Pedro Meira
O problema é que esses delírios geopolíticos de neoconservadores anglo-saxões são profecias autorrealizáveis. Se o Brasil duplicasse ou triplicasse seus gastos militares – isso em detrimento das enormes necessidades da população, é claro –, esses arautos imperialistas de língua inglesa tomariam isso como prova de que o Brasil é de fato ameaçador e redobrariam seus clamores. Os Estados Unidos têm gastos militares muito maiores do que o dos outros países, mesmo as grandes potências como China e Rússia, e só países dotados de arsenal nuclear podem se considerar mais ou menos a salvo dos americanos.
Costuma ser dito que as forças armadas do México não tem nenhum plano para se defender de uma invasão americana, porque isso seria inútil, tamanha a desproporção de forças.
TORRAR DINHEIRO – E aqui no Brasil nem mesmo o lulismo manifestou alguma vez intenção de fazer uma bomba atômica. Os projetos militares do lulismo ficaram nos submarinos superfaturados do almirante Othon Silva, nos mísseis da Odebrecht (imagine só…), na compra de caças suecos com tecnologia americana, tudo isso servindo mais para torrar dinheiro que para contrapor a qualquer perigo real vindo dos americanos, a quem dificilmente algum governante daqui, nem mesmo o Lula, teria condições reais de fazer frente.
Outra coisinha, só para constar: A “New Republic” costuma ser considerada nos EUA como uma publicação de esquerda, do meio que fornece boa parte das ideias do esquerdismo brasileiro.
A verdade é que todos no Brasil são americanófilos: a direita brasileira sonha com a velha América dos anos 50 do macartismo, de Eisenhower e Marylin Monroe, enquanto a esquerda moderninha do Brasil vive com a cabeça na América de Hollywood, da Universidade Berkeley e de Judith Butler. Não é à toa que tantos esquerdistas aqui estejam tão encantados de terem agora um salvador americano, Greenwald. Será que nossa sábia esquerda antenada iria combater seus patronos intelectuais ianques?
Ah, claro, o Brasil iria evitar a invasão eliminando a ameaça ambiental, como já vinha fazendo na era Lula, em que ao mesmo tempo se preservava a flora, e se expandia para todo lado o agronegócio. Milagres do lulismo. Basta ler o artigo do Merval como Lula lidava com críticas à preservação ambiental.

Be the first to comment on "Nossa sábia esquerda agora tem um salvador que foi importado dos Estados Unidos"