i) o desejo da primeira-dama de conhecer algum país e (ii) nós puxamos o saco de ditadores esquerdistas”.
Na parte das garantias fundamentais, onde está escrito “Todos são iguais perante a lei”, leia-se: “Todos são iguais perante a lei, mas uns são mais iguais do que os outros”.
Não é bem assim…
Nessa mesma parte, no item III, onde está “ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante”, deve-se acrescentar “a não ser que seja bolsonarista”.
No item IV , onde o constituinte escreveu “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato”, leia-se “não é bem assim”. Já no item IX, onde consta que “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”, acrescentar um “hahahahahahahaha”. No item XXXVII, “não haverá juízo ou tribunal de exceção”, deve-se incluir um “faz-me rir, constituinte pândego”.
Groselha
Adiante, no item XLVI, onde se lê que “a lei regulará a individualização da pena”, o correto é “O Alexandre de Moraes regulará a individualização da pena, mas só se ele estiver a fim e me disseram que não está”. No item seguinte, que diz que não haverá penas de banimento e cruéis, o correto mais uma vez é: “a não ser que o Alexandre de Moraes queira e vier com aquela groselha de defesa da democracia”.
Por fim, lá no parágrafo 2º do Art. 220, onde se lê que “é vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística”, o correto é “desde que essas manifestações políticas, ideológicas e artísticas não representem uma ameaça à nossa democracia relativa, ao camarada Lula e aos parça do STF”. E vale acrescentar ainda: “Que gentinha mais sem senso de humor, hein!”.
E assim por diante.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/polzonoff/erratas/

Não é retaliação a tarifas que vai salvar a indústria brasileira

Saiu o tarifaço de Donald Trump, que até tratou bem o Brasil na comparação com países asiáticos. Algumas nações na Ásia levaram 90% de sobretaxa nos produtos importados de lá. Para produtos do Brasil, parece que a tarifa geral será de 10%, que é o mínimo; estão dizendo que automóveis brasileiros seriam taxados com 25%, mas eu duvido que o Brasil venda automóveis para os Estados Unidos, não tenho detalhes a esse respeito.
A indústria aqui no Brasil vai mal. A Câmara e o Senado estão reagindo, para devolver com tarifas iguais, mas o problema é outro. De fevereiro de 2022 até o fevereiro de 2025, ou seja, num intervalo de três anos, a indústria cresceu apenas 1,1%, e foi graças à indústria de mineração e de alimentos. O setor não vai bem; caiu pelo quinto mês consecutivo agora em fevereiro, queda de 1,3% segundo o IBGE. Há uma insegurança jurídica muito grande nesse país. Não é apenas a insegurança pessoal, de falta de segurança pública; o investimento se retrai e a indústria não se moderniza, não ganha mercado, não vende, não produz.
Que Justiça é essa que condena a 9 anos por ganhar um tríplex e a 14 anos por escrever com batom?
Queria fazer uma comparação, sobre a nossa Justiça. A Débora do batom passou 743 dias na prisão, os filhos ficaram sem a mãe – só agora ela foi para casa, em prisão domiciliar, com tornozeleira – por causa de um batom, e já há dois votos no Supremo para condená-la a 14 anos de prisão. O atual presidente ficou 580 dias na prisão, condenado por ter recebido um tríplex no Guarujá; a condenação foi até diminuída (embora tenha sido confirmada) pelo Superior Tribunal de Justiça, depois que a segunda instância tinha aumentado a pena. Um pegou 8 anos e 10 meses por um tríplex. A Débora, 14 anos por um batom. E o atual presidente já tinha uma segunda condenação, pelo sítio de Atibaia; dois outros processos em que ele era réu, do Instituto Lula e da Operação Zelotes, foram suspensos porque não podiam correr em Curitiba, mas em Brasília e São Paulo.
Filipe Martins participará de audiência em investigação de possível fraude na imigração americana
Na próxima quarta-feira, em Orlando, na Flórida, haverá uma audiência da qual Filipe Martins vai participar remotamente, lá de Ponta Grossa, porque ele não pode sair do país. Ficou seis meses na prisão, igual à Débora, sem condenação, nem sequer uma denúncia. Prenderam para ele não fugir do país, porque inventaram que ele tinha ido para a Flórida no fim de 2022, mas ele estava em Ponta Grossa o tempo todo; comprovou com o rastreamento do celular, com passagens aéreas de Brasília e Curitiba, com fotos daqueles dias.
O processo em Orlando está investigando se houve fraude no sistema de migração dos Estados Unidos, o que é muito grave. Como escreveram errado o nome dele, eu tenho um palpite. O nome do Filipe Martins é com “i”; acho que em todas as línguas é assim, inclusive no inglês dos Estados Unidos, é Phillip. Mas aqui no Brasil muita gente se chama Felipe, com “e”, que não é o caso de Filipe Martins, Filipe com “i”. Como escreveram o nome errado, meu palpite é de que foi algum brasileiro que errou.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/tarifas-donald-trump-retaliacao-industria/

