Após a decisão que manteve o foro privilegiado do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu também anular quatro relatórios de inteligência financeira (RIFs), produzidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que embasaram a investigação sobre o suposto desvio de salários de seus antigos funcionários na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
Para a maioria dos ministros, eles foram produzidos de forma irregular, em razão do detalhamento dos dados repassados ao Ministério Público (apontando, por exemplo, o valor de rendimentos mensais, quantias recebidas por transferências, gastos com cartões de créditos e outros valores destinados ao pagamento de financiamento mobiliário). Além disso, teriam sido requisitados pelos promotores do caso e não comunicados de forma espontânea pelo Coaf, que identifica transações atípicas e as repassa ao MP.
Assim como no julgamento que manteve o foro privilegiado, votaram a favor de Flávio Bolsonaro os ministros Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Edson Fachin. O único a divergir foi Edson Fachin. A decisão dificulta ainda mais a reconstrução do inquérito, cujas provas já foram anuladas, em sua maior parte, por decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ). No ano passado, o senador foi denunciado, mas além de esvaziada de provas, a acusação também foi paralisada, por ordem do ministro do STJ João Otávio de Noronha.

Be the first to comment on "STF anula relatórios do Coaf que embasaram inquérito contra Flávio Bolsonaro"