A Organização Mundial de Saúde precisa ser cobrada pelos seus erros

A pandemia de covid deveria soar como um alerta para o fato de que há algo muito errado – irreparável, até – na Organização Mundial de Saúde. Essa revelação não deveria surpreender. Afinal, a OMS é parte da Organização das Nações Unidas, firme e forte na incompetência e politização.

Desde o começo, autoridades governamentais, especialistas da saúde e analistas manifestaram preocupações quanto à inepta reação da OMS ao coronavírus, acusando a organização de dar uma confiança imerecida ao governo chinês, o qual de início tentou esconder o surto em Wuhan. Taro Aso, primeiro ministro adjunto e ministro da economia do Japão, até fez troça da OMS, chamando-a de Organização Chinesa de Saúde. Em vez de repreender Pequim pela tentativa de acobertamento, o diretor geral da ONU, Tedros Adhanom Ghebreyesus, elogiou o presidente da China, Xi Jinping, por sua “raríssima liderança” e louvou a “transparência” do Partido Comunista Chinês na reação ao vírus. Poucos negariam que Tedros e a OMS se atrasaram para declarar a emergência sanitária global e, em seguida, a pandemia. Mas a trapalhada mais recente da OMS é de cair o queixo.

A Medicago, uma empresa canadense, desenvolveu uma vacina de covid sintetizada numa planta do gênero Nicotiana, aparentada do tabaco. Nos testes clínicos, a vacina se mostrou 71% eficaz contra todas as variantes estudadas antes do surgimento da variante Ômicron e 75% eficaz contra a Delta. O departamento de saúde do Canadá aprovou a vacina para uso doméstico em fevereiro, mas sua distribuição global encontrou um obstáculo inesperado: a OMS não vai avaliar a possibilidade de aprovação da vacina para uso mais amplo por causa dos laços do fabricante com a empresa suíço-americana Philip Morris International, dona de cerca de um terço das ações da Medicago.

Os países ricos têm hoje um vasto estoque de vacinas de covid, mas a autorização da OMS para a vacina da Medicago, Civifenz, é crucial para expandir o acesso às vacinas nos países de baixa e média renda, já que assim ela ficaria qualificada para a inclusão no programa de vacinas global COVAX, da instituição. O acesso à Covifenz ajudaria especialmente os países que não têm infraestrutura médica sofisticada, porque, ao contrário de algumas das outras vacinas de covid, a Covifenz não precisa de armazenamento num congelador superfrio. A Medicago pode encontrar um jeito de contornar o problema — Philip Morris poderia vender as ações da companhia, por exemplo – mas a atual intransigência da OMS nega o alívio aos países que aos quais o próprio programa COVAX é feito para ajudar.

Fonte: Gazeta do Povo

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