O país sem anistia: quando a política destrói a alma

Enquanto meu pai era levado à sala de cirurgia para operar o câncer que o mataria, lembrei-me de uma das muitas lições valiosas que ele me deu durante a vida, e que carrego no coração para sempre:
― Filho, nunca se alegre com o sofrimento de ninguém.
Muitas vezes, em sonhos ou pensamentos diurnos, eu me lembro daquela cena no Hospital do Câncer de Jaú: Paulo sendo conduzido ao centro cirúrgico (consigo ouvir o som das rodinhas da maca girando sobre o piso sintético), minha mãe (que poucos anos mais tarde o câncer também levaria) segurando as lágrimas e, no mesmo corredor, três jovens irmãos, uma garota e dois moços, que acabavam de receber uma notícia ruim, devastadora.
O câncer não deveria jamais ser motivo de júbilo ou sarcasmo para ninguém. Mas, em nosso país doente de política, desgraçadamente é.
Assisti a um vídeo da Preta Gil em que a cantora informa estar partindo para os Estados Unidos, a fim de se submeter a um tratamento especial da doença contra a qual ela luta há alguns anos.
Dei uma passada de olhos pelos comentários e vi direitistas e autoproclamados cristãos ironizando e como que festejando o drama da cantora:
― Faz o L agora!
― Ué, não vai se tratar pelo SUS?
― Vai gastar o dinheiro da Rouanet.
A essas pessoas, capazes de politizar a dor alheia, eu só tenho duas coisas a dizer: simplesmente PAREM e peçam perdão a Deus.
Jamais fui a um show da Preta Gil. Não sei cantar nenhuma música da Preta Gil. Não compartilho das opiniões e da visão de mundo de Preta Gil.
Não tenho nenhum motivo especial para me preocupar com ela, exceto pelo fato de que ela é um ser humano criado à imagem e semelhança de Deus, possui uma alma imortal e tem uma existência que nada poderá revogar da ordem do ser.
Logo, a sua vida é também a minha vida. Como escreveu John Donne na sua célebre Meditação XVII:
“Nenhum homem é uma ilha, completa em si mesma. Todo homem é um pedaço do continente, uma parte da terra firme. Se um pedaço de terra for levado pelo mar, a Europa fica menor, como se tivesse perdido uma montanha ou a casa de um amigo, ou a tua própria. A morte de qualquer homem me diminui porque faço parte da humanidade. Por isso, nunca mandes indagar por quem os sinos dobram. Eles dobram por ti.”
Chegamos ao ponto em que, antes de nos permitirmos sentir compaixão por alguém que sofre, perguntamos em quem a pessoa votou.
Quando a política endurece de tal maneira o coração das pessoas, é porque ela já se tornou em si um câncer em metástase
Na semana passada, o advogado Emerson Grigollette, um dos mais corajosos defensores da liberdade de expressão no Brasil, estava rezando os mistérios dolorosos do terço quando dirigiu um pedido fervoroso de intercessão à Advogada dos homens diante de Deus.
Ninguém ouviu esse pedido, a não ser Nossa Senhora e o próprio Deus. Foi um daqueles atos sem testemunha que constituem, nas palavras de Olavo de Carvalho, “a única base possível sobre a qual um homem pode desenvolver uma consciência moral autêntica, rigorosa e autônoma”.
Eis que, alguns dias depois, por algum motivo que desconhecemos, mas que também podemos chamar de providência divina, o ministro-imperador, em geral, impassível ante argumentos técnico-jurídicos, decidiu desbloquear as contas bancárias de Rodrigo Constantino, exilado da ditadura brasileira que está em tratamento de câncer.
Alguns encararam o desbloqueio das contas do Consta como uma prova de que não existe ditadura no Brasil. Como apontei a um amigo, isso é mais uma prova de que existe algo muito errado com a alma e a inteligência dos militantes políticos.
As contas de Constantino nunca deveriam ter sido bloqueadas, pelo simples fato de que ele não cometeu crime algum. (Isso é de uma obviedade tão escandalosa que até sinto vergonha em escrever.)
Não considero possível ignorar o drama de Preta Gil ― ou negar a essa mãe e avó o direito que lance mão de todos os recursos possíveis para salvar sua vida e voltar para o convívio de seus familiares.
Assim também não posso conceber que seres humanos dotados de razão, discernimento e consciência moral sejam capazes de fazer vistas grossas a situações como a de Eliene Amorim de Jesus, a estudante de psicologia, manicure e missionária da Assembleia de Deus, presa por estar tomando notas para um trabalho da faculdade no fatídico 8 de janeiro. Eliene encontra-se esquecida em uma cela fétida do inferno conhecido como Presídio de Pedrinhas, no Maranhão.
Existem no Brasil centenas de milhares de Elienes: reféns políticos, martirizados e torturados por ordem do Imperador Calvo. Se você não se compadece diante disso, significa que o câncer da política já tomou conta da sua alma.
Se você está comemorando antecipadamente a prisão abusiva de Jair Bolsonaro, e desejando que ele morra por lá, tenha isto em mente: não haverá compaixão para quem não se compadece.
Rezo para que Deus lhe conceda anistia.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/paulo-briguet/o-pais-sem-anistia-quando-a-politica-destroi-a-alma/

