
História se faz com pessoas talentosas e com disposição de servir. É o que procurarei demonstrar no presente texto. Não me considero supersticioso. No entanto, às vezes fico refletindo sobre determinados fatos que guardo na memória. Para não ser prolixo, mencionarei apenas dois relacionados com o simbolismo da sorte que número 2533 representou em ambos acontecimentos.
O primeiro deles é que esse era o número de Valmir Campelo Bezerra na campanha para deputado federal em 1986. Lembro-me como se fosse ontem que praticamente todas as noites e nos finais de semana, Valmir participava de encontros em residências de líderes comunitários, sem falar nas cansativas peregrinações pelas ruas das cidades satélites com o objetivo de expor suas ideias e ouvir as reivindicações da comunidade. Em trabalho paralelo, a equipe que atuava na retaguarda distribuía o material de campanha. Ao final das reuniões, o candidato alertava os eleitores de que eles não esqueceriam o número de sua candidatura porque 2533 simboliza o nascimento e a idade de Cristo. A estratégia funcionou. Ele se tornou campeão de votos na primeira eleição realizada em outubro de 1986 para escolha de nossos representantes na Câmara Legislativa do DF e no Congresso Nacional. Iniciou-se então sua trajetória na política partidária, ocasião em que conquistou uma das disputadíssimas vagas de deputado federal constituinte.
Para os mais jovens que talvez não o conheçam, Valmir Campelo nasceu em Crateús-CE, mas é candango de coração, pois aqui chegou em 1963. Graduado em jornalismo pela Universidade de Brasília, fez especialização em administração pública no Brasil e na Alemanha. Tem uma das mais longas e relevantes folhas de serviços prestados à capital da República e ao país. Apenas a título de recordação, naquela época a cidade era administrada por um prefeito nomeado pelo presidente da República. As questões econômicas e políticas locais eram tratadas por uma comissão específica do Senado Federal, criada em abril de 1960. Nem sequer se falava na independência política do DF. Mesmo assim, graças à sua competência e disposição para o trabalho comunitário, Valmir foi nomeado para administrar sucessivamente as cidades satélites de Brazlândia, Gama e Taguatinga, para onde se mudou e permaneceu com sua família durante cerca de 16 anos. Construiu obras importantes em todas elas, inclusive o estádio que leva seu nome, conhecido popularmente como Bezerrão. A arena vem servindo de palco de memoráveis partidas de futebol, esporte que praticou desde sua juventude e que ama como valoroso torcedor vascaíno e do Gamão. A par de várias outras funções de destaque exercidas no GDF, sua luta em prol da melhoria das condições de vida da população residente na periferia foi árdua. Mas teve o reconhecimento da população. Prova disso foi a esmagadora vitória que obteve, anos depois, na eleição para Senador da República, na qual se sagrou também campeão de votos. Com a bagagem adquirida nos Poderes Executivo e Legislativo, Campelo foi nomeado para o cargo de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). Lá ocupou todas funções hierárquicas, culminando com sua posse como presidente daquela egrégia Corte de Contas.
Sem dúvida, pensando em termos de numerologia, o número que recebeu da justiça eleitoral o ajudou. Mas não foi o fator determinante, claro. Sorte ou não, uma coisa é certa: liderança, carisma, trabalho duro, passado limpo e discurso consistente e coerente com princípios éticos e sem falsas promessas são atributos que conduzem o político de sua estirpe a ter um futuro promissor. Seus feitos como homem público íntegro serão sempre lembrados pela população. Parabéns, Valmir!. Você faz parte da história da construção e consolidação de Brasília. Não é à toa que seu nome está merecidamente gravado não apenas em prédios e logradouros públicos, mas também e principalmente na memória do povo.
O segundo episódio atribuído ao número que deu sorte e que não me esqueci, apesar de ocorrido há quase dez anos, é que foi por meio do 2533 que um sortudo ganhou uma bolada da Quina, no sorteio de 25/02/2011. O contemplado não quis que seu nome fosse revelado, possivelmente para não ser importunado em razão da grana que recebeu, que mesmo não sendo uma quantia muita elevada, para ele significou uma fortuna.
Nosso foco é o Brasil.
Brasília-DF, 22 de dezembro de 2021. José Leite Coutinho

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