Derretimento de Lula segue a todo vapor

O derretimento do governo Lula segue acelerado, como não poderia deixar de ser. Não é problema de comunicação, como alertei no dia da mudança na Secom: é um problema de essência, de conteúdo, não de embalagem. O petismo nada esqueceu e nada aprendeu, e ninguém pode alegar surpresa.
A turma tucana que fez o L não tinha qualquer evidência por parte do Lula ou do PT de que um novo governo seria diferente. Recolocaram o ladrão na cena do crime, como diria Alckmin, por “nojinho” do Bolsonaro. Agora fingem espanto…
A pesquisa Genial/Quaest mostra que desaprovação ao governo Lula dispara sete pontos, chegando a 56% e descolando da aprovação. O Nordeste, jovens e eleitores de classe média baixa puxam escalada da rejeição. Lula não tem mais ninguém do povo ao seu lado. Restaram somente banqueiros, empreiteiros corruptos, artistas decadentes e “jornalistas”. Não existe mais petista grátis!
Para desespero dos militantes das redações, é maior o número de brasileiros que acham o governo Lula pior do que o de Bolsonaro. Talvez por isso a perseguição ao ex-presidente tenha se intensificado, com direito a pedido do STF para que a PGR avalie uma prisão preventiva por convocar manifestação! O cerco se fecha pois todos se deram conta de que a derrota da esquerda é certa em 2026, se houver eleição minimamente limpa…
O Globo já admite que não é apenas a turma bolsonarista que desgasta o governo: “Bolsonarismo e críticas de influenciadores a consignado ‘ofuscam’ ações de Lula para retomar popularidade. Governo tem enfrentado dificuldade para emplacar agenda positiva nas redes sociais em meio à queda de popularidade”. Segundo a reportagem, influenciadores furaram a bolha da direita e, assim, dificultam retomada da aprovação de Lula.
Como resgatar essa aprovação em meio a tanta trapalhada? A economia continua afundando, pois o modelo petista irresponsável sempre foi insustentável. Enquanto isso, até a degradação da Amazônia disparou, crescendo quase 500% em 2025! Mas os artistas desapareceram, pois a preocupação nunca foi com o meio ambiente. E, diante da desgraça que é o atual governo em todas as áreas, como reagem os tucanos?
Vera Magalhães dá o tom: “Se o governo fosse forte no Parlamento, seria mais fácil cerrar fileiras com o Centrão e simplesmente passar o trator em cima dos que defendem a anistia, virar essa página e começar, finalmente, a discutir as matérias econômicas, estas sim prioridades dos brasileiros”. Os militantes lamentam que o governo Lula seja incapaz de “tocar a agenda econômica”, sendo que essa agenda é justamente parte do problema!
Se a anistia não fosse prioridade para o povo, como afirma a jornalista, então é preciso explicar como há tanta mobilização parlamentar, justamente dos deputados mais votados do país, além das manifestações nas ruas que colocam bem mais gente do que a manifestação comunista contra a anistia! Mas a lógica e os fatos não importam: é preciso ignorá-los para manter a narrativa oficial.
E por conta dessa postura mesmo que o governo de extrema esquerda de Lula, com a cumplicidade dos tucanos e da velha imprensa, continua derretendo. A turma do centrão fisiológico só pensa naquilo, mas mesmo esses parlamentares começam a se afastar de quem controla os cofres públicos, pois sabem que o custo eleitoral será alto demais em 2026…
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/rodrigo-constantino/derretimento-governo-lula-segue-a-todo-vapor/
Pesquisa Quaest mostra que mudança de ministro da Secom foi inútil

Lula culpou a “comunicação” pelo próprio fiasco e substituiu o adulador Paulo Pimenta por Sidônio Palmeira na Secretaria de Comunicação. O problema é que marqueteiro não faz milagres, como atestou a pesquisa Quaest divulgada ontem (2), sobre o fracasso das jogadas de Sidônio. Pior: a maioria acha que a comunicação continua a mesma, após a saída de Pimenta, e que essa área mais piorou do que melhorou. Não por acaso, petistas como Gleisi Hoffmann querem ver Sidônio pelas costas.
Queimando o filme
Sidônio fez Lula aparecer mais, porém, a Quaest mostra que piorou a percepção do presidente, que, a rigor, queima o filme do próprio governo.
Factóides vazios
O número deve ter um significado dramático para o marqueteiro Sidônio: apesar de tantos factóides, para 50% Lula “tem aparecido menos”.
Apoio irrelevante
Apesar do apoio da mídia ao governo petista, para 47% Sidônio não alterou a percepção de que predomina o noticiário negativo sobre Lula.
Redes sociais crescem
A pesquisa Quaest também mostra que a maioria dos brasileiros (44%) se informa pela TV, mas já são 34% os que preferem as redes sociais.
62% afirmam que Lula não deveria disputar reeleição

A maioria dos brasileiros reprova a possibilidade de Lula (PT) tentar uma reeleição para Presidência da República, em 2026. Segundo o resultado da pesquisa Genial/Quaest divulgado nesta quinta-feira (3), 62% responderam que o petista não deveria concorrer a um novo mandato, nas eleições presidenciais de 2026.
A rejeição a uma eventual candidatura para reeleger Lula aumentou dez pontos percentuais em relação à última pesquisa realizada em dezembro de 2024, quando 52% reprovavam a possibilidade. E alcançou o maior patamar de reprovação desde o início da série histórica iniciada em julho do ano passado.
No sentido inverso, 35% apoiam que Lula dispute votos pela sua permanência por mais quatro anos comandando o Palácio do Planalto. Posição que caiu dez pontos percentuais, desde o último levantamento.
Na pesquisa que entrevistou presencialmente 2.004 pessoas, entre os dias 27 e 31 de março, 3% optaram por não responder ou disseram não saber dar uma resposta. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
Adriana Ventura questiona: ‘cadê a grandeza do STF?’

A deputada Adriana Ventura (SP), líder do partido Novo na Câmara, defende que chegue ao fim a atuação política do Supremo Tribunal Federal (STF). Em entrevista ao podcast Diário do Poder, a deputada defendeu o projeto de anistia aos condenados pelo 8 de janeiro, que apoia oficialmente, e conclamou: “pacificação é tudo que precisamos”. Adriana também criticou a falta de ação do Congresso diante de interferência do STF, como no caso das emendas parlamentares. A informação é da Coluna Cláudio Humberto, do Diário do Poder.
Sobre o caso do novo rombo nos Correios, Adriana Ventura resumiu: “já vi esse filme antes, eu acho que existe um modus operandi”.
“O Brasil joga dinheiro fora”, lamentou Ventura, que é autora de um projeto de lei que pretende acabar com supersalários no setor público.
Para a deputada, os supersalários são uma “barbaridade” e autoridades usam de subterfúgios para contornar ou mesmo ignorar o teto salarial.
FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/politica/ttc-politica/adriana-ventura-questiona-cade-a-grandeza-do-stf


EUA começam a agir no caso Filipe Martins e tensão toma conta de Brasília

A Justiça dos Estados Unidos marcou para 9 de abril, em Orlando, na Flórida, a primeira audiência que irá analisar uma ação apresentada pela defesa de Filipe Martins, ex-assessor internacional de Jair Bolsonaro.
A ação tem o objetivo de saber por que o sistema de imigração norte-americano registrou a entrada de Filipe Martins nos Estados Unidos no final de 2022.
No X, Bolsonaro soltou o verbo:
“Por que a PF não buscou testemunhas para esclarecer se Filipe Martins estava ou não no avião presidencial no dia 30 de dezembro de 2022?
Porque eles queriam usar a prisão para forçar uma delação fajuta? O fato é que Filipe mesmo sob tortura e preso por mais de 6 meses deixou claro que preferia seguir preso do que forjar uma delação e prejudicar outras pessoas.”